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A despedida do líder da Resistência Nacional Moçambicana

As bandeiras a meia haste nas duas sedes da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) na cidade da Beira, em Moçambique, são o único sinal visível da morte do líder do partido no quotidiano da capital provincial.
Óbito/Dhlakama: Adeus ao líder da Renamo prepara-se na cidade da Beira

À porta, alguns militantes juntam-se para aguardar pelo final da reunião da comissão política do partido, na sede provincial, que deverá decidir como será feito o adeus a Afonso Dhlakama.

“Só saímos daqui quando soubermos quando é o funeral”, refere, Cândido Vaja, militante integrado num grupo que não passa de 50 pessoas, sentados em cadeiras e bancos dispostos no recinto da sede distrital, noutra ponta da cidade, num ambiente sereno.

A morte do líder da oposição moçambicana causou uma tal surpresa que é natural que ainda não haja maior mobilização, conta um outro militante à Lusa.

A mesma surpresa a que faz alusão Manuel Bissopo, secretário-geral da Renamo, para pedir aos jornalistas tempo para o partido se reunir, remetendo quaisquer declarações para depois do encontro da comissão política.

Pelas 15:00 (menos uma hora em Lisboa), aguardava-se ainda pela chegada de alguns membros do órgão, oriundos de Maputo.

Entretanto, articulavam-se também os contactos com a família de Dhlakama.

Para já, segundo referiu, prevê-se que o funeral decorra em Mangunde, distrito de Chibabava, no interior da província de Sofala, terra natal do líder da Renamo, ainda sem data marcada.

O corpo de Afonso Dhlakama foi transportado de madrugada desde a Serra da Gorongosa e encontra-se na morgue do Hospital Central da Beira, onde à porta permanecem dois militantes de base.

São uma espécie de últimos guardiões do comandante, admitem à Lusa, enquanto aguardam também por novidades.

A cidade da Beira foi a última cidade onde Dhlakama residiu antes de se retirar para a serra da Gorongosa, em 2015, recorda Vaja, que participou nalgumas sessões políticas dinamizadas pelo líder.

“Ele ensinava-nos o que fazer. Em 2017, na serra da Gorongosa, juntou jovens para uma acção sobre preparação de eleições e sobre como detectar acções de fraude”, refere.

Décadas antes, a luta tinha sido feita de armas nas mãos e Janete Tenene, que hoje chora à porta da sede provincial, na Beira, foi uma das militares da Renamo.

“Lutávamos nas matas contra a Frelimo, porque queríamos o multipartidarismo em Moçambique, e ele foi o nosso grande dirigente”, descreve.

Janete foi combatente até à assinatura dos Acordos de Paz de 1992 e aponta o comandante com “um amigo de todos e de tudo”.

A antiga militar faz parte de um grupo que viajou por estrada durante sete horas, de Chimoio, capital provincial de Manica, até à Beira para render a última homenagem a Dhlakama.

“Vai fazer muita falta em Moçambique”, para o processo de paz em curso, acrescentou.

Alberto João, militante da Renamo, tem fé e acredita que “a paz vai continuar”. Há condições, tudo depende do Governo”, conclui.

O líder da Renamo, Afonso Dhlakama, morreu na quinta-feira pelas 08:00, aos 65 anos, na Serra da Gorongosa, devido a complicações de saúde.

O Presidente de Moçambique, Filipe Nyusi, referiu à Televisão de Moçambique (TVM) que foram feitas tentativas para o transferir por via aérea para receber assistência médica no estrangeiro, mas sem sucesso.

Fontes partidárias contaram à Lusa que o presidente do principal partido da oposição moçambicana faleceu quando um helicóptero já tinha aterrado nas imediações da residência, na Gorongosa.

https://noticias.sapo.mz/actualidade/artigos/obitodhlakama-adeus-ao-lider-da-renamo-prepara-se-na-cidade-da-beira

A morte do líder da Renamo abre um período de incertezas em Moçambique

 

 

Afonso Dhlakama, presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo, principal partido da oposição), morreu ontem, aos 65 anos, devido a complicações de diabetes, noticiou a imprensa moçambicana que citou fonte partidária.

