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Presidente do Sudão liberta todos os presos políticos

O presidente Omar al-Bashir ordenou nesta terça-feira a libertação de “todos os presos políticos” mantidos no Sudão, informou a imprensa estatal, semanas depois de prisões em massa em uma repressão aos protestos contra o governo.Centenas de ativistas da oposição, líderes e manifestantes foram presos em janeiro por agentes de segurança para conter as manifestações que surgiram devido ao aumento dos preços dos alimentos, incluindo o pão.

“O presidente Omar al-Bashir emitiu na terça-feira um decreto para libertar todos os presos políticos detidos em todo o país”, informou a agência oficial de notícias SUNA, citando um decreto emitido por Bashir.

“A decisão visa promover a paz e harmonia entre todos os partidos políticos, a fim de criar um ambiente positivo para atingir as metas nacionais”, disse.

As prisões de janeiro ocorreram após protestos esporádicos ocorridos na capital Cartum e em algumas outras cidades do Sudão, depois que o preço do pão mais que dobrou.

Alguns ativistas foram libertados, mas muitos continuam detidos, incluindo os líderes da oposição Khaled Omar, do Partido do Congresso Sudanês, e Mokhtar al-Khatib, chefe do Partido Comunista do Sudão.

A SUNA não informou quantos prisioneiros seriam libertados ou identificariam algum deles.

Os Estados Unidos e as embaixadas européias no Sudão pediram a libertação de todos os detidos, com a missão de Washington em Cartum dizendo que muitos estavam sendo mantidos em “condições desumanas”.

As autoridades sudanesas reprimiram os manifestantes em uma tentativa de evitar uma repetição dos distúrbios que se seguiram a uma rodada anterior de cortes de subsídios em 2013.

Naquela época, dezenas de pessoas foram mortas quando as forças de segurança esmagaram manifestações, dizem grupos de direitos humanos.

Fonte:https://guardian.ng/news/sudans-bashir-orders-release-of-all-political-detainees/

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Muito além de ser esposa de Mandela

 

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A maioria dos grandes homens da história quase sempre tem o dom raro de ser apoiada por mulheres fortes, mas muitas vezes complicadas. O falecido ícone sul-africano e um dos maiores homens do século passado, Nelson Mandela, não foi exceção. Sua ex-esposa, Winnie Madikizela-Mandela, que faleceu essa semana, era uma dessas mulheres. Sua fidelidade estóica a Mandela era talvez o vínculo mais forte que mantinha seu próprio compromisso vivo e continha aquela teimosa esperança de que, no final de seu sacrifício, esperá-lo seria um símbolo de amor e solidariedade permanente.

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Ao longo dos 27 anos que o falecido Mandela permaneceu em encarceramento, seu anseio por sua amada Winnie também se tornou simbólico de seu anseio pela amada pátria. Assim, em sua célebre coleção, “Cartas para Winnie”, é muito claro que ela era para Mandela tanto uma âncora emocional quanto uma personificação da esperança patriótica. Sendo humano, a longa ausência de Mandela testou a força de Winnie até os limites e o sistema fez muito para danificá-la.winnie-mandela

É instrutivo sublinhar que Winnie não era apenas mais uma mulher à espera de um marido preso. Ela abraçou e incorporou a luta contra o apartheid com força total. Ela permaneceu na linha de frente da luta contra o regime que oprimia os negros em seu próprio país. Seu papel como um dos líderes do Congresso Nacional Africano (ANC) não se restringiu ao papel das mulheres. Ela também liderou e apoiou a ala juvenil de tal forma que, no final, ela era muito mais do que a esposa de Mandela.

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Como era de se esperar, as maquinações malignas do regime do apartheid lutaram contra Winnie em igual medida. As acusações inventadas, inclusive por assassinato, foram levantadas contra ela. Mesmo onde a lei da evidência bruta forçou um veredicto de culpado, o contexto político de seus supostos crimes nunca foi perdido em seus seguidores e no resto do mundo. Sua seriedade política era mais importante do que os detalhes técnicos da invenção legal.

