A Segurança Alimentar da Republica Democrática do Congo é profundamente preocupante

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Responsável do Programa Alimentar Mundial alerta que é imperativo que a ajuda chegue rapidamente ao terreno.

O Iémen, a Somália, o Sudão do Sul e a Nigéria são os países mais afectados pela fome

Num país já marcado por confrontos e instabilidade política, a República Democrática do Congo vê-se perante uma nova crise: existem mais de três milhões de pessoas no país (incluindo milhares de crianças) em risco de morrerem à fome, segundo disse à BBC o director do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas, David Beasley. “Precisamos de ajuda, e precisamos dela agora”, alertou o representante.

Estamos a falar de centenas de milhares de crianças que morrerão nos próximos meses, se não arranjarmos, em primeiro lugar, financiamento; em segundo, comida; e, em terceiro, acesso aos locais”, acrescentou, em declarações à BBC. Para já, diz Beasley, só têm 1% dos fundos que precisam e a chegada da ajuda ao terreno pode complicar-se com o início da época de chuvas. “Nem consigo imaginar o quão horrível será” se se esperar mais algumas semanas até receber os fundos, confessou.

Segundo dados do Programa Alimentar Mundial (PAM) morreram 5,4 milhões de pessoas entre os anos de 1998 e 2007 na sequência de guerras e conflitos no país – não só em consequência directa mas também por fome e doenças que poderiam ser tratadas ou evitadas. Mais de um milhão e meio de pessoas tiveram de abandonar as suas casas para fugir à violência.

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Num cenário que considera desastroso, o representante das Nações Unidas conta que viu na região de Kasai, no epicentro dos problemas, um cenário de destruição: casas queimadas e crianças seriamente desnutridas e perturbadas. A República Democrática do Congo é uma das nações com a taxa mais elevada de mortalidade infantil. Além disso, 8% das crianças com menos de cinco anos sofrem de subnutrição crónica e 43% sofrem de subnutrição e revelam atrasos no crescimento. Situado no Centro de África, este é o segundo maior país do continente e tem uma população de 72,7 milhões de habitantes, sendo que 63% deles vivem abaixo do limiar de pobreza.

O representante das Nações Unidas também foi partilhando relatos da sua viagem pela República do Congo no Twitter. “Visitei hoje a vila de Nyanzale na República Democrática do Congo – ouvi tantos pedidos para acabar os conflitos que impulsionam a fome”, lê-se num deles. “Não me deito a pensar nas crianças que alimentámos hoje. Deito-me a chorar por todas aquelas que não alimentámos”, escreveu ainda.

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E o cenário repete-se por outros países. No site do PAM das Nações Unidas, lê-se que 20 milhões de pessoas estão em risco de morrer de fome por todo o mundo e que, se não for prestada assistência, cerca de 600 mil crianças podem vir a morrer nos próximos meses. O Iémen, a Somália, o Sudão do Sul e a Nigéria são os países mais afectados.

Ainda que a situação tenha acalmado nos últimos meses, a República Democrática do Congo está a ser assolada por uma onda de violência desde a crise política de Dezembro, quando o Presidente Joseph Kabila recusou abandonar o poder no final do mandato – e recusa marcar novas eleições apesar de o seu terceiro mandato (que deveria ser também o último, segundo a Constituição) já ter expirado há nove meses. Na altura, o director-executivo da Human Rights Watch, Kenneth Roth, alertava que havia “um sério risco” que o Congo pudesse “mergulhar na violência generalizada e no caos nos próximos dias, com repercussões potencialmente voláteis em toda a região”.

Em Março deste ano, a milícia rebelde Kamuina Nsapu capturou e decapitou cerca de 40 agentes da polícia, na província de Kasai. Ainda em Março, os corpos de dois funcionários das Nações Unidas que estavam desaparecidos foram encontrados na região. Os dois funcionários – um norte-americano de 34 anos e uma sueca de 36 anos, assim como um intérprete de nacionalidade congolesa – estavam a investigar crimes e violações dos direitos humanos no país. No início deste mês, morreram cerca de 30 pessoas (a maioria civis) numa emboscada no Noroeste do país.

