Inglaterra reconhece o papel dos países africanos na economia global

O primeiro-ministro britânico também deve visitar Robben Island, onde o ex-presidente Nelson Mandela foi preso por décadas para comemorar o centésimo aniversário de seu nascimento.  (Reuters / Andreas Gebert)
A primeira-ministra britânica também deve visitar Robben Island, onde o ex-presidente Nelson Mandela foi preso por décadas para comemorar o centésimo aniversário de seu nascimento. (Reuters / Andreas Gebert)

A primeira-ministra britânica Theresa May aterrissou na Cidade do Cabo na terça-feira, quando iniciou uma turnê pelo continente africano, onde espera estabelecer as bases para os acordos comerciais pós-Brexit.

Maio está enfrentando pressão em casa dos chamados “remanescentes”, céticos em relação à sua capacidade de forjar acordos comerciais, uma vez que a Grã-Bretanha rompe com Bruxelas, bem como com os Brexiteers, temerosos de que ela não proporcione uma pausa.

Sua turnê pela África do Sul, Nigéria e Quênia – a primeira de maio até o continente desde que se tornou primeira-ministra em 2016 – será vista como um esforço para carimbar sua autoridade em seu premierhip em apuros.

“Enquanto nos preparamos para deixar a União Européia, chegou a hora de o Reino Unido aprofundar e fortalecer suas parcerias globais”, disse May em um comunicado.

“A África está à beira de desempenhar um papel transformador na economia global”, acrescentou ela.

May usará um discurso na Cidade do Cabo para mostrar como a Grã-Bretanha pode reforçar sua parceria com a África, “particularmente trazendo o poder transformador do comércio e investimento do setor privado do Reino Unido”, disse seu escritório.

O ex-ministro das Relações Exteriores Boris Johnson, cuja saída de julho do gabinete levou o governo de May à beira, disse em seu discurso de renúncia que a atual política Brexit de maio prejudicaria a capacidade de Londres de negociar acordos comerciais independentes.

Sacrifício da Primeira Guerra Mundial 

May apresentará então o presidente Cyril Ramaphosa  com o sino da tropa SS Mendi, que afundou no Canal da Mancha em 1917, afogando mais de 600 tropas sul-africanas que se preparavam para se juntar às forças aliadas na Primeira Guerra Mundial.

Foi o pior desastre marítimo na história do país Africano, e se tornou um símbolo de seu sacrifício da Grande Guerra.

O sino foi dado a um repórter da BBC em uma estância balnear britânica em 2017, após uma denúncia anônima, segundo a emissora.

O primeiro-ministro também deve visitar Robben Island, onde o ex-presidente Nelson Mandela foi preso por décadas para comemorar o centésimo aniversário de seu nascimento.

May irá para a Nigéria na quarta-feira para reuniões com o presidente Muhammadu Buhari na capital Abuja e com as vítimas da escravidão moderna em Lagos.

Na quinta-feira, ela se encontrará com o presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, logo após seu retorno do presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington, e antes de viajar para a China para se encontrar com o presidente Xi Jinping.

A primeira-ministra, em seguida, verá as tropas britânicas em ação de treinamento e visitar uma escola de negócios, antes de concluir a viagem em um jantar de estado organizado por Kenyatta.

Fonte: https://mg.co.za/article/2018-08-28-may-kicks-off-first-africa-tour-as-british-pm

Negro londrino que conseguiu entrar em corporações financeiras

O estudante que transformou sua vida batendo em portas de casas ricas de Londres

Reggie Nelson decidiu fazer uma pergunta aos moradores: quais são as habilidades e competências necessárias para se chegar a viver em um bairro como esse?


Por BBC

 

Reggie Nelson, morador de um bairro de classe operária em Londres (Foto: Cebo Luthuli/BBC)Reggie Nelson, morador de um bairro de classe operária em Londres (Foto: Cebo Luthuli/BBC)

Reggie Nelson, morador de um bairro de classe operária em Londres (Foto: Cebo Luthuli/BBC)

Em algumas ocasiões, era uma campainha convencional. Em outras, um interfone. Mas ele não tinha dúvida de que as portas se abririam.

Reggie Nelson, morador de um bairro de classe operária em Londres, decidiu ir até a região mais nobre da cidade para fazer uma pergunta a seus residentes.

Para conseguir a resposta que procurava, o jovem de 17 anos optou por bater diretamente na porta das residências de luxo, em vez de abordar as pessoas na rua.

“O que eu dizia às pessoas quando tocava a campainha era: ‘Meu nome é Reggie e sou do leste de Londres. Vim até Kensington e Chelsea porque descobri que essa é a região mais rica do Reino Unido. E só queria saber quais são as habilidades e competências necessárias para chegar a viver em um bairro como esse. Para que eu possa extrapolá-las e usá-las a meu favor”, contou o jovem, que hoje tem 23 anos, à BBC.

