Crescimento sem industrialização? Etiópia, Costa do Marfim, Tanzânia, Senegal, Burkina Faso e Ruanda

 

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Apesar dos baixos preços mundiais das commodities das quais tendem a

depender, muitas das economias mais pobres do mundo estão em boa

situação. O crescimento da África Subsaariana desacelerou

drasticamente desde 2015, mas isso reflete problemas específicos em

três de suas maiores economias (Nigéria, Angola e África do Sul).

 

As projeções para Etiópia, Costa do Marfim, Tanzânia, Senegal, Burkina

Faso e Ruanda apontam para a obtenção de um crescimento de 6% ou

mais neste ano. Na Ásia, o mesmo ocorre com Índia, Mianmar,

Bangladesh, Laos, Cambodja e Vietnã.

 

Essas são boas novas, mas são também surpreendentes. Economias em desenvolvimento que conseguem crescer aceleradamente de maneira sustentável, sem depender de surtos de crescimento dos recursos naturais -como a maioria desses países dependeu por uma década ou mais -, normalmente são impulsionadas pela industrialização voltada para as exportações. Só que poucos desses países estão vivenciando muita industrialização.

 

A participação da indústria de transformação nos países subsaarianos de baixa renda está, em grande medida, estagnada – e, em alguns casos, em queda. E, apesar de muito se falar do “Make in India”, uma das máximas do premiê Narendra Modi, o país dá poucos indícios de contar com uma industrialização acelerada.

 

A produção industrial se tornou uma poderosa força propulsora do desenvolvimento econômico para países de baixa renda por três motivos. Em primeiro lugar, era relativamente fácil absorver a tecnologia do exterior e gerar empregos de alta produtividade.

Em segundo lugar, os empregos industriais não exigiam muita qualificação: agricultores podiam ser transformados em trabalhadores da produção em fábricas, com pouco investimento em treinamento adicional.

E, em terceiro lugar, a demanda por produtos industrializados não era limitada pela baixa renda interna: a produção podia se expandir virtualmente de forma ilimitada, por meio das exportações.

 

Mas as coisas mudaram. Está atualmente bem documentado que a produção se tornou cada vez mais intensiva na utilização de qualificações nas últimas décadas.

 

Juntamente com a globalização, isso dificultou muito para os recém-chegados o ingresso com força nos mercados mundiais e a reedição da experiência dos superastros asiáticos da indústria de transformação. Com a exceção de um punhado de exportadores, as economias em desenvolvimento passaram por uma desindustrialização prematura. É omo se a força propulsora tivesse sido retirada dos países retardatários.

 

Como, então, entender o recente surto de crescimento de alguns dos países mais pobres do mundo? Será que esses países descobriram um novo modelo de crescimento?

 

Em pesquisa recente, Xinshen Diao, do Instituto Internacional de Pesquisa em Política Alimentar, Margaret McMillan, da Universidade Tufts, e eu examinamos os padrões de crescimento ostentados por essa nova safra de países de alto desempenho. Nosso foco está nos processos de mudança estrutural vivenciados por esses países.

Documentamos algumas descobertas paradoxais.

Em primeiro lugar, a mudança estrutural promotora de crescimento foi significativa na experiência recente de países de baixa renda como Etiópia, Malawi, Senegal e Tanzânia, apesar da ausência de industrialização.

 

A mão de obra tem migrado das atividades agrícolas de baixa produtividade para atividades de maior produtividade, mas estas são, principalmente, serviços, e não indústria de transformação.

 

A agricultura teve papel

fundamental na África por si

só e também ao impulsionar

mudanças estruturais que

ampliam o crescimento.

Diversificação e adoção de

novas técnicas de produção

podem transformá-la em

atividade virtualmente

moderna

 

Em segundo lugar, a rápida mudança estrutural ocorrida nesses países

sucedeu à custa de um crescimento da produtividade do trabalho

primordialmente negativo nos setores não agrícolas. Em outras

palavras, embora os serviços que absorviam os novos postos de trabalho

ostentassem uma produtividade relativamente alta de saída, sua

dianteira diminuiu à medida que se expandiam.

 

Esse comportamento contrasta acentuadamente com a experiência clássica de crescimento do Leste da Ásia (como as de Coreia do Sul e China), na qual a mudança estrutural e aumentos da produtividade da mão de obra não agrícola contribuíram significativamente para o crescimento total.

