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Salários só aumentam entre 4% e 12%, comida já aumentou mais de 20% em Moçambique

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O pão que nos roubam no peso ficou 30% mais caro, a água que não é potável para a maioria do povo subiu mais de 15%, a electricidade de má qualidade aumentou 15%, o preço da comida agravou-se em mais de 20% porém o nosso empregado decidiu que o salário do seu patrão só vai crescer entre 4% e 12,5%.

Os trabalhadores moçambicanos, já habituados ao discurso do ano atípico (seja pela seca, devido às cheias, pela guerra ou por culpa da “mão externa”) não tinham grandes expectativas sobre os aumentos salariais anunciados nesta terça-feira(26) pelo Governo de Filipe Nyusi, ainda por cima com as dívidas secretas ilegalmente avalizadas pelo Estado e cujo valor ainda é desconhecido.

“Como tenho ouvido falar das dívidas (da EMATUM e da Proindicus) que o nosso país tem não espero que o salário aumente quase nada”, resignou-se Esmeralda.

Esta professora primária, numa escola pública nos arredores da cidade de Nampula, e que verá o seu salário aumentar menos de 500 meticais não tem ilusões, “nos anos anteriores aumentaram 6% a 7%, é este ano que devo esperar um aumento significativo com todos os problemas que ouço falar? Penso que não. Pelo contrário este suposto aumento ainda vai agravar mais os preços dos produtos. Se dependesse de mim era preciso aumentar no mínimo 20%, tendo em conta o custo de vida”.

Foto de ArquivoO custo de vida que a professora Esmeralda refere-se aumentou, oficialmente, só no primeiro trimestre do ano 6,34% com o maior aumento na “divisão de alimentação e bebidas não alcoólicas”, de acordo com o Instituto Nacional de Estatísticas (INE).

“Relativamente a igual período de 2015, o País registou um aumento de preços na ordem de 13,61%. A divisão de alimentação e bebidas não alcoólicas destacou-se com um aumento de 22,14%” refere o INE que baseia o seu índice em preços praticados nos estabelecimentos formais.

Outro funcionário da Educação, esse sector prioritário para o “Desenvolvimento do Capital Humano”, afecto no distrito de Rapale e que terá com este aumento anunciado verá o seu salário aumentar menos de 1000 meticais afirma que “estes aumentos têm sido de tal sorte que agravam o custo de vida. Eu penso se aumentassem, pelo menos 1300 meticais seria normal”, lamentou o professor Alexandre.

Agricultura que emprega a maioria dos moçambicanos volta a ter o menor aumento

A maioria dos moçambicanos, cerca de 68%, continuam trabalhar no sector que sempre foi considerado o mais importante nos discursos dos sucessivos Chefes de Estado, o ramo de agricultura, silvicultura e pesca. Porém estes trabalhadores, que do seu suor virá supostamente a segurança alimentar e a redução das importações, continuam a ser os que auferem os piores vencimentos no nosso país e, de forma recorrente, recebem os menores aumentos, no ano passado tiveram um aumento de 5,74% e este ano só terão 3,61% de melhoria salarial.

Eis os salários mínimos aprovados pelo Governo de Nyusi, e que estão em vigor desde o passado dia 1 de Abril:

Função Pública terá aumentos entre 4% e 7%

“O nosso Governo não nos paga bem, disso ninguém tem dúvidas pelo menos nós do Ministério da Saúde. Este 2016 prefiro esperar a percentagem que eles quiserem aumentar”, desabafaou Felisberto, entrevistado pelo @Verdade na semana passada quando foi tornado público o acordo na Comissão Consultiva do Trabalho, que está preocupado com a possibilidade, bem real diga-se, que com este anúncio do Executivo os preços voltem novamente a agravar-se. “O que me preocupa é que o salário sobe uma vez por ano, mas os preços dos produtos, no mercado, são agravados quase todos os dias”, acrescentou o nosso entrevistado.

Este profissional de saúde, num dos distritos da província de Nampula, “gostaria que acrescentassem pelo menos 1500 meticais” ao seu vencimento actual, mas em função do aumento de 7% anunciado por Carmelita Namashulua, a ministra ministra da Administração Estatal e Função Pública, deverá ver o seu salário crescer menos de 1000 meticais.

Foto de ArquivoPara a Função Pública o Governo de Nyusi determinou que o aumento para será de 7%, para quem ganha menos (professores primários, enfermeiros, auxiliares técnicos de saúde, assistentes técnicos de saúde, médicos, guardas policiais, serviço cívico e forças de defesa e segurança), e de 4% para os melhor remunerados.

O que a partida parece ser uma decisão positiva em termos reais quer dizer que os altos funcionários do Executivo, que ganham cerca de 100 mil meticais, terão um aumento igual ao que ganha actualmente um polícia ou enfermeiro, estes por sua vez verão o seu vencimento aumentar menos de 1000 meticais.

Como é o caso de Cristina, enfermeira na cidade de Nampula, que declarou ao @Verdade que o aumento deveria atingir, pelo menos, 25% para suprir as necessidades básicas. “Eu acho que o salário tinha que aumentar um pouco mais para cobrir as nossas despesas. Só para fazer compras de alimentação precisamos de mais de cinco mil. É complicado para alguém que recebem, por exemplo, nove mil”, desabafou a profissional de saúde.

