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Atitude de professor emociona a todos

Professores brasileiros são os mais desprestigiados

professorOs governos que almejam pontuações mais altas na classificação mundial do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) – que mede as habilidades de jovens em leitura, matemática, ciências e trabalho em equipe – deveriam concentrar seus esforços na valorização e nos salários de professores, afirmou o estudo. A pesquisa foi encomendada pela Fundação Varkey, organização voltada para a educação baseada em Dubai.

O Índice Global de Status de Professores (GTSI) da fundação verificou “uma ligação direta entre o status do professor e o desempenho dos alunos medidos pelo Pisa”. As pesquisa do programa internacional são publicadas regularmente pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O GTSI foi calculado por meio do cruzamento dos resultados existentes do Pisa com respostas sobre professores obtidas por um instituto econômico baseado na Universidade de Sussex, que analisou mil adultos em cada um dos 35 países pesquisados, além de 5.500 professores espalhados desses países.

A equipe, liderada pelo pesquisador Peter Dolton, também comparou os resultados de uma amostragem menor de 2013, de 21 países, assim como os níveis atuais de remuneração e as horas em que os professores afirmam realmente trabalhar e a carga horária estimada pela opinião pública.

No GTIS, os países asiáticos – mais especificamente China, Malásia, Taiwan, Indonésia, Coreia do Sul e Índia – ficaram à frente “de todos os países europeus e de todas as nações ocidentais”.

Ao comparar seus estudos de 2013 e de 2018, a equipe de pesquisadores concluiu que o prestígio do professor aumentou em 13 países, tendo a China a melhor avaliação – embora seja a sétima colocada no Pisa. As maiores quedas foram registradas na Grécia e no Egito.

Por outro lado, todos os países da América do Sul tiveram resultados ruins e foram classificadas na parte inferior do índice, com o Brasil em último, e a Argentina apenas quatro posições acima. Em 2013, o Brasil aparecia na penúltima para a última posição.

O estudo destaca que o respeito pelos professores é particularmente baixo no Brasil: apenas 9% acreditam que os alunos o fazem.

Na maioria dos países europeus, os entrevistados afirmaram achar que os alunos tendiam a desrespeitar os professores. Apenas 22% dos alemães afirmaram sentir que os estudantes respeitavam seus professores, em comparação com a China, na qual 81% dos entrevistados afirmaram que os professores eram respeitados.

Na Alemanha, onde o salário dos professores é relativamente alto, apenas um em cada cinco pais encorajava seus filhos a se tornarem professores, segundo o estudo. No Brasil, a proporção é a mesma. Enquanto isso, metade dos pais em China, Índia, Gana e Malásia encorajam os filhos a serem educadores.

“Ministros devem levar professores a sério”

Nos 35 países avaliados, os professores ficaram, em média, em sétimo lugar em termos de status entre 14 profissões mencionadas, com os entrevistados equiparando o prestígio dos docentes ao dos assistentes sociais. Na China, os professores receberam uma valorização parecida com a dos médicos, enquanto no Brasil foram comparados a bibliotecários.

“Há uma relação clara e sutil entre o respeito pela ocupação de ensino e as percepções de remuneração que as pessoas têm em relação às profissões listadas”, afirmou o relatório.

“O alto status do professor não é apenas algo bom para se ter – é cada vez mais provável que leve a melhores resultados dos alunos”, concluíram os autores do GTSI, que acrescentaram que a confiança nos sistemas de ensino nos países pesquisados cresceu desde 2013. “Os ministros devem levar o status do professor a sério e se esforçar para melhorá-lo.”

O estudo do índice GTIS também verificou que, em 28 dos 35 países analisados, os professores recebiam uma remuneração menor do que os habitantes de seus países consideravam ser justa. As horas trabalhadas semanalmente pelos professores também foram subestimadas em 29 países, com os profissionais latino-americanos com a maior carga horária – chegando a 13 horas extras no Peru.

A Fundação Varkey é dirigida por Sunny Varkey, um empreendedor nascido na Índia e residente em Dubai, cuja empresa GEMS Education, de acordo com relatórios anteriores da Bloomberg e do jornal americano New York Times, tornou-se um dos maiores provedores privados de educação no mundo desde os anos 80. Seus mercados incluem o leste da Ásia e a África.

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Fonte: https://www.terra.com.br/noticias/brasil-fica-em-ultimo-lugar-em-ranking-sobre-prestigio-do-professor,326d7df893e21a7d3146be0334c1a057wzwf36kl.html

Ator e professor brasileiro é assassinado em Luanda – Angola

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goiano Adélcio Cândido, de 41 anos, foi encontrado morto nesta terça-feira (24), em Luanda (Angola). Conhecido como Yaru, o ator e professor de artes cênicas teria ido a uma festa no último domingo (22) e só foi encontrado dias depois. A suspeita é a de que ele teria sido vítima de latrocínio (roubo seguido de morte) e morto por asfixia, segundo a TV Anhanguera, citada pelo G1. Os detalhes do assassinato ainda não foram divulgados pelas autoridades locais.

“Todos descobrimos quando a amiga dele que morava com ele nos ligou para dar a notícias. Sabemos também que acharam o carro com alguns pertences, como celular, que já estão com a polícia, junto com suspeitos”, afirmou a atriz, professora e colega de faculdade, Kelly Morais, de 37 anos. A família agora luta para transladar o corpo para o Brasil.

O Itamaraty disse por meio de nota que “a Embaixada do Brasil em Angola acompanha o caso”, que está prestando assistência aos parentes e que “a Embaixada mantém contato com as autoridades policiais angolanas, que investigam as circunstâncias do ocorrido

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Não é mais suficiente para um professor conhecer o conteúdo, mas sim entender como cada aluno aprende

Linda Darling-Hammond afirma que um formador vale por mil reformadores e aponta caminhos para a construção desses formadores

Por: Soraia Yoshida

A professora norte-americana Linda Darling-Hammond afirma que o grande indicador do sucesso de um aluno é a habilidade de aprender coisas novas e melhorar seu repertório à medida que desenvolve capacidades para criar, colaborar e solucionar problemas. “As sociedades estão mudando muito rapidamente”, disse em sua palestra no evento Ciclo de Debates: A Formação dos Professores no Contexto da BNCC, em São Paulo, iniciativa do Instituto Ayrton Senna e Fundação Itaú Social. “Os alunos estão trabalhando na resolução de problemas que são novos para nós. Eles estão aprendendo coisas que nós ainda estamos inventando”, disse. Para ela, os professores que estão lidando com essa geração devem estar dispostos a aprender – e muito. “Prestem atenção nesses verbos: explorar, pesquisar, analisar, avaliar, aprender, criar, formular, expressar. Temos as diretrizes do que os nossos jovens têm que aprender”.

