Ministro da Cultura brasileiro cita Guiné Bissau como modelo inadequado

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A  referência  negativa a um país africano é um hábito  entre a elite brasileira e seus governantes que  tem muitas dificuldades em reconhecer o quanto são ignorantes  e preconceituosos  quando utilizam de forma estereotipada a imagem dos países africanos.

 

O caso exemplar é a última  manifestação do Ministro da Cultura do Brasil, que de forma  deselegante e  preconceituosa  argumenta contra a reforma administrativa do novo presidente da República, que pretende  transformar o Ministério da Cultura em uma Secretaria do Ministério da Educação e , cita Guiné Bissau como modelo inadequado. A citação fica mais grave quando ele compara com outros países.

Guiné Bissau , terra Amilcar Cabral de um dos maiores líderes africanos revolucionários que transformou o continente  africano no século XX. Uma nação que trabalha duro pelo seu desenvolvimento.

 

O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, divulgou uma nota nesta quarta-feira (31), no qual iguala proposta do presidente eleito Jair Bolsonaro em relação ao Ministério da Cultura com modelo adotado na Guiné-Bissau.

 

No texto, Leitão defende que transformar o Ministério da Cultura em uma secretaria do Ministério da Educação, em conjunto com o Esporte, “tem um paradigma que não me parece adequado: Guiné-Bissau”, afirmou. Na versão original da nota, o ministro havia comparado a proposta a modelo adotado na Venezuela. Também na versão original, o ministro não defendia a manutenção da Lei Rouanet. A assessoria encaminhou o parágrafo alterado às 17:20h desta quarta.

 

A reportagem do Estado chegou a apurar, nos endereços eletrônicos oficiais do governo venezuelano, a existência de três pastas separadas: Ministério da Educação, Ministério da Educação Universitária, Ciência e Tecnologia e o Ministério da Cultura. Já no país africano, consta o Ministério da Educação, Ensino Superior, Juventude, Cultura e Esporte.

 

A proposta de Bolsonaro faz parte da intenção do novo governo em enxugar ministérios, sob a justificativa de corte de gastos. Na terça-feira, o vice-presidente eleito, general Hamilton Mourão, reforçou a unificação das pastas de Esporte e Cultura com Educação, além de afirmar que pastas tradicionais devem se manter isoladas. O governo pretende ter, no máximo, 16 ministérios.

 

Ainda na nota do ministro da Cultura, Leitão defende a proposta de unificar a pasta com Esporte e Turismo. Apresentando uma lista de argumentos, ele afirma que “são três ministérios do mesmo peso” e “são três áreas que compõem o campo da economia criativa (ou economia do tempo livre, ou economia do entretenimento)”. O ministro segue o texto com uma lista de países onde tal política foi adotada, encabeçada pelo Reino Unido e pela Coreia do Sul.

 

O ministro ainda ressalta a ideologia dos governos apresentados por ele como exemplos a serem seguidos. Todos são de direita ou centro-direita, segundo ele, assim similares às ideologias de Bolsonaro. A França é o único país da lista apontado como um governo de centro.

 

E Guiné Bissau para o Ministro da Cultura, que com certeza não deve conhecer, nem tampouco imaginar a história de um país jovem com cerca mais de 43 anos, que luta com dificuldades econômicas. O Ministro da cultura brasileiro trata com descortesia e como boa parte da elite brasileira usa de maneira preconceituosa a imagem de um país africano.

Confira a nota na íntegra: 

Olá! O modelo institucional mais avançado existente hoje no mundo para a gestão de uma política cultural contemporânea, que deve combinar a preservação do patrimônio material e imaterial, o desenvolvimento da economia criativa, a afirmação simbólica do país (“marca-país” e “soft power”), a proteção dos direitos autorais e da propriedade intelectual, a profissionalização setorial, o fomento às artes e a integração com áreas afins, é o que integra Cultura, Esporte e Turismo; e, não raro, Mídia. Também é o modelo adotado por países que melhor gerem o “legado olímpico”, valorizam o turismo como um segmento importante da economia e apresentam os melhores indicadores de desenvolvimento humano e competitividade.

Assim, se houver de fato a redução do número de ministérios, minha sugestão é a criação do Ministério de Cultura, Esporte e Turismo. Como na Coréia do Sul, que é um benchmark internacional nas três áreas. Há muitos argumentos a favor deste modelo:

– São três áreas de investimento com alto potencial de retorno (grande participação no PIB e geração de renda e emprego)

– São atualmente três ministérios com o mesmo peso, então não haveria a sensação de “extinção”

– São três áreas que lidam com a representação simbólica do país

– São três áreas que compõem o campo da economia criativa (ou economia do tempo livre, ou economia do entretenimento)

– São três áreas com muitas convergências e sinergias (as leis de incentivo do Esporte e da Cultura são iguais e podem ter a mesma estrutura de gestão, por exemplo)

– Um dos programas mais bem-sucedidos do MinC é a construção em parceria com municípios de centros culturais e esportivos (já são mais de 200)

– O turismo rentabiliza a cultura (patrimônio) e é potencializado pela cultura e pelo esporte (eventos, patrimônio)

Enfim… Me parece o melhor caminho. E há o case da Coréia do Sul como referência. Outro excelente paradigma é o Reino Unido, que acrescenta ao mix acima a área de Mídia.

