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Isabel dos Santos foi exonerada do cargo de presidente do Conselho da Sonangol

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Fonseca Bengui |

Isabel dos Santos foi exonerada ontem do cargo de presidente do Conselho de Administração da Sonangol (Sociedade Nacional de Combustíveis) pelo Presidente da República, João Lourenço.

Carlos Saturnino na liderança da Sonangol
Fotografia: Edições Novembro |

Os Serviços de Apoio ao Presidente da República, em comunicado, informaram que Carlos Saturnino Guerra Sousa e Oliveira é o novo presidente do conselho de administração da petrolífera.
O novo presidente do Conselho de Administração da Sonangol, para ocupar o lugar de Isabel dos Santos, foi antes exonerado do cargo de secretário de Estado dos Petróleos, que ocupava desde a formação do Governo saído das últimas eleições.
O Presidente da República, em consequência, nomeou Paulino Fernando de Carvalho Jerónimo novo secretário de Estado dos Petróleos. O ato  de exoneração de Isabel dos Santos é extensivo aos membros do conselho de de administração dirigido pela empresária. Assim, foram exonerados  Eunice Paula Figueiredo Carvalho, Edson de Brito Rodrigues dos Santos, Manuel Lino Carvalho Lemos, João Pedro de Freitas Saraiva dos Santos, todos administradores executivos. Foram ainda exonerados José Gime, André Lelo, e Sarju Raikundalia, todos  administradores não executivos.

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O novo conselho de administração da concessionária petrolífera nacional é agora integrado, além do presidente Carlos Saturnino, por Sebastião Pai Querido Gaspar Martins, Luís Ferreira do Nascimento José Maria, Carlos Eduardo Ferraz de Carvalho Pinto, Rosário Fernando Isaac, Baltazar Agostinho Gonçalves Miguel e Alice Marisa Leão Sopas Pinto da Cruz, todos   administradores executivos. José Gime e André Lelo são administradores não executivos.
O Executivo prevê, no Orçamento Geral do Estado para o próximo ano,  uma  produção de petróleo de 1.649.910 barris por dia a um preço de 45 dólares o barril.

Reacções 
O deputado e vice-presidente da CASA-CE diz não ver nada de extraordinário nas exonerações e nomeações na direcção da Sonangol, considerando tratar-se de “um mero exercício das competências políticas constitucionais” do Presidente da República. O Presidente da República, disse, continua a compor, a vários níveis, as equipas de trabalho da sua confiança para corresponder aos objectivos estratégicos da sua governação. “No quadro actual, o Presidente da República tem legitimidade política e legalidade constitucional de assim proceder”, frisou. “Não vejo algo extraordinário nas exonerações e nomeações, pois é um mero exercício das competências políticas constitucionais”, salientou.  Lindo Bernardo Tito disse no entanto que o actual PCA, Carlos Saturnino Guerra Sousa e Oliveira,  já esteve na Sonangol, pelo que, acrescentou, “ninguém garante ao país que estará isento dos antigos vícios.” “A prática é o critério da verdade”, sublinhou, salientando que o Presidente da República “ainda não tomou medidas profundas que visam alterar a situação económica e social precária imposta pelos sucessivos governos do MPLA.”
O político da CASA-CE lembra que o actual Presidente da República sempre esteve nos centros de decisões políticas tomadas pelo seu partido, considerando por isso ser ele parte do problema.
O jurista e docente universitário Albano Pedro entende que a exoneração de Isabel dos Santos “permite que João Lourenço, na qualidade de Presidente da República, tenha controle de fato da Sonangol, colocando gestores de confiança na sua direção.”
Em segundo lugar, acrescentou, “leva à libertação da ligação que havia entre os negócios privados de Isabel dos Santos e a Sonangol, por meio da qual os dinheiros públicos podiam vazar para negócios diversos em Angola e no estrangeiro, sem que servissem directamente os angolanos”.

          Burocracia leva petrolífera nacional ao derrame 
Uma quase paralisia da indústria petrolífera, em resultado de processos de gestão extremamente burocratizados e ineficientes, por parte da SONANGOL, é a principal constatação que resultou do diagnóstico mandado fazer ao sector pelo Presidente da República, João Lourenço.
Fontes bem colocadas deste diário garantiram que o grupo de trabalho já finalizou a sua missão, que estava fixada para um período de trinta dias, no despacho presidencial que determinou a sua constituição.   O Jornal de Angola soube, em primeira mão, que o relatório descreve um conjunto de constrangimentos e práticas que prejudicaram, de modo assinalável, as operações do sector petrolífero, o mais penoso de todos eles o facto de a extrema burocracia imputada à gestão da SONANGOL ter elevado à cifra de cinco mil milhões de dólares os processos que esperam aprovação na concessionária nacional.
O grupo referiu, entre as suas constatações, que se deparou com uma “concessionária nacional sem liderança e sem estratégia para desenvolver o papel de impulsionadora da indústria petrolífera” e que é facto também um “mau relacionamento entre a SONANGOL e as companhias petrolíferas, por um lado”, e, por outro, “entre a SONANGOL + subsidiárias e as empresas fornecedoras, por ausência de pagamento regulares”.
Depois de assinalar a ausência de actividades de exploração, designadamente a prospecção e pesquisa de hidrocarbonetos, o relatório-diagnóstico faz alusão a uma “falta de sintonia entre a SONANGOL e o ministério de tutela”.
A missão que se encarregou de estudar a fundo os problemas da indústria petrolífera em Angola avançou um conjunto de propostas, que vão desde a reestruturação da concessionária nacional à redefinição de algumas das suas funções, passando por recomendações de natureza estratégica como a necessidade do aumento da capacidade de refinação do país. “Este é um aspecto crucial do desenvolvimento da nossa indústria no Downstream, enquanto país produtor de petróleo. Não podemos continuar a depender de importações de derivados de petróleo em cerca de 80%”, terão recomendado os especialistas que integraram o grupo no seu relatório final.
A seis de Outubro último, o Chefe de Estado, João Lourenço, recebeu, em audiência, representantes das empresas petrolíferas, a pedido destas. Na sequência do encontro, o Presidente da República, em despacho datado de 13 de Outubro, deu um prazo de 30 dias, para que o grupo liderado pelo ministro dos Recursos Minerais e dos Petróleos, Diamantino Azevedo, apresentasse um plano para o sector, em resposta à “necessidade de melhorar as actuais condições de investimento na indústria de petróleo e gás, como condição relevante para o desenvolvimento futuro do país”.
Além do ministro dos Petróleos, constituíram o grupo de trabalho o ministros das Finanças, Archer Mangueira, e representantes da Sonangol, BP Angola, Cabinda Gulf Oil Company (Chevron) Eni Angola, Esso Angola, Statoil Angola e Total E&P.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/sonangol_tem_nova_gestao