Fotografia: DR

Outras fontes da Renamo confirmaram à agência Efe a morte de Dhlakama, mas não deram detalhes da causa.
Dhlakama vivia refugiado na serra da Gorongosa, no centro do país, desde 2016, tal como já o havia feito noutras ocasiões, quando se reacendiam os confrontos entre a Renamo e as forças de defesa e segurança de Moçambique.
De acordo com a Televisão Independente Moçambicana (TIM), Dhlakama morreu quando aguardava, na serra da Gorongosa, por um helicóptero, para ser evacuado para a África do Sul, onde iria ser submetido a tratamento médico.
Depois de abandonar Maputo, o líder da Renamo estava escondido no interior da serra da Gorongosa, na província de Sofala, em Moçambique, desde 2015.
Dhlakama era desde 1984 o líder político da Renamo, movimento criado pela antiga Rodésia (hoje Zimbabwe) e a África do Sul para lutar contra a alegada extensão do comunismo na região, e portanto contra o partido no poder, a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).
A assinatura dos Acordos de Paz de Roma (1992), rubricados com o então Presidente e líder da Frelimo, Joachim Chissano, puseram fim a uma guerra civil de 16 anos, iniciada após a independência do país, de Portugal, com um saldo de um milhão de mortos.
Apesar do acordo de 1992, a Renamo continuou a realizar ataques esporádicos em diferentes zonas de Moçambique até à assinatura definitiva da paz, em 5 de Setembro de 2014, a 40 dias das últimas eleições.
Após várias rondas de negociações, nesse dia o então Presidente moçambicano e líder da Frelimo, Armando Guebuza, e Afonso Dhlakama assinaram um acordo de paz que punha fim a dois anos de conflito no país.
Durante a assinatura da paz em Maputo, o líder opositor expressou o desejo de mudar radicalmente o panorama político das “últimas duas décadas” no país, nas quais, segundo sua opinião, houve uma “sistemática concentração do poder num punhado de privilegiados”.
Dhlakama, nascido em 1953 em Mangunde, na província central de Sofala, onde a Renamo tem uma das suas fortificações tradicionais, tornou-se líder do grupo após a morte em combate em 1979 do primeiro chefe do movimento, André Matsangaissa, e, como político, manteve o partido governamental em xeque durante mais de duas décadas.
Sob a sua liderança, a Renamo chegou a ser acusada pela comunidade internacional de cometer crimes contra a humanidade, como massacres de civis e recrutamento de crianças-soldado.
O líder opositor perdeu eleições de maneira sucessiva, sendo as primeiras em 1999, com o então Presidente Joaquim Chissano.
Dhlakama disputou as quartas eleições de 2009 com Armando Guebuza, tendo igualmente perdido as mesmas.
A última votação, em 2014, foi vencida pelo actual Presidente do país e candidato da Frelimo, Filipe Nyussi.

Líder da Renamo
foi membro da Frelimo

Afonso Macacho Marceta Dhlakama nasceu em Mangunda, na província de Sofala, no centro de Moçambique, a 1 de Janeiro de 1953 e estava há mais de 40 anos na liderança da Renamo.
Dhlakama vivia refugiado na serra da Gorongosa, no centro do país, desde 2016, tal como já o havia feito noutras ocasiões, quando se reacendiam os confrontos entre a Renamo e as forças de defesa e segurança de Moçambique.
Apesar de se auto-intitular “pai da democracia moçambicana”, e para muitos simpatizantes ser o “Mandela ou Obama moçambicano”, Afonso Dhlakama era igualmente visto como um “senhor da guerra”.
Entre o afável e o incendiário, Dhlakama era uma figura controversa. “Se não gostarem de mim, depois de cinco anos, podem-me mandar embora, porque não vou matar ninguém”, disse o líder da Renamo num comício no centro do país em 2014, respondendo desta forma aos críticos que o acusavam de recorrer à violência para fazer vingar os seus pontos de vista na política de se comportar como “dono” da Renamo (Resistência Nacional Moçambicana), que dirigia desde os 23 anos.
Em 1974, com o fim da guerra colonial, o político e militar ingressou na Frelimo (Frente de Libertação de Moçambique), tendo acabado por abandonar esse movimento para se tornar, dois anos depois, um dos fundadores da RNM (Resistência Nacional de Moçambique). Após a morte de André Matsangaíssa em combate e depois de uma luta pela sucessão, Dhlakama assume a liderança do movimento que passa a ser designado por Renamo.
Depois de uma guerra civil de 16 anos, movida com o apoio do apartheid,  Dhlakama assina o Acordo Geral de Paz com o então Presidente do país, Joaquim Chissano, líder da Frelimo, a 4 de Outubro de 1992, em Roma, passando a Renamo a ser um partido político. A primeira vez que concorreu como candidato às eleições gerais (legislativas e presidenciais) foi em 1994, dois anos depois do acordo firmado em Itália.