Vale a pena ver alguns exemplos:

REINO UNIDO

Department for Digital, Culture, Media and Sport (desde 1997)

Ministério de Cultura, Mídia e Esporte (inclui Turismo)

https://www.gov.uk/government/organisations/department-for-digital-culture-media-sport

Governo: Centro-Direita (Partido Conservador)

CORÉIA DO SUL

Ministry of Culture, Sports and Tourism (desde 2008)

Ministério de Cultura, Esportes e Turismo (inclui Mídia e Direitos Autorais)

http://www.mcst.go.kr/english/ministry/organization/orgChart.jsp

Governo: Centro-Direita (Democratic Party)

ISRAEL

Ministry of Culture and Sport (desde 2009)

Ministério de Cultura e Esporte

https://www.gov.il/he/Departments/ministry_of_culture_and_sport

Governo: Direita (Likud)

ALEMANHA

Beauftragter der Bundesregierung für Kultur und Medien (desde 1998)

Comissariado Federal de Cultura e Mídia (status ministerial ligado ao Primeiro Ministro)

https://www.bundesregierung.de/breg-de/bundesregierung/staatsministerin-fuer-kultur-und-medien

https://www.bundesregierung.de/resource/blob/973862/777028/48f26ea4086470cb1b7e4c46f84940eb/2016-12-10-english-summary-data.pdf?download=1

Governo: Centro-Direita (Christian Democratic Union/Christian Social Union)

AUSTRÁLIA

Department of Communications and the Arts (desde 2015)

Departamento de Comunicações e Artes (status de ministério)

https://www.communications.gov.au

https://www.minister.communications.gov.au/

https://www.communications.gov.au/sites/g/files/net301/f/organisational_chart_original_15102018.pdf

https://www.communications.gov.au/who-we-are/department/corporate-plan

Governo: Centro-Direita (Liberal Party of Australia)

DINAMARCA

Kulturministeriet

Ministério da Cultura (inclui Cultura, Esporte, Mídia e Direitos Autorais)

https://english.kum.dk

https://kum.dk/om-ministeriet/organisation-og-institutioner/departementet/

Governo: Centro-direita (Danish People’s Party)

NORUEGA

Kulturdepartementet

Ministério da Cultura (inclui Cultura, Esporte, Mídia e Direitos Autorais)

https://www.regjeringen.no/en/dep/kud/id545/

https://www.regjeringen.no/en/dep/kud/organisation/id569/

Governo: Centro-Direita (Partido Conservador)

FRANÇA

Ministère de la Culture (2017; entre 1997 e 2017, “Ministère de la Culture et de la Communication”)

Ministério da Cultura (continua incluindo a área de Mídia)

http://www.culture.gouv.fr/

http://www.culture.gouv.fr/content/download/42837/341508/version/24/file/Organigrammeinstitutionnel_16_10_2018.pdf

http://www.culture.gouv.fr/Nous-connaitre/Organisation

Governo: Centro (La République En Marche!)

SINGAPURA

Kementerian Kebudayaan, Masyarakat dan Belia (文化、社区及青年部)

Ministry of Culture, Community and Youth

Ministério da Cultura, Comunidade e Juventude (inclui Esporte)

https://www.mccy.gov.sg

Governo: Centro-Direita (People’s Action Party)

A junção de Educação, Cultura e Esporte, por sua vez, tem um paradigma que não me parece adequado: Guiné-Bissau. Torço para que o novo presidente escolha o melhor modelo; e realize uma política cultural à altura da excelência criativa e da força econômica e social da cultura brasileira e do potencial de crescimento que o setor apresenta. É vital manter e aperfeiçoar a Lei Rouanet e os programas e ações feitos nos últimos dois anos. Isso é o mais importante!

Protesto contra o racismo na Universidade do Mackenzie

download30.out.2018 às 15h09

Fernanda Canofre

SÃO PAULO

Na manhã desta terça-feira (30), centenas de estudantes da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo, protestaram em repúdio às falas de um aluno da instituição que aparece em vídeos ameaçando matar “negraiada” e “vagabundo com camiseta vermelha”.

Segundo um aluno do 9º semestre, que pediu para não ser identificado, o ato não pretendia “fazer justiça com as próprias mãos” ou transformar a vida do aluno “em um inferno”, mas sim cobrar uma posição da universidade.

“O protesto foi apartidário, pessoas de direita e esquerda estavam lá. Ele serviu para dizer que tem negros no Mackenzie, que essas vidas importam, que a gente não pode criar um ambiente acadêmico onde a pessoa se sinta confortável para fazer um vídeo ameaçando de morte minorias”, explica ele.

Os vídeos que geraram a reação foram postados no perfil pessoal do próprio estudante, que está no 10º semestre do curso de Direito. Na segunda-feira (29), eles começaram a circular entre outros alunos e ganharam repercussão nacional. O jovem foi identificado pelos colegas.

Em um deles, ele aparece dentro de um carro, vestindo uma camiseta com a foto do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), e diz que vai “estar armado com faca, pistola, o diabo, louco para ver um vagabundo com camiseta vermelha para matar logo”. Ele segue dizendo que “essa negraiada, vai morrer” e grita “é capitão, caralho”. No segundo vídeo, o estudante segura um revólver e canta “capitão, levanta-te”.

Integrante do Coletivo Negro Mack, que reúne estudantes negros do Mackenzie, Lucas, 23, aluno do 7º semestre de direito, conta que alguns alunos negros faltaram a aulas desde a divulgação dos vídeos por medo.

“É uma coisa que a gente está vendo crescer no país. A eleição do Bolsonaro legitimou esse discurso, como se não tivesse mais barreiras, nem ética, nem moral, só uma desumanização e um ódio muito grandes. A gente tem que mostrar que isso tem que ser combatido”, diz.

Em nota enviada à Folha, o reitor da universidade, Benedito Aguiar Neto, afirma que as opiniões e atitudes expressas no discurso do aluno “são veementemente repudiadas” pela instituição.

Ele diz ainda que foi instaurado um processo disciplinar “aplicando preventivamente a suspensão” do aluno e aberta “sindicância para apuração e aplicação das sanções cabíveis, conforme dispõe o Código de Decoro Acadêmico da Universidade”.

 

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Protesto contra racismo no Mackenzie /Coletivo Afro

O ato desta terça iniciou por volta das 8h e se dissipou perto das 10h. Convocado de forma espontânea por alunos da Faculdade de Direito, também reuniu alunos dos cursos de Engenharia, Comunicação Social e Arquitetura. Um segundo protesto está marcado para às 19h desta terça.

