Zimbabwe proíbe pregação na TV que mostrava “prosperidade”, “profecias” e “exibição de milagres

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A rede pública Zimbabwe Broadcasting Corporation (ZBC), constituída de quatro estações de rádio e uma de televisão suspendeu toda programação que mostrava “prosperidade”, “profecias” e “exibição de milagres”.

A decisão foi uma resposta à indignação pública com as denúncias constantes de enriquecimento por parte de pastores que pedem dinheiro. O presidente da ZBC, Albert Chekayi, confirmou à emissora que está avaliando se os líderes religiosos não estavam “infringindo os direitos” do público.

“Esta decisão foi tomada por que somos responsáveis ​​perante a população. Lembre-se, uma    empresa de radiodifusão não pode visar apenas os lucros, mas levar em conta os interesses daqueles que pagam impostos.  O Zimbábue é um país que defende a liberdade de religião, mas é guiado pela Lei de Direitos e nossa Constituição. Precisamos garantir que nenhuma parte dos moradores do país sintam-se ofendidos pelo conteúdo que transmitimos”, acrescentou.

Em meio a um processo de reestruturação política, Philippe Van Damme, um representante da União Europeia, visitou o Zimbábue disse que ficou “surpreso” com a quantidade de profetas no país.

“Na tradição bíblica do Antigo Testamento você tem alguns profetas, mas nunca vi tantos usando esse título como neste país”, disse ele. “Observo esse fenômeno sociológico e concluo que, assim como temos notícias falsas, temos falsos profetas, impulsionados por interesses comerciais”. Com informações de BBC

https://noticias.gospelprime.com.br/zimbabue-proibe-pregacao-da-prosperidade-na-tv/

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15 coisas que pessoas de religiões de matriz afro gostariam de te dizer

“Não invadimos seu espaço, então não invada nosso terreiro”.

publicado 

A liberdade de expressão e de culto são asseguradas pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e pela Constituição Federal do Brasil.

Porém, o Brasil teve 697 denúncias de intolerância religiosa entre 2011 e 2015, sendo as religiões afro-brasileiras o maior alvo das queixas.

Este post foi feito com a ajuda dos seguintes praticantes de religiões de matriz afro: Júlia Pereira (redatora do blog Umbanda EAD), Juarez Xavier (pesquisador do tema e professor no Departamento de Comunicação Social da Unesp), Carolina Pinho (doutora em Educação pela Unicamp), Larissa Pelucio (professora de antropologia no Departamento de Ciências Humanas da Unesp), Roger Cipó (fotógrafo) e Guillermo Santos (videomaker do BuzzFeed Brasil).

1. Existem muitas religiões de matriz afro no Brasil além do candomblé e da umbanda.

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Em sua pesquisa de doutorado, o professor Juarez Xavier as dividiu em três categorias:

Afro-brasileiras, que são aquelas de matriz africana que passaram por algumas mudanças quando chegaram ao Brasil. Como exemplo temos o candomblé de caboclo, praticado no Recôncavo Baiano.

Brasileiras, que foram criadas no Brasil, mas que possuem influência afro. Entre elas está a umbanda, síntese de diversas matrizes (africana, indígena e kardecista).

Afrodescendentes, que reivindicam suas raízes afro, pois mantiveram os mesmos processos de organização das religiões da África. Podemos citar a tradição iorubá (ketu e nagô), tradição bantu (bate folha) e jejê (terreiro do Bogum).

Porém Xavier deixa claro que é difícil dizer exatamente quantas são. “Essa divisão é didática e reducionista, pois a diversidade é muito maior do que possa imaginar ‘minha pequena’ pesquisa”, explica.

2. Nem tudo é “macumba”.

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Macumba, diferentemente do que muitos acreditam, não é o mesmo que “magia negra”. Existem duas explicações para a origem da palavra. A mais conhecida e popular é de que se trata do nome dado a uma árvore da cultura banto aproveitada para a confecção de um instrumento utilizado nos rituais dessas religiões.

A outra explicação é dada por Pereira: “A origem do termo se dá no contexto religioso anterior à fundação da Umbanda e em paralelo ao seu primeiro período, quando as manifestações religiosas periféricas e de influência africana aconteciam nos chamados grandes terreiros de Macumba Carioca, no Rio de Janeiro.

Os rituais se aproximam da Umbanda pela maleabilidade litúrgica e pelo perfil inclusivo, somando novos valores de diferentes culturas num sincretismo “bricolado”. Com o tempo, as “Macumbas Cariocas”, ou simplesmente cultos afro-brasileiros cariocas, também passaram a aderir às práticas e ao modelo ritual-litúrgico umbandista. Outras vezes, assumiram apenas a denominação sem sentirem necessidade de alteração ritualística”.

3. E, geralmente, chamar de “macumbeiro” é uma ofensa.

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Pinho explica que há “um esforço em desqualificar as religiões de matriz africana e reduzi-las a algo depreciativo. Então, o termo tem sido utilizado genericamente para denominar essas religiões”. Para Xavier, “por ser genérica, ele reproduz uma visão negativa dessas tradições e, por essa razão, é ofensiva”.

Mas Pereira lembra que algumas pessoas utilizam o termo “macumba” ou “macumbeiro” para se nomearem numa forma de reafirmar as origens de sua religião e responderem a quem utiliza a expressão para ofender.

4. Oferenda é um gesto de gratidão aos deuses.

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Talvez você já tenha ouvido falar da oferenda por outros nomes como “macumba” e “trabalho”. Pelucio explica que as oferendas são trabalhos, “mas de transformação e mobilização de energias”.

As oferendas também podem ser consideradas como um gesto de gratidão e um presente aos orixás (deuses) e entidades espirituais. “Geralmente são feitas para consagrar desejos ou o atendimento deles, que podem ser relacionados a saúde ou relacionamentos, mas focados no amor e não no aprisionamento de outra pessoa”, esclarece.

5. Por isso, dizer “chuta que é macumba” é extremamente desrespeitoso.

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Oferenda é um símbolo muito importante para estas religiões, tal como a cruz é para o cristianismo. Pelucio lembra que da mesma forma que não se chuta a cruz por ser importante para inúmeras pessoas, não se deve fazer o mesmo com as oferendas, que são gestos de amor.

6. Orixá não é signo.

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Não há relação entre orixás (deuses das religiões de matriz afro) e os signos astrológicos, por mais que ambos trabalhem a partir dos arquétipos. Apesar das similaridades, religiões de matriz afro não são astrologia.

Pereira enfatiza que “revelar o seu orixá não é simples e que também é uma questão ancestral”. Por isso, de nada adianta pedir para qualquer pessoa que frequenta essas religiões dizer qual é o seu orixá.