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Angola desafia parceiros a pensar diferente: investir melhor e não investir menos

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A restruturação da Sonangol é incontornável para os desafios da produção nos próximos dez e 15 anos, afirmou quarta-feira, a presidente do Conselho de Administração da companhia, em Houston, Estados Unidos.

Isabel do Santos, que falava em jeito de balanço da semana do CERAWeek 2017, que decorreu de 6 a 10 de Março, disse que os desafios exigem à Sonangol ter parcerias com empresas como a Exxom Mobil, Chevron (americanas) e com europeias, como a ENI da Itália e a Total de França, que pretendem continuar a operar no mercado angolano.
A gestora afirmou que a Sonangol está engajada em realizar investimentos conjuntos e rentáveis com ambas a partes. “Estamos a desafiar os nossos parceiros a pensar um pouco diferente, começar num modelo econômico que pode gerar receitas, pensar como investir melhor e não investir menos”, referiu a presidente do conselho de administração, para quem “investir melhor é saber onde e como melhor aplicar o capital das empresas, para ter maior rentabilidade dentro do mercado do petróleo e do gás e saber como obter maior retorno dos investimentos.”

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As grandes mudanças na reestruturação da Sonangol incidem sobre a cultura e visão de que não se pode  ajudar uma empresa que não faça parte da companhia. A conquista deste processo de reestruturação deve-se à criação de um grupo de colaboradores coesos, à mudança e aposta na visão e valores diferentes.
Isabel dos Santos garante que o processo de reestruturação já tem resultados nas contas da companhia. “Houve poupanças significativas em 2016 e as receitas subiram em 60 por cento em relação ao ano de 2015. As mudanças já se sentem em termos de garantias de eficácia nas contas da Sonangol”, disse.

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A presidente da concessionária nacional de petróleo informou também  que a companhia detém poços em águas profundas que devem ser explorados com outras companhias.
Durante a semana da CERAWeek, a delegação angolana teve encontros com líderes da Comissão Executiva da Chevron, da Exxon Mobil e da Total, para estreitar os laços da cooperação e a busca de melhores oportunidades de investimentos. Angola é, neste momento, o maior produtor de petróleo em África, com uma produção de 1.65 mil barris por dia. Para Isabel dos Santos, a subida do preço do petróleo traz boas perspectivas, num altura em que a situação continua difícil depois de a Sonangol ter sido afectada com a queda do preço do petróleo “que foi muito prolongada, teve um impacto muito negativo e reduziu a capacidade de investimentos.” No ano passado, disse, a companhia teve dificuldade de honrar os compromissos, “mas, no final, foi possível honrar todos os compromissos de investimentos.”
Para este e os próximos anos, a empresa angolana de petróleo vai procurar ser mais cautelosa, ver onde vai investir e gastar os seus recursos.  O preço do petróleo melhorou, mas Isabel dos Santos espera que se mantenha por mais tempo, dois a três anos, a este nível ou ainda mais elevado para compensar os três anos passados de difícil situação.
Isabel dos Santos vê a subida do preço do crude ameaçada pelas empresas norte-americanas que apostam no desenvolvimento dos campos de Frakim (fartura de petróleo de xistos), enquanto as maiores companhias pretendem manter as quotas de produção, baixar a oferta e fazer com que o preço de barril se mantenha a nível dos 55 dólares. A gestora  assegurou que a Sonangol, na sua política de responsabilidade social, contivai continuar  a dispor de uma carteira de investimentos que contempla escolas, orfanatos e hospitais.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/reformas_na_sonangol_sao_irreversiveis

Angola:Projetar o futuro com determinação

Kumuênho da Rosa |

Fotografia: Walter Fernandes

Desde o início do ano que tinham sido accionados os alertas para o risco de uma instabilidade social causada precisamente pela degradação da situação económica. Desde meados de 2015, que o preço do petróleo estava em queda livre e as receitas fiscais baixaram consideravelmente.

Recordo-me do dia em que ao dirigir uma reunião da Comissão Económica, no Luena, o Presidente da República falou sobre a gravidade da situação económica do país, principalmente devido à incapacidade da companhia Sonangol de injectar divisas no sistema financeiro.