Nas eleições deste ano, o Diretório Central de Estudantes (DCE) e o Centro Acadêmico João Mendes Jr., da Faculdade de Direito, haviam se manifestado oficialmente contra a candidatura de Jair Bolsonaro e a favor de Fernando Haddad (PT). O Mackenzie, porém, se manteve neutro.

Em um texto postado nas redes sociais, o Centro Acadêmico diz que a posição é “um mea culpa” para reparar o apoio de alunos à ditadura militar em 1968. No dia 3 de outubro daquele ano, estudantes do Mackenzie entraram em confronto com alunos da Universidade de São Paulo, contrários ao regime, no episódio que ficou conhecido como“batalha da Maria Antônia”.

Um estudante secundarista, José Guimarães, 20 anos, quatro pessoas foram baleadas e dezenas ficaram feridas. O episódio também serviu como justificativa para a implementação do Ato Institucional Nº 5.

Veja a nota na íntegra:

A Universidade Presbiteriana Mackenzie tomou conhecimento de vídeos produzidos por um discente, fora do ambiente da Universidade, e divulgados nas redes sociais, onde ele faz discurso incitando a violência, com ameaças, e manifestação racista.

Tais opiniões e atitudes são veementemente repudiadas por nossa Instituição que, de imediato, instaurou processo disciplinar, aplicando preventivamente a suspensão do discente das atividades acadêmicas. Iniciou, paralelamente, sindicância para apuração e aplicação das sanções cabíveis, conforme dispõe o Código de Decoro Acadêmico da Universidade.

Benedito G. Aguiar Neto
Reitor

fonte: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/10/alunos-protestam-e-mackenzie-suspende-estudante-que-falou-em-negraiada.shtml?utm_source=chrome&utm_medium=webalert&utm_campaign=noticias

O racismo brasileiro sob o olhar de um jornalista angolano

luanda

Victor de Carvalho

No Brasil, país que hoje vai a votos para eleger um novo Presidente da República, o preconceito é quase como que uma instituição nacional que discrimina e marginaliza grupos de cidadãos que “ousam” afirmar-se pela sua diferença, sem qualquer tipo de complexo.
Entre os marginalizados está a comunidade negra, que ao longo dos anos tem sentido o quanto é difícil conviver lado a lado com o preconceito social de quem se julga superior pelo simples facto de ter um tipo de pele diferente.
O jornal “Folha de São Paulo” publicou uma matéria que revela, mais uma vez, a força que o preconceito tem no Brasil e onde  um cidadão angolano aparece envolvido como promotor de um concurso de beleza onde foi eleita a Miss África Brasil, uma jovem natural da Guiné-Bissau que chegou seis anos atrás ao país.
Samira Nancassa, de 28 anos de idade e mãe de um bebé com pouco mais de um ano, chegou ao Brasil com dois sonhos: concluir um curso superior e ser modelo.
Se o primeiro sonho ainda permanece intacto, o segundo esfumou-se quando engravidou de um homem de quem acabaria pouco depois por se separar. Por isso, foi hesitante que se inscreveu no concurso onde acabaria por ser eleita Miss África Brasil, para sua surpresa e gáudio das mais de 400 pessoas, na sua esmagadora maioria negras, que lotaram local onde o evento se realizou.
Neste últimas seis anos, Samira Nancassa lutou contra o preconceito de pessoas que fugiam quando a viam, pensando que podia tratar-se de uma assaltante, e das que lhe perguntavam o que estava a fazer num país que não era o seu.
O prémio conquistado no concurso é constituído por uma bolsa de estudos e uma viagem, o que a deixou satisfeita porque assim pode tornar realidade um dos sonhos que trouxe para o Brasil.
Por sua vez, o angolano Geovany Aragão, também ele de 28 anos de idade, organizador do evento, sentiu igualmente na pele os efeitos do preconceito racial sublinhando que foi isso que o incentivou a levar por diante a ideia de promover o concurso para eleger a Miss África Brasil.
Geovany Aragão chegou há quatro anos ao Brasil com a aspiração de se tornar jogador profissional de futebol. Hoje, passado esse tempo, orgulha-se de estar a fazer um mestrado em engenharia e de ser presidente de uma associação de estudantes africanos, deixando o futebol apenas para os tempos livres.
A realização do concurso, segundo ele, foi o pretexto que encontrou para mostrar à sociedade brasileira a capacidade das jovens africanas, para elevar a sua auto-estima e para divulgar a sua cultura.
A ideia foi a de dar de África a imagem de um continente que não precisa só de ajuda financeira, mas sobretudo necessita de ideias que ajudem ao seu crescimentos e de muita compreensão para aquela que é a sua realidade.
Estas são duas histórias de relativo sucesso que envolvem dois jovens imigrantes africanos que viram no Brasil uma plataforma para concretizarem os seus sonhos.
Porém, todos sabemos que existem muitas outras histórias, a esmagadora maioria, onde a luta contra o preconceito não teve o mesmo sucesso, tendo os sonhos sido desfeitos pela incompreensão humana daquilo que efectivamente é o continente africano, das esperanças e das ambições dos seus melhores filhos.
Infelizmente, o Brasil é apenas um dos muitos países onde o preconceito impera. Trata-se de um facto que não se esgota em questões raciais, mas se alonga a grupos minoritários que a sociedade marginaliza com uma tremenda falta de pudor.
Infelizmente, a tendência verificada nas sondagens feitas dias antes da realização das eleições de hoje deixam perceber que nada de substancial se irá alterar a nível da governação, com a previsível vitória de um candidato de direita que por várias vezes manifestou as suas ideias discriminatórias em relação às minorias.

