Ex-presidente de Moçambique considera “espetacular” o processo de reconstrução de Angola

Garrido Fragoso |

O antigo Presidente de Moçambique considera “espectacular” o processo de reconstrução de Angola. “Também fiz a reconstrução do meu país, mas a de Angola está a ser um tanto ou quanto espectacular”, afirmou Joaquim Chissano, em entrevista colectiva a jornalistas. O nacionalista moçambicano reconheceu que, apesar dos longos anos de guerra e destruição, o país teve uma “direcção clarividente”, que soube fazer a paz, a reconciliação nacional e dirigir bem a economia, para iniciar o processo de reconstrução. Joaquim Chissano disse ainda que, mesmo com a crise mundial, provocada pelo baixo preço do petróleo no mercado internacional, a ideia de diversificação da economia angolana foi posta sempre em prática. Chissano falou também das experiências do seu país no capítulo das autarquias, da democratização no continente africano, das mudanças políticas que ocorrem em Angola e do processo de paz em Moçambique, sobretudo, depois da morte do líder da principal força da oposição, Afonso Dlakhama.

Fotografia: Kindala Manuel | Edições NovembroO que o traz a Angola?
Desta vez, vim responder a um convite para participar no Colóquio Internacional sobre “Os Processos de Autarcisação”. Sei que este assunto está a ser amplamente discutido em Angola, no quadro da preparação das eleições autárquicas, previstas para  2020. Moçambique já tem esta experiência há vários anos. Os organizadores do colóquio acharam pertinente estarmos aqui para trocar experiências sobre a matéria e transmitir a experiência de Moçambique, onde o processo não foi realizado de uma só vez, mas de forma paulatina. Aliás, neste mo-mento, decorre a revisão da Constituição sobre a descentralização, que envolve também as autarquias locais.

Há quem diga que, em Moçambique, a implementação das autarquias locais esteve paralisado, justamente por causa da corrente “gradualismo” …?
Moçambique nunca teve o processo parado. Depois da criação do primeiro grupo de autarquias, houve uma interrupção por motivos organizativos. Mas, depois, o processo continuou e já foram realizadas várias eleições autárquicas, conforme o número designado de autarquias. O processo nunca parou, até porque estamos agora a preparar as eleições autárquicas para este ano, que devem acontecer em Outubro próximo.

Ao que chamam autarquias em Moçambique?

O que em Angola chamam municípios, em Moçambique são distritos. Para nós, os municípios são organizados nas cidades, vilas e, mais tarde, nas povoações, que são os territórios das sedes  dos postos administrativos. Isso é o que nós chamamos autarquias locais. Num distrito, em Moçambique, temos uma ou duas cidades. Na província de Gaza, por exemplo, temos o distrito de Xai – Xai, que é sede da província. Em Gaza, existe o distrito de Chókwé, que conta somente com a autarquia com o mesmo nome (Chokwé).

Afirmou que, em Moçambique, a implementação das autarquias não foi realizada de uma só vez …
Quando dizia que não foi feito tudo de uma só vez, não me referia à implementação das autarquias, mas ao processo de descentralização, que, desta vez, no meu país, vai tomar uma outra forma. Estamos sempre a pensar na Constituição. Vamos emendando e discutindo com outras forças políticas. Existem ainda os acor-
dos políticos. E assim vamos avançando.

Como surgiu a ideia das autarquias em Moçambique?
Aquando da realização do 4º Congresso da Frelimo (partido no poder em Mo-çambique), em 1983, constatou-se que havia demasia-
da centralização e concentração do poder. Era preciso descentralizá-lo e desconcentrá-lo. É neste processo que surgiu a ideia das autarquias, que foi tomando for-ma, no intuito de trazer maior participação do povo na gestão do poder. Em traços largos, é este o sentido da autarquia: uma comunidade que toma a sua autonomia administrativa, fi-
nanceira, política, no exercício do poder. Verifica-se a auto-gestão das comunidades ao nível da autarquia local. Como vê, trata-se de passar o poder de administrar bens, finanças, etc. É um processo que requer não só bens materiais e financeiros, mas recursos humanos. Quanto mais complexa for a autarquia, mais complexa também é o conhecimento dos recursos hu-
manos. É grande o esforço de formação das pessoas que querem dirigir a autarquia. É necessário ainda mobilizar os munícipes para compreenderem o processo e tomarem as suas iniciativas. Essa tomada de consciência também leva o seu tempo. Nós próprios, dirigentes em Moçambique, tivemos de estudar para compreender o que são autarquias e os problemas que se levantam quando as mesmas são constituídas.

