Brasil na Missão para a Estabilização da República Centro-Africana está incerta

A participação do Brasil na Missão Multidimensional das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA), começa a enfrentar problemas para sua confirmação.

Força da ONU participando da Missão Multidimensional das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA). Fot0 – MINUSCA

Nota DefesaNet
Texto atualizado 13:20 28NOV2017

Equipe DefesaNet
O Comandante do Exército Brasileiro, General-de-Exército Eduardo Villas Bôasdirigiu uma mensagem aos Comandantes / Chefes / Diretores de Organizações Militares sobre a Participação Brasileira em Missão de Paz na República Centro-Africana (RCA).

O texto informa que oficialmente o Brasil foi convidado a integrar a Missão Multidimensional das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA), em 22 de novembro de 2017.

Informa que até o presente momento, o Governo Brasileiro não emitiu um parecer respondendo ao questionamento, formulado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Abaixo Mensagem do Comandante do Exército

O chefe do Departamento de Operações de Paz da Organização das Nações Unidas (ONU), Jean-Pierre Lacroix destacou que, entre os novos desafios para as Nações Unidas nos próximos anos, está a necessidade de plena implementação de uma política de tolerância zero com relação a casos de abuso sexual.

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Em palestra realizada no auditório do Ministério da Defesa, Lacroix fez ainda um resumo da situação atual das missões de paz da ONU ao redor do mundo. De acordo com ele, a Organização vem contabilizando inúmeros sucessos no sentido de conseguir estabelecer a paz e salvar vidas da população civil.1511872348_Palestra_secretrio_ONU_grande_2

No entanto, de acordo com Lacroix, a ONU agora enfrenta desafios que exigem respostas precisas para que possa haver uma evolução das missões de paz. Segundo ele, uma das grandes dificuldades, atualmente, é a questão política das missões, ou seja, restabelecer a paz e fazer com que as instituições locais funcionem plenamente.

Lacroix destacou situações mais violentas, populações mais fragilizadas e amedrontadas nos locais que são ou serão alvo de missões, além da questão da pressão sobre novos recursos que vem sendo enfrentada pela ONU.

Diante deste novo cenário, Lacroix explicou que a ONU está revendo parâmetros de atuação para buscar formas flexíveis e eficientes e destacou que, para isso, cada vez mais se farão necessárias tropas versáteis e inteligentes, capazes de se adaptar aos mais diversos contextos políticos, econômicos e sociais.

Além disso, ele ressaltou que a ONU buscará um envolvimento cada vez maior dos países membros e parceiros. “Precisamos de um trabalho em parceria com toda a comunidade internacional, não existe mais cenário para poucos protagonistas, todos os países tem um papel muito importante”, disse ele citando como exemplo o caso da missão de paz em Mali onde a União Europeia desempenha papel fundamental no treinamento das Forças Armadas locais.

Fonte:http://www.defesanet.com.br/ph/noticia/27807/Soldados-brasileiros-tem-“conduta-exemplar”–diz-chefe-de-Missoes-de-Paz-da-ONU-/

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Envio de tropas brasileiras a Republica Centro Africana está em debate.

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Diplomatas consideram difícil justificar envio de tropas para região conflagrada e, na Justiça, teme-se que País se torne alvo terrorista

 

A participação na MINUSTAH (Haiti) teve racterísticas muito diferentes das que será encontradas em uma missão na república centro africana

 
Cláudia Trevisan,
CORRESPONDENTE / WASHINGTON
,
Rodrigo Cavalheiro e Tânia Monteiro / BRASÍLIA

Embora o ministro da Defesa, Raul Jungmann, tenha anunciado que o Brasil enviará soldados para uma missão de paz na República Centro-Africana, a manobra está longe de ser consenso no governo. O Itamaraty considera mais difícil justificar à população a necessidade de envio de tropas para a África do que para o Haiti. No Ministério da Justiça também há reservas, pelo temor de que o Brasil se transforme em alvo do terrorismo.