Além disso, ela explica que descobrir qual orixá “rege sua cabeça” é uma questão de merecimento e a revelação disso é feita por pessoas escolhidas para tal nos rituais religiosos. Lembrando que a revelação do orixá tem uma necessidade de desenvolvimento do médium ou de quem busca a consulta. E isso se dá tanto pela busca da cura ou do encontro com a sua missão.

7. Exú não é demônio.

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Muitas pessoas relacionam Exú ao demônio de modo equivocado. Esse processo de degradação da imagem dele se deu por missionários cristãos quando chegaram à Nigéria, Togo e Daomé. Na visão de Xavier, essa foi uma estratégia de dominação. Ele explica por quê:

“Pelo fato de sua representação ser o falo (símbolo da fertilidade cósmica e da criação), ele foi identificado como o diabo, da tradição judaico/cristã/islâmica. Mas ele não tem nada que o identifique como o demônio das tradições ocidentais”.

8. Exú é, sim, uma figura de extrema importância na relação entre deuses e humanos.

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“No Candomblé Exú é Orixá, um Deus africano é responsável pela comunicação dos seres, entre outros atributos que vão se distribuir em suas qualidades. Já para a Umbanda, ele é um espírito humano à esquerda da religião que, mesmo estando nas ‘trevas’, trabalha em favor do bem”, esclarece Pereira.

Para Xavier, Exú não tem equivalência ao diabo cristão, pois é mais sofisticado, humanizado, sagrado e, acima de tudo, mais reverenciado. Santos explica que Exú é uma das figuras que mais se assemelham aos homens por estarem entre nós. “Daí vem o gosto dele por bebidas e piadas. Ele é mais humano, tem características positivas e negativas como todos nós”.

9. Não fazemos pacto com o demônio.

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“Até porque não acreditamos na existência dele, ou seja, é impossível fazer um pacto com o que não acreditamos”, revela Santos. É importante ressaltar que não há um correspondente ao diabo nas religiões de matriz afro, pois acredita-se que que cada pessoa é de uma vez só o bem e o mal.

10. Muitas destas religiões de matriz afro seguem os mesmos princípios de outras religiões, que todos conhecem.

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Candomblé e Umbanda são religiões monoteístas, mas há algumas diferenças.

“A Umbanda é monoteísta e acredita-se em um Deus, que pode ser chamado de diversos nomes. O mais comum é Olorum, Tupã, Zambi ou só Deus mesmo.

Na Umbanda também presta-se o culto aos Orixás, que de uma maneira muito simplificada são as qualidades de Deus individualizadas e manifestadas por meio dessas divindades”, explica Pereira.

“Já o Candomblé, eu diria que é uma religião que se organiza de forma diferente das demais religiões. Juarez tem uma definição muito boa para isso. Ele fala que o Candomblé está pra além do sentido de “religare”, pois, nunca existiu uma ruptura entre os povos africanos e suas divindades”, comenta Roger Cipó.

No Candomblé também há a figura do Olorun que quer dizer “Senhor do Céu”. E os Orixás são divindades ancestrais da natureza.

Nesta estrutura há uma semelhança com o catolicismo, que é monoteísta, porém cultua santos. Na Umbanda, Jesus também é cultuado e reverenciado. Para o Candomblé, ele é apenas uma figura histórica.

11. Não acreditamos na Bíblia.

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“A gente não acredita na Bíblia, pois nosso sagrado está na natureza, nossos ensinamentos estão no exercício da vida mediúnica saudável e no relacionamento com os orixás e guias”, revela Pereira.

12. Não ficamos possuídos em nossas cerimônias religiosas.

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“O ato de incorporar uma entidade consiste em fazer a conexão entre os chakras do médium e os do guia (espíritos humanos desencarnados). Desta forma, no momento da incorporação nosso espírito continua habitando o corpo físico sem que haja a necessidade de se ceder esse lugar para que entidade possa trabalhar (sem possessões). Você ainda estará ali. Consequentemente, sua consciência também. Quanto mais concentrado estiver, maior será o aproveitando dessa experiência.

Já no Candomblé (mais ortodoxo), espírito humano não pode se manifestar e a manifestação dos orixás acontece no Ori (cabeça da pessoa). O transe espiritual no Candomblé então se dá (com seu Orixá pessoal) de dentro para fora. Sendo assim, de uma maneira geral, os candomblecistas não praticam a incorporação, ou seja, a mediunidade não é um precedente. Entretanto, também não é uma possessão, é como se o Deus que mora em cada um viesse, por meio do transe, dançar com seus filhos”, esclarece Pereira.

13. Nem todos os terreiros são adeptos do sacrifício de animais.

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A Umbanda, de maneira geral, não tem como precedente o sacrifício de animais. Já para o candomblecista, o abate religioso é um rito próprio da religião e, como via de entendimento, se assemelha à santa ceia.

14. E quando são, os animais mortos são servidos para alimentação nas cerimônias.

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“Os animais são abatidos para consumo dos filhos de fé e demais frequentadores. Este é um momento especial, onde, segundo a crença, os orixás e humanos partilham da comida abençoada.

O sangue e as partes impróprias para consumo geralmente são utilizadas nos assentamentos (locais do terreiro onde ficam objetos e símbolos do orixá, mantendo a energia dele ali). Mas o abate religioso de animais é humanitário e não maltrata o animal.

O animal que servirá a ceia é tratado durante um longo período. Ele recebe banhos de ervas maceradas e são entoados cantos a ele.

Esse abate não é indiscriminado e ocorre em ocasiões especiais de festividades do terreiro. Qualquer outra coisa que podemos ver nas ruas, como oferendas, não fazem parte da ritualística do candomblé”, esclarece Pereira.

Veja também:

“Mocímboa” em Moçambique põe na agenda política a intolerância religiosa

“Precisamos de uma resposta enérgica ao caso Mocímboa”

Mocímboa da Praia. Há alguns meses, o nome de um dos municípios de Cabo Delgado até poderia passar despercebido aos leitores, sem despertar grande interesse. No entanto, depois dos ataques à mão armada que causaram uma preocupação generalizada, as coisas já não são mesmas.

Mocímboa tornou-se um distrito mais vasto e sonante do que algum dia foi. E o que lá aconteceu na primeira semana do mês, até hoje, retira o sossego a muitos, inclusive a Mia Couto, que trabalhou em Palma, distrito vizinho de Mocímboa da Praia.

Na percepção da maior referência literária viva do país, traduzida um pouco por todo o mundo, o fenómeno de Mocímboa da Praia deve ser estudado com muita seriedade, não pelo acto em si, mas porque não constitui um evento surpreendente para quem conhece o distrito. Longe disso. Mia considera que já era de esperar que um dia viessem ao de cima acções que demonstram a deformação do Islão naquele ponto do país.