 

Em sua primeira visita ao Brasil, a professora emérita da Universidade de Stanford, na Califórnia, reforçou a necessidade de grandes investimentos na preparação de professores para que eles sejam capazes de lidar com as demandas trazidas por essa sociedade em evolução. Logo nos primeiros minutos de sua palestra, Linda afirmou que quaisquer que sejam os padrões de ensino, eles não são os responsáveis pelo ensino em si. “Nós amamos as palavras, mas são os professores e diretores de escola que dão vida a elas”, disse. “Nenhuma sociedade pode sobreviver ou ser bem-sucedida sem uma boa Educação”.

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A educadora norte-americana entende que, da mesma maneira que acontece na Medicina, os professores precisam experimentar um processo de aprendizado contínuo em sua formação. “A educação dos professores precisa mudar”, afirmou. Para ela, é importante trabalhar com referências de estruturas de aprendizado mais profundas nas escolas, para que os professores (principalmente os iniciantes) possam experimentar antes de adotar as estratégias que usarão nas práticas de ensino. “Professores não podem aprender como se ensina a ler, eles precisam experimentar aquela pedagogia”, disse.

Linda Darling-Hammond pesquisou programas de formação na Austrália, Singapura, China, Canadá, Finlândia, além de várias regiões dos Estados Unidos. Os governos finlandês e singapuriano bancam a formação de professores em qualquer parte do país e oferecem salários competitivos em relação a outras profissões. “Não é suficiente preparar os professores de maneira mais compreensiva, é preciso um sistema com salários mais adequados para termos uma força estável de professores tratados com respeito”, afirmou.

A pesquisadora compreende que é preciso ter recursos para criar um esquema de colaboração e planejamento que permita aos professores trabalhar dentro de novas perspectivas. Ela apontou pontos em comum em países de culturas e sistemas educacionais variados e indicou oportunidades quando se parte da visão do ensino centrado no aluno, guiando um conjunto coerente de cursos e trabalhos clínicos e oportunidades de aprendizado para os professores. Partindo de ambiente interativos, do investimento em pesquisas e criação de comunidades de aprendizagem em sala de aula para apoiar a aprendizagem socioemocional e acadêmica. Tudo isso deve estar apoiado em um currículo focado na aprendizagem e no desenvolvimento das crianças em diversos contextos sociais. “O processo de memorização, em lugar da compreensão, é inútil hoje”, disse. linda

Um formador vale por mil reformadores
Linda defende que emoções e o aprendizado estão diretamente relacionados. Se um aluno incorre em emoções negativas, como ansiedade, falta de confiança, isso irá afetar a maneira como ele aprende. Da mesma forma, um aluno com emoções positivas, que se sinta estimulado pelo professor, vai gostar mais do processo de aprendizado. Ela citou as diretrizes curriculares das Nações Unidas: “A educação deve se tornar um caminho que conduz a um desenvolvimento mais harmonioso e autêntico”. E completou: “Eu amo essa parte, harmonioso e autêntico”.

A educadora afirma que no mundo em que vivemos, não é mais suficiente para um professor conhecer o conteúdo, mas sim entender como cada aluno aprende aquele conteúdo. Diante da adoção do Common Core, nos Estados Unidos, e da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no Brasil, ela diz que o professor deve juntar o conhecimento dos alunos com os objetivos do currículo. “Não há duas crianças que sejam iguais, mas os objetivos do currículo o são, então formadores precisam se tornar mais ‘personalizados’ para ajudar professores que vêm de diferentes níveis econômicos e sociais”. Em resumo “Trazer o currículo até a criança e levar a criança até o currículo”.

Se a formação de professores é uma parte essencial do eixo de transformação da Educação, Linda acredita que o papel do formador de professores é ainda mais precioso. Ela elencou alguns pontos para garantir o sucesso da empreitada:

– Invista na formação de professores e líderes
– Arranje tempo para que todos possam participar
– Um formador vale por mil reformadores

Antes de se despedir de uma plateia que contava com secretários de Educação e formadores, ela afirmou: “Mais do que desejar boa sorte a vocês, eu desejo uma profunda compreensão. E que a Força esteja com vocês”.

https://novaescola.org.br/conteudo/11722/nenhuma-sociedade-pode-ser-bem-sucedida-sem-uma-boa-educacao

Ensinar é um acordo entre duas pessoas, um que será o professor e outro que será o aluno.

É hora de criar formas de avaliar habilidades do século 21

A professora norte-americana Katherine Merseth quer mudar a maneira como os professores aprendem, para que eles possam ensinar de forma diferente

Por: Soraia Yoshida
Katherine Merseth é professora sênior da Escola de Educação da Universidade de Harvard e veio ao Brasil para o lançamento do livro Desafios reais para o cotidiano brasileiro   Foto: Acauã Fonseca 

A professora norte-americana Katherine Merseth está em busca de casos. Ela e sua equipe já acompanharam as aflições, problemas e conquistas de professores em países como Chile, África do Sul e, mais recentemente, Brasil. Ao levantar e publicar as histórias de professores e seus desafios em sala de aula, Katherine expõe fracassos – mas também incríveis vitórias. “O maior elogio que posso receber de um professor é quando ele pega meu livro e diz: ‘Mas essa escola da qual você fala aqui parece com a minha escola’”, afirma. “Quando falamos nos desafios da Educação, há questões que são comuns a professores nos Estados Unidos, Alemanha ou Japão e que nos conectam aos estudantes”.

