Comunicado sobre a visita de trabalho de dois dias à Nigéria do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira – Abuja, 11 e 12 de outubro de 2017


 

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foto: Ministro Aloysio Nunes do Brasil e o Ministro de Negócios Estrangeiros da Nigéria, Geoffrey Onyeama.

Comunicado sobre a visita de trabalho de dois dias à Nigéria do
ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira

(Tradução livre para o português. O texto original em inglês segue após a versão em português)

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O ministro das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil, Sr. Aloysio Nunes Ferreira, realizou visita de trabalho de dois dias à Nigéria, de 11 a 12 de outubro de 2017. O ministro liderou uma delegação de oito funcionários de alto nível do governo brasileiro.

2. Durante a visita, o ministro das Relações Exteriores do Brasil manteve encontros bilaterais com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Sr. Geoffrey Onyeama, e com o ministro da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, Chefe Audu Ogbeh.

3. As discussões entre o ministro dos Negócios Estrangeiros da Nigéria e o ministro das Relações Exteriores do Brasil centraram-se em questões de interesse comum destinadas a fortalecer as cordiais, fraternas e duradouras relações entre os dois países. A este respeito, ambos os ministros discutiram acordos bilaterais atualmente em negociação por especialistas dos dois países, que incluem:

i) Minuta de Acordo de Cooperação e Facilitação de Investimentos;

ii) Minuta de Acordo sobre Transferência de Presos;

iii) Minuta de Acordo de Cooperação sobre Desenvolvimento Agrícola no âmbito do programa “More Food International”;

iv) Acordo de extradição

4. Os dois ministros também discutiram temas da agenda internacional atual, como a necessidade urgente de reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para que ele possa realmente refletir a atual ordem mundial, e o imperativo do combate ao terrorismo internacional, inclusive com a eliminação dos problemas sociais que contribuem para a sua disseminação.

5. Além disso, ambos os ministros dos Negócios Estrangeiros trocaram impressões sobre a ameaça à segurança na região do Sahel e reafirmaram o seu apoio a iniciativas como a Força-Tarefa Conjunta Multinacional, na qual os países da região encontram suas próprias soluções para os problemas que os afetam. Além disso, os ministros concordaram que o aprofundamento da cooperação entre os dois países no campo da Defesa pode contribuir para a estabilização da região e fortalecer ainda o papel desempenhado pela Nigéria.

6. Além disso, ambos os ministros dos Negócios Estrangeiros analisaram o nível de implementação do Mecanismo de Diálogo Estratégico entre a Nigéria e o Brasil, que é uma plataforma destinada a intensificar o engajamento entre os dois países. O Diálogo Estratégico também funciona como base para manter o diálogo de alto nível entre funcionários dos dois países e servir como um fórum para a implementação de acordos que abrangem agricultura e segurança alimentar, comércio e investimento, energia, educação, petróleo e mineração.

7. A respeito de cooperação agrícola, o ministro da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Nigéria e o ministro das Relações Exteriores do Brasil trocaram impressões sobre o programa “Mais Alimentos International” e o compartilhamento de experiências no campo da pecuária, com vistas ao aumento da produção na Nigéria. Ambos os países também compartilharão experiências de programas de merenda escolar, políticas de intervenção social e de combate à corrupção, entre outras questões de interesse comum.

8. Ao final da visita, o ministro das Relações Exteriores do Brasil convidou o ministro das Relações Exteriores da Nigéria a visitar o Brasil em uma data mutuamente conveniente. Além disso, ambos concordaram com a necessidade de troca de visitas de alto nível para compartilhar experiências e fortalecer a cooperação em áreas de suas relações bilaterais.

http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/notas-a-imprensa/17580-comunicado-sobre-a-visita-de-trabalho-de-dois-dias-a-nigeria-do-ministro-das-relacoes-exteriores-do-brasil-aloysio-nunes-ferreira-abuja-11-e-12-de-outubro-de-2017

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Brasil e África, parceria natural (Folha de S. Paulo, 11/10/2017)


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As relações com a África constituem prioridade permanente da política externa brasileira. Cinco meses após ter visitado África do Sul, Botsuana, Maláui, Moçambique, Namíbia e São Tomé e Príncipe, realizarei novo périplo pelo continente, visitando, entre 11 e 16 deste mês, outros importantes parceiros do Brasil: Gana, Nigéria, Costa do Marfim e Benin.

Além disso, participarei de reunião da OMC (Organização Mundial do Comércio) no Marrocos e de reunião ministerial do fórum Ibas (Índia, Brasil e África do Sul) na África do Sul. Em julho, durante a presidência pro-tempore da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), organizamos reunião ministerial em Brasília, quando me reuni com representantes de seis países africanos.

Além dos profundos laços humanos e culturais que nos unem, desejamos continuar a aprofundar nosso relacionamento comercial. No momento em que nossa economia dá sinais de recuperação, meu segundo périplo africano inscreve-se no esforço de ampliar o diálogo político e comercial com países de grande potencial, de modo a contribuir para o processo de retomada do crescimento.