“O que aconteceu em Mocímboa da Praia deve ser estudado com cuidado, porque não é uma coisa nova. Quando trabalhei em Palma, há algum tempo, fui vendo um certo radicalismo que se foi instalando, e penso que acordámos tarde nesse sentido, porque havia já sinais que demonstravam haver ali gente nova com uma atitude mais intolerante. Mais dias menos dias, aqueles ataques iriam acontecer”, afirmou o escritor, dois dias antes de lançar seu novo título “O bebedor de horizontes”.

Não obstante ter-se referido às suas percepções em relação à radicalização do Islão em Mocímboa da Praia, Mia Couto considerou, na tarde desta segunda-feira, em Maputo, que é preciso agir rápido, com uma resposta enérgica de quem não pode tolerar a intolerância dos radicais. Mas isso não é tudo. Mais do que resolver o problema, é necessário que se dê um outro passo igualmente importante: “Tentar compreender o que está por detrás dos ataques ocorridos naquele distrito. Não se deve apenas agir como se tudo se tratasse de uma resposta militar, é preciso também uma resposta que crie focos de entendimento e de diálogo, algo que isole o fenómeno”, o que deve acontecer agora, porque, caso contrário, entende o autor, pode se repetir em Moçambique o que está a acontecer noutros países africanos.

Os ataques armados em Mocímboa da Praia tiveram como alvo esquadras e postos da Polícia. Os confrontos estenderam-se por alguns dias e fizeram uma dezena de mortos, incluindo agentes da Polícia.

Numa outra perspectiva, deixando ainda a ficção em surdina por alguns instantes, olhando mais para a vida real do país, o escritor não deixou de se referir a um outro acontecimento: o “chupa sangue”. “Esse fenômeno lembra-me a minha infância. Eu sou da Beira e, de vez em quando, tínhamos esses surtos desse fantasma do ‘chupa sangue’. A dimensão que isso toma tem a ver com o facto de as pessoas não terem respostas para coisas muito concretas da sua vida”. Logo, de acordo com Mia, não é o assunto em si que deve preocupar os moçambicanos, mas as razões que fazem com que o evento ganhe a dimensão que tem, para que não se repita o que aconteceu no Malawi, onde, de repente, tomou conta de uma sociedade inteira. Em parte, é necessário que se conheça a estória do ‘chupa sangue’ e recuperar a memória que dá origem a esse ‘fantasma’, porque o assunto também é sensível para o escritor.

http://opais.sapo.mz/precisamos-de-uma-resposta-energica-ao-caso-mocimboa

Imãs da Guiné-Bissau alertam para radicalismo religioso no país

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O presidente da União Nacional dos Imãs da Guiné-Bissau, Bubacar Djaló, alertou hoje, em entrevista à agência Lusa, para a existência de radicalismo religioso no país trazido por estrangeiros.

“De facto há aqueles que vêm de fora e que estão a incutir o radicalismo na cabeça dos filhos da Guiné-Bissau, aproveitando-se da pobreza e da falta de formação”, disse Bubacar Djaló, quando questionado pela Lusa sobre a existência de radicalismo islâmico.

Segundo o imã, algumas daquelas pessoas “não sabem três palavas (do islão) mas já se assumem como conhecedores”.

“Nem sabem peneirar qual a visão de um lado e do outro, não sabem respeitar as opiniões dos outros, apenas admitem as suas próprias opiniões, aquilo que aprenderam, mas não é isso a visão do islão”, salientou.

Bubacar Djaló explicou que aqueles estrangeiros chegam ao país e como não conseguem apresentar-se publicamente à comunidade “usam os filhos da Guiné-Bissau, por serem pouco instruídos na religião, para os dividir”.

“Recorrem às pessoas agressivas nas comunidades, pessoas facilmente `aliciáveis`, usam-nas para os seus fins. Estamos a tentar estancar tudo isso para ver se vamos conseguir fazer reinar aquele espírito de patriotismo da nossa terra”, afirmou, salientando que, se existe islão moderado, não há motivo para haver um islão radical.

Bubacar Djaló sublinhou também que pretende que a Guiné-Bissau seja um interlocutor no mundo para mostrar que o islão no país é uma “coisa filtrada, não uma coisa suja que ninguém sabe a origem e a finalidade”.

Sobre informações que dão conta da entrada de salafistas (radicais islâmicos) do Mali, Guiné-Conacri e Mauritânia, o líder dos imames da Guiné-Bissau disse “não ter dúvidas sobre isso”.

“Apenas não têm campo de manobra para se mostrarem, mas uma coisa é certa: nunca uma sementeira é posta na terra, no solo, para dar resultado no mesmo dia”, alertou.

O imã disse que aquelas pessoas já se encontram na Guiné-Bissau e que estão a dar ensinamentos e que só não sabe “quando é que os ensinamentos vão dar resultados”.

“Não podemos acabar com isso, porque existe em toda parte do mundo, mas podemos fazer com que não tenha progresso na sociedade, tudo isso depende da colaboração entre o Estado e os religiosos”, salientou.

O líder dos imãs guineenses também disse estar preocupado com a proliferação de mesquitas no país.

“Hoje constatamos que há mesquitas a serem construídas em locais onde não há necessidade para tal. Há casos em que novas mesquitas são construídas ao lado das nossas velhas mesquitas, o que acaba por dividir a comunidade, com uns a irem à mesquita nova e outros à mesquita antiga”, disse.

Isso, segundo Bubacar Djaló, cria desobediência, porque uns dão ouvidos a um líder e outros dão ouvidos a um outro líder da mesma comunidade.

“Por exemplo quem obedecia a um imã passa a ser ele mesmo imã. Começa a dizer que tem a sua autonomia para decretar coisas. A pior situação que existe hoje em dia na nossa comunidade é a proliferação de mesquitas na Guiné-Bissau. É uma coisa que nos deixa chateados. Estamos a ver mesquitas por todo lado sem saber de onde vem o financiamento, quem é que é o autor desses financiamentos”, alertou.

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/uniao-nacional-dos-imas-da-guine-bissau-alerta-para-radicalismo-religioso-no-pais_n1035523

Santa Catarina no Brasil recebeu 50.000 imigrantes do Senegal e do Haiti

Apesar do preconceito, dificuldades de trabalho, eles dizem que aqui é melhor que em seus países.


Por RBS TV

Conheça os desafios e o dia a dia de imigrantes que vivem em Santa Catarina

Conheça os desafios e o dia a dia de imigrantes que vivem em Santa Catarina

Há dois anos, Santa Catarina recebeu 50 mil imigrantes do Haiti e do Senegal. No entanto, faltam políticas públicas para acolhê-los. Apesar do preconceito, das dificuldades de inserção no mercado de trabalho, viver no estado, é melhor do que em seus países, como mostrou o Jornal do Almoço.

“Eu mando dinheiro para eles [os familiares] todo mês”, contou a auxiliar de cozinha Sanon Willie, do Haiti.

