Como o Zimbabwe enfrentou o problema de saúde mental no país

Avós voluntárias
Image captionAs avós voluntárias participam do projeto sem treinamento médico, mas conseguem bons resultados (Crédito: Cynthia R Matonhodze)

Certa noite, o psiquiatra zimbabuano Dixon Chibanda recebeu uma ligação de um médico em uma emergência. Uma mulher de 26 anos chamada Erica, que Chibanda havia tratado no passado, havia tentado suicídio. O médico disse que precisava da ajuda de Chibanda para que Erica não repetisse a tentativa.

A paciente estava em um hospital a mais de 160km de distância de Harare, no Zimbábue. Então, Chibanda e a mãe de Erica bolaram um plano por telefone. Assim que ela fosse liberada do hospital, sua mãe a levaria para ver Chibanda e reavalariar o tratamento.

Duas semanas se passaram e Chibanda não teve notícias de Erica. Até que recebeu uma ligação da mãe da paciente dizendo que ela havia se matado três dias antes.

“Por que você não veio a Harare?”, Chibanda perguntou. “Nós havíamos combinado que assim que ela fosse liberada vocês viriam até mim!”

“Nós não tínhamos os US$ 15 da tarifa de ônibus para ir a Harare”, disse a mãe.

A resposta deixou o médico sem palavras. Nos meses seguintes, ele se sentiu assombrado pelo caso. A falta de acesso à saúde de Erica devido à distância e ao custo não era uma exceção e sim a regra em muitos países.

No mundo, mais de 300 milhões de pessoas sofrem de depressão, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). A depressão é a maior causa de problemas de saúde e contribui para 800 mil suicídios por ano, a maioria em países em desenvolvimento.

zi-area“Pensar demais”

Ninguém sabe quantos habitantes do Zimbábue sofrem de “kufungisisa”, a palavra local para depressão (significa literalmente “pensar demais” em shona, a língua local). Mas Chibanda tem certeza de que o número é alto. “No Zimbábue, gostamos de dizer que temos quatro gerações de trauma psicológico”, diz ele, citando a Guerra Civil da Rodésia, o massacre de Matabeleland e outras atrocidades.

Mesmo assim, os que sofrem de depressão têm poucas opções em razão da escassez de profissionais da saúde mental. Chibanda, diretor da Iniciativa Africana de Pesquisa dobre Saúde Mental e professor de psiquiatria da Universidade do Zimbábue e da London School of Hygiene and Tropical Medicine, é um dos apenas 12 psiquiatras trabalhando no país. A população do Zimbábue é de 16 milhões de pessoas.

Essas estatísticas desanimadoras são comuns na África subsaariana, onde a proporção de psiquiatras e psicólogos para cada cidadão é um a cada 1,5 milhão.

Image captionDesde 2006, Chibanda e sua equipe ensinaram a mais de 400 avós técnicas de terapia com evidências científicas (Crédito: Cynthia R Matonhodze)

Ao quebrar a cabeça sobre possíveis soluções para o problema, o médico chegou a uma solução peculiar: vovós. Desde 2006, Chibanda e sua equipe ensinaram a mais de 400 avós técnicas de terapia com evidências científicas que elas praticam gratuitamente em mais de 70 comunidades no Zimbábue.

Somente em 2017, o Banco da Amizade, como é chamado o programa, ajudou mais de 30 mil pessoas. O método foi avaliado empiricamente e expandido para outros países, incluindo os Estados Unidos.

Chibanda acredita que o programa pode servir como modelo para qualquer comunidade, cidade ou país interessado em oferecer serviços de saúde mental acessíveis e altamente eficazes para seus habitantes. “Imagine se pudéssemos criar uma rede global de avós em toda grande cidade do mundo.”

Ele sempre soube que queria se tornar médico, mas a dermatologia e a pediatria eram seus interesses iniciais. Foi uma tragédia que o levou à psiquiatria. Enquanto estudava medicina na República Tcheca, um colega de classe se matou. “Era um cara muito alegre, ninguém esperava que ele pudesse acabar com a própria vida”, diz ele. “Mas, aparentemente, estava depressivo e nenhum de nós percebeu.”