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Permanece historicamente significativo que quando Mandela foi libertado em 11 de fevereiro de 1990, ele estava de mãos dadas com Winnie; o amor da sua vida e companheiro eterno na luta contra o apartheid e a impunidade racista. Mas então o dano havia sido feito em seu casamento. Tentou, como os dois, fazer o papel em cima da rachadura, os longos anos de separação e as pressões da luta cobraram seu preço. Eventualmente, eles tiveram que seguir caminhos separados. Mas a separação e o divórcio que naturalmente se seguiram se tornaram insignificantes contra o pano de fundo das lutas titânicas que eles suportaram e sobreviveram juntos. O que se seguiu foram entradas em uma mera nota de rodapé humana.

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Com certeza, Winnie tinha seus defeitos e ela nunca se dava bem com eles desde que ela estava sob constante holofote. O governo pós-apartheid liderado por seu ex-marido estabeleceu um Comitê de Verdade e Reconciliação para investigar abusos de direitos humanos no passado e várias atividades violentas foram creditadas a ela durante os anos 80. Mas ela manteve o carinho de muitos de seus apoiadores dentro do ANC que a apelidaram de “Mãe da Nação”. Como figura sênior do ANC, ela também ocupou vários cargos no governo, inclusive sendo vice-ministra de Artes, Cultura, Ciência e Tecnologia antes de ser demitida por alegações de corrupção. No entanto, isso nem sequer a diminuiu aos olhos de seus partidários.

Como o mundo, portanto, lamenta a morte de Winnie Madikizela-Mandela, é seu papel como uma personagem histórica e os sacrifícios que ela fez por seu país e, de fato, pela raça negra que lega como legados. Como Shakespeare diz no rei Lear: “Após tais sacrifícios, os próprios deuses jogam incenso”.

 

http://allafrica.com/stories/201804030279.html

 

 

República Democrática do Congo: Bispos preocupados com não libertação dos presos políticos

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Os bispos da República Democrática do Congo estão preocupados com a falta de libertação dos presos políticos na sequência do entendimento de São Silvestre, o acordo de 31 de dezembro último, que pôs fim à crise que se criou com a questão da renovação do mandato do Presidente Joseph Kabila e que expirou em 20 de dezembro. “Estamos surpreendidos com o atraso … há prisioneiros que haviam sido anunciados como libertados e até agora ainda não tivemos nenhuma prova de que eles foram efectivamente realmente libertados – disse Dom Fridolin Ambongo, vice-presidente da Conferência Episcopal Nacional do Congo (Cenco) – estas libertações deveriam ter efeito imediato”.
Acordo de São Silvestre (31 de dezembro)
Depois da assinatura do acordo alcançado graças à mediação da Conferência Episcopal (Cenco) e que prevê a extensão do mandato de Kabila por um ano, a nomeação de um primeiro-ministro indicado pela oposição e a criação de um Conselho Nacional de supervisão do acordo e do processo eleitoral, os delegados da oposição haviam apresentado sete casos emblemáticos de prisioneiros políticos e de opinião que deveriam ser libertados como gesto de distensão, informa a agência AFP. Para quatro casos tinha havido também o consentimento de todas as partes.
Dom Djomo Lola: precisamos de uma classe política que tenha a peito o interesse comum
Numa entrevista com o L’Osservatore Romano, Dom Nicolas Djomo Lola, bispo de Tshumbe e um dos autores do acordo, disse que a situação no país ainda é muito frágil e que, a pedido das forças políticas, a Conferência Episcopal acompanhará o processo político até às eleições. “É preciso fazer emergir uma classe política que tenha a peito o interesse comum – acrescentou o prelado – e isto é possível através da educação. Temos de poder contar com homens políticos honestos, que trabalhem para o seu País e não para si próprios”.

http://pt.radiovaticana.va/news/2017/01/17/congo_bispos_preocupado_com_n%C3%A3o_liberta%C3%A7%C3%A3o_presos_pol%C3%ADticos/1286375

Comitê Contra Discriminação Racial da ONU insta Burundi a proteger os seus civis

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O Comité para a Eliminação da Discriminação Racial (CEDR) da ONU instou hoje o Burundi a atuar de forma a proteger a sua população civil e a permitir a entrada de um contingente da organização para verificar a situação.

Os representantes do CERD sustentam num comunicado que “o facto de milícias armadas intimidarem a população abertamente mostra a incapacidade ou falta de vontade do governo de proteger os civis”.

