Empresas de Angola discutem crédito de dois milhões de dólares com Israel

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Israel tem disponíveis dois milhões de dólares (mais de 300 milhões de kwanzas) para ajudar empresas angolanas a elevarem as trocas bilaterais, anunciou ontem, em Luanda, o embaixador daquele país.

 

Israel acredita no potencial existente em Angola e promete financiar projectos nos vários sectores da vida económica para realizar negócios

 

Oren Rosemblat disse no I fórum empresarial Angola-Israel que, apesar da baixa do preço do petróleo – que afetou em grande medida a economia angolana -, Israel considera haver em Angola oportunidades de negócio, pelo que “Israel vai ajudar a financiar e os bancos vão dar créditos para que os negócios se efectivem.”

Quinze dos sectores de serviços: energia, agricultura, defesa, segurança militar e social, imigração e comércio participam no encontro que encerra amanhã, inspirado pela declaração do embaixador que afirmou que se “os dois países têm boas relações, temos a obrigação de levá-los a fazer bons negócios.”
O fórum, promovido pela Câmara de Comércio Angola-Israel (CCAI) visa uma troca de experiências para elevar os níveis de conhecimento mútuo entre empresas dos dois países e assinar contratos de parceria.
O presidente da CCIA, Haim Taib, disse que o órgão tem como objectivo “construir pontes” entre os empresários e instituições empresariais dos dois países e constitui uma plataforma de promoção e desenvolvimento de relações comerciais bilaterais, através de missões empresariais e de entidades oficiais.
“A CCAI tem como prioridade o estreitamento de laços empresariais entre os dois Estados, a promoção de cooperação bilateral, a promoção das relações empresariais entre os dois países e a apresentação de áreas de interesse”, disse. Os últimos dados disponíveis, de 2014, indicam que o volume de negócios israelitas em Angola se cifrou em 64 milhões de dólares (cerca de 11 mil milhões de kwanzas), absorvidos pelos sectores de maquinaria, metais, transportes, plásticos e borracha, instrumentos, têxteis, vegetais, produtos alimentares e químicos.
O embaixador de Angola em Israel, Francisco dos Santos, afirmou que Angola está aberta para cooperar com empresas estrangeiras de vários países e que o fórum é uma oportunidade para criar parcerias, principalmente para a transferência de conhecimento. “A presença do CCAI vai impulsionar as relações já existentes nas diversas áreas e aumentar o volume de comércio entre os dois países”, sublinhou.
José Alentejo, do secretariado geral da CCAI, disse à delegação israelita que Angola é um bom destino para investir e que o mercado oferece oportunidades às empresas sediadas no país, para expandirem os seus negócios na região da Comunidade de Desenvolvimento dos Países da África Austral (SADC), um mercado com mais de 200 milhões de consumidores.
São razões para investir em Angola, continuou José Alentejo, o facto de ser o sétimo maior território de África, o quinto maior produtor mundial de diamantes, o segundo maior produtor de petróleo e gás do continente e ter acesso a 12 por cento dos lençóis aquáticos africanos nos principais rios: Kwanza, Zaire, Cunene e Cubango.
Angola é rica em fauna e flora, tem a segunda maior floresta do mundo, o Maiombe, e tem os 25 principais minérios, tais como diamantes, ferro, ouro, fosfato, manganês, cobre, chumbo, zinco, volfrâmio, tungsténio, titânio, crómio, mármore, granito e urânio, microclimas diversos além da estabilidade política e económica desde 2002.

José Alentejo acrescentou que Angola tem, no âmbito da estratégia da diversificação da economia, o Plano Nacional de Desenvolvimento PND 2013/ 2017, no qual são inventariados 390 projectos estruturantes para o desenvolvimento industrial.
A delegação israelita é liderada pelo ex-vice-primeiro ministro de Israel, Silvano Shalom, e integra potenciais parceiros interessados em partilhar conhecimentos e recursos tecnológicos.

A Câmara de Comércio Angola-Israel foi criada há um ano e tem 44 membros registados. O fórum aborda temas ligados às “Oportunidades de negócio em Angola”, “Investir em Angola” e “Áreas privilegiadas para o investimento em Angola”.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/governo_de_israel_anuncia_financiamento

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Forças armadas angolanas buscam gestão mais eficaz

Fotografia: Rogério Tuti | Edições Novembro

O Presidente da República, José Eduardo dos Santos, pediu ontem celeridade no processo de reforma das Forças Armadas Angolanas (FAA), assim como na criação das condições de vida dos seus efectivos.

Ao discursar na tomada de posse das chefias militares recentemente nomeadas, José Eduardo dos Santos afirmou igualmente que o sistema de defesa nacional vai ser  fortalecido e acelerado, para torná-lo mais capaz de defender a soberania.
Para tornar mais eficaz a acção contra o crime, reduzir os índices de criminalidade e tornar o país mais seguro, foi igualmente aprovado um programa integrado de segurança, que harmoniza as acções do Ministério do Interior, Polícia Nacional, Ministério da Defesa Nacional e das Forças Armadas Angolanas, assim como dos Serviços de Segurança.
O Presidente da República e Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Angolanas garantiu também celeridade ao processo de reintegração social e produtiva dos ex-militares. Este foi, segundo o Presidente da República, um dos motivos que levaram à nomeação do general Lúcio do Amaral, antigo comandante do Exército, no passado dia 7, ao cargo de secretário de Estado da Reinserção Social, em substituição do também general Mateus Miguel Ângelo “Vietname”.

