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Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) divulgaram carta aberta

sbpcAssinado por Ennio Candotti, Otavio Guilherme Velho, Sergio Machado Rezende e Sergio Mascarenhas, o documento é endereçado ao ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes

Quatro presidentes de honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) divulgaram carta aberta em que afirmam que “as atuais diretrizes de Governo para Ciência e Tecnologia comprometem gravemente o desenvolvimento nacional, o bem público, o progresso da ciência e a defesa da soberania nacional”.

Assinado por Ennio Candotti, Otavio Guilherme Velho, Sergio Machado Rezende e Sergio Mascarenhas, o documento é endereçado ao ministro de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Marcos Pontes.

Leia abaixo a carta aberta na íntegra:

 

ao Exmo.Sr. Marcos Pontes

Ministro de Ciência Tecnologia Inovação e Comunicações

Brasília 9 de maio de 2019

Exmo. Sr. Ministro,

Temos acompanhado as batalhas que V. Exa. tem travado nos últimos tempos para reverter os cortes orçamentários determinados pelo Ministério da Economia.

Parece-nos, no entanto, oportuno alertá-lo que as atuais diretrizes de Governo para C&T comprometem gravemente o desenvolvimento nacional, o bem público, o progresso da ciência e a defesa da soberania nacional. Estas diretrizes de Governo transcendem as questões orçamentárias.

O Sistema de Ciência e Tecnologia, seus institutos, universidades e agências de fomento têm contribuído nos últimos setenta anos para oferecer aos governos, ao sistema produtivo e à sociedade, conhecimentos que permitiram promover o desenvolvimento, elevar a produtividade da indústria e da agricultura, a compreensão de nossa sociedade e dos conflitos sociais que nela encontramos. Permitiram também que o Brasil ocupasse um lugar digno no quadro internacional do progresso científico.

Lembro que a concepção e redação da Constituição de ‘88 foi influenciada pelos conhecimentos e progressos científicos, alcançados até aquele momento através das pesquisas em nossos Institutos, Universidades e Centros de Pesquisa.

A SBPC teve a oportunidade e a honra de oferecer subsídios para a redação dos Artigos de Ciência e Tecnologia (Art 218), Meio Ambiente (Art. 225), Direitos humanos (Art 1 Art 4 e Art 5), dos Índios (Art 231) e da Educação (Art 205 a 214) e da Cultura (Art 215 e 216). Ciência Hoje  No 30 p. 66-70, 1987, registra estas contribuições.

Durante os debates que precederam a redação da Carta, o conceito de Soberania Nacional foi enriquecido com a incorporação do princípio que para defende-lo é necessário o domínio do conhecimento de nossos recursos naturais,  da biodiversidade, da nossa cultura, história e sociedade, e sobretudo é necessário desenvolver a capacidade de acompanhar, e mesmo produzir, conhecimentos científicos novos que contribuam não apenas para reconhecer e explorar o patrimônio social, cultural e natural, mas também para o progresso da ciência básica e aplicada. De interesse nacional ou da própria humanidade.

Foi com esse propósito que se incluíram na Constituição os Artigos acima mencionados, em que se determina ser de interesse nacional o estudo e a proteção do patrimônio genético, da Amazônia, do Pantanal, da Mata Atlântica, da Zona Costeira bem como do patrimônio cultural, arqueológico e paleontológico.

Foi por essa razão que no Art. 218 a Constituição “Facultou aos Estados e Municípios e DF vincular parcela de sua receita orçamentária a entidades públicas de fomento do ensino e à pesquisa científica e tecnológica”.

Artigo que possibilitaria em 1990 incluir nas Constituições Estaduais os recursos vinculados que financiariam as Fundações de Apoio à Pesquisa.

As mencionadas diretrizes de Governo, que hoje nos preocupam, indicam que as determinações constitucionais de fomentar o conhecimento e a ciência para promover o desenvolvimento e defender a Soberania Nacional, estão sendo traídas. Trata-se de diretrizes políticas que fragilizam a própria capacidade de discernimento dos grandes desafios do mundo contemporâneo e destemperam os instrumentos de defesa da Soberania Nacional.

Vejamos alguns exemplos entre tantos outros que as diferentes áreas das ciências naturais, humanas e sociais poderão trazer para o debate da política de C&T.

  1. A Amazônia dificilmente pode ser defendida com armas de ferro e fogo. As informações relevantes do patrimônio genético presente no laboratório de biodiversidade que nela encontramos estão contidas em cápsulas de dimensões microscópicas: 10-6m. Fora do alcance dos detectores de metais e instrumentos de persuasão dos guardas de fronteira.

Este patrimônio deve ser estudado e conhecido para ser protegido. Toda proteção é necessariamente seletiva e depende do conhecimento que acumulamos com nossas pesquisas.

A esse respeito devemos lembrar que na Amazônia existem apenas duas pós-graduações em botânica. Deveríamos ter pelo menos 20 para cumprir as determinações constitucionais e subsidiar programas, civis ou militares, de defesa da Soberania Nacional sobre o patrimônio botânico.

  1. Grandes investimentos vêm sendo realizados pelos países que lideram a economia mundial, em produção de alimentos através das novas descobertas da bioengenharia nas pesquisas com células tronco animais ou vegetais. Isto significa que em breve o boi perderá valor de mercado. É nosso dever alertar o ministério da Agricultura e Pecuária que é efêmera a glória dos seus atuais negócios. Uma nova agricultura deve ser pensada (o documento elaborado pela Embrapa “Visão 2030: O Futuro da Agricultura Brasileira” oferece importantes informações a respeito).

A política de Ciência e Tecnologia deveria preparar e subsidiar as diretrizes de Governo voltadas a garantir nossa soberania econômica e alimentar, além da territorial.  A Amazônia nos oferece uma rica biblioteca de códigos genéticos da biodiversidade, ela é um imenso arquivo de uma grande variedade de células tronco. Esta biblioteca deveria ser melhor estudada, suas linguagens decifradas, antes de destruí-la para engordar gado.