O comité expressa “grande preocupação” com o número de assassínios, execuções sumárias, desaparecidos e torturados, com o facto de “muitos dos casos terem uma motivação étnica” e com “a utilização do discurso do ódio” por parte de representantes do executivo, bem como com o crescente número de cidadãos do Burundi exilados.

O Burundi está imerso numa grave crise desde abril de 2015, quando o seu presidente Pierre Nkurunziza se candidatou a um terceiro mandato, contrariando, do ponto de vista da oposição, a Constituição.

Desde então morreram centenas de pessoas e cerca de meio milhão abandonaram as suas casas, segundo a ONU, que alertou para um possível genocídio e acusou o governo de crimes contra a humanidade.

O Tribunal Penal Internacional abriu uma investigação para determinar a possível responsabilidade do governo de Nkurunziza, que reagiu proibindo a entrada dos investigadores da ONU e pedindo a sua saída do TPI.

Até agora, as autoridades do Burundi recusaram a entrada de um contingente de 228 polícias aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU para estabilizar o país e suspenderam as relações com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

O comité expressa “grande preocupação” com o número de assassínios, execuções sumárias, desaparecidos e torturados, com o facto de “muitos dos casos terem uma motivação étnica” e com “a utilização do discurso do ódio” por parte de representantes do executivo, bem como com o crescente número de cidadãos do Burundi exilados.

O Burundi está imerso numa grave crise desde abril de 2015, quando o seu presidente Pierre Nkurunziza se candidatou a um terceiro mandato, contrariando, do ponto de vista da oposição, a Constituição.

Desde então morreram centenas de pessoas e cerca de meio milhão abandonaram as suas casas, segundo a ONU, que alertou para um possível genocídio e acusou o governo de crimes contra a humanidade.

O Tribunal Penal Internacional abriu uma investigação para determinar a possível responsabilidade do governo de Nkurunziza, que reagiu proibindo a entrada dos investigadores da ONU e pedindo a sua saída do TPI.

Até agora, as autoridades do Burundi recusaram a entrada de um contingente de 228 polícias aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU para estabilizar o país e suspenderam as relações com o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/696986/comite-contra-discriminacao-da-onu-insta-burundi-a-proteger-os-seus-civis

Angola censura espetáculo de rapper

Agentes da Polícia Nacional de Angola policiam no passado sábado o Cine Tivoli, em Luanda, onde está previsto, neste domingo à noite, um espetáculo do ‘rapper’ e ativista luso-angolano Luaty Beirão, mas cuja licença de funcionamento terá sido entretanto revogada.

A informação foi avançada à agência Lusa pelo ativista, um dos 17 condenados em março, em Luanda, por rebelião, e que musicalmente se apresenta como Ikonoklasta, que subiria ao palco daquela sala juntamente com o músico MCK, para o “Show Ikopongo”.

“Recebemos uma chamada da senhora do Cine Tivoli a dizer que a polícia foi lá e tirou, abusivamente, sem nenhum mandado, a licença. Visto que foi feito de forma ilícita, vamos falar com o pessoal do espaço e vamos continuar a apelar às pessoas para irem [ao espetáculo], até que nos apresentem um documento com a proibição”, disse Luaty Beirão.

Segundo o músico, os moldes em que o espetáculo se poderá realizar ainda não são conhecidos, mas mantém-se agendado para domingo, às 20:15 (19:15 em Lisboa).

“Intimidaram as pessoas pedindo um monte de documentos. A polícia retirou a licença do espaço Tivoli, mas enquanto isso decorria hoje, ao mesmo tempo, um evento infantil no local”, observou Luaty Beirão, falando num boicote das autoridades ao evento.

Este concerto de Ikonoclasta e MCK – ambos conhecidos pela música de intervenção -, esteve inicialmente previsto e anunciado para hoje à noite, no Chá de Caxinde, outra sala do centro de Luanda, mas os proprietários, segundo os músicos, recuaram e acabaram por não permitir a sua realização naquele local.

“Os proprietários fingiram todos que ninguém sabe, que a gerência é que decide. Disseram-nos que podíamos divulgar e no dia seguinte informaram-nos que o ‘show’ não ia poder acontecer ali”, disse Luaty Beirão.