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O livro “Desafios reais do Cotidiano Escolar Brasileiro: 22 dilemas vividos por diretores, coordenadores e professores em escolas de todo o Brasil” reúne relatos de professores e gestores sobre experiência em sala de aula e na organização escolar. Professora sênior da Escola de Educação da Universidade de Harvard, Katherine Merseth coordenou o trabalho que utilizou a metodologia da instituição norte-americana para levantar a discussão sobre os desafios enfrentados pelos educadores nas escolas brasileiras. Há casos de bullying, violência, questões étnico-raciais, tudo dentro da experiência de quem viveu o problema e foi buscar uma solução – com a ajuda dos colegas, gestores, alunos e da comunidade escolar.

 

Para Katherine, o estudo dos casos, com suas evidências, é uma forma de compartilhar experiências com professores em situações muito similares, ainda que separados por fronteiras estaduais e municipais. Da mesma maneira, poderia servir ainda para dar exemplos em sala de aula de como adotar competências socioemocionais, seguindo o que diz a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). “Os professores podem ler casos de outros professores que dão uma aula que envolve o aprendizado de competências socioemocionais. E, com isso, eles passam a entender melhor”, afirma. É muito mais fácil assimilar a experiência de alguém que passa pelas mesmas dificuldades e fala a mesma língua, garante a professora. “Precisamos de mais casos para que os formadores, os professores em início de carreira e os professores experientes possam assimilar essas competências”.

 

A dinâmica desse aprendizado também é um ponto muito importante. Com a implementação da Base, há uma discussão que toma corpo sobre como deve ser feita a formação dos professores. Katherine é enfática em sua posição. “A melhor maneira de um professor aprender é estudando um caso, não através de aula expositiva. Então precisamos registrar mais casos sobre aprendizado de colaboração, resolução de problemas, resiliência, pois essas são as habilidades que os alunos precisam. Eles não precisam de mais aulas sobre como conjugar verbos”.

Ainda que Katherine possa ter um olhar crítico para as demandas não atendidas em sala de aula, ela não se vê acima dos educadores que, diariamente, enfrentam os desafios de transpor as barreiras da desigualdade para oferecer conhecimento. Toda vez que ela tinha de se apresentar, não hesitava: “Eu sou uma professora”. “É assim que eu me apresento às pessoas porque é o que eu sou”.

Em sua passagem pelo Brasil, a convite do Instituto Peninsula, Katherine Merseth conversou com NOVA ESCOLA sobre os dilemas dos professores, formação continuada e algumas observações para melhorar a Educação no país.

Em seus estudos sobre a experiência dos professores em sala de aula em países como Chile e África do Sul, você encontrou semelhanças com o cenário brasileiro?
No trabalho que fizemos no Chile, encontramos um diretor que tinha em sua escola de ensino médio alunos bolivianos e chilenos. Os bolivianos queriam comemorar o Dia da Independência na Bolívia, mesmo vivendo no Chile. Aqui no Brasil, registramos o caso de um professor que fala sobre os venezuelanos que cruzaram a fronteira e estão no Brasil. Em qual nível, as escolas dessas cidades de fronteira devem respeitar a cultura venezuelana é uma questão levantada por ele. Aqui estamos falando de assimilação da comunidades. Tivemos casos em que o problema não estava na escola, mas no entorno. Conversamos com Jefferson, um diretor de uma escola situada em uma comunidade no Rio de Janeiro. O dilema dele era decidir se, em certos dias, ele deveria manter a escola aberta ou fechá-la, sabendo que a escola estivesse fechada, as crianças voltariam para casa e estariam suscetíveis ao perigo nessa caminhada, além de ficarem sozinhas em casa, pois os pais trabalham. Mas há casos semelhantes na África do Sul se pensarmos em termos de diminuir a desigualdade, um desafio que pode ser visto em muitos lugares e culturas. Há um caso de um educador na favela de Sowetto que tenta educar crianças que não contam com apoio da família. E há casos semelhantes aqui no Brasil. Então há semelhanças e, claro, diferenças. E acho que essa é a coisa mais poderosa nesse trabalho.

Como a sra. espera que professores façam uso desses casos?
Eles podem conhecer e entender experiências vividas por outros professores, seja em Brasília, no Amazonas, no Rio de janeiro. Eles podem ler os casos e ver algo que pode servir para eles. O maior elogio por parte de um professor é quando ele pega meu livro e diz: “Esta escola parece com a minha escola” ou “Isso aconteceu comigo ontem”. Quando falamos nos desafios do ensino, há desafios que enfrentamos nos Estados Unidos, na Alemanha, no Japão. Existe uma questão que é comum conectando os professores aos estudantes.

 

Em seus estudos em outros países, a sra. se deparou com alguma solução que poderia ser usada em qualquer escola ou sempre há uma barreira local que torna isso impossível?
O contexto de uma escola, onde está localizada, quem são os alunos, como é a comunidade, se essa escola tem apoio do governo, qual a política pública para esse local, todas essas coisas vão variar bastante. Mas quando estou dentro da sala de aula, quando estou diante dos meus alunos, é um contrato entre eu e meus estudantes. Ensinar é um acordo entre duas pessoas, um que será o professor e outro que será o aluno. E isso é universal. Quanto mais pudermos ajudar os professores brasileiros a reconhecer os alunos que estão diante deles, a educação se tornará melhor. E isso considerando famílias, pais, governos, dadas todas as diferenças. O problema é que vemos uma ânsia enorme em vários países em copiar o que está sendo feito na Finlândia, Singapura, Japão ou Canadá. Algumas coisas vão funcionar, mas você não pode simplesmente pegar um modelo e colocar em prática, na esperança que os professores levem a ideia adiante.

No ano passado, tivemos a aprovação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC). 
Eu acho que o Brasil deu o primeiro passo ao aprovar a Base e isso é excelente. Todos agora têm um objetivo em comum e há um entendimento sobre o que deve ser ensinado. E poderá ajudar os professores a entender como dar sua aula de forma diferente. É um exemplo perfeito de boa política pública. Agora, se vai fracassar ou se será bem-sucedido vai depender de quão bem será implementada, como a maioria das políticas públicas.