“Eu encontrei um Brasil diferente do que imaginei, porque esperava encontrar uma resposta e nesse momento começava uma verdadeira crise”, disse Moussa Faye, do Senegal.

Willie trabalha como auxiliar de cozinha e ajuda a família no Haiti (Foto: Reprodução RBS TV)Willie trabalha como auxiliar de cozinha e ajuda a família no Haiti (Foto: Reprodução RBS TV)

Willie trabalha como auxiliar de cozinha e ajuda a família no Haiti (Foto: Reprodução RBS TV)

Sanon Willie demorou seis meses para encontrar trabalho, mas agora está satisfeita como funcionária de um restaurante. Para ela, o mais difícil é a saudade dos parentes.

“Eu estou feliz aqui e triste também porque tenho saudade da minha família”, afirmou.

Preconceito

Para Moussa, a dificuldad e é outra: “A gente encontra sempre preconceito, mas tem que saber lutar contra isso”, declarou emocionado. Ele é professor de idiomas, mas no Brasil trabalhou como servente de pedreiro e hoje está desempregado. Moussa recebe R$ 120 pelos dois dias por semana em que ajuda em uma associação cultural. O valor é quase insuficiente para pagar o aluguel de R$ 450.

Moussa era professor de idiomas no Senegal, no Brasil enfrenta preconceito e não consegue trabalho (Foto: Reprodução RBS TV)Moussa era professor de idiomas no Senegal, no Brasil enfrenta preconceito e não consegue trabalho (Foto: Reprodução RBS TV)

Moussa era professor de idiomas no Senegal, no Brasil enfrenta preconceito e não consegue trabalho (Foto: Reprodução RBS TV)

“Eles se deparam com o preconceito porque são pobres, são negros, são discriminados no atendimento em postos de saúde, são discriminados no ônibus. Eles descobrem que o Brasil, que internacionalmente até 2015 vivia uma imagem muito positiva no exterior de país acolhedor, era acolhedor com alguns tipos de migrantes, com esses não”, afirmou Gláucia Assis, coordenadora do Observatório de Migrações da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).

Estado construído por migrantes

Santa Catarina é um estado que se desenvolveu pela mão de obra de migrantes. Para a pesquisadora, isso aconteceu porque a chegada de alemãs, italianos, portugueses e franceses no século XIX foi amparada por políticas públicas.

Pesquisadora diz que SC precisa de imigrantes para crescer (Foto: Reprodução RBS TV)Pesquisadora diz que SC precisa de imigrantes para crescer (Foto: Reprodução RBS TV)

Pesquisadora diz que SC precisa de imigrantes para crescer (Foto: Reprodução RBS TV)

“Foi difícil, as pessoas trabalharam muito, mas elas tiveram acesso à terra, tiveram políticas migratórias que de alguma forma os acolheram. O que acontece com os migrantes que chegam agora, os haitianos, senegaleses, ganeses, é que eles se deparam com uma lei migratória muito antiga e a sociedade civil, que com algum apoio de prefeituras e do estado, foi fazendo o acolhimento dessas pessoas”, explicou Gláucia Assis.

Moussa recebe R$ 120 por dois dias de trabalho em projeto (Foto: Reprodução RBS TV)Moussa recebe R$ 120 por dois dias de trabalho em projeto (Foto: Reprodução RBS TV)

Moussa recebe R$ 120 por dois dias de trabalho em projeto (Foto: Reprodução RBS TV)

Um exemplo dessa falta de políticas públicas é o Centro de Referência de Atendimento ao Migrante. Apesar de licitação ter sido feita há um ano, os recursos estarem garantidos ainda não começou a funcionar. No local, deve ser oferecido atendimento psicológico, apoio para fazer documentos, entre outros serviços.

A reportagem da RBS TV procurou a secretaria de estado de Assistência Social, mas até a publicação desta notícia não recebeu os dados. O órgão também não soube informar o prazo para a entrega do Centro de Referência. Enquanto isso, os estrangeiros continuam chegando, agora também os refugiados.

Gerson veio da Venezuela com a mulher e o filho (Foto: Reprodução RBS TV)Gerson veio da Venezuela com a mulher e o filho (Foto: Reprodução RBS TV)

Gerson veio da Venezuela com a mulher e o filho (Foto: Reprodução RBS TV)

Refugiados

“Meu nome é Gerson Joel Zambrano Lingstuyl. Eu sou venezuelano e com a crise da Venezuela está acontecendo uma coisa muito ruim lá, não tem comida, remédio, medicina”, declarou o jovem que trabalha como caixa de um supermercado.

Na Venezuela, ele era funcionário de um banco, mas não conseguia comprar alimentos suficientes para passar o mês. No Brasil, ganha dois salários mínimos mensais e com esse valor pode alimentar a família.

O filho Jeremias, de 15 dias, deu coragem a Gerson para buscar junto com a mulher uma vida melhor no Brasil. “Eu saí por ele, eu sonho para ele tudo, eu quero dar a melhor escola, a melhor educação. Eu quero dar para ele o que eu não tinha quando era um menino”, disse o rapaz.

Hisham (à direita) veio da Síria com toda família (Foto: Reprodução RBS TV)Hisham (à direita) veio da Síria com toda família (Foto: Reprodução RBS TV)

Hisham (à direita) veio da Síria com toda família (Foto: Reprodução RBS TV)

Há dois anos, o comerciante Hisham Yasin deixou a Síria com a família para fugir da guerra. “Porque lá a vida era difícil, há sete anos estão em guerra, mais de 7 milhões de pessoas morreram, outros 7 milhões estão refugiados”, com Hisham.

Apesar das dificuldades, as pessoas ouvidas pela RBS TV, encontraram no Brasil, uma situação melhor do que em seus países.

“Aqui é fácil, tem saúde, chego ao hospital e sou atendida. Lá no Haiti é muito difícil, o hospital público é difícil e o particular é muito caro. Aqui, minha vida é melhor ”, relatou Willin Sanon.

“Meus irmãos e irmãs pequenos estão na escola, de graça, é muito bom. O Brasil aqui é bom mesmo”, contou Hisham.

Hisham quer vender doces e salgados árabes para todo estado (Foto: Reprodução RBS TV)Hisham quer vender doces e salgados árabes para todo estado (Foto: Reprodução RBS TV)

Hisham quer vender doces e salgados árabes para todo estado (Foto: Reprodução RBS TV)

Aqui é melhor

Enquanto os irmãos estudam, ele produz doces e salgados árabes. “Quero levar meus doces para todo estado, são uma delícia”, disse.