Entre os marginalizados está a comunidade negra, que ao longo dos anos tem sentido o quanto é difícil conviver lado a lado com o preconceito social de quem se julga superior pelo simples facto de ter um tipo de pele diferente.
O jornal “Folha de São Paulo” publicou uma matéria que revela, mais uma vez, a força que o preconceito tem no Brasil e onde  um cidadão angolano aparece envolvido como promotor de um concurso de beleza onde foi eleita a Miss África Brasil, uma jovem natural da Guiné-Bissau que chegou seis anos atrás ao país.
Samira Nancassa, de 28 anos de idade e mãe de um bebé com pouco mais de um ano, chegou ao Brasil com dois sonhos: concluir um curso superior e ser modelo.
Se o primeiro sonho ainda permanece intacto, o segundo esfumou-se quando engravidou de um homem de quem acabaria pouco depois por se separar. Por isso, foi hesitante que se inscreveu no concurso onde acabaria por ser eleita Miss África Brasil, para sua surpresa e gáudio das mais de 400 pessoas, na sua esmagadora maioria negras, que lotaram local onde o evento se realizou.
Neste últimas seis anos, Samira Nancassa lutou contra o preconceito de pessoas que fugiam quando a viam, pensando que podia tratar-se de uma assaltante, e das que lhe perguntavam o que estava a fazer num país que não era o seu.
O prémio conquistado no concurso é constituído por uma bolsa de estudos e uma viagem, o que a deixou satisfeita porque assim pode tornar realidade um dos sonhos que trouxe para o Brasil.
Por sua vez, o angolano Geovany Aragão, também ele de 28 anos de idade, organizador do evento, sentiu igualmente na pele os efeitos do preconceito racial sublinhando que foi isso que o incentivou a levar por diante a ideia de promover o concurso para eleger a Miss África Brasil.
Geovany Aragão chegou há quatro anos ao Brasil com a aspiração de se tornar jogador profissional de futebol. Hoje, passado esse tempo, orgulha-se de estar a fazer um mestrado em engenharia e de ser presidente de uma associação de estudantes africanos, deixando o futebol apenas para os tempos livres.
A realização do concurso, segundo ele, foi o pretexto que encontrou para mostrar à sociedade brasileira a capacidade das jovens africanas, para elevar a sua auto-estima e para divulgar a sua cultura.
A ideia foi a de dar de África a imagem de um continente que não precisa só de ajuda financeira, mas sobretudo necessita de ideias que ajudem ao seu crescimentos e de muita compreensão para aquela que é a sua realidade.
Estas são duas histórias de relativo sucesso que envolvem dois jovens imigrantes africanos que viram no Brasil uma plataforma para concretizarem os seus sonhos.
Porém, todos sabemos que existem muitas outras histórias, a esmagadora maioria, onde a luta contra o preconceito não teve o mesmo sucesso, tendo os sonhos sido desfeitos pela incompreensão humana daquilo que efectivamente é o continente africano, das esperanças e das ambições dos seus melhores filhos.
Infelizmente, o Brasil é apenas um dos muitos países onde o preconceito impera. Trata-se de um facto que não se esgota em questões raciais, mas se alonga a grupos minoritários que a sociedade marginaliza com uma tremenda falta de pudor.
Infelizmente, a tendência verificada nas sondagens feitas dias antes da realização das eleições de hoje deixam perceber que nada de substancial se irá alterar a nível da governação, com a previsível vitória de um candidato de direita que por várias vezes manifestou as suas ideias discriminatórias em relação às minorias.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/artigos/luta_contra_o_preconceito

Racista é presa no Piauí

 

delzuite-macedo.jpg

 

As pessoas vão presas por racismo?

Eu costumo perguntar e invariavelmente me respondem que não.

O fato é que diariamente no Brasil as pessoas estão sendo detidas. |O caso que ganhou os jornais envolve uma pessoa branca  de classe média e da área da saúde.

 

A dentista identificada como Delzuíte Ribeiro de Macêdo estava sendo investigada pela Polícia Civil, acusada de fazer comentários racistas há cerca de um mês, em sua rede social contra uma bebê em São Raimundo Nonato.

 

A bebê, que na época possuía apenas um mês de idade, é filha de uma ex-amiga de Delzuíte. A mãe da bebê registrou o boletim de ocorrência no dia 09 de abril, na Delegacia de Polícia Civil de São Raimundo Nonato.

 

Na publicação, a suspeita compara seu filho com a bebê: “O Gui é lindo e branco! Uma coisa eu caprichei nessa vida: eu não misturo o meu sangue com merda! Sou neta do Sr. João Apolônio. Já dizia o meu avô: ‘quando não caga na entrada, caga na saída’. Aí minhas amigas só me chegam com *…* mulher como a filha de fulana é feia você já viu? kkk e eu só respondo: Não amiga! Não me interesso por gente que nunca chegará ao meu tom de pele. Não adianta pintar o cabelo de vela, se os cromossomos condenam! […]

‘Preconceito’ sim, eu sou ‘preconceituosa’, mas abraço e beijo meus amigos de outras cores e coloridos. Mas escolhi a dedo com quem me misturar os A+ e O+”, disse a dentista na publicação.

 

 

A dentista Delzuíte Ribeiro de Macêdo foi presa na manhã desta terça-feira (17), por volta das 6h20, na casa de hospedagem do Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Piauí (SINTE-PI), no centro de Teresina. A odontóloga é acusada de fazer comentários racistas há cerca de um mês, em sua rede social contra um bebê no município de São Raimundo Nonato.

 

“Nós recebemos a cópia do mandado de prisão nesta segunda-feira (16) e, em seguida, realizamos algumas investigações. Então, nós decidimos entrar na casa de hospedagem do sindicato para ver se a acusada estava lá e logramos êxito”, informou o delegado Emir Maia, gerente de policiamento do interior.

 

Com o cumprimento do mandado de prisão, Delzuíte foi encaminhada para a penitenciária feminina. “Ela ficou inconformada com a situação, mas não resistiu à prisão. Já foi feito o exame de corpo de delito e a dentista foi encaminhada para a penitenciária feminina. Além disso, a mãe dela se faz presente com ela”, relatou o delegado.