A Base deixa claro que o ensino das disciplinas deve ser perpassado pelo ensino de competências socioemocionais. É claro que não existe receita de bolo, mas como trazer essa nova mentalidade para a sala de aula?
A melhor maneira de um professor aprender é estudando um caso, não através de uma aula expositiva. Precisamos registrar mais casos sobre o aprendizado de habilidades socioemocionais para que os formadores, os professores em início de carreira e os professores experientes possam assimilar esse ensino. Podem ser casos sobre colaboração, resolução de problemas e outras competências que os estudantes precisam desenvolver. É disso que eles precisam, não mais aulas sobre como conjugar verbos.

Então o que precisamos fazer é colocar os professores, durante a formação, no lugar do aluno em atividades colaborativas, para que saibam como dar essa aula depois aos seus alunos?
É isso mesmo. Professores ensinam do jeito que foram ensinados. Não deveria ser uma surpresa, portanto, que um professor que aprendeu através de aula expositiva, vá ensinar seus alunos com aulas expositivas. Se os professores forem ensinados com atividades, trabalho colaborativo, eles vão dar aulas com essas características a seus alunos. É por isso que precisamos mudar a prática de trabalho. Se continuarmos apenas com aulas expositivas, acabaremos nos concentrando na teoria e eles não estarão preparados para dar aula nesse novo formato. Então eles precisam ser ensinados em uma nova maneira, exatamente como você mencionou. Precisamos quebrar esse círculo.

E para quebrar esse círculo, a sra. acha que deveríamos primeiro atacar a formação dos professores que ainda estão na faculdade ou pegar aqueles que já são experientes?
Eu quero os dois. Esse processo vai depender de quantos novos professores são necessários no Brasil. Nos Estados Unidos, já contamos com um bom número e nosso esforço tem de ir para a formação continuada. Os professores experientes são mais difíceis de convencer porque eles querem entender o que é essa novidade, se isso significa mais trabalho. Outro ponto, além do fato de que professores ensinam do jeito que foram ensinados, é que quando você implementa mudanças em qualquer organização, governo, escola, negócio, há uma perda. Eu sou professora de Matemática e adoro esta equação: mudança = perda. Como seres humanos, não gostamos de perder coisas e, portanto, nós reagimos. Mesmo que estejamos mudando para algo melhor, seja nos negócios, na lei, na medicina, as pessoas vão resistir. Os professores não são exceção. “Não preciso disso. Eu sei como dar aula”.

Outro aspecto da mudança é que leva tempo. Não podemos mudar a prática em sala de aula do dia para a noite. Mas nós podemos começar. E eu defendo a tese de que se você não começar em algum lugar, você nunca vai mudar nada. E se você começar, será capaz de mostrar evidências. Será capaz de mostrar que há escolas com melhor desempenho, nas quais os estudantes estão se saindo melhor, estão mais engajados porque suas aulas são interessantes. Eles vão para a escola mais animados porque o professor está ensinando algo que querem aprender, em lugar de uma aula expositiva chata, cheia de teoria.

Como professora, a sra. acredita que essa mudança pode ganhar mais força se professores compartilharem boas práticas com os colegas?
Com certeza. Uma prática que funciona no Japão e que poderia ser adotada aqui chama-se estudo de lição (lesson study). Um grupo de professores que dá aula da mesma disciplina e do mesmo assunto trabalha junto para montar a melhor aula, digamos, de divisão de frações. Esse plano de aula é executado por um deles em sala de aula, enquanto os outros ficam no fundo da sala observando e fazendo anotações. Eles se reúnem outra vez e discutem o que não funcionou na classe e revisam o plano de aula. O plano é levado para os alunos novamente para ver se funciona. Depois de três ou quatro aulas práticas, nós temos um plano de aula muito bom. Os professores japoneses salvam esse plano. E na próxima vez que um professor tiver de ensinar divisão de frações, ele vai usar esse plano. Então, há colaboração, desenvolvimento da melhor maneira de dar esse conteúdo e o plano está baseado no contexto daquela escola, portanto ele é local. Isso é muito poderoso. E acho que isso poderia ser usado aqui no Brasil.

Na Base do Ensino Médio, há uma discussão neste momento de que uma parte do aprendizado poderia ser feita à distância para que os alunos tivessem acesso a mais conteúdo. O que a sra. acha da proposta?
Eu acho que o ensino híbrido pode funcionar. Não sou uma grande entusiasta de que tudo seja feito online. Eu acredito que precisamos ter o contato pessoal, isso é imprescindível, mas ter algum conteúdo online pode ser útil. Em alguns casos, pode ser positivo para o aluno assistir a uma mesma aula dada por outro professor. Mas como professora, eu preciso ver os seus olhos, preciso saber se você está entendendo, se está animado com o que estou ensinando.

Aqui no Brasil consideramos muito os testes, como o Pisa. E eu sei que a sra. não é muito afeita a testes. 
Não sou mesmo.

Mas é preciso ter algum instrumento para medir se os alunos e as escolas estão indo bem. Que tipos de testes deveríamos ter, então?
Esse é um problema. Se você tem um padrão, você precisa ter uma maneira de medir se os estudantes estão atingindo esse padrão. Ter essa responsabilidade é uma coisa boa. Que tipo de testes vocês têm no Brasil?

Temos testes nacionais [faço uma breve explicação da Prova Brasil e do Enem] e consideramos muito os resultados do Pisa. Quando olhamos para o Pisa, a sensação é de que a educação brasileira está muito mal.
Tenham cuidado ao usar o Pisa. Xangai tem um dos melhores desempenhos no Pisa, mas eles testam apenas 20% dos seus alunos. Na cidade de Xangai há muitos alunos que são filhos de trabalhadores imigrantes que vieram de outros países para se estabelecer lá, mas eles não são testados. Quem faz o teste são apenas os melhores alunos, das melhores escolas.

Mas isso é trapacear.
Sim, eles trapaceiam. Por isso eu diria que é preciso ter cuidado ao olhar para o que é feito na Finlândia, em Singapura, porque você não está comparando sistemas semelhantes. No Brasil, vocês deveriam olhar para os resultados do Chile ou do México, talvez Colômbia. Mas isso não resolve o problema. Nós ainda não sabemos como testar, em larga escala, colaboração, resolução de problema ou como medir criatividade. Precisamos criar novas formas de avaliar as habilidades que são necessárias no século 21. Criatividade, colaboração, cooperação, resolução de problema. É nisso que deveríamos estar nos focando agora.