Um dos fatores de preocupação é o perfil de atuação muito mais arriscado e a possibilidade real de morte de militares brasileiros. “No caso do Haiti, havia uma realidade mais conhecida. Na África, há uma realidade diferente, mais difícil de entender, que talvez exija mais informação para a opinião pública”, afirmou um diplomata de alto posto, que sustentou não haver uma divisão institucional entre os ministérios. “Há opiniões diferentes nos dois lados (Defesa e Itamaraty)”, completou. Um segundo funcionário de carreira afirmou que os que se opõem à ideia consideram a iniciativa arriscada e compensada parcialmente com reembolso da ONU.

Uma segunda razão de resistência, em um ano eleitoral, seria o custo da missão. O ministro disse que o cálculo não foi feito, mas o Exército tem levantamentos avançados sobre o tema. Segundo um militar com acesso aos estudos prévios, seriam necessários US$ 100 milhões por ano, valor aproximado ao aplicado na última etapa no Haiti para manter um batalhão com troca semestral. Embora a ONU exija a substituição anual da tropa, o Brasil prefere um revezamento maior, como maneira de se prevenir casos de abuso sexuais.

Um terceiro fator que afasta a decisão de um consenso é a distância cultural e geográfica. O Brasil estaria contribuindo para a paz em um país africano com graves conflitos ligados a disputas religiosas.Jungmann

Jungmann negou ontem que haja divergência com o Itamaraty. Segundo ele, o presidente Michel Temer deu sinal verde para o planejamento da operação. “A posição do presidente até aqui tem sido de mandar tocar os estudos, de que nós seguíssemos adiante”, disse Jungmann em Washington. Em relação ao Itamaraty, ele disse ter recebido apoio “decisivo e já expresso” do chanceler Aloysio Nunes Ferreira.

A intenção do Ministério da Defesa é enviar um contingente de mil soldados à República Centro-Africana. O número seria um pouco menor que o mantido no país pelo Paquistão, que tem o maior contingente, com 1.115 militares. A contribuição brasileira seria semelhante às de Bangladesh (1.001) e do Egito (1.000). Não está claro se o Brasil chefiaria a missão. A previsão é de que outros militares, ainda a serem treinados, sigam para a operação e não os que estiveram no Haiti. Não há estimativa também de quanto tempo o Brasil permaneceria no país africano.

Jungmann disse que a participação é fundamental para o treinamento e a prontidão dos militares. “É uma experiência no terreno, em situação real, que qualquer Força Armada precisa ter constantemente.” Na avaliação dele, não haverá problema para aprovação da proposta pelo Congresso. Na quinta-feira, Jungmann disse que o objetivo é que as tropas brasileiras cheguem à República Centro-Africana antes da metade do próximo ano. O projeto deve ser enviado ainda neste ano.

O ministro lembrou que o Brasil comandou durante 13 anos a missão de paz no Haiti, da qual participaram 36 mil soldados do país. Jungmann sustentou que o Brasil deve participar das decisões globais e, se não fizer isso, não eleva seu patamar nos foros internacionais, onde se decidem questões importantes, inclusive no Conselho de Segurança da ONU.

De acordo com um militar que acompanha o planejamento da operação, a estimativa de US$ 100 milhões anuais tende a ser superada no primeiro ano, em razão do custo maior de montagem da base e eventual realocação. Alguns equipamentos novos teriam de ser adquiridos, em razão da natureza do terreno, diferente do haitiano. Entre os equipamentos estariam 50 jipes blindados. Outro ponto que encarece a missão é a necessidade de voos frequentes.

Dentro das Forças Armadas também não há consenso sobre a forma da missão. Integrantes do Exército consideram a participação da Marinha prescindível, por encarecer as missões. Indispensável seria mesmo o apoio da Aeronáutica. Segundo o ministro, o prazo de permanência só será discutido depois da aprovação da proposta pelo Congresso. Ainda assim, ele poderá ser prorrogado, como ocorreu sucessivas vezes no Haiti.

Em setores do Ministério da Justiça, a proposta encontra resistência porque a missão tem entre seus objetivos combater uma coalizão de milícias muçulmanas. O enfrentamento poderia tornar o Brasil vulnerável a atentados terroristas. Jungmann disse, porém, que “este risco não foi detectado” pela Defesa, pelo Itamaraty ou pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Jungmann reconhece que no país africano o Brasil terá “um desafio de maior complexidade” do que teve no Haiti.