“Naquela época, eu ainda estava cursando o ensino médio e perguntei a mim mesmo: ‘Como posso fazer algo diferente? O que posso fazer que seja realmente diferente para ver resultados, algo que ninguém mais pensou em fazer?”, completou.

A ideia que ele teve logo surtiu efeito:

“Eu entrei em uma rua particular e, na segunda porta que bati, uma senhora falou comigo pelo interfone, abriu a porta e me convidou para entrar”, recorda-se.

O encontro

A mulher, chamada Elizabeth, levou Reggie até uma sala de estar.

'Na segunda porta que bati, uma senhora falou comigo pelo interfone, abriu a porta e me convidou para entrar', lembra o jovem (Foto: Cebo Luthuli/BBC)'Na segunda porta que bati, uma senhora falou comigo pelo interfone, abriu a porta e me convidou para entrar', lembra o jovem (Foto: Cebo Luthuli/BBC)

‘Na segunda porta que bati, uma senhora falou comigo pelo interfone, abriu a porta e me convidou para entrar’, lembra o jovem (Foto: Cebo Luthuli/BBC)

“Quando estávamos conversando, um homem entrou. Era Quintin Price. Na época, ele era diretor da Alpha Strategies, (uma unidade) na BlackRock.”

A BlackRock é uma empresa de gestão de investimentos global, com sede em Nova York.

Price é especialista na área de finanças e investimentos, formado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, com passagem por bancos internacionais, como o Deutsche Bank.

Após conversar com Reggie e a esposa, o executivo se ofereceu para ser mentor do adolescente.

“A primeira coisa que pensei foi em como fazer para isso funcionar, enquanto estava indo para o trabalho. Então pensei em proporcionar a ele um pouco de experiência profissional”, disse Price à BBC.

Duas semanas depois, o especialista em finanças ofereceu a Reggie um estágio em sua empresa.

No mercado de trabalho

“Cheguei muito cedo. Fui o primeiro. Cheguei uma hora mais cedo porque queria causar uma boa impressão. Foi maravilhoso ver tantas pessoas jovens e brilhantes.”

“Aliás, antes de ir para lá, eu não tinha a menor ideia que você podia tirar A+ (nota máxima) nos exames de admissão da faculdade. Eu achava que A era a nota mais alta que você podia tirar, mas esses caras diziam: ‘Tirei três A+, quatro A+’.”

E a pergunta inevitável surgiu: como foram suas notas quando você terminou o ensino médio?

“Ainda estou estudando, não terminei”, respondi.

“Foi quando percebi que, na verdade, eu era a pessoa mais jovem ali e que todos aqueles caras já tinham terminado suas carreiras universitárias.”

“A partir desse dia, meu modo de pensar mudou, assim como minhas perspectivas, em todos os aspectos.”

“Me dei conta de que algo definitivamente sairia disso e assim foi”, lembra Reggie.

Reggie sente que é minoria no setor corporativo (Foto: Cebo Luthuli/BBC)Reggie sente que é minoria no setor corporativo (Foto: Cebo Luthuli/BBC)

Reggie sente que é minoria no setor corporativo (Foto: Cebo Luthuli/BBC)

Rumo à universidade

O jovem conversou com a mãe sobre a experiência e resolveu seguir a recomendação de Price: “Entrar na universidade, porque isso me daria a oportunidade de trabalhar na área de serviços financeiros.”

O jovem se formou com louvor na Universidade de Kingston e, desde então, começou a ajudar outras pessoas a atuar no mercado financeiro – e, particularmente, jovens negros a ingressar em espaços corporativos.

“Tem algo que ouvi e que ainda ecoa dentro de mim: se você quiser ver resultados diferentes, tem que sair da sua zona de conforto.”

Na sequência, ele conseguiu outra vaga de estágio, para a qual havia 9 mil candidatos.

“115 pessoas conseguiram, apenas 3 eram negras”, diz ele.

Ele passou a trabalhar recentemente para uma nova empresa e continua a progredir na carreira.

‘O único negro do andar’

“No andar (do prédio), onde trabalho, sou o único negro”, relata que Reggie, que nasceu no Reino Unido, mas é filho de pais ganeses.

“Na área corporativa, eu sou uma minoria e é algo que não vou esconder. Onde eu trabalho, existe diversidade, mas como em todos os ambientes de negócio em que já estive, poderia ser muito melhor.”

“Acho que a questão para mim é simplesmente me adaptar ao que está ao meu redor. Não diria que é conformismo, apenas adaptação, para causar o maior impacto possível, fazer a maior diferença que puder.”

Price é veterano no mundo das finanças e conhece muito bem esse setor.

“Acho que em qualquer ambiente hipercompetitivo, em que se é minoria, você precisa jogar o jogo num nível mais alto para se sobressair, porque você está educando as pessoas a superarem sua ignorância e preconceito. E esses preconceitos existem. Gostaríamos que não fosse assim, mas eles estão lá”, diz o especialista.