 

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A grave situação financeira da Sonangol tem uma outra nuance, também ela negativa, já que com cada vez menos divisas ou “moeda forte”, impunha-se reavaliar a política de disponibilização de cambiais. Muitos empresários ficaram sem como importar mercadorias ou matérias-primas para manter em funcionamento as unidades de produção. Também começaram a surgir problemas contratuais com técnicos expatriados que recebiam em divisas. Com o declínio das importações o Serviço Nacional das Alfândegas também perdeu capacidade de arrecadar receitas. Ora o quadro denunciava um colapso iminente. Chegou-se a dizer amiúde que o país estava em banca rota. E não tinha qualquer alternativa que não fosse a de recorrer ao FMI, de mão estendida, para um resgate financeiro.

 

Mapa de Angola
Informações desencontradas baralharam a opinião pública e os investidores. Afinal Angola, como qualquer outro Estado membro do Fundo Monetário Internacional, é livre de recorrer a esta instituição para negociar o apoio a que tem direito pelo tecto da sua contribuição e pelas necessidades que apresenta a sua economia, sem pré-condições.  O ambiente em que decorreram as conversações, no interior das salas de reuniões, contrastava com o escarcéu que se fazia sentir no exterior. Angola pretende do FMI, como de resto ficou vincado em comunicados oficiais, apoio para o programa de diversificação económica e ficou claro que existe vontade de ambos os lados em trabalhar neste sentido.
As negociações avançaram pouco ou quase nada. Ficou o compromisso de uma nova visita no quadro do Artigo IV para aprofundar o debate e aferir sobre a assertividade das medidas que estão a ser adoptadas pelas autoridades angolanas para equilibrar e, já agora, sanear as contas públicas. Em meados de Novembro, o brasileiro Ricardo Velloso, chefe da Missão do FMI para Angola, fez uma declaração que acabou com as especulações em torno das negociações em si. Como quem quis claramente esquecer toda a azáfama da anterior visita, o economista disse com palavras muito claras que as projecções apontavam para uma estagnação da economia angolana no corrente ano e crescimento de 1,25 por cento em 2017. As projecções do Governo apontam para 2,1 por cento.
O FMI estima que para este ano a inflação atinja 45 por cento, antes de cair para 20 por cento em 2017, assim como o défice global de 4,00 por cento e uma dívida pública que deve exceder os 70 por cento do Produto Interno Bruto (PIB). A Missão do FMI recomendou ao Governo a adopção da previsão do défice orçamental para 2017 não superior a 2,25 por cento do PIB, ao contrário dos 5,9 por cento projectados, por entender que tal deixaria a economia angolana “vulnerável a preços de petróleo inferiores ao estimado e aumentar a preocupação quanto à sustentabilidade da dívida”.
Segundo o chefe da Missão do FMI para Angola, a meta de défice proposta é “consistente com uma melhoria moderada do saldo fiscal primário não petrolífero e com um continuado ajustamento gradual a médio prazo para colocar a dívida numa clara trajectória descendente”. Ricardo Velloso referiu ainda que estas projecções sobre crescimento, inflação e dívida ficam a dever-se às medidas tomadas pelas autoridades para mitigar o impacto da baixa dos preços do petróleo, incluindo uma melhoria significativa do saldo fiscal primário não petrolífero e a desvalorização do kwanza face ao dólar.

Ajustamento fiscal

Antes de elogiar o Banco Nacional de Angola por aplicar restrições à liquidez desde Junho último, levando a que a inflação cedesse e pela disponibilidade de um maior volume de divisas de modo a aliviar a pressão sobre o mercado cambial, Ricardo Velloso reconheceu que “foi feito um grande esforço de ajustamento fiscal e as acções do Governo para controlar a despesa pública compensaram parcialmente, prevendo-se que, em 2017, ano de eleições, o processo continue mas num “esforço menor”.

 

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Ora, quem esteve atento à Mensagem à Nação apresentada pelo Presidente da República na Assembleia Nacional terá percebido que a avaliação do desempenho da economia angolana feita pelo FMI no quadro do artigo IV não andou muito longe da avaliação do Executivo.
Também apontado como um dos momentos políticos do ano, na Mensagem à Nação, a abrir o Ano Parlamentar, no novo edifício da Assembleia Nacional, o Presidente da República foi prudente ao referir-se aos números da economia. Por exemplo, quando se referiu à taxa média anual de crescimento da economia comparou os dois anos anteriores, cuidando de se referir ao impacto da queda brusca do preço do petróleo no mercado internacional, neste indicador em 2016 e nas receitas fiscais do Estado.
Em duas passagens do discurso do Presidente da República diante dos deputados é possível perceber o quadro difícil da economia angolana e o que foi feito para manter o crescimento na agenda do Governo.Na primeira, o Presidente faz alusão ao “choque sistémico da queda do preço do petróleo” nas receitas públicas. “Só em 2015, a redução do preço do petróleo terá provocado uma quebra de quase seis mil milhões de dólares na receita fiscal.” O Chefe de Estado referiu que a continuidade do esforço de investimento público só é possível com recurso ao endividamento, interno e externo, mas, obviamente, como referiu, dentro de limites.

