Ellen Johnson Sirleaf , ex presidente da Libéria, venceu o Prêmio Mo Ibrahim

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Deputy Secretary of Defense Gordon England escorts Liberian President Ellen Johnson-Sirleaf into the Pentagon on Oct. 24, 2007, for discussions on a broad range of bilateral security issues. DoD photo by R. D. Ward (Released)

Ex-Presidente da Libéria Ellen Johnson Sirleaf é a quinta vencedora do prémio Mo Ibrahim para a Excelência na Liderança Africana, que esteve vários anos sem ser atribuído.

Ellen-Johnson-Shirleaf_850x385_acf_cropped“É uma honra ter sido selecionada para o Prêmio Ibrahim de Liderança Africana. Por escolha, levei uma vida de serviço e sacrifício em nome do povo liberiano, e continuarei sempre grato a eles pelo privilégio de servir.
Como a primeira mulher a receber o prêmio, espero que as mulheres e as meninas em toda a África se inspirem para alcançar seu verdadeiro potencial, para enfrentar os desafios, romper barreiras e perseguir seus sonhos. Onde há um primeira, chega um segunda e um terceira e um quarta.

Agradeço que a Fundação Mo Ibrahim, ao me conceder essa honra, tenha procurado enfatizar a consolidação da Libéria como um estado democrático nos meus dois mandatos. Na verdade, minha realização mais orgulhosa é que após 30 anos de conflito, o poder na Libéria agora repousa onde deveria – com as pessoas, fundamentadas em um estado de direito e em instituições fortes. E observo com orgulho que a Libéria foi o único país do continente a melhorar em todas as categorias e subcategorias do Índice Ibrahim de Governança Africana – um testemunho de todos os que serviram no meu governo.”

A Fundação Mo Ibrahim continua a ser uma força transformadora no continente. Eles mudaram a conversa sobre liderança. Esta é uma discussão que continuarei a levar adiante nos meus anos de pós-presidência.

antiga Presidente da Libéria, cargo que exerceu durante dois mandatos, entre 2006 a 2017, foi distinguida pela liderança excepcional e transformadora na recuperação da Libéria após muitos anos de guerra civil.

“Ellen Johnson Sirleaf tomou o comando da Libéria após o país ter sido completamente destruído pela guerra civil e conduziu um processo de reconciliação concentrado na construção da unidade nacional e de fortes instituições democráticas. Ao longo de seus dois mandatos, ela trabalhou incansavelmente em nome do povo da Libéria”, afirmou o presidente do Comité do Prémio, Salim Ahmed Salim.

Mesmo se foram cometidas algumas falhas nestes 12 anos, refere, o comité considera que a antiga chefe de Estado “lançou as bases sobre as quais a Libéria pode agora construir um futuro melhor”.

Mo-Ibrahim-Index für Regierungsführung in Afrika, 29.09.2014 in LondonEmpresário sudanês Mo Ibrahim criou o prémio em 2006

Ao ouvir o resultado das deliberações do Comité do Prêmio, Mo Ibrahim disse: “Estou satisfeito que o Comité do Prêmio tenha decidido fazer de Ellen Johnson Sirleaf a laureada do Prêmio Ibrahim. Em circunstâncias muito difíceis, ela ajudou a guiar sua nação para um futuro pacífico e próspero, e preparou o caminho para seu sucessor seguir. Estou orgulhoso de ver a primeira mulher Laureada Ibrahim e espero que Ellen Johnson Sirleaf continue a inspirar mulheres na África e além”.

 

Desde 2006, a Libéria é o único país a melhorar em todas as categorias e subcategorias do Índice Ibrahim de Governança Africana, tendo subido dez lugares na classificação geral do Índice, para 28.º lugar em 58 países.

O objetivo do Prémio Ibrahim é distinguir líderes que, durante o seu mandato, ajudaram a desenvolver os seus países, fortalecendo a democracia e os direitos humanos e estimulando o desenvolvimento sustentável.

Prémio só foi atribuído cinco vezes

Todos os anos, são candidatos ao prémio ex-chefes de Estado ou de governo africanos que cessaram funções nos três últimos anos civis (neste caso, entre 2014 e 2016) após terem sido democraticamente eleitos e cumprido o seu mandato de acordo com a Constituição do país.