Conflito arrasou o país

A guerra civil em Moçambique foi uma das mais brutais de África. A RENAMO teve má fama por causa da destruição de escolas e centros de saúde, da minagem de estradas e pelo recrutamento de crianças soldados. A violência causou aproximadamente 900.000 mortos. Milhões refugiaram-se dentro ou fora de Moçambique.
Mesmo contra os princípios do Acordo Geral de Paz de Roma, que previu a desmobilização total dos rebeldes da RENAMO, Dhlakama sempre manteve um exército privado do partido. Treinaram longe do olhar do público em bases fechadas no interior da província de Sofala, nas localidades de Maríngué e Inhaminga.
O escritor moçambicano Mia Couto chegou a criticar o estilo militarista de fazer política de Dhlakama numa entrevista ao canal privado STV: “Ficámos reféns do medo de alguém que reiteradamente veio anunciar que ‘agora sim vou voltar à guerra, vou incendiar o país’… Ele escolheu vários tipos de discursos que são realmente ameaças”, disse.
Dhlakama reagiu com um auto-isolamento na Serra da Gorongosa, abandonando a sua mansão em Maputo.
“Desde Outubro de 2012, quando Afonso Dhlakama se retirou para o seu antigo quartel general da guerra civil, abandonou de facto as instituições de Moçambique e as plataformas democráticas existentes”, disse uma analista do instituto britânico de estudos políticos, Chatham House, Elisabete Azevedo-Harman. “Isolou-se da capital Maputo e dos outros actores políticos”, acrescentou.

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/morreu_afonso_dhlakama

Diabete mata lider da oposição moçambicano em momento crucial de negociação da paz

Dhlakama na campanha das presidenciais de 2014. Teve então 36,6% dos votos; Nyusi alcançou 56%

  |  EPA

Dirigiu a Renamo desde 1979, então em luta contra a Frelimo. Assinou o Acordo de Paz de 1992, que pôs fim a 16 anos de guerra civil. Acusou sempre o poder de fraude eleitoral

Afonso Dhlakama morreu nesta quinta-feira aos 65 anos nas matas da Gorongosa, morte que sucede num momento crucial das negociações que decorriam entre o líder da Renamo e o presidente Filipe Nyusi para o total desarmamento dos elementos do principal partido de oposição em Moçambique e sua integração nas forças armadas do país.

A Renamo confirmou a morte ao final do dia e anunciou que o corpo do seu líder será transferido sexta-feira para o hospital central da Beira. Um grupo de dirigentes do partido estava a caminho da Gorongosa.

A causa da morte terá sido resultado de uma crise de diabetes. Dhlakama, que liderava a Renamo desde 1979 (após a morte de André Matsangaissa, que fundara o movimento em 1977), negociava com o presidente moçambicano uma revisão da Constituição que permita a designação dos administradores de distrito pelos governadores das províncias, a serem eleitos nas eleições gerais de 2019. Esta questão assim como a completa desmobilização das forças da Renamo têm estado no centro das negociações entre os dois dirigentes.

O desaparecimento de Dhlakama a pouco mais de um ano das eleições vem colocar um sério desafio à Renamo, que teve sempre, nas cinco presidenciais realizadas em Moçambique desde o Acordo Geral de Paz, assinado em Roma, a 4 de outubro de 1992, o seu líder histórico como candidato e grande responsável pela estratégia do partido.

