Soldados brasileiros na Republica Centro Africana, apesar das críticas da União Africana.

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Governo brasileiro estuda a possibilidade de  enviar tropas para participar da MINUSCAmissão de paz da ONU na República Centro-Africana.

O Brasil atravessa um momento de crise política e econômica, por que não deixar as potências estabelecidas cuidarem dos assuntos internacionais mais complexos?

Mesmo quando interesses brasileiros não são diretamente afetados — como no caso da crise na República Centro-Africana —, uma atuação ativa do Brasil fortaleceria a legitimidade do país para influenciar debates sobre o futuro da África, tema prioritário devido à crescente crise migratória. Embora a União Africana tem deixa claro que a presença de estrangeiros pra resolver conflitos não tem merecido sua aprovação. A União Africana reclama para si o papel de negociador.

Os dramáticos fracassos no enfrentamento de questões como as mudanças climáticas, a volatilidade financeira e as violações de direitos humanos ao longo das últimas décadas são claros indicadores de que novos atores — como Brasil, China e Índia — precisam contribuir para a busca de soluções significativas. Registre-se que a União Africana não tem recebido o devido investimento para equacionar os problemas da região.

 

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Uma política externa assertiva não é incompatível com a priorização de problemas domésticos. Muito pelo contrário: é uma ferramenta essencial para enfrentar esses desafios. Por exemplo, levar adiante negociações comerciais com a União Europeia (que beneficiam a economia brasileira), fortalecer relações com a China (para aumentar investimentos em infraestrutura) e promover a integração regional (para combater tráfico de armas e de pessoas, assim como fortalecer a segurança nas fronteiras) são questões diretamente ligadas a interesses nacionais que afetam a vida diária da população brasileira.Rep Centro Africana

O Ministério da Defesa considera o envio, em 2018, de aproximadamente 800 soldados, o equivalente a um batalhão de infantaria, ao país onde um quinto da população está internamente deslocado por causa da guerra civil. A situação na República Centro-Africana está pior do que a do Haiti, onde capacetes azuis brasileiros atuaram ao longo dos últimos anos. Mesmo assim, há semelhanças com a ilha caribenha, dando às tropas brasileiras — que têm preparo acima da média na ONU — uma vantagem comparativa, e condições de ajudar a estabilizar a situação.

Os ganhos para as Forças Armadas brasileiras seriam de manter militares na ativa, aperfeiçoar conhecimento em logística e  reforçar sua projeção de poder (capacidade de um exército de projetar força distante do seu próprio território).

Os soldados brasileiros voltariam ao Brasil com uma experiência internacional relevante e mais habilidades de comunicação intercultural. Em função da complexidade da situação na República Centro-Africana, a Força Aérea Brasileira teria aeronaves (inclusive o Super Tucano e helicópteros Black Hawk) atuando em áreas de conflito pela primeira vez desde a 2.ª Guerra Mundial. Dito de outra maneira, sofisticaria e tornaria mais versátil o hard power brasileiro — nada trivial em um cenário global altamente imprevisível.

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Além disso, o envio de tropas teria um baixo impacto no orçamento, pois se trataria apenas de uma realocação do número de soldados que saiu do Haiti e não de um aumento na participação brasileira em missões de paz. Outro ponto muitas vezes ignorado é que a ONU repassa ao governo brasileiro uma quantia considerável por sua atuação em uma missão de paz, reduzindo, assim, o custo ao contribuinte nacional. É verdade que seria necessária a abertura de uma embaixada brasileira em Bangui, mas as implicações financeiras seriam modestas.Bangui_Republica_Centro_Africana.jpg

Os riscos e os custos de o Brasil participar de mais uma missão de paz. Como foi o caso no Haiti, é possível antecipar a chegada de migrantes da República Centro-Africana às cidades brasileiras. A República Centro-Africana — um dos dez países mais pobres do mundo — vive uma complexa guerra civil  entre o governo do presidente Faustin Touadéra, milícias cristãs chamadas Anti-Balaka e uma coalizão das milícias muçulmanas Séleka e, segundo a ONU, há o risco de um genocídio. Não por acaso é uma das maiores missões da ONU, com quase treze mil soldados e um orçamento de quase um bilhão de dólares.