Não recordando que na sua tomada de posse o Presidente Filipe Nyusi prometeu que a “alimentação condigna não deve constituir um privilégio. Ela é um direito humano básico que assiste a todos os moçambicanos” Júlio, um outro profissional da Educação e Desevolvimento Humano residente no município da Maxixe, disse ao @Verdade que “a luta é para garantir as refeições básicas: água, açúcar, folha de chá, pão ou mandioca cozida, arroz e carapau importado porque o peixe fresco sai mais caro. O coco que na altura comprávamos a 5 meticais agora custa 12 a 20 dependendo do tamanho”.

Os agentes da Polícia da República de Moçambique, que já prometeram reprimir qualquer manifestação popular mesmo que seja pacífica, verão o seu salário crescer somente 7%, o que representa um aumento de menos de 500 meticais para a maioria dos membros da corporação cujo salário ronda os 5 mil meticais.

Pelo menos trabalho não lhes faltará pois certamente o crime será uma alternativa para os milhares de desempregados, e até mesmo alguns trabalhadores, incapazes de ganharem honestamente o seu pão de cada dia em Moçambique.

http://www.verdade.co.mz/tema-de-fundo/35-themadefundo/57732-salarios-so-aumentam-entre-4-e-12-comida-ja-aumentou-mais-de-20-em-mocambique

 

 

Governo de Moçambique avaliza dívidas e não explica à população onde o dinheiro foi gasto

Ainda que não saibamos a real dimensão dos empréstimos contraídos secretamente por empresas estatais, com o aval ilegal do Estado, os moçambicanos honestos já estão a pagar as facturas: o metical continua a depreciar-se em relação às principais divisas; os preços de vários serviços e produtos, com destaque para os alimentares, estão a subir; os salários continuam por ajustar e começam a ficar atrasados; e centenas de empresas estão a encerrar ou a reduzir a produção.

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Para agravar ainda mais o nosso sofrimento, nesta quarta-feira(20), o Banco de Moçambique (BM) decidiu tornar o custo do acesso ao dinheiro ainda mais alto para os moçambicanos honestos. Sobre as ilegalidades dos avales e onde está o dinheiro dos empréstimos o Presidente Filipe Nyusi nada fala, mas na Bélgica disse que “A dívida está reestruturada, esperamos que as outras que possam acontecer sejam também reestruturadas (…) aquilo que depender do sector privado terá que ser endossado ao sector privado para ter a responsabilidade própria”. Acontece que as empresas que endividaram os moçambicanos não são privadas mas sim estatais.

Mesmo depois do Comité Central ter orientado, há cerca de uma semana, ao Governo para informar o povo sobre as dívidas da Empresa Moçambicana de Atum (EMATUM) e Proindicus nenhum membro do Executivo veio explicar: quantos empréstimos foram contraídos, em que termos, qual o valor total da dívida externa, onde está o dinheiro, foi gasto na compra do quê, onde estão os bens adquiridos, sabia o Executivo que estava a violar a Constituição da República quando os avalizou, e agora como se repõe a legalidade… e as dúvidas não param por aqui. Só houve um comunicado do Ministério da Economia e Finanças distribuído na escola central do partido Frelimo!

Entretanto o Presidente da República, que se augura empregado dos moçambicanos, foi prestar contas aos europeus, a União Europeia é o maior financiador directo do nosso Orçamento de Estado(OE), enquanto o primeiro-ministro teve que deslocar-se aos Estados Unidos da América para explicar ao Fundo Monetário Internacional (FMI), outro dos financiadores do OE, os detalhes das dívidas.

“Estamos a gerir uma dívida, já conhecida, e estamos a trabalhar com as instituições financeiras internacionais. Naturalmente queremos ver como podemos escalonar o pagamento. Há medidas que estão a ser tomadas porque não queremos cair no desespero. Estamos de cabeça erguida. O importante é sabermos esclarecer as nossas preocupações e possibilidades e traçar medidas sustentáveis de contenção, de transparência e de abertura. Achamos que vamos controlar, mas ainda vai levar algum tempo”, afirmou o Chefe de Estado moçambicano em entrevista à Deutsche Welle no início desta semana.

Questionado se existirão “consequências dos casos EMATUM e Proindicus”, cujos empréstimos foram avalizados pelo Governo de Armando Guebuza violando a Lei Orçamental de 2013 e a Constituição da República, Filipe Nyusi declarou que “Eu não trabalho assim. Trabalho na base de factos. Ir para a imprensa dizer que vai haver isso por causa disso… Primeiro vamos lidar com o problema, percebê-lo e sempre na perspectiva de sairmos airosos e de resolvermos o problema”.

Governo quer reestruturar as restantes dívidas, como fez com EMATUM

Foto de ArquivoNesta quinta-feira(21), em entrevista à Euronews o Presidente Nyusi disse que o seu Governo está “a trabalhar no sentido de esclarecer, o mérito de um ser humano é o facto de saber ultrapassar problemas, sobreviver e existir”, sem mencionar que os avales do Estado foram concedidos violando a Lei Orçamental e a Constituição da República e nem referindo que os biliões de dólares não entraram na Conta Única do Tesouro.