 

A diferença parece ser explicada pelo fato de que a expansão de setores urbanos, modernos, em recentes episódios de crescimento acelerado é impulsionada pela demanda interna, e não pela industrialização voltada para as exportações.

 

Em especial, o modelo africano parece ser sustentado por choques positivos de demanda agregada gerados ou por transferências procedentes do exterior ou pelo crescimento da produtividade na agricultura.

 

Na Etiópia, por exemplo, os investimentos públicos em irrigação, transportes e energia elétrica geraram um aumento significativo da produtividade e das rendas agrícolas. Isso resulta em mudança estrutural promotora do crescimento, uma vez que o aumento da demanda se propaga para os setores não agrícolas.

Mas, como efeito colateral, a produtividade da mão de obra não agrícola é deprimida com a diminuição dos retornos sobre o capital e a atração de empresas menos produtivas.

Não se pretende com isso minimizar a importância do crescimento acelerado da produtividade na agricultura, o setor arquetipicamente tradicional. Nossa pesquisa sugere que a agricultura desempenhou papel fundamental na África não apenas por si só como também como impulsionadora de mudança estrutural magnificadora do crescimento.

 

A diversificação para produtos não tradicionais e a adoção de novas técnicas de produção podem transformar a agricultura em uma atividade virtualmente moderna.

 

Mas há limites para o quanto esse processo consegue puxar a economia. Em parte devido à baixa elasticidaderenda da demanda por produtos agrícolas, o êxodo da mão de obra da agricultura é resultado inevitável durante o processo de desenvolvimento.

 

A mão de obra liberada tem de ser absorvida nas atividades modernas. E, se aprodutividade não se expandir nesses setores modernos, o crescimento de toda a economia vai, em última instância, estacionar. A contribuição que o componente da mudança estrutural pode dar é necessariamente autolimitadora, caso o setor moderno não experimente um crescimento acelerado da produtividade por si só.

 

Países africanos de baixa renda conseguirão sustentar taxas moderadas de crescimento da produtividade no futuro, calcadas em persistentes aprimoramentos do capital humano e da governança. A continuidade da convergência com níveis de renda de países ricos parece alcançável. Mas as evidências sugerem que as taxas de crescimento infundidas recentemente pela mudança estrutural acelerada são excepcionais e poderão não durar.

 

Jornal Valor 17 de outubro de 2017

(Tradução de Rachel Warszawski).

Dani Rodrik é professor de economia política internacional na Faculdade de Governo John F. Kennedy, de Harvard. Copyright: Project Syndicate, 2017.

www.project-syndicate.org

Fonte:http://www.valor.com.br/opiniao/5157940/crescimento-sem-industrializacao

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Paul Kagame é adorado pela população de Rwanda, com 98% dos votos é reeleito

mediaPresidente Paul Kagame, reeleito por mais 7 anos nas presidenciais de 4 de agosto, no RuandaREUTERS/Jean Bizimana
Como se esperava o presidente do Ruanda, Paul Kagame, foi reeleito, ontem, nas eleições presidenciais com mais de 98 por cento dos votos. Os ruandeses estão a festejar mais esta vitória do presidente reeleito, Kagame, que dirige o país com mão de ferro, mas tem conseguido criar riqueza, desenvolvimento, escolas, hospitais e empregos, para a população ruandesa.

Sem grandes expectativas, já se sabia, segundo todas as sondagens e análises,  o presidente ruandês, Paul Kagame, foi reeleito, nas eleições presidenciais, desta sexta-feira, 4 de agosto, pela terceira vez consecutiva.

Foi, como aconteceu no passado, uma vitória esmagadora, com o chefe de Estado-candidato, Paul Kagame, a ser plebiscitado, por mais de 98% dos ruandeses.

Paul Kagame, continua assim por mais 7 anos neste terceiro mandato, estando no poder, há 23 anos anos.

De 59 anos, Paul Kagame, é tido como um herói no país, por ter posto fim ao genocídio de 1994 e desenvolvido o Ruanda, país com indicadores de crescimento económico, criação de empregos, escolas e hospitais, dos mais altos de África.

O autoritarismo de Paul Kagame e as críticas que lhe são feitas por ONG’S, passam para segundo plano, porque para o povo ruandês, o que mais interessa, é ter um presidente forte, que cria empregos e melhora as suas condições de vida.