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A situação na República Democrática do Congo preocupa os angolanos

Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

A Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) prevê instalar um órgão permanente para o acompanhamento do processo político na República Democrática do Congo (RDC), informou em Luanda o ministro das Relações Exteriores de Angola .

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Georges Chikoti, ministro de Angola,  que falou na terça-feira à Angop no seu regresso do Cairo, afirmou que, com o fim do mandato da Missão das Nações Unidas para a Estabilização na República Democrática do Congo (MONUSCO), há necessidade de redefinir a ajuda da SADC à RDC.
O chefe da diplomacia angolana informou que a anteceder a conferência dedicada à Região dos Grandes Lagos, realizada no Cairo, capital do Egipto, participou em Dar-es-Salam, capital da Tanzânia, na reunião do Comité Inter-Estatal de Política e Diplomacia da SADC, que decorreu entre os dias 24 e 25 de Fevereiro.
De acordo com o ministro angolano, a reunião da SADC tratou de questões ligadas à segurança na região, particularmente na República Democrática do Congo e no Lesoto, países onde a comunidade da África Austral quer encorajar os diferentes partidos políticos a trabalharem na consolidação da paz, por forma a prevenir futuras crises.
Relativamente à Conferência sobre Paz e Segurança na Região dos Grandes Lagos, organizada pelo Governo egípcio, adiantou que o objectivo era olhar para os desafios e as perspectivas de oportunidade da consolidação da paz naquela região, uma vez que o Egipto substituiu Angola como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. “O Egipto quer empenhar-se mais nas questões do continente. Então, convidou-nos, na qualidade de presidente [da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos para, em conjunto com as Nações Unidas e outros parceiros, fazermos um debate sobre as questões da RDC, Burundi, Sudão do Sul e da República Centro Africana”, esclareceu.
Os participantes no encontro, disse, chegaram à conclusão que a dimensão do conflito na RCA não evoluiu. Logo, é necessário intensificar os esforços de coordenação entre países para obter uma resposta melhor. “De forma geral, pode-se dizer que o encontro foi muito bom e que se podem esperar outros esforços, particularmente do Egipto”, concluiu Georges Chikoti.
No Cairo, além de participar na conferência, o ministro das Relações Exteriores reuniu com o seu homólogo egípcio, Sameh Shoukry, com quem passou em revista as relações bilaterais e a possibilidade da realização de encontros entre Luanda e Cairo, para estreitar a cooperação, fundamentalmente nas áreas econômicas.
Além de presidir à Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos, Angola é vice-presidente do Órgão de Defesa e Segurança da SADC.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/situacao_na_rdc_mobiliza__a_sadc

Sudão do Sul, República Democrática do Congo e República Centro Africana preocupam o continente

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O Presidente de Angola,  José Eduardo dos Santos considerou “inquestionável” que o “atual espírito unipolar nas relações internacionais” conduziu o mundo a um período difícil, marcado por conflitos militares em várias partes do globo, pelo clima de incerteza política e pela crise econômica e financeira.
Para o Chefe de Estado angolano só o regresso aos “parâmetros do multilateralismo universal” permitiria sair desse momento difícil que o mundo vive atualmente. “São muitos os problemas a que a comunidade internacional tem de fazer face, e só colocando acima de tudo a vontade política, o espírito de diálogo e o cumprimento dos princípios e normas do Direito Internacional será possível encontrar soluções para esses problemas”.