  1. Grandes investimentos vêm sendo realizados na área da Inteligência artificial, pelos países que lideram a economia mundial e prezam por sua Soberania Nacional, um campo de conhecimento que revoluciona o próprio sistema de defesa de terra, mar e ar, exigindo que aos três tradicionais vetores da defesa, se acrescente um quarto, o da inteligência.

Acréscimo que exige um certo entendimento e cooperação, entre o Sistema de Ciência e Tecnologia civil e os tutores militares da defesa da Nação.

Um Sistema que desde suas origens (na criação do CNPq em 1950 e da Finep-FNDCT em 1970) preocupou-se com a formação da competência científica e tecnológica, capaz de promover o desenvolvimento e defender a Soberania Nacional, em suas dimensões econômicas, sociais, militares e geopolíticas.

Há outros exemplos, que poderiam ser acrescentados, desde a computação quântica à química de produtos naturais, dos paleo estudos de nossas origens às culturas que ocuparam a Terra Brasilis desde tempos imemoriais.

Acreditamos enfim que atravessamos um momento de grandes decisões políticas, que podem vir a redefinir nosso lugar na Terra. Ocuparemos nos próximos tempos um lugar digno entre os países soberanos ou uma cela entre os subalternos? A inteligência o dirá.

É imperativo hoje denunciar que o atual Governo rompeu o pacto, registrado na Constituição de ‘88, que após vinte anos de ditadura, unia a sociedade: comunidade cientifica, política, trabalhadores, indústria, agricultura e mesmo as forças armadas, em torno de um Projeto de Desenvolvimento Nacional.

A história não perdoaria a nossa omissão neste momento e tanto menos perdoará o silêncio dos tutores da defesa da soberania de terra, mar e ar.

Assinam os Presidentes de Honra da SBPC:

Ennio Candotti,

Otavio Guilherme Velho

Sergio Machado Rezende

Sergio Mascarenhas

 

Jornal da Ciência

Fonte:http://www.jornaldaciencia.org.br/presidentes-de-honra-da-sbpc-divulgam-carta-aberta-em-defesa-de-cti/

Cientistas protestam contra a politica ambiental brasileira

Os sistemas do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal por Satélite (Prodes) registraram no fim de 2018 um aumento de 13,7% do desmatamento da Amazônia em relação aos 12 meses anteriores – o maior número registrado em dez anos.

Edison Veiga – De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil

25 ABR2019

A edição de sexta-feira (26) da revista Science traz uma carta assinada por 602 cientistas de instituições europeias pedindo para que a União Europeia (UE), segundo maior parceiro comercial do Brasil, condicione a compra de insumos brasileiros ao cumprimento de compromissos ambientais.

vista aérea da floresta amazônica

vista aérea da floresta amazônica

Foto: Larissa Rodrigues / BBC News Brasil

Em linhas gerais, o documento faz três recomendações para que os europeus continuem consumindo produtos brasileiros, todas baseadas em princípios de sustentabilidade. Pede que sejam respeitados os direitos humanos, que o rastreamento da origem dos produtos seja aperfeiçoado e que seja implementado um processo participativo que ateste a preocupação ambiental da produção – com a inclusão de cientistas, formuladores de políticas públicas, comunidades locais e povos indígenas.

O grupo de cientistas tem representantes de todos os 28 países-membros da UE. O teor da carta ecoa preocupações da Comissão Europeia – órgão politicamente independente que defende os interesses do conjunto de países do bloco político-econômico – que há cerca de quatro anos vem estudando como suas relações comerciais impactam o clima mundial.

Amazônia perdeu 50 mil km² de matas nos últimos 7 anos

Amazônia perdeu 50 mil km² de matas nos últimos 7 anos

Foto: AFP / BBC News Brasil

Pesquisador de questões de uso do solo, políticas de mitigação climática, combate ao desmatamento e cadeias produtivas, o brasileiro Tiago Reis, da Universidade Católica de Louvain, é um dos autores da carta.

Em entrevista à BBC News Brasil, ele afirmou que a publicação do texto tem como objetivo mostrar às instituições europeias que a comunidade científica entende a questão como “prioritária e extremamente relevante”.

“A iniciativa é importante, sobretudo neste momento em que sabemos que a Comissão Europeia está estudando o assunto e formulando uma proposta de regulação para a questão da ‘importação do desmatamento'”, disse o cientista.

O artigo foi divulgado nesta quinta-feira. Procurado pela reportagem da BBC News Brasil, o Ministério do Meio Ambiente ainda não respondeu ao pedido de entrevista sobre o tema.

Sustentabilidade e direitos humanos

“Exortamos a União Europeia a fazer negociações comerciais com o Brasil sob as condições: a defesa da Declaração das Nações Unidas sobre os direitos dos povos indígenas; a melhora dos procedimentos para rastrear commodities no que concerne ao desmatamento e aos conflitos indígenas; e a consulta e obtenção do consentimento de povos indígenas e comunidades locais para definir estrita, social e ambientalmente os critérios para as commodities negociadas”, diz a carta veiculada no periódico científico.

Exportações para a UE representaram 17,56% do total do Brasil em 2018

Exportações para a UE representaram 17,56% do total do Brasil em 2018

Foto: Thiago Foresti / BBC News Brasil

A carta ressalta que a UE comprou mais de 3 bilhões de euros de ferro do Brasil em 2017 – “a despeito de perigosos padrões de segurança e do extenso desmatamento impulsionado pela mineração” – e, em 2011, importou carne bovina de pecuária brasileira associada a um desmatamento de “mais de 300 campos de futebol por dia”.

Segundo dados do Ministério da Economia, as exportações para a UE representaram 17,56% do total do Brasil em 2018 – um total de mais de US$ 42 bilhões, com superávit de US$ 7,3 bilhões. A exportação de carne responde por cerca de US$ 500 milhões deste total, minério de ferro soma quase US$ 2,9 bilhões e cobre, US$ 1,5 bilhão.