Chibanda se tornou psiquiatra, mas só percebeu o tamanho do problema no Zimbábue com a Operação Murambatsvina (“limpe a sujeira”), campanha do governo em 2005 de limpeza forçada de favelas que deixou 700 mil pessoas sem lar. Quando visitou as comunidades após a campanha, ele encontrou taxas extremamente altas de estresse pós-traumático e outros problemas de saúde mental.

Image captionCaixa com a pergunta ‘como você está se sentindo?’, uma estratégia para começar conversas sobre saúde mental no Zimbábue (Crédito: The Friendship Bench Zimbabwe)

Em meio a esse trabalho, Erica se suicidou, o que deu ainda mais urgência à busca de Chibanda por uma solução para os habitantes de seu país.

Ele era o único psiquiatra no Zimbábue trabalhando no setor público de saúde, mas seus supervisores lhe disseram que não tinham recursos. Todas as enfermeiras estavam ocupadas com problemas de HIV e cuidados maternais e infantis, e todos os quartos do hospital estavam cheios. Eles poderiam, porém, emprestar 14 avós e dar acesso ao espaço externo do hospital.

Em vez de jogar tudo para o alto, Chibanda teve a ideia do Banco da Amizade. “Muitas pessoas acham que sou um gênio por ter tido essa ideia, mas não é verdade. Eu só tive de trabalhar com o que tinha”.

Isso não significa que inicialmente ele achasse que a ideia fosse funcionar. As avós, voluntárias da comunidade, não tinham experiência com terapia de saúde mental e a maioria tinha pouca educação formal. “Eu estava cético quanto a usar mulheres idosas”, ele admite. E não era o único a pensar assim. “Muitas pessoas acharam a ideia ridícula”, diz ele. “Meus colegas me disseram que não fazia sentido”.

Sem qualquer outra opção, Chibanda começou a treinar as avós da melhor maneira que podia. Primeiro, ele tentou aderir à terminologia desenvolvida no Ocidente, usando palavras como “depressão” e “ideação suicida”. Mas as avós lhe disseram que isso não iria funcionar. Para atingir as pessoas, elas insistiram, era preciso se comunicar por meio de conceitos culturalmente enraizados com os quais as pessoas poderiam se identificar.

Em outras palavras, elas precisavam falar a língua dos pacientes. Então, além do treinamento formal que receberam, elas trabalharam juntas para incorporar conceitos da cultura shona sobre abrir a mente, fortalecer e animar o espírito.

“O treinamento em si tem base em terapia fundamentada mas também em conceitos indígenas”, diz Chibanda. “Eu acho que essa é uma das razões do sucesso, porque realmente conseguiu montar esse quebra-cabeça usando conhecimento e sabedoria.”

Eficaz e replicável

A Vó Chinhoyi, como é conhecida por aqui, está no programa Banco da Amizade desde o início. “Eu entrei no programa porque queria ajudar as pessoas na comunidade”, diz. “Era demais, as pessoas depressivas. Havia tantas e eu queria diminuir o número.”

“Eu sempre fui assim, de querer ajudar os outros”, diz ela, com um sorriso e encolhendo os ombros. “Eu valorizo tanto os seres humanos.”

Image captionA avó Rudo Chinhoyi, de camiseta azul, cercada por alguns de seus três filhos, nove netos e oito bisnetos (Crédito: Rachel Nuwer)

Chinhoyi, que tem 72 anos, perdeu a conta do número de pessoas que ela tratou diariamente durante os últimos dez anos ou mais. Ela encontra pessoas com HIV, viciadas em drogas, pessoas que sofrem pobreza e fome, casais infelizes, idosos solitários e mulheres jovens, solteiras e grávidas.

Independentemente da história ou das circunstâncias, ela começa suas sessões sempre do mesmo jeito: “eu me apresento e digo ‘qual é o seu problema? Me conte tudo e eu vou lhe ajudar com as minhas palavras'”.

Após ouvir a história da pessoa, Chinhoyi guia o paciente até que ele ou ela chegue sozinho à conclusão. Então, até que o problema seja completamente resolvido, ela acompanha a pessoa de tempos em tempos para garantir que ela esteja seguindo o plano.

Certa vez, por exemplo, Chinhoyi encontrou um homem cuja esposa havia fugido com o dono da casa que alugavam. “O marido queria uma faca para atacar o casal, mas eu o convenci a não fazê-lo”, diz Chinhoyi. “Eu disse a ele, ‘se você for preso, suas crianças vão ficar sozinhas, não vale a pena'”. Em vez de apelar para a violência, o homem se divorciou e agora está feliz e casado de novo.