O Presidente da República defendeu uma visão “mais realista, pragmática e tolerante” num cenário internacional em que urge inverter-se a “inércia negativa dos conflitos”, com a ONU e outras instituições internacionais a terem um papel cada vez mais ativo na resolução dos problemas internacionais. O líder angolano realçou o consenso de que a paz é fundamental para o desenvolvimento e progresso dos povos e nações, para a promoção da democracia e para a salvaguarda dos direitos humanos. Líder em exercício da conferência internacional da região dos Grandes Lagos, José Eduardo dos Santos pediu que seja dado maior apoio a África na luta contra o terrorismo, o radicalismo religioso e a sua expansão pelo continente.
E citou os casos de maior preocupação na região. O Sudão do Sul, que enfrenta um problema de insurreição e precisa de uma “verdadeira reconciliação”, a RDC onde tarda a aplicação dos acordos entre o governo e a oposição para a realização de eleições até Dezembro deste ano, e se restabeleça a confiança no sistema democrático vigente, e a República Centro Africana que, depois do processo de transição que culminou em eleições e formação do Governo, e outras instituições, continua a precisar de apoio para a conclusão da pacificação e estabilização.

 

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Que tragédia. Metade da população da República Centro Africana precisa de ajuda de emergência

por Eleazar Van-Dúnem |

A ministra para o Bem Estar e Reconciliação da República Centro Africana (RCA) disse terça-feira, em Genebra, que quase metade da população do seu país precisa de assistência humanitária.

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Virginie Baikoua falava ao lado do coordenador humanitário da ONU para a RCA, Fabrizio Hochschild, que pediu “mais atenção e apoio” da comunidade internacional para o que considerou “uma crise humanitária esquecida”.
A RCA, apesar do imenso potencial agrícola, tem das mais altas taxas de desnutrição crónica do mundo, que afecta uma entre duas crianças, “é dos países mais pobres e negligenciados do mundo, e os conflitos apenas pioram a situação”, referiu o representante da ONU.

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Nos últimos três meses, ocorreram seis confrontos que resultaram em centenas de mortes e dezenas de milhares de desalojados, as taxas de mortalidade materna e infantil estão entre as mais altas do mundo e a insegurança, o fraco acesso à água potável e a cuidados de saúde estão entre os grandes problemas da RCA, afirmou.
Fabrizio Hochschild informou que um entre 10 centro-africanos vive como refugiado e a maioria procurou abrigo nos Camarões, e destacou que “esforços humanitários são críticos para estabilizar a RCA numa altura que são tratadas as questões políticas, de desenvolvimento e de segurança”.
O Plano de Resposta Humanitária da ONU para atender a RCA no próximo ano e ajudar 1,6 milhões de civis custa 400 milhões de dólares, concluiu Fabrizio Hochschild.
A Organização das Nações Unids anunciaram no início do mês, numa Conferência de doadores realizada em Bruxelas para ajudar os centro-africanos, que a comunidade internacional enviou “sinais fortes” de apoio aos esforços de paz e de desenvolvimento com a promessa – ainda não cumprida – de disponibilizar  2,28 mil milhões de dólares para a RCA.
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Crianças são afectadas

Antes da conferência de doadores de Bruxelas, que inicialmente pretendia conseguir três bilhões de dólares para a RCA, o UNICEF revelou que as crianças representam metade dos 850 mil centro-africanos deslocados internos ou refugiados nos países vizinhos, e que mais de um terço das crianças não frequenta a escola.
Aquela agência da ONU alertou que pelo menos 41por cento dos menores de cinco anos sofrem de desnutrição crônica e que desde 2013 entre seis mil e 10 mil foram recrutados por grupos rebeldes armados centro-africanos. Para reverter o quadro, o UNICEF defende que as crianças sejam prioridade no plano de recuperação, que deve dar primazia à saúde e à educação para os mais vulneráveis.
As desigualdades econômicas, a disparidade de oportunidades entre as populações urbanas e rurais e tensões étnicas “alimentaram um ressentimento que ainda perdura” e o conflito iniciado em 2102, referiu o UNICEF. “As questões da justiça, da protecção e do combate à corrupção são fundamentais para a construção de um país que proteja os seus cidadãos e reforce o Estado de direito”, concluiu o comunicado do UNICEF.