De notar que a Comissão eleitoral, publicou ontem à noite resultados com base em 80%de boletins escrutinados, dando uma vitória a Paul Kagame, com 98,66% dos sufrágios expressos, resultados superiores às suas vitórias, em 2003, com 95% e em 2010, com 93% dos votos.

Em segundo lugar, veio o independente, Philippe Mpayimana, com 0,73% dos sufrágios e em terceiro, Frank Habineza, líder do Partido demcorático, que ficou pelos 0,45% dos votos.

Observadores consideram que as candidaturas de Mpayiamana e Habineza, não passavam de fachada, fazendo crer a comunidade internacional, que houve eleições pluralistas, livres e justas no país.

O facto é que Paul Kagame é adorado pela população que, ainda em termos de números, votou SIM no referendo de 2015, com 98%, para modificar a constituição permitindo-lhe concorrer para este terceiro mandato, que ganhou, facilmente.

Sobre a personalidade autoritária de Paul Kagame, oiçamos a análise, do psicólogo e ex-ministro caboverdiano do MPD, José Reis, que prefere destacar  as capacidades do presidente ruandês, enquanto reconstrutor do Ruanda.

http://pt.rfi.fr/africa/20170805-paul-kagame-reeleito-presidente-do-ruanda

A tragédia do colonialismo e racismo alemão em Ruanda e Tanzânia

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Achado, em instituições alemãs, de mais de mil restos mortais das antigas colônias na África Oriental confirma cruel prática do início do século 20: em geral, finalidade era comprovar a inferioridade racial dos nativos.Quando, durante sua viagem pelo atual Ruanda, na virada do século 19 para o 20, o explorador alemão da África Richard Kandt encontrou um “pigmeu”, possivelmente da tribo dos twa, ele foi acometido da febre de colecionador. E então pediu que fosse morto o nativo, que se encontrava em mãos dos alemães, como prisioneiro de guerra dos senhores coloniais.
 
“Ele mandou separar a carne dos ossos e expediu o crânio do homem imediatamente para Berlim”, relata Markus Frenzel, jornalista da emissora MDR. “Kandt estava orgulhoso de haver encontrado um membro de um grupo étnico especialmente raro.”
 
 
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“Prova da inferioridade africana”
 
Essa história de terror da então África Oriental Alemã trata apenas de um crânio entre os milhares que chegavam de navio ao Império Alemão, vindo das zonas coloniais. Via de regra, a meta do exame dos ossos era provar que as raças africanas eram inferiores às europeias.
 
Não era comum a pesquisa envolver assassinato, como nesse caso: em geral, cadáveres sepultos eram exumados e suas cabeças, roubadas. Frenzel gostaria de descobrir onde se encontram, hoje, os restos do homenzinho de Ruanda. Há oito anos ele folheia os fichários de arquivos na Alemanha e vasculha os acervos de coleções médicas à busca de pistas dos crânios africanos e de sua procedência.
 
“Em 2008, encontramos na Universidade de Freiburg e no hospital Charité de Berlim algumas dezenas de crânios da Namíbia”, conta o jornalista. “Houve um escândalo, e alguns cientistas foram encarregados de investigar o assunto. Os crânios acabaram sendo devolvidos, mas apenas esses.”
 
Indignação nas redes sociais
 
Frenzel tinha indicações de que, nas coleções de institutos alemães, havia muitos mais restos mortais humanos oriundos das zonas coloniais. E, de fato, ele e a equipe do magazine Fakt, da TV ARD, fizeram um achado no depósito central da Fundação Patrimônio Cultural Prussiano (SPK, na sigla em alemão): 1.003 crânios da região da atual Ruanda e 60 da Tanzânia.
 
“Nós simplesmente não queremos, de jeito nenhum, ter essas coisas em nossas coleções, pois elas representam uma visão de ciência que não é a nossa”, declarou o presidente da SPK, Hermann Parzinger, à equipe televisiva. Por isso a origem dos ossos será detalhadamente pesquisada, a fim de devolvê-los. Essa foi também uma exigência do embaixador ruandês em Berlim, Igor Cesar, falando à MDR.
 
Os comentários dos usuários da DW da África Oriental na página do Facebook da redação suaíli revelam emoções fortes em relação ao tema. Ben Kazumba, da Tanzânia, exige: “Eles precisam nos devolver os crânios dos nossos antepassados”.
 