Por ter vindo das mesmas comunidades que seus pacientes, ela e as outras avós muitas vezes passaram pelos mesmos traumas sociais. Ainda assim, Chibanda e seus colegas ficaram surpresos com as baixas taxas de estresse pós-traumático e outros males de saúde mental entre as senhoras. “O que vemos nelas é essa incrível resiliência diante da adversidade”, diz ele.

Image captionUm Banco da Amizade em Malawi (Crédito: The Friendship Bench Zimbabwe)

As avós também não parecem ficar exaustas apesar de ouvirem, dia após dia, pessoas à beira de uma crise . “Nós estamos explorando os motivos para isso, mas o que parece estar emergindo é esse conceito de altruísmo, em que as avós realmente sentem que estão ganhando algo ou fazendo a diferença na vida dos outros”, diz Chibanda.

Comprovação científica

Em 2009, Chibanda já tinha certeza de que o programa estava funcionando, tanto em termos de melhorar a qualidade de vida dos participantes quanto de diminuir os índices de suicídio. O departamento de saúde da cidade de Harare, que paga pela iniciativa, estava completamente de acordo e os pacientes eram regularmente indicados a partir de hospitais, escolas, delegacias, entre outros.

Mas para que o Banco da Amizade fosse reconhecido e replicado ao redor do mundo, Chibanda precisava primeiro comprovar cientificamente que funciona.

Em 2016, Chibanda – em colaboração com colegas do Zimbábue e do Reino Unido – publicaram os resultados de um teste de controle sobre a eficiência do programa no periódico da Associação Médica Americana.

Os pesquisadores dividiram 600 pessoas com sintomas de depressão em dois grupos diferentes. Eles perceberam que, após seis meses, o grupo que tinha visto as avós tinham sintomas significativamente baixos de depressão comparados ao grupo que passou por um tratamento convencional.

“Nós ficamos maravilhados com os resultados, que apontaram que a intervenção tem um grande efeito sobre a vida diária das pessoas e habilidade para funcionar”, diz Victoria Simms, epidemiologista da London School of Hygiene and Tropical Medicine e co-autora do estudo. “É sobre dar às pessoas as ferramentas que precisam para resolver seus próprios problemas.”

Outros dois testes científicos estão sendo feitos agora, diz ela, incluindo um examinando um programa jovem do Banco da Amizade em Harare e outro que é especialmente para pessoas jovens com HIV.

O programa também expandiu para vários outros países e, ao fazê-lo, Chibanda e seus colegas descobriram não apenas que ele é bem adaptável a outras culturas mas que as avós não são as únicas capazes de oferecer terapia com eficiência. Em Malawi, o Banco da Amizade usa terapeutas idosos homens e mulheres, enquanto Zanzibar usa homens e mulheres mais jovens.

Os terapeutas da cidade de Nova York são os mais diversos, com pessoas de todas as idades e raças, alguns da comunidade LGBTQ. “Nós trabalhamos em todas as pontas”, diz Takeesha White, diretora-executiva do Escritório de Planejamento Estratégico e Comunicações do Departamento de Saúde de Nova York do Centro para Igualdade de Saúde. “A população de Nova York é muito ampla.”

Image captionO programa, afirma Chibanda, pode servir de modelo para qualquer comunidade (Crédito: The Friendship Bench Zimbabwe)

Muitos dos terapeutas de Nova York já foram viciados ou passaram por outros desafios de vida. “Nós estamos comprometidos a ter pessoas com experiência de vida que conseguem falar a linguagem da recuperação e sobre lidar com vício”, diz White. “Quando vê, você não está em um banco, mas dentro de uma conversa calorosa com alguém que se importa e entende.”

Os bancos de Nova York, que são pintados de um laranja brilhante, iniciaram seus pilotos em 2016 e foram lançados em meados de 2017 atraindo 30 mil pessoas durante seu primeiro ano. A cidade até agora tem três bancos permanentes nos bairros de Bronx, Brooklyn e Harlem e o programa organiza bancos móveis em festivais, igrejas, parques, feiras de comida e outros eventos.

Os terapeutas do Banco da Amizade também se disponibilizam logo após tragédias comunitárias, incluindo um recente suicídio em público no leste de Harlem.