“Nessa abertura para o outro, a gente aprende que a cor da pele não torna as pessoas nem inferiores nem piores. Eu acho que a gente aprende a lidar com o preconceito e a gente descobre que este estado que construiu o seu discurso em cima da migração, pra que ele continue crescendo, ele precisa dos imigrantes que chegaram agora”, afirmou a pesquisadora Gláucia Assis.

http://g1.globo.com/sc/santa-catarina/noticia/sc-tem-50-mil-imigrantes-faltam-politicas-publicas-de-acolhimento-diz-pesquisadora-da-udesc.ghtml

Ministra da Cultura de Angola cobra responsabilidades dos líderes religiosos

Hard_Carolina-Cerqueira-_ampe-rogerio_RA-620x412.jpgA ministra de Cultura de Angola,Carolina Cerqueira quando falava no Museu Nacional de História Natural, disse que as autoridades não estão indiferentes aos fenômenos praticados pelas igrejas e seitas que atentam contra o bem comum, pelo que os que assim procedem vão ser punidos à luz do que está plasmado na Constituição angolana.
As ações de falsos profetas de igrejas e seitas que usam o bom nome de Jesus Cristo para professar falsas ideologias, nos seus cultos, têm os seus dias contados, pois, realçou a governante,  em nada contribuem para a coesão social.

A ministra da Cultura pediu maior responsabilidade aos líderes religiosos na realização das suas acções em 2017, pois representa mais uma etapa na história moderna de Angola.
A igrejas, disse, devem continuar a realizar as suas ações e o Executivo não fica indiferente por constituírem parceiros essenciais e indispensáveis para o desenvolvimento da nação angolana.
O sociólogo Paulo de Carvalho defendeu que as igrejas devem contribuir para combater a má administração pública e atender questões sociais da população em geral.

Primeira romancista de Moçambique diz não ter liberdade para escrever como um homem: ‘Somos prisioneiras’

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Nos olhos azuis de Paulina Chiziane, é difícil enxergar às vezes a linha que separa a pupila e a íris. A falta de divisas se estende à forma como Paulina vê o mundo.
 
 
Primeira mulher de Moçambique a publicar um romance e uma das mais importantes escritoras africanas, ela nega ser romancista, feminista ou religiosa.
 
 
Foge das definições, em busca do que chama de liberdade absoluta, aquela que relata nas pequenas comunidades africanas onde não há estradas nem vigias, aquela que diz ser desconhecida de todas as mulheres. De suas personagens, majoritariamente femininas, e dela própria, que diz censurar seus escritos.
 
Se Vinicius de Moraes (1913-1980), um de seus poetas preferidos, pôde descrever o corpo nu de uma jovem, ela encontra dificuldades de fazer o mesmo com um homem.
 
“Temos o nosso poeta, que já morreu, Eduardo White (1963-2014). Ele tem um volume só sobre sexo. Jesus! Certa vez, eu disse ‘Eduardo, qualquer dia vou escrever o mesmo que tu escreves, vou inverter’. Ele respondeu ‘Olha, as mulheres jamais irão escrever. Vocês são prisioneiras’. Ele tem razão. Ele é um homem livre, mas nós somos prisioneiras.”
 
Apesar da constatação, a escritora diz que jamais deixará de trabalhar pelos direitos das mulheres, bandeira que abraçou depois de deixar a luta política na Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique). Elas são o tema central da maioria dos seus livros, nos quais fala das vivências tradicionais do seu povo e usa palavras em chope, a língua local.
 
 
Com um deles, Niketche , que conta a história de uma moçambicana que conhece as amantes do marido e decide pela relação poligâmica, venceu o prêmio José Craveirinha, ao lado de Mia Couto.
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Paulina, que também foi candidata ao Nobel da Paz por sua literatura militante, esteve no país para um evento do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais e falou com a BBC Brasil.
 
BBC Brasil – Você sempre fala da literatura como instrumento para transformação da realidade. Como ela se difere de um partido político ou de um grupo como o Frelimo?
 
Paulina Chiziane – Falo da experiência de Moçambique. A consciência da opressão e da necessidade de luta foi feita através da poesia. José Craveirinha (considerado o maior poeta do país) foi um mestre. Pequenas linhas, declamações, e aquilo passava de boca em boca, então, todo mundo acordava.
 
O despertar para a consciência nacional e para a luta pela libertação nacional foi feito pela poesia. Mesmo a luta das mulheres. Há poemas que foram feitos para despertar a mulher para a luta. Esse é um tipo de literatura.
 
Mas existe a outra literatura, que oprime a mulher, começando pelos textos chamados sagrados, nos quais a mulher tem de ir para o inferno e o homem, para o céu. Neste momento, gosto mais da literatura com causa.
 
BBC Brasil – Se pudesse resumir as lutas perpetradas por sua literatura, o que diria?
 
Chiziane – Basicamente, pelos direitos humanos. Especificamente, pelos direitos da mulher.
 
BBC Brasil – Hoje o debate sobre os direitos das mulheres está muito atrelado ao feminismo, e você não se define como feminista. Por quê?
 
Chiziane – É uma questão de denominação. Por que tem de ser chamado de romancista, depois de feminista, depois de…? É muita coisa para uma cabeça. Deixem-me fazer minhas lutas. Agora, ponham os nomes que quiserem, mas não quero me assumir assim.
 
Da mesma forma como não me prendo a uma religião. Não gosto de ficar presa a um grupo. Porque, se sou membro do grupo, não terei a liberdade para fazer a devida crítica. Hoje, falo da religião porque não faço parte dela.
 
BBC Brasil – Você é tida como a primeira mulher a escrever um romance em Moçambique e lançou seu livro de estreia, “Balada de Amor ao Vento”, em 1990. Por que tão poucas africanas escrevem?
 
Chiziane – São várias questões. A primeira delas é o acesso à educação, que é menor para as mulheres. O segundo é a sobrecarga na mulher, porque ela tem de trabalhar, cuidar da família, e ainda mais escrever. É muita coisa.
 
A tarefa da escrita é muito absorvente e nem sempre a mulher pode estar presente, não é fácil. Cada vez mais, há mulheres que estão escrevendo e publicando, mas ainda é uma aventura muito grande.
 
Mas estão aparecendo grandes mulheres na literatura. Na África, de maneira geral, e em Moçambique, há uma nova geração se afirmando.
 
BBC Brasil – Você costuma mencionar, além das dificuldades práticas, a falta de liberdade mental das mulheres. Pode explicar isso?
 
Chiziane – No nível de tradições e religiões, já existe um menu daquilo que a mulher deve pensar. Pensar em cozinhar, em se pentear bem, mas ter liberdade para pensar outra coisa fora da casa e das obrigações familiares não é muito comum. Muitas sociedades não permitem, e as mulheres acabam ficando confinadas nesse mundo pequeno.
 
BBC Brasil – Na África, essa é a realidade da maioria das mulheres?
 
Chiziane – Infelizmente. É a grande realidade da maior parte das mulheres. E em qualquer religião, em qualquer tradição. Quando se diz respeito à repressão da mulher, acho que todas as instituições são iguais, sejam europeias ou africanas. As religiões são iguais, sejam árabes, cristãs ou chinesas.
 