Trump: “Para que queremos haitianos aqui? Para que queremos toda esta gente da África aqui?”.

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O presidente dos EUA, Donald Trump,  teceu comentários sobre o que verdadeiramente acredita em relação aos povos do mundo. Ele divide o mundo entre negros ,  africanos e haitianos,  e brancos como os noruegueses.

Donald Trump, chamou na quinta-feira de “buracos de merda” El Salvador, Haiti e vários países africanos, e sugeriu que preferiria receber em seu país mais imigrantes da Noruega ao invés dessas nações, de acordo com publicação do jornal “The Washington Post”.trump

“Por que temos todas essas pessoas de países (que são um) buraco de merda vindo aqui?”, afirmou Trump, durante uma reunião com parlamentares na Casa Branca, que apresentavam uma proposta sobre imigração. Os comentários deixaram os congressistas presentes chocados, noticiam vários órgãos norte-americanos.

O deputado Cedric L. Richmond (D-La.), Presidente do Congressional Black Caucus, disse no Twitter que as observações de Trump “são mais uma prova de que a agenda da “Make America Great Again” é realmente uma agenda da “America White Again”. O deputado traduziu o que Trump acredita: em um Estados Unidos branco.

Os insultos racistas de Trump são assustadores, por partir do presidente da nação mais poderosa do mundo, e queé um indicativo do que pensam seus seguidores.

Alguns republicanos também levantaram objeções. O representante Mia Love (R-Utah), cuja família é do Haiti, disse que as declarações de Trump eram “indeléveis, divisivas, elitistas e  se distanciavam dos valores da nossa nação”. Esse comportamento  do líder da nossa nação é inaceitável “.

O New York Times também lembrou que no ano passado,  Trump disse que imigrantes do Haiti têm AIDS. A Casa Branca negou.

<> on January 9, 2018 in Washington, DC.

O embaixador do Haiti nos Estados Unidos, Paul G. Altidor, disse que “o presidente estava mal informado ou mal educado sobre o Haiti e seu povo”. Ele disse que a embaixada do Haiti foi inundada com e-mails de americanos se desculpando pelo que disse o presidente.

Alix Desulme, membro do conselho da cidade no norte de Miami, que abriga milhares de haitianos americanos, disse que as últimas declarações do presidente eram “nocivas”.

“Meu Deus. Oh, meu Deus Jesus “, disse Desulme. “Não sei o quanto pior podemos chegar”.

“Isso é muito alarmante. Sabemos que ele não é polido, mas isso é muito baixo “, disse ele. “É desanimador que alguém que seja o líder do mundo livre use uma linguagem tão humilhante para conversar sobre outras pessoas, referindo-se aos negros”.

É difícil interpretar a declaração de Trump – comparando o Haiti e a África com a Noruega, na verdade – como qualquer coisa além de um ataque aos negros ao redor do mundo. Mas mesmo aqueles que não a interpretam dessa maneira devem ficar horrorizados com o fato de o presidente expressar tal desdém e desprezo pelos países, onde a pobreza é desenfreada, onde as pessoas lutam porque não têm as vantagens econômicas dos americanos, onde as guerras e crises são frequentes.

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Há dez meses, o conselho editorial do jornal americano Los Angeles Times publicou uma série matérias  sobre o presidente Trump denominando-o de “nosso presidente desonesto”. Mostrando que em suas manifestações  havia um padrão de mentiras, distorções e negativas de realidade que argumentamos foram projetados não apenas para desviar as críticas, mas para minar a própria ideia de verdade objetiva.

Mas, às vezes, Donald Trump é mais assustador quando está dizendo o que ele realmente acredita.

 

Fonte:https://www.washingtonpost.com/politics/trump-attacks-protections-for-immigrants-from-shithole-countries-in-oval-office-meeting/2018/01/11/bfc0725c-f711-11e7-91af-31ac729add94_story.html?hpid=hp_hp-top-table-main_trumpmeeting-445pm%3Ahomepage%2Fstory&utm_term=.d584da6fccdd

http://www.latimes.com/politics/la-na-pol-trump-congress-dreamers-20180111-story.html

Dia Internacional da Consciência do Albinismo é celebrado na Guiné Bissau

albinA Associação dos Albinos da Guiné-Bissau assinalou hoje, pela primeira vez no país, o Dia Internacional da Consciência  do Albinismo, com consultas gratuitas de dermatologia e oftalmologia.

“Os albinos têm problemas de pele e de vista e nós estamos a oferecer estas duas consultas”, disse Alberto Siga, presidente daquela associação.

Na Guiné-Bissau, segundo Alberto Siga, existem 97 albinos que vivem numa “situação muito triste e complicada”.

“Não temos apoios e quero lançar um SOS a quem possa dar uma mão a quem precisa”, disse, acrescentando que a associação precisa para distribuir aos albinos protetores solar, óculos escuros e cremes hidratantes.

Alberto Siga alertou que os albinos precisam de formação, emprego e acesso à saúde.

Com o dia de hoje, Alberto Siga pretende pedir à sociedade guineense “respeito” pelos albinos, para os deixarem participar no processo de desenvolvimento do país e contribuir com as suas ideias.

O Dia Internacional da Consciência do Albinismo foi criado pela primeira vez pela ONU em 2015.

 

http://www.dn.pt/lusa/interior/guine-bissau-assinala-pela-primeira-vez-dia-da-consciencializacao-do-albinismo-8560156.html

Direitos Humanos para as pessoas com albinismo na África Austral

Uma das maiores tragédias no campo dos direitos humanos é o tráfico de pessoas com albinismo na África Austral, que demandaria um esforço humanitário de todos os países que compõe a Nações Unidas, o tema ainda não entrou na pauta da CPLP, infelizmente.

Nenhuma nação do mundo pode convier com o destino dado as pessoas com albinismo na África Austral.

Encontro regional de dois dias decorre em Pemba, norte de Moçambique, e foi organizado pelas agências da ONU para migrações e infância, em parceria com autoridades.