“Por isso, acredito que seja necessário para todos, para os que têm a sorte de estar no lado da maioria e para aqueles que são minoria, mas tiveram a oportunidade de provar aos críticos que estão errados e dar exemplo para as próximas gerações construírem uma sociedade mais igualitária.”

“Estamos vendo isso ao nosso redor e vemos que há mais pessoas como Reggie”, acrescenta Price.

Um conselho de ouro

Reggie ministra palestras sobre sua experiência com o objetivo de inspirar mais jovens negros a mudar o rumo de suas histórias.

Aos 23 anos, Reggie trabalha no distrito financeiro de Londres (Foto: Cebo Luthuli/BBC)Aos 23 anos, Reggie trabalha no distrito financeiro de Londres (Foto: Cebo Luthuli/BBC)

Aos 23 anos, Reggie trabalha no distrito financeiro de Londres (Foto: Cebo Luthuli/BBC)

E dá uma dica:

“Aceite as rejeições, porque eu recebi muitos nãos, inclusive no mundo profissional.”

“Eu digo a eles que não tomem os nãos como um evangelho, mas aproveitem. Usem como combustível para seguir adiante até onde vocês precisam chegar”, afirma.

Edward Enninful, director da revista Vogue britânica

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A primeira vez em cem anos de história, a Vogue britânica escolheu um homem negro para director da revista. Edward Enninful, do Gana, prepara-se para dirigir uma das mais influentes publicações de moda do mundo.Edward Enninful

Num comunicado, a Condé Nast International, empresa que detém a Vogue, descreveu Enninful como “uma figura influente nas comunidades da moda, Hollywood e música, que molda o espírito cultural da época”.Edward Enninful,

Enninful chegou a Londres aos 16 anos, onde começou a carreira no mundo da moda. Três anos depois, chegou a director da revista “i-D”, tornando-se no mais jovem na história da publicação.

Com 45 anos, o ganês foi condecorado em Outubro passado com o título Officer of the Most Excellent Order of the British Empire pelo seu contributo para a moda.

O novo cargo da Vogue britânica será assumido a 1 de Agosto.

União Européia acompanha com otimismo as negociações de paz em Moçambique

Maputo – A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Federica Mogherini, saudou o avanço nas negociações em Moçambique, sublinhando a determinação do Governo e oposição a trabalhar para a paz e a reconciliação.

FEDERICA MOGHERINI – ALTA REPRESENTANTE DA POLÍTICA EXTERNA DA UNIÃO EUROPEIA

FOTO: JOHN THIS

Em comunicado divulgado em Bruxelas, retomado quarta-feira pela AIM, Mogherini salientou que “os desenvolvimentos  são bem-vindos, uma vez que sublinham a determinação de ambas as partes para  afastar as diferenças e trabalhar para a paz e a reconciliação”.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, e o líder do principal partido da oposição  (Renamo), Afonso Dhlakama, anunciaram o início de uma nova fase nas negociações, tendo decidido criar um grupo internacional de apoio ao processo de paz em Moçambique, disse a Alta Representante para a Política Externa da UE.

Para Federica Mogherini, as negociações directas entre as duas partes podem agora  focar-se na construção de uma solução sustentada no progresso atingido sob mediação  internacional.

Com efeito, o Presidente da República, Filipe Nyusi, criou um Grupo de Contacto constituído por vários parceiros de cooperação convidados a apoiar o desenvolvimento de  uma paz sustentável em Moçambique.

Um comunicado de imprensa da Presidência da República enviado terça-feira à AIM  explica que a criação do grupo surge “no âmbito do processo de diálogo para o alcance

de uma paz efectiva e duradoura e na sequência das consultas e entendimentos entre o presidente moçambicano Filipe Nyusi e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama.

O documento refere que o grupo vai prestar assistência financeira e técnica coordenada,  bem como realizar outras tarefas indicadas nos seus Termos de Referência.

Integram o Grupo de Contacto sete personalidades, incluindo o embaixadores da Federação Suíça (Presidente do Grupo), o dos Estados Unidos da América (Co-Presidente), o da República Popular da China, o chefe da missão diplomática  do Reino da Noruega, e os Altos-Comissários da República do Botswana, a do Reino Unido  da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e o chefe da missão da União Europeia em Moçambique.

Este Grupo de Trabalho, cujas actividades terão início ainda esta semana, juntar-se-á às  Comissões de Trabalho constituídas por entidades nacionais já designadas pelo  Presidente da República e pelo líder da Renamo que juntos prosseguirão em busca da paz efectiva e definitiva, tendo como mandato debruçar-se sobre questões militares e  de descentralização.

No dia 03 de Janeiro de 2017, Afonso Dhlakama, líder da Renamo, o maior partido da  oposição em Moçambique, confirmou a prorrogação por mais 60 dias o período de  tréguas acordado com o Presidente Nyusi nos contactos telefónicos mantidos  entre as partes, na busca de uma paz efectiva.