O governo sabe, contudo, que pode enfrentar críticas por dois fatores: a forte restrição orçamentária para 2018 e a queixa de eleitores de que as cidades estão sofrendo com a criminalidade e os soldados poderiam ajudar na segurança pública. Em missões de paz, os militares têm autonomia para combater a criminalidade local, diferentemente do que acontece no País.

Carta-MINUSCA-na-RCA (1)

Teatro de operações tem grupos armados étnicos e religiosos

ROBERTO GODOY

O convite formal para uma nova missão sob mandato da ONU ainda não veio, mas quando chegar, indicando o destino da República Centro-Africana, as malas estarão quase prontas nas Forças Armadas. Exército, Marinha e Aeronáutica pretendem despachar um batalhão reforçado – cerca de 1 mil homens e mulheres – para o trabalho de garantir a paz na área conflagrada.

O estudo básico já foi concluído e os planos da operação logística contemplam o início do deslocamento no segundo semestre de 2018. A experiência de 13 anos no Haiti, encerrada em outubro, será fundamental, embora o cenário centro-africano seja bem diferente – o teatro de operações é povoado por grupos armados étnicos e religiosos que começam a sofrer a influência de organizações terroristas como o Boko Haram e de fundamentalistas islâmicos, que se irradia desde 2011 a partir do norte da Nigéria.

“Nossos militares querem subir o sarrafo”, define o ministro da Defesa, Raul Jungmann, comparando o novo grau de dificuldade da missão ao salto com vara dos esportes olímpicos.

É, de fato, um patamar acima na escalada. A possibilidade de engajamento em combate é grande mesmo dentro das regras da ONU – apenas em defesa da missão e da vida – e a eventualidade de baixas é considerada. “É duro, mas é a realidade: nossas forças não têm experiência nesse tipo de atuação e precisam adquirir o conhecimento, o preparo, para ter efetividade em um mundo onde o conceito de guerra mudou”, disse ontem ao ‘Estado’ um oficial de alto escalão com vários períodos no Haiti e no Oriente Médio.

A disposição é grande. Já se sabe que, além dos blindados, armados e de transporte de pessoal, pela primeira vez desde a 2.ª Guerra, a Força Aérea Brasileira (FAB) enviará pilotos e aviões de ataque a um território estrangeiro.

Serão dois A-29 Super Tucano, turboélices da Embraer empregados para realizar reconhecimento e bombardeio. A FAB também pode ter de ceder para a ONU um cargueiro C-105 Amazonas e um ou dois helicópteros H-60 Black Hawk.

Brasil poderá participar de Missão de Paz na República Centro Africana, um cenário muito difícil .

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Rio de Janeiro – Ministro da Defesa Raul Jungamnn participou no sábado de solenidade que marcou o fim das operações do Brasil na Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah)Vladimir Platonow/Agência Brasil

Após 13 anos ajudando a estabilizar e reconstruir o Haiti, o destino da próxima missão de paz das Forças Armadas Brasileiras poderá ser a República Centro Africana. A possibilidade do Brasil integrar a Missão Multi-dimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização na República Centro-Africana (Minusca) foi comentada neste sábado (21), pelo ministro da Defesa, Raul Jungman.Carta-MINUSCA-na-RCA

O ministro participou, no Rio, de evento comemorativo ao final dos trabalhos dos militares brasileiros na Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah), após 13 anos de atuação de 37,5 mil homens e mulheres brasileiros. “A República Centro Africana parece como aquele mais provável destino de missão de paz do país. Porém, a decisão final compete ao presidente da República e ao Congresso Nacional. Nós temos o desejo de levar paz, estabilidade e levar os nossos valores”, disse Jungmann aos jornalistas, após o evento.

Com 5,2 milhões de habitantes, a República Centro Africana fica no centro do continente e faz fronteira com Chade, Sudão, Congo e Camarões. O país, considerado um dos mais pobres do mundo, enfrenta combates entres grupos guerrilheiros cristãos e o governo muçulmano. Ao contrário do Haiti, onde a logística brasileira chegava de navio, o transporte de material para o país africano terá de ser feito via aérea, o que complica a operação e aumenta os custos.

o general Ajax Porto Pinheiro

Porém, a participação do Brasil em missões de paz oferece vantagens, como a inserção do país no cenário global das Nações Unidas e o adestramento permanente das tropas brasileiras, conforme comentou o general Ajax Porto Pinheiro, que foi o último comandante da Minustah e atuou como coordenador dos esforços de resgate e reconstrução do país, após o terremoto de 2010.