“Estamos a encarar com frontalidade o problema, estamos a dar a cara que o problema existiu em Moçambique, estamos a abrir portas para que as coisas compreendidas e entendidas, e estamos a encontrar uma colaboração da parte do FMI para ver se encontramos soluções rapidamente e voltamos a vida normal porque é uma oportunidade que temos, com toda transparência para compreender e recomendar soluções. O processo já tinha começado em Moçambique e agora, mais do que nunca, temos que dar sinal de que nós próprios estamos interessados para aqueles que estão para ajudar Moçambique possam ter espaço para poderem ajudar”, acrescentou Nyusi.

À pergunta de que forma vão ser encontradas soluções para as dívidas contraídas junto dos bancos Credit Suisse (da Suíça) e Vnesh Torg Bank (da Rússia), Filipe Nyusi disse que espera que sejam reestruturadas, como aconteceu com a da EMATUM e “aquilo que depender do sector privado terá que ser endossado ao sector privado para ter a responsabilidade própria”, não referindo que as empresas que contraíram as dívidas são participadas pelo Estado, portanto a responsabilidade irá sempre ser dos moçambicanos e não de um privado em particular.

O Presidente, que afirmou na mesma entrevista ao canal televisivo europeu que “há muitos que estão entusiasmados com o gás, mas ninguém come o gás e que com o gás não se faz nada”, não explicou que o seu Governo está a reestruturas as dívidas hipotecando os eventuais rendimentos que serão gerados daqui a uma década quando Moçambique tornar-se num dos maiores produtores e exportadores do hidrocarboneto.

Taxas de juros nos bancos comerciais vão voltar a aumentar

Foto de Adérito CaldeiraEnquanto se aguarda pela posição do FMI, no seguimento da apresentação por parte de Carlos Agostinho do Rosário dos detalhes dos empréstimos que se estimam ultrapassar 1 bilião de dólares norte-americanos, sem contar com os 850 milhões da EMATUM, o Banco Central, que já havia adiado na semana passada a sua análise mensal da economia, reuniu nesta quarta-feira(20) e decidiu reforçar as políticas fiscal-monetária e sectoriais, como forma de aliviar a pressão inflacionária.

“Intervir nos mercados interbancários de modo a assegurar que a previsão da BM para Abril de 2016, estimada em 71.083 milhões, seja observada; Aumentar, com efeitos imediatos: a taxa de juro da Facilidade Permanente de Cedência de Liquidez (FPCL) em 200pb para 12,75%; A taxa de juro da Facilidade Permanente de Depósitos(FPD) em 150 pb para 5,75%”, indica um comunicado do BM.

Depois dos aumentos sucessivos da taxa Facilidade Permanente de Cedência, entre Outubro e Dezembro de 2015, os bancos comerciais reviram as suas prime rate, que servem de referência para os juros que cobram aos clientes a quem dão créditos, e fecharam o ano numa média de 16,41%.

Em Janeiro o Banco Central não mexeu na taxa de juro da Facilidade Permanente de Cedência porém agravou-a “em cem pontos base”, no mês de Fevereiro, levando as prime rate dos bancos comerciais para a média actual de 17,03%.

Com esta subida das taxas de juro da Facilidade Permanente de Cedência de liquidez “em duzentos pontos bases para 12,75%” os cidadãos que tenham créditos a pagar aos bancos comerciais deverão ver as taxas de juros atingir os 20% e talvez mesmo ultrapassarem essas fasquia, explicou uma fonte sénior do mercado bancário moçambicano.

Banco de Moçambique prevê voltar mexer nas suas políticas em função das decisões do FMI

Foto de Adérito CaldeiraPara além do aumento das taxas FPCL e FPD o Banco Central decidiu “alterar o regime de reserva obrigatória, segregando a base de incidência em moeda nacional e moeda estrangeira e diferenciando os respectivos coeficientes, com efeitos a partir do período de constituição que se inicia a 7 de Junho de 2016: Mantendo o coeficiente para os passivos em moeda nacional em 10,5% e Fixando o novo coeficiente para passivos em moeda estrangeira em 15%, cuja constituição passa a ser feita em Dólares norte-americanos”.

A economista Fernanda Massarongo explicou ao @Verdade que “é uma tentativa de garantir uma maior retenção de dólares, que neste momento continuam a escassear no nosso mercado (…) há uma redução de reservas internacionais líquidas todos os meses, desde finais do ano passado, o Banco Central pretende garantir a sua política monetária que passa pela estabilidade da moeda nacional, da taxa de câmbio e também assegurar que Moçambique tem reservas suficientes para fazer face as suas reservas de importação”.

De acordo com a nossa entrevistada provavelmente o Banco de Moçambique sabe que estas medidas não irão permitir alcançar as suas metas, “o que está a fazer é minimizar os efeitos” na economia. Esta semana a moeda norte-americana começou a ser vendida a 47,44 meticais, no banco comercial e de investimentos, e a 61.4 meticais no informal e nesta quinta-feira(21) chegou aos 47,95 meticais no banco e a ser transaccionado a 62,5 meticais no paralelo.

Pelo menos desta vez a instituição dirigida por Ernesto Gove, que até recentemente desconhecia os empréstimos adicionais à EMATUM, tenha tomado “nota dos impactos esperados nos indicadores do sector externo resultantes da eventual execução das garantias emitidas pelo Estado decorrentes de responsabilidades externas contraídas por entidades nacionais, o que pode demandar medidas de ajustamento tendo em vista assegurar a sustentabilidade da dívida externa e a estabilidade macroeconómica”.