Quando se trata de reprimir a mulher, todos são unânimes e irmãos. Às vezes, no mundo considerado primitivo, a mulher tinha mais liberdades que hoje.
 
Em Moçambique, em determinadas regiões, a mulher tem direito ao sexo. Ela diz ‘não gosto deste homem, quero dormir com aquele’, e é permitido. Quer dizer, essa tradição existia, mas foi sendo cortada. Chegou o cristianismo e piorou. A mulher tem hoje que dizer ‘sim’, mesmo que não goste. Aliás, nem pode dizer ‘sim’, tem de se submeter, é a realidade.
 
Portanto, em termos de tradição, essas mulheres têm o direito ao sexo, mas, em termos de religião e de instituição, não têm. As religiões modernas são piores que as tradicionais. Às vezes, visito uma dessas aldeias no interior do país. As mulheres perguntam ‘mas vocês, nas cidades, são felizes? Toda a vida com o mesmo marido!’. Dizem que ‘aqui não é assim. Quando me zango com meu marido, tiro umas férias, vou para casa dos meus pais e arranjo outro.’ Há sociedades ditas menos evoluídas onde mulheres têm mais expressão. É questão de estudar, conhecer melhor.
 
BBC Brasil – Em outras entrevistas, você disse que é necessária uma autocensura para publicar livros em Moçambique. O que você não pode dizer?
 
Chiziane – Em Moçambique, ainda não temos muitos problemas. Do período da independência até agora, tem-se publicado um pouco de tudo. Ainda não se sente muito a chamada censura. Mas a autocensura existe.
 
 
(Na palestra dada no Brasil), usei aquele exemplo lindo do Vinicius de Moraes (poemas sobre o corpo feminino nu). Gosto dele. Um homem pode escrever aquilo, mas, como mulher, não me vejo escrevendo, me censuro. Porque é imoral, porque depois não fica bem, porque as pessoas vão pensar, os filhos irão se zangar. Sinto mais essa autocensura no feminino. Os homens publicam qualquer coisa.
 
BBC Brasil – Então não seria uma questão política, mas interior, das próprias mulheres?
 
Chiziane – É interior. O que os homens escrevem, eu não posso escrever. Se descrever o sexo de um homem, o mundo todo vai atirar pedras em mim, vai me chamar de nomes. Mesmo que tenha vontade, não é fácil.
 
O poema do Vinicius é lindo. Mas ele escreveu assim porque é permitido. Uma mulher não pode escrever aquilo.
 
Temos o nosso poeta, que já morreu, Eduardo White. Ele tem um volume só sobre sexo…Jesus! Eu disse ‘Eduardo, qualquer dia vou escrever o mesmo que tu escreves, vou inverter. Ele respondeu ‘olha, as mulheres jamais irão escrever. Vocês são prisioneiras’. Ele tem razão. Ele é um homem livre, mas nós somos prisioneiras.
 
BBC Brasil – Você diz que não é romancista, mas contadora de histórias, e que seu pai e seu avô tiveram muita influência no seu ofício. Por que nega a definição?
 
Chiziane – Para contar uma história, a pessoa precisa ter liberdade, contar como quer, no momento que quer. Agora, para ser romancista, existem regras, e, às vezes, há coisas que não se pode dizer, porque o romance, em termos acadêmicos, é feito de uma ou de outra forma. Então, não cabe para aquilo que eu quero. De vez em quando, faço uma narrativa e paro para meter uma canção, por exemplo, o que não é comum no romance. Paro no meio, meto uma cantiga.
 
Tive uma grande influência do vilarejo onde eu vivia. Era um lugar bom, de muita liberdade. Na zona rural, o conceito de liberdade é muito grande. Na cidade, sempre é preciso tomar cuidado. No campo, não. Não há carro, não há perigo. Não há a preocupação de proibir toda hora. Todos os gestos de passear e sonhar são permitidos.
 
BBC Brasil – Em sua palestra, você mencionou como as novas religiões estariam criando uma “inquisição” do século 21 na África. Como isso acontece?
 
Chiziane – Não só. Os americanos descobriram Deus não sei onde. Os chineses estão descobrindo Deus, os árabes estão descobrindo Deus. E todos acham que a África não conhece Deus. Precisam levar sua compreensão a cada um.
 
Então, o que é da Europa vem com esses resíduos da inquisição. As igrejas evangélicas estão exatamente com a mesma filosofia da inquisição: não pode haver mais nada, só aquilo que eles pensam.
 
É só ver no que a inquisição acreditava: na força do diabo. Que pena, porque deveria ser na força de Deus. As igrejas evangélicas também acreditam muito na força do diabo, e acreditam que esse diabo vem da África.
 
Portanto, é uma religião mais voltada ao culto ao diabo e à demonização africana. Matam tudo em nome de alguma coisa sobre a qual nem têm certeza
 
Aside

Oba do Benin “reuniu-se” com os seus antepassados

Oba-Of-Benin

Por Alemma-Ozioruva Aliu

Após vários meses de especulações sobre seu paradeiro desde que ele desapareceu de funções públicas, o Palácio do Oba de Benin insistiu que o Oba estava indisposto e tinha ido a Savannah.

Mas ontem, o Iyase (primeiro-ministro) do Benin , Chefe Sam IBGE, anunciou a passagem do monarca , Omo N’Oba N’Edo Uku Akpolokpolo, Oba Erediauwa, dizendo que ele tinha ido para a “reunir-se com o seu antepassados “.

Um dia antes, uma reunião de todos os Enigie no reino, chefes do palácio, Odionweres, os líderes da ala, as mulheres do mercado e um grupo de pessoas foi chamado para observar a tradição do Benin de mais de 400 anos.

IBGE, que foi acompanhado pelo Esogban do reino, chefe David Edebiri, deu a notícia ao herdeiro e parentes, Edaiken N’Uselu,
Sua Alteza Real, Eheneden Erediauwa, filhos e outros membros da família real, assim como a Enigies e a multidão de simpatizantes, que enchiam o palácio, naquele momento em fase de renovação e de reconstrução.

Há rituais tradicionais que anunciam o momento solene do anúncio, incluindo quebra de giz branco na entrada do local onde o Oba senta-se no tribuna fora das câmaras internas e depois no portão de entrada para o palácio.

Os chefes, em procissão semelhante, acompanhado por um homem carregando o tradicional Akpoki (uma caixa redonda com coisas sagradas e com tampas em nas extremidades e disse estar contendo alguns itens tradicionais de altos poderes espirituais), marcharam para o centro do principal portão de entrada.

Lá, o Iyase do Benin fez alguns encantamentos tradicionais e quebrou um grande giz branco e anunciou a audiência de tudo o que o monarca tinha reunido com seus antepassados.