Quais são estes problemas?
São os que já defini. Ter os meios necessários, quer materiais quer humanos, e um plano para o aparecimento dessas autarquias com todas as suas características. Para garantir o patriotismo ou o sentimento patriótico nos cidadãos dos nossos países, é preciso não permitir a construção de uma autarquia que constitua motivo de divisão.

O senhor defende mesmo o gradualismo em eleições autárquicas?
Defendo sim. Gradual é um termo científico. Significa irmos fazendo as coisas de forma gradual e continuamente. Realizar as  coisas para que tenham o impacto necessário gradualmente. Queremos autarquias fortes e capazes de se auto gerirem, nas quais a intervenção do Estado vai sendo diminuída, à medida que for aumentada a capacidade das mesmas. Gradualismo não é só ver o território, mas, sobretudo, darmos à autarquia a força de gerar os seus recursos internos.

No vosso caso, as autarquias começaram na era em que o senhor dirigiu Moçambique. Elas contribuíram para a consolidação da democracia no país?
Todo o processo começou com reflexões feitas no seio do partido governante (Frelimo) e na sociedade em geral, em 1983. A nossa independência foi em 1975 e, oito anos depois, já estávamos a pensar no processo de preparação do 4º congresso do partido, de onde surgiram ideias da autarcização e dos órgãos locais do Estado. E isso evoluiu para pensarmos numa descentralização em forma de órgãos do poder local. Discutimos o papel das autoridades tradicionais, que na altura passámos a chamar autoridades comunitárias. Tivemos depois de enveredar para o multipartidarismo, mas não nos esqueçamos que a democracia que queremos não é apenas representativa, mas a que chamamos de autarquias.

Há desvantagem de a implementação das autarquias ser de uma vez ?   
Em Moçambique, se quiséssemos implementar autarquias de uma só vez, já teríamos 500 ou quase 600 autarquias. Não interessa fazer de uma só vez, sem qualquer experiência, nem pontos de referência. Isso é que ditou fazermos as eleições autárquicas de forma gradual. E em  Ango-la já se fala muito do gradualismo de Moçambique, o que significa fazer as coisas de uma maneira paulatina, gradual, aproveitando os melhores momentos para implementar, mas sempre na perspectiva de continuidade.

Mudando um pouco de assunto … como o senhor avalia as mudanças políticas que se operam em Angola?
Angola teve muitos anos de guerra e muita destruição. Mas, felizmente, teve uma direcção clarividente, que soube fazer a paz, a reconciliação nacional e dirigir bem a economia para iniciar o processo de re-construção. Também fiz uma reconstrução rápida no meu país, mas a de Angola foi um tanto ou quanto espectacular.

Porquê “espectacular”?

Porque, apesar da crise mundial, provocada pelo baixo preço do petróleo no merca-do internacional, a ideia de diversificação da economia em Angola foi-se instalando e posta sempre em prática, sobretudo, nos sectores do Turismo, Agricultura, Pecuária, Transportes, reconstrução de infra-estruturas e demais domínios. Há uma economia vibrante em Angola, que eu muito aprecio. Não tive a possibilidade de visitar empreendimentos so-ciais e económicos, mas oiço algumas coisas e vejo à volta de Luanda coisas agradáveis. O povo angolano está de parabéns.

Como vê a transição política que ocorre neste momento em Angola?
De facto, estamos satisfeitos com esta transição de Presidentes, onde um deles ocupa-se apenas das questões do partido. Não sei se vão conservar a coexistência entre os dois Presidentes (um para dirigir o partido e outro o Estado) ou se voltam ao sistema anterior. Tudo isso é possível. Não me quero envolver naquilo que os angolanos vão decidir ou já decidiram.