 
Na segunda, faz referência aos “inevitáveis impactos” no plano monetário. “Para garantir os pressupostos básicos necessários ao desenvolvimento, o Executivo teve de adoptar uma Política de Estabilidade e Regulação Macroeconómica que lhe permitiu aprimorar a condução coordenada da Política Fiscal, Monetária, Cambial e de rendimento e preços, acentuando o papel da Programação Financeira”.
Por aqui se percebe que as constatações da Missão do FMI sobre o desempenho positivo da economia angolana, ao admitir que as projecções por sinal, optimistas, ficavam a dever-se às medidas tomadas pelas autoridades para mitigar o impacto da baixa dos preços do petróleo, incluindo uma melhoria significativa do saldo fiscal primário não petrolífero e a desvalorização do kwanza face ao dólar, não foram obras do acaso.
Já agora, e na linha das constatações do FMI, importa salientar que os indicadores destacados pelo Presidente da República, na Mensagem à Nação, com base em dados do Instituto Nacional de Estatística, tendem a aproximar-se das metas do Executivo. Lembrando: a taxa de inflação mensal que, em Julho, estava em cerca de 4 por cento, baixou em Agosto para cerca de 3 por cento e em Setembro para 2,14 por cento, verificando-se assim a baixa dos preços de bens de consumo no mercado e um apreciável aumento do poder de compra dos salários. A meta, como disse o Presidente, é conseguir uma taxa de inflação mensal de um por cento ou menos.

Resistência às pressões

Além das questões econômicas, e da agenda apertada imposta pela dinâmica de uma diplomacia activa, na região dos grandes Lagos e nas Nações Unidas, o ano político foi ainda marcado pelo caso “15+2” e o julgamento do activista Marcos Mavungo. A análise do ponto de vista político impõe-se pelo facto de as instituições angolanas terem sabido resistir a todo o tipo de pressões, internas e também do exterior, para que os casos seguissem os seus trâmites nas instâncias competentes. Junte-se a esses o caso Sonangol e Isabel dos Santos.  Há que reconhecer o mérito de quem soube resistir à tentação de tomar uma decisão susceptível de pôr em causa todo o processo que está em curso de construção de uma sociedade onde as pessoas possam e saibam conviver com as diferenças e, acima de tudo, respeitem as instituições.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/projectar_o_futuro_com_determinacao

A polêmica sobre o nepotismo e a presidência da Sonangol

As reações à nomeação do novo Conselho de Administração da Sonangol foram particularmente intensas, ou não se tratasse de algo que tem a ver com o petróleo.

Por mais que falemos de diversificação econômica

ANGOLA ISABEL DOS SANTOS

ANGOLA ISABEL DOS SANTOS

e juremos a pés juntos que estamos todos apostados em olhar para outras fontes de receita, a mentalidade do barril de petróleo vem sempre ao de cima, como o azeite.
O problema está na habituação. Tudo o que se afaste do modelo de pensamento e de gestão imposto por conceitos académicos ou dos padrões dominantes ocidentais, ainda que se faça algo que conduza à melhoria do estado da Nação, para a nossa mal formada oposição é motivo para voltar ao insulto.

 
A Sonangol é a maior empresa angolana. Nenhuma outra desempenhou tão bem como ela o papel tão importante de instrumento de construção e defesa do Estado angolano. A Sonangol, ela própria uma obra da Independência Nacional, teve à sua frente grandes e ousados gestores angolanos. A empresa formou muitos quadros que dão suporte à vida activa nacional. Tive o orgulho de ver jovens da minha geração, em capitais europeias, a tratarem de igual para igual grandes especialistas mundiais em petróleo e gás.
Mas toda a empresa tem o seu ciclo. Era evidente, para toda a gente, que o gigantismo exacerbado que a estrutura da Sonangol foi adquirindo ao longo dos tempos, tinha de ser posto à prova em qualquer momento, face aos altos e baixos que a economia sempre apresenta, e para os quais temos de estar prevenidos, sejam as empresas, as famílias ou o Estado.
A altura para a reestruturação chegou, com a crise acentuada que atravessa o mercado petrolífero internacional era inadiável. Muitas empresas iguais à Sonangol, que não fizeram a necessária adaptação, acabaram por ter prejuízos elevadíssimos. Algumas faliram mesmo. É de desconfiar, aliás, de qualquer empresa que desde 2008, no início da Grande Crise nascida em Wall Street, não se tenha lançado num processo de inovação dos seus negócios. Se assim continuar, é melhor arrepiar caminho ou essa empresa acabará por se espetar contra a parede.
Uma vez concluído o urgente estudo, encomendado pelo Executivo, para o Aumento da Eficiência do Sector Petrolífero, foi aprovado um novo tipo de organização da gestão da Sonangol e nomeado um novo Conselho de Administração. A escolha para presidir a esse órgão recaiu na engenheira Isabel dos Santos, a mais bem-sucedida empresária angolana de todos os tempos.

 
E foi aqui que a oposição e os críticos voltaram à carga com os ataques pessoais e as alegações de corrupção e de improbidade.
Se é inegável que a empresa petrolífera angolana precisava de uma remodelação enérgica e corajosa, e disto ninguém duvida, ao colocar Isabel dos Santos à frente do Conselho de Administração da Sonangol o Presidente da República mostrou que aposta fortemente, e sem mais delongas, no sucesso da necessária reestruturação da empresa.