África 21 Digital, com ONU News


                                                                                                       Foto: Unicef Moçambique/ Sergio Fernandez

Agências das Nações Unidas estão a unir forças com governos de África Austral para proteger pessoas com albinismo, que muitas vezes são vítimas de abusos como mutilação, tráfico e até assassinato, ligados a crenças de que partes dos seus corpos têm poderes mágicos em poções.

Um fórum regional de dois dias sobre proteção e prevenção e combate ao tráfico humano de pessoas com albinismo em Moçambique, Malaui e Tanzânia esta a decorrer em Pemba, norte do país lusófono.

Esta é a primeira formação deste tipo e foi organização pela Organização Internacional para Migrações (OIM), em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef),  procurador-geral de Moçambique e o procurador da província de Cabo Delgado.

Entre os participantes estão representantes de órgãos de coordenação de combate ao tráfico dos três países, além de promotores, policiais, instituições nacionais de direitos humanos e ONGs voltadas à proteção de pessoas com albinismo, entre outros.

Crianças

O representante do Unicef em Moçambique, Marcoluigi Corsi, falou de ações da agência e ressaltou a campanha #TodosIguais, lançada nas redes sociais em 2015 após casos de sequestro e morte de crianças com albinismo no país.

O objetivo é chamar atenção sobre o assunto e, segundo Corsi, a campanha, em andamento, já chegou a 5 milhões de pessoas até o momento.

Moçambique, Malaui e Tanzânia partilham fronteiras e, segundo a OIM, são países de origem ou destino de tráfico de pessoas com albinismo e partes de seus corpos.

O fórum resultará em um plano de ação de cooperação através de fronteiras para a prevenção e combate a crimes relacionados ao tráfico humano e para proteção dos direitos de pessoas com albinismo.

Para a chefe da missão da OIM em Moçambique, Katharina Schnoering, uma abordagem regional como esta “complementa ações nacionais em Moçambique, Malaui e Tanzânia e é a única forma de aprimorar a coordenação e investigação entre fronteiras para proteger pessoas com albinismo”.

Schnoering lembrou que esta abordagem regional à investigação, pesquisa e cooperação foi recomendada em um relatório recente da especialista independente da ONU sobre os direitos dessa população, Ikponwosa Ero, que vistou Moçambique em 2016.

A OIM está a trabalhar em parcerias com governos para prestar assistência a vítimas de tráfico humano e também no fortalecimento das respostas nacionais a estes crimes nos três países africanos.

https://africa21digital.com/2017/05/20/28018/

Um século depois, Namíbia exige justiça à Alemanha pelo seu primeiro holocausto

De 25 de novembro de 2016 a 12 de março de 2017, o Museu do Holocausto em Paris, França, organizou uma exposição dedicada ao genocídio de dois povos da Namíbia, os hereros e os namas, aquele que é hoje amplamente considerado o primeiro genocídio do século XX.

Após a Conferência de Berlim de 1884, quando as potências europeias dividiram a África entre si, a Alemanha governou o Sudeste Africano Alemão (atual Namíbia) até 1915.

Entre 1904 e 1908, os colonizadores alemães perpetraram um genocídio contra os povos hereros e namas, exterminando 65 000 hereros e 10 000 namas. Num detalhe particularmente macabro, os crânios de algumas vítimas foram levados até a Alemanha para investigação científica acerca da suposta desigualdade racial.

Por fim, sob a liderança de Samuel Maharero, membros das duas tribos organizaram uma revolta bem sucedida contra os alemães, recuperando as suas terras e pondo fim à violação em massa e a outras formas de degradação perpetradas pelos ocupantes alemães. Lutaram numa guerra de guerrilha que levou à situação que Véronique Chemla descreve no seu blogue como «um conflito maior». Véronique Chemla, jornalista de assuntos internacionais da American Thinker, da Ami e da FrontPage Mag, explica:

  • hereros e os namas

A 12 de janeiro de 1904, «ao mesmo tempo que as tropas alemãs tentavam sufocar a «revolta» dos nama Dondelswartz a sul, os herero Okahandja, exasperados pelas injustiças cometidas por Zürn (Comandante de Estação, tenente Ralph Zürn) e pela progressiva perda de território, atacaram explorações agrícolas e empresas alemãs e a infraestrutura colonial. Estes ataques resultaram numa brutal repressão por parte dos soldados e dos colonos, que levaram a cabo linchamentos e represálias indiscriminadas».

Na Alemanha, no seguimento das «descrições exageradas destes ataques, nasceu um verdadeiro desejo de guerra».

Ao mesmo tempo que a violência continuava a crescer, o levantamento local transformou-se num grande conflito, o que obrigou Maharero a colocar-se do lado dos «rebeldes». Para grande enfado dos políticos de Berlim, os homens de Maharero triunfaram, num primeiro momento, na sua resistência às tropas do (administrador colonial Theodor) Leutwein com técnicas de guerrilha. Leutwein foi dispensado do seu comando e substituído pelo implacável general Lothar von Trotha, que havia chegado à colónia em junho de 1904 com milhares de homens.

O general Lothar von Trotha dirigiu 15 000 homens numa implacável campanha de repressão. A 2 de outubro de 1904, deu ordens aos seus oficiais para realizarem o extermínio sistemático de membros das duas tribos, como se descreve numa publicação do Le Blog de Daniel Giacobi, professor francês de História:

Os hereros não são mais súbditos alemães. Se não aceitam isto, ser-lhes-á imposto pelas armas. Devem sair do país ou expulsá-los-ei com o «groot Rohr» [canhão grande].

Todo herero que se encontre dentro das fronteiras alemãs [namíbias], esteja armado ou não, será executado. Mulheres e crianças serão removidas do país — ou serão abatidas a tiro. Não serão levados quaisquer prisioneiros homens. Serão mortos a tiro. Esta decisão respeita os hereros. Dentro das fronteiras alemãs, matar-se-á todo o herero, armado ou não, com gado ou não. Não receberei mais mulheres ou crianças. Enviá-los-ei de volta sozinhos, ou ordenarei que os executem.