Sobre este assunto qual é a realidade em Moçambique?
Em Moçambique, decidimos manter o Presidente da República e também líder do partido. E se um dia a oposição ganhar as eleições presidenciais, evidentemente, vai ser esse partido que vai decidir o sistema. Nós também tivemos uma boa transição de um presidente para outro, com eleições. Tivemos coexistência do Presidente cessante com o actual. E isso é muito agradável.

Como encara a morte do líder da maior organização política da oposição moçambicana, Afonso Dhlakama?
Ele morreu dias depois de termos falado ao telefone. Já não sou dirigente do Esta-do, mas sempre encorajei o Presidente Nyusi e Afonso Dhlakama a primarem sempre pelo diálogo. E foi nesse processo de encorajamento das partes que telefonei a Dhlakama para felicitá-lo pela maneira como estavam a decorrer as negociações e encorajá-lo a continuar na mesma senda.

Como reagiu Dhlakama?
Da mesma forma! Pediu-me que continuasse a fazer declarações que encorajassem a Frelimo e a Renamo a encontrar uma plataforma que conduzisse à paz definitiva em todo o território moçambicano. Com Dhlakama, assinei o Acordo de Paz. Naquela altura, já resolvíamos com diálogo todos os problemas que surgiam ao longo das negociações. Com o Presidente Nyusi, as coisas também estavam a caminhar bem. Por isso, foi um grande choque quando soube que morreu a pessoa com quem tinha falado há alguns dias e que nada mais queria senão voltar ao convívio familiar.

Que mais Afonso Dhlakama lhe confessou?

Também me disse que estava com muitas saudades de viver com a família. Nisso percebi que estava em presença de uma pessoa que não parecia muito ávida do poder, que tudo fazia para ser o Presidente. Quando veio ao funeral do meu filho, na altura a minha esposa estava muito magoada pelas atrocidades da Renamo, que envolveram familiares próximos. Nesse dia, e pela primeira vez, minha esposa estendeu a mão a Dhlakama e disse-lhe: “O senhor está desculpado. Já não tenho mais rancor de si. Só penso que se comporte bem no futuro”. O meu sentimento por Dhlakama vai, sobretudo, pelo facto do acordo de paz que já tinha sido alcançado.

O que mais falta para Moçambique concluir o processo de paz?   
Falta a parte relacionada com a desmobilização e desarmamento das forças e posterior integração dos militares na vida social. Penso que não vai ser difícil ultrapassar mais esta empreitada. Tudo porque as balizas estão mais ou menos marcadas. Custou muito saber que um homem como Dhlakama tivesse desaparecido de forma física. Com ele, a reconciliação teria outro sentido. Também no caso de Angola, acho que, se houvesse uma reconciliação com o Savimbi, ela teria outro valor.

Como vê o processo de democratização em África?
É positivo, com seus altos e baixos. Enquanto a maioria dos  países africanos avança com o processo de democratização, outros ainda debatem-se com conflitos sangrentos, como os casos da República Centro Africana, Somália, Sudão do Sul e Líbia: E isso não é agradável. São países que começam a marchar e depois recuam. Mas, na maioria dos Estados, a democratização prossegue.

Angola está num processo de combate contra a corrupção e impunidade. Como avalia o empenho do novo Executivo no combate contra esses fenómenos?
Peço desculpas. Não acompanhei muito este trabalho, que  gostaria imenso de acompanhar. Mas, conhecendo o Governo angolano na pessoa de José Eduardo dos Santos, sei que há quadros idóneos e  íntegros, que querem o bem deste povo. Mas também sei que Angola, como todos os nossos países, tem sido criticado por ex-cesso de corrupção. Mas o facto de já se terem encontrado fórmulas para atacar este problema de maneira contundente é algo muito agradável para ser apoiado.

Nos dias de hoje, é possível acreditar no sentimento patriótico dos angolanos e moçambicanos?
Os nossos países têm os seus povos empenhados na construção de uma Nação. Sinto que, quer em Moçambique quer em Angola, já existe sentimento de pertença a uma Nação, ao contrário do que existia durante a Luta de Libertação.