“Quando eu visitei Nova York, eu fiquei surpreendido ao descobrir que os problemas que os nova-iorquinos passam são muito parecidos com os daqui de Zimbábue”, diz Chibanda. “São assuntos relacionados a solidão, acesso a saúde e sobre saber que o que você está passando é tratável.”

Enquanto há muito mais psiquiatras que trabalham em Nova York do que no Zimbábue em termos de proporção de médicos para habitantes – um para cada 6.000 pessoas em Nova York – o acesso à saúde ainda é problemático na cidade, especialmente para os menos privilegiados. O mesmo acontece em outros lugares do mundo. “Essa não é uma solução para países de baixa renda”, diz Simms. “Isso pode ser uma solução que qualquer país do mundo pode se beneficiar”.

Fonte:https://www.bbc.com/portuguese/vert-fut-46283465?ocid=socialflow_facebook

Aquecimento global afeta a saúde mental

Pesquisa publicada nos EUA afirma que aumento das temperaturas está associado a estresse, ansiedade e depressão
Pesquisadores do MIT analisaram uma década de diagnósticos para mostrar que o aumento moderado das temperaturas está associado a um aumento de problemas como a ansiedade, estresse e depressão. Foto: Pixabay
Pesquisadores do MIT analisaram uma década de diagnósticos para mostrar que o aumento moderado das temperaturas está associado a um aumento de problemas como a ansiedade, estresse e depressão. Foto: Pixabay

CAMBRIDGE, EUA – Descongelamento dos polos, inundações, aumento do nível do mar, secas extremas, incêndios florestais, escassez de alimentos e alterações nos ecossistemas são algumas das múltiplas consequências do aquecimento global. No entanto, as mudanças climáticas terão impactos ainda mais diretos nos seres humanos, e eles estão começando a ser investigados por cientistas. Um estudo publicado na revista PNAS, da Academia Nacional de Ciências dos EUA, alerta que um aumento moderado das temperaturas está associado ao crescimento dos problemas de saúde mental na população mundial, como a ansiedade, o estresse e a depressão.

Para chegar a essa conclusão, pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) analisaram dados sobre a saúde mental de dois milhões de pessoas nos EUA, entre 2002 e 2012. Ao comparar as informações sobre atendimentos de profissionais especializados em saúde mental com os registros meteorológicos, eles observaram que os momentos de alta nos números de consultas coincidiam com variações importantes no clima. Por exemplo, meses com pelo menos 25 dias de chuva aumentaram a probabilidade de registros de problemas de saúde mental em 2%. Temperaturas médias mensais acima de 30° C estavam relacionadas a um aumento de 0,5%.

— Não sabemos exatamente porque as altas temperaturas causam problemas de saúde mental, mas o que está claro é que isso afetará mais e mais pessoas no futuro — alerta Nick Obradovich, líder da pesquisa.

Pesquisa aponta um novo norte

Estudos anteriores já haviam mostrado que a alta das temperaturas pode afetar os padrões de sono, piorar o humor e elevar as internações hospitalares. A revista Nature Climate Change, por sua vez, publicou um artigo onde se sugere que um aumento de 1° C nas temperaturas mensais está correlacionado com um aumento de 0,68% na taxa de suicídios nos EUA.

— É um estudo muito interessante, que nos estimula a procurar as variáveis que poderiam ter papel nessa relação — diz o Dr. Pablo Toro, psiquiatra da UC Christus Health Network.

Nesta linha, a UC está desenvolvendo um trabalho de acompanhamento de 10 mil pessoas por uma década. A ideia é, entre outras coisas, analisar “quais são as variáveis ambientais e de saúde geral associadas à doença mental”, explica Toro. Como eles, outros centros de pesquisa estão procurando as mesmas respostas.

— Estar exposto a condições climáticas extremas pode causar estresse, e isso, por sua vez, leva a problemas de saúde mental — sugere Obradovich, do MIT.

Desatres ambientais geram traumas psicológicos

Para Jaime Silva, diretor do Centro de Apego e Regulação Emocional da Faculdade de Psicologia da Universidade do Desenvolvimento, o tema se insere na análise de como os desastres naturais nos afetam.

— Todas as situações que de alguma forma ameaçam a vida, com maior ou menor intensidade, são difíceis de assimilar. E sabemos que a fonte mais importante de distúrbios mentais é viver experiências estressantes.