Miraji Mwana Kibinda ficou abalado com a visão dos ossos que ainda se encontram na Alemanha: “Todo o meu corpo treme ao ver esses crânios. Sinto-me ferido ao pensar no que fizeram com nossos ancestrais.” Já Dismas Komba discorda: “Seria melhor voltar a enterrar os crânios, eles não têm qualquer significação. Se têm, é só para despertar em nós o amargor perante os crimes contra o nosso povo”.
 
A devolução a Ruanda e Tanzânia poderá demorar, já que antes será preciso investigar as procedências exatas. Tempo demasiado, comenta o jornalista Frenzel: isso vai contra os interesse da Fundação Patrimônio Cultural Prussiano, que no futuro quer realizar grandes mostras com objetos não europeus no planejado Fórum Humboldt de Berlim.
 
“Eles precisam encerram esse capítulo rapidamente. Afinal, quem vai nos enviar coleções da África para Berlim, sabendo que os próprios ancestrais ainda podem estar no porão?”
 
 

Agricultura orgânica tem potencial na África, mas falta financiamento

 
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De acordo com a Federação Internacional de Movimentos da Agricultura Orgânica, na África Oriental as exportações orgânicas crescerem de 4,6 milhões de dólares em 2002/03 para 35 milhões de dólares em 2009/10, e houve um aumento no rendimento das colheitas em Burundi, Quênia, Ruanda, Uganda e na Tanzânia.
 
No entanto, segundo destacou o relatório divulgado pela UNCTAD, em 16 países africanos 23% dos agricultores orgânicos, exportadores e especialistas disseram que o acesso ao financiamento se tornou mais restritivo nos últimos cinco anos; 64% dos entrevistados, por sua vez, relataram que a situação não tinha mudado, enquanto apenas 13% afirmaram que o acesso ao crédito havia melhorado.
 
 
A agricultura orgânica oferece uma importante e lucrativa oportunidade de exportação para a África, mas o acesso ao financiamento atualmente é mais difícil do que há cinco anos, advertiu um novo relatório sobre financiamento agrícola na região divulgado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) no final de agosto.
 
De acordo com a Federação Internacional de Movimentos da Agricultura Orgânica, na África Oriental as exportações orgânicas crescerem de 4,6 milhões de dólares em 2002/03 para 35 milhões de dólares em 2009/10, e houve um aumento no rendimento das colheitas no Burundi, no Quênia, Ruanda, Uganda e na Tanzânia.
 
No entanto, segundo destacou o relatório divulgado pela UNCTAD, em 16 países africanos 23% dos agricultores orgânicos, exportadores e especialistas disseram que o acesso ao financiamento se tornou mais restritivo nos últimos cinco anos; 64% dos entrevistados, por sua vez, relataram que a situação não tinha mudado, enquanto apenas 13% afirmaram que o acesso ao crédito havia melhorado.
 
O relatório observou ainda que as áreas mais críticas em termos de necessidade extrema de financiamento são as de certificação de produtos, a de organização de pequenos agricultores em grupos de produção, de investimento em mercado e a de compra de equipamentos.
 
Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o financiamento para o setor agrícola na África, de forma geral, sofreu pressão nos últimos anos, caindo para uma média de 2,7% dos orçamentos nacionais em 2013.
 
Isso aconteceu apesar do compromisso assumido pela União Africana, em 2003, de alocar 10% dos orçamentos nacionais para o setor. Além disso, a quota de crédito comercial disponibilizada para a agricultura na África caiu para uma média de 2,8% no mesmo ano, enquanto a média mundial é de 5,8%.
 
A variação do preço relativo dos produtos também é muito ampla. No caso dos orgânicos, a diferença de preço pode ser entre 10% a 100% maior do que a dos alimentos convencionais.
 
A UNCTAD constatou que as exportações orgânicas de café e de cacau são as que mais se beneficiam do financiamento na África, mas existe um enorme potencial de exportar colheitas orgânicas de abacaxi, manga, banana e até batata.
 
Segundo o estudo, a falta de garantias de crédito e a capacidade insuficiente dos bancos de integrar os detalhes da agricultura orgânica nos seus planos de financiamento são os principais obstáculos para os agricultores e exportadores africanos.
 
Diante da situação, a Conferência da ONU defende um esforço coordenado para melhorar a coleta de dados entre valores domésticos e internacionais de produtos orgânicos africanos, para que um melhor plano de negócios possa ser criado no continente.
 