O Brasil precisa consolidar sua presença no continente africano com visão estratégica, apostando no dinamismo crescente da região como parceiro prioritário na busca da prosperidade e do desenvolvimento.

Com taxas de crescimento econômico acima da média global, a África constitui um mercado que não pode ser ignorado, não apenas por sua relevância presente, mas por seu potencial futuro. O continente conta atualmente com 1,2 bilhão de consumidores, dos quais 350 milhões já integram a classe média. Em 2050, o mercado africano terá 2,5 bilhões de pessoas.

A média de crescimento do PIB africano entre 2008 e 2016 foi de 4%, e a perspectiva continua a ser de forte desempenho nas próximas décadas. As exportações brasileiras para a África somaram US$ 7,83 bilhões em 2016, em sua maior parte compostas por manufaturados (40,9%) e semimanufaturados (30%). A corrente total de comércio alcançou US$ 12,43 bilhões, com superávit em favor do Brasil de US$ 3,23 bilhões.

Muitas empresas brasileiras investem hoje em países africanos, mas creio que podemos fazer mais. Na viagem de maio, participei de seminários empresariais em Moçambique e na África do Sul. Em agosto, foram realizados seminários em Gana e na Nigéria.

Tanto a África quanto o Brasil têm grande contribuição a dar e muito a aprender por meio da cooperação técnica para o desenvolvimento.

A cooperação técnica Sul-Sul representa uma estrada de duas vias, com potencial de fomentar o desenvolvimento sustentável de nossas sociedades. O projeto “Cotton 4+Togo”, de cooperação na área de cultivo de algodão com países da África Ocidental, constitui um bom exemplo: ao contribuir para o aumento da produção de algodão africano, o Brasil também se beneficia, por meio do acesso a novos cultivares e da troca de experiências com agências governamentais e produtores africanos.

Durante minha visita, pretendo encorajar esse diálogo também em outras áreas em que o Brasil possui reconhecimento internacional, como na de políticas sociais, de modo a ampliar nossa agenda de intercâmbio de conhecimento e de melhores práticas.

A parceria entre o Brasil e a África deve ser semeada e nutrida. As bases de um relacionamento amplo, intenso e equilibrado são construídas a partir da diplomacia, do diálogo, e da aproximação entre sociedades, governos e empresários, seja em Brasília, nas capitais africanas ou em organismos multilaterais.

Tenciono contribuir para o aprofundamento desse processo nesta minha viagem. É assim que continuaremos avançando no estreitamento das margens do “rio chamado Atlântico” —na icônica imagem do africanista, acadêmico e diplomata Alberto da Costa e Silva—, gerando benefícios concretos para o Brasil e para a África, bem como para o restante da comunidade internacional.

ALOYSIO NUNES FERREIRA (PSDB-SP) é ministro das Relações Exteriores

 

http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/discursos-artigos-e-entrevistas-categoria/ministro-das-relacoes-exteriores-artigos/17569-brasil-e-africa-parceria-natural-folha-de-s-paulo-11-10-2017

As eleições na Alemanha terá grande impacto nas relações com África

A chanceler Angela Merkel vai para um quarto mandato após a vitória da CDU/CSU nas eleições de domingo (24.09). Mas em África teme-se que um enfraquecimento do poder em Berlim ponha em causa iniciativas no continente.

defaultEncontro “G20 Parceria Africana” em Berlim (junho de 2017)

As eleições na Alemanha têm também repercussões fora da Alemanha, sobretudo na Europa, mas também para o continente africano. Como é sabido, a chanceler Angela Merkel permanecerá por mais quatro anos à frente do Governo, apesar do seu partido ter perdido muitos votos. Uma vitória amarga, dizem os observadores. Mesmo assim os conservadores da CDU/CSU conseguiram ser o partido mais votado com de 33%.

Em África muitos questionam agora se Berlim continuará com força suficiente para levar a cabo iniciativas de grande envergadura de cooperação.

Chade

O coordenador da Liga Chadiana dos Direitos Humanos, Baldal Oyanta, disse que acompanhou as eleições alemães “com bastante atenção”.

Bundestagswahl 2017 | AfD SymbolbildA AfD entrou pela primeira vez para o Parlamento alemão como a terceira força mais votada

“Penso que a reeleição de Angela Merkel é, para nós, um mal menor, tendo em conta a ascenção abrupta do partido de extrema-direita [Aternativa para a Alemanha, AfD]. Pessoalmente, teria preferido que Angela Merkel tivesse tido uma margem mais confortável para formar novo Governo, para poder olhar com mais energia para as questões africanas e, particularmente, referentes ao Chade”, afirmou Baldal Oyanta.

O coordenador da Liga Chadiana dos Direitos Humanos tem dúvidas sobre o futuro. “É sabido que está em discussão o reforço da aliança estratégica entre a Alemanha e a França, com as seguintes prioridades: segurança, desenvolvimento e mudanças climáticas. Gostaríamos que isso avançasse, mas questionamos: o que acontecerá agora? Haverá recuos devido ao fato do partido de Merkel ter obtido apenas 33% dos votos, enquanto um partido de extrema-direita conseguiu entrar no Parlamento?”, questiona Baldal Oyanta.