Violência contínua

Na semana passada, pelo menos 85 pessoas morreram e 76 ficaram feridas nos mais recentes confrontos entre grupos armados rivais centro-africanos na região de Bria, anunciou terça-feira o Conselho Especial das Nações Unidas para a prevenção do genocídio e confirmou o porta-voz oficial da presidência da RCA, Albert Mopkem.
A violência entre facções rivais Seleka, de maioria muçulmana, começou há uma semana na cidade de Bria, a 400 quilômetros a nordeste de Bangui, e causou 85 mortos, civis, 76 feridos e cerca de 11.000 pessoas foram obrigadas a sair da localidade.
Os confrontos opõem dois grupos armados que surgiram da antiga coligação rebelde Seleka, a Frente Patriótica para o Renascimento da RCA (FPRC), liderada por Nourredine Adam, e a União para a Paz na RCA (UPC), por Ali Darass.
Dados estimam que a RCA é dos países mais pobres do mundo. A ONU tem no país cerca de 12.500 efectivos na sequência de violência sectária que eclodiu em Março de 2013, após o afastamento do Presidente François Bozize, cristão, pela aliança rebelde Seleka, muçulmana

 

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Soldados da ONU são novamente acusados de abuso sexual na Rep. Centro-africana

Salvadorean United Nations Peace-keeping soldiers depart for Lebanon

epa01614696 A handout picture provided by the Salvadorean Presidency shows soldiers of the United Nations Peace-keeping mission in Lebanon during a farewell ceremony at the Antiterrorist Special Command, 9 km from San Salvador, El Salvador, 26 January 2009. The Salvadorian soldiers will depart for the Lebanon to be part of the U.N. Blue Helmet peacekeepers. EPA/SALVADOREAN PRESIDENCY – HANDOUT EDITORIAL USE ONLY

Nova York, 16 Fev 2016 (AFP) – As Nações Unidas investigam novas denúncias de abuso e exploração sexual contra capacetes azuis da missão na República Centro-africana (Minusca), disseram altos funcionários da ONU.

“Estamos investigando estas acusações”, limitou-se a afirmar o porta-voz adjunto da ONU, Farhan Haq.

Segundo um encarregado das operações de manutenção de paz, a ONU está a par destas denúncias há apenas alguns dias e contatará os países de onde são originários os acusados antes de torná-las públicas. Algumas vítimas são menores de idade.

O porta-voz não informou a nacionalidade dos acusados, mas detalhou as medidas já tomadas contra unidades do Congo e da República Democrática do Congo (RDC), suspeitas de terem cometido abusos sexuais.

Um batalhão de soldados provenientes da RDC, que estavam baseados em Bambari, serão repatriados a partir de 25 de fevereiro, destacou e substituídos progressivamente por capacetes azuis da Mauritânia.

Outros 120 soldados do Congo, que também estavam mobilizados em Bambaro, foram confirmados em seus quartéis e serão repatriados antes do fim do mês, após uma investigação realizada pelas autoridades de Brazzaville.

“Estamos tentando estar certos de que nenhum indivíduo envolvido nestas graves acusações permaneça a cargo de pessoas vulneráveis”, disse Farhan Haq.

Dos 69 casos de supostos abusos sexuais que a ONU revelou no ano em suas 16 missões de paz no mundo, 22 envolviam soldados da Minusca.

Votação popular é anulada na República Centro Africana

 

Fotografia: Jaimagens

As eleições legislativas de  30 de Dezembro, na República Centro Africana, realizadas em simultâneo com as presidenciais, foram anuladas devido “a várias irregularidades”, anunciou ontem em comunicado o Tribunal Constitucional.

O principal relator da Autoridade Nacional de Eleições, que referiu terem sido recebidas 414 queixas de candidatos, declarou que “o Conselho Nacional de Transição continua em funções até à instalação de um Parlamento eleito”.
“Em certas localidades apenas foi possível votar para as presidenciais porque os boletins de voto para as legislativas não chegaram a tempo”, afirmou.
As legislativas foram organizadas em 140 círculos eleitorais. Nas áreas mais remotas do país, o material eleitoral, incluindo os boletins de votos, não foi distribuído a tempo do escrutínio.
Em conformidade com as disposições do código eleitoral centro africano, devem repetir-se  as eleições legislativas num período de 60 dias, mas estes prazos são quase sempre ultrapassados por insuficiências de infra-estruturas.