(toca o sino da escola)

Viu só? Está na hora de irmos para o próximo período. (risos).

Fonte:https://novaescola.org.br/conteudo/11802/precisamos-criar-formas-de-avaliar-as-habilidades-necessarias-no-seculo-xxi

Professor ganense ganhou computadores depois que suas aulas viralizaram nas redes sociais

Muitos de vocês devem se lembrar da emocionante história do professor de Gana que, na falta de acesso a computadores, acabou por desenhar uma janela inteira do Word para ensinar seus alunos sobre o funcionamento dessas tecnologias. O caso, embora recente, levou a uma resposta intensa do público, com direito a uma declaração da própria Microsoft informando que iria fornecer equipamentos para o Prof. Richard Akoto.

Felizmente, toda a comoção do público não ficou nas palavras. Para começar, a gigante de Redmond manteve sua promessa e levou Akoto até Cingapura para participar do evento educacional Microsoft Education Exchange e receber um computador para ajudá-lo nas tarefas.

Além disso, como relata o site Quartz, outras doações foram feitas para o professor pouco depois. Um notebook novinho em folha, por exemplo, teria sido doado por um benfeitor da University of Leeds, no Reino Unido. Dias depois, cinco desktops teriam sido doados para a escola pela NIIT, uma escola de treinamento em computação localizada em Accra, capital de Ghana, junto de um laptop para uso pessoal de Akoto.

Não parece suficiente? Então que tal dizer que muitos estão cotando o Akoto para receber o prêmio anual “Melhor Professor Nacional”, que dá ao vencedor uma casa de três quartos para ele morar em qualquer lugar de sua escolha, entre outros ganhos? Pois é. Não dá pra negar que as mudanças na vida desse professor foram enormes – e, convenhamos, bastante merecidas.

Fonte:https://www.tecmundo.com.br/ciencia/128208-professor-gana-recompensado-varios-computadores-doados.htm

Em Gana professor da aula de computação e chama atenção da Microsoft

Owura Kwadwo dá aulas na cidade de Kumasi, em Gana, e sua postagem mostrando um desenho do Microsoft Word que fez na lousa viralizou

Professor faz desenho na lousa para ensinar computação por falta de equipamentos.

Professor faz desenho na lousa para ensinar computação por falta de equipamentos. Foto: Facebook/hottish.owura

O professor Owura Kwadwo dá aulas na cidade de Kumasi, em Gana, e ensina computação para seus alunos. Entretanto, ele não tem um computador na sala de aula e, por isso, desenha em uma lousa a interface dos programas da Microsoft.

Recentemente, ele publicou em seu Facebook algumas fotos que mostram ele dando aula, ensinando sobre o Microsoft Word para seus alunos. “Ensinar informática na escola de Gana é muito divertido. Ciência da computação na lousa. Eu amo tanto os meus alunos que eu tenho de fazer o que for necessário para que eles entendam o que eu estou ensinando”, escreveu ele na legenda.

A publicação viralizou e conquistou mais de 2 mil compartilhamentos. Em entrevista ao site Quartz, ele disse que costuma fazer isso sempre. “Esta não foi a primeira vez (que desenhei). Faço isso sempre na sala de aula”, falou.

Após tanto sucesso, uma mulher resolveu compartilhar o post em seu Twitter e marcar a Microsoft Africa, a quem fez um apelo: “Ele está ensinando o Word em uma lousa. Com certeza vocês podem dar a ele recursos mais apropriados”.

A empresa prontamente respondeu, prometendo que vai enviar um computador a Owura. “Apoiar professores para possibilitar a transformação digital na educação está no cerne do que fazemos. Nós vamos equipar Owura Kwadwo com um equipamento de nossos parceiros e com acesso aos programas”, escreveu a Microsoft.

Entretanto, dezenas de internautas pediram que a Microsoft envie não só um equipamento, mas sim vários, para que todos os alunos possam utilizar na escola. Até o momento, ela não se manifestou sobre os pedidos.

Hey @MicrosoftAfrica, he’s teaching MS Word on a blackboard. Surely you can get him some proper resources. https://twitter.com/africatechie/status/967705443110998017 

Supporting teachers to enable digital transformation in education is at the core of what we do. We will equip Owura Kwadwo with a device from one of our partners, and access to our MCE program & free professional development resources on http://education.microsoft.com 

Microsoft Educator Community home

education.microsoft.com

Ministra da Educação de Angola disse que o professor será sua prioridade

A ministra da Educação, Cândida Teixeira, apontou sábado, como uma das prioridades do seu mandato, a formação e valorização do professor, por ser o elemento que transmite o conhecimento para o desenvolvimento que o país pretende.

Governo que tomou posse no sábado tem onze ministras. A secretária do Conselho de Ministros também é mulher
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro
Cândida Teixeira, que falou à imprensa após ter tomado posse no novo cargo, garantiu ainda atenção especial ao subsistema de ensino geral, formação profissional e capacitação dos professores.

candca teixeira
Quem também estabeleceu como prioridade a valorização do docente é a ministra do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia  e Inovação, Maria Sambo. A ministra pretende trabalhar com a comunidade académica e dar continuidade ao estatuto da carreira do docente, para a sua maior dignificação.
Em Julho, o Ministério da Educação e os professores tinham chegado a um acordo sobre a revisão do estatuto da carreira docente, figurando a progressão horizontal da carreira e apenas três anos para o regime probatório, se for avaliado passa automaticamente para o quadro efectivo. Os sindicatos pediram igualmente que o Ministério fizesse chegar ao Governo, por intermédio do Ministério do Trabalho, a aplicação da progressão da carreira docente, além de questões como o subsídio de docência e promoções na carreira.
Entretanto, as prioridades das novas ministras estão em linha com as promessas que o Presidente da República, na altura ainda candidato, fez aos eleitores. Num encontro com professores e técnicos de saúde, João Lourenço assegurou que vai trabalhar para um ensino acessível a todos, exigente, competitivo e com mais qualidade, que na prática prepare os estudantes melhor capacitados para ingressarem no ensino superior.
João Lourenço defendeu que um ensino de qualidade depende do nível de preparação dos professores e não apenas da existência de salas de aulas climatizadas e com boas carteiras. “Teremos bons alunos não tanto em função das comodidades da sala de aulas onde estudam, mas sobretudo da qualidade dos docentes e da sua capacidade de transmitir os conhecimentos, do empenho e entrega à causa  de formar com qualidade dos quadros do amanhã”, justificou João Lourenço, para afirmar que o país precisa de homens bens formados e saudáveis, com competências académicas, técnico-profissionais e culturais à altura das necessidades do desenvolvimento que se pretende.
A boa formação, referiu João Lourenço, deve começar nos primeiros níveis de ensino.
O então candidato sugeriu que se repense no modelo educativo e pedagógico que melhor satisfaça os interesses e metas traçadas pelo partido. “Precisamos de docentes inovadores e com liderança nos processos de transformação à vista”, reforçou, lembrando que os profissionais do sector da Educação representam 50 por cento da função pública.