Está tudo em suspenso até a instituição dirigida por Christine Lagarde rever a sua análise macroeconómica e ditar novas regras para que Moçambique possa continuar a receber o seu apoio.

Novos salários mínimos adiados

Paralelamente continua o discurso sobre a necessidade de produzir mais internamente para reduzir as importações e consequentemente a factura em divisas, só que nenhum governante conseguiu ainda explicar como fazer algo que durante 40 anos os sucessivos governos do partido Frelimo foram incapazes de realizar.

Em desespero, e tentando evitar que os citadinos da metrópole comecem efectivamente a passar fome devido ao encarecimento dos alimentos, o Executivo de Nyusi decidiu baixar os preços de referência de batata, cebola e tomate, assim como de produtos frescos importados da África do Sul. Um país que tal como Moçambique está a enfrentar um seca aguda mas mesmo assim consegue produzir para o seu mercado interno e ainda exporta, em mais uma evidência da incompetência que grassa no Ministério da Agricultura.

A Confederação dos patrões, que em Novembro até reclamou destas políticas fiscal-monetária do BM, nunca mais voltou posicionar-se publicamente, vai dizendo que está a dialogar e trabalhar com o Executivo mas para além de empresas cada vez mais incapazes de honrar os seus compromissos, até com os trabalhadores, há registo de centenas empresários nacionais a encerrarem as suas actividades e outros a adiarem novos investimentos. Por outro lado o investimento estrangeiro não pára de cair.

Esta semana deveriam ter sido anunciados os novos salários mínimos mas a decisão terá sido adiada pelo menos até a próxima sessão do Conselho de Ministros. Na próxima semana os trabalhadores assinalam mais um dia sem nada para comemorar, a ver se o empregado do povo tem coragem de “dar a cara”, nos tradicionais desfiles que marcam o 1º de Maio, e quiçá explicar também aos moçambicanos as dívidas que estão a pagar embora sem usufruir delas.

http://www.verdade.co.mz/tema-de-fundo/35-themadefundo/57670-ematum-proindicus-afundam-metical-encarecem-o-custo-de-vida-mas-para-o-presidente-nyusi-a-prioridade-nao-e-responsabilizar-quem-avalizou-as-dividas-ilegalmente

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Governo decreta alerta vermelho institucional devido a seca em Moçambique

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O governo moçambicano declarou nesta terça-feira(12) alerta vermelho institucional, por um período de 90 dias, para as regiões Centro e Sul do país, devido a seca que, atualmente, afeta cerca de 1,5 milhão de pessoas que se encontram em situação de insegurança alimentar.

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A decisão, tomada durante a XII sessão ordinária do Conselho de Ministros, visa, entre outros objectivos, intensificar a assistência às populações afectadas e ampliação do espectro de intervenção do governo e parceiros. Para além destes objectivos, segundo o porta-voz do governo e vice-ministro da Saíde, Mouzinho Saíde, a decisão visa também “a disponibilização de fundos pelo governo previstos no plano de contingência 2015/2016 para o reforço da assistência às pessoas em insegurança alimentar”.

“O alerta visa ainda a mobilização de recursos adicionais junto dos parceiros para o reforço dos fundos do plano de contingência, a coordenação efectiva das acções dos diversos intervenientes no processo de assistência humanitária às pessoas em regiões afectadas”, afirmou.

Na mesma sessão, o Conselho de Ministros analisou a situação das marés vivas que afectaram, com maior incidência, as regiões centro e norte dom país.

“Na semana compreendida entre 04 e 11 de Abril, verificou-se a ocorrência de marés vivas ao longo da costa, nas zonas Centro e Norte do país, resultantes de um fenómeno natural normal nesta época do ano”, disse o porta-voz, explicando que o mesmo resulta da sobreposição do sol e da lua, provocando um excesso de pressão gravitacional.

Parte mais visível deste fenómeno, segundo a fonte, registou-se na cidade da Beira, província de Sofala, onde 70 famílias foram obrigadas a abandonar as suas casas que ficaram inundadas. “Impactos similares ocorreram na Ilha de Moçambique, na província de Nampula, e no distrito de Mecúfi, cidade de Pemba e vila da Mocímboa da Praia, em Cabo Delgado”, disse.000000000000000000000000

http://www.verdade.co.mz/newsflash/57547-governo-decreta-alerta-vermelho-institucional-devido-a-seca-em-mocambique

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Grave seca afeta vários países da África Austral

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O Governo moçambicano decretou alerta vermelho por 90 dias devido à seca no centro e o sul de Moçambique e que mantém quase 1,5 milhões de pessoas em insegurança alimentar, segundo um comunicado do Conselho de Ministros hoje divulgado.

“A declaração do alerta vermelho visa melhorar a mobilização do Governo e parceiros, além de priorizar atividades para garantir que não haja perca de vidas”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Mouzinho Saíde, citado hoje na imprensa local, falando após a sessão do órgão realizada na terça-feira.

Durante os 90 dias, prosseguiu Mouzinho Saíde, o Governo pretende dinamizar ações de assistência às populações afetadas pela estiagem, numa estratégia que prevê cerca de 580 milhões de meticais (mais de nove milhões de euros) para reforçar a assistência alimentar, no âmbito do Plano de Contingência.

“É necessária a mobilização de mais fundos junto aos parceiros para reforçar o Plano de Contingência”, afirmou o também vice-ministro da Saúde, reiterando que tudo está a ser feito para evitar óbitos devido à estiagem.