Isso aconteceu no Chile com terremotos, erupções vulcânicas, incêndios florestais e maremotos. No trabalho de Obradovich, a equipe examinou os diagnósticos de saúde mental das pessoas afetadas em 2005 pelo furacão Katrina e as comparou com as de pessoas em cidades semelhantes que não haviam sido afetadas pelo furacão: aqueles que viveram essa experiência traumática tiveram um risco 4% maior de sofrer transtornos mentais.

Obradovich também levanta outro fator que poderia influenciar os resultados: “As mudanças climáticas em alguns lugares podem levar você a reduzir comportamentos saudáveis, como fazer exercícios e ter uma boa rotina de sono, e isso pode ser um dos gatilhos para desenvolver problemas mentais”. Para os especialistas, conhecer a origem dos problemas é essencial para tratá-los.

Outros riscos

A saúde da população também pode ser afetada por outros efeitos associados às mudanças climáticas. Por exemplo, o aumento e a mudança na distribuição de mosquitos e vetores de doenças associadas a climas mais quentes e úmidos. Por outro lado, climas extremos e chuvas intensas favorecem a disseminação de infecções bacterianas através da água contaminada, principalmente no verão. Esse fenômeno também pode afetar as plantações de alimentos.

Fonte: https://oglobo.globo.com/sociedade/aquecimento-global-afeta-saude-mental-das-pessoas-afirmam-cientistas-do-mit-23175441?utm_source=Facebook&fbclid=IwAR28XjTOJDgWI3QwjXixz4UuyJE5f6qX2_JqzviVWcCx25HuxzSUn22SrgA

Garça interior de São Paulo, professora morre vítima das condições do trabalho

escola

 

Mais uma vítima do regime de más condições de trabalho e de destruição do ensino público pelos governos tucanos em São Paulo.

Na última quarta-feira, a professora da escola de tempo integral teve uma Acidente Vascular Cerebral (AVC) durante a sua aula, em Garça (SP).

Muitos narraram que a professora primeiro havia chamado atenção de uma aluna por causa da indisciplina, pediu ajuda para a direção, mas não obteve êxito.

A indisciplina nas escolas, longe de ser um fenômeno de resultado de uma opção pessoal dos alunos é produto direto da degradação das escolas, salas de aulas lotadas, falta de equipamentos apropriados para desenvolver o trabalho de ensino-aprendizagem, desvalorização dos professores promovida diretamente pelo Estado, começando pelos salários miseráveis que lhes são pagos.

Depois da crise com a aluna, a mãe da mesma foi à Escola e discutiu com a professora na sala de aula, intensificando a pressão já existente nas escolas em torno dos professores que é ainda maior nas escolas de tempo integral.

A professora, sentindo-se acuada teve um AVC, desmaiou em um primeiro momento; foi chamada a ambulância, porém ela se levantou e desceu as escadas andando, por isso, ocorreu outro AVC.

A educadora foi levada ao hospital, obteve uma ligeira melhora, porém no domingo dia três de junho, teve outro AVC e, por consequência. morte cerebral.

É preciso abrir um debate nas escolas, pois os professores estão adoecendo e até falecendo pelas condições péssimas de trabalho. O marido autorizou a doação de seus órgãos. Nossos sinceros sentimentos ao marido, familiares e amigos.

https://www.causaoperaria.org.br/professora-morre-em-escola-de-tempo-integral-de-garca-sp/#.WyRDgGPMSiJ.facebook

OMS: Depressão é a maior causa de problemas de saúde e doenças incapacitantes

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica a depressão como a maior causa de problemas de saúde e doenças incapacitantes em todo o mundo. Segundo as últimas estimativas da OMS, mais de 300 milhões de pessoas estão vivendo agora com depressão, um aumento de mais de 18% entre 2005 e 2015. depressão

Reproduzo dois casos que ocorreram com mulheres negras,  que sofreram  de depressão e racismo: A Globeleza e judoca  Rafaela Silva

Coroada como a nova Globeleza no carnaval em 2014, Nayara Justino entrou em depressão após ler alguns comentários racistas ao seu respeito. Os ataques começaram essa semana, após ser noticiado que a mulata vai perder o posto do símbolo de carnaval da TV Globo, e que a emissora já busca uma nova beldade para substituí-la. Triste, Nayara se trancou em sua casa, no Rio, e foi buscar uma ajuda de um psicólogo.