Dhlakama, desde a primeira votação em 1994, sempre contestou os resultados que, invariavelmente, deram a vitória ao candidato da Frelimo, no poder desde 1975, e a maioria a este partido. Nas presidenciais de outubro de 1994, tem 33,7 % dos votos; Joaquim Chissano ganhou com 53,3%. Nas legislativas, a Frelimo somou 44,3%, a Renamo 37,7. No ciclo eleitoral de 1999, Chissano obteve 52,2% e Dhlakama 47,7%. O padrão dos resultados ir-se-á repetindo até 2014, quando Nyusi teve 57% dos votos e Dhlakama 36,6%.

As sucessivas derrotas de Dhlakama e da Renamo, a que não foram alheias fraudes eleitorais, de acordo com a análise de observadores independentes, levaram o antigo guerrilheiro a endurecer o discurso. Após quase 16 anos de guerra civil (1977-1992) e a paz trazida pelo Acordo de Roma, em 2012, pela primeira vez Dhlakama deixou a capital, Maputo, com o argumento de que tinha a vida em perigo. Desde então e até 2017 viveu-se um conflito de baixa intensidade entre a Renamo e o governo, com o líder da antiga guerrilha em parte incerta, após as forças governamentais atacarem a base de Sadjundjira (Gorongosa) e o desalojarem em outubro de 2013.

Só em 2014 reapareceu em Maputo para a assinatura de um acordo de cessação de hostilidades, a 5 de setembro, com o presidente Armando Guebuza. Mas pouco depois das eleições de outubro do mesmo ano, deixou de novo a capital moçambicana, abrindo a crise político-militar mais séria desde 1992. Começou pouco depois um longo e acidentado processo negocial que só terminaria em 2017, com a assinatura de um acordo de cessar-fogo entre a Renamo e o poder político em Maputo.

“Parceiro estratégico”

Marcelo Rebelo de Sousa lamentou a morte do líder da Renamo numa mensagem enviada a Filipe Nyusi, destacando o relevo de Dhlakama como “interlocutor privilegiado nos caminhos do diálogo, da paz e da concórdia” em Moçambique. Neste país, a primeira reação veio da segunda maior força da oposição, o Movimento Democrático de Moçambique (MDM), com o seu líder e antigo dirigente da Renamo até 2009, Daviz Simango, a classificar o desaparecimento de Dhlakama como “uma grande tragédia nacional”.

Posteriormente, a Frelimo, através do porta-voz Caifadine Manasse, citado pela Lusa, considerou que o líder da Renamo “era um parceiro estratégico” e “estava a percorrer um caminho para a paz”. O mesmo porta-voz afirmou-se convicto de que a Renamo não deixará as negociações em curso e que irá trabalhar para a consolidação da paz e da estabilidade em Moçambique.

Afonso Macacho Marceta Dhlakama nasceu a 1 de janeiro de 1953 na localidade de Mangunde, numa família onde o pai era régulo – fator importante na política em África. Por causa do envolvimento desde jovem, primeiro, com a Frelimo, depois na guerrilha contra o regime de Maputo, Dhlakama não teve grande educação formal. No entanto, nunca desistiu de se cultivar e de receber formação, quer a partir da África do Sul quer de diferentes círculos europeus (entre os quais portugueses) e americanos que, a partir dos anos 80, vão apoiar a Renamo. Casado desde 1980, era pai de oito filhos.

 

https://www.dn.pt/mundo/interior/terminou-a-longa-guerrilha-de-afonso-dhlakama-9306193.html?utm_source=Push&utm_medium=Web

Presidente da Resistência Nacional Moçambicana faleceu , mas deixou um caminho de paz

O falecido presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Afonso Dhlakama, disse no início de Fevereiro, em entrevista à Lusa, que é necessário corrigir “irregularidades fortes” nas eleições em Moçambique. Recorde as principais declarações do antigo líder da oposição.
O que disse Afonso Dhlakama em uma das suas últimas entrevistas

“Há irregularidades fortes que têm de ser combatidas, porque, se continuarem assim, o esforço que estamos a fazer de reconciliação pode não resultar em nada para o povo”, referiu Afonso Dhlakama em entrevista à Lusa, no início de Fevereiro de 2018.