De acordo com dados divulgados em novembro pelo ministérios do Meio Ambiente e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, a Amazônia enfrenta índices recordes de desmatamento.

Os sistemas do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Amazônia Legal por Satélite (Prodes) registraram um aumento de 13,7% do desmatamento em relação aos 12 meses anteriores – o maior número registrado em dez anos. Isso significa que, no período, foram suprimidos 7.900 quilômetros quadrados de floresta amazônica, o equivalente a mais de cinco vezes a área do município de São Paulo.

A principal vilã é a pecuária. Estudo realizado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) em 2016 apontou que 80% do desmatamento do Brasil se deve à conversão de áreas florestais em pastagens.

Atividades de mineração respondem por 7% dos tais danos ambientais.

Principal autora do texto, a bióloga especialista em conservação ambiental Laura Kehoe, pesquisadora da Universidade de Oxford, acredita que, como forte parceria comercial, a Europa é corresponsável pelo desmatamento brasileiro.

“Queremos que a União Europeia pare de ‘importar o desmatamento’ e se torne um líder mundial em comércio sustentável”, disse ela. “Nós protegemos florestas e direitos humanos ’em casa’, por que temos regras diferentes para nossas importações?”

“É crucial que a União Europeia defina critérios para o comércio sustentável com seus principais parceiros, inclusive as partes mais afetadas, neste caso as comunidades locais brasileiras”, afirmou a bióloga conservacionista Malika Virah-Sawmy, pesquisadora da Universidade Humboldt de Berlim.

"Queremos que a União Europeia pare de 'importar o desmatamento' e se torne um líder mundial em comércio sustentável", defende bióloga Laura Kehoe

“Queremos que a União Europeia pare de ‘importar o desmatamento’ e se torne um líder mundial em comércio sustentável”, defende bióloga Laura Kehoe

Foto: Thiago Foresti / BBC News Brasil

A carta dos cientistas apresenta preocupações, mas a aplicação dos tais compromissos como condições para tratativas comerciais depende de regras a serem criadas pela Comissão Europeia. Se o órgão acatar as sugestões, será preciso definir de que maneira o Brasil – e outros parceiros comerciais da UE – precisaram criar organismos e estabelecer as métricas para o cumprimento das exigências.

Medidas do governo Bolsonaro

De acordo com o brasileiro Tiago Reis, foram dois meses de articulação entre os cientistas europeus para que a carta fosse consolidada e os signatários, reunidos.

“Criamos o texto acompanhando a evolução do novo governo brasileiro. Estávamos preocupados com as promessas de campanha, mas quando essas promessas passaram a ser concretizadas, com edição de decretos, decidimos que precisávamos fazer algo”, disse ele.

“Existe, hoje, um discurso no Brasil que promove a invasão de terras protegidas e o desmatamento. Isso gerou sinais de alerta na comunidade científica internacional.”

A carta publicada pela Science ainda afirma que o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) trabalha “para desmantelar as políticas anti-desmatamento” e ameaça “direitos indígenas e áreas naturais”. Além de ser assinada pelos 602 cientistas europeus, a carta tem o apoio de duas entidades brasileiras, que juntas representam 300 povos indígenas: a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil.

Em Mato Grosso, floresta amazônica dá lugar a pastagens

Em Mato Grosso, floresta amazônica dá lugar a pastagens

Foto: Thiago Foresti / BBC News Brasil

Logo no dia 2 de janeiro, primeiro dia útil do mandato, Bolsonaro publicou decretos transferindo órgãos de controle ambiental para outras pastas, reduzindo a atuação do Ministério do Meio Ambiente.

O Serviço Florestal Brasileiro, por exemplo, foi realocado no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – pasta comandada por Tereza Cristina, ligada à bancada ruralista. Outros três órgãos foram cedidos para o Ministério do Desenvolvimento Regional.

A incumbência de demarcar terras índigenas, antes sob responsabilidade da Fundação Nacional do Índio (Funai), também foi transferida para o Ministério da Agricultura. A própria Funai foi remanejada. Antes vinculada ao Ministério da Justiça, acabou subordinada ao Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, comandado por Damares Alves.

Mais recentemente, funcionários do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) têm sido alvo de exonerações.

Na semana passada, o Ibama arquivou processos contra a produção de soja em áreas protegidas em Santa Catarina. E o próprio presidente Bolsonaro, via redes sociais, desautorizou no início deste mês operação em andamento contra a exploração ilegal de madeira em Rondônia.

 

Fonte: https://www.terra.com.br/noticias/ciencia/sustentabilidade/meio-ambiente/manifesto-assinado-por-602-cientistas-pede-que-europa-pare-de-importar-desmatamento-do-brasil,3c71759e87b6a09817e0ba8d15c48e27xmxbyti2.html

Protestos populares no Sudão: começaram com o aumento do preço do pão e do custo de vida

 

Aquilo que começou com uma manifestação contra o aumento do preço do pão e dos combustíveis, já se transformou em violentos protestos que causaram até ao momento 22 mortos e que colocam em causa a estabilidade política do país, com as forças da oposição a pedirem a Omar al-Bashir uma transferência pacífica de poder, o que faz recordar a Primavera Árabe. Os militares afirmam estar ao lado do Presidente

Fotografia: DR

As manifestações de rua que têm vindo a realizar-se no Sudão já provocaram 22 mortos, de acordo com fontes ligadas ao principal partido da oposição, confirmadas pela imprensa interancional e não desmentidas pelas autoridades locais.

Os protestos populares de rua começaram há cerca de uma semana, com os manifestantes a contestarem o recente aumento do preço do pão e dos combustíveis, tendo aos poucos recebido a solidariedade crescente de forças da oposição e de organizações da sociedade civil.

Mais recentemente, foram os médicos a anunciar que se irão juntar aos manifestantes na onda de protestos que está a provocar uma forte pressão política sobre o Presidente Omal al-Bashir a quem já é pedida uma transição pacífica do poder.