As províncias do centro e do sul de Moçambique são as mais afetadas pela seca e, segundo os dados do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), apenas 10% dos camponeses conseguiram ter resultados no primeiro período da época agrícola.

Para responder às necessidades das populações afetadas, segundo o INGC, o Governo moçambicano precisa de três mil toneladas de cereais e duas mil toneladas de feijão por mês, uma quantidade de produtos avaliada em 13 milhões de dólares (11 milhões de euros) mensais.

Moçambique é sazonalmente atingido por cheias, fenômeno justificado pela sua localização geográfica, a jusante da maioria das bacias hidrográficas da África Austral, mas o sul do país é igualmente afetado por secas prolongadas e que este ano atingem também províncias da região centro.

A seca afeta vários países da África Austral e o Presidente do Malaui, Peter Mutharika, também declarou hoje o estado de catástrofe natural no país devido à falta de alimentos, causada pela grave seca.

Também o Zimbabué decretou, em fevereiro, o estado de emergência nas zonas rurais.

A grave seca, que dura há mais de um ano, afeta ainda a Zâmbia e a África do Sul, que declarou esta seca a pior em 100 anos.

A seca: Malawi decreta estado de catástrofe

14 de Abril, 2016

Fotografia: AFP

O Presidente do Malawi, Peter Mutharika, declarou ontem o estado de catástrofe natural no país por escassez de alimentos, devido à seca que assola a África Austral há mais de um ano e reduziu drasticamente as capacidades de produção agrícola do país.

 

“Eu declaro o Malawi em estado de catástrofe natural, após o período prolongado de seca na estação agrícola de 2015/2016”, disse Peter Mutharika em comunicado.
O Presidente estima uma queda de 12 por cento no volume das colheitas de milho em relação ao ano passado, acrescentando que “as pessoas estão em insegurança alimentar e vão precisar de ajuda humanitária em 2016  e 2017”.

Alerta em Moçambique

O Governo moçambicano decretou alerta vermelho por 90 dias devido à seca no centro e o sul de Moçambique e que mantém quase 1,5 milhões de pessoas em insegurança alimentar, segundo um comunicado do Conselho de Ministros ontem divulgado.
“A declaração do alerta vermelho visa melhorar a mobilização do Governo e parceiros, além de priorizar atividades para garantir que não haja perca de vidas”, disse o porta-voz do Conselho de Ministros, Mouzinho Saíde, citado ontem na imprensa local, falando após a sessão do órgão realizada na terça-feira. Durante os 90 dias, prosseguiu Mouzinho Saíde, o Governo pretende dinamizar acções de assistência às populações afetadas pela estiagem, numa estratégia que prevê cerca de 580 milhões de meticais (mais de dez milhões de dólares) para reforçar a assistência alimentar, no âmbito do Plano de Contingência.
“É necessária a mobilização de mais fundos junto aos parceiros para reforçar o Plano de Contingência”, afirmou o também vice-ministro da Saúde, reiterando que tudo está a ser feito para evitar óbitos devido à estiagem.
As províncias do centro e do sul de Moçambique são as mais afectadas pela seca e, segundo os dados do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades (INGC), apenas dez por cento dos camponeses conseguiram ter resultados no primeiro período da época agrícola. Para responder às necessidades das populações afectadas, segundo o INGC, o Governo moçambicano precisa de três mil toneladas de cereais e duas mil toneladas de feijão por mês, uma quantidade de produtos avaliada em 13 milhões de dólares mensais.
Moçambique é sazonalmente atingido por cheias, fenômeno justificado pela sua localização geográfica, a jusante da maioria das bacias hidrográficas da África Austral, mas o sul do país é igualmente afetado por secas prolongadas e que este ano atingem também províncias da região centro.
A seca afecta vários países da África Austral.Também o Zimbabué decretou, em Fevereiro, o estado de emergência nas zonas rurais.
A África do Sul, o principal exportador de cereais aos países vizinhos, regista a sua pior seca dos últimos 100 anos e tem de importar seis dos 12 milhões de toneladas de milho que o país precisa anualmente para fazer face às necessidades internas.
O Programa Alimentar Mundial (PAM) da ONU já anunciou ajudar três milhões de pessoas no Malawi, onde 23 dos 28 distritos estão afectados pela seca.
A seca na região austral de África é agravada devido ao fenómeno El Niño e à corrente quente equatorial do Pacífico, que reaparece em cada cinco ou sete anos e este ano manifestou-se com uma forte intensidade, causando secas em algumas regiões e fortes inundações noutras.

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/malawi_decreta_estado_de_catastrofe

A seca leva um milhão e meio de moçambicanos a fome

mediaOs terríveis efeitos da seca em MoçambiqueDR

Em Moçambique, o número de pessoas que necessita de ajuda alimentar passou dos 315 mil para perto de um milhão e meio. O responsável pelo Instituto Nacional de Gestão de Calamidades fez as contas e diz que são precisos cerca de 13 milhões de dólares.

 

Os parceiros de cooperação do Instituto Nacional de Gestão de Calamidades INGC comprometeram-se durante uma reunião conjunta em Maputo, a desembolsar 103 milhões de dólares para ajudar as vítimas da seca.
João Machatine Director-geral do INGC fala em necessidades mensais urgentes para socorrer as populações afetadas.