A minha política foi sempre no sentido de controlar a situação com terror brutal e até crueldade. Usarei toneladas de dinheiro para aniquilar os membros da tribo revoltosos, em torrentes de sangue. Somente desta semente crescerá algo novo e estável.

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Em agosto de 1904, na Batalha de Waterberg, os hereros e os namas viram-se rodeados «e a única saída era através do deserto Kalahari, onde os pontos de água estavam envenenados».

O que aconteceu depois foi, no entanto, mais trágico:

Por fim, colocou guardas e deu-lhes a ordem formal de matar todo e qualquer herero, independentemente de idade ou sexo. O resultado foi um massacre sistemático que alguns estimam ter feito entre 25 000 e 40 000 mortos (outros falam de 60 000 vítimas).

Vincent Hiribarren, professor catedrático de História Africana e Universal no King’s College de Londres, responsável pelo site libeafrica4.blogs.liberation.fr, publicou uma entrevista de Jean-Pierre Bat com Leonor Faber-Jonker, historiadora de Universidade de Utrecht, que descreveu os métodos de extermínio usados pelos alemães:

Esta era a política que von Trotha havia seguido, ainda que subentendida, desde o ataque de Waterberg. Durante a batalha, qualquer herero que tinha conseguido escapar do círculo de alemães que os rodeava, fugiu para Omaheke. Von Trotha ordenou que os perseguissem, que procurassem o terreno metodicamente e que eliminassem os pontos de água. Os hereros, obrigados a dirigirem-se ao deserto, morreram em grande número de desidratação e fome. Esta perseguição teve também repercussões para os alemães.

Foram exibidas cópias da ordem escrita aquando da captura dos hereros e estes foram obrigados a assistir à execução de vários dos seus camaradas prisioneiros, antes de serem enviados para o deserto para serem testemunhas do que haviam visto e dissuadirem outros hereros de voltar.

Os colonos tiveram um comportamento execrável, roubaram terras e violaram as mulheres hereros e namas. O sítio web do Museu do Holocausto realçou que a maioria dos colonos que se apoderaram das terras e do gado dos hereros trataram os africanos sem o mínimo respeito.

A violação era uma prática comum e era exacerbada pela falta de mulheres alemãs. O temor do povo alemão (Volk) pela degeneração racial levou à proibição de matrimónios inter-raciais em setembro de 1905. As ideias sobre diferenças raciais baseavam-se na antropologia alemã do final do século XIX, que propunha uma distinção entre raças consideradas «civilizadas» e raças consideradas «primitivas». Esperava-se ter uma compreensão da espécie humana através da observação objetiva dos «primitivos», como as pessoas exibidas em zoológicos humanos (muito populares na Europa nessa época).

Em 2011, descobriram-se onze crânios do genocídio na Namíbia. Até então, esta atrocidade havia permanecido oculta, como é referido no site do Museu do Holocausto:

O Blue Book (Livro Azul), um relatório oficial do governo britânico que enumerava as atrocidades cometidas no Sudeste Africano Alemão, e, pouco tempo depois, recompilou a conquista da colónia durante a Primeira Guerra Mundial, foi censurado em 1926, pensando no interesse da nova unidade. Depois, a perspectiva alemã do genocídio como uma heróica guerra colonial literalmente dominou o âmbito comemorativo da antiga colónia e esta viu-se inundada por monumentos e ruas com nomes que comemoravam o esforço bélico alemão. Depois de 1945, o passado colonial não ficou esquecido na Alemanha. No Sudeste Africano, a repressão do regime do apartheid sufocou qualquer debate público sobre o genocídio. Os descendentes das vítimas tiveram a tarefa de manter viva a memória do genocídio, com atos comemorativos e com a tradição oral.

Por fim, em julho de 2015, o governo alemão acordou enumerar os “acontecimentos que ocorreram” como um genocídio oficial, no seguimento do reconhecimento do genocídio arménio. No entanto, o governo não conseguiu proferir uma desculpa formal, nem mostrou vontade de dar uma compensação. Esta situação levou a um encontro em outubro de 2016 no Centro Francês de Berlim, que juntou partidários de vários países que afirmavam o direito das comunidades dos hereros e dos namas a participarem diretamente na negociação de uma resolução que inclua o reconhecimento do genocídio, um pedido de desculpas formal, apropriado e sincero às comunidades afetadas e a atribuição de uma compensação justa às duas comunidades, que continuam a sofrer os efeitos do genocídio.

Desde que a Namíbia conseguiu a sua independência em 1990, os descendentes das vítimas — juntamente com grupos de direitos humanos (sobretudo simpatizantes judeus) da Alemanha, dos Estados Unidos, de Botsuana e da África do Sul — têm batalhado pelo reconhecimento do genocídio e estão próximos de uma importante vitória judicial. Em julho de 2017, a juíza federal de Nova Iorque, Laura Taylor Swainouvirá uma queixa contra Berlim por parte dos descendentes das vítimas.

 

https://pt.globalvoices.org/2017/05/11/um-seculo-depois-namibia-exige-justica-a-alemanha-pelo-seu-primeiro-holocausto/

Mulher negra relata racismo e humilhação após abordagem em loja da PBKids

BABA 12 DE MAIO
Noelia Vicente dos Santos, 48, babá que relata racismo em loja de shopping em São Paulo

por JAIRO MARQUES

Assim que adentrou a loja de brinquedos em um conhecido shopping na zona oeste de São Paulo, a babá Noelia Vicente dos Santos, 48, teve mais uma vez na vida a sensação incômoda de estar sendo observada com desconfiança, como se fosse fazer algo errado ali. Isso devido à sua pele negra. Não estava enganada.

