Forças armadas angolanas buscam gestão mais eficaz

Fotografia: Rogério Tuti | Edições Novembro

O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, pediu ontem celeridade no processo de reforma das Forças Armadas Angolanas (FAA), assim como na criação das condições de vida dos seus efectivos.

Ao discursar na tomada de posse das chefias militares recentemente nomeadas, José Eduardo dos Santos afirmou igualmente que o sistema de defesa nacional vai ser  fortalecido e acelerado, para torná-lo mais capaz de defender a soberania.
Para tornar mais eficaz a acção contra o crime, reduzir os índices de criminalidade e tornar o país mais seguro, foi igualmente aprovado um programa integrado de segurança, que harmoniza as acções do Ministério do Interior, Polícia Nacional, Ministério da Defesa Nacional e das Forças Armadas Angolanas, assim como dos Serviços de Segurança.
O Presidente da República e Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas garantiu também celeridade ao processo de reintegração social e produtiva dos ex-militares. Este foi, segundo o Presidente da República, um dos motivos que levaram à nomeação do general Lúcio do Amaral, antigo comandante do Exército, no passado dia 7, ao cargo de secretário de Estado da Reinserção Social, em substituição do também general Mateus Miguel Ângelo “Vietname”.

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O Executivo pretende também concluir o pagamento de subsídios de desmobilização, caso haja pessoas que não tenham sido ainda contempladas. Um dos oficiais generais que tomaram posse ontem foi José Luís Caetano Higino de Sousa, que ocupa agora o cargo de chefe do Estado-Maior General adjunto das Forças Armadas Angolanas para a Área Operativa e de Desenvolvimento.
José de Sousa lembrou que a dinâmica da tecnologia mundial exige das Forças Armadas Angolanas preparação adequada para acompanhar o desenvolvimento tecnológico. “Os sistemas de equipamento tornam-se mais eficazes, menos manuais e mais automatizados e tem de haver, também, um acompanhamento no adestramento da tropa”, disse o general José de Sousa, momentos após jurar cumprir com zelo a sua missão. O novo comandante do Exército, Gouveia João de Sá Miranda, prometeu trabalho para que aquele ramo das Forças Armadas Angolanas continue a garantir a estabilidade do país.
“Estamos numa fase de desenvolvimento do país e as Forças Armadas Angolanas, como garantes da estabilidade, deve estar preparada para garantir com êxito a sua missão”, disse o general Gouveia João de Sá Miranda.
O Presidente da República deu também ontem posse ao general Marques Correia, como segundo comandante do Exército, e Matias Lima Coelho como chefe do Estado-Maior do Exército.
O vice-almirante Francisco Maria Manuel foi empossado como segundo comandante da Marinha de Guerra Angolana. No mesmo dia, tomou posse Jerónimo Mateus Van-Dúnem como juiz-conselheiro do Supremo Tribunal Militar das FAA.
As Forças Armadas Angolanas passam por uma reestruturação e reedificação, na sequência de um levantamento global do efectivo e do diagnóstico em termos de equipamento realizado em 2007 e 2008. O objectivo é tornar as FAA num exército moderno e pronto para responder aos desafios do futuro.
O chefe do Estado-Maior General das FAA, Geraldo Sachipengo Nunda, afirmou recentemente que o efectivo se prepara para os desafios. Como exemplo, falou das missões, no âmbito bilateral, na República Democrática do Congo, em 1997 e 98, no Congo Brazzaville, na mesma altura, em 2010, na Guiné-Bissau, e está preparado para operações de apoio à paz,  quando o país for solicitado.
As Forças Armadas Angolanas também têm obrigações nas regiões em que o país está inserido, como é o caso da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), CEEAC, os Grandes Lagos e na União Africana. “Existe um programa estratégico de desenvolvimento de Angola até 2025 e as FAA estão enquadradas nesse processo”, disse, para acrescentar que, do ponto de vista militar, embora a directiva tenha o carácter de poder ser actualizada de acordo com a realidade do país, as Forças Armadas Angolanas estão a fazer um esforço para implementar o programa de reedificação.
Outra missão importante das Forças Armadas Angolanas é o trabalho de desminagem e o apoio ao Governo em questões mais críticas, como quando existem enxurradas ou cheias, como aconteceu no Cunene e, também, em casos de epidemia, como o marburg, em que as Forças Armadas Angolanas tiveram de trabalhar para confinar o marburg à cidade do Uíge e eliminar a doença.

fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/forcas_armadas_bem_dotadas

 

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Força aérea angolana é a que mais participou de combates na Africa Subsaariana

general-francisco-goncalves-afonso-hangaO Comandante da Força Aérea Nacional, general Francisco Gonçalves Afonso “Hanga”, assegurou que este ramo das FAA continua a crescer e a cumprir com a sua tarefa primordial de defesa do espaço aéreo nacional.

Em fase de modernização, reequipamento e formação de pessoal para os novos desafios, a alta patente militar sustentou que “estamos na rota certa, na rota da excelência”. Apesar disso, considera-se insatisfeito com os níveis alcançados, 41 anos após a constituição da Força Aérea. “Acho que poderíamos ter crescido mais”, disse, apontando a guerra em que esteve mergulhado o país e a contracção da economia como factores negativos. Ainda assim, sustenta que, mesmo tendo sido forjada na guerra, a FAN continua a crescer.

Jornal de Angola – Como descreve os 41 anos da constituição da Força Aérea Nacional que se assinala hoje, 21 de Janeiro?

Francisco Gonçalves Afonso  – Para um jovem país como Angola, apesar de 41 anos, é um curto espaço de tempo. Mas, para nós, Força Aérea, tem sido uma longa caminhada pois que, mal atingimos a Independência Nacional, começaram os conflitos. Entretanto, a Força Aérea foi-se forjando, caindo e levantando-se, e de facto conseguiu suster uma guerra injusta até pelo 2002. Claro que neste ano o cenário mudou, mas temos que acreditar que foi uma longa e dolorosa caminhada com muitas vidas perdidas pelo caminho.

Jornal de Angola – Volvidos 41 anos, está satisfeito com os níveis que a Força Aérea atingiu?

Francisco Gonçalves Afonso – De maneira nenhuma estaria satisfeito. Não estou satisfeito. Naturalmente que fizemos um esforço conjunto mas, como sabe, a excelência não se atinge assim tão facilmente. Sentimos que realmente ainda não atingimos a excelência. E não atingimos por razões várias. Primeiro, porque os efectivos que utilizamos até então não tinham os níveis adequados. Os próprios equipamentos não tinham as performances desejadas. No quotidiano não conseguimos atender à operacionalidade dos meios, por várias razões. Há que entender que as Forças Armadas, no seu âmbito geral, têm o importante papel de produzir segurança mas, ao mesmo tempo, essa segurança é algo intangível. Por esta razão, os esforços económicos e financeiros vão para outras áreas, mas pode-se dizer hoje que no OGE (Orçamento Geral do Estado) já aparece uma maior fatia para os órgãos de defesa e segurança.

Jornal de Angola – As despesas são consideráveis?

Francisco Gonçalves Afonso
– Na verdade, temos muitos efectivos e isso acarreta muitas despesas. Entendemos que são despesas necessárias, mas daí a que hajam grandes dispêndios com equipamento não é verdade. Precisávamos de despender muito mais em equipamento, para que eles tenham outro nível de operacionalidade. Temos que nos contentar com o que nos é posto à disposição e aí gerirmos os parcos recursos. Mas, como direcção da Força Aérea, gostava de ter outros níveis. De maneira nenhuma posso estar satisfeito com os níveis que tenho, mas temos consciência que são os níveis possíveis.

Jornal de Angola – Com que meios aéreos conta este ramo das FAA?