Togo

O professor universitário universitário togolês Hounake Kossivi lamenta o fato de Angela Merkel ter saído das eleições de 24 de setembro de certa forma debilitada.

Deutschland Zentrale Aufnahmestelle für Asylbewerber BerlinVaga de refugiados na Alemanha (junho de 2015)

O que acontece, acredita, na sequência, do aumento do risco de atentados terroristas, do aumento do número de imigrantes económicos e requerentes a asilo político na Alemanha.

O professor Hounake Kossivi recomenda Merkel a dar ouvidos às reivindicações dos alemães dececionados com as suas políticas. “Os atentados terroristas e a questão da imigração fragilizaram a sua política, infelizmente. Se esses dossiers tivessem sido melhor geridos Merkel hoje teria, provavelmente, uma maioria muito mais confortável. Agora vai ser mais difícil, porque ela ver-se-á obrigada a adaptar-se às reivindicações dos partidos com os quais vai formar coligação. Desse ponto de vista, Angela Merkel está agora, de fato, um pouco fragilizada”, avalia Hounake Kossivi.

Camarões

Já Issa Tchoroma Bakari, porta-vez do governo dos Camarões, espera nos próximos anos um reforço considerável da cooperação entre a Alemanha e o seu país.

Deutschland Bundestagswahl Nachlese MerkelAngela Merkel na noite da sua reeleição

“Claro que não nos podemos nem queremos imiscuir nos assuntos de política interna de outro país. Mas não deixamos de sublinhar que temos tido relações excelentes com os diversos executivos de Angela Merkel. Só podemos agradecer, desejar muita sorte e que as nossas relações se continuem a estreitar, intensificar e diversifar”, disse Issa Tchoroma Bakari

É certo que Angela Merkel saiu debilitada das eleições de demingo (24.09). É certo também que as negociações para a formação de um novo Governo de coligação vão ser complicadas e longas. O que poderá adiar alguns projetos e iniciativas da Alemanha direcionados a África, nomeadamente da iniciativa lançada no quadro do G20 Compact with Africa.

Mas também é certo que a cooperação vai continuar. Sobre isso existe unânimidade entre todos os possíveis parceiros da futura coligação governamental na Alemanha.

Nigéria

Avaliando o processo eleitoral alemão, Lawal Shuaibu, o vice-presidente do partido no poder na Nigéria, o Congresso Progressista, considera que o seu país “tem muito a aprender” com a Alemanha.

Bundestagswahl 2017 | Wahllokal in Düsseldorf, NRWPolítico nigeriano elogiou o processo eleitoral na Alemanha

“Todos os partidos reconheceram os resultados sem qualquer contestação”, elogiou o político. “Nós ainda agora começámos. Mas a Nigéria está no caminho certo”, acrescentou Lawal Shuaibu.

No entender de Umar Kari, que leciona na Universidade de Abuja, o resultado eleitoral “representa um retrocesso menor para a União Democrata Cristã e o seu anterior aliado, porque registaram uma queda na representação no Bundestag, o Parlamento alemão”.

Os resutados mostram sobretudo o “ressurgimento do partido ultra-nacionalista AfD, cuja posição face à imigração e aos muçulmanos poderá enviar sinais perturbadores não só à Alemanha ou à Europa, mas também ao resto do mundo”, prevê o académico nigeriano Umar Kari.

Libéria

Na Libéria, Prosper Narmayan, o antigo dirigente do Governo do ex-Presidente Charles Taylor, elogiou o percurso da chanceler alemã.

“Pessoalmente, acho que o que quer que nós, homens, consigamos fazer, as mulheres conseguem fazer melhor. É por isso que Angela [Merkel] foi eleita para o quarto mandato na Alemanha. Penso que é algo sem precedentes na política”, afirmou Prosper Narmayan.

Também o ativista liberiano Emmanuel Gibson vê a vitória de Angela Merkel com bons olhos. Comentando sobre o papel da mulher na Libéria, para o ativista a Presidente da Libéria Ellen Johnson Sirleaf foi quase como uma rampa de lançamento “para outras mulheres chegarem ao poder”. Desde que Ellen Johnson Sirleaf assumiu a presidência do país, em 2006, “há muitas mulheres a conseguirem posições de liderança. Mas a questão é se podemos vir a ter outra mulher no poder na Libéria?”, questiona o ativista Emmanuel Gibson.

Angola pede que se levante as sanções impostas contra o Governo da República Democrática

O ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, apelou à União Europeia a levantar as sanções unilateralmente impostas contra o Governo da República Democrática (RDC) do Congo e outras entidades daquele país.

Ministro das Relações Exteriores regressou ontem de Pretória
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

Em declarações à imprensa, em Pretória (África do Sul), onde participou na 37ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da SADC, em representação do Presidente José Eduardo dos Santos, Georges Chikoti considerou importante a organização regional apoiar o Governo da RDC na busca de uma solução pacífica e dialogada entre todos os congoleses, para o fim da crise politica e militar e a realização das eleições gerais. “Torna-se por isso pertinente que o Órgão da SADC (órgão de política, defesa e segurança) assuma o papel proactivo na sensibilização da comunidade internacional e todos os interessados para apoiar a implementação do acordo político de 31 de Dezembro de 2016”, salientou.
O ministro apontou igualmente como preocupação os desafios de segurança no Lesoto e a permanência dos focos de insegurança no leste da RDC.