Uma declaração oficial pelo IBGE foi disponibilizada aos jornalistas, afirmou que Oba Erediauwa juntou-se aos seus antepassados.

Ele descreveu o Oba como o “Príncipe da Paz” e orou a Deus que conceda a sua alma a paz eterna.

De acordo com a declaração: “Como foi anunciado pela Iyase do Benin, Osorhue Bunrun, Oba Erediauwa do Benin Unido, o Príncipe da Paz, Ebo, Ayenmwirhe, se reuniu com seus pais.”

“Ele pode encontrar a paz perfeita com Deus, Amém.”

Os chefes principais da câmara interna do palácio tinham, antes do anúncio público da morte do Oba, horas de reunião a portas fechadas com o príncipe herdeiro, o Enigie e outros anciãos da família real antes que saiu para quebrar o notícia.

O falecido Oba era um ex-Secretário Permanente Federal antes que ele subiu ao trono em 1979.

De acordo com os Bini rituais de luto tradicionais para um monarca traduzido, todo o homem no reino é esperado para raspar a cabeça durante todo o período de luto, que pode durar até três meses, enquanto todos os mercados no reino devem ficar fechadas por cerca de sete dias.

Explicando o anúncio da transição do Oba e o tradicional aspecto do luto, o Obadolagbonyi do Benin , Chief Omon-Osagie Utetenegiabi, disse:
“Sim, é tradicional. É habitual que quando um Oba parte torna-se um antepassado, que se traduz em um maior glória. ”

“O Oba de Benin não morre, porque ele é uma instituição; ele traduz, principalmente, à alta glória como um antepassado.

“A notícia é primeiro apresentado para seu filho mais velho e a família imediata, o que foi feito mais cedo hoje (ontem). E o Iyase do Benin, como o chefe de mais alta patente, depois quebra a notícia para o povo do Reino e do mundo. ”

“O Iyase é o tradicional primeiro-ministro e a ponte entre as pessoas e a realeza e é isso que ele fez hoje.

“A partir de hoje até o término do Emwinekhua, todos os chefes Benin, todos os chefes que foram habilitados pelo Oba de usar o talão rodada do pescoço, que é dois, agora um desgaste.”

“É costume, porque quando você vê um chefe vestindo uma pérola, isso mostra que estamos em um estado de luto.”

“Depois de hoje (ontem), estamos aguardando mais instruções sobre o que fazer.”

Em sua reação, o governador Adams Oshiomhole descreveu a monarca como um líder e um pai, que apoiou a administração de seu governo e desenvolvimento do estado.

Uma declaração emitida pelo governador :
“Nossos corações estão pesados, carregados de dor e sofrimento, com o anúncio da passagem para a glória de Omo N’Oba N’Edo Uku Akpolokpolo, Oba Erediauwa do Benin, o nosso muito venerado Oba, um distinto uno Edo numero, um nigeriano realizado, um burocrata experiente, unificador por excelência, personagem único e exemplar Omo N’Oba, cujo reinado trouxe distinção, imensa classe, requinte e integridade para as instituições tradicionais no Estado de Edo e do país em geral.

“Sua carruagem vem com um élan que foi peculiar com a reverência da realeza.”

“Sua coragem incomum foi o símbolo do espírito pode-fazer da mente Edo.

“Sua unidade de propósito não estava em dúvida, assim como ele usou sua posição reverenciada para promover o engajamento construtivo entre todos os matizes de opinião e da cultura no Estado de Edo.

“Como um burocrata puro-sangue, subindo para o auge de sua carreira como secretário permanente federal, ele entendeu a dinâmica e os meandros da governação.”

Ele acrescentou: “Ele era a voz alternativa para os muitos que não têm voz na nossa sociedade, chamando a atenção do governo para as questões do desenvolvimento e governação transparente, sem se importar cuja boi é ferido.”

“Ele foi corajoso, sem medo, forte e experiente em suas mensagens verbais e escritas.

“Para nós, no Governo do Estado de Edo, ele era o nosso torcedor mais forte, tanto em sua fé incomum em nossa capacidade e sua disposição para oferecer conselhos incomum para afinar o discurso público no nosso compromisso comum para transformar o estado.

“Ele alegra o nosso coração, por isso, que o nosso Oba reverenciado estava vivo para testemunhar a transformação positiva do estado sob seu reinado, e para estar com a gente através grossa e fina no curso de tornar a economia Edo um tesouro para ser visto.

“Ser parte dessa história eloquente de transformação antes de seu reencontro com seus antepassados nos dá novas garantias de que ele vai ocupar um especial orgulho do lugar no futuro.

“Estamos envolvidos com um profundo sentimento de nostalgia que o nosso grande Oba, um bisavô, avô, pai, tio e pai real iconoclasta de postura exemplar e conduta, que sofreu a dignidade da mente média Edo, juntou-se a seus antepassados. ”

“Estamos, no entanto, encorajados pelo fato de que outra grande filho da Grande Benin Unido, HRH Edaiken N’Uselu, o príncipe Eheneden Erediauwa, que já está mostrando atributos por excelência manifestos de seu grande pai, vai entrar em grandes sapatos de seu pai . ”

De acordo com o governador: “Edo pessoas vão perder o nosso real pai iconoclasta do grande Benin Unido.

“Os nigerianos e Nigéria vai perder este grande exemplo de um pai real, a Oba de distinção e integridade. Adieu até nos encontrarmos a parte não mais. ”

Expectedly, havia uma ansiedade nos mercados e centros de negócios em Benin City ontem sobre o anúncio da morte do monarca.

Após o anúncio no palácio, representantes do lugar visitado mercados tradicionais chave em toda a cidade numeração cerca de 15 e eles são esperados para ser fechado ao público durante os próximos sete dias.

No entanto, houve tensão dentro do Benin Metropolis e cidades adjacentes após o anúncio pelos chefes do palácio.

Muitos moradores, incluindo os comerciantes, mulheres do mercado, estranhos e não-tradicionalistas foram envolvidos pelo medo pois de repente tiveram que fechar suas lojas sobre o medo dos rituais tradicionais que algum medo possa custar cabeças humanas.

http://guardian.ng/…/benin-monarch-re-unites-with-ancestors/

Aside

Pesquisa mostra muçulmanos profundamente divididos sobre adoção de lei islâmica

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Iranianas recitam versos do Alcorão no templo de Mohammad Helal Ibn Ali, em Aran
Foto: Vahid Salemi / AP

 

Pesquisa mostra muçulmanos profundamente divididos sobre adoção de lei islâmica
Proporção dos que defendem adoção estrita do Alcorão na legislação nacional vai de 9% a 78% dependendo do país

 

RIO – Embora com uma religião em comum, nações de maioria muçulmana se dividem profundamente sobre o quanto os ensinamentos do Islã devem influenciar suas leis internas. Uma pesquisa com habitantes de dez países conduzida pelo instituto americano de pesquisas Pew e divulgada nesta quarta-feira mostra que a ideia de que o Alcorão deva ser estritamente seguido como base para as leis vai de apenas 9% até 78%, dependendo do país onde foi feita a consulta. Esta percepção mostra como se torna difícil para determinadas nações adotarem leis mais laicas.