“O melhor campo de treino para as Forças Armadas é a missão de paz. Ela é o meio termo entre o treinamento no país e uma guerra. Nós aprendemos muito. Os nossos tenentes hoje têm muito mais desenvoltura, sabem conviver nesse ambiente internacional, muito mais que os da minha geração. Outro grande aprendizado é que, em uma missão de paz, a língua não é a nossa. Ou nós aprendemos a nos comunicar em uma outra língua e a conviver com um ambiente que não é o nosso, ou nós não sobrevivemos. Isto os nossos militares hoje sabem fazer, principalmente os mais jovens, que vão continuar no Exército”, disse o general Ajax.

 

https://istoe.com.br/apos-saida-do-haiti-brasil-podera-atuar-em-missao-de-paz-na-africa/

Human Rights Watch acusa capacetes azuis do Congo de matarem 18 pessoas

A organização Human Rights Watch (HRW) acusou hoje os capacetes azuis da República do Congo de terem assassinado, entre dezembro de 2013 e junho de 2015, 18 pessoas, incluindo mulheres e crianças, na República Centro-Africana.

A organização Human Rights Watch (HRW) acusou hoje os capacetes azuis da República do Congo de terem assassinado, entre dezembro de 2013 e junho de 2015, 18 pessoas, incluindo mulheres e crianças, na República Centro-Africana.

Segundo a HRW, foram encontrados, numa vala comum, exumada em fevereiro deste ano, os corpos de 12 pessoas que foram detidas em março de 2014.

A organização com sede em Nova Iorque assegura que esta descoberta refuta a versão dos capacetes azuis que asseguravam que estas pessoas tinham escapado.

A HRW afirmou ter documentado a morte por tortura de dois líderes “anti-balaka”, de dois suspeitos de pertencer a esse movimento e de dois civis que morreram por golpes provocados por militares congoleses.

“O aparecimento de 12 corpos é uma prova contundente de um ultrajante crime por parte de capacetes azuis congoleses, que foram enviados para proteger as pessoas, não para as atacar”, afirmou em comunicado o investigador da organização, Lewis Mudge.

Segundo a HRW, as autoridades do Congo não tomaram medidas para garantir uma investigação credível ou para encontrar justiça para estes crimes.

A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou hoje que foi chamada à atenção para este caso e que o tem estado a seguir desde 2015.

Regra geral, a ONU não dispõe de autoridade para julgar os capacetes azuis, que estão sob a jurisdição dos seus países de origem.

Numerosas organizações denunciaram, repetidamente, que esta situação faz com que numerosos abusos cometidos pelas forças da paz não obtenham castigo.

Nos últimos meses, tropas internacionais inseridas na República Centro-Africana foram acusadas de repetidos abusos sexuais, em muitos casos a menores, que levaram a que a ONU tomasse medidas.

http://observador.pt/2016/06/07/human-rights-watch-acusa-capacetes-azuis-do-congo-de-matarem-18-pessoas/

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República Centro Africana já tem um novo presidente

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Roger Godwin |
23 de Fevereiro, 2016

Naquilo que todos desejam seja a colocação de um ponto final na profunda crise que tem afectado a República Centro Africana (RCA), finalmente o país já tem um novo presidente, eleito na segunda volta de umas eleições marcadas por uma enorme tranquilidade.