 

https://www.publico.pt/2017/10/29/mundo/noticia/precisamos-de-ajuda-e-precisamos-dela-agora-o-apelo-para-os-milhoes-que-podem-morrer-de-fome-1790724

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Libéria e Quênia interessados em programas brasileiros de segurança alimentar

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Em viagem ao Brasil dos dias 24 a 31 de outubro para conhecer políticas nacionais de nutrição, delegações da Libéria e do Quênia visitaram cooperativas e centros de ensino no Rio Grande do Sul, onde estudantes, professores e agricultores estão envolvidos em projetos de alimentação escolar. A missão foi conduzida pelo Centro de Excelência contra a Fome.

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A primeira parada na segunda-feira foi a Escola Municipal de Educação Infantil Humaitá. O colégio atende 106 crianças de um a cinco anos, que fazem quatro refeições por dia. Para entender como os alimentos são preparados, integrantes das delegações foram às cozinhas da instituição e participaram da hora escolar — momento em que docentes e alunos cultivam frutas e vegetais utilizados na merenda.

“Nosso objetivo é dar às crianças a oportunidade de experimentar a sensação de cultivar sua própria comida. A horta não consegue suprir todos os ingredientes de que precisamos para as refeições das escolas, mas nós a utilizamos como um espaço em que as crianças podem se familiarizar com o que comem, um espaço para aprender sobre a importância de uma dieta saudável”, explicou a diretora do colégio, Patrícia Freitas.

O centro de ensino apresentou ainda outras iniciativas, como um programa de aproveitamento de água que coleta chuva para irrigar a horta e também para uso nos lavabos. A escola Humaitá também orienta crianças sobre como manter uma dieta saudável e sobre os riscos de uma alimentação baseada em produtos ultra-processados.

No mesmo dia, no Antônio Giúdice, colégio municipal de ensino fundamental, representantes dos países africanos foram apresentados a um projeto de compostagem que transforma o lixo da cozinha em fertilizante para a horta escolar.

Após visita às escolas, estrangeiros conheceram um restaurante comunitário subsidiado pelo governo local que oferece alimentação saudável a preços acessíveis para populações vulneráveis. Ao final do dia, as delegações visitaram um banco de leite humano e conversaram com técnicos brasileiros sobre as estratégias nacionais de estímulo ao aleitamento para o fornecimento de leite a crianças cujas mães não podem amamentar.

Agricultura familiar

Na terça-feira, os representantes da Libéria e do Quênia visitaram uma cooperativa de agricultores familiares no município de Viamão, Rio Grande do Sul. O que foi um dia uma única propriedade de terra, hoje é o assentamento de 375 agricultores familiares devido à reforma agrária.

Atualmente, a cooperativa fornece arroz e vegetais para escolas da região. Toda a comida produzida pelos agricultores familiares é orgânica. “Ao prover alimentação para o programa de alimentação escolar, damos às crianças acesso à alimentação saudável e apoio aos agricultores locais”, afirmou o coordenador do empreendimento, Huli Zang.

A cooperativa também produz pães, bolos e biscoitos com ingredientes regionais. Cerca de 95% da produção da padaria da cooperativa é vendida para centros de ensino das redondezas. A maioria das pessoas trabalhando na padaria é de mulheres, o que ajudou a incrementar a renda média das famílias e o padrão de vida da comunidade.

Foco na atenção básica de saúde

A visita de campo foi concluída em um centro de saúde na capital gaúcha, onde as delegações puderam aprender sobre a Estratégia Saúde da Família do Brasil, voltada para o combate à mortalidade de crianças.

“Ao combinar o atendimento básico de saúde a outras políticas de proteção social, como a transferência condicional de renda, o Brasil reduziu suas taxas de mortalidade infantil e melhorou os índices de desnutrição”, explicou a coordenadora da atenção básica da Secretaria da Saúde de Porto Alegre, Vania Frantz.

Para atender às exigências de saúde e nutrição, crianças com menos de sete anos devem receber todas as vacinas obrigatórias e cumprir um calendário de monitoramento do crescimento e da situação de saúde. Mulheres grávidas e lactantes também devem comparecer a consultas pré e pós-natal, além de participar de atividades de educação em saúde e nutrição.

Intercâmbio de conhecimentos em nutrição

Compostas por representantes dos ministérios da Saúde e Agricultura, da sociedade civil e dos escritórios do Programa Mundial de Alimentos da ONU nos dois países, as delegações participaram também do XXIV Congresso Brasileiro de Nutrição (CONBRAN), que aconteceu em Porto Alegre dos dias 26 a 29 de outubro.

Libéria e Quênia conhecem políticas brasileiras de nutrição em visita ao Rio Grande do Sul