Garça interior de São Paulo, professora morre vítima das condições do trabalho

escola

 

Mais uma vítima do regime de más condições de trabalho e de destruição do ensino público pelos governos tucanos em São Paulo.

Na última quarta-feira, a professora da escola de tempo integral teve uma Acidente Vascular Cerebral (AVC) durante a sua aula, em Garça (SP).

Muitos narraram que a professora primeiro havia chamado atenção de uma aluna por causa da indisciplina, pediu ajuda para a direção, mas não obteve êxito.

A indisciplina nas escolas, longe de ser um fenômeno de resultado de uma opção pessoal dos alunos é produto direto da degradação das escolas, salas de aulas lotadas, falta de equipamentos apropriados para desenvolver o trabalho de ensino-aprendizagem, desvalorização dos professores promovida diretamente pelo Estado, começando pelos salários miseráveis que lhes são pagos.

Depois da crise com a aluna, a mãe da mesma foi à Escola e discutiu com a professora na sala de aula, intensificando a pressão já existente nas escolas em torno dos professores que é ainda maior nas escolas de tempo integral.

A professora, sentindo-se acuada teve um AVC, desmaiou em um primeiro momento; foi chamada a ambulância, porém ela se levantou e desceu as escadas andando, por isso, ocorreu outro AVC.

A educadora foi levada ao hospital, obteve uma ligeira melhora, porém no domingo dia três de junho, teve outro AVC e, por consequência. morte cerebral.

É preciso abrir um debate nas escolas, pois os professores estão adoecendo e até falecendo pelas condições péssimas de trabalho. O marido autorizou a doação de seus órgãos. Nossos sinceros sentimentos ao marido, familiares e amigos.

https://www.causaoperaria.org.br/professora-morre-em-escola-de-tempo-integral-de-garca-sp/#.WyRDgGPMSiJ.facebook

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OMS: Depressão é a maior causa de problemas de saúde e doenças incapacitantes

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a depressão como a maior causa de problemas de saúde e doenças incapacitantes em todo o mundo. Segundo as últimas estimativas da OMS, mais de 300 milhões de pessoas estão vivendo agora com depressão, um aumento de mais de 18% entre 2005 e 2015. depressão

Reproduzo dois casos que ocorreram com mulheres negras,  que sofreram  de depressão e racismo: A Globeleza e judoca  Rafaela Silva

Coroada como a nova Globeleza no carnaval em 2014, Nayara Justino entrou em depressão após ler alguns comentários racistas ao seu respeito. Os ataques começaram essa semana, após ser noticiado que a mulata vai perder o posto do símbolo de carnaval da TV Globo, e que a emissora já busca uma nova beldade para substituí-la. Triste, Nayara se trancou em sua casa, no Rio, e foi buscar uma ajuda de um psicólogo.

“Ganhei no voto popular, por quê estão me detonando assim? São tantas noticias ofensivas. Uma jornalista me atacando… Isso acabou com minha vida. Os jornais publicam essas notícias e as pessoas postam comentários racistas”, queixa-se.

Nayara Justino posta foto apos polêmica
Nayara Justino posta foto apos polêmica Foto: Instagram
Nayara está deprimida após ofensas raciais
Nayara está deprimida após ofensas raciais Foto: Divulgação
 

“Nayara ficou revoltada. Não queria falar com ninguém, não queria sair. E o pior de tudo essas mensagens racistas que ela tinha lido na internet. Eu já recolhi aqui mais de 50 mensagens chamando ela de feia, de macaca… Nayara sofre preconceito desde pequena, mas agora estão pegando pesado. Ela já chorou muito”, diz Cairo marido da Nayara.

Nayara Justino, a Globeleza de 2014
Nayara Justino, a Globeleza de 2014 Foto: Nina Lima
Judo - Women -57 kg Final - Gold Medal Contest

2016 Rio Olympics – Judo – Final – Women -57 kg Final – Gold Medal Contest – Carioca Arena 2 – Rio de Janeiro, Brazil – 08/08/2016. Rafaela Silva (BRA) of Brazil celebrates. REUTERS/Kai Pfaffenbach TPX IMAGES OF THE DAY. FOR EDITORIAL USE ONLY. NOT FOR SALE FOR MARKETING OR ADVERTISING CAMPAIGNS.

A judoca Rafaela Silva conquistou  o primeiro ouro do Brasil na Rio 2016. Ela venceu as cinco lutas que disputou na categoria leve (até 57kg). Na final, bateu ninguém menos que a mongol Sumiya Dorjsuren, atual líder do ranking mundial. Após a vitória, aos prantos, a atleta declarou à imprensa:

“Treinei muito depois de Londres porque não queria repetir o sofrimento. Depois da minha derrota, muita gente me criticou, disse que eu era uma vergonha para minha família, para meu país. E agora sou campeã olímpica.”

O sofrimento a que Rafaela se refere ocorreu em 2012, durante os Jogos Olímpicos de Londres, quando foi desclassificada pelos juízes após aplicar um golpe irregular. A judoca foi eliminada do torneio em sua segunda luta.

Mulher negra, de infância pobre na Cidade de Deus (comunidade retratada no filme homônimo de Fernando Meirelles, que foi diretor-geral do show de abertura da Rio 2016), Rafaela recebeu como resposta dos torcedores uma enxurrada de protestos racistas no Twitter. Ao GloboEsporte, ela explicou:

“Tinha [tuíte dizendo] que lugar de macaco era na jaula, e não nas Olimpíadas, que eu era vergonha para a minha família. Tinha um comentário [dizendo] que eu estava gastando o dinheiro que a pessoa pagava de imposto para querer ganhar roubando. Respondi que eu pagava imposto também. (…) Da maneira que eu perdi já tinha doído bastante. Eu estava indignada, só queria minha família. Achei que ia ter incentivo, mas estava todo mundo me criticando.”