Francisco Gonçalves Afonso – Bom, como sabe, a Força Aérea Nacional possui essencialmente três tipos de meios: aviação de caça e caça-bombardeiro que intercepta outros aviões ou fazem ataques rápidos ao solo; aviação de transporte – como o próprio nome indica, transporta pessoal, carga leve e bruta – ; e aviação de helicópteros, também conhecida como aviação de exército. São esses os três géneros que nós possuímos. Depois, temos a aviação ligeira que mantemos nos centros de instrução.

Jornal de Angola – Este ano realizam-se eleições gerais em Angola. Qual é o contributo da FAN para este processo?

Francisco Gonçalves Afonso – Estamos a preparar-nos da melhor forma. A FAN tem estado a acompanhar e a cooperar em todo processo desde o início do registo eleitoral. Estamos a fazer esforços adicionais para que na altura das eleições estejamos com mais meios e equipamentos. Temos consciência que continuaremos a fazer um esforço titânico, porque neste momento em que decorre o processo do registo eleitoral, o apoio é de continuidade. Já durante as eleições, o processo será de simultaneidade. Temos consciência que teremos de fazer um esforço gigantesco para podermos acorrer com a mesma dinâmica, simultaneamente, aos vários pontos do país. Mas, para tal, iremos contar com o esforço da Polícia Nacional e talvez da Sonangol, em função da demanda, porque estamos a prever a presença elevada de helicópteros.

Jornal de Angola – Como decorre o processo de modernização da FAN?

Francisco Gonçalves Afonso – É um processo que requer uma rigorosa planificação e organização e neste momento estamos em fase de concretização, ou seja, estamos a receber o equipamento. À medida que vamos recebendo, temos vindo a fazer, massivamente, a formação e requalificação do pessoal, acompanhando esta modernização. Portanto, há meios que já chegaram, há meios que vão chegar durante todo este ano, com maior incidência no primeiro trimestre do ano. Esse equipamento irá de certeza conferir outras capacidades. Não estamos a falar apenas de aviões, mas também de radares. Na verdade, já recebemos alguns. Da mesma forma recebemos meios de defesa anti-aérea, que reforçam igualmente a capacidade de defesa do espaço aéreo.

Jornal de Angola – Como avalia o trabalho de educação patriótica na FAN?

Francisco Gonçalves Afonso – É bastante bom. Acima da média, até porque felizmente temos quadros com alguma capacidade e posso mesmo dizer que a Força Aérea tem estado na vanguarda da educação patriótica. Há também do lado dos efectivos com que lidamos um incentivo para o trabalho de educação patriótica, porque há uma coisa muito importante que é preciso ter em linha de conta: as Forças Armadas Angolanas são o resultado de uma reconciliação de forças e sempre existiram visões diferentes da coisa política. Então, é de extrema importância reconciliar essas ideias e dirimir as diferenças, porque as FAA são apartidárias e não têm nada a ver com a política. Realmente, esse trabalho tem sido bem feito. Por isso, temos a certeza que as Forças Armadas, fruto da consistência do trabalho de educação patriótica que tem sido feito, constituem um dos factores de maior unificação que temos no país. Não temos conflitos entre nós e orgulhamo-nos disso.

Jornal de Angola – Qual é a importância do Instituto Superior e da Escola Militar Aeronáutica do Lobito na formação de quadros?

Francisco Gonçalves Afonso – Nós temos o Instituto Superior, a Escola Militar Aeronáutica e a Academia da FAN. Gostaríamos de fazer muito mais. Só não fazemos mais porque estamos limitados pela conjuntura [económica e financeira]. Mas, ainda assim, preferimos caminhar com passos seguros. É assim que do ponto de vista infra-estrutural, o Instituto deu um passo muito importante. Pensamos que dentro de um ano teremos outra imagem desta estrutura de ensino pois, como sabe, neste momento funciona dentro das instalações do Regimento Aéreo de Caça-Bombardeiro, na Catumbela, mas já iniciámos obras de vulto no sentido de criar outras condições e ficar mais independente.