E como homem determinado e nobre em ideais que é, colocou todo o seu empenho pessoal, incluindo sacrifícios da sua família, nessa tarefa que é fundamental para que se preserve a defesa dos valores e da perenidade do Estado angolano em que ele acredita e tem transmitido.
Este gesto do Presidente  representa precisamente o contrário daquilo que dizem ou querem dar a entender a oposição e os críticos habituais. O Presidente, como pessoa honrada que é, pauta-se rigorosamente pelos princípios da probidade, e foi mais longe, ao convidar Isabel dos Santos para ajudar a recuperar os activos em risco de uma empresa angolana que é importantíssima, levando assim todo o país a beneficiar do saber e das competências provadas da engenheira angolana.
No caso presente, convém notar, é o Estado que beneficia dos serviços de uma personalidade privada que aceita abandonar a normalidade dos seus negócios e o sossego do seu lar para reerguer um negócio do Estado em crise – precisamente o oposto do conceito de corrupção, evocado a torto e a direito, por tudo e por nada, pela oposição, na tentativa de lançar no lixo o nome das pessoas. Só alguém movido por valores mais elevados do que o do lucro e o benefício meramente pessoal ou familiar aceita empreender uma empreitada de dimensão tão grande como esta, da qual depende muito daquilo que serão os próximos anos.
O ataque pessoal e a mentira não podem ser armas da política. Mas este parece não ser o tipo de entendimento que têm os críticos da oposição. De mim, até inventaram que tenho uma fazenda na Quibala de milhares de hectares. Não me importava nada de a ter, mas é falso. Os “goebells” cá da casa têm de procurar fazer melhor. Não enganem nem confundam as pessoas com falsificações.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/a_palavra_do_director/a_politica_como_ataque_pessoal

Angola quer reduzir o custo de produção do barril de petróleo de 14 para 8 dólares

Sonangol e petrolíferas juntas para baixar custos de produção

por João Dias |*

Fotografia: Dombele Bernardo

A Sonangol prometeu ontem à indústria petrolífera angolana a manutenção da estabilidade contratual, que não vai rever os contratos de partilha de produção e vai evitar que a reestruturação afecte as operações de produção e exploração em curso.

 

A promessa foi feita pelo presidente da comissão executiva da Sonangol, Paulino Jerónimo,  numa reunião com os operadores da indústria angolana de hidrocarbonetos para explicar o plano de reestruturação da companhia.
Paulino Jerónimo anunciou aos operadores a decisão da Sonangol, enquanto concessionária nacional de hidrocarbonetos, de trabalhar com os operadores para reduzir os custos de produção dos atuais 14 dólares por barril para dez ou oito dólares.
O presidente da comissão executiva da Sonangol disse que nenhum projeto de produção tem sucesso em Angola, caso não se reduzam os custos. “Saímos de uma época em que o preço era de cem dólares por barril. Hoje está nos 50, pelo que os custos devem ser reduzidos para dar lugar a novos projectos”, disse.
Em declarações à imprensa, no final do encontro, o administrador executivo e presidente da comissão executiva da Sonangol disse esperar que essa reestruturação seja feita sem afetar as operações normais do sector. Paulino Jerónimo referiu que a reestruturação pretendida se baseia na redução de custos e na melhoria de eficiências.
Outros princípios de trabalho adotadas pela concessionária e anunciados aos operadores são a transparência, eficiência no processo de investimento, trabalho e resultados. “Os operadores são nossos parceiros e têm que ter conhecimento do que se passa realmente”, afirmou.
A administradora executiva da Sonangol Eunice Carvalho admitiu haver dificuldades da parte dos operadores e apontou a reestruturação da companhia como fator de superação do quadro actual, em combinação com a redução de custos e aumento de eficiência.

Operadores aplaudem

Em declarações à imprensa no final da reunião, os operadores aplaudiram a nova postura da concessionária e anunciaram disponibilidade para avançarem associados às linhas mestras apontadas pela Sonangol.
O director-geral da BP Angola, Darryl Willis, disse que o país tem grande potencial e as companhias vão trabalhar com o conselho de administração da Sonangol para o alcance dos objectivos.
Darryl Willis anunciou que a companhia está interessada em progredir na parceria de exploração de gás, “encorajado” com a perspectiva apresentada pela administração da Sonangol. O director da BP disse  que, com base nas novas práticas, existem muitas possibilidades de se encontrar novos campos de petróleo e gás e para desenvolver campos mais pequenos, considerados marginais, bem como a exploração de gás natural. “A BP Angola vai continuar a operar no mercado, uma vez que há possibilidade de se descobrir mais petróleo e gás e de se desenvolver os campos mais pequenos que são marginais e o gás natural”, salientou.
O director-geral da BP advertiu que a melhor maneira de reduzir os custos é assegurar que os contratos sejam eficientes e haja partilha de logística entre os vários operadores e blocos, mas, o mais importante, é a comunicação entre a indústria e a concessionária.
John Baltz, director-geral da Chevron em Angola, considerou que a perspectiva dos preços do petróleo se manterem baixos, obriga a que a Sonangol e parceiros insistam em trabalhar juntos para reduzir os custos no processo de produção de hidrocarbonetos no país. “Falamos da redução de custos, transparência e eficácia: penso que estes são aspectos importantes para Angola, pois estão alinhados com a Chevron”, afirmou John Baltz.
John Baltz notou que o futuro de Angola é promissor, pelo facto da nova direcção da Sonangol trabalhar na contenção de custos, na transparência e na eficácia. “A realidade mostra ainda muitas oportunidades em Angola”, sublinhou.
O director-geral da Total, Jacques Azibert, disse estar satisfeito com a reunião e a organização apresentada pela nova administração da Sonangol, considerando Angola “dos raros países que mudou a forma de trabalhar e que por isso tem criado soluções legais que  permitem continuar a trabalhar e identificar oportunidades na presente realidade da indústria”.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/sonangol_e_petroliferas_juntas_para_baixar_custos_de_producao

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Jornal angolano”Folha 8 “publica dura crítica   à nomeação de Isabel dos Santos para a presidência da Sonagol


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Em Angola há uma inequívoca justificação para que Isabel dos Santos tenha sido nomeada e tomado hoje posse como Presidente do Conselho de Administração da Sonangol. Sua majestade o rei seu pai exige a contratação dos melhores quadros para gerir o país e travar a “gestão danosa” na administração pública. E fora do clã familiar não havia, nem há, ninguém com essas qualidades.