Na Etiópia está instalado importante debate sobre o futuro da África

por João Dias | Addis Abeba

3 de Julho, 2017

O ministro da Defesa Nacional, João Lourenço, discursa hoje na 29.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo que decorre até amanhã na capital etíope, Adis Abeba, em representação do Presidente da República, José Eduardo dos Santos.

João Lourenço foi ontem recebido pelo Presidente do Ruanda a quem entregou uma mensagem do homólogo angolano
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro – Addis Abeba

João Lourenço, que está desde ontem em Addis Abeba, disse, à chegada, que a sua intervenção vai incidir sobre questões de paz, defesa, segurança como vectores indispensáveis para a integração regional e desenvolvimento sustentável do continente.
O ministro da Defesa referiu que é portador de mensagens do Presidente José Eduardo dos Santos para todos os seus homólogos africanos.
A cimeira, que arranca hoje, debate questões relacionadas com o orçamento, reforma estrutural da organização, situação política em alguns países do continente e a implementação do tema do ano “Dividendo demográfico, investindo na juventude”.
Acompanhado pelo ministro da Juventude e Desportos, Albino da Conceição, pelo ministro da Justiça e dos Direitos Humanos, Rui Mangueira, e pelo secretário de Estado para as Relações Exteriores, Manuel Augusto, o ministro da Defesa foi recebido à chegada pelo ministro etíope das Águas, Irrigação e Energia, Minissan Bekele e por membros da delegação angolana.
Ontem, após ter chegado a Adis Abeba, o ministro da Defesa Nacional de Angola, João Lourenço, foi recebido em audiência pelo Presidente da República do Tchad, Idriss Deby Itno. Vários chefes de Estado e de Governo escalaram ontem a capital etíope para a 29.ª cimeira, que tem como convidado de vulto o Secretário Geral das Nações Unidas, António Guterres, e o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud-Abbas, que marcam presença na abertura da cimeira, onde discursam, tal como o Presidente da Comissão da UA, Moussa Faki, após palavras de boas-vindas do Primeiro-Ministro da Etiópia, Hailemariam Desalegn.
A 29.ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo é orientada pelo Presidente da Guiné Connacry, Alpha Condé, na qualidade de presidente em exercício da União Africana. No centro do debate estão temas como a Integração Regional, cujo foco recai para a Zona de Livre Comércio, bem como a situação de paz e segurança no continente, a análise e aprovação do orçamento de 880 milhões de dólares para o próximo ano, a situação humanitária e as reformas estruturais.
No âmbito dos Relatórios sobre “Questões Estratégicas”, Paul Kagame, Presidente do Rwanda, vai abordar a componente da

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Reforma Institucional da União Africana. O Presidente do Níger, Mahmadou Issoufou(foto), apresenta um informe sobre as medidas já tomadas para a implementação da Zona de Livre Comércio, enquanto o Presidente Tchadiano, Idriss Deby Itno,  fala do que devem ser os pilares para a implementação do tema por si proposto: “Aproveitamento do Dividendo Demográfico, Investindo na Juventude”.

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O presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki(foto), apresenta o relatório sobre a situação de Paz e Segurança em África, com destaque para a situação dos principais conflitos armados no continente, nomeadamente na República Democrática do Congo, Líbia, Sudão, Sudão do Sul, Burundi, Somália, Mali e República Centro-Africana.
Da agenda consta também uma informação do Presidente da República da Serra Leoa, Ernest Bai Koroma, relativa à Reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, assim como será analisado o documento do Conselho de Paz e Segurança da UA sobre a implementação do Roteiro Director dos Passos Práticos, Rumo ao silenciamento das Armas em África até 2020.
Ontem, o ministro da Defesa Nacional, João Lourenço, foi recebido em audiência pelo Presidente do Ruanda, Paul, Kagame, a quem entregou a primeira das várias mensagens que o Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, enviou aos seus homólogos africanos.

Refugiados em Angola

Em declarações à imprensa, após a reunião do conselho de ministros do Fórum PALOP, o chefe da diplomacia angolana, Georges Chikoti, desmentiu ontem, em Adis Abeba, informações postas a circular segundo as quais as autoridades angolanas estavam a expulsar refugiados oriundos da República Democrática do Congo.

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Georges Chikoti  (foto) foi peremptório em afirmar que são falsas e sem fundamentos tais afirmações e que o representante das Nações Unidas em Angola já as desmentiu. “Não existe esta situação. Antes pelo contrário, Angola acolheu mais de 30 mil  refugiados vindos da RDC nas condições em que o nosso país pode dar, tendo aprovado um orçamento de 500 milhões de kwanzas e mais um montante em moeda externa para podermos adquirir tendas e comida para corresponder às primeiras necessidades dos refugiados”, lembrou Georges Chikoti.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/futuro_do_continente_debatido_em_addis_abeba

Israel suspende sanções contra o Senegal

Benjamin Netanyahu, e o Presidente do Senegal

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o Presidente do Senegal, Macky Sall, anunciaram domingo, à margem da cimeira da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a normalização das suas relações.