Jornal de Angola – E em relação à Academia?

Francisco Gonçalves Afonso
– A nossa Academia é nova, tem três anos de existência, e estamos a formar os primeiros licenciados. É uma Academia com instalações pequenas, mas queremos ir devagar, caminhando com os pés bem assentes no chão, evitando dar passos maiores que as pernas. Na verdade gostaríamos de fazer muito mais.

Jornal de Angola – Que Força Aérea perspectiva para os próximos cinco anos?

Francisco Gonçalves Afonso – Seguramente teremos uma Força Aérea melhor que a de hoje. Será melhor porque estamos a estabilizar os processos de formação, a receber equipamentos mais modernos e da nova geração tecnológica. Entrámos agora nos equipamentos digitais. Os jovens que estão a ser formados permanecerão durante cinco a seis anos no exterior, portanto, já é outra geração. São os jovens da era digital e que irão de certeza ser uma mais-valia para o nosso ramo. Daí teremos uma Força Aérea com maiores capacidades em todos os sentidos.

Jornal de Angola – Como vê o interesse da juventude em incorporar-se FAN?

Francisco Gonçalves Afonso – O interesse da juventude tem sido muito grande. Temos constatado isso, mas olhamos a coisa de dois ângulos. Com a falta de emprego que existe no país, hoje a juventude vê nas Forças Armadas um modo de vida. Querem entrar para as Forças Armadas por saberem que há um salário e que podem regularizar a sua vida e fazer disso uma maneira de ser e estar. Mas, o que temos dito é que estar nas Forças Armadas é por amor à camisola. O patriotismo deve falar mais alto. Ou seja, tem de ser algo especial. Temos que gostar disso. A nossa vida não é das 7 às 15 horas, mas 24 horas por dia. Portanto, temos que estar permanentemente disponíveis para as questões de defesa da pátria. Infelizmente, hoje, a juventude que ingressa vem de facto com muita disponibilidade, mas olhando muito para si. Tem de ser ao contrário. Deve olhar mais para o país, para as Forças Armadas, tendo a responsabilidade de manusear da melhor forma os meios que lhe são postos à disposição no estrito sentido de defender o país. Não pode entender que, com a incorporação, irá ganhar a vida e resolver todos os problemas. Este é um alerta que lanço aos jovens, aproveitando esta oportunidade. Para as Forças Armadas e, no caso concreto, para a Força Aérea, devem vir de corpo e alma, com o sentido de defender a Pátria.

Jornal de Angola – Como qualifica o intercâmbio entre as Forças Aéreas da África Austral?

Francisco Gonçalves Afonso – Este intercâmbio é permanente. É do conhecimento geral que periodicamente fazemos exercícios conjuntos a nível da SADC que chamamos “Blue” (azul). Na verdade já tivemos vários. Tivemos aqui, no nosso país, que chamámos “Blue Zambeze”; tivemos na Tanzânia, que denominámos “Blue Ruvuma”; na África do Sul, o “Blue Claster”; e “Blue Okavango”, no Botswana. Em Maio deste ano, a Namíbia alberga o exercício “Blue Cunene”. Portanto, é um exercício em que aparecem vários tipos de aviões e há um verdadeiro intercâmbio entre as nossas Forças Aéreas e países. Devemos aqui sublinhar que a SADC é, das várias regiões de África, a que melhor desempenho tem neste sentido.

Jornal de Angola – Como qualifica a posição da FAN no continente africano?

Francisco Gonçalves Afonso – A nossa Força Aérea é a que participou nas acções combativas durante mais anos. Portanto, é uma Força Aérea que se forjou no campo de batalha. Temos noção dos muitos constrangimentos que ainda possuímos e das muitas insuficiências que temos. Pelo facto de termos crescido no processo da guerra, muitos métodos de aprendizagem foram “atropelados”. E agora com o surgimento da Academia e dos Institutos estamos a acertar o passo. É verdade que essa experiência vinda do passado, apesar dos “atropelos”, foi boa.