Dignificação das carreiras
O Presidente João Lourenço prometeu trabalhar na dignificação das carreiras de professor, enfermeiro e técnico de saúde para que correspondam ao nível de exigência que se vai introduzir, e melhorar a qualidade dos serviços prestados nos sectores da Educação e da Saúde em resposta ao slogan do MPLA “melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”.  No encontro mantido em Luanda, na altura da campanha eleitoral, os professores do ensino geral e os profissionais de enfermagem solicitaram a João Lourenço, no caso de vencer as eleições, a melhoria das condições de trabalho, o pagamento do subsídios de isolamento para os quadros destacados nos municípios e a revisão e actualização do Estatuto da carreira dos funcionários da Educação e Saúde.
Além destas preocupações, que foram comuns entre os profissionais dos dois sectores, o representante da Ordem dos Enfermeiros de Angola, Vasco Matemba, pediu o reforço do  abastecimento de medicamentos e dos recursos financeiros disponibilizados às unidades hospitalares, bem como um maior investimento no programa de municipalização dos serviços de saúde.  O Sindicato Nacional Independente dos Trabalhadores da Função Pública, com 47.400 membros, pediu que sejam disponibilizadas verbas para a realização do concurso público para a admissão de mais quadros para reforçar o atendimento. Já o Sindicado Nacional dos Enfermeiros, com 22.000 filiados, pretende facilidades para o acesso ao crédito para a compra de habitação e meios de transporte.
As outras preocupações do sector da Educação, apresentadas pelo Sindicato dos Professores, tiveram a ver com a necessidade do rigor e da transparência na contratação de novos profissionais. A Associação Nacional para o Ensino Particular (ANEP), com um registo de 1.602 colégios, defendeu que as instituições de ensino privado sejam autónomas, à semelhança das escolas estrangeiras e consulares, para deixarem de depender das escolas públicas no reconhecimento dos seus certificados.  O representante desta associação, António Pacavira, defendeu a isenção do pagamento do imposto industrial por um período de 10 anos, como acontece com as empresas do sector agrícola, para permitir a redução do preços das propinas, a criação de uma rede nacional de creches para melhor preparação dos alunos que entram para o ensino primário, instituição do regime da monodocência assistida nas disciplinas de matemática, física e química e a introdução da disciplina de xadrez, para melhorar o raciocínio lógico dos estudantes e a aprendizagem dos conteúdos das disciplinas práticas.
António Pacavira considerou ainda necessário o estágio obrigatório para os alunos de todos os cursos técnico-profissionais, e não apenas o de enfermagem, a criação de uma indústria especializada no fabrico de materiais escolares, de modo a permitir a sua compra a preços mais baixos.
O secretário provincial da Associação dos Professores de Angola (APA), Domingos Álvaro, pediu um plano de formação permanente para os quadros com menos de três anos de serviço e aqueles sem agregação pedagógica, distribuição do material escolar três meses antes do início do ano lectivo e a nomeação de quadros com experiência comprovada para a direcção das instituições de ensino.

 Saúde destaca redução da mortalidade

A ministra da Saúde, Sílvia Paula Valentim Lutucuta, aponta como prioridade a redução da mortalidade infantil e a humanização dos cuidados de saúde. Já o ministro da Construção e Obras Públicas, Manuel Tavares de Almeida, referiu que as linhas de força do seu pelouro vão basear-se no cumprimento dos objectivos traçados. “Vamos trabalhar em equipa, identificar os problemas, procurar soluções em conjunto e abrir espaço de opiniões dos cidadãos, dos empreiteiros e de todos os agentes económicos que conhecem os problemas para ajudarem a “melhorar o que está bem e corrigir o que está mal”, disse. Já a ministra Paula Coelho, que chefia o Ambiente, promete prosseguir com os programas de formação e sensibilização ambiental, protecção das espécies, da fauna e da flora. Paula Coelho valoriza também os programas ligados à adaptação e mitigação das alterações climáticas, bem como defende estudos para avaliar o potencial de recursos naturais do país.
Já a ministra da Hotelaria e Turismo, Ângela Bragança, falou da importância do sector nos esforços de diversificação da economia, na arrecadação de receitas, no aumento do número de postos de trabalho e na projecção da imagem de Angola. Ângela Bragança disse que vai fazer um diagnóstico do sector, para imprimir qualidade, fomentar o turismo cultural, religioso, o agro-turismo e sem esquecer a redução dos preços.
Do total de 32 titulares de departamentos ministeriais, 11 são mulheres e seis antigos secretários de Estado ascenderam a ministros: Ana Paula Sacramento Neto, ministra da Juventude e Desportos, Ângela Bragança, ministra da Hotelaria e Turismo.
O Governo empossado sábado traz um figurino de gestão governamental com menos dois ministros, em relação ao anterior, além de fundir alguns ministérios para reduzir a despesa pública.

Mulher negra e cientista brasileira narra epopeia de sua vida

‘Passei fome, mas tracei meta de conseguir vencer’, diz mulher que enfrentou preconceitos e se tornou cientista

Joana D’Arc Félix de Souza superou infância pobre e chegou a uma das universidades mais prestigiadas do mundo. Ela atua na ETEC em Franca, SP, em pesquisas para preservar meio ambiente.