Mas, na verdade o descontentamento popular no Sudão não é uma coisa de agora. Durante o ano que está prestes a terminar, o custo dos principais bens alimentares quase que duplicaram com a inflação a atingir os 70 por cento, fruto da desvalorização da moeda e da escassez de alguns produtos essenciais, mesmo na cidade de Cartum.

No passado fim de semana, as autoridades anunciaram a detenção de 14 líderes das Forças Nacionais de Consenso, uma coligação da oposição. Entre os detidos está Farouk Abu Issa, de 85 anos. Esta detenção foi mais um pretexto para agitar a fúria dos manifestantes, que nas suas reivindicações passaram a incluir também a exigência para a sua libertação.

Também no fim de semana, Sadiq al-Mahdi, líder do principal partido da oposição, o Umma, condenou publicamente a “repressão armada” e disse que os protestos estão a acontecer devido ao “agravamento da situação social do país”.

Este responsável, pediu também ao governo do Presidente al-Bashir para que aceite uma transferência pacífica do poder de modo a evitar a “confrontação com o povo”.

Sadiq al-Mahdi, que na semana passada regressou de um exílio de um ano, desempenhou já as funções de primeiro-ministro entre 1966 e 1967 e entre 1986 e 1989, altura em que foi deposto por um golpe liderado pelo actual Presidente Omar al-Bashir.

Antes, adeptos de futebol que seguiam para um estádio de Cartum foram dispersados pela polícia com gás lacrimógeneo depois depois de terem exibido faixas a exigir a demissão do Chefe de Estado.

Os militares, enquanro isso, emitiram na terã-feira um comunicado onde dizem estar ao lado do Presidente. \”As forças armadas apoiam a liderança do Presidente al-Bashir e o grande interesse em salvaguardar as realizações do povo e a segurança do país\”, refere a nota enviada à imprensa.

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/manifestantes_na_rua_ja__pedem_saida_de_al-bashir

Isabel dos Santos solta o verbo

isabel dos santosA empresária angolana Isabel dos Santos alertou esta quarta-feira que em Angola “a situação está a tornar-se cada vez mais tensa, com a possibilidade de se juntar à crise económica existente, uma crise política profunda”.

Numa série de mensagens divulgadas durante o dia no Twitter, a filha do ex-chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, exemplifica: “greve nacional dos médicos com 90% de adesão, quebra do poder de compra em 170%, fome nas famílias apesar do petróleo em alta”.

As mensagens divulgadas pela empresária surgem no mesmo dia em que o seu pai, José Eduardo dos Santos, fez uma declaração garantindo que não deixou os cofres públicos vazios, e poucos dias depois de o actual Presidente, João Lourenço, ter criticado a forma como foi feita a passagem da “pasta” entre os dois chefes de Estado.

Na declaração sem direito a perguntas dos jornalistas, feita pouco depois de o actual Presidente levantar voo de Luanda rumo a Lisboa, para uma visita de Estado de três dias, José Eduardo dos Santos disse: “Não deixei os cofres do Estado vazios. Em Setembro de 2017, na passagem de testemunho, deixei 15 mil milhões de dólares no Banco Nacional de Angola como reservas internacionais líquidas a cargo do um gestor que era o governador do BNA sob orientação do Governo”.

Isabel dos Santos escreveu no Twitter que esta foi “uma entrevista sem precedentes”. “Antigo Presidente angolano Eng. José Eduardo dos Santos, afirma que não deixou os ‘cofres vazios’ e novo OGE2018 foi feito pela equipa do Presidente João Lourenço. 15 mil milhões de dólares foi valor deixado em caixa. E 29 mil milhões foi receita 2018 da Sonangol”, afirma.

João Lourenço sucedeu em Setembro de 2017, após as eleições gerais de Agosto, a José Eduardo dos Santos no cargo de Presidente da República de Angola, funções que desempenhou entre 1979 e 2017.

Em Novembro de 2017, João Lourenço exonerou Isabel dos Santos da presidência do conselho de administração da petrolífera estatal angolana Sonangol.

Egito cancela viagem de diplomatas brasileiros após declarações de Bolsonaro

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Publicado em 5 novembro, 2018 2:33 pm

Segundo informação da Folha, o governo egípcio cancelou uma visita que o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira, faria ao país árabe. O chanceler brasileiro desembarcaria na quarta-feira (7) e cumpriria uma agenda de compromissos entre os dias 8 e 11 de outubro.

Nesta segunda-feira (5), o governo brasileiro foi informado pelo Egito que a viagem teria que ser cancelada por mudança na agenda de autoridades do país.

Não é comum no protocolo da diplomacia desmarcar viagens em cima da hora.

As autoridades do governo brasileiro temem que a medida seja uma retaliação às declarações recentes do presidente eleito Jair Bolsonaro.

Ele disse que pretende reconhecer Jerusalém como capital de Israel e que irá transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para a cidade, o que tem desagradado a comunidade árabe.

Segundo relatos de diplomatas, a Liga dos Países Árabes enviou inclusive uma nota à embaixada brasileira no Cairo condenando as declarações do presidente eleito.

 

Fonte:https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/egito-cancela-viagem-de-comitiva-brasileira-apos-declaracoes-de-bolsonaro/

Nomzamo Winnie Mandela: as mulheres na História da luta contra o apartheid

Tshepiso Mabula 12 de abril de 2018 11:48

Minha avó me disse que o nome Nomzamo em isiXhosa significa a mãe de todos os esforços, ela que nunca pára de tentar e nunca desiste

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Cara prisioneira número 1323/69,

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Comecei a escrever muitas cartas para você, mas nunca terminei uma. Hoje, sinto-me compelido a derramar meu coração a você com o terrível conhecimento de que você nunca conseguirá lê-la. Talvez meu erro seja ter  esperado  ouvir a notícia de sua morte antes de compartilhar meus pensamentos com você.

Eu nasci em 1993 com a promessa de liberdade e democracia. Foi-me dito para esperar por oportunidades intermináveis ​​e uma vida melhor para mim e meus entes queridos. Enquanto escrevo isso, ainda estou esperando.