Jornal de Angola – Pode-se estabelecer comparações com outras Forças Aéreas da África Austral?

Francisco Gonçalves Afonso – Não vejo muitas razões de comparação com as outras. Das duas, uma: ou tiveram dificuldades em equipamentos, ou tiveram mais tempo para formar o seu pessoal. A Força Aérea da África do Sul, por exemplo, tem mais de 70 anos e nós só temos 41. Ela foi forjada não tanto num ambiente de guerra. Teve realmente algumas experiências de guerra, mas teve processos muito próprios que não podem ser equiparados ao nosso caso. Portanto, só depois de 2002 é que entrámos num novo processo de formação de pessoal, que nos vai dar os parâmetros necessários. Estamos agora em águas calmas para termos uma Força Aérea completa. Com a chegada dos equipamentos, com a formação de pessoal que temos vindo a fazer no país e no exterior, vamos entrar num voo de cruzeiro bastante importante.

Jornal de Angola – O que se lhe oferece dizer em relação às infra-estruturas da FAN?

Francisco Gonçalves Afonso – Em relação às infra-estruturas, temos que falar necessariamente em equipamento. É necessário gastar em infra-estruturas e equipamentos. Temos feito um esforço grande e é assim que a Força Aérea de há cinco anos atrás não é a mesma de hoje. Melhorámos bastante em infra-estruturas. Podemos exemplificar com as unidades do Lubango e da Catumbela, que melhoraram substancialmente em relação ao passado. Abrimos a Academia e neste momento estamos a construir as instalações definitivas do Instituto Superior. As condições de vida da tropa melhoraram, apesar de ainda termos algumas dificuldades, nomeadamente com as unidades do Cuando Cubango e do Namibe. Como sabe, construir implica recursos e esses nem sempre estão disponíveis. Com os poucos que vamos tendo, resolvemos alguns problemas pontuais. Volto a repetir que melhorámos bastante e temos consciência que isso é um processo dinâmico e que iremos melhorar.

Jornal de Angola – Quais as linhas de força da FAN para o período de preparação combativa que se avizinha?


Francisco Gonçalves Afonso
– O grande objectivo das Forças Armadas é prepararem-se para uma hipotética guerra. Refiro-me ao facto de, em tempo de paz, termos que efectuar preparação para a guerra. Não podemos obviamente esperar que a guerra venha, para depois nos prepararmos. Este é, realmente, o grande objectivo da preparação combativa, como de resto o próprio nome indica. Preparação para combater. Na Força Aérea, agora com o equipamento que nos vai chegando, temos condições para trabalhar na absorção de conhecimentos, no emprego e na utilização desses meios, nomeadamente aviões de caça e helicópteros. Neste momento, decorre um amplo processo de formação e preparação do pessoal, que por sinal tem estado a trabalhar no processo de registo eleitoral com muito profissionalismo, voando de dia e de noite. Portanto, estamos a aumentar as nossas capacidades.

Jornal de Angola – Pode descrever alguns momentos marcantes da sua trajectória como militar?

Francisco Gonçalves Afonso – Pessoalmente, estou na Força Aérea desde 1976, logo após a Independência Nacional. Adquiri formação na Rússia. Depois do regresso, participei em muitas missões combativas e ali lidávamos com a morte todos os dias. Fui testemunha de várias situações menos agradáveis. Vi, por exemplo, colegas morrerem, aviões que explodiam no momento da descolagem, outros que foram atingidos por aviões sul-africanos, mas também presenciei situações boas, principalmente no que diz respeito à comunhão, à forma como nós, militares, nos damos e nos relacionamos.

Jornal de Angola – A terminar, gostaríamos que transmitisse uma mensagem para os efectivos da Força Aérea pela passagem de mais um aniversário.