“Ganhei no voto popular, por quê estão me detonando assim? São tantas noticias ofensivas. Uma jornalista me atacando… Isso acabou com minha vida. Os jornais publicam essas notícias e as pessoas postam comentários racistas”, queixa-se.

Nayara Justino posta foto apos polêmica
Nayara Justino posta foto apos polêmica Foto: Instagram
Nayara está deprimida após ofensas raciais
Nayara está deprimida após ofensas raciais Foto: Divulgação
 

“Nayara ficou revoltada. Não queria falar com ninguém, não queria sair. E o pior de tudo essas mensagens racistas que ela tinha lido na internet. Eu já recolhi aqui mais de 50 mensagens chamando ela de feia, de macaca… Nayara sofre preconceito desde pequena, mas agora estão pegando pesado. Ela já chorou muito”, diz Cairo marido da Nayara.

Nayara Justino, a Globeleza de 2014
Nayara Justino, a Globeleza de 2014 Foto: Nina Lima
Judo - Women -57 kg Final - Gold Medal Contest

2016 Rio Olympics – Judo – Final – Women -57 kg Final – Gold Medal Contest – Carioca Arena 2 – Rio de Janeiro, Brazil – 08/08/2016. Rafaela Silva (BRA) of Brazil celebrates. REUTERS/Kai Pfaffenbach TPX IMAGES OF THE DAY. FOR EDITORIAL USE ONLY. NOT FOR SALE FOR MARKETING OR ADVERTISING CAMPAIGNS.

A judoca Rafaela Silva conquistou  o primeiro ouro do Brasil na Rio 2016. Ela venceu as cinco lutas que disputou na categoria leve (até 57kg). Na final, bateu ninguém menos que a mongol Sumiya Dorjsuren, atual líder do ranking mundial. Após a vitória, aos prantos, a atleta declarou à imprensa:

“Treinei muito depois de Londres porque não queria repetir o sofrimento. Depois da minha derrota, muita gente me criticou, disse que eu era uma vergonha para minha família, para meu país. E agora sou campeã olímpica.”

O sofrimento a que Rafaela se refere ocorreu em 2012, durante os Jogos Olímpicos de Londres, quando foi desclassificada pelos juízes após aplicar um golpe irregular. A judoca foi eliminada do torneio em sua segunda luta.

Mulher negra, de infância pobre na Cidade de Deus (comunidade retratada no filme homônimo de Fernando Meirelles, que foi diretor-geral do show de abertura da Rio 2016), Rafaela recebeu como resposta dos torcedores uma enxurrada de protestos racistas no Twitter. Ao GloboEsporte, ela explicou:

“Tinha [tuíte dizendo] que lugar de macaco era na jaula, e não nas Olimpíadas, que eu era vergonha para a minha família. Tinha um comentário [dizendo] que eu estava gastando o dinheiro que a pessoa pagava de imposto para querer ganhar roubando. Respondi que eu pagava imposto também. (…) Da maneira que eu perdi já tinha doído bastante. Eu estava indignada, só queria minha família. Achei que ia ter incentivo, mas estava todo mundo me criticando.”

Ela não se intimidou. Pelo contrário, devolveu com palavrões as críticas e insultos racistas. O caso logo ganhou repercussão na mídia e a judoca foi orientada pela Confederação Brasileira de Judô a tornar suas redes sociais privadas. Os criminosos racistas nunca foram identificados.

O episódio traumático, depois de quatro anos de preparo, afetou o emocional da atleta. De volta ao Brasil, Rafaela entrou em depressão e ficou cerca de dois meses sem pisar no tatame. Pensou em desistir do esporte, mas seu técnico, Geraldo Bernardes, não deixou: “Fizemos uma operação para recuperá-la. Não podíamos perder um talento assim”, disse.

Geraldo Bernardes é um dos profissionais do Instituto Reação, ONG criada pelo ex-judoca Flávio Canto, pela qual Rafaela foi recrutada e onde conheceu a disciplina do judô. Apesar de referência das jovens promessas da instituição, ela não é elogiada por sua disciplina. Em entrevistas, Rafaela diz que gosta é de “competir”, deixando de lado treinos físicos, de chão e até os cuidados com a alimentação.