Dhlakama falava ao fazer uma avaliação da primeira volta da eleição municipal intercalar de Nampula, realizada em Janeiro, cuja segunda volta foi ganha pelo candidato da Renamo.

A análise foi feita quando faltavam oito meses para se iniciar um novo ciclo eleitoral, com as autárquicas agendadas para 10 de Outubro e eleições gerais a decorrerem em 2019.

O líder da Renamo defendeu que o Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE) deve estar subordinado à Comissão Nacional de Eleições, ao invés de trabalhar isolado.

“O problema é que temos dois órgãos independentes” e enquanto a Renamo está representada na CNE, no STAE só entra “no tempo eleitoral”.

Os outros membros do órgão “ficam cinco anos sozinhos a cozinhar fraude e tudo aquilo” a que Dhlakama chamou de “confusão”, que diz ter sido visível na eleição em Nampula – em linha com as críticas tecidas por organizações da sociedade civil, nomeadamente quanto às falhas nos cadernos eleitorais.

O ex-líder da Renamo disse ainda à Lusa que o partido iria exigir que o STAE, a todos os níveis hierárquicos (central, provincial, distrital e de cidade) seja um corpo de “elementos técnicos recebendo ordens e subordinando-se” à CNE, para assim ser possível “controlar a situação”.

Dhlakama queixou-se do facto de, em Nampula, ter havido residentes que “perderam os cartões” de eleitor, porque eram os mesmos de 2014 “e as pessoas pensam que em cada eleição é preciso receber um novo cartão” – mas para a eleição intercalar não houve recenseamento.

“Muita gente já não tinha o cartão” e não foi facilitada a votação a quem, em alternativa, se identificava com o bilhete de identidade, como prevê a lei, referiu.

Noutros casos, houve “nomes trocados de propósito” nos cadernos, no que classifica como um conjunto de problemas detectados, sobretudo em bairros que costumam apoiar a Renamo, disse.

“Foi isto que aconteceu em Nampula” e que impediu que o principal partido da oposição vencesse na primeira volta, considerou Dhlakama.

https://noticias.sapo.mz/actualidade/artigos/o-que-disse-afonso-dhlakama-em-uma-das-suas-ultimas-entrevistas

Presidente de Moçambique discute desarmamento com a oposição

Nyusi e Dhlakama discutem desarmamento da Renamo

Nyusi e Dhlakama discutem desarmamento da Renamo

O Presidente da República, Filipe Nyusi, manteve um encontro, esta segunda-feira, com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, no qual discutiram sobre assuntos militares, concretamente, o Desarmamento, Desmobilização e Reintegração dos homens da Renamo nas Forças de Defesa de Moçambique.

O encontro teve lugar em Namadjiwa, no posto administrativo de Vunduzi, no distrito de Gorongosa, em Sofala.
O Chefe do Estado partilhou a informação através da sua conta do Facebook, tendo igualmente referido que “continuamos comprometidos em trazer a Paz efectiva e duradoura e criar as bases para um Moçambique próspero e seguro para todos”.

Já em comunicado de imprensa imitido à nossa redacção, o Presidente da República referiu que os dois líderes clarificaram os passos a dar no processo de enquadramento dos oficiais da Renamo, medida que permitirá, segundo o Estadista, pôr fim às hostilidades militares e abrir uma nova era para uma Paz efectiva e duradoura.

Referiu também que as conclusões detalhadas dos progressos alcançados serão divulgadas em momento oportuno.

 

 

fonte:http://opais.sapo.mz/nyusi-e-dhlakama-discutem-desarmamento-da-renamo

Moçambique: Renamo contra visita de Estado do Presidente ao Botswana

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Maputo – O grupo parlamentar da Renamo, principal partido da oposição em Moçambique, está contra a visita do Presidente, Filipe Nyusi, ao Botswana, prevista para 24 e 25 de Abril, noticiou a AIM.