“Para um mês precisaríamos de 13 mil toneladas de cereais e para feijão estaríamos a falar de duas mil toneladas. Convertidas em valor monetário estamos a falar de 13 milhões de dólares”, acrescentou João Machatine.

O número de pessoas que necessita de ajuda alimentar passou dos 315 mil para perto de um milhão  e meio de pessoas, um número que na opinião do diretor-geral do INGC é “muito elevado”.

De acordo com o João Machatine – Director Geral INGC, Maputo, Gaza, Inhambane, Sofala e Tete e sul da Zambézia, são as regiões mais afetadas pela seca severa.

http://pt.rfi.fr/mocambique/20160405-um-milhao-e-meio-de-mocambicanos-passam-fome

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“Sou uma afro otimista impenitente” – Ngozi Okondjo-Iweala, Nigeria

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A economista nigeriana Ngozi Okondjo-Iweala é considerada uma das 100 mulheres mais poderosas do mundo. Orgulhosa da África e do seu país, ela considera-se uma afro otimista impenitente e acha que em vez de estar a mendigar a África deveria empenhar-se mais em fazer frutar os seus recursos próprios; além disso, o continente deveria incrementar as trocas comerciais no seu seio e reunir esforços para enfrentar os riscos. Esta mulher de 61 anos, casada e mãe de quatro filhos, chefiou o Ministério das Finanças da Nigéria por duas vezes, procurando arrecadar recursos do petróleo para momentos de crise e combater a corrupção, esforço que lhe custou o rapto da mãe. Atualmente dirige a GAVI, Aliança Mundial de Vacinas e Imunização, e é membro da ARC, Agencia de Asseguração, criada em 2012 sob a égide da União Africana, para fazer face a riscos climáticos. Leia e/ou alguns aspectos da sua vida e pensamento na rubrica “África. Vozes Femininas”.

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Uma das figuras femininas de relevo hoje em África é a economista nigeriana, Ngozi Okondjo-Iweala. Foi por duas vezes Ministra das Finanças da Nigéria: de 2003 a 2006, sobre a presidência de Olusegun Obasanjo, e de 2011 a 2015 sob a presidência de Goodluck Jonathan. No intervalo entre um e outro Governo foi Dirctora Geral do Banco Mundial. Atualmente é membro da Agência africana para o enfrentamento de riscos climáticos (ARC), Presidente do Conselho de Adminstração da GAVI, Aliança Global para as Vacinas e Imunização, com sede em Genebra,  e conselheira da Lazard, Banca internacional de Negócios, surgida no século XIX nos Estados Unidos.

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Galardoada em 2014 com o Doutoramento Honoris Causa pela  Universidade Yale dos Estados Unidos, pelo conjunto das suas realizações, e indicada em 2015 pela revista americana Forbes como uma das 100 mulheres mais poderosas do mundo, Ngozi é da opinião de que a Nigéria e a África em geral devem melhorar a qualidade do seu crescimento econômico para que possam reduzir realmente as desigualdades socioeconômicas.

Em recente entrevista ao “Le Monde Afrique”, ela define-se uma afro 0timista impenitente e afirma que as décadas de 80 e 90 foram perdidas para a África, mas que depois houve 15 anos de crescimento de pelo menos 5%; o número de conflitos diminuiu e houve mesmo uma redução da pobreza. Reconhece, contudo, que esse crescimento não foi devidamente partilhado e não criou empregos suficientes, deixando os pobres desiludidos.  Mas em vez de se desesperar, como se se tratasse de um destino para a África, ela considera que é preciso tirar as lições do passado, ver o que funcionou bem e continuar.

A seu ver, há que melhorar a qualidade do crescimento por forma a reduzir as desigualdades, pois que é a pobreza relativa que choca as pessoas. E como exemplo de como combater as desigualdades, e ela refere que quando estava no Governo na Nigéria começaram a atribuir aos mais pobres uma segurança social: 500 mil dólares foram destinados a um sistema de ajuda condicionada, a exemplo do Brasil de do México: exemplo: dá-se cinco mil nairas a uma mãe de cinco filhos se ela matricular um deles na escola. Se vacinar os seus filhos, recebe outra remessa, e assim por diante. O método – disse – já foi experimentado em oito Estados  do país e, em Kano, por ex., levou ao aumento da escolaridade em 10%. Ela espera, portanto, que esse método seja continuado pelo novo Governo da Nigéria. Refere ainda que o seu Governo procurou criar postos de trabalho na agricultura, pois que os nigerianos não querem ser assistidos, mas trabalhar.

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Interpelada sobre em que assenta o seu afro-optimismo impenitente, ela responde que o crescimento econômico da África tem sido superior à media mundial e que há países como a Etiópia, a Tanzânia, o Ruanda, o Senegal, a Costa do Marfim que têm tido um crescimento positivo. No plano político, evoca os sucessos na alternância política no Gana, na própria Nigéria… e tanto a leste como a sul do continente os governos começam a levantar as barreiras logísticas às trocas comerciais. Na África Ocidental – continua – os países fazem frente comum contra as ameaças à segurança e às violações das regras democráticas. É preciso que cada uma das partes da África – remata – se inspire das receitas da outra.