  Um dos principais negociadores dos Acordos de Lusaka

Joaquim Chissano nasceu a 22 de Outubro de 1939, na aldeia remota de Malehice, distrito de Chibuto, província de Gaza. Frequentou o ensino primário, numa escola oficial na cidade de Xai-Xai, actual capital provincial de Gaza.
Chissano jogou um papel fundamental nas negociações dos Acordos de Lusaka, assinados a 7 de Setembro de 1974, entre a Frelimo e o Governo Português, sobre a Independência de Moçambique.
A 20 de Setembro de 1974, com apenas 35 anos, Joaquim Chissano toma posse como Primeiro-Ministro do Governo de Transição, que conduziria Moçambique à proclamação da Independência Nacional, a 25 de Junho de 1975. É, depois, nomeado Ministro dos Negócios Estrangeiros. Como chefe da diplomacia,  ajudou o país a granjear respeito e simpatia no Mundo.
Com a morte do Presidente Samora Machel, em 1986, Joaquim Chissano é eleito para o lugar. Como Chefe do Estado, Chissano conduziu com sucesso profundas reformas sócio-económicas no país, consubstanciadas na Constituição de 1990, que abriu Moçambique ao multipartidarismo e à economia de mercado.
Como Chefe de Estado moçambicano, Chissano ocupou altos cargos em organizações internacionais, no-meadamente, Presidente da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP); Presidente da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC); Presidente do Órgão da SADC para a Cooperação nas Áreas de Política, Defesa e Segurança e Vice-Presidente da Internacional Socialista. Em Julho de 2003, foi eleito Presidente da União Africana (UA).
Chissano é poliglota. Fala fluentemente cinco línguas: Changana, Português, Swahili, Inglês e Francês. Comunica em mais três línguas: Espanhol, Italiano e Russo. É casado com Marcelina Rafael Chissano, com quem tem 4 filhos.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/angola_tem_uma__economia_vibrante

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Julius Maada Bio é o novo presidente de Serra Leoa

O candidato da oposição, Julius Maada Bio, foi proclamado vencedor da segundo turno das eleições realizadas sábado na Serra Leoa, anunciou quarta-feira a Comissão Nacional Eleitoral (NEC), tendo já sido ontem empossado numa cerimónia que decorreu num hotel da capital, Freetown.

Julius Maada Bio anuncia o começo de nova era para Serra Leoa
Fotografia: DR

Julius Bio, antigo militar golpista e líder do Partido Popular da Serra Leoa (SLPP), obteve 51,81 por cento dos votos, enquanto Samura Kamara, ex-ministro das Relações Exteriores e Finanças do Congresso de Todo o Povo (APC), no poder, terminou com 48,19 por cento, de acordo com os resultados divulgados pela Comissão Nacional Eleitoral (NEC).
Ontem, o novo Presidente tomou posse num hotel de Freetown perante o presidente do Tribunal Supremo, Abdulai Hamid Charm.
Ernest Bai Koroma cumpriu dois mandatos de cinco anos e, face à Constituição, não se podia recandidatar.
Desde a Independência, em 1961, que os partidos APC e o SLPP alternam no poder neste país africano de cerca de sete milhões de habitantes.
Entre 1991 e 2002 o território foi devastado por uma guerra civil que causou 120 mil mortos e milhares de refugiados e de deslocados.
Os dois partidos contam com o apoio nas suas respectivas regiões, num país onde as preferências políticas geralmente coincidem com as etnias. A situação económica e social da Serra Leoa sofreu as consequências da queda do preço das matérias-primas e de uma epidemia de ébola  entre 2014 e 2016.  As condições de vida da população continuam a ser muito precárias, apesar de o país ter enormes reservas de minerais, em particular ferro e diamantes.
Na primeiro turno das eleições,  a 7 de Março, Julius Maada Bio obteve 43,3 por cento dos votos, enquanto  Samura Kamara registou 42,7 por cento. No seu discurso de tomada de posse, o novo Presidente afirmou que a Serra Leoa está a assistir ao início de uma nova era.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/oposicao_elege_novo_presidente

A prisão de Lula no Jornal de O País de Moçambique

Lula da Silva diz que sua prisão é absurda

Lula da Silva diz que sua prisão é absurda

O juiz federal Sérgio Moro determinou esta quinta-feira a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado em duas instâncias da Justiça no caso do triplex em Guarujá, segundo escreve o G1.