Milhões passam fome

Um relatório do Programa Alimentar Mundial (PAM)  divulgado na semana passada diz que dos cerca de dois milhões e meio de habitantes da República Centro Africana, metade passa fome e “uma em cada seis pessoas sofre de insegurança alimentar grave ou extrema”.
No relatório “Avaliação de Segurança Alimentar em Situação de Emergência” é realçado que o número de famintos duplicou num  ano e que “o conflito e a insegurança” são os principais obstáculos à disponibilização de alimentos.
O documento do PAM refere que pelo menos uma em três pessoas vive em situação de “insegurança alimentar moderada sem saber se tem a refeição seguinte” e que os três anos de crise provocaram um “número elevadíssimo” de vítimas, com muitas famílias centro-africanas forçadas frequentemente a vender bens, retirar os filhos da escola e até a recorrer à mendicidade.
O relatório revela que a violência iniciada em Setembro voltou a provocar deslocações numa altura em que muitas pessoas regressavam a casa e quase um milhão delas vive em locais provisórios ou procura refúgio em países vizinhos.
O documento, que revela que “a colheita do ano passado foi fraca e os preços dos alimentos continuam elevados porque os agricultores não trabalham as terras devido à insegurança”, apela “à ajuda de emergência de forma contínua” a deslocados e repatriados, bem como à assistência técnica aos agricultores. No relatório  também é pedida a criação de redes de segurança com programas de alimentação escolar e de reabilitação de infra-estruturas.
O director-adjunto do PAM na RCA disse que “as pessoas ficaram sem nada”, pelo que além de não terem comida suficiente são forçadas a consumir alimentos que não satisfazem as necessidades nutricionais”.
O PAM precisa até Junho de 41 milhões de dólares para continuar a prestar assistência às comunidades deslocadas e vulneráveis.

 

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Eleições gerais foram um sucesso na República Centro Africana

Fotografia: AFP

O chefe da missão das Nações Unidas na República Centro Africana (MINUSCA) qualificou ontem as eleições gerais de quarta-feira “um sucesso” e destacou a elevada taxa de participação e o ambiente de calma em que decorreu o escrutínio.

 

“Estamos absolutamente satisfeitos, é um sucesso. Honestamente, é um milagre num país em guerra. Nenhum incidente sério foi registado em todo o país, mas devemos permanecer vigilantes, pois os períodos pós-eleitorais podem ser difíceis”, disse Parfait Onanga-Anyanga, que visitou algumas assembleias de voto, acompanhado por representantes franceses, norte-americanos, da União Europeia e da União Africana.
A primeira volta das presidenciais, realizadas em simultâneo com as legislativas, decorreu sem incidentes significativos e no meio de fortes medidas de segurança.
A presidente interina, Catherine Samba-Panza, que não se apresentou como candidata porque a legislação proibia, votou num colégio de Colombe e foi recebida com grande entusiasmo pelos eleitores. Os centro-africanos foram às urnas num ambiente pacífico, para escolher o próximo Presidente da República e os seus representantes no Parlamento numas eleições que esperam pôr fim a um período de transição de dois anos, marcados por violência sectária. Apesar de ainda não haver um número oficial de participação, a Autoridade Nacional das Eleições anunciou que a população mobilizou-se “maciçamente” para votar nestas eleições, que “podem restaurar o caminho da paz”. As expectativas do eleitorado nas presidenciais e legislativas, que estiveram inicialmente marcadas para domingo passado, passam por alcançar a paz e estabilidade no país que, desde 2013, é palco de violência inter-comunitária.