As relações entre os dois países deterioram-se depois de o Senegal e a Nova Zelândia terem patrocinado uma resolução das Nações Unidas a condenar os colonatos israelitas.

Na sequência da votação, Israel chamou os embaixadores presentes nos dois países e cancelou o programa de ajuda ao Senegal, bem como uma visita do chefe da diplomacia senegalesa ao país.

“Os dois líderes anunciaram o fim da crise entre os dois países”, refere uma declaração do primeiro-ministro israelita, que participou domingo na cimeira da CEDEAO, que decorreu em Monróvia, na Libéria.

Da parte senegalesa, um comunicado refere que Israel levantou as sanções diplomáticas e que o Presidente do Senegal, Macky Sall, “saudou a medida”.

No discurso pronunciado domingo aos líderes da África Ocidental, o primeiro-ministro israelita reiterou o desejo de Israel voltar a ter o estatuto de observador da União Africana, estatuto que teve até 2002.

Na cimeira da CEDEAO, o primeiro-ministro israelita assinou com a organização vários acordos e memorandos de entendimentos para cooperação nos setores agrícola, da segurança e da tecnologia.

Diplomacia angolana quer ações que contribuam para a diversificação da economia

Georges Chikoti,

Nilza Massango |
1 de Junho, 2017

Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

O ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, aponta o reforço da diplomacia económica para conquistar novos mercados, atrair mais investimento estrangeiro para potenciar a economia nacional.

 

Ao discursar na abertura do encontro metodológico dirigido a embaixadores e chefes de missões diplomáticas e consulares de Angola sobre a estratégia de comunicação governamental para este ano, Georges Chikoti apontou, como desafio para os diplomatas, ações que contribuam para a diversificação da economia não petrolífera, uma das principais apostas do Executivo.
Na reunião, que serviu para apresentar o Plano de Comunicação do Executivo de 2017, o ministro destacou o papel da diplomacia na defesa da imagem e dos interesses nacionais e pediu a todos uma actuação coordenada e rápida, visando assegurar o êxito no cumprimento das metas.
O ministro referiu-se ainda aos desafios cada vez mais crescentes da acção governativa, que justifica uma melhor e permanente coordenação entre os actores do Executivo e da diplomacia angolana, em particular.  Para o ministro, o encontro foi oportuno por juntar servidores públicos que desenvolvem trabalho de projecção da imagem de Angola além fronteiras e, também, por realizar-se numa altura em que se aproximam as eleições gerais, estando a comunidade internacional atenta às transformações sociais que se verificam em Angola.

“Projetamos uma diplomacia assente no diálogo para a construção da paz”, disse, para acrescentar: “estamos num tempo que exige capacidade de discernimento para uma pronta defesa do interesse nacional”.
O director do Gabinete de Revitalização e Execução da Comunicação Institucional e Marketing da Administração (GRECIMA) e secretário do Presidente da República para a Comunicação Institucional e Imprensa, Manuel Rabelais, apresentou o Plano de Comunicação do Executivo de 2017. Um guia prático de comunicação política e a comunicação governamental nas redes sociais foram outros temas apresentados no encontro.

Tensão no continente

No encontro promovido pelo GRECIMA, o ministro das Relações Exteriores chamou a atenção para os focos de tensão existentes no continente africano, principalmente nas regiões da África Central, SADC e dos Grandes Lagos, que têm contado com iniciativas da diplomacia angolana para que o diálogo se sobreponha à força das armas. “Estamos num tempo marcado por complexos conflitos à escala global e que exigem uma diplomacia atenta, inteligente, com capacidade de interpretar os vários fenômenos que ocorrem”, disse o ministro que pediu, igualmente aos diplomatas, o reforço da dinâmica para responder em tempo útil, as exigências do sistema das relações internacionais.

Imagem de Angola

Para o embaixador de Angola nos EUA, Agostinho Tavares, o encontro serviu para tomar conhecimento e informação sobre como melhor comunicar, de forma a defender os interesses do país no exterior.
O diplomata afirmou que Angola começa a ser vista nos Estados Unidos com outros olhos sendo bastante referenciada, devido ao seu papel de liderança na região dos Grandes Lagos. Agostinho Tavares realçou que a visita do ministro da Defesa, João Lourenço, aos Estados Unidos, foi uma demonstração de que os americanos estão interessados em continuar a cooperar com Angola em todos os domínios, com especial atenção na segurança nacional e no combate ao terrorismo.  O embaixador de Angola em Portugal, Marcos Barrica, falou das informações deturpadas sobre o país, que veiculam nas redes sociais e que podem, de alguma forma, inibir a atração de investimentos. O diplomata lamentou o facto dessas mesmas informações passarem uma imagem que não é real do país e que a melhor maneira de inverter a situação é ser assertivo na contra informação.  A embaixadora de Angola na África do Sul, Josefina Pitra Diakite, é de opinião que a informação deturpada sobre Angola nas redes sociais deve ser combatida com uma participação activa..