MOÇAMBIQUE: CIDADE DE MAPUTO EM MOÇAMBIQUE

FOTO: PEDRO PARENTE

Um documento assinado pela líder da bancada, Ivone Soares, e divulgado esta terça-feira pela Agência de Informação de Moçambique (AIM), justifica a posição com o facto de o país estar mergulhado numa grave “crise financeira” com repercussões negativas na vida dos cidadãos.

A contestação da Renamo surge depois de o partido ter sido convocado para uma reunião da comissão permanente destinada a discutir o assunto, uma vez que as visitas presidenciais têm que ser aprovadas pelo Parlamento.

No documento, a deputada questiona os custos da visita e o propósito da mesma, dados que diz não terem sido transmitidos.

Ivone Soares refere que a prioridade do Governo deve ser os assuntos internos em vez de frequentes visitas ao estrangeiro com agenda e resultados desconhecidos.

A Frelimo, partido no poder, goza de uma maioria confortável, que deverá viabilizar a viagem, acrescenta a AIM.

Moçambique e o Botswana são membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

O Presidente do Botswana, Ian Khama, fez uma visita de Estado a Moçambique em Maio de 2016, durante a qual os dois países assinaram um acordo sobre geologia e mineração que dará acesso à moçambique a experiência do Botswana nessas áreas.

O Botswana também está interessado em exportar carvão ao longo de uma nova ferrovia para a costa moçambicana.

Fonte:http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/3/15/Mocambique-Renamo-contra-visita-Estado-Presidente-Botswana,3fd83d87-117f-4e30-babc-e8aed94d7d42.html

União Européia acompanha com otimismo as negociações de paz em Moçambique

Maputo – A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Federica Mogherini, saudou o avanço nas negociações em Moçambique, sublinhando a determinação do Governo e oposição a trabalhar para a paz e a reconciliação.

FEDERICA MOGHERINI – ALTA REPRESENTANTE DA POLÍTICA EXTERNA DA UNIÃO EUROPEIA

FOTO: JOHN THIS

Em comunicado divulgado em Bruxelas, retomado quarta-feira pela AIM, Mogherini salientou que “os desenvolvimentos  são bem-vindos, uma vez que sublinham a determinação de ambas as partes para  afastar as diferenças e trabalhar para a paz e a reconciliação”.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, e o líder do principal partido da oposição  (Renamo), Afonso Dhlakama, anunciaram o início de uma nova fase nas negociações, tendo decidido criar um grupo internacional de apoio ao processo de paz em Moçambique, disse a Alta Representante para a Política Externa da UE.

Para Federica Mogherini, as negociações directas entre as duas partes podem agora  focar-se na construção de uma solução sustentada no progresso atingido sob mediação  internacional.

Com efeito, o Presidente da República, Filipe Nyusi, criou um Grupo de Contacto constituído por vários parceiros de cooperação convidados a apoiar o desenvolvimento de  uma paz sustentável em Moçambique.

Um comunicado de imprensa da Presidência da República enviado terça-feira à AIM  explica que a criação do grupo surge “no âmbito do processo de diálogo para o alcance

de uma paz efectiva e duradoura e na sequência das consultas e entendimentos entre o presidente moçambicano Filipe Nyusi e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama.

O documento refere que o grupo vai prestar assistência financeira e técnica coordenada,  bem como realizar outras tarefas indicadas nos seus Termos de Referência.

Integram o Grupo de Contacto sete personalidades, incluindo o embaixadores da Federação Suíça (Presidente do Grupo), o dos Estados Unidos da América (Co-Presidente), o da República Popular da China, o chefe da missão diplomática  do Reino da Noruega, e os Altos-Comissários da República do Botswana, a do Reino Unido  da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e o chefe da missão da União Europeia em Moçambique.

Este Grupo de Trabalho, cujas actividades terão início ainda esta semana, juntar-se-á às  Comissões de Trabalho constituídas por entidades nacionais já designadas pelo  Presidente da República e pelo líder da Renamo que juntos prosseguirão em busca da paz efectiva e definitiva, tendo como mandato debruçar-se sobre questões militares e  de descentralização.