Francisco Gonçalves Afonso
– A mensagem que deixo aos nossos efectivos é que, neste momento em que estamos a viver uma crise, em que as condições e as situações são extremamente difíceis, há que haver sempre esperança. Passamos sempre a mensagem de que temos que nos habituar a viver com parcos recursos, porque, provavelmente lá atrás no tempo, tenhamos posto a fasquia muito elevada. Não devemos sucumbir. Enquanto homens temos a capacidade de resistência para ultrapassar as situações adversas que hoje vivemos. Há que haver sempre esperança. O preço do petróleo no mercado internacional, por sinal, tem estado a subir, mas a nossa forma de ser e de estar tem que se alterar, não só na área profissional, como a nível pessoal e da família. Temos que ser  disciplinados na gestão dos nossos recursos.

Nigéria: Boko Haram utiliza meninas como escudo humano para a fuga

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Abuja – O Exército nigeriano anunciou ter capturado mil e 240 supostos terroristas da Boko Haram e suas famílias, na floresta de Sambisa, depois de uma operação de limpeza.
O comandante da Operação “Lafiya Doye” contra a seita islâmica Boko Haram, no nordeste da Nigéria, general de divisão Lucky Irabor, declarou quarta-feira, em Maiduguri, que foram capturados 413 homens adultos, 323 mulheres, 251 rapazes e 253 meninas.
Segundo o general Irabor, os suspeitos estão sob interrogatórios para saber se são efectivamente membros da Boko Haram ou não, “porque não tem nenhum sentido que alguém que não seja membro desta seita viva na floresta de Sambisa”.
Informou que, no mesmo período, pelo menos 30 pessoas que estavam em fuga por suspeita de pertencerem à Boko Haram renderam-se às tropas multinacionais do Níger nas margens do Lago Tchad.
Acrescentando que os soldados nigerianos souberam depois que foram enviados a Difa, na República do Níger.
O general Irabor disse que o Exército nigeriano não disparou contra os supostos terroristas que se escaparam da floresta de Sambisa, porque algumas das meninas de Chibok raptadas pela Boko Haram foram usadas como escudo humano enquanto fugiam.
O Exército tomou o campo Zairo, bastião do grupo Boko Haram, a 24 de Dezembro deste ano.

Moçambique passa por constrangimentos .dificuldades político- econômicas

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Maputo, 19 Dez (AIM) � O Presidente da República, Filipe Nyusi, afirmou hoje que Moçambique segue firme rumo ao desenvolvimento mesmo com as dificuldades de natureza político-económica

e sociais que o país enfrenta.

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Falando hoje na Assembleia da República (AR), o parlamento moçambicano, durante a apresentação do informe anual sobre o Estado da Nação, Nyusi apontou como solução para os problemas do país a união entre os moçambicanos como forma de construir a vitória.

�Estamos agora em condições de afirmar perante vós, mandatários do povo, perante toda a Nação moçambicana e perante o mundo que, apesar dos constrangimentos, orgulha-nos dizer que: a situação geral da Nação mantém-se firme. A Nação Moçambicana é capaz de enfrentar os desafios presentes e futuros�, disse.

O Chefe de Estado, que exprimiu a sua confiança apesar das adversidades que o país enfrenta, advertiu que o país ainda poderá enfrentar mais obstáculos.

�As dificuldades que nos esperam são grandes e atingem de igual modo todos os sectores da nossa sociedade. A nossa capacidade de resposta, inspirada na contribuição de todos, será ainda maior�, sublinhou.

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Sobre os desafios, Nyusi disse que estes afectam todos os segmentos da sociedade moçambicana, desde os políticos amantes da paz até os que �trazem Moçambique no coração�.

�Na qualidade de Presidente da República de Moçambique permaneço com a mesma confiança, firmeza e serenidade que marcou o meu mandato desde o primeiro momento�, vincou o mais alto magistrado da nação, saudando todos os moçambicanos continuam a manifestar o seu patriotismo e perseverança perante os constrangimentos internos e externos.