O ex-presidente brasileiro foi condenado a uma pena de 12 anos e um mês de prisão, com início em regime fechado, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Lula tem até as 17h desta sexta-feira, 22h de Moçambique, para se apresentar voluntariamente à sede da Polícia Federal em Curitiba, determinou Moro. O juiz vetou o uso de algemas “em qualquer hipótese”.

“Relativamente ao condenado e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, concedo-lhe, em atenção à dignidade do cargo que ocupou, a oportunidade de apresentar-se voluntariamente à Polícia Federal em Curitiba até as 17:00 do dia 06/04/2018, quando deverá ser cumprido o mandado de prisão”, diz o despacho.

Após o juiz ter determinado a prisão de Lula, o ex-presidente brasileiro afirmou que sua prisão é “absurda” e “sonho de consumo” de Moro e de pessoas que querem vê-lo passar “um dia preso”, segundo escreve o Globo.

Fonte:http://opais.sapo.mz/lula-da-silva-diz-que-sua-prisao-e-absurda

A prisão de Lula no Jornal de Angola

Horas depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil ter rejeitado o pedido de habeas corpus de Lula da Silva, o juiz Sergio Moro emitiu ordem de prisão ao ex-Presidente do Brasil, condenado a 12 anos e um mês de cadeia no âmbito do processo Lava-Jato.

Líder carismático do PT continua como favorito nas sondagens para as eleições de Outubro
Fotografia: DR

Lula da Silva terá até às 17 horas locais de hoje (22 horas em Angola) para se entregar à Polícia Federal de Curitiba.
“Relativamente ao condenado e ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, concedo-lhe a oportunidade de se apresentar voluntariamente à Polícia Federal em Curitiba até às 17 horas do dia 6 de Abril de 2018, quando deverá ser cumprido o mandado de prisão”, refere Sergio Moro em despacho divulgado pela Globo.
“Esclareça-se que, em razão da dignidade do cargo ocupado, foi previamente preparada uma sala reservada, espécie de Sala de Estado Maior, na própria Su-perintência da Polícia Federal, para o início do cumprimento da pena, e na qual o ex-Presidente ficará separado dos demais presos, sem qualquer risco para a integridade moral ou física”, esclarece o despacho.
A defesa do antigo Presidente brasileiro tentou evitar a prisão através de um pedido de habeas corpus de Lula da Silva, que foi rejeitado pelo plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) por 6-5. A decisão dos 11 juízes do STF foi tomada após uma sessão que durou mais de dez horas.
Lula foi condenado culpado pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro ao ter recebido um apartamento triplex localizado no Guarujá.
Entretanto, leis do Comité de Direitos Humanos das Nações Unidas permitem que o ex-Presidente Lula da Silva possa pedir que medidas urgentes sejam solicitadas para assegurar os seus direitos políticos, enquanto tramita o seu processo em Genebra.
Por enquanto, o organismo da ONU indicou que a defesa de Lula não apresentou um pedido neste sentido.
O caso de Lula foi levado ao Comité de Direitos Humanos das Nações Unidas em Julho de 2016 pelo advogado Geoffrey Robertson. A denúncia central era de que o juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, Sérgio Moro, estaria a ser parcial no julgamento do ex-Presidente. Embora a condenação tenha sido já decretada, existem brechas nas regras da ONU que podem permitir que medidas urgentes sejam exigidas ao Estado brasileiro. Há poucos meses, o mesmo Comité avaliou que a Espanha deveria adotar medidas provisórias para permitir que o deputado catalão Jordi Sanches pudesse participar das eleições na Catalunha.
<br />Origem pobre
Luiz Inácio Lula da Silva, 72 anos, nascido no seio de uma família miserável na região de Caetés, cidade no sertão de Pernambuco, tornou-se já nos arredores de São Paulo, para onde a sua família migrou para escapar da fome, sindicalista de sucesso. Após três derrotas seguidas, foi eleito Presidente em 2003 e reeleito em 2006 com votações expressivas.
Ao conseguir colocar 50 mi-lhões de brasileiros pobres na sociedade de consumo, saiu do cargo com perto de 80 pontos de aprovação popular e ajudou a eleger e reeleger a sua sucessora, Dilma Rousseff.
O Partido dos Trabalhadores reagiu à decisão do tribunal e considerou que se trata de “uma combinação de interesses políticos e económicos” e fala de “um dia trágico para a democracia e para o Brasil”.</br
O Presidente operário