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/diplomacia_economica_e_prioridade

Ministra da África do Sul quer intensificar os contatos com o Brasil

encontro do dois ministros das relações exteriores
A ministra sul-africana das Relações Internacionais, Maite Nkoana-Mashabane, acolheu segunda-feira uma delegação brasileira de alto nível, liderada pelo recém-nomeado ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, que esteve em Pretória para fortalecer as relações existentes.

Nkoana-Mashabane e seu homólogo brasileiro abordaram a mídia em Pretória depois de uma reunião de portas fechadas entre os representantes dos dois governos.

“Felicitamos o ministro [Ferreira] pela sua nomeação. Apenas um mês ou dois depois de sua nomeação, ele prontamente está em nossa região, é uma manifestação política de que os brasileiros são os amigos que podemos depender, que estão observando o futuro da África que queremos, uma África que é em ascensão “, disse Nkoana-Mashabane.

“Nós dois, durante nosso encontro, reafirmamos nossa parceria estratégica entre nossos países. De fato, quando nos reunimos em fóruns multilaterais, metade do tempo brasileiros e sul-africanos estão discutindo assuntos internacionais. Portanto, reafirmamos que estaremos falando sobre como continuar a pensar globalmente e agir localmente “.

Nkoana-Mashabane disse que as reuniões realizadas na manhã de segunda-feira foram produtivas.

“Tudo o que eu quero dizer é que tivemos uma manhã produtiva, em um tipo de parceria muito amistosa, em uma atmosfera amigável. Mas queremos dar mais sentido aos nossos compromissos bilaterais “, disse ela, saudando a delegação brasileira a Pretória.

Dirigindo-se a jornalistas por meio de um intérprete,Aloysio Nunes Ferreira, minsitro brasileiro, disse que era sua primeira visita à África, em seu mandato como ministro das Relações Exteriores, e que foi uma oportunidade para continuar a cooperação entre o Brasil e os estados africanos, particularmente a África do Sul.

“O aspecto mais importante desta visita, e de nosso encontro, é a reafirmação das relações do Brasil com África e África do Sul. Isto reafirmando que a África continua a ser uma prioridade nas nossas relações internacionais.

“A ministra Nkoana-Mashabane está correta quando enumera o número de posições multilaterais em que o Brasil e a África do Sul participam conjuntamente e compartilham uma opinião comum. Mas isso não significa que não devemos continuar nossos esforços para que as relações bilaterais permaneçam intensas e férteis “, disse Ferreira.

“A África do Sul é o principal parceiro comercial do Brasil no continente africano. Em 2015 houve uma ligeira queda em nosso comércio internacional, resultado de uma série complexa de dificuldades econômicas que o Brasil atravessava, mas estamos lentamente reconstruindo “.

Ferreira disse que as empresas sul-africanas fizeram investimentos significativos em setores brasileiros, incluindo mineração, e recentemente empresas sul-africanas ganharam um concorrência para reconstruir um grande aeroporto no Brasil.

Aloysio disse que em uma análise a longo prazo, o comércio entre Pretória e Brasília será fortalecido aos trancos e barrancos.

A África do Sul e o Brasil estabeleceram relações diplomáticas desde de  1948 e, desde então, concluíram muitos acordos de cooperação.

A África do Sul tem sido historicamente um importador líquido de bens do Brasil. As exportações sul-africanas para o Brasil em 2016 totalizaram US $ 336 milhões, enquanto as exportações brasileiras para a África do Sul totalizaram US $ 1,4 bilhão.

Durante 2016, um total de 38.814 brasileiros visitaram a África do Sul. Em 2015, o total foi de 29.339, o que representa um aumento de 32,3% , segundo dados do governo sul-africano.

 

A Ministra das Relações Internacionais da África do Sul, Maite Nkoana-Mashabane, e sua homólogo brasileira, Aloysio Nunes Ferreira fizeram  uma declaração oficial:

“Hoje recebi e hospedei o meu homólogo, o Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Sr. Aloysio Nunes Ferreira, numa visita de trabalho a Pretória.

O Ministro está acompanhado por uma delegação empresarial de alto nível que se encontra atualmente com os seus homólogos aqui em Pretória.

Em nosso encontro,  felicitei o Ministro Nunes Ferreira pela sua nomeação como Ministro das Relações Exteriores do Brasil  no dia 07 de março de 2017.

Ambos reafirmamos a Parceria Estratégica entre a África do Sul e o Brasil, que abrange a cooperação de país para país, a cooperação através de mecanismos inter-regionais e a nível global.

Entre outras questões, discutimos o seguinte:

A necessidade de fortalecer e expandir os níveis de comércio e investimento entre os dois países
Contatos mais pessoais
Questões regionais, incluindo SADC, progresso no acordo comercial MERCOSUL / SACU, BRICS e IBSA;
Nosso compromisso comum é  de continuar trabalhando juntos em assuntos globais, particularmente no avanço da cooperação Sul-Sul.
Em conclusão, reafirmamos as calorosas relações entre nossos dois países e nosso desejo de continuar a colaborar em assuntos de interesse mútuo.”