Ela não se intimidou. Pelo contrário, devolveu com palavrões as críticas e insultos racistas. O caso logo ganhou repercussão na mídia e a judoca foi orientada pela Confederação Brasileira de Judô a tornar suas redes sociais privadas. Os criminosos racistas nunca foram identificados.

O episódio traumático, depois de quatro anos de preparo, afetou o emocional da atleta. De volta ao Brasil, Rafaela entrou em depressão e ficou cerca de dois meses sem pisar no tatame. Pensou em desistir do esporte, mas seu técnico, Geraldo Bernardes, não deixou: “Fizemos uma operação para recuperá-la. Não podíamos perder um talento assim”, disse.

Geraldo Bernardes é um dos profissionais do Instituto Reação, ONG criada pelo ex-judoca Flávio Canto, pela qual Rafaela foi recrutada e onde conheceu a disciplina do judô. Apesar de referência das jovens promessas da instituição, ela não é elogiada por sua disciplina. Em entrevistas, Rafaela diz que gosta é de “competir”, deixando de lado treinos físicos, de chão e até os cuidados com a alimentação.

A recuperação desse apetite por competição perdido depois do episódio de 2012 veio por meio do acompanhamento de uma psicóloga, Alessandra Salgado, contratada pela ONG para trabalhar o lado emocional dos atletas. A “operação” foi realizada com sucesso. A atleta, que também é sargento da Marinha, redescobriu sua autoestima e, no ano seguinte, se tornou a primeira judoca brasileira a conquistar o ouro em campeonatos mundiais (Rio 2013).

Hoje, após entrar para a história do País como a primeira judoca brasileira a se tornar campeã olímpica e mundial, Rafaela declarou emocionada:

“Minha vida é o judô. Se não fosse o judô, não sei onde estaria agora. Graças a Deus conheci o esporte e estou aqui, campeã mundial e campeã olímpica.”

Os pais de Rafaela Silva, Zenilda e Luiz Carlos, saíram de ônibus da comunidade Cidade de Deus para acompanhar a vitória gloriosa da judoca na Arena Carioca 2. Como mãe sabe das coisas, antes da sequência de vitórias, dona Zenilda previu:

“Em Londres, a gente não estava lá. Chamaram a minha filha de macaca. Agora, estamos aqui. O mundo todo chorou e hoje ela vai dar a volta por cima.”

 

Boa notícia: UFMG inova na promoção da saúde mental

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Claudia Mayorga: política institucional conectada com a sociedade
Relatório expressa diretrizes para construção da política de saúde mental da UFMG

terça-feira, 16 de maio de 2017, às 8h41

Está disponível, na página da Pró-reitoria de Extensão, o relatório conclusivo dos trabalhos realizados pela Comissão Institucional de Saúde Mental (Cisme) da UFMG. O documento vinha sendo elaborado desde a 4ª Semana de Saúde Mental e Inclusão Social da UFMG, realizada em maio do ano passado.

O relatório será debatido com a comunidade universitária durante a 5ª Semana de Saúde Mental e Inclusão Social da UFMG. “Com o documento definido, a Rede Saúde Mental da UFMG poderá se dedicar a implantar as diretrizes estabelecidas para os diversos âmbitos da Universidade”, explica a professora Claudia Mayorga, pró-reitora adjunta de Extensão.

O documento apresenta uma concepção de Universidade acolhedora, flexível, acessível, inclusiva, solidária e disposta a conferir protagonismo às pessoas que vivem a experiência de sofrimento mental. O texto, que também está sintonizado com a Política de Direitos Humanos da UFMG, defende uma atuação em consonância com o Sistema Único de Saúde (SUS) e com os dispositivos legais que compõem e orientam os programas municipal, estadual e nacional de saúde mental.

As diretrizes indicadas no documento preconizam a construção permanente e participativa de uma política de atenção em saúde mental na Universidade, a promoção da desestigmatização e da despatologização do sofrimento mental, o incentivo à qualidade de vida e à construção de um ambiente “não adoecedor” e o enfrentamento da cultura de autoritarismo, individualismo e produtivismo na academia.

Com base nesses princípios, o documento traz uma série de sugestões de ações. “Como desdobramento, já estamos elaborando uma cartilha informativa sobre os setores da Universidade que podem ser procurados por estudantes, técnicos e professores que passam por alguma situação de sofrimento mental”, antecipa Claudia Mayorga.

A pró-reitora adjunta também conta que, no âmbito da Rede Saúde Mental da UFMG, foi criado um grupo de trabalho (do qual participam instâncias da Universidade que prestam serviços relacionados à saúde mental) para discutir formas de melhorar a atenção à comunidade universitária.

Pioneirismo
Claudia Mayorga destaca que o relatório indica uma política institucional alinhada com a Política Nacional de Saúde Mental. Suas diretrizes não se restringem ao âmbito da Universidade, mas buscam alcançar o trânsito que a comunidade universitária faz entre os campi e a própria cidade. Essa é uma das explicações para que o documento esteja sob a guarda da Pró-reitoria de Extensão, a despeito do envolvimento de diversas instâncias da UFMG nas discussões que nele resultaram. “Foram delimitadas diretrizes para uma política institucional intimamente conectada com a sociedade. No âmbito universitário, essa é uma ação pioneira no Brasil”, afirma a pró-reitora adjunta.

(Ewerton Martins Ribeiro / Boletim 1972)