Já fora do shopping Eldorado, depois de procurar sem sucesso um presente para a filha bebê de uma amiga, Noelia foi abordada por um segurança da PBKids. Na porta do elevador, ele pediu que ela informasse onde havia colocado um boneco que tinha retirado de uma prateleira.

“Gostei de um boneco de joaninha, que fazia um barulhinho. Peguei e andei com ele pela loja, mas desisti de comprar porque achei caro, R$ 40. Devolvi em uma estante qualquer e fui embora”, diz a babá, que há 18 anos deixou a baiana Maracás para trabalhar “em casa de família” na capital paulista.

Noelia afirma que ficou menos de meia hora dentro da loja e que, ao notar que um segurança a “vigiava” com os olhos, resolveu criar uma empatia com ele para evitar mais constrangimentos.

“Perguntei se ele sabia onde eu encontraria uma boneca qualquer. Ele foi atencioso e chamou uma vendedora. Senti que tinha algo estranho naquele olhar, coisa que as pessoas negras sempre passam. Para evitar mais um constrangimento na minha vida, tirei o cartão de crédito e fiquei com ele na mão.”

Após sair da loja, por volta das 16h30, foi abordada pelo mesmo segurança que a observara nas dependências da PBKids. “Ele perguntou, sem agressividade, onde eu havia colocado o brinquedo. Fiquei surpresa, mas disse que tinha devolvido à prateleira. Ele retrucou que não tinham encontrado e me pediu para voltar à loja e indicar onde estava.”

Babá narra momentos de pânico e humilhação após ter sido abordada por segurança
Babá narra momentos de pânico e humilhação após ter sido abordada por segurança

Em nota, a PBKids negou qualquer postura preconceituosa da empresa e de seus colaboradores, diz que apura o caso e “lamentou profundamente” o ocorrido com Noelia.

Muito nervosa, chorando e observada por clientes e funcionários da loja, a babá diz que não conseguia se concentrar para lembrar onde havia colocado o boneco.

“Liguei para o meu marido em pânico, pedindo ajuda. Estava me sentindo humilhada, arrasada. Foi aí que o segurança piorou tudo falando ‘e aí, cadê?’. Joguei tudo que havia na minha bolsa no chão e gritei que não era ladra, que aquilo era preconceito.”

Depois de alguns minutos, ainda pressionada pelo segurança, segundo o relato da babá, ela pediu um tempo para respirar e se acalmar.

Foi então que lembrou-se exatamente de onde tinha deixado a joaninha, em uma prateleira perto da saída.

“Estava lá, à vista de qualquer um. O segurança pediu desculpas e escondeu o crachá. Logo veio a gerente e também me pediu desculpas, mas disse que não tinha nada mais o que fazer. Não senti nela um acolhimento, parecia algo corriqueiro. Foi a maior humilhação da minha vida. Por causa de R$ 40.”

JUSTIÇA

“Nonô”, apelido da babá que já trabalhou para personalidades como Rita Lee e Fernanda Young, prepara agora uma ação por danos morais. Ela será representada pela advogada Heloisa Bloisi.

“Já fiz o que a Nonô fez em lojas centenas de vezes e nunca fui abordada. É normal, mas é normal porque sou branca? O reparo não resolve a questão, mas pode representar algum alívio de que houve justiça”, diz a defensora.

O boletim de ocorrência a respeito do caso, ocorrido no último dia 4, será refeito nesta sexta-feira (12), por isso não é possível dizer ainda se haverá encaminhamento de investigação pela polícia por injúria racial, cuja pena máxima é de três anos e multa.

“Fui à delegacia de Pinheiros [14º DP] no mesmo dia. Depois de duas horas de espera, fui orientada a fazer a denúncia pela internet. Fiz, mas foi devolvido alegando inconsistência de dados. Vou novamente com a advogada.”

Moradora do Grajaú, na zona sul, a babá afirma que resolveu se expor e entrar na Justiça para tentar “mudar o mundo”. Mas admite que ficou vários dias perdida, confusa, sem entender porque tinha passado pela situação.

“Não posso ser barrada nos lugares por causa da minha cor, e os negros não podem ficar acuados por irem onde bem entenderem. Se a gente não se expuser, não fizer algo, nada muda. Tem preconceito sim. Tem preconceito o tempo todo, em todo lugar.”

OUTRO LADO

A PBKids, uma das maiores empresas varejistas do ramo de brinquedos do país, informou por meio de nota que está apurando o fato relatado pela babá Noelia Vicente dos Santos e que considera o caso “inusitado”, descartando qualquer possibilidade de ter havido preconceito racial.

A rede informou que adota políticas afirmativas e, inclusive, comercializa produtos que evocam a diversidade, lamentando “profundamente que a senhora Noelia tenha se sentido constrangida” em uma das lojas.

Na nota, a PBKids declarou que não tolera qualquer tipo de discriminação em suas lojas, “não só racial, mas de gênero, idade, credo e ideias”.

“Estimulamos a diversidade no quadro de colaboradores onde mais de 45% são negros ou pardos. Inclusive, o funcionário mencionado no caso é um senhor pardo com 64 anos e há 17 anos trabalhando na PBKids.”

Ainda segundo a nota, “o respeito às pessoas faz parte do nosso DNA e, em mais de 20 anos de existência, não tivemos nenhum caso de discriminação de clientes ou colaboradores na PBKids”.

E continua: “Até em nossa linha de produtos defendemos a diversidade racial. Em dezembro passado, lançamos, em parceria com o Baobá -Fundo para Equidade Racial- e a Estrela, a nova coleção exclusiva de bonecas negras Adunni, que em nígero-congolês Yorubá, significa ‘a doçura chegou ao lar'”.

Por fim, o texto informa que, “de forma alguma”, o ocorrido tem relação com preconceito racial, “pois isso é algo que não faz parte da nossa cultura empresarial e dos nossos valores”.

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2017/05/1883251-baba-relata-racismo-e-humilhacao-apos-abordagem-em-loja-da-pbkids.shtml