 
 

Cimeira de Chefes de Estado inaugura passaporte africano

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Fotografia: AFP

Os primeiros passaportes da União Africana (UA) foram entregues ontem aos Chefes de Estado presentes na 27ª cimeira da organização continental, que decorre em Kigali, Ruanda.

 Os documentos foram entregues de forma simbólica aos  presidentes do Rwanda, Paul Kgame e do Tchade, Idris Sabry, pela presidente da Comissão da UA, Dlamini Zuma. Os utentes desses passaportes poderão circular pelos países africanos sem necessidade de visto, cumprindo assim com um dos objetivos da agenda 2063 referente à  integração do continente.
Apelos ao fortalecimento da unidade no continente, ao cumprimento da agenda 2063 e à  aposta na juventude pelos líderes africanos presentes no evento marcaram a cerimônia de abertura da cimeira.
Discursando na abertura do conclave, o Presidente do Rwanda, Paul Kagame, apelou ao espírito de solidariedade no continente, com vista a alcançarem-se os objectivos preconizados nos ideais do pan-africanismo.
Paul Kagame pediu aos homólogos africanos para que, na cimeira, se preocupassem mais com as questões prioritárias do continente, ao invés de perderem tempo em assuntos que em nada contribuem para o fortalecimento da organização e de África.
“Devemos aproveitar as nossas cimeiras para definirmos as nossas prioridades e decidirmos como resolver os nossos problemas, pois África está a levantar-se”, referiu o Chefe de Estado anfitrião.

Presidência da UA

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Na ocasião, a presidente da Comissão da União Africana, Dlamini Zuma, assegurou que estão criadas as condições para que a presidência da organização seja assumida pela República Centro Africana.
Dlamini Zuma destacou a importância do passaporte da União, o qual considerou um passo fundamental no processo de integração do continente e livre circulação dos cidadãos.  Após fazer uma retrospectiva sobre o trabalho realizado durante o seu mandato, a presidente da Comissão da União Africana realçou que ainda existem tarefas por cumprir.  O presidente em exercício da União Africana, Idris Debry, condenou o retorno das hostilidades no Sudão do Sul, que já causaram a morte de 300 pessoas. Apelou para a necessidade da UA trabalhar com urgência na criação de mecanismos de paz e segurança no continente.
A presidente da  União Panafricana da Juventude, Franci Muyomba, apelou aos Chefes de Estado para aprovarem a criação de um fundo de apoio aos jovens empreendedores. “É imperioso que os líderes africanos apostem no empreendedorismo, que tem contribuído para a geração de empregos e na melhoria das condições de vida de muitos cidadãos no continente”, reconheceu.  Ao intervir na cerimônia, o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, Moahamud Abas, condenou os actos de terrorismo perpetrados em França e manifestou disponibilidade de contribuir para o combate a este fenômeno que ceifa a vida a muitos cidadãos inocentes.
Moahamud Abas advogou, de igual modo, a necessidade de África reforçar a solidariedade com a Palestina, destacando o apoio prestado pelos países africanos à  causa palestiniana.
Angola participa nesta Cimeira com uma delegação chefiada pelo ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, em  representação do Chefe de  Estado, José Eduardo dos Santos.
Durante a sua estada em Kigali, Georges Chikoti tem previstas audiências com diversas personalidades políticas.

Trabalhar juntos

À margem da cimeira, o responsável máximo da Nova Parceria para o Desenvolvimento Africano (NEPAD), Ibrahim Mayaki, afirmou que os países africanos precisam de ser estratégicos e trabalhar juntos na promoção da industrialização do continente, com vista à criação de oportunidades de emprego. Ibrahim Mayaki realçou que os factores que impedem o crescimento do continente são a ausência de negociações entre os Estados africanos, aliado a falta de infra-estruturas e à pobreza. Observou que África tem a população mais jovem do mundo, salientando que os enormes desafios do continente são a promoção do crescimento econômico dos Estados, criação de emprego, e redução da pobreza.  A  27ª Cimeira da UA realizou-se sob o tema “2016: Ano Africano dos Direitos Humanos com especial incidência sobre os Direitos das Mulheres”.
No sábado, o grupo dos três países africanos com assento no Conselho de Segurança das Nações Unidas (A3), integrado por Angola, Egito e Senegal, avaliou o retorno às hostilidades no Sudão do Sul, a crise no Burundi e o regresso da Missão das Nações Unidas (Minuso) ao Saara Ocidental.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/cimeira_de_chefes_de_estado_inaugura_passaporte_africano

Dlamini-Zuma considera situação no Sudão do Sul “inaceitável”

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Começou hoje a 29ª Sessão Ordinária do Conselho Executivo da União Africana. Na sessão de abertura, Nkosazana Dlamini-Zuma saudou o cessar-fogo sul sudanês e apontou o dedo aos governantes do país, sublinhando que a situação é “inaceitável”.
 