 

E no que toca à importância dos financiamentos para o desenvolvimento da África recorda que grande parte do desenvolvimento do continente é, hoje-em-dia, financiado pelos próprios africanos. Ngozi faz ainda notar que a ajuda aos países em desenvolvimento vai diminuir, pois que as ajudas vão ser orientadas para os migrantes e refugiados. Não deixa, no entanto, de sublinhar que há flagelos de que a África não é responsável, mas de que é a primeira vítima, como por ex. o aquecimento climático. Por isso, o resto do mundo deveria ajudá-la nisso, sublinha, mostrando-se, contudo, cética de que o irão fazer. E isto é, na sua opinião uma chance para a África que – diz – em vez de perder tempo a mendigar deveria pensar mais em recolher recursos locais, como impostos e investimento do fundo das pensões no desenvolvimento. A África – prossegue – deve comercializar mais com ela própria. Para isso, os países africanos não podem continuar a produzir todos a mesma coisa, devem especializar-se em determinados sectores.

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Referindo-se depois à crise do petróleo, Ngozi diz que há um aspecto que lhe entristece: quando ela esteve pela primeira vez à frente do Ministério das Finanças, entre 2003 e 2006 sob a presidência de Olusegun Obasanjo, abriram, abriram na Nigéria uma conta para onde eram canalizadas as excedências petrolíferas, e foram recolhidos quase 22 bilhões de dólares. Deste modo,  quando em 2008 o preço do barril de petróleo passou de 148 dólares para 38 não houve consequências para a Nigéria, porque pôde lançar mão desse fundo; mas ela quando voltou ao Governo em 2011, já sob a presidência de Goodluck Jonathan, o fundo tinha praticamente desaparecido. Ela quis retomar esse mecanismo, o Presidente Goodluck estava de acordo, mas os governadores opuseram-se, e agora são eles mesmo a acusaram-na de não ter poupado.

Interrogada sobre os seus sucessos e insucessos na luta contra a corrupção naquela que é a maior economia africana, esta economista nigeriana diz que seria preciso muito tempo para falar disso e resume referindo-se ao livro “Reformar o irreformável” que escreveu sobre a matéria, no seu primeiro mandato à frente do Ministério das Finanças. O segundo foi já muito mais difícil – diz – pois, quis por termo às subvenções ao carburante, setor muito afetado pela corrupção. Resultado: raptaram a sua mãe de 83 anos e começaram, nos meios de comunicação, a pedir a sua demissão do Governo.

Foi um momento de grande angústia, conta, pois ser responsável da morte da própria mãe não é algo a tomar de ânimo leve. Encorajada pelo pai e pelo próprio Presidente, ela não se demitiu e a mãe acabou por ser libertada. Ngozi conclui este ponto, dizendo que num país como a Nigéria, “se se luta contra a corrupção, é preciso estar ponto a pagar um preço muito pessoal”. E respondendo ao jornalista francês, ela sublinha que não é que os africanos sejam mais corruptos que os franceses, mas em França há mecanismos fortes que impedem a corrupção e, se mesmo assim houver roubos, há punição.  E remata, recordando que para acabar, por exemplo, com os pagamentos de salários a trabalhadores e pensionistas fantasmas, passou-se a fazer o pagamento não diretamente em dinheiro, mas por transferência bancária. Devemos bloquear a corrupção pela raiz- conclui.

Para além de ter sido Ministra das Finanças na Nigéria, Ngozi Okondjo-Iweala desempenha actualmente o cargo de Presidente do Conselho de Administração da GAVI. Com sede em Genebra, este organismo desenvolve e apoia métodos inovativos no sentido de alargar os programas de vacinação nos países pobres. Uma aliança de parcerias publicas e privadas, países mais avançados e menos avançados e ainda de UNICEF, OMS, Banco Mundial por forma a atingir o objectivo da vacinação para todos. Em 15 anos, 500 milhões de crianças puderam ser vacinadas no mundo graças a isso.

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Outro cargo que Ngozi Okondji ocupa a tempo parcial é a de membro, nomeada pela UA, da ARC, African Risk Capacity. Trata-se de uma Agencia de Asseguração Africana para a gestão de riscos climáticos. Foi criada em finais de 2012, sob a égide da UA, por 18 países membros desta organização pan-africana, aos quais se juntaram depois outros oito. Goza de parcerias internacionais como a Alemanha e o Reino Unido que lhe concedem empréstimos sem juros. A sua direcção é composta por oito membros entre especialistas em questões climáticas, financeiras, etc. Ngozi foi nomeada pela UA na qualidade de perita económica. Ela refere-se ao ARC como um exemplo positivo de esforço comum em África para melhor gerir os riscos, mas também para explorar o saber-fazer internacional e os recursos financeiros existentes. É que, sublinha, “não podemos impedir o mau tempo, mas juntos, podemos proteger as populações mais vulneráveis”. ARC já está a dar resultados positivos: este ano disponibilizou mais de 24 milhões de Euros ao Senegal, Mauritânia e Níger para fazer face à seca… Isto ajudou famílias em dificuldade a permanecer nas própria  terras. As ambições deste organismo são elevadas, mas para que se realizem,  disse Ngozi ao jornal “Le Monde” é preciso que outros países da África adiram ao ARC.