 
A pesquisa foi conduzida com dez mil habitantes espalhados em países de África, Oriente Médio e Sudeste Asiático. Nela, cada um — seja muçulmano sunita ou xiita, ou ainda cristão — teve de responder a uma pergunta: “O quanto as leis em nosso país devem ser influenciadas pelos ensinamentos do Alcorão? Devem segui-los estritamente, seguir valores e princípios ou não serem influenciadas?”

Os que mais demonstram apoio à adoção estrita das leis islâmicas em sua legislação são o Paquistão (78%) e os territórios palestinos (65%). Os dois países têm população islâmica em sua quase totalidade: 97% e 100% se declararam muçulmanos, respectivamente. Além destes dois, foram pesquisados Jordânia, Malásia, Senegal, Nigéria, Indonésia, Líbano, Turquia e Burkina Faso.
A adoção da sharia, que impõe uma série de condutas legais e conservadoras em política, economia, negócios, família, sexualidade, questões sociais e apostasia, já é aplicada com diferente profundidade em dezenas de países — alguns mais brandos, permitindo a adoção pessoal, e outros muito mais estritos, como a Arábia Saudita. Outros dois países mostraram ter maioria que defende a adoção estrita dela: a Jordânia (54%) e a Malásia (52%).

Enquanto mais de 50% nesses quatro países defendem a adoção de leis que incluem a punição a crimes como adultério, consumo de álcool e homossexualidade, os demais mostram um ponto de vista mais secular, com a maioria defendendo a laicidade do Estado — são eles Senegal, Nigéria, Indonésia, Líbano e Burkina Faso. Enquanto os dois primeiros ainda apresentam um número expressivo de entrevistados que declaram apoio à lei islâmica estrita, os demais têm a maioria contra a sharia ou que não quer impor sua religião sobre a legislação nacional.

PAÍSES COM MAIOR CONVIVÊNCIA SÃO MAIS TOLERANTES

No Líbano e em Burkina Faso, países onde cristãos e muçulmanos de diferentes orientações convivem em boa proporção — apesar de recorrentes confrontos sectários —, a maioria dos entrevistados defendem que não haja qualquer papel do Alcorão nas leis. Na Turquia, que tem maioria muçulmana, mas desde o início do século XX tentou se estabelecer como um Estado secular, a divisão é proporcional: somados, 74% dos consultados não querem a adoção da sharia.

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Imigrante rohingya lê uma cópia do Alcorão em um centro de acolhimento em Aceh, na Indonésia – SUTANTA ADITYA / AFP
Mas na Nigéria, onde tensões provocadas por confrontos civis e grupos radicais como o Boko Haram têm convulsionado a nação, a divisão de metade de muçulmanos e metade de cristãos cria uma polarização: 42% são totalmente contra a sharia, e 27%, totalmente a favor. Apenas 17% se declaram muçulmanos sem qualquer desejo de implantar as leis religiosas no país. Os terroristas têm tratado de inflamar as tensões — com uma cruzada que traz no próprio nome do Boko Haram a mensagem “A educação ocidental é pecaminosa”, o grupo queima escolas e sequestra meninas para torná-las submissas ao islamismo sunita de corrente mais radical, no Nordeste do país.

JOVENS EM DEFESA DA LAICIDADE

Se o combate à educação laica é tão importante para o Boko Haram, isto se torna claro em outra estatística: enquanto 29% dos nigerianos que não concluíram o ensino médio defendem um país laico, 48% dos que o fizeram disseram ser contra a adoção de leis pautadas pelo Islã. Processos semelhantes acontecem em Turquia e Burkina Faso, onde a diferença percentual dos que apoiam o Estado laico salta cerca de 20 pontos a partir do momento em que eles completam o ensino médio.

No geral, um padrão que se repete é o da tolerância da juventude: seja na Jordânia, na Turquia ou em Burkina Faso, os índices mostram uma proporção maior de defesa à laicidade por parte daqueles que têm entre 18 e 29 anos.

http://oglobo.globo.com/mundo/pesquisa-mostra-muculmanos-profundamente-divididos-sobre-adocao-de-lei-islamica-19171878

Igrejas promovem jejum nacional face à febre-amarela e crise econômica em Angola

CIRA promove

Luanda – Para interceder a favor do povo angolano, face à febre-amarela e crise econômica e financeira que afeta o país, o Conselho das Igrejas de Reavivamento de Angola (CIRA) promove no dia 16 deste mês, um jejum nacional em todas as suas igrejas, disse hoje, sábado, em Luanda, o presidente da plataforma ecumênica, reverendo Nzuzi António.

NZUZI ANTÓNIO- PRESIDENTE DO CIRA

FOTO: JOAQUINA BENTO

Em declarações à Angop, a propósito do acto, o Reverendo Nzuzi António adiantou que os pastores apóstolos, evangelistas, bispos, profetas e servos vão estar reunidos para preparar os cultos que têm o objectivo de oração e jejum a nível nacional com fim de ajudar os esforços em torno do combate da febre-amarela, que já provocou muitas vítimas mortais.

No mesmo diapasão, a CIRA, apontou, decidiu igualmente mobilizar os seus membros para procederem à doação de sangue nos diferentes hospitais e centros de saúde do país, na segunda quinzena deste mês.

A  plataforma ecuménica CIRA orientou ainda as suas igrejas em todo o país a participar, cada uma na sua zona, nas campanhas de limpeza que estão a ser realizadas sob coordenação dos governos provinciais e administrações municipais, de modo a banir ou a reduzir substancialmente os focos de lixo e águas paradas.

De acordo com o presidente do CIRA, a decisão responde ao apelo feito pelo Governo e pelas autoridades sanitárias para a participação das igrejas nas campanhas de limpeza, a fim de eliminar os vectores das doenças que assolam o país, em particular Luanda.

Reverendo Nzuzi António informou ainda que o CIRA vai realizar no final deste mês, uma campanha nacional de recolha de bens, junto dos seus membros, para serem doados a instituições hospitalares e de assistência aos necessitados.

Questionado sobre os 14 anos de paz, o líder religioso frisou que Governo angolano, nos últimos 14 anos, tem desenvolvido esforços no sentido de colocar o país no contexto das nações, com a construção de infra-estruturas que estão a marcar a diferença e enchem de orgulho todos os cidadãos.

http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/sociedade/2016/3/14/CIRA-promove-jejum-nacional-face-febre-amarela,bc31e062-29c9-421a-872f-57b7a5929906.html