Eu ouvi muitas histórias sobre sua força resiliente em tempos de adversidade. Foi-me dito que você demonstrou amor resoluto em um tempo de revolução e como você levantou seu punho para dar esperança a um povo aleijado por um sistema projetado para aniquilá-lo.

Minha avó me disse que o nome Nomzamo em isiXhosa significa a mãe de todos os esforços, ela que nunca para de tentar e nunca desiste – e quando soube que era o nome dado a você no nascimento, eu sabia que ela não estava enganada.

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Assim como eu sou negro e sou mulher na África do Sul. Eu acordo todos os dias para me lembrar da minha posição inerentemente subserviente nessa sociedade. Eu sou lembrada diariamente que este mundo não é feito para pessoas como nós, e eu me pergunto como você sobreviveu seus 81 anos.

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Os livros de história que li falam de homens negros fisicamente capazes como os únicos heróis da luta. Retratam  de figuras com barbas revolucionárias e ternos desbotados. São altos e fortes, esses homens que definharam nas celas da prisão e são os protagonistas da luta contra o apartheid.Nelson-Mandela-y-Winnie-por-Alf-Kumalo

Suas esposas são figuras periféricas que só são celebradas por sua capacidade de manter lares e criar filhos na ausência de seus pais. Nada é dito sobre a tortura que elas sofreram. Os muitos meses passados ​​em confinamento solitário. As ordens de proibição e a difamação. A calúnia que elas enfrentaram nas mãos da mídia do apartheid. Os livros de história esqueceram-se de mencionar que, para você, o apartheid não era apenas uma história para dormir; foi uma experiência vivida.img_797x448$2018_04_02_19_54_32_293702

Eles se esqueceram de nos ensinar que você, enquanto criava filhos em um sistema patriarcal, involuntariamente se tornou o portadora da luta pela libertação. Eles esqueceram de nos ensinar que você não era apenas a esposa de um ícone de luta, mas a figura destemida que sofreu atrocidades dolorosas por uma nação que adotou você como mãe, mas o jogou sob o ônibus proverbial depois que seu pai se divorciou de você.we

Quando penso em sua vida, lembro-me de minha mãe, minha avó e muitas outras mulheres negras que se estabeleceram como sacrifícios vivos, suportando uma dor implacável para que suas comunidades pudessem prosperar.winnie (2)

Então,  Nomzamo,  por favor aceite minhas desculpas. Sinto muito por ter ajudado a demonizar você com acusações de assassinato e violência. Lamento nunca ter falado quando você foi acusada de romper com seu casamento  com cinco filhos enquanto não responsabilizava o pai. Perdoe-me por nunca ter dito a você enquanto você ainda estava viva que, se Deus fosse um matemático, você seria a linha de simetria de Deus, onde o eixo X de sua força inabalável encontraria o eixo Y de seu inegável amor e lealdade.

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Sinto muito pelas vezes em que deixei de mencionar que, se Deus fosse músico, vocês seriam os acordes negros e as batidas de Deus das baladas. Que se Deus fosse músico, você seria jazz.

Lamento por acreditar que você seria uma mancha na vida de Nelson Mandela, porque a verdade é que você era a tábua de salvação que mantinha seu nome vivo. Lamento por todas as vezes em que pesei a importância das mulheres negras em nossa sociedade. Lamento apenas comprar flores para elas nos dias de seus funerais. Sinto muito por minha complacência quando elas são empurradas para a periferia e por assistir silenciosamente quando são socados pelos mesmos punhos que foram levantados com gritos de “amandla”.

Fui criada por uma mãe que orava e muitas vezes ouvi a história de Adão e Eva no Jardim do Éden. Diz-se, em algum momento entre morder o fruto proibido e enfrentar a ira de Deus, Adão viu que era adequado trair Eva em vez de agradecê-la por sua libertação.winnie 1323

O Jardim do Éden tornou-se um tribunal de intolerância, onde o patriarcado recebeu seus poderes do supremo tribunal de juízes religiosos. É o lugar onde Eva foi condenada a uma eternidade de dor e sofrimento, e muitos aparentemente concordarão que ela era uma pecadora merecedora.

Passei muitos domingos na igreja imaginando qual o olhar que Eva deu a Adão durante aquele momento crucial em que seu dedo indicador apontou na direção dela depois que Deus fez essa pergunta pertinente. Essa cena muitas vezes me lembra a Comissão da Verdade e Reconciliação, onde você se sentou para responder pelos crimes hediondos que supostamente cometeu quando a guerra estava no auge. O homem com quem você lutou lado a lado sentou-se no maior assento do país. Ele se parecia com um deus. O primeiro do seu tipo, nosso presidente negro.

Fiquei imaginando quando exatamente a amnésia se instalara. Fiquei imaginando como é que todos se esqueceram de que os palitos de fósforo e os pneus pelos quais você foi julgada lhes garantiram a liberação de que agora desfrutavam. Como qualquer outra pessoa em uma guerra, você, Nomzamo, não era uma santa. Você era uma guerreira e, em sua luta, houve baixas.

Embora possamos querer crucificá-la por eles, nunca devemos esquecer que você também foi abusada e espancada pelo sistema contra o qual lutou.

Eu faço este empreendimento para você: Eu não vou te vilipidiar como Adão fez com Eva. Não vou esquecer que você abandonou o seu bem-estar para que eu pudesse ser negra e uma mulher na África do Sul. Não vou esquecer que, como minha mãe e outras mulheres negras, você estava na linha de frente da luta e não apenas como uma figura doméstica subserviente, mas como uma comandante.

Por isso, agradeço, prisioneira número 1323/69. Você pode nunca ser celebrado da mesma forma que o prisioneiro número 466/64, mas, para mim, você sempre será a mãe de todos os esforços, a heróina que nunca desistiu, e uma mulher que foi capaz de amar em um tempo de revolução.