A recuperação desse apetite por competição perdido depois do episódio de 2012 veio por meio do acompanhamento de uma psicóloga, Alessandra Salgado, contratada pela ONG para trabalhar o lado emocional dos atletas. A “operação” foi realizada com sucesso. A atleta, que também é sargento da Marinha, redescobriu sua autoestima e, no ano seguinte, se tornou a primeira judoca brasileira a conquistar o ouro em campeonatos mundiais (Rio 2013).

Hoje, após entrar para a história do País como a primeira judoca brasileira a se tornar campeã olímpica e mundial, Rafaela declarou emocionada:

“Minha vida é o judô. Se não fosse o judô, não sei onde estaria agora. Graças a Deus conheci o esporte e estou aqui, campeã mundial e campeã olímpica.”

Os pais de Rafaela Silva, Zenilda e Luiz Carlos, saíram de ônibus da comunidade Cidade de Deus para acompanhar a vitória gloriosa da judoca na Arena Carioca 2. Como mãe sabe das coisas, antes da sequência de vitórias, dona Zenilda previu:

“Em Londres, a gente não estava lá. Chamaram a minha filha de macaca. Agora, estamos aqui. O mundo todo chorou e hoje ela vai dar a volta por cima.”

 

Boa notícia: UFMG inova na promoção da saúde mental

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Claudia Mayorga: política institucional conectada com a sociedade
Relatório expressa diretrizes para construção da política de saúde mental da UFMG

terça-feira, 16 de maio de 2017, às 8h41

Está disponível, na página da Pró-reitoria de Extensão, o relatório conclusivo dos trabalhos realizados pela Comissão Institucional de Saúde Mental (Cisme) da UFMG. O documento vinha sendo elaborado desde a 4ª Semana de Saúde Mental e Inclusão Social da UFMG, realizada em maio do ano passado.

O relatório será debatido com a comunidade universitária durante a 5ª Semana de Saúde Mental e Inclusão Social da UFMG. “Com o documento definido, a Rede Saúde Mental da UFMG poderá se dedicar a implantar as diretrizes estabelecidas para os diversos âmbitos da Universidade”, explica a professora Claudia Mayorga, pró-reitora adjunta de Extensão.

O documento apresenta uma concepção de Universidade acolhedora, flexível, acessível, inclusiva, solidária e disposta a conferir protagonismo às pessoas que vivem a experiência de sofrimento mental. O texto, que também está sintonizado com a Política de Direitos Humanos da UFMG, defende uma atuação em consonância com o Sistema Único de Saúde (SUS) e com os dispositivos legais que compõem e orientam os programas municipal, estadual e nacional de saúde mental.

As diretrizes indicadas no documento preconizam a construção permanente e participativa de uma política de atenção em saúde mental na Universidade, a promoção da desestigmatização e da despatologização do sofrimento mental, o incentivo à qualidade de vida e à construção de um ambiente “não adoecedor” e o enfrentamento da cultura de autoritarismo, individualismo e produtivismo na academia.

Com base nesses princípios, o documento traz uma série de sugestões de ações. “Como desdobramento, já estamos elaborando uma cartilha informativa sobre os setores da Universidade que podem ser procurados por estudantes, técnicos e professores que passam por alguma situação de sofrimento mental”, antecipa Claudia Mayorga.

A pró-reitora adjunta também conta que, no âmbito da Rede Saúde Mental da UFMG, foi criado um grupo de trabalho (do qual participam instâncias da Universidade que prestam serviços relacionados à saúde mental) para discutir formas de melhorar a atenção à comunidade universitária.

Pioneirismo
Claudia Mayorga destaca que o relatório indica uma política institucional alinhada com a Política Nacional de Saúde Mental. Suas diretrizes não se restringem ao âmbito da Universidade, mas buscam alcançar o trânsito que a comunidade universitária faz entre os campi e a própria cidade. Essa é uma das explicações para que o documento esteja sob a guarda da Pró-reitoria de Extensão, a despeito do envolvimento de diversas instâncias da UFMG nas discussões que nele resultaram. “Foram delimitadas diretrizes para uma política institucional intimamente conectada com a sociedade. No âmbito universitário, essa é uma ação pioneira no Brasil”, afirma a pró-reitora adjunta.

(Ewerton Martins Ribeiro / Boletim 1972)