Começou esta manhã a 29ª Sessão ordinária do Conselho Executivo da União Africana, que antecede a 27ª Cimeira de chefes de Estado da organização.
 
Na sessão de abertura a presidente da Comissão da União Africana, saudou o cessar-fogo no Sudão do Sul, onde pelo segundo dia consecutivo não se ouviram trocas de tiros.
 
Nkosazana Dlamini-Zuma não poupou, porém, criticas aos governantes do país. Falou numa situação “inaceitável” e lembrou que os “governos e governantes existem para proteger os vulneráveis e servir o povo, não para serem o cerne do seu sofrimento”.
 
A 27ª cimeira da União Africana decorre até dia 18 de Julho em Kigali, capital do Ruanda, e é subordinada à temática dos direitos humanos, com especial destaque para os direitos das mulheres.
 
 
Questões como o terrorismo, a crise política no Burundi ou a questão do Sudão do Sul não serão esquecidas. A cimeira ficará, ainda, marcada pelo lançamento de um passaporte africano.
 
A questão que ainda se encontra em aberto na ordem do dia prende-se com a substituição da presidente da Comissão da União africana, eleição que pode vir a ser adiada, uma vez que não existe um candidato consensual.
 
 

Violência xenófoba afecta ruandeses na capital Lusaka

http://opais.sapo.mz/index.php/internacional/56-internacional/40723-violencia-xenofoba-afecta-ruandeses-na-capital-lusaka.html

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Zâmbia: Igreja condena violência xenófoba e apela à paz

Povo nas ruas de Lusaka – REUTERS

Lusaka (RV) – Uma forte condenação das violências xenófobas e um forte apelo à paz: assim a Conferência Episcopal da Zâmbia (ZEC) comenta os confrontos ocorridos nos últimos dias na capital, Lusaka. Pelo menos 62 lojas pertencentes a pessoas ruandesas foram saqueadas durante os motins que afetaram nove distritos entre os mais pobres da cidade.

Crimes rituais na origem das violências

As desordens começaram precedentemente, quando entre a população local se espalhou a notícia de que os ruandeses estavam envolvidos em alguns crimes rituais que ocorreram na cidade. Nas últimas semanas, de fato, pelo menos sete pessoas foram mortas, e partes de seus corpos foram removidos como amuletos, especialmente no campo dos negócios. A polícia local prendeu mais de 250 pessoas, mas a atmosfera continua tensa.

Promover a cultura da paz

“Condenamos qualquer forma de violência, seja assassinato, vandalismo ou destruição de propriedade alheia”, disse em uma entrevista à agência católica Canaã, Padre Cleophas Lungu, Secretário Geral da Zec. “Pedimos esforços conjuntos para promover uma cultura da paz”. Por sua vez, “a Igreja – disse o sacerdote – estará sempre pronta para realizar atos de misericórdia e de caridade, como já ocorreu após o genocídio em Ruanda, em 1994, quando a Igreja na Zâmbia acolheu muitos seminaristas ruandeses que não puderam completar a sua formação na sua pátria”.

Derrubar os muros do ódio e acolher os estrangeiros

Portanto, continua Padre Lungu, “exortamos a população a imitar o Papa Francisco derrubando os mutos do ódio que levam à violência, evitando a filosofia da indiferença e acolhendo os estrangeiros na sociedade, nas famílias e nas comunidades cristãs”. Por outro lado, a Conferência Episcopal da Zâmbia sublinha que “não se pode ignorar o impacto que os altos níveis de pobreza, desemprego e custo de matérias-primas” têm sobre o povo. Tudo isso, naturalmente “não justifica o comportamento violento”, mas recorda a necessidade de “encontrar soluções sustentáveis para os atuais desafios sociais e económicos”.