Aposição vem, aliás, expressa no comunicado do bureau político do Comité Central do partido, a propósito do dia da Paz e da Reconciliação Nacional, 4 de Abril, que invoca o fim da guerra civil em Angola (2002), e cujo acto central comemorativo teve lugar em Saurimo, na Lunda Sul.

Além disso, todos nos recordamos que a princesa Isabel, herdeira directa do trono, afirmou em entrevista ao The Wall Street Journal que nunca recebeu qualquer ajuda por parte do paizinho, rei de Angola desde 1979: “Não sou financiada por dinheiro estatal nem por fundos públicos”.

Para sua majestade o rei, “no actual contexto da vida do país”, de crise profunda, recomenda-se “uma maior atenção ao desempenho dos quadros, aos quais foram confiadas tarefas de gestão”, acompanhada de um “combate mais firme contra a administração económica danosa ou irresponsável nas empresas públicas e à falta de disciplina na execução dos orçamentos afectos aos serviços da administração pública central e local”.

Paralelamente, o partido liderado por José Eduardo dos Santos, que é também titular do poder executivo e Presidente da República (nunca nominalmente eleito e no poder desde 1979), reitera a vontade de “tomar providências para colocar, no aparelho do Estado, quadros com um perfil mais adequado” à gestão pública.

E assim sendo, quem melhor do que a princesa herdeira para comandar a Sonangol e, mais tarde, o reino?

Como é evidente, basta ver os últimos 40 anos, “quadros com o perfil adequado” só existem no MPLA. Daí que, agora mais do que nunca, o regime defenda que o MPLA continua a ser Angola, e que Angola continua a ser o MPLA. Isto, é claro, para além de o MPLA ser José Eduardo dos Santos e José Eduardo dos Santos ser o MPLA.

“Que tenham sentido de responsabilidade e a consciência necessária para ajudá-lo, enquanto força política governante, a fazer cumprir a sua orientação, que prevê o desenvolvimento de instituições fortes e capazes de realizar a sua missão, com eficiência”, refere o comunicado do bureau político do MPLA.

Recordando o pronunciamento feito em Março pelo rei, os 14 anos de paz no reino são assinalados com um balanço em que as “metas preconizadas” ficam “muito aquém” do que foi definido, nomeadamente “para o aumento da produção, da melhoria da gestão das empresas públicas, do funcionamento do sector bancário, do apoio ao empresário privado angolano e do enquadramento dos quadros recém-formados”.

O aniversário do fim da guerra civil em Angola ficou este ano marcado pela profunda crise financeira, económica e social que o reino atravessa, devido à quebra para menos de metade nas receitas com a exportação de petróleo, e epidemias de malária e febre-amarela que estão a levar centenas de pessoas todos os dias aos hospitais, somando-se assustadoramente os casos de morte, sobretudo de Luanda.

“O MPLA e o executivo continuam a mobilizar os angolanos, particularmente os empresários, para agirem, com urgência, para o aumento significativo da produção interna, especialmente a de bens de primeira necessidade, para a satisfação plena da demanda nacional e da diversificação das exportações, para o incremento das receitas em divisas”, refere o comunicado daquele órgão central do partido do rei.

Lei da probidade morreu há muito

ALei da Probidade Pública constituiria, segundo seu articulado e os devaneios propagandísticos do regime, mais um passo para a boa governação, tendo em conta o reforço dos mecanismos de combate à cultura da corrupção.

Recorde-se que a Assembleia Nacional aprovou no dia 5 de Março de 2010, com o devido e apologético destaque propagandístico da imprensa do regime e não só, por unanimidade, a Lei da Probidade Administrativa, que visaria (de acordo com a versão oficial) moralizar a actuação dos agentes públicos angolanos.

Disseram na altura, e continuam a dizer agora, que o objectivo da lei era conferir à gestão pública uma maior transparência, respeito dos valores da democracia, da moralidade e dos valores éticos, universalmente aceites.

José Eduardo dos Santos, quando deu posse ao então novo Governo, entretanto várias vezes remodelado, reafirmou a sua aposta na “tolerância zero” aos actos ilícitos na administração pública.

Apesar da unanimidade do Parlamento, e passado todo este tempo, o melhor é fazer, continuar a fazer, o que é aconselhável e prudente quando chegam notícias sobre a honorabilidade do regime, esperar (sentado) para ver se nos próximos dez ou 20 anos (o optimismos faz parte do nosso ADN) a “tolerância zero” sai do papel em relação aos donos dos aviários e não, como é habitual, no caso dos pilha-galinhas.

Essa lei “define os deveres e a responsabilidade e obrigações dos servidores públicos na sua actividade quotidiana de forma a assegurar-se a moralidade, a imparcialidade e a honestidade administrativa”. É bonito. Digam lá que não parece – em teoria – um Estado de Direito?

Mas alguém acredita? Mas alguém está interessado? Acreditarão nisso os 68% (68 em cada 100) dos angolanos que são gerados com fome, nascem com fome e morrem pouco depois com fome? Ou as 45% das crianças que sofrem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos?

Se calhar não acreditam. Têm, contudo, de estar caladinhos e nem pecar em pensamentos. Mas acredita, diz, José Eduardo dos Santos. E isso basta. Se calhar a Lei da Probidade Administrativa fará que Angola suba para aí meio lugar nos últimos lugares do “ranking” que analisa a corrupção.