Sobre a paz, o estadista moçambicano fez questão de afirmar que não existem desafios que sejam diferentes para uns e para outros moçambicanos, destacando de seguida que não existe dois Moçambique, e não existem uns e outros moçambicanos.

Referiu que a paz genuína e definitiva será uma vitória de todos os moçambicanos, e que não será pertença exclusiva de qualquer formação política.

�Os desafios que se nos impõem pedem que esqueçamos aquilo que nos possa dividir�, vincou.

A AR aprovou no corrente mês, o Plano Económico e Social (PES) e o respectivo Orçamento do Estado (OE) para 2017.

Sobre estes dois instrumentos, o Chefe do Estado afirmou que o �sucesso na implementação destes instrumentos passa por congregarmos os esforços de todos os moçambicanos�.

Associando a implementação do PES para 2017 com o alcance da paz, Nyusi disse que o desenvolvimento da economia do país não será propriedade de nenhuma entidade particular, pelo que sublinhou que irá dar continuidade de forma incansável e firme a procurar consensos entre os partidos políticos e as forças vivas da sociedade.

Para Nyusi, a paz �será de todos nós e só assim, como criação colectiva, esse futuro mais próspero irá acontecer�.

Fazendo uma radiografia das actividades governativas do presente ano, Nyusi disse que as conquistas alcançadas pertencem a todos os moçambicanos.

�Foram conquistas de todos nós, de todos os deputados desta Casa, apostados na paz e no desenvolvimento. Foram vitórias de todos os moçambicanos de todos os quadrantes políticos e religiosos�, disse.

Refira-se que este é o segundo ano do mandato de Nyusi, pelo que agradeceu o apoio prestado por todos os sectores de desenvolvimento do país.

�Comovido, quero mais uma vez agradecer pela grande colaboração que deram ao Governo durante o segundo ano do meu mandato�, afirmou.

A Constituição da República estabelece que o Presidente da República, durante a sua governação, preste contas anualmente, aos moçambicanos, através da AR.

http://noticias.sapo.mz/aim/artigo/11419019122016230218.html

Moçambique. Presidente Nyusi: ʺ2016 foi um ano adverso para o Paísʺ

 
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O Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, subiu esta segunda-feira 19, ao pódio do Parlamento, para prestar o seu informe anual sobre o estado geral da Nação referente ao ano 2016. Durante o seu informe, o Chefe do Estado, afirmou que o presente ano foi adverso para o país, não obstante algumas dificuldades e desafios pela frente, o Estado Geral da Nação mantêm-se firme.
O estado da Nação mantém-se firme
“Todos juntos transformaremos as dificuldades do presente, numa contingência do passado. Moçambicanos e moçambicanas, compatriotas, digníssimos mandatários do Povo, passamos em revista o trabalho realizado em 2016. Com franqueza e clareza, estamos agora em condições de afirmar perante vós mandatários do povo, que apesar dos constrangimentos, obriga-nos dizer que, a situação geral da Nação mantêm-se firmeʺ.
Quanto à ordem, segurança e tranquilidade públicas, Moçambique é seguro e estável, apesar da redução do índice geral de criminalidade, preocupa a onda do crime violento e raptos um pouco por todo o país.
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Preocupam os crimes violentos no país
“Não obstante a presente redução do índice geral de criminalidade, preocupam-nos os crimes contra as pessoas, cometidos com violência e recurso a armas de fogo. Estes crimes atentam contra a vida humana de forma violenta e impiedosa. No contexto da criminalidade violenta, temos registrado com enorme repulsa casos de roubo a residências e na via pública. Estamos atentos a outros tipos de crime, como o do tráfico de seres humanos para exploração e extração de órgãos, para fins obscurosʺ.
Bancadas parlamentares divergem
No entanto, as três bancadas parlamentares divergem na leitura do Informe do Presidente da República sobre o estado geral da Nação. Para o deputado e porta-voz da bancada parlamentar da Frelimo (partido no poder), Edmundo Galiza Matos, o informe foi positivo e abrangente.
ʺ Uma avaliação transparente do Chefe do Estado, com enfoque para a crise económica que o nosso país atravessa. Ficou patente a abertura do Presidente da República para o diálogo com o líder da Renamo com vista ao alcance da paz efectiva no paísʺ.
Informe foi uma decepção para os moçambicanos
Para o deputado do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Silvério Ronguane, o Informe do Chefe do Estado foi uma decepção para os moçambicanos.
“Foi uma grande decepção para os moçambicanos. Nós acreditávamos que o Chefe do Estado havia de trazer soluções daqueles que são os grandes problemas do país, estamos a falar da questão da paz e instabilidade política no país. Estamos com graves problemas econômicos e sociais. Não basta vir aqui dizer que o nosso país está firme. Firme em quê, na fome, na guerra?ʺ questiona.
O País mantém-se firme na pobreza, corrupção,…
Já para José Lopes, deputado da Renamo, o maior partido da oposição, o Informe do Chefe do Estado não foi ao encontro das expectativas da sua bancada parlamentar.
“O Chefe do Estado disse que Moçambique continua firme. E nós dizemos, continua firme na pobreza, na corrupção , na criminalidade e no sofrimento dos moçambicanosʺ.
Eram os deputados da Assembleia da República divergindo na apreciação do Informe sobre o estado geral da Nação em 2016, apresentado esta segunda-feira no Parlamento pelo Presidente da República, Filipe Nyusi.
Hermínio José, Maputo.
 