Lula, o líder pragmático do Partido dos Trabalhadores (PT) e favorito nas pesquisas para as eleições presidenciais do mês de Outubro, mantém a sua reclamação por inocência no caso de julgamento por corrupção e lavagem de dinheiro.
“Quero que devolvam a mi-nha inocência”, exigia há poucos dias, Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente mais carismático do Brasil.
Lutador obstinado, Lula, “o filho do Brasil”, como foi batizado num filme biográfico, ganhou muitas batalhas na sua vida – incluindo a da marginalização num país com uma profunda divisão social e a guerra contra o cancro de laringe, logo após deixar o poder.
Nascido em 1945 em Pernambuco, no empobrecido nordeste brasileiro, emigrou com a sua mãe e os sete irmãos para São Paulo em busca do pai, um agricultor analfabeto e alcoólatra que teve 22 filhos com duas mulheres e a quem Lula conheceu quando tinha 5 anos.
Aprendeu a sobreviver na rua, como vendedor e engraxador, e aos 15 anos, tornou-se torneiro mecânico e apro-
ximou-se ao movimento operário. Lula chegou a presidir o poderoso sindicato metalúrgico e entrou na política no final da década de 1970, no auge da ditadura, dilacerado pela morte da sua primeira esposa, Maria de Lourdes, por falta de assistência médica durante a gravidez.

fONTE:http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/juiz_decreta_prisao_de_lula

Mokgweetsi Masisi é o novo presidente de Botswana

Mokgweetsi Masisi

Mokgweetsi Masisi é o novo Presidente do Botswana, em substituição do anterior chefe de Estado, Seretse Khama Ian Khama, que resignou ao cargo, seguindo tradição política no país.


África 21 Digital com Angop

Mokgweetsi Masisi , até agora vice-Presidente da República, dirigirá o país até às eleições gerais de Abril de 2019.

A cerimónia da tomada de posse do novo Presidente da República do Botswana teve lugar às primeiras horas da manhã deste domingo, na capital do país, Gaborone.

Presentes estiveram  o juiz presidente do Tribunal Supremo, Maruping Dibotelo, a Presidente da Assembleia Nacional (Parlamento), Gladys Kokorwe, e o Presidente cessante, tenente-general Seretse Khama Ian Khama.

O ato foi igualmente testemunhado por milhares de cidadãos nacionais e de representantes das missões diplomáticas e organizações internacionais baseadas naquele país africano.Botswana

O acontecimento acontece um dia depois da resignação ao cargo de Seretse Khama Ian Khama, que antecipou em cerca de 18 meses o fim do seu mandato como Presidente da República.

Seretse Khama Ian Khama, 65 anos, filho do pai da independência do Botswana, Seretse Khama, acedeu ao poder em Abril de 2008, para concluir o mandato do então Presidente Festus Mogae, que renunciara ao cargo voluntariamente.

Na altura,  Seretse Khama Ian Khama era vice-Presidente da República e do Partido Democrático do Botswana (BDP, na sigla inglesa).

Tradicionalmente, os presidentes do Botswana resignam antes do término dos seus respectivos mandatos.

Este facto tem sido criticado pela oposição, que acusa o partido no poder de tentar “subverter” a ordem constitucional do país, por uma espécie de conluio para a sucessão automática dos seus vice- presidentes, sem antes os mesmos disputarem eleições diretas.

O novo chefe de Estado tswanês, 55 anos, o quinto na liderança do país, goza de uma simpatia popular e aparenta ser uma personalidade moderada.

Nas suas intervenções públicas tem apelado à unidade, compreensão e solidariedade para uma maior coesão e firmeza no seio da população, prometendo trabalhar por forma a garantir e cumprir as obrigações e promessas eleitorais aprazadas para o ano de 2019.

Fonte:https://africa21digital.com/2018/04/01/mokgweetsi-masisi-e-o-novo-presidente-do/