Acreditarão na Lei da Probidade Administrativa todos aqueles que sabem, até mesmo os que dentro do MPLA batem palmas à ordem do chefe, que em Angola a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens, ou seja, o cabritismo, é o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos? Acreditarão os que sabem que 80% do Produto Interno Bruto é produzido por estrangeiros; que mais de 90% da riqueza nacional privada foi subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% da população?

Acreditarão na Lei da Probidade Administrativa todos os que sabem que o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder?

Também não interessa se acreditam ou não. O importante é que o MPLA recebe os encómios dos países acocorados perante o petróleo angolano, que preferem negociar com um regime corrupto do que, eventualmente, com um que tenha uma base democrática.

Se calhar, pensam baixinhos os angolanos que usam a cabeça e não a barriga para analisar o seu país, para haver probidade seria preciso que o poder judicial fosse independente e que o Presidente da República não fosse – como acontece à luz da Constituição – o “cabeça de lista” (ou seja o deputado colocado no primeiro lugar da lista), eleito pelo do circulo nacional nas eleições para a Assembleia Nacional.

Se calhar para haver probidade seria preciso que Angola fosse um Estado de Direito, coisa que manifestamente (ainda) não é.

http://jornalf8.net/2016/ela-e-a-maior-e-melhor/

Aside

Declaração de Isabel dos Santos, a nova presidenta da Sonagol

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Ontem mesmo, a nomeada para Presidente do Conselho de Administração da SONANGOL fez publicar uma declaração que aponta as grandes metas a atingir pela empresa face à evolução da economia mundial cujo texto publicamos na íntegra:
“A economia mundial, marcada por uma quebra acentuada e prolongada do preço do petróleo, apresenta um contexto difícil para os países produtores. Hoje, a gestão da crise faz parte da agenda de todas as empresas do sector.
A preocupação com a redução de custos, bem como o aumento dos lucros e da competitividade, são hoje prioridades estratégicas obrigatórias. No entanto, alcançar os resultados pretendidos é uma tarefa difícil e complexa.
A Sonangol enfrenta esta conjuntura e toma a iniciativa de encarar a mudança e marcar uma nova era. A nova equipa terá como principal objectivo a implementação do novo modelo para o setor petrolífero angolano e a execução de um Programa de Transformação, que terá como foco:
• Diminuir os custos de produção e otimizar os recursos, tendo em vista aumentar a competitividade internacional do sector petrolífero angolano;
• Aumentar a rentabilidade da empresa e os dividendos para o acionista Estado;
• Assegurar a transparência na gestão e a aplicação de standards internacionais de reporte e de governança;
• Melhorar a relação com os fornecedores e com os restantes parceiros do sector, numa perspectiva de médio e longo prazo;
• Promover a responsabilidade com a comunidade reconhecendo o papel chave da Sonangol EP na sociedade angolana.
Para apoiar o novo Conselho de Administração na boa execução do Programa de Transformação, foram selecionadas três consultoras de grande reputação nas suas áreas de competência: a The Boston Consulting Group (BCG), a PwC e a Vieira de Almeida & Associados.
Temos, como empresa, que nos comprometer com uma cultura de fazer mais com menos e de nos focarmos na excelência e em resultados. A excelência é a nossa melhor defesa. A excelência é o nosso melhor ataque.
Acredito que esta cultura de excelência permitirá enfrentar com sucesso os grandes desafios que o novo contexto do sector petrolífero coloca à Sonangol e ao País”.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/remodelacao_na_sonangol

Aside

Presidente de Angola nomeia filha para presidente da Sonangol

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O presidente angolano, José Eduardo dos Santos, nomeou Isabel dos Santos, sua filha, para as funções de presidente do conselho de administração da petrolífera estatal Sonangol.

A nomeação, divulgada esta quinta-feira através de um comunicado da Casa Civil do presidente da República enviado à Lusa, acrescenta que a administração liderada desde 2012 por Francisco de Lemos José Maria (presidente do conselho de administração) é exonerada de funções, passando a empresa a ser responsável apenas pela “gestão e monitorização dos contratos petrolíferos”.

A designação de Isabel dos Santos para presidente do conselho de administração e administradora não executiva da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) surge no âmbito da reestruturação da empresa estatal e do setor petrolífero angolano, processo em que já tinha participado, conforme confirmou a 22 de janeiro, em comunicado, o comité que tratou o processo, alegando a sua experiência de 15 anos como empresária.

Para presidente da comissão executiva – novo órgão entretanto criado pelo Governo angolano para a petrolífera estatal -, e administrador executivo, foi nomeado, segundo a mesma informação da Casa Civil da Presidência, Paulino Fernando de Carvalho Gerónimo, que transita do conselho de administração anterior.

A nova equipa da Sonangol é composta ainda pelos administradores executivos César Paxi Manuel João Pedro, Eunice Paula Figueiredo Carvalho, Edson de Brito Rodrigues dos Santos, Manuel Luís Carvalho de Lemos, João Pedro de Freitas Saraiva dos Santos e Jorge de Abreu.

Conta ainda com os administradores não executivos José Gime, André Lelo e Sarju Raikundalia.

A Lusa noticiou a 27 de maio que a Sonangol, enquanto concessionária estatal angolana do petróleo, vai passar a ter apenas a função de “gestão e monitorização dos contratos petrolíferos” e os direitos sobre as empresas suas participadas vão transitar para um outro órgão estatal.

A informação consta do modelo de reajustamento da organização do setor dos petróleos, aprovado por decreto presidencial.