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O Executivo pretende também concluir o pagamento de subsídios de desmobilização, caso haja pessoas que não tenham sido ainda contempladas. Um dos oficiais generais que tomaram posse ontem foi José Luís Caetano Higino de Sousa, que ocupa agora o cargo de chefe do Estado-Maior General adjunto das Forças Armadas Angolanas para a Área Operativa e de Desenvolvimento.
José de Sousa lembrou que a dinâmica da tecnologia mundial exige das Forças Armadas Angolanas preparação adequada para acompanhar o desenvolvimento tecnológico. “Os sistemas de equipamento tornam-se mais eficazes, menos manuais e mais automatizados e tem de haver, também, um acompanhamento no adestramento da tropa”, disse o general José de Sousa, momentos após jurar cumprir com zelo a sua missão. O novo comandante do Exército, Gouveia João de Sá Miranda, prometeu trabalho para que aquele ramo das Forças Armadas Angolanas continue a garantir a estabilidade do país.
“Estamos numa fase de desenvolvimento do país e as Forças Armadas Angolanas, como garantes da estabilidade, deve estar preparada para garantir com êxito a sua missão”, disse o general Gouveia João de Sá Miranda.
O Presidente da República deu também ontem posse ao general Marques Correia, como segundo comandante do Exército, e Matias Lima Coelho como chefe do Estado-Maior do Exército.
O vice-almirante Francisco Maria Manuel foi empossado como segundo comandante da Marinha de Guerra Angolana. No mesmo dia, tomou posse Jerónimo Mateus Van-Dúnem como juiz-conselheiro do Supremo Tribunal Militar das FAA.
As Forças Armadas Angolanas passam por uma reestruturação e reedificação, na sequência de um levantamento global do efectivo e do diagnóstico em termos de equipamento realizado em 2007 e 2008. O objectivo é tornar as FAA num exército moderno e pronto para responder aos desafios do futuro.
O chefe do Estado-Maior General das FAA, Geraldo Sachipengo Nunda, afirmou recentemente que o efectivo se prepara para os desafios. Como exemplo, falou das missões, no âmbito bilateral, na República Democrática do Congo, em 1997 e 98, no Congo Brazzaville, na mesma altura, em 2010, na Guiné-Bissau, e está preparado para operações de apoio à paz,  quando o país for solicitado.
As Forças Armadas Angolanas também têm obrigações nas regiões em que o país está inserido, como é o caso da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), CEEAC, os Grandes Lagos e na União Africana. “Existe um programa estratégico de desenvolvimento de Angola até 2025 e as FAA estão enquadradas nesse processo”, disse, para acrescentar que, do ponto de vista militar, embora a directiva tenha o carácter de poder ser actualizada de acordo com a realidade do país, as Forças Armadas Angolanas estão a fazer um esforço para implementar o programa de reedificação.
Outra missão importante das Forças Armadas Angolanas é o trabalho de desminagem e o apoio ao Governo em questões mais críticas, como quando existem enxurradas ou cheias, como aconteceu no Cunene e, também, em casos de epidemia, como o marburg, em que as Forças Armadas Angolanas tiveram de trabalhar para confinar o marburg à cidade do Uíge e eliminar a doença.

fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/forcas_armadas_bem_dotadas

 

 Presidente do parlamento de Guiné-Bissau queixa-se de falta de segurança

Bissau – O Presidente do Parlamento da Guiné-Bissau, Cipriano Cassamá, reuniu- se nesta terça-feira com elementos da comunidade internacional para se queixar de alegada falta de segurança no edifício da Assembleia Nacional Popular (ANP), noticia a Lusa.

CIPRIANO KASSAMÁ – PRESIDENTE DO PARLAMENTO DA GUINÉ-BISSAU QUE SE QUEIXA DA FALTA DE SEGURANÇA NO EDIFÍCIO DA ASSEMBLEIA NACIONAL POPULAR

FOTO: PEDRO PARENTE

Segundo Ansumane Sanhá, director de gabinete, a falta de condições de segurança terá a ver com o facto de o Governo ter mandado substituir o corpo de vigilância do edifício do Parlamento “sem o consentimento” de Cassamá, “como manda a lei”.

Numa reunião de cerca de hora e meia em casa de Cipriano Cassamá, onde está a exercer funções, o presidente da ANP transmitiu a sua preocupação aos membros do grupo P5: representantes em Bissau da Comunidade Económica de Estados de África Ocidental (CEDEAO), União Africana, União Europeia, Comunidade de Países de Língua Portuguesa Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) e Nações Unidas.