Atenciosamente,

Uma jovem negro nascida livre

Tshepiso Mabula

Tshepiso Mabula é uma fotógrafa e escritora de 24 anos nascida no distrito de Lephalale, em Limpopo, na África do Sul.  Leia mais de Tshepiso Mabula

 

https://mg.co.za/article/2018-04-12-too-late-too-many-things-unsaid

Jornal de Angola :Justiça congela bens de Lula

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A Justiça brasileira ordenou o congelamento dos bens de Lula da Silva e do Instituto Lula para pagar uma dívida de 30 milhões de reais (7,1 milhões de euros), confirmou ontem o advogado de defesa do ex-Presidente brasileiro.

Um tribunal de São Paulo ordenou o congelamento dos activos do antigo Chefe de Estado, do Instituto Lula e da empresa LILS, para garantir o pagamento de uma multa determinada pela Justiça do país.
Em comunicado, a defesa de Lula da Silva esclareceu que a investigação à operação Lava Jacto quer retirar ao ex-Presidente qualquer possibilidade de defesa, privando-o de seus bens e recursos para garantir um débito fiscal que ainda está a ser discutido na esfera administrativa.
Segundo o advogado de Lula da Silva, Cristiano Zanin Martins, “o ex-Presidente não tem os valores indicados no documento e a decisão do bloqueio foi contestada pelo recurso, e isso não faz sentido”.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/justica_congela_bens_de_lula

Jornal de Angola: Lula anima a cena política e conquista voto de milhões

por Altino Matos

Lula da Silva está na cadeia desde sábado mas continua a dominar a cena no Brasil muito por “culpa do seu carisma e percurso político”que o tornaram um homem bastante admirado  e perto de conseguir, agora, mais um feito: mudar “as leis da gravidade”, por ser o pré-candidato com a perspectiva mais forte de vitória nas presidenciais de Outubro.

Tecnicamente, Lula da Silva continua em campanha para a satisfação dos seus apoiantes
Fotografia: DR

Os brasileiros e o mundo aguardam, com grande expectativa, uma resposta sobre o futuro político imediato de Lula, que se traduz unicamente na sua participação ou não nas próximas eleições. Analistas políticos e especialistas em direito eleitoral divergem tanto em matéria jurídica como em aspectos de direitos humanos.
Mas, antes deste debate, o Brasil foi apanhado por um “cem número de conversas”a favor e contra a detenção de Lula da Silva, sendo que os ataques verbais mais violentos foram registados nas redes sociais, onde os internautas citavam a torre de controlo do aeroporto Afonso Pena e os tripulantes da aeronave que o transportou, como terem falado na hipótese de se desfazerem do embrulho ainda no ar, a que muitos julgam estarem a se referir a Lula. Especulações postas a parte, o certo é que o antigo Presidente do Brasil cumpre hoje o seu terceiro dia da pena de 12 anos e um mês sob acusação de corrupção.
As manifestações de afecto e solidariedade a Lula vão ser mantidas pelos seus apoiantes e partidários, como juraram figuras de destaque do PT, o Partido dos Trabalhadores. Os meios de comunicação social no Brasil reportaram que no primeiro dia da sua prisão na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba, Lula da Silva acordou num quarto “espartano”, tomou café com pão e assistiu ao jogo de sua equipa -numa TV muito simples-,  o Corinthians que venceu a disputa e se sagrou campeão paulista. A BBC Brasil cita uma fonte da Polícia Federal. Lula chegou à cadeia por volta das 22h locais de sábado (perto das 4h de domingo em Angola), e foi recebido por duas multidões separadas por um cordão da Polícia Militar do Paraná. Uma delas entoava palavras de ordem como “Lula guerreiro do povo brasileiro”, a outra gritava “Lula, ladrão, seu lugar é na prisão”.
No local, já estão montados, desde domingo, banheiros químicos, barracas de comida, eventos culturais e até um centro de informação, que distribui água e lanches. Por ironia do destino, o prédio foi inaugurado dez anos antes, em 2007, no segundo mandato de Lula, como parte dos esforços para dar mais estrutura à Polícia Federal no combate à lavagem de dinheiro – um dos crimes pelo qual Lula foi condenado.
A cela especial tem cerca de 15 metros quadrados e está localizada no terceiro andar. A sala, adaptada para receber o antigo Presidente, fica no centro do prédio e tem três janelas cobertas por vidros fumados, para impedir o contacto com o lado de fora, quarto de banho privado e não tem ar condicionado.
Apenas três oficiais têm acesso a Lula e não podem dizer nem se ele está acordado ou a dormir, de acordo com uma fonte da BBC Brasil na Polícia Federal.

Direitos políticos

Apesar da detenção de Lula da Silva, o PT mantém a intenção de inscrevê-lo como candidato à presidência na Justiça Eleitoral – e a legislação permite que isso seja feito. “Não será o PT que vai retirar Lula das eleições”, disse à imprensa o vice-presidente nacional do PT, Alexandre Padilha, nos Estados Unidos. “A lei estabelece que em Agosto são registadas as candidaturas. O nome de Lula estará lá. Vamos seguir a lei e caberá ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) avaliar esse registo. Lula continuará a ser o nosso candidato, preso ou não”, disse Padilha.
Mas existe no entanto a probabilidade de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) travar a candidatura do  antigo Presidente com base na “Lei da Ficha Limpa”. Esse processo não é automático, afirmam analistas. Segundo juristas ouvidos pela imprensa, a análise do pedido tende a levar algumas semanas, pois é preciso tempo para o Ministério Público e a defesa se manifestarem e pode haver também depoimento de testemunhas. O prazo final para o TSE se pronunciar é 17 de Setembro.
“A análise da Justiça Eleitoral pode durar de 20 a 25 dias. Enquanto isso está a acontecer, a pessoa que entrou com o pedido de inscrição tem direito a fazer campanha”, nota Lara Ferreira, professora de Direito Constitucional na faculdade Dom Helder Câmara e servidora do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais.
Não há previsão na legislação, porém, sobre como a campanha poderá ser feita na prática se Lula estiver na prisão, ressalta a professora.
De acordo com especialistas em Direito Eleitoral ouvidos pela BBC Brasil, caberá ao juiz responsável pela execução penal autorizar que o petista deixe a cadeia por algumas horas para gravar propaganda eleitoral, por exemplo, ou permitir a entrada de equipas de imagem na prisão. “Se ele estiver preso, estará sob a guarda do juiz Sergio Moro ou do juiz de execução penal. Então ele precisará pedir autorização. Se o juiz recusar, ele poderá recorrer às instâncias superiores”, explica Alberto Rollo, advogado na área eleitoral.
Um procurador eleitoral, ouvido pela BBC Brasil sob condição de não ser identificado, disse ter o mesmo entendimento. “Se a lei permite que a pessoa seja candidata enquanto sua inscrição está em análise, devem ser dados os meios para fazer a campanha”, afirmou.
Há também a possibilidade de Lula ser solto antes da campanha (16 de Agosto a 7 de Outubro), caso o Supremo Tribunal Federal reveja a sua decisão de permitir a prisão após condenação em segunda instância. Pode ser que a Tribunal reavalie o tema já na próxima semana, já que o ministro Marco Aurélio disse que levará a discussão ao plenário na quarta. Enquanto isso, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos aceitou a denúncia do antigo Presidente Lula da Silva sobre a conduta do juiz federal Sérgio Moro durante a Operação Lava Jacto. A informação foi divulgada pela defesa do político.
Os advogados de Lula, citados na imprensa, dizem que “na matéria protocolar de Julho, foram listadas diversas violações ao Pacto de Direitos Políticos e Civis, adoptado pela ONU, praticadas pelo juiz Sérgio Moro e pelos procuradores da Operação Lava-Jacto contra Lula”. “De acordo com a lei internacional, o Juiz Moro, por já haver cometido uma série de acções ilegais contra Lula, seus familiares, colaboradores e advogados, perdeu de forma irreparável a imparcialidade para julgar o antigo Presidente”, argumenta a defesa de Lula.

A eleição

Caso o Tribunal Superior Eleitoral recuse a candidatura de Lula, o PT pode recorrer ao Supremo Tribunal Federal, alongando o processo. E se não houver uma definição até à eleição, marcada para Outubro, ele pode disputar as presidenciais.
Na hipótese de ele ficar entre os dois primeiros colocados na primeira volta, mas ser impedido da disputa antes da segunda volta, os seus votos seriam anulados e o terceiro colocado disputaria a corrida final no lugar de Lula, afirma o advogado Marcelo Peregrino, ex-juiz do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina.
Uma eventual votação significativa mas que seja impedida na segunda volta pode levar a uma discussão séria sobre a “legitimidade do novo presidente”, observa Peregrino. Essas condições técnicas, no quadro da disposição jurídico-legal, mantêm a esperança de milhões de eleitores de votar em Luiz Inácio Lula da Silva.
O único dado certo é que Lula é de longe o político com a perspectiva mais forte de vencer as presidenciais. Caso vença, ainda pode ser impedido de assumir o cargo. “Nesse caso, o presidente da Câmara assume a Presidência da República e convoca novas eleições directas num prazo de 90 dias”, segundo o advogado Marcelo Peregrino.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/lula_anima_a_cena_politica_e_conquista_voto_de_milhoes

Estudantes da Unilab defendem a democracia e a liberdade do Lula

 

 

Estudantes se reuniram em frente a Unilab para um ato em defesa da democracia e do ex-presidente, que criou a universidade em 2010.

Alunos da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), no Ceará, se mobilizou na tarde desta sexta-feira (06) para defender Lula, o criador da instituição de ensino.

Com uma proposta avança de ensino e uma constante troca cultural, a Unilab faz a conexão entre o Brasil e os países africanos a partir do intercâmbio entre alunos.

Hoje, a universidade tem cerca de 3,3 mil estudantes, graças ao ex-presidente Lula. O alunos são de 6 nacionalidades, além do Brasil como: Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste que são falantes da língua oficial portuguesa.

Veja abaixo as fotos do ato em defesa da democracia e de Lula:

Há um clima de otimismo no Governo de Guiné apesar dos protestos da sociedade civil

mamamdou

 

Renascimento económico, desigualdades sociais, emprego de jovens, infra-estruturas, lugar da Guiné a nível internacional … O primeiro-ministro guineense responde a Jeune Afrique sobre os principais desafios que o país enfrenta.

Nomeado no final de dezembro de 2015 para liderar o governo do segundo mandato de cinco anos de Alpha Condé, Mamady Youla, de 56 anos, é um primeiro-ministro ativo. Reafectação de atividades nos setores de mineração, agricultura e energia, os investidores mobilização, a melhoria da governação … Ele está no comando do Desenvolvimento Económico e Social Nacional (PNDES) 2016-2020 .

Pós-graduação Macroeconomia Universidade Félix Houphouët-Boigny, Mamady Youla começou sua carreira no Banco Central da Guiné, antes de se tornar conselheiro do ministro de Minas (1997-2003) e do Primeiro Ministro (2003-2004).

De 2004 até sua nomeação como primeiro-ministro, ele juntou-se ao setor privado a assumir a direção geral da Guiné Alumina Corporation e desde 2012 ele presidiu a Câmara de Minas e plataforma de consulta do sector privado guineense, que é um dos fundadores.

Jeune Afrique: Dois anos após o seu lançamento, onde está o PNDES?

Mamady Youla: Você tem que olhar para a situação primeiro. No final de 2015, estávamos saindo de dois anos extremamente difíceis, depois da epidemia de Ebola, que atingiu duramente nossa economia. Os investimentos haviam sido adiados, o crescimento havia caído, o déficit orçamentário havia aumentado drasticamente, a inflação estava em alta. Em suma, os desequilíbrios haviam se resolvido.