No dia 03 de Janeiro de 2017, Afonso Dhlakama, líder da Renamo, o maior partido da  oposição em Moçambique, confirmou a prorrogação por mais 60 dias o período de  tréguas acordado com o Presidente Nyusi nos contactos telefónicos mantidos  entre as partes, na busca de uma paz efectiva.

Moçambique anuncia fim da mediação internacional nas negociações de paz com a Renamo

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, anunciou hoje o encerramento da fase que envolve a mediação internacional nas negociações de paz, considerando que os mediadores serão solicitados para as conversações entre o Governo e a Renamo caso se considere necessário.
Filipe Nyusi, presidente de Moçambique

MaputoMaputo – O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, anunciou hoje o encerramento da fase que envolve a mediação internacional nas negociações de paz, considerando que os mediadores serão solicitados para as conversações entre o Governo e a Renamo caso se considere necessário.

“Hoje, esta fase do processo de diálogo [que envolve a mediação internacional] pode ser considerada encerrada”, declarou o chefe de Estado moçambicano, durante as cerimónias centrais do Dia dos Heróis em Maputo, que hoje se assinala, informa a agência Lusa.

Expressando a sua “profunda gratidão” pelo trabalho e entrega do grupo, Filipe Nyusi disse que os mediadores internacionais nas negociações paz em Moçambique prestaram uma “valiosa contribuição” nas conversações entre o Governo e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido de oposição.

“O povo moçambicano está verdadeiramente agradecido e aprecia os esforços dos mediadores para a aproximação de posições entre o Governo e a Renamo”, acrescentou o chefe de Estado, dando conta de que foram endereçadas cartas de agradecimento a toda a equipa de mediação pelo apoio prestado.

Manifestando-se otimista com as conversas que vem mantendo com o presidente da Renamo, Afonso Dhlakama, Filipe Nyusi avançou que as partes decidiram criar dois grupos diferentes compostos por especialistas para tratar dos “assuntos militares” e da descentralização, exigida pelo maior partido da oposição em Moçambique.

“Apelamos a todas forças vivas da sociedade para acarinharem estas ações”, referiu o chefe de Estado, observando que a paz é a “vontade suprema dos moçambicanos”.

Moçambique atravessa uma crise política que opõe o Governo e a principal força de oposição e o centro do país tem sido assolado por conflitos militares entre as Forças Defesa e Segurança e o braço armado Renamo, que reivindica vitória nas eleições gerais de 2014, acusando a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder há mais de 40 anos, de fraude no escrutínio.

Os trabalhos da comissão mista nas conversações do Governo e da Renamo, orientada pela equipa de medição internacional, pararam em meados de dezembro sem acordo sobre o pacote de descentralização, um dos temas essenciais das negociações de paz, após meses de reuniões.

Na altura, o coordenador da equipa de mediação, Mario Raffaeli, indicado pela UE, disse que os mediadores só regressarão a Maputo se forem convocados pelas partes.

Além do pacote de descentralização e da cessação dos confrontos, a agenda do processo negocial integra a despartidarização das Forças de Defesa e Segurança e o desarmamento do braço armado da oposição, bem como sua reintegração na vida civil.

Os mediadores internacionais foram selecionados pelas duas partes, tendo a Renamo apontado um grupo de representantes indicados pela União Europeia, Igreja Católica e África do Sul, enquanto o Governo nomeou o ex-Presidente do Botsuana Quett Masire, pela Fundação Global Leadership (do ex-secretário de Estado norte-americano para os Assuntos Africanos Chester Crocker), a Fundação Faith, liderada pelo ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, e o antigo Presidente da Tanzânia Jakaya Kikwete.

Em finais de dezembro, após conversas telefônicas com o Presidente moçambicano, o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, declarou uma trégua de uma semana como “gesto de boa vontade”, tendo, posteriormente, prolongando o seu prazo para 60 dias.

http://www.portugaldigital.com.br/lusofonia/ver/20108830-mocambique-anuncia-fim-da-mediacao-internacional-nas-negociacoes-de-paz-com-a-renamo