Ansumane Sanhá afirmou que a situação no Parlamento continua “numa indefinição total” e que Cipriano Cassamá quer que o P5 ajude na busca de uma solução que inclua a retirada do corpo de segurança colocado no local pelo Governo.

O primeiro-ministro, Umaro Sissoco Embaló, disse que compete ao ministro do Interior determinar a substituição do corpo de segurança em qualquer órgão de soberania e que a mudança operada no Parlamento obedeceu à lei.

Sissoco Embaló prometeu mesmo que irá mandar reabrir as portas do Parlamento, que têm estado fechadas há mais de um ano, devido às divergências entre o órgão legislativo e o Governo.

Cipriano Cassamá transmitiu também ao P5 a sua estranheza pelo facto de a CEDEAO ainda não ter disponibilizado soldados para garantir segurança no Parlamento como tem feito com outros órgãos de soberania.

O director do gabinete do líder do Parlamento assegurou que o P5 prometeu uma resposta às preocupações de Cipriano Cassamá.

Da parte da comunidade internacional ninguém prestou declarações no final do encontro.

Por alegada falta de condições de segurança no edifício do Parlamento, Cipriano Cassamá tem vindo a trabalhar na sua residência há cerca de duas semanas, facto considerado por deputados que apoiam o Governo de Sissoco Embaló como abandono de serviço.

Ansumane Sanhá refuta a acusação e afirma que a lei guineense prevê que o órgão funcione fora do edifício físico.

Editorial do Jornal de Angola:”A União Africana”

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Angola saudou a eleição do diplomata de carreira, o chadiano Moussa Faki Mahamat, para o cargo de presidente da Comissão Executiva da União Africana, em substituição da sul-africana Nkosazana Zuma, para um mandato de quatro anos. Depois de adiado, o continente deu um passo em frente com a eleição do quinto presidente do órgão continental mais importante, bem como dos seus vários comissários.

 

Tendo sido primeiro-ministro do Chade e durante os últimos nove anos   ministro dos Negócios Estrangeiros, Moussa Faki Mahamat é um conhecedor da realidade africana. Embora o continente continue a enfrentar numerosos desafios, não há dúvidas de que os principais problemas continuam a traduzir-se na busca de soluções para conflitos, insegurança nas fronteiras, terrorismo e fortalecimento dos passos nos processos de integração.
Acreditamos que vamos ter uma União Africana virada para solucionar os problemas mais prementes do continente e com uma liderança no topo da sua comissão que possui credenciais em matéria de diplomacia, concertação e resolução de conflitos. A eleição de Moussa Faki Mahamat é uma vitória da União Africana, um triunfo de todo o continente num momento em que a organização continental registra o regresso de Marrocos como membro de pleno direito.
É expectável que este regresso sirva também para acelerar a solução do conflito com a República Árabe Saharauí Democrática.Num ambiente democrático, a União Africana acaba de dar mais um passo na demonstração da funcionalidade, utilidade e relevância das suas instituições, numa altura em que os angolanos se podem congratular com os resultados da cimeira. O denominado “Dia das Decisões” na 28.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da União Africana, que teve lugar há dias em Addis Abeba, capital da Etiópia, foi produtivo para a diplomacia angolana.
A eleição da angolana Josefa Sacko, para comissária da União Africana para a Economia Rural e Agricultura e a tentativa não bem sucedida da eleição de Tete António, para o cargo de comissário para os Assuntos Políticos, constituíram  momentos sublimes para o país.
Na verdade, precisamos de continuar a aprimorar a diplomacia, proporcionando-lhe uma grande capacidade para o exercício do “lobbying” junto dos corredores da União Africana para que os nossos quadros continuem a merecer a confiança da instituição. Afinal, a União Africana é uma organização continental, a qual olhamos todos com a esperança e expectativa de representar todos os povos, todas as regiões e todas as línguas.
É igualmente verdade que todos os Estados membros se predispõem e se empenham no sentido de colocarem os seus quadros ao serviço daquela importante estrutura continental. É preciso continuar a trabalhar para que os níveis de representatividade ao nível das várias subcomissões reflictam anseios, expectativas e povos das várias regiões.
Não é exagerado esperar que os quadros de todos os países e regiões do continente tenham as mesmas oportunidades e que as disputas para o preenchimento de determinados cargos junto da Comissão Executiva e das suas subcomissões não fique à mercê dos segmentos francófono e anglófono. Não é prestigiante para o continente e para as suas diversas regiões que as próximas e sucessivas disputas para o cargo de presidente da Comissão Executiva da União Africana sejam circunscritas àqueles dois blocos linguísticos.
Defendemos que os países de expressão portuguesa continuem a fazer prova de engenho e “agressividade” das suas diplomacias, como têm feito, para que, cada vez mais tenham quadros nos lugares de decisão da organização continental. Em todo o caso, abrem-se novos desafios para o quadriénio 2017-2021, numa altura em que a União Africana precisa de pôr em prática numerosas agendas, melhorar planos adoptados e continuar em busca da auto-suficiência, integração e prosperidade.
As aspirações da Agenda 2063, cujos passos começam a ser dados agora, são bastante encorajadoras sobretudo porque numerosos Estados africanