Presidente da Nigéria afasta presidente do Supremo Tribunal de Justiça, por corrupção

Buhari

 

O Presidente da Nigéria, Muhammadu Buhari, na corrida para um segundo mandato nas eleições de fevereiro, suspendeu esta sexta-feira o presidente do Supremo Tribunal, após uma longa polémica sobre o seu processo por corrupção, considerado inconstitucional pela oposição.

“O Presidente @MBuhari suspende Walter Samuel Nkanu Onnonghen do seu cargo de mais alto magistrado do país e nomeia Ibrahim Tanko Muhammad como presidente interino do Supremo Tribunal”, anunciou Bashir Ahmad, um dos porta-vozes da presidência nigeriana, na rede Twitter.

Ibrahim Tanko Muhammad vem do Norte, como o Presidente Buhari, acusado pelos seus detratores de favorecer os muçulmanos provenientes desta região para cargos importantes no país e de conduzir uma caça às bruxas contra os seus adversários políticos em nome da luta contra a corrupção.

O porta-voz sublinhou que a decisão do Presidente deriva de uma “ordem do Tribunal do Código de Conduta”, uma instância criada especialmente para julgar questões éticas, e onde Onnoghen estava a ser julgado por não ter declarado várias contas bancárias com dólares, euros e libras. Este caso gerou uma grande polémica na Nigéria, a menos de um mês das eleições gerais no país mais populoso de África.

A oposição acusou o Governo de se querer ver livre do juiz supremo — muito crítico do poder atual –, tendo o Supremo Tribunal competência para decidir sobre eventuais litígios da votação. No início da semana, o seu principal adversário nas presidenciais, o antigo vice-presidente Atiku Abubakar, já tinha acusado a administração de Buhari de “fazer pressão sobre uma instituição governamental independente e autónoma para fazer demitir [Onnoghen]”.

De acordo com a Constituição nigeriana, o chefe de Estado só pode demitir o presidente do Supremo Tribunal do país mediante a aprovação de dois terços do Senado. Mas, neste caso, Onnoghen não foi demitido, mas apenas “suspenso” pelo chefe de Estado.

Para o politólogo nigeriano Cheta Nwanze, da SBM Intelligence, em Lagos, citado pela France Presse, esta decisão “indica claramente que o APC [Congresso dos Progressistas, partido no poder] está em pânico” com os resultados das eleições. “Atiku tem o apoio do setor privado e a sua viagem recente aos Estados Unidos foi uma reviravolta importante na campanha”, comentou.

Os nigerianos votam a 16 de fevereiro para escolher o seu Presidente e parlamentares. Muhammadu Buhari, que concorre a um segundo mandato, é fortemente criticado pelas suas decisões sobre segurança e economia.

 

fonte: https://observador.pt/2019/01/25/presidente-da-nigeria-afasta-presidente-do-supremo-tribunal-a-semanas-das-eleicoes/

corrupça

A prisão de figuras públicas em Angola causa estupefação

zenu

 

Caetano Júnior

A Procuradoria Geral da República (PGR) mantém em prisão preventiva figuras públicas, tendo algumas desempenhado, muito recentemente, funções no Executivo ou em instituições às quais cabe a gestão directa de enormes quantidades de dinheiro.

Igualmente como medida de coação, a outros arguidos foi aplicada a prisão domiciliar ou o termo de identidade e residência. Pelo meio, informações dão conta da existência de personalidades sob investigação, em processos que têm como mote suspeitas de associação criminosa, peculato, branqueamento de capitais, burla por defraudação, corrupção activa, entre outros.
O anúncio das detenções e das medidas de coação criaram alguma estupefacção – sobretudo por o processo envolver pessoas diferentes de anónimas -, embora houvesse quem já as esperasse, a ser guia à espécie de advertência deixada pelo Presidente João Lourenço, há mais ou menos um mês, em discurso proferido no Congresso do MPLA.
Aliás, a possibilidade de “prestação de contas”, por quem contribuiu, de forma directa ou indirecta, para o estado calamitoso em que se encontra o país, ficou evidente durante a campanha eleitoral. Nas intervenções que fez, o agora Chefe de Estado foi alertando para a tomada de medidas que concorreriam para o fim da corrupção, do nepotismo e de outros males do passado, que, se combatidos, ajudariam na  moralização de Angola.
O fim das práticas nocivas ao regular funcionamento do país foi não apenas a “bandeira eleitoral” de João Lourenço, como também constituiu até agora motivação para quem ainda tem esperança que Angola trilhe o caminho da normalidade, da justiça, da honra e do trabalho. Já é dispensável um exercício laborioso para juntar testemunhos ou evidências de que compatriotas nossos, angolanos como nós, egoístas, oportunistas, inimigos da irmandade e da solidariedade, em conluio, usufruíram, só eles, de uma terra que a todos pertence e que a todos deve beneficiar. E gritos por justiça chegaram a sair de gargantas corajosas, de gente inconformada de tanto ver o país usurpado; transformado num vasto privilégio de poucos.
Os processos que hoje correm trâmites na PGR devem, pois, ser avaliados na perspectiva de se fazer justiça, de se responsabilizar quem, no exercício das funções de servidor público, exorbitou na confiança que lhe foi depositada e usou abusiva e indevidamente o erário. Também têm de ser apreciados no sentido de que são sinais que o cidadão gostaria de receber das autoridades de que, com efeito, a impunidade começa a ficar para trás e que, pela frente, abre-se a porta da igualdade perante a lei. É preciso, por outro lado, ver a acção do Ministério Público como ordinária, rotineira, dentro das tarefas que lhe estão acometidas, consubstanciadas, entre outras, na investigação das denúncias que lhe chegam, sempre que guarnecidas de verosimilhança.
Neste sentido, soa a contra-senso taxar a actuação da PGR como eivada de espírito revanchista; de motivação vingativa contra as personalidades agora arroladas em processos ou tocadas pelas medidas de coação. É, realmente, um absurdo! Curiosa é, pois, a constatação de que as vozes que agora se erguem contestatárias à acção do Ministério Público são as mesmas que ontem também se fizeram ouvir, mas na direcção inversa. No passado bem recente, chamavam “corrupto” ao Executivo, consideravam Angola um país movido pelo “nepotismo”, marcado pelo “desvio do erário” e pela “impunidade”. Males para cuja eliminação clamavam, com apelos à intervenção do Judiciário, que, entretanto, avaliavam como “inócuo”, porque subserviente ao poder político. Tanta contradição e incoerência é difícil encontrar.
Assim como tem de seguir no labor que empreende, sem dar ouvidos aos inconformados de sempre ou contestatários de tudo, a PGR deve, igualmente, desencorajar quem faz circular falsas informações de prisões, detenções ou supostos inquéritos sob os quais estariam submetidas algumas personalidades. Ao denunciar esta natureza de atitudes, a instituição alerta para os perigos que dela decorrem, sendo um a susceptibilidade de influenciar, negativamente, o estado de opinião geral.
A PGR tem-se utilizado das diversas publicações existentes no país – inclusive das redes sociais – para acolher denúncias, sendo que, até agora, já reuniu cinquenta, que serão investigadas. Portanto, o cidadão é um activo de importante valor neste particular contexto do país, daí que deva primar as acções por que responde pelo respeito e pela seriedade.
De outra forma, como, por exemplo, fazer proliferar falsas denúncias ou supostas informações sobre pessoas sob investigação ou detidas, é dar razão a quem apregoa a teoria do revanchismo e da perseguição, práticas avessas ao sentido que marcha o Ministério Público. Afinal, até ao julgamento, segue um processo, do qual o arguido pode sair inocentado.
O mais sensato é, pois, deixar a justiça correr o seu curso.

A prisão do filho do ex presidente José Eduardo dos Santos

O Tribunal Constitucional esclareceu ontem que “não solicitou ao Conselho de Segurança Nacional (CSN)a apreciação de um pedido para a soltar o cidadão José Filomeno ‘Zenu’ dos Santos”, preso preventivamente por decisão do Ministério Público acusado de peculato, corrupção e branqueamento de capitais enquanto gestor do Fundo de desenvolvimento Soberano de Angola.

José Filomeno ‘Zenu’ dos Santos
Fotografia: DR

Em comunicado de imprensa, em resposta às informações postas a circular nas redes sociais segundo a qual o CSN, na sua sessão do dia 4 do mês em curso apreciou um pedido do juiz conselheiro presidente do Tribunal Supremo visando a soltura de “Zenu” dos Santos e que foi recusado. “O Tribunal Supremo e Plenário de juízes, reunidos ordinariamente a 8 de Outubro deste ano, desmentem categoricamente tal notícia, e torna público que não solicitaram a apreciação deste assunto nem de qualquer outro referente a processos concretos que estejam em apreciação nos tribunais”, lê-se no comunicado.
A instituição sustenta que o CSN não apreciou tal assunto nem o mesmo lhe foi colocado ou solicitado por qualquer dos membros do Conselho, “pois este órgão auxiliar do Presidente da República não tem sequer competência para apreciar e tomar decisões sobre questões referentes a processos judiciais sob sua jurisdição”.
O Tribunal Supremo reitera que, “conforme decorre do princípio constitucional da separação de poderes e da independência dos e dos tribunais juízes, a instituição não pede autorizações e/ou anuências de qualquer outro órgão ou entidade para proferir decisões referentes a processos judiciais sob sua jurisdição”.
“A notícia supramencionada assim como a campanha em curso de intrigas e falsidades para denegrir a imagem de juízes desta veneranda corte é uma tentativa, que não terá sucesso, de condicionar o Tribunal Supremo e a liberdade dos seus juízes, pressionando-os a decidir ou não decidir num certo sentido.” O plenário do Supremo reitera que não se deixará condicionar ou limitar por qualquer tipo de pressão, que ponha em causa a independência dos juízes.
“O Tribunal exorta todos os juízes a continuarem a exercer a sua actividade, incluindo a referente a processos de combate à corrupção com serenidade, cumprimento rigoroso da lei, objectividade e respeito da dignidade e presunção de inocência dos arguidos”, conclui o comunicado assinado por todos os juízes conselheiros.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/supremo_nega_ter_solicitado_a_soltura_de_zenu_dos_santos

Corrupção, nepotismo e impunidade trazem muitos prejuízos aos angolanos

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O Presidente da República, João Lourenço, afirmou ontem, em Luanda, que a corrupção, o nepotismo e a impunidade têm causado elevados prejuízos ao povo e que têm contribuído para agravar a imagem de Angola no exterior.

joão lourenço

O Chefe de Estado, que falava na abertura do ano judicial, reafirmou que uma das prioridades do Executivo é o combate à corrupção, ao nepotismo e à impunidade.
João Lourenço disse que o Executivo tomou algumas medidas que, embora importantes, se afiguram ainda insuficientes, mas que “assinalam de forma clara o caminho sem retorno a seguir,  não só pelos servidores públicos,  mas pela sociedade no geral”.

“Não basta vivermos no multipartidarismo com a realização periódica de eleições, não basta haver liberdade de expressão e de imprensa; só existe um verdadeiro Estado de Direito Democrático, e lá onde houver um sistema de justiça eficiente, ao serviço dos cidadãos, das empresas, da sociedade”, disse.

Para o exercício econômico deste ano, disse, o Executivo aumentou o orçamento dos órgãos de justiça face a 2017. O objetivo é dotar o sistema de justiça de maior capacidade em termos materiais e de recursos humanos, com vista ao combate contra o tráfico de drogas, de moeda, contra os crimes violentos de todo o tipo, mas sobretudo contra a corrupção, pelo facto deste último se ter tornado no pior mal do país a seguir à guerra.

Tribunal Supremo, Rui Ferreira,

O presidente do Tribunal Supremo, Rui Ferreira, garantiu ao Presidente da República o apoio de todos os juízes no combate à corrupção. Rui Ferreira entende que o combate à corrupção “é uma luta que vai ser longa e difícil, mas senhor Presidente conte com a justiça, os tribunais, e os juízes farão certamente a sua parte”, garantiu.
Rui Ferreira pediu aos juízes para julgar os casos de corrupção com independência e exemplar rigor sem perda de garantia de defesa e um processo justo.

União Africana está reunida em Adis Abeba

33614-img_0157.jpgA 30ª  Cimeira da União Africana aberta ontem, em Addis- Abeba (Etiópia), pode ser o ponto de viragem de uma série de problemas que afetem o continente. Sensibilizados com as preocupações dos respectivos povos, os líderes africanos acreditam que podem fazer muito mais para mudar a realidade no continente, caracterizada por conflitos armados, fome, pobreza extrema, corrupção a todos.

Os países africanos contribuem muito pouco para o aquecimento global, mas pagam um preço elevado, admitiu ontem, em Addis Abeba, o Secretário-Geral das Nações Unidas, onde participa na Cimeira da União Africana. António Guterres frisou que as alterações climáticas afectam os processos de desenvolvimento e avançam mais rapidamente do que os homens.”As alterações climáticas têm sérias implicações em matéria de paz e segurança e avançam mais rapidamente do que nós”, enfatizou.

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Entretanto, António Guterres manifestou-se esperançoso de que a situação pode ser revertida se houver maior engajamento. Sublinhou que o mercado do carbono está a há um amplo reconhecimento de que a economia verde proporciona negócios vantajosos. Segundo o Secretário- Geral das Nações Unidas, isto cria vastas oportunidades para os países africanos. António Guterres sublinhou que para a implementação do Acordo de Paris sobre as alterações climáticas precisa-se de um enorme acréscimo de financiamento e investimento. Apelou aos países desen- volvidos para assumirem o compromisso de mobilizar, até 2020, 100 mil milhões de dólares por ano, para financiar o combate às alterações climáticas.
O Secretário-Geral das Nações Unidas anunciou para Setembro de 2019, uma cimeira para dar um novo impulso a este desígnio.
António Guterres abordou também a paz e segurança em diversas regiões do mundo, como na RDC, no Sudão do Sul, na Somália e a necessidade de se reforçar as forcas intervenientes das Nações Unidas. Na capital etíope, Guterres manteve reuniões com vários líderes que incluem o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Maha- mat, e Chefes de Estado

Combate a corrupção está nas prioridades dos chefes de Estado Africano

 

plenario

O combate à corrupção, ao branqueamento de capitais e à imigração ilegal são as prioridades dos Chefes de Esta­do africanos, que defendem uma organização mais atuan­te e dinâmica.
A União Africana é acusada, algumas vezes, de ser demasiado lenta na resposta a determinadas situações, particularmente no que diz respeito às ameaças de segurança.
No ano passado, os líderes africanos chegaram a um acordo de princípio para reformar a União, mas o bloco debate-se com problemas financeiros. A União Africana ainda depende muito dos apoios externos e grande parte do orçamento operacional vem de doadores internacionais como os Estados Unidos e a União Europeia.
O Presidente do Rwanda, Paul Kagame, que vai suceder o Chefe de Estado da Guiné-Conacri, Alpha Condé, na presidência rotativa da organização, lidera os esforços para a reforma.
Para este objectivo, Kagame conta com o apoio de Angola, conforme garantias recebidas pela ministra rwandesa dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Louise Mushikiwabo, durante a sua recente visita a Luanda.
O plano de ação comum sobre a emigração dentro do continente é outro tema que vai estar em alta nesta cimeira.
O plano visa criar condições para que a emigração se torne uma opção e não uma necessidade, na perspectiva de se valorizar a contribuição dos que abandonam os seus países aos outros de acolhimento. Diplomatas em Addis-Abeba afirmam que o plano de ação tem de ser bem coordenado entre os países africanos, para que se possa mudar a imagem estereotipada do emigrante de África.
O tema é discutido numa altura em que milhões de africanos fogem da miséria em busca do sonho de prosperidade na Europa, muitas vezes submetidos a um tratamento desumano e degradante.
Os números indicam que, de um total de 258 milhões de migrantes registados em todo o mundo, em 2017, um total de 14 por cento são do continente africano.
O plano de acção é uma estratégia migratória que deve ter em consideração a dimensão do desenvolvimento dos diferentes países, bem como questões ligadas aos direitos humanos e à luta contra a imigração clandestina.
O combate à corrupção vai merecer uma atenção especial dos líderes africanos. Não é por acaso que os trabalhos da cimeira vão decorrer sob o tema “Vencer a luta contra a corrupção: um caminho sustentável para a transformação de África”.
Ao declarar 2018 como o Ano de Luta contra a Corrupção no continente, os órgãos formuladores de políticas da União Africana deram um forte impulso aos esforços colectivos destinados a combater este mal que desgraça as sociedades africanas.
As comunidades econômicas regionais e a União Africana tomaram a seu cargo uma série de instrumentos reguladores e criaram diversas instituições para combater a corrupção em África.
Dentre as atividades propostas para o Projeto 2018, consta a designação de Embaixadores Africanos Contra a Corrupção, criação do Instituto Africano Contra a Corrupção, galardões relacionados à luta contra a corrupção, diálogo de alto nível no decurso da Cimeira de Junho/Julho de 2018, além da ratificação de instrumentos da União Africana relativos à luta contra a corrupção.
A Cimeira dos Chefes de Estado está a ser antecedida de vários encontros preparatórios. Depois da 35.ª sessão Ordinária do Comité Permanente de Representantes (CPR), de que fazem parte os embaixadores africanos, começa amanhã a reunião do Conselho Executivo.
Os embaixadores debateram, entre vários assuntos, o Relatório sobre a Posição Comum Africana em relação ao Futuro do Grupo ACP e das relações ACP-UE pós-2020, bem como o projeto do Subcomité de Supervisão Geral e Coordenação de Questões Orçamentais, Administrativas e Financeiras.
Analisaram também o Relatório sobre o Orçamento Complementar da União Africana para o Exercício de 2018, o Projeto sobre o Documento-Quadro Orçamental para 2019, o Projeto de Estatuto sobre a Criação do Fundo Especial da UA para o Combate ao Terrorismo.

Futuro presidente de Angola é questionado sobre pobreza e corrupção

joão lourençoJoão Lourenço, futuro presidente de Angola, em entrevista realizada em Madrid, disse que “quer aplicar medidas para resolver problemas de inclusão econômica e social – quer dizer, aumentar a oferta de trabalho” e reconheceu a existência da corrupção

“Quanto à corrupção, estamos conscientes que existe, no MPLA reconhecemos e sabemos que é dos maiores males que sofre a nossa sociedade”

 

Há outros problemas cruciais: pobreza e corrupção. Como é possível que no segundo país produtor de petróleo de África, com uma riqueza imensa – ainda que tenha vivido uma longa guerra civil –, metade da população viva com menos de dois dólares por dia?

 

“Esses dados não são verdadeiros, não se pode dizer que metade da população angolana, quer dizer, 12,5 milhões de angolanos, vive com menos de dois dólares por dia. Há que pensar que Angola passou por quase três décadas de guerra, não conheço um país que tenha tido um período de guerra tão prolongado, não conheço na Ásia, nem na Europa nem em África. Nós sobrevivemos e durante os últimos 15 anos fomos reduzindo o índice de pobreza, apesar de reconhecermos que continua a existir pobreza. O nosso Governo quer aplicar medidas para resolver problemas de inclusão económica e social – quer dizer, aumentar a oferta de trabalho, e acreditamos sobretudo no sector privado, pois o nosso Estado não pode ocupar-se de todos os cidadãos. Por isso, apostamos no setor privado, é a solução para o problema do desemprego e queremos criar um sistema de inclusão para os jovens. Pobreza, sim há pobreza, mas não ao nível de que falam essas estatísticas. O que queremos é que os cidadãos possam criar micro, pequenas ou médias empresas. Quanto à corrupção, estamos conscientes que existe, no MPLA reconhecemos e sabemos que é dos maiores males que sofre a nossa sociedade. Durante anos lutámos contra dois males: a guerra, que superamos, pois acabamos com o conflito armado, e resta-nos lutar contra este nível tão elevado de corrupção. O que procuramos, sabemos que vai ser difícil, é chegar a níveis, não vamos dizer aceitáveis, mas que existem a nível internacional. Estamos decididos a combater isso. Há quem tenha dúvidas, mas temos que ter o valor e temos que lutar, porque é a única maneira, além disso, de convencer os investidores a virem para Angola.”

Moçambique perdeu 5,9 milhões de euros em 2016 devido à corrupção

Maputo – Moçambique perdeu mais de 450 milhões de meticais (5,9 milhões de euros) e 160 pessoas foram detidas devido à corrupção, em 2016, divulgou o porta-voz do Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC), Eduardo Sumana, citado hoje, quarta-feira, pelo diário Notícias.

VISTA PARCIAL DA CIDADE DE MAPUTO

Eduardo Sumana afirmou que foram instaurados 1.235 processos-crime relacionados com corrupção, tendo sido arquivados 114 e 493 alvo de acusação.

No total, foram detidas 160 pessoas no ano passado, incluindo 120 em flagrante delito.

Do valor perdido devido a corrupção, de acordo com o porta-voz do GCCC, foi possível recuperar, na fase de instrução preparatória, mais de 220 milhões de meticais (2,9 milhões de euros).