Entrevista Pedro Pires

O prêmio foi lançado em 2006, mas até agora só foi atribuído cinco vezes, duas das quais a antigos chefes de Estado lusófonos: Joaquim Chissano, de Moçambique, em 2007, e Pedro Pires, de Cabo Verde, em 2011.

Festus Mogae, do Botswana (2008), e Hifikepunye Pohamba, da Namíbia (2014), foram os dois outros laureados, enquanto Nelson Mandela foi distinguido como vencedor honorário inaugural, em 2007.

Do júri fazem parte Graça Machel, presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), Aïcha Diallo, ex-ministra da Educação da Guiné, Martti Ahttisaari, ex-presidente da Finlândia, Mohamed ElBaradei, antigo diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, a ex-presidente da Irlanda Mary Robinson, Festus Mogae e Horst Köhler, ex-presidente da Alemanha.

Criado pela Fundação Mo Ibrahim, financiada pelo empresário sudanês com o mesmo nome, o prémio pretende oferecer segurança monetária a dirigentes africanos que abandonem o poder.

O valor do prêmio, no valor total de cinco milhões de dólares norte-americanos (quatro milhões de euros no câmbio atual), é distribuído durante dez anos, período após o qual os vencedores passam a receber 200 mil dólares (163 mil euros) por ano.

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Mo Ibrahim sem vencedor

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O Prémio Ibrahim para a Excelência na Liderança Africana de 2016 não foi atribuído, por não ter sido encontrado um candidato à altura de cumprir as exigências do regulamento deste troféu que visa reconhecer a capacidade de gestão de líderes africanos.

O anúncio foi feito na sequência de uma reunião do Comité do Prémio independente, presidido por Salim Ahmed Salim, e da reunião do Conselho de Administração da Fundação Mo Ibrahim no último fim-de-semana.
Salim Ahmed Salim lembrou que, todos os anos, foi deliberadamente estabelecida uma fasquia muito alta aquando do lançamento do Prêmio em 2006. “Aplaudimos os importantes contributos que muitos líderes africanos deram para a mudança positiva nos seus países. Porém, o prêmio visa distinguir e celebrar a liderança verdadeiramente excepcional, o que, por definição, é invulgar. Após criteriosa ponderação, o Comité decidiu não atribuir o Prêmio em 2016”, explicou.
Os candidatos ao Prêmio Ibrahim são ex-chefes de Estado ou de Governo africanos que cessaram funções nos três últimos anos civis (2014-2016), tendo sido democraticamente eleitos e cumprido o seu mandato constitucionalmente atribuído.
Desde o lançamento em 2006, o Prêmio Ibrahim foi atribuído em quatro ocasiões. Os vencedores anteriores foram o Presidente Hifikepunye Pohamba da Namíbia (2014), o Presidente Pedro Pires de Cabo Verde (2011), o Presidente Festus Mogae do Botswana (2008) e o Presidente Joaquim  Chissano de Moçambique (2007). Nelson Mandela foi distinguido como Laureado Honorário em 2007.

Conversa sobre liderança

A Fundação aguarda com expectativa a realização do seu evento emblemático, o Fim-de-Semana da Governação Ibrahim, em Marraquexe, Marrocos, de 7 a 9 de Abril de 2017. O evento começa na noite de sexta-feira com uma discussão de elevado perfil intitulada Uma conversa sobre liderança, na qual vão ser analisados os desafios da liderança global no século XXI.
O júri do prémio integra Graça Machel, presidente da Fundação para o Desenvolvimento da Comunidade (FDC), Aïcha Diallo, ex-ministra da Educação da Guiné Conacri, Martti Ahttisaari, ex-presidente da Finlândia, Mohamed ElBaradei, antigo director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica, a ex-presidente da Irlanda, Mary Robinson, e Festus Mogae. Criado pela Fundação Mo Ibrahim, financiada pelo empresário sudanês com o mesmo nome, o prémio pretende oferecer segurança monetária a dirigentes africanos que abandonem o poder.
O valor do prêmio Mo Ibrahim é de cinco milhões de dólares norte-americanos, distribuídos durante dez anos em parcelas de 500 mil dólares.

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