 
O adiamento de três dias deveu-se à complexidade logística e à impressão tardia dos boletins de voto e dos cadernos eleitorais, à consequente distribuição e à formação dos últimos agentes das brigadas eleitorais. Mais de dois milhões de habitantes, entre cristãos e muçulmanos, escolheram o novo chefe de Estado entre 30 candidatos às presidenciais. Para as legislativas, o número de concorrentes foi ligeiramente superior a 1.800. Entre os candidatos às presidenciais, destacam-se o ex-ministro das Finanças de François Bozizé, Abdoul Méckassoua, e dois ex-primeiros-ministros do falecido Presidente Ange-Felix Patassé, Anicet Georges Dologuélé e Martin Ziguélé.

 
De fora ficou François Bozizé, afastado num golpe de Estado em Março de 2013 e cuja candidatura foi rejeitada pelo Tribunal Constitucional centro-africano  antes do referendo constitucional.

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Referendo constitucional na Republica Centro Africana marcado por tiros

 

Fotografia: AFP

Pelo menos duas pessoas foram mortas e 20 outras ficaram feridas em confrontos armados ontem no bairro muçulmano de Bangui entre apoiantes e opositores do referendo constitucional na República Centro-Africana (RCA), segundo o jornal “Le Parisien”.

Os dois mortos foram levados à mesquita de Ali Babolo, o bairro muçulmano de PK5, refere o jornal.
“Recebemos cinco feridos, incluindo dois em estado grave”, disse, por outro lado, um funcionário da Cruz Vermelha. Tiros de metralhadoras e de lança-roquetes foram ouvidos ao meio-dia junto à escola Baya Dombia, na altura em que muitos eleitores esperavam para votar. As forças senegaleses integradas na Missão das Nações Unidas para a Manutenção da Paz (Minusca) responderam aos ataques para proteger os eleitores, que empunhavam cartazes com dizeres “Queremos votar”.
No bairro PK5, enclave muçulmano de Bangui, a principal assembleia de votos foi encerrada por razões de segurança.
Tiros e explosões de granadas também foram ouvidos em Gobongo, um dos redutos das milícias cristãs Anti-Balaka em Bangui. Segundo uma fonte dos serviços de segurança citada pelo “Le Parisien”, três pessoas ficaram feridas.

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A mesma fonte refere que vários manifestantes foram vistos ontem com cópias da Constituição com um grande “SIM” escrito a giz no chão da Avenida Boganda, perto do bairro PK5. Nas províncias, vários incidentes foram relatados, especialmente no norte e no leste, de acordo com uma fonte da Minusca. Em Ndele, Kaga Bandoro e Birao, feudos da facção Seleka de Nourredine Adam, várias  pessoas foram intimidadas e ameaçadas com armas de fogo para não votarem. Também em Bossangoa, fortaleza oeste dos Anti-Balaka, tiros dissuadiram as pessoas de votar.
Dois milhões de eleitores centro-africanos foram ontem chamados às urnas para votar no referendo ao projecto da nova Constituição.
Entre as principais alterações introduzidas pelo novo texto constitucional está a afirmação dos princípios republicanos, o respeito pelos direitos humanos e a limitação a dois mandatos presidenciais de cinco anos cada. O documento estipula que o Presidente pode responder perante o Supremo Tribunal de Justiça e implementa o Senado, para garantir um melhor controlo do executivo.
O referendo é visto como um teste antes das presidenciais e legislativas, agendadas para o próximo dia 27. Apesar de uma certa acalmia depois da visita do Papa Francisco a Bangui, no final de Novembro, as forças internacionais permanecem em alerta. O clima de tensão voltou a agravar-se depois de o Tribunal Constitucional ter rejeitado, na terça-feira, a candidatura do ex-chefe de Estado François Bozizé às eleições presidenciais.
Vários chefes das milícias cristãs Anti-Balaka, assim como da ex-coligação muçulmana Seleka, são acusados de incitar a violência. E as perspectivas não são animadoras, segundo o analista Tim Glawion, do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (GIGA).
O líder rebelde Noureddine Adam, de um braço militar da ex-milícia Séléka, anunciou que vai boicotar as próximas eleições. O ministro centro-africano da Defesa, Joseph Bindoumi, apela ao apoio das forças internacionais.
“O exército centro-africano está sujeito a um embargo. Nós não temos o direito de levar a cabo oficialmente operações militares”, disse Bindoumi. “As forças internacionais que chegaram devem fazer o senhor Noureddine entender que ele não tem o direito de interferir no processo eleitoral”, declarou.
As eleições representam um desafio logístico para a maior parte das províncias centro-africanas, ao nível do destacamento de capacetes azuis e do envio de material eleitoral para as regiões de mais difícil acesso. Além disso, apenas se inscreveram para votar 26 por cento dos 460 mil refugiados – a maioria são muçulmanos expulsos do país entre 2013 e 2014.