Os dados do GCCC indicam ainda que, durante o ano de 2016, as autoridades moçambicanas registaram 414 casos de corrupção passiva, 216 de corrupção activa, 135 de desvio de fundos, 68 de abuso de cargo ou função, e 22 casos de pagamentos de remuneração indevida e dois de enriquecimento ilícito.mapadistritos

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/1/5/Mocambique-perdeu-milhoes-euros-2016-devido-corrupcao,0870ccb8-8b81-4fac-820a-a04ffb011e26.html

Jovens descontentes insurgem contra hierarcas africana

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Nairóbi, 16 dez (EFE).- A onda de descontentamento social que começou a florescer há alguns anos ganhou força em 2016 em diversas regiões da África Subsaariana, onde os jovens se sentem enganados por regimes autoritários de líderes que uma vez lutaram para libertar seus países.
 
As ruas da África do Sul foram tomadas este ano por estudantes revoltados com um governo que não garante educação a todas as classes sociais, por cidadãos fartos da corrupção que afeta a administração de seu presidente, Jacob Zuma, atual líder do partido que terminou, precisamente, com o apartheid.
 
 
 
“O descontentamento popular com o Congresso Nacional Africano (no poder na África do Sul desde o fim do sistema racista) está vinculada a um sentimento de setores que estão fartos dos regimes corruptos”, diz o Instituto para Estudos de Segurança (ISS, em inglês).
 
A frustração com o autoritarismo, a falta de transparência e de ambição para melhorar a vida do povo levou à mudança em 2014 em Burkina Fasso, que ainda hoje segue inspirando os movimentos populares que cruzam o continente, com sucesso irregular e diferentes motivações.
 
No sul, alguns daqueles que um dia foram heróis contra a opressão colonial se transformaram em velhos presidentes que se negam a ceder o posto e violam diariamente os direitos de seus cidadãos.
 
Robert Mugabe, o nonagenário presidente do Zimbábue, se transformou em um herói africano após favorecer a reconciliação no fim da guerra civil de seu país.
 
Três décadas depois, não só ostenta a honra de ser o líder mais idoso do mundo, mas o de ter imergido o antigo celeiro da África em um abismo econômico e institucional que suscitou uma violenta resposta social sem precedentes.
 
Nos vizinhos Angola e Moçambique, as forças que um dia lideraram movimentos de libertação (o Movimento Popular de Libertação de Angola e a Frente de Libertação de Moçambique) se transformaram em aparatos repressores da oposição e dos cidadãos.
 
“Os jovens estão acusando aqueles que estiveram no poder desde a independência de acumularem riqueza através da corrupção e de não fazerem nada para aliviar a pobreza”, enfatiza o ISS.
 
A origem deste sentimento tem uma explicação simples para o diretor para a África do observatório britânico Chatham House, Alex Vines: os eleitores jovens cresceram alheios aos dias do colonialismo, mas sofrem diariamente com o desemprego e a desigualdade.
 
“Foram incapazes de encontrar emprego e oportunidades e de expandir a riqueza, o que fez com que as desigualdades aumentassem, e os hierarcas do partido se tornaram muito ricos”, disse Vines em Pretória, na África do Sul.
 
Mais ao norte, a falta de eleições livres e justas estão alimentando os protestos: Uganda, Burundi, República Democrática do Congo e Etiópia viveram este ano violentos movimentos de contestação a seus líderes, que resistem a deixar seus cargos, passando por cima das leis.
 
Durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o atleta Feyisa Lelisa cruzou os braços no ar ao terminar em segundo lugar e conquistar a medalha de prata na maratona, um gesto que denunciava a repressão do governo da Etiópia contra a etnia oromo durante a maior onda de protestos no país.
 
Os oromo, assim como os muitos jovens que pagaram com suas vidas em outros países africanos, não reivindicam apenas mais democracia, enfraquecida pela falta de uma tradição eleitoral e pelo neopatrimonialismo, mas, sobretudo, uma “vida melhor”.
 
“Estamos determinados a impulsionar uma solidariedade e unidade dos povos da África para construir o futuro que queremos: o direito à paz, à inclusão social e à prosperidade compartilhada”, adverte a denominada “Declaração de Kilimanjaro”, adotada em uma cúpula extraordinária em agosto em Arusha (Tanzânia).
 
Naquela reunião, grupos da sociedade civil, religiosos, sindicatos, mulheres, jovens e parlamentares tomaram a decisão de “construir um movimento pan-africano que reconheça os direitos e liberdades” do povo deste continente.
 
Um movimento que, mais uma vez, ultrapassa as fronteiras das diferentes nações africanas para não mais libertá-los do jugo colonial, mas de seus novos opressores: dirigentes que, na maioria dos casos, sequer puderam escolher.