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Aos 4 anos, a pequena Joana D’Arc começou a trilhar um caminho incentivado pelos conselhos do pai. Filha de uma empregada doméstica e de um profissional de curtume, ela encontrou nos estudos a chave para transformar uma vida de grandes dificuldades.

Hoje, aos 53 anos, a cientista PhD em química e professora Joana D’Arc Félix de Souza conquistou status visionário por sua atuação em pesquisas com o objetivo de poupar o meio ambiente de agressões e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

“Já dormi com fome, já passei fome, mas eu coloquei uma meta no meu caminho: a de conseguir vencer”, diz.

20141219Simplicidade que transforma

Joana nasceu em Franca (SP) no seio de uma família com poucos recursos financeiros. Sem condições de mantê-la em uma creche, a mãe optou por levar a caçula para o trabalho todos os dias. A patroa, diretora do Sesi, descobriu uma habilidade precoce na menina, que aprendeu a ler aos 4 anos.

“Para eu ficar quietinha minha mãe me ensinou a ler os jornais que tinham na casa. Teve certo dia que a diretora me viu vendo os jornais e disse ‘Você está vendo as figurinhas?’, e eu disse ‘Não, eu estou lendo’. E ela me deu a primeira oportunidade para estudar.”

A menina foi matriculada na primeira série de uma das turmas do Sesi e conseguiu acompanhar os colegas. O antigo colegial foi concluído quando ela tinha 14 anos, na Escola Estadual Torquato Caleiro, e com isso, surgiu o desejo de ingressar em uma universidade.

“Os meninos começaram a falar de vestibular para poder fazer a faculdade e começou a me despertar aquele ‘eu também quero fazer alguma coisa’ e eu fui conversando com a professora sobre como eu fazia para passar no vestibular. Ela me arrumou todas as apostilas do filho que fez cursinho para eu estudar”, lembra.joana-darc5

Mesmo sem dinheiro e sem ideia de como seria a vida longe da família, já que precisaria estudar em uma universidade pública fora de Franca, Joana ouviu os conselhos do pai e dedicou-se a longas jornadas de estudo com o material emprestado do filho da professora.

“Meu pai estudou só até a 8ª série e a minha mãe foi até a 4ª série. Então, o meu pai sempre incentivou bastante. Ele falava ‘mesmo a gente não tendo condições, a gente vai fazer o máximo, o possível e o impossível para você estudar”, diz.

O trabalho do pai no curtume, local onde o couro cru é quimicamente tratado para ser utilizado na produção de artigos como sapatos, também foi responsável pela escolha da graduação de Joana.

“Eu queria fazer química porque eu via os químicos trabalhando nos curtumes e achava bonito. A gente era tão mal informada que eu achava que químicos só trabalhavam em curtume. Então, o meu objetivo era fazer química para trabalhar no curtume.”

Ela foi em frente no sonho de conquistar uma vaga nas disputadas Unicamp, USP e UNESP. Foi aprovada em todas e escolheu com segurança a universidade em Campinas (SP), distante 330 quilômetros de casa.joana-darc3

A pesquisadora Joana D’Arc coleciona 53 prêmios ao longo da carreira Franca-SP (Foto: Stella Reis/EPTV)

Os desafios

Ainda adolescente, se mudou sozinha na década de 1980 para a cidade grande e passou a viver em um pensionato com pessoas diferentes e de todos os lugares do país. O patrão do pai de Joana também ajudou com algumas despesas, mas não tardou até que as primeiras dificuldades começassem a aparecer.

“Aos finais de semana e em muitas outras noites eu dormi com fome. Eu via aquelas meninas com bolsas, com sorvetes e era muito difícil ver tudo aquilo e não ter condições de comprar. Mas, eu via que a minha mãe não parava de trabalhar, era uma vida sofrida, e criei esse objetivo: eu vou em frente para conseguir.”

No segundo semestre do primeiro ano de graduação, Joana começou a fazer a iniciação científica e passou a receber uma bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Os R$ 300 mensais foram um alívio para a jovem estudante até o fim do curso. Com o primeiro pagamento em mãos, ela correu direto para a padaria e comprou R$ 20 em doces. “Comi tudo sozinha”, lembra. Parte do dinheiro, cerca de R$ 100, ainda eram enviados para ajudar os pais em Franca.

Na Unicamp, Joana ampliou o currículo e tornou-se doutora em química industrial, em 1994. Os artigos publicados sobre a síntese de fármacos renderam a ela um convite para fazer o pós-doutorado em uma das instituições mais prestigiadas do mundo, a Universidade Harvard, nos EUA.

A pesquisadora rumou então para Cambridge para avançar em mais uma etapa promissora da carreira. O assunto de sua tese acabou surpreendendo os orientadores. “Quando eu fui fazer o pós-doc a sugestão era trabalhar com reaproveitamento de resíduos e meu orientador me falou ‘você quer trazer um problema brasileiro?’. Meu pai já tinha sugerido para eu levar os resíduos do curtume aqui para ver o que eu podia fazer.”

Mas, Joana viu seus planos mudarem de rumo inesperadamente em outubro de 2002, com duas perdas avassaladoras. Primeiro, a irmã. Um mês e três dias depois, o pai. As mudanças a fizeram repensar a vida.

“Meu pai sentiu muito a morte da minha irmã e, depois de um mês e três dias, ele faleceu. O meu objetivo era ficar nos Estados Unidos, mas, minha mãe ficou muito doente e o marido da minha irmã foi morar com ela, com as crianças. Eu resolvi voltar para ajudar a minha mãe na criação dos meus sobrinhos.”

Joana atua como coordenadora na ETEC em Franca e coleciona 56 prêmios (Foto: Stella Reis/EPTV)

Escola da mudança

A decisão, por mais difícil que tenha sido, foi a melhor a ser tomada, considera a pesquisadora. O ponto final à vida nos EUA acabou revelando à Joana uma nova oportunidade. Ao invés da carteira de aluno, ela passou a ocupar um lugar superior na sala de aula, o do professor.

Há 12 anos, ela passou a atuar na Escola Técnica Estadual (ETEC) em Franca e começou a desenvolver projetos de pesquisa, conquistando discípulos e prêmios – 56 no total.