“A Sonangol EP [Empresa Pública] mantém-se como a concessionária nacional exclusiva do setor [petróleos], apartando-se de todas as demais atividades presentemente exercidas, nestas se incluindo as de pesquisa, produção e operação de blocos petrolíferos. Enquanto concessionária é responsável pela gestão e monitorização dos contratos petrolíferos”, define o novo quadro orgânico do setor petrolífero angolano.

A nova comissão executiva da Sonangol, órgão criado por decreto presidencial de 26 de maio, vai passar a assumir a gestão corrente da petrolífera estatal angolana, incluindo propostas de contração de empréstimos ou planos de investimento.

A medida insere-se na reestruturação em curso na petrolífera e surge plasmada naquele decreto presidencial, a que a Lusa teve acesso, que altera o estatuto orgânico do funcionamento da empresa estatal.

Define que o conselho de administração é composto por “até 11 membros, sendo sete administradores executivos e quatro não executivos”, nomeados por decreto presidencial para um mandato de 5 anos.

Francisco Lemos Maria foi nomeado em fevereiro de 2012 presidente do conselho de administração da Sonangol, sucedendo no cargo a Manuel Vicente, atual vice-presidente de Angola.

A comissão executiva agora criada na estrutura da Sonangol terá a “gestão corrente” do maior grupo empresarial do país, “incluindo poderes de gestão necessários ou convenientes para o exercício da atividade da empresa”, lê-se no mesmo documento.

A petrolífera estatal de Angola apresentou uma queda de 34% na receita do ano passado, face a 2014, registando igualmente uma descida dos lucros na ordem dos 45%, atribuíveis principalmente à queda do preço do petróleo.

A receita total da Sonangol em 2015 foi de 2,2 biliões de kwanzas (11,9 mil milhões de euros).

Em Portugal, a Sonangol tem participações diretas e indiretas no Millennium BCP e na Galp.

fonte:http://www.jn.pt/mundo/interior/presidente-angolano-nomeia-filha-para-administradora-da-sonagol-5207687.html

Reorganização deixa Sonangol apenas como concessionária do petróleo em Angola

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A Sonangol, enquanto concessionária estatal angolana do petróleo, vai passar a ter apenas a função de “gestão e monitorização dos contratos petrolíferos” e os direitos sobre as empresas suas participadas vão transitar para um órgão estatal.
A informação consta do modelo de reajustamento da organização do setor dos petróleos, aprovado por decreto presidencial de 26 de maio, documento ao qual a Lusa teve acesso e que reconhece que a Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) está hoje presente “em todas as atividades que integram a indústria nacional do petróleo e gás”, com subsidiárias em todos os segmentos, “seja na pesquisa e produção, na transformação, no transporte e na comercialização”.
 
“A Sonangol EP [Empresa Pública] mantém-se como a concessionária nacional exclusiva do setor [petróleos], apartando-se de todas as demais atividades presentemente exercidas, nestas se incluindo as de pesquisa, produção e operação de blocos petrolíferos. Enquanto concessionária é responsável pela gestão e monitorização dos contratos petrolíferos”, define o novo quadro orgânico do setor, que ainda obrigará à publicação progressiva de vários diplomas legais.
 
A Sonangol funciona atualmente com pelo menos 17 subsidiárias, mas o maior grupo empresarial angolano, com perto de 10.000 trabalhadores, tem ainda participações em várias empresas e bancos. Em Portugal, a Sonangol tem participações diretas e indiretas no Millennium BCP e na Galp.
 
Enquanto concessionária estatal, a Sonangol será agora alvo de uma “refocalização” na sua função “original e primordial”, processo que, lê-se no documento, “importa a transferência das diversas participações sociais que a mesma detém em várias empresas do setor para sociedades de gestão de participações sociais detidas pelo Estado”.
 
“Torna-se necessário que os direitos decorrentes da função acionista do Estado passem a ser exercidos, de modo integrado e coordenando, por um órgão especializado nessa missão. Esse órgão, que faz parte da administração direta do Estado, sujeito ao poder de direção do titular do poder Executivo, é o Conselho Superior de Acompanhamento do Setor Petrolífero [COSAP]”, define a nova orgânica.
 
Sobre o COSAP, esta reestruturação prevê que seja um órgão colegial e que vá gerir a função acionista do Estado nas várias participações detidas atualmente pelo grupo Sonangol, da saúde aos transportes aéreos.
 
Na nova orgânica surge ainda a Agência para o Setor Petrolífero, que integra a administração indireta do Estado e que passa a coordenar, regular e avaliar o desempenho do setor, a preparar e negociar a atribuição dos blocos petrolíferos e a resolução, por via administrativa, de conflitos naquela indústria.
 
“O modelo de organização tem por alicerces a criação da Agência com uma visão integrada do setor petrolífero e independência entre a concessionária nacional e a operadora nacional”, define.
 
Estas alterações são justificadas com a necessidade de aumentar a eficiência do setor em Angola e de implementar um “modelo de gestão mais eficaz”. Vai permitir, refere o texto do modelo, a “eliminação de interesses em conflito, uma maior coordenação política”, eliminar “custos desnecessários, “um maior enfoque de gestão e uma maior transparência nos resultados obtidos”.
 
“A intervenção da Sonangol EP em praticamente toda a cadeia de valor do setor é suscetível de desfocalizar a empresa da sua função primordial de concessionária nacional, dispersando a sua atenção por um conjunto variado, e nem sempre coerente, de atividades e de negócios. Por outro lado, essa dispersão contribui para uma gestão menos eficiente das empresas subsidiárias ou participadas, na medida em que não permite observar o princípio da especialização nem assegurar a adequada autonomia estratégica, financeira e de administração das referidas empresas”, conclui o documento.