Trata-se do antigo primeiro-ministro FaustinTouadera, que teve a grande virtude política de ter focado toda a sua campanha naquilo que verdadeiramente mais preocupa os seus concidadãos: a segurança.
Touadera, repetidamente, garantiu que se fosse eleito Presidente da República teria como sua maior preocupação criar as condições para garantir a restrauração da segurança em todo o país.
De acordo com os resultados provisórios, uma vez que os definitivos só deverão ser conhecidos dentro de uma semana, FaustinTouadera arrebatou cerca de 63 por cento dos votos contra 37 por cento do seu oponente directo, AnicetDologuele.
O mais recente episódio de instabilidade na RCA começou em 2013, depois de o grupo rebelde muçulmano, Seleka, tentar chegar ao poder por via da força, tendo mesmo obrigado o presidente Bozezi a abandonar o país.
De acordo com dados das Nações Unidas, desde essa altura cerca de metade da população foi obrigada a abandonar as suas zonas de origem, levando a que o país ficasse praticamente dividido ao meio, com muçulmanos de um lado e cristãos do outro.
Foi, precisamente, para reunir todo o país que FaustinTouadera disse que se candidatava, usando como principal bandeira a necessidade de voltar a juntar muçulmanos e cristãos, mesmo que para isso tenham que ficar de lado alguns radicais de ambas as partes. Depois de uma primeira volta muito renhida, o triunfo de FaustinTouadera não deixou de surpreender muita gente, sobretudo aqueles que se reviam nas políticas que estavam a ser seguidas pelo antigo presidente Pierre Bozize e que estiveram, aliás, na base da revolta dos Seleka.
Pelo facto de ter sido primeiro-ministro do presidente Bozize durante dez anos, aquele antigo professor de Matemática tinha supostamente contra si não só grande parte da população muçulmana como também os cristãos que não acreditam na possibilidade de uma convivência pacífica entre diferentes confissões religiosas.
Porém, o modo extremamente cuidadoso como conduziu a campanha, aos poucos foi-lhe dando a confiança de um número crescente de pessoas, levando o próprio derrotado, AnicetDologuele, a reconhecer no sábado a derrota, mas a reservar para si um papel importante no trabalho conjunto que se segue e que é o do desarmamento da população e do restabelecimento da confiança entre todas as forças que estiveram envolvidas no conflito.
Trata-se de um trabalho bastante árduo e que, para ser levado a cabo com êxito, precisa do envolvimento internacional dos países vizinhos, sobretudo daqueles onde os rebeldes Seleka ganharam a simpatia suficiente para obterem algum apoio militar e logístico.
Em Bangui, capital do país, o fim deste processo eleitoral foi recebido com um enorme suspiro de alívio, mas também com a preocupação de quem sabe que os tempos que se avizinham vão ser decisivos para o futuro do país.
Para já, o facto deste processo eleitoral não ter até agora sido manchado com suspeitas ou acusações de irregularidades evidentes, deixa perceber que existe a vontade política de criação de um espaço para que seja dada uma oportunidade ao entendimento entre muçulmanos e cristãos.
Os problemas, se surgirem, começarão se alguns países vizinhos não resistirem à tentação de meter a foice em seara alheia e se a comunidade internacional, sobretudo a França, teimar em querer influenciar um tipo de política que favoreça os seus interesses na região.
Em 2013, quando os Seleka forçaram uma mudança do governo, a França recusou accionar o acordo de ajuda militar que havia assinado com a República Centro Africana, o que na altura foi entendido como uma forma de “punir” o presidente Pierre Bozize pelo facto de este se ter distanciado aos poucos da esfera de influência centralizada em Paris.
O facto de agora o povo ter escolhido eleger um antigo primeiro-ministro de Bozize pode, mas espera-se que não, fazer a França tentar mostrar que tinha razão em não ajudar a travar os Seleka em 2013.
Durante toda a campanha, é bom que se recorde, o novo presidente eleito teve o cuidado de não se distanciar da ideia que Pierre Bozize tinha para o país e que só não resultou, de acordo com alguns observadores, porque a França efectivamente assim não quis.
É, pois, preciso que se deixe o novo presidente eleito trabalhar em paz, de modo a que possa realizar todas as suas promessas para devolver a paz e a esperança ao país, que não é por ser um dos mais pobres do mundo que não tem o direito a ser feliz e a viver num clima de concórdia.
Pena foi, refira-se mais uma vez, que se tenham desperdiçado três anos numa guerra sem sentido e que consumiu ainda mais os já de si escassos recursos do país, tanto os econômicos como os humanos.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/mundo_africano/rca_ja_tem_um_novo_presidente

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Novas acusações de abusos por soldados da ONU na Rep. Centro-Africana

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Genebra – A ONU denunciou nesta sexta-feira, em Genebra, um novo escândalo de abusos sexuais cometidos por soldados estrangeiros contra crianças na República Centro-Africana, e pela primeira vez nomeou cinco países que teriam militares envolvidos nestes casos.