 

Estado de emergência declarado na Etiópia

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O Governo etíope declarou ontem o estado de emergência, após vários meses de violentos distúrbios no país, segundo um comunicado oficial.

“O estado de emergência foi declarado após um profundo debate no Conselho de Ministros sobre as mortes e os danos aos bens ocorridos no país”, declarou o primeiro-ministro da Etiópia, Hailemariam Desalegn.
As declarações marcam um endurecimento da posição do Governo, após meses de manifestações contra o Executivo em diferentes partes do país, um movimento de protesto seguido por uma repressão que deixou centenas de mortes. “Nós colocamos em primeiro lugar a segurança de nossos cidadãos. Além disso, queremos colocar um ponto final às destruições que foram realizadas contra projetos de infraestrutura, centros de saúde, da administração e edifícios da justiça”, explicou.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/estado_de_emergencia_declarado_na_etiopia

Angola compra fardamentos da China no valor de 44 milhões de dólares mas não paga

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Foram adquiridos e feitos contratos com a China no valor de 44 milhões de dólares para uniformizar as Forças Armadas. O problema é que o dinheiro do orçamento está curto, e  constatou-se não foi regularizada a aquisição de fardamentos. Teme-se que não haja recursos orçamentários a para atender às Forças Armadas Angolanas.

O orçamento revisto assegura o pagamento das pensões e das remunerações para o funcionamento mínimo das instituições, com destaque para os órgãos de Defesa e Segurança, afirmou ontem o ministro das Finanças, Armando Manuel.

Armando Manuel, que respondia ontem às questões apresentadas pelos deputados durante a análise do orçamento revisto na especialidade com os órgãos de Defesa e Segurança, salientou que a maior parte dos projetos do programa de investimentos públicos são financiados com recursos do Tesouro.
Os deputados analisaram o orçamento revisto com o setor da Defesa e Segurança e com os ministérios das Relações Exteriores e da Administração do Território, mas os parlamentares  centraram mais as suas preocupações ao sector da Defesa e Segurança.
O presidente da Comissão de Defesa e Segurança da Assembleia Nacional, Roberto Leal Monteiro “Ngongo”, lembrou que a comissão que dirige realizou várias audições parlamentares com o sector da Defesa e Segurança Nacional e constatou que o Executivo teve em linha de conta manter uma estabilidade na disposição combativa de todos os órgãos de segurança nacional.

Fonte: http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/dinheiro_para_militares_nunca_esteve_em_causa