 

Fontes:

http://citizen.co.za/news/news-national/1515191/sa-brazil-elevate-trade-relations/

http://www.dirco.gov.za/docs/speeches/2017/mash0515.htm

União Africana com muitos desafios

por Belarmino Van-Dúnem |

A União Africana elegeu um novo Presidente da sua Comissão, na verdade, a entidade máxima da organização. A disputa foi renhida e praticamente todas as regiões do continente apresentaram um candidato.

Entre os candidatos destacaram-se três ministros das Relações Exteriores, nomeadamente, do Chade, Quênia, Botsuana e da Guiné Equatorial. Mas para além destes candidatos, concorreu também o senegalês que desempenhou até ao momento a função de representante regional das Nações Unidas.
A existência de cinco candidatos demonstra alguma falta de coordenação diplomática entre os Estados africanos, situação que não se verificou nos anos transactos. Se, por um lado, representa o grande interesse que os países têm pela organização continental, por outro pode criar afastamento ou falta de engajamento por parte dos Estados cujo candidato perde eleições. gettyimages-453211116-e1485782007351
A presidente cessante, Nkosazana Dlamini-Zuma, terminou o seu primeiro mandato com alguma modéstia. Aquando da sua candidatura em 2012 houve uma grande expectativa, quer por representar a maior economia do continente africano, mas também por ter sido a primeira mulher a exercer o cargo, para além da própria história de vida de muita combatividade e exercício de vários cargos políticos de grande responsabilidade, entre os quais a de ministra das Relações Exteriores da África do Sul, que deixou de exercer para assumir os destinos da União Africana.
Não se pode deixar de mencionar também o facto da África do Sul ter quebrado o acordo de cavalheiros ou costume até então praticado pela organização, segundo o qual os primeiros cinco Estados com maior quota não se candidatavam para a presidência da organização, à semelhança do que acontece na ONU, em que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança não apresentam candidatos para secretário-geral da organização.
Até ao momento, os países favoritos pertencentes ao Top 5 eram a África do Sul, a Argélia, a Nigéria, o Egipto e a Líbia, mas com o conflito líbio e a consequente morte de Muammar Kadhafi, a Líbia deixou de conseguir honrar os seus compromissos.

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Depois de uma intensa campanha diplomática e algumas auscultações, o candidato do Chade foi o escolhido, Moussa Faki Mahamat, antigo primeiro-ministro e actual ministro das Relações Exteriores. O Chade tem estado envolvido em vários processos de resolução de conflitos no continente africano, sobretudo na luta contra o terrorismo.
O Chade enviou efectivos militares para a Líbia, o Sudão do Sul, a República Centro Africana, o Mali, a Nigéria e para a região do Sahel. Tanto os Estados Unidos da América como a França têm o Presidente Idriss Déby Itno como um parceiro estratégico em África. No caso concreto da França, este país possui uma base militar no território chadiano responsável por defender os interesses daquele país na região.
A África Central acaba assim de eleger um presidente para a Comissão da União Africana, mas também terá contado o fato de a ala francófona da organização ter agido em coordenação. É interessante o fenômeno da divisão linguística no continente africano. Habitualmente são identificados três grupos linguísticos: os francófonos, os anglófonos e os lusófonos. Até à data a disputa para ocupar os cargos mais importantes da organização tem sido feita entre os dois primeiros grupos.
O novo presidente da Comissão da União Africana, o chadiano Moussa Faki Mahamat, terá muitos desafios pela frente, entre os quais se destacam os conflitos pré e pós-eleitorais, a coordenação das Comunidades Económicas Regionais no sentido de se incrementar a cooperação intra-africana, a captação e mobilização de recursos para o funcionamento da organização e a capitalização dos quadros africanos para que possam sentir-se cada vez mais valorizados no continente e evitar a fuga de “cérebros”.
O Chade é um país com pouca expressão política no continente e na região, facto que poderá contribuir para uma maior abertura relativamente aos contributos dos parceiros africanos. Por outro lado, o engajamento das forças armadas chadianas em vários conflitos africanos e as parcerias bilaterais que tem com as potências ocidentais poderão contribuir para um trabalho eficiente e eficaz do novo presidente da União Africana.

http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/artigos/por_uma_uniao_africana_mais_eficaz

As incertezas sobre o futuro dos Acordos entre Brasil e Angola

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O embaixador de Angola no Brasil, Nelson Cosme, considera que a cooperação estratégica entre os dois países é modelo para África e que apesar dos tempos de dificuldades econômicas e financeiras as relações continuam excelentes e dinâmicas.

O que o embaixador não disse, foi que a mídia tem citado frequentemente os negócios da  Odebrecht em Angola, com a participação de Lula, como parte da denuncia de corrupção na operação Lava Jato. As operações na sua maioria receberam financiamento do BNDES e agora o novo governo brasileiro tem a missão de retomar ou paralisar.