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Eram apenas alguns aspectos do pensamento e atividades da economista nigeriana, Ngozi Okondjo-Iweala, que nasceu duma família pobre, mas foi singrando na vida e hoje é uma renomada africana, orgulhosa da sua Nigéria. E é com esse espírito que considera uma grande vitória o facto de o nigeriano, Akinwumi Adesina ter sido eleito Maio de 2015 Director Geral do BAD, Banco Africano de Desenvolvimento, um lugar que a Nigéria ambicionava, disse, há 35 anos. Um lugar para o qual concorreu também, ficando em terceiro lugar, de entre vários candidatos, Cristiana Duarte, Ministra das Finanças e Planejamento do atual Governo cessante de Cabo Verde.

http://pt.radiovaticana.va/news/2016/04/04/sou_uma_afro-optimista_impenitente_ngozi_okondjo,_nig%C3%A9ria/1220108

 

Aside

Seca compromete a produção de açúcar em Moçambique

0000000000000000000000000000000 a ponte do rio cuito cuanvae

Associação de Produtores de Açúcar de  Moçambicana  – APAMO informou que haverá uma queda na produção de açúcar no país, por conta da seca.Esta atingirá principalmente os pequenos agricultores, que representam de 20% a 24 % da produção de moçambicana de cana de açúcar.

Segundo a APAMO,  a previsão de produção de cana era de 3,3 milhões de toneladas, mas haverá uma queda. Além disso  o preço das commodities caíram no mercado internacional.

Moçambique produz cerca de 450 mil toneladas de açúcar, sendo que 200 mil toneladas são consumidas internamente, o restante é exportado para União Européia, gerando cerca de 35.000 empregos.

Dados disponibilizados  na 7ª Conferencia Africana do Açúcar realizada em Maputo informou ainda que o mundo tem um deficit de cinco milhões de toneladas, face a procura global de 171 milhões de toneladas de açúcar.

 

Aside

Seca afecta 500 mil pessoas em Manica- Moçambique

A SECA já afetou cerca de 500 mil pessoas em Manica, que agora necessitam de assistência alimentar urgente.

O fenómeno, segundo escreve a AIM, atingiu de forma particularmente severa os distritos de Macossa, Guro, Tambara, a norte da província, e Machaze, no sul, onde destruiu a maior parte de culturas da primeira época, com destaque para cereais e hortícolas.

No informe que prestou na III Sessão da Assembleia Provincial de Manica, o governador Alberto Mondlane disse que a falta de chuvas provocou a perda de 973.599 hectares de culturas diversas, pelo que se torna necessário multiplicar esforços para reduzir o sofrimento da população.

No entanto, segundo o governador provincial de Manica, parte destas famílias já beneficiou de apoio alimentar.

Para os quatro distritos assolados pela seca o Governo disponibilizou mais de dez toneladas de milho e uma quantidade não especificada de outros produtos básicos.

Para aliviar o sofrimento da população o Governo aposta na segunda campanha agrícola e no aproveitamento de zonas baixas para produção de alimentos.

Mondlane explicou que, assumindo a importância da mecanização da agricultura, o Executivo da província pretende estabelecer um programa que inclui o fornecimento de motobombas com base no Fundo de Desenvolvimento Distrital (FDD).

O fornecimento de motobombas, segundo Mondlane, além de permitir o estabelecimento de quatro regadios em igual número de distritos, assume um papel de vanguarda na elevação que se pretende na produção agrícola, tendo em vista compensar as culturas perdidas na primeira época.

Outra medida alternativa é a adopção de culturas resistentes à seca, tais como a mandioca e batata-doce. O Governo Provincial também incentiva a produção de feijões e outras leguminosas.

O distrito de Macossa é assumido como tendo a maior percentagem de carenciados em alimentos, estimando-se que 3714 pessoas estejam a precisar urgentemente de assistência alimentar.

Recentemente o Governo aprovisionou alimentos diversos para 1500 famílias residentes nas zonas mais recônditas de Macossa. (AIM)

http://jornalnoticias.co.mz/index.php/sociedade/53023-seca-afecta-500-mil-pessoas-em-manica

Aside

10 milhões de etíopes afetados pela fome

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Um bilião e meio de dólares é o valor necessário para alimentar os necessitados

Pouco mais de 10 milhões de etíopes vivem uma intensa crise de fome, na sequência da pior seca dos últimos 50 anos que afecta aquele país. As Nações Unidas estimam em Um bilião e meio de dólares o valor necessário para alimentar os afectados.

 

Depois de duas épocas sucessivas sem chuva, Ato Ahmed Hussein, um agricultor da região de Dodota Woreda, nordeste da Etiópia, já não tem esperanças de colheita este ano.

 

Hussein faz parte de 10 milhões de etíopes afectados pela pior seca dos últimos 50 anos que se regista naquele país.

 

Agências humanitárias lançaram uma campanha de 90 dias, para angariação de fundos adicionais a fim de responder às necessidades dos afectados.

 

O Governo da Etiópia e as Nações Unidas estimam em 1.4 biliões de dólares o valor necessário para assistência alimentar a 10.2 milhões de etíopes.

“Não posso nem vender o meu gado por forma a obter dinheiro para comprar alimentação, porque as vacas estão tão magras que ninguém vai querer comprar,” disse Gena Geleta, uma agricultora etíope.

A actual situação que afecta a Etiópia resulta do fenómeno El – Niño, responsável por seca severa e cheia em regiões distintas do continente africano, o que, segundo dados das Nações Unidas, faz com que cerca de 20 milhões de pessoas enfrentem situações de escassez alimentar na região sul e 14 milhões no leste.