Os supostos delitos teriam ocorrido principalmente em 2014, mas não se tinha noção deles até as últimas semanas, explicou o Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, que se declarou alarmado pelas novas acusações.Uma equipa da ONU no país africano falou com várias crianças e adolescentes, que declararam ter sofrido abusos sexuais ou exploração de parte de soldados estrangeiros.

Segundo quatro meninas, com idades entre os 14 e os 16 anos no momento dos factos, os agressores pertenciam a contingentes da força da União Europeia (Eufor-RCA), que não faz parte do contingente sob o comando da ONU, a Missão das Nações Unidas na República Centro-africana (Minusca).

Três das jovens acreditam terem sido abusadas por membros das tropas georgianas da Eufor-RCA.

Também há suspeitas sobre soldados de “outro país” que operam na Eufor, mas a ONU não quis fornecer mais informações antes de obter alguma comprovação.

Uma das meninas entrevistadas afirmou ter praticado sexo oral com soldados franceses em troca de uma garrafa de água ou um pacote de biscoitos.

A ONU já anunciou a abertura de uma investigação sobre as novas acusações de abusos sexuais por soldados da Minusca.

“Os soldados não foram identificados” no momento, informou uma fonte europeia, que disse que as acusações envolvem “pelo menos dez soldados”.

O ministério da Defesa da Geórgia prometeu “fazer tudo o possível para assegurar que aqueles que cometeram esses crimes sejam responsabilizados”.

Cerca de 150 soldados georgianos participaram da Eufor-RCA, que contava com cerca de 700 homens entre Fevereiro de 2014 e Março 2015, com a missão de restaurar a segurança em Bangui.

A UE, que leva estas acusações “muito a sério”, prometeu fornecer aos investigadores todas as informações “potencialmente relevantes” sobre o caso.

Segundo a ONU, dois irmãos, uma menina e um menino que tinham 7 e 9 anos, respectivamente, na época dos fatos denunciados, relataram terem sido vítimas de abuso sexual em 2014, supostamente cometidos por membros das tropas francesas Sangaris.

O ministro da Defesa francês, Jean Yves Le Drian, anunciou que apresentou à justiça as novas acusações.

Em 2014, um primeiro escândalo envolvendo soldados franceses veio à tona. Os incidentes ocorreram dentro ou no entorno de um campo de refugiados em M’Poko, perto do aeroporto de Bangui, sob a proteção da Eufor e das Sangaris.

Essas forças europeias não pertenciam ao contingente sob o comando da ONU.

No início de Janeiro, o escândalo atingiu soldados que faziam parte da missão Minusca. Segundo a investigação, estes soldados pertencem a cinco países: Bangladesh, Marrocos, República Democrática do Congo, Níger e Senegal. As vítimas seriam cinco meninas.

O chefe da Minusca, o gabonês Parfait Onanga-Anyanga, prometeu “sanções duras” depois de considerar como “absolutamente inaceitável que um soldado de manutenção da paz esteja envolvido nestes actos horríveis”.

Na França, cinco soldados tiveram de depor perante a justiça em Dezembro por outros casos de supostos abusos que ocorreram entre Dezembro de 2013 e Janeiro de 2014.

No entanto, nenhum dos soldados foi formalmente acusado e as audiências não contribuíram para o avanço da investigação, de acordo com uma fonte próxima à investigação francesa.

Durante os interrogatórios, os soldados disseram ter entregue rações alimentares às crianças sem pedir nada em troca, indicou.

Uma funcionária da ONU de nacionalidade francesa foi quem fez as denúncias.

Outra investigação está em curso na França sobre o suposto estupro de uma mulher centro-africana no verão de 2014 por um militar francês.

 

http://www.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2016/0/4/Novas-acusacoes-abusos-por-soldados-ONU-Rep-Centro-Africana,2b3833ba-7e0f-45c2-b7dd-294df27331b0.html