 

O diplomata fez  afirmação na sexta-feira nas vésperas da 11ª Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da CPLP que decorreu, em Brasília e sublinhou que a cooperação entre os dois países, que completa 41 anos, estão fundadas nos laços históricos de amizade e parceria.
“Angola não tem muitas parcerias estratégicas. Esta relação com o Brasil é especial e sólida. Vamos comemorar o 41º aniversário da nossa Independência e o Brasil foi o primeiro país a reconhecê-la e hoje continua regular na manutenção desta relação”, considerou Nelson Cosme, que lembrou que as transações comerciais entre os dois países atingiram no ano passado cerca de dois mil milhões de dólares.
O diplomata falou do contexto difícil que as economias atravessam, no mundo em geral e o quanto estas situações reduzem as trocas comerciais e o investimento, tal como ocorre com o Brasil. “Mas é importante salientar que as bases continuam sólidas e que a nossa cooperação continua dinâmica nas várias vertentes”.

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Brasília – O ministro das Relações Exteriores, José Serra, recebe o ministro das Relações Exteriores de Angola, George Chikoty no Palácio do Itamaraty (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Ao referir-se ainda ao estado da cooperação, o embaixador disse não existirem intermitências nas relações bilaterais entre os dois países e lembrou que tem prevalecido até agora o escrupuloso respeito pelos instrumentos que a regulam, destacando o Acordo Geral de Cooperação Técnica e Científica, considerado o esteio de toda a relação de cooperação com o Brasil.  “A partir dele, radicam os Protocolos de Entendimento Bilaterais, que respondem aos objectivos e necessidades que Angola tem definidas, tal como o Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) e o Plano Nacional de Investimento (PNI) que têm sido desenvolvidos através de facilidades de financiamentos disponibilizados pelo Brasil”, disse.
Além disso, lembrou que o Brasil financia também os programas de exportação de bens, serviços e equipamentos, bem como as facilidades de financiamento à implantação de clusters prioritários: energia e águas, indústria agro-alimentar, transportes e logística, telecomunicações e tecnologias ide informação.
O embaixador entende que volvidos 41 anos, é necessário explorar e diversificar mais a cooperação, não só com o Brasil, mas também com países da América do Sul, como o Chile, Equador, Uruguai, Paraguai, Colômbia e Venezuela. Estes anos de cooperação resultam num balanço positivo. “Comemora-se o 41º aniversário num período de grandes desafios, mas é em períodos de dificuldades e desafios que se afirmam as grandes nações. E Angola é uma grande nação”, afirmou.

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Brasília – O ministro das Relações Exteriores, José Serra, recebe o ministro das Relações Exteriores de Angola, George Chikoty no Palácio do Itamaraty (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

Barragem de Laúca

O embaixador Nelson Cosme esclareceu que o financiamento dos projectos relacionados com a construção da Barragem de Laúca não sofreu quaisquer alterações, nem tão pouco foi suspenso pelas autoridades brasileiras como tem sido veiculado pela imprensa nos últimos meses.
O que aconteceu, esclareceu ainda, é que houve um atraso no desembolso que devia ter sido feito no decurso deste ano, sublinhando: “todos nós acompanhamos a situação que o Brasil tem vivido. Por isso, o diálogo entre a parte brasileira e angolana continua. O que posso garantir é que dentro da nossa cooperação bilateral esta questão tem sido matéria de discussão. Compreendemos que atrasos existam dentro da conjuntura actual”.
Em face disso, o embaixador sustentou que o fundamental é a existência e manutenção do princípio da continuidade do Estado. “Nada nos diz que houve pela parte brasileira, pelo menos não fomos notificados, uma suspensão dos acordos que os dois Estados soberanamente firmaram”, disse Nelson Cosme que assegurou não haver um virar de costas entre o Governo brasileiro e angolano, pois “as relações são regulares, sólidas, de amizade e assentes numa parceria estratégica. Não se vira as costas a um parceiro estratégico”.
No domínio da energia e água,  explicou, o financiamento é suportado pela sexta facilidade, a última aprovada em Dezembro de 2015 pelo Comité de Financiamento e Garantia das Exportações e ratificada pelo Conselho de Ministros, órgão que aprova projectos de financiamentos brasileiros, num processo realizado ao abrigo do Protocolo de Entendimento entre os dois Estados. “Esta sexta facilidade de financiamento foi inteiramente dirigida para a execução do projecto hidroeléctrico de Laúca que deve gerar dois mil megawatts em 2017. Este é um projecto estruturante e importante”, destacou, afirmando que os recursos são provenientes do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social do Brasil.
“É preciso ter em atenção que são fundos postos à disposição no quadro da garantia que Angola dá ao Brasil. Temos acordos que ao abrigo do Protocolo de Entendimento estão em vigor desde 1990 e que durante este tempo de funcionamento deste mecanismo nunca houve falta de pagamento, o que demonstra a solidez deste tipo de acordos”, disse.

Ao ler essas declarações do embaixador ficamos com aimpressão que está tudo dentro dos trilhos, depois das reuniões do Vice presidente de Angola com o Presidente do Brasil parece que foram desatados alguns nós. O Governo brasileiro está apoiando as renovações dos acordos que estavam tramitando no Camara dos Deputados

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/afastada_suspensao_do_credito_do_brasil