A Guiné teve que quebrar vários acordos, particularmente com o FMI, porque não podia mais cumprir seus compromissos. Minha equipe e eu começamos restaurando a confiança e o diálogo com nossos parceiros. De janeiro a março de 2016, restabelecemos o programa em andamento com o FMI e, pela primeira vez em nosso país, o encerramos.

O primeiro pilar do PNDES é “Promover a boa governança para o desenvolvimento”

No início desse plano, a Guiné havia se beneficiado de uma redução em sua dívida externa, que estabeleceu as bases para preparar e negociar um novo. Aumentamos o crescimento para 6,6% em 2016 e espera-se que atinja 6,7% em 2017, segundo estimativas. Essas taxas estão entre as mais altas do continente nos últimos dois anos e são as mais altas da Guiné por quarenta anos.

Como resultado, ao limpar nossa economia, conseguimos desenvolver um referencial: o PNDES 2016-2020. E em novembro de 2017, reunimos em Paris nossos parceiros, que nos forneceram um apoio maciço de 21 bilhões de dólares [cerca de 17 bilhões de euros].

No entanto, as pessoas estão ficando impacientes com os problemas recorrentes de derramamento de carga, coleta de lixo, más condições das estradas …

Eu quero lembrar algumas coisas. Estamos em 2018, o 60º aniversário da independência, e o chefe de Estado chegou ao poder sete anos atrás, no final de 2010. Com o comissionamento da barragem Kaleta, cinco anos mais tarde, a capacidade instalada de energia hídrica do país já representa mais que o dobro da capacidade instalada nos últimos cinquenta anos.

E se adicionarmos 450 MW de Souapiti, em construção, teremos uma capacidade instalada de 700 MW em dez anos, contra menos de 100 MW em mais de cinquenta anos … Não podemos esquecer que uma represa é longa para alcançar. Se tivéssemos encontrado um complexo como Kaléta ou Souapiti em 2010, teríamos começado a construir outros e teríamos menos problemas hoje.

Por outro lado, sabemos que a Guiné está enfrentando um alto nível de perdas técnicas na rede elétrica e um problema de pagamento de contas. Quando a empresa de eletricidade [EDG] queria consertá-lo instalando medidores pré-pagos, enfrentou uma forte resistência.

Por fim, seja em estradas ou na coleta de lixo, a situação em 2010 não foi muito brilhante e, se, ainda hoje, temos que lidar com essas questões, é porque eles não foram levados em conta antes.

O que você diz para aqueles que duvidam da boa governança?

Na era das redes sociais, a menor coisa é amplificada. A implementação do PNDES envolve a implementação de grandes projetos, com participações econômicas e financeiras que exigem aumento de padrões.

O primeiro pilar do PNDES se concentra em “promover a boa governança para o desenvolvimento”. Em 2017, o governo preparou e submeteu ao Parlamento uma lei anticorrupção que foi adotada. A partir de agora, o sistema judicial tem as ferramentas necessárias para apreender casos de fraude ou corrupção. E esta é a nossa prioridade porque as más práticas nos atrasam.

Presidente Alpha Condé claramente trouxe a Guiné de volta ao centro do jogo

Em resumo, ”  Guiné está de volta em breve  ”  ?

Esta bela fórmula do Presidente Condé realmente assume todo o seu significado [sorriso]. Nas décadas de 1960 e 1970, a Guiné era um farol para muitos países africanos. Ela enviou suas tropas para libertar Guiné-Bissau, Angola, Moçambique … Ela apoiou o ANC de Nelson Mandela na África do Sul.

Nos anos 90, ela também ajudou a estabilizar a Libéria e a Serra Leoa. Para desempenhar esse papel, era preciso ser um líder no continente, mas desde então todas as luzes se apagaram.

O Presidente Alpha Condé – que foi eleito para liderar a União Africana em 2017 – trouxe claramente a Guiné de volta ao centro do jogo e mais uma vez nos tornamos visíveis e atraentes.

No entanto, se Conakry tem vários novos hotéis de luxo, eles geralmente permanecem meio vazios …

No passado, quando eu trabalhava no setor privado, muitas vezes tive problemas para abrigar os investidores que recebi em Conakry. Desde 2011, a capital tem sido dotada de importantes capacidades de recepção, que vão gradualmente se enchendo com o desenvolvimento de atividades.

Fazemos todos os esforços para tranquilizar investidores locais e estrangeiros

A Guiné também tem um imenso potencial mineral – com as primeiras reservas de bauxita do mundo [ver pp. 114-116], minério de ferro, ouro, diamantes, etc. -, um forte potencial agrícola e inegáveis ​​capacidades hidroelétricas. O objetivo do PNDES é passar do potencial para o concreto, para conquistas tangíveis.

Convidamos os parceiros chineses, russos, dos Emirados, franceses, britânicos e todos os outros a trabalhar conosco para desenvolver capacidades de produção em todos os setores da nossa economia. Assumir o controle dos riscos de segurança é um desafio adicional.

Estamos fazendo todo o possível para tranquilizar os investidores locais e estrangeiros, particularmente diante da ameaça que já afetou alguns países vizinhos. Nosso país está envolvido na luta contra o terrorismo no Mali, com mais de 800 homens no Minusma.

Qual é a sua mensagem para os jovens que vão à Europa à procura de trabalho?

Queremos dizer a eles que o futuro deles está aqui em seu país e que estamos trabalhando para criar as condições para que acreditem nele. Em particular, estamos trabalhando para criar oportunidades positivas concretas na agricultura, que é um setor promissor com alto potencial de emprego.

Ao elevar os níveis de produção e dos rendimentos, vamos garantir autossuficiência alimentar e vamos criar mais riqueza através de culturas de rendimento (cacau, café, banana, caju) e através da transformação desses produtos no site. Não é só mineração! E para ter sucesso, outra das nossas prioridades é aceitar o desafio de treinar e aprender.

Fonte; http://www.jeuneafrique.com/mag/538589/politique/mamady-youla-premier-ministre-guineen-notre-defi-est-de-passer-du-potentiel-au-concret/