“Desenvolvi uma cultura muito interessante aqui na escola, porque os alunos achavam que o curso técnico era o máximo que eles iriam chegar. Eles começaram a ver que existia uma universidade e que eles poderiam fazer uma pós-graduação, ter uma vida acadêmica ou trabalhar em uma indústria.”

Ao lado dos alunos, Joana desenvolveu o trabalho que rendeu-lhe o prêmio Kurt Politizer de Tecnologia 2014, concedido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abquim), um reconhecimento aos projetos de inovação tecnológica na área. A pesquisa diz respeito à utilização da pele suína em transplantes realizados em seres humanos. A ideia de pesquisar o assunto surgiu quando um trabalhador em Franca sofreu graves lesões ao derrubar um galão de ácido sulfúrico sobre o corpo por acidente. A vítima era parente de um aluno de Joana.

“Ele me contou a história e começou a falar sobre transplantes de pele. Comecei a pesquisar quais tipos de peles animais eram compatíveis com a humana e a que mais se aproximava era a suína, com 78% de compatibilidade. Eu quis descobrir o que faria chegar aos 100% e fomos purificando até alcançar o objetivo.”

Segundo a pesquisadora, o Brasil possui apenas quatro bancos de pele e eles trabalham com restos de peles de cirurgias plásticas, já que as pessoas desconhecem o processo de doação. De acordo com Joana, uma indústria farmacêutica do Rio de Janeiro está interessada em uma transferência de tecnologia.

Por causa do conhecimento sobre as atividades nos curtumes em Franca, a pesquisadora também atua em soluções para que os resíduos do couro não afetem o meio ambiente. Atualmente, ela trabalha no desenvolvimento do chamado cimento ósseo, que usa o colágeno do couro e a hidroxiapatita extraída da escama de peixes.

“Se em um acidente a pessoa perde parte do osso, o médico vai remover a parte perdida, fechar a cirurgia e esse cimento ósseo vai favorecer o crescimento do osso novo. Enquanto ele cresce, o cimento vai ser absorvido sem rejeição.”

Segundo a pesquisadora, países como Holanda e Estados Unidos estão interessados na tecnologia desenvolvida na ETEC.

Joana recebe o prêmio Kurt Politizer, da Abquim, em 2014 (Foto: Assessoria de imprensa ETEC)

Preconceito a fez mais forte

Aos 53 anos, Joana se recorda do preconceito vivido tanto na juventude quanto nos dias de hoje, mas acredita que os episódios a fizeram mais forte e a ajudaram a chegar ao lugar que tanto sonhava.

“Me lembro de uma passagem que me chateou muito na escola. Na hora do intervalo alguns alunos da minha sala danificaram alguns bancos, quebraram algumas coisas. Quando voltamos para a sala, a diretora falou ‘pessoas do nível de vocês nunca vão conseguir nada. Pessoas que os pais vêm trazer de bicicleta na escola nunca vão conseguir ser nada’. As palavras más daquela diretora me ajudaram a vencer na vida.”

Joana tem quatro sobrinhos e eles decidiram seguir os passos da tia na carreira. A professora acredita que o estímulo ao estudo seja seu maior legado aos jovens da família e aos alunos. Ela replica deste modo o que recebeu de herança do pai.

“Eu me sinto realizada por não ter sido impedida por nenhum obstáculo, não ter desistido. Vejo a contribuição que eu estou dando ao meio ambiente e me sinto lisonjeada. Também me sinto bem por poder passar um pouco do meu conhecimento a um aluno e sentir o reconhecimento que eles têm. Sempre procurei incentivar porque é o estudo que vai colocá-lo onde você almeja chegar. É a única coisa que ninguém te rouba. Me sinto gratificada por meus sobrinhos poderem estudar sem preocupação com o que vão jantar ou almoçar, por poder dar a eles uma vida mais tranquila.”

*Sob a supervisão de Thaisa Figueiredo

Joana entre alunos que recebem todo seu incentivo na pesquisa em Franca-SP (Foto: Assessoria de imprensa ETEC)

http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/passei-fome-mas-tracei-meta-de-conseguir-vencer-diz-mulher-que-enfrentou-preconceitos-e-se-tornou-cientista.ghtml

Professores angolanos estão em greve

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A situação de crise que atinge o país provocado pela queda do preço do petróleo, tem levado os trabalhadores a uma situação difícil, com grandes perdas salariais. O setor educacional, que é um dos grandes empregadores em Angola.

Os professores promovem , neste momento uma grande paralisação nacional, sob a liderança do Sindicato dos Professores (Sinprof) , que denuncia que os trabalhadores tiveram uma perda salarial de 40 %. Um valor sem dúvida substancial, o que agravou a vida  de milhares de profissionais,

O processo de gestão gestão do sistema de ensino angolano, apresenta falhas que agravam ainda mais esta situação, pois os professores recentes passam por um estágio probatório, mas o sistema que deveria indicar o fim do mesmo não se dá de forma eficiente. Com isso , muitos professores ficam na condição de precariedade que o estado probatório além do tempo determinado em lei,  impõe aos professores.

Como de hábito, as autoridades afirmam que estão abertas ao diálogo. O ministro da educação de Angola , Pinda Simão, disse:  “Vamos dialogar com os sindicatos na próxima reunião, já em conjunto com os ministérios da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social e Finanças”, garantiu.  Informou Pinda Simão, que reconhece que a perda de poder de compra dos professores em 40 por cento radica das dificuldades financeiras do momento.

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Na 3ª reunião ordinária da Comissão para a Política Social do Conselho de Ministros, orientada pelo Vice-Presidente da República, Manuel Vicente. Foram informados sofre o Relatório de Execução do Programa “Educação para todos”, referente ao período 2000 a 2015, no quadro da declaração de Incheon e da ação mundial 2030, adotados pelo Fórum Mundial de Educação e pela 38ª sessão da Conferência geral da Unesco, realizados em Maio e Novembro de 2015, na Coreia do Sul e em França, respectivamente.
No relatório, são destacados os principais progressos registados em Angola, nos seis diferentes domínios de intervenção do programa, nomeadamente a primeira infância, a universalização do ensino primário, as habilidades e preparação para a vida activa, a redução do analfabetismo, a equidade do género e a qualidade da educação.

 

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/executivo_aberto_ao_dialogo