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Papa visitou campo de refugiados em Bangui

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Francisco cumprimentou centenas de pessoas e deixou mensagem centrada na fraternidade e no perdão
 
Bangui, 29 nov 2015 (Ecclesia) – O Papa Francisco visitou hoje um campo de refugiados na República Centro-Africana, durante cerca de 30 minutos, e cumprimentou centenas de pessoas, a quem pediu que sejam capazes de perdoar e promover a fraternidade.
 
“Que possais viver em paz, qualquer que seja a vossa etnia, cultura, religião ou estatuto social, em paz, porque todos somos irmãos”, declarou, numa intervenção improvisada.
 
A visita, num país em guerra, foi esperada durante horas por milhares de pessoas, com muitas crianças na primeira fila, acompanhadas pelos seus desenhos e cartazes, ao som de cantos e danças tradicionais.
 
O Papa pegou no microfone para deixar uma saudação a todos os que estavam presentes, com um pedido especial: “Não parem de trabalhar, de rezar, de fazer tudo pela paz”
 
“Digo-vos que li o que as crianças escreveram: paz, perdão, unidade e tantas coisas, amor”, assinalou, antes de sublinhar que “a paz sem amor, sem amizade, sem tolerância, sem perdão não é possível”.
 
“Cada um de nós tem de fazer alguma coisa”, insistiu.
 
Francisco pediu uma “grande paz” para todos os centro-africanos e convidou os presentes a repetir a frase ‘todos somos irmãos’.
 
“É por isso, porque todos somos irmãos, que queremos a paz”, concluiu.
 
Ao longo de um dos cinco campos da capital da República Centro-Africana (RCA), o Papa parou em particular junto das crianças e das pessoas com deficiência.
 
Uma refugiada fez o discurso de boas-vindas a Francisco, mostrando-se feliz pela sua presença neste local, disposto a partilhar as “dores e alegrias” desta população, e deixando votos de que a visita do Papa ajude a trazer paz estável e bem-estar ao país.
 
O campo de refugiados fica situado junto à paróquia católica de São Salvador, nos arredores da capital Bangui, dividido em 12 bairros, o qual abriga cerca de 7500 pessoas, muitas delas crianças.
 
Segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), mais de um milhão de crianças precisam de “ajuda humanitária urgente” após três anos de conflito.
 
A RCA procura sair da crise provocada pela coligação rebelde dos ‘Seleka’, que começou a atuar em 2012, com uma maioria de muçulmanos e de mercenários do Chade e do Sudão.
 
A chegada deste grupo ao poder levou à reação dos “antibalaka”, que combateram os rebeldes, de forma violenta, atingindo também os muçulmanos.
 
A visita do Papa decorre sob fortes medidas de segurança face ao clima de instabilidade que obrigada ainda ao recolher obrigatório na cidade de Bangui.
 
O conflito na RCA provocou centenas de mortos, 400 mil refugiados e outros 400 mil deslocados internos.
 
A RCA tem cerca de 4 milhões e 600 mil habitantes, 37,3% dos quais são católicos; a Igreja gere 305 escolas, 72 instituições na área da saúde e outras 66 organizações sociais.