Autoridades civis façam o possível para acabar com os conflitos

Tendo também em vista o Jubileu da Misericórdia, o Secretário Geral dos bispos recorda a acolhida oferecida pela Igreja da Zâmbia aos estrangeiros: “uma paróquia, por exemplo, já recebeu mais de 50 vítimas de xenofobia e numerosos fiéis e pessoas de boa vontade ofereceram a elas comida e roupas”. Daí, o apelo final às autoridades civis para que sejam “mais ativas e façam todo o possível para pôr fim a tais tendências” xenófobas. (SP)

http://br.radiovaticana.va/news/2016/04/25/z%C3%A2mbia_igreja_condena_viol%C3%AAncia_xen%C3%B3foba_e_apela_%C3%A0_paz/1225315

Rwanda: País assinala aniversário do genocídio de 800 mil pessoas

Kigali – O Rwanda comemora esta quinta-feira, o 22º aniversário do genocídio de cerca de 800 mil pessoas em 100 dias, com particular incidência aos membros da minoria étnica tutsi, noticiou a Prensa Latina.

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FOTO: DIVULGAÇÃO

Recentemente um dos acusados desse genocídio, detido em Dezembro na República Democrática do Congo, compareceu pela primeira vez perante um tribunal em Kigali.

Espera-se que o presidente rwandês, Paul Kagame, venha discursar esta quinta-feira no capitalino Memorial do genocídio em Gisozi.

Kagame tomou esta capital em Julho de 1994 à frente de uma rebelião maioritariamente tutsi para pôr fim ao genocídio.

Em 6 de Abril de 1994, dois mísseis atingiram um avião em que viajava o presidente do Burundi, Ciprian Ntayamira, e o do Rwanda, Juvenal Habyarimana.

A Radio das Mil Colinas, também conhecida como a emissora de ódio, começou na altura a desencadear uma campanha de diversão contra os tutsis.

Um dia depois, com os Capacetes azuis enviados pela ONU, a Primeira ministra do Rwanda, Agathe Uwlingiyimana, era assassinada pela guarda presidencial.

Na mesma ocasião, foram igualmente mortos dez soldados belgas pertencentes as forças de segurança da ONU. Esse incidente faz eclodir à violência e provocado à retirada compulsiva dos Capacetes azuis.

Aside

Partido no poder no Burundi acusa Ruanda de quer “exportar” genocídio

O partido no poder no Burundi acusou hoje o Presidente do Ruanda, Paul Kagame, de querer “exportar” o genocídio depois de o ter “experimentado” no seu país em 1994, segundo um comunicado enviado à AFP.

© Lusa

O Burundi enfrenta uma profunda crise política que tem implicado ondas de violência graves desde que, no final de abril do ano passado, o Presidente do país, Pierre Nkurunziza, apresentou a candidatura a um terceiro mandato.

Mais de 400 pessoas foram mortas e mais de 250 mil pessoas fugiram do país e, destes, cerca de 75 mil refugiaram-se no Ruanda desde o início desta crise, sendo que o Burundi tem acusado o país vizinho de estar a armar os opositores de Nukurunziza.

“O laboratório do genocídio é o Ruanda porque o presidente Kagame experimentou-o na casa dele e quer exportá-lo para o Burundi para ser um pequeno imperialista”, lê-se no texto assinado por Pascal Nyabenda, presidente do CNDD-FDD, o partido atualmente no poder no Burundi.

Em 1994, em apenas 100 dias, mais de 800 mil pessoas foram massacradas no Ruanda por extremistas étnicos hutus que tinham como alvo a comunidade minoritária tutsi e também os seus adversários políticos, independentemente da etnia.

Cerca de 85% dos ruandeses são hutus, mas a minoria tutsi dominou o país por muito tempo até que, em 1959, os hutus derrubaram a monarquia tutsi e milhares de pessoas desta etnia fugiram para os países vizinhos.

Um grupo de exilados tutsis formou a Frente Patriótica Ruandesa, que invadiu o Ruanda em 1990 e exigiu um acordo de paz que foi estabelecido em 1993.

No entanto, em abril de 1994, foi derrubado o avião onde seguiam os presidentes do Ruanda e do Burundi de então, ambos de etnia hutu, um incidente que os extremistas hutus atribuíram à Frente Patriótica Ruandesa, tendo começado uma campanha organizada de assassinato.

https://www.noticiasaominuto.com/mundo/561721/partido-no-poder-no-burundi-acusa-ruanda-de-quer-exportar-genocidio