O ativista, de 34 anos, é uma das vozes mais críticas do regime angolano liderado por José Eduardo dos Santos, tendo sido condenado em março último, no mediático processo dos “15+2”, a cinco anos e meio de prisão por atos preparatórios para uma rebelião, associação de malfeitores e falsificação de documentos.

Luaty Beirão e os restantes 16 ativistas deste processo foram libertados pelo Tribunal Supremo no final de junho, após recurso apresentado pela defesa.

Entre prisão preventiva e cumprimento de pena, Luaty Beirão chegou a estar 09 meses na cadeia, desde 20 de junho de 2015, tendo realizado durante este período uma greve de fome de protesto que se prolongou por 36 dias.

Foram entretanto abrangidos pela amnistia presidencial para crimes – excluindo os de sangue – cometidos até 11 de novembro de 2015.

http://jornaldeangola.sapo.ao/cultura/interpretacao_cultural_do_debate_politico

A guerra de sucessão no Gabão

Ali Bongo Ondimba, 57 anos, foi reeleito Presidente do Gabão para os próximos sete anos por 50,66% dos votos contra os 47,24% obtidos pelo seu principal adversário Jean Ping. A sentença emitida a 23 de setembro pelo Tribunal Constitucional (TC) de Libreville é inapelável, mas a crise continua e o desenlace é ainda imprevisível apesar das pressões internacionais e dos apelos ao diálogo e à reconciliação.

ali-bongo-ondimbaApoiantes de Jean Ping opunham-se à arbitragem por desconfiarem de Marie Madeleine Mborantsuo

JEAN PING QUE SE DIZ «PRESIDENTE ELEITO», fala de «decisão iníqua» e promete permanecer ao lado do povo em luta pela democracia e a soberania. Em Paris, o ex-ministro da Justiça Séraphin Moundounga apela à comunidade internacional para que se apliquem «sanções inteligentes» contra os autores do «hold up eleitoral».

Mas o desânimo dos apoiantes de Ping contrasta com a euforia combativa que reinava no quartel-general de campanha do líder da oposição antes e logo a seguir ao anúncio dos primeiros resultados pela Comissão Eleitoral Nacional Permanente (CENAP).

O quase-empate saído das urnas e a curta vantagem conferida ao Presidente em exercício (5000 votos) pelos resultados «quase soviéticos» obtidos na sua província natal do Alto Ogoué (99% de participação e 95% dos votos) davam força à tese segundo a qual a vitória do clã Bongo só tinha sido possível mediante à manipulação grosseira dos resultados numa única província. As declarações dos observadores da União Europeia iam no mesmo sentido e sugeriam a recontagem dos votos desta província, feudo da família reinante.

Esta versão dos factos, retomada quase unanimemente pela imprensa nacional e internacional com os jornalistas franceses à cabeça, adquiriu junto da opinião pública a força de uma evidência: «Ping ganhou, toda a gente o diz, toda a gente o sabe», gritavam em coro os que convidavam Bongo a aceitar a «verdade» e a sair do país sem demora, a bem da sua segurança e da paz e estabilidade regional.

Premeditados ou não, os acontecimentos da noite de 31 de agosto mudaram dramaticamente o curso da história. O incêndio da Assembleia Nacional, os assaltos contra esquadras da polícia e a Televisão Estatal, e a destruição das redações de jornais afetos ao regime foram o detonador da onda de violência e das pilhagens que se propagou de Libreville a outras cidades do país e à qual as forças de segurança e a Guarda Presidencial responderam com a brutalidade do costume.

Cercados no seu quartel-general durante 24 horas, mas bem conectados com o resto do mundo via internet (as telecomunicações só foram cortadas mais tarde), os líderes da oposição alertaram a diáspora gabonesa e o mundo para o «genocídio» em preparação, acompanhando os apelos angustiados com descrições de barbárie inaudita: os mortos e feridos eram às dezenas, milhares os presos e desaparecidos. Em contrapartida, houve poucas imagens dos efeitos da «legítima e espontânea» fúria popular…

A concretização do caos prometido pela oposição assustou uma população que nunca vira tamanha violência de perto e os apelos à calma começaram a chegar de todas as partes.

Nicole Guardiola

http://www.africa21online.com/artigo.php?a=21928&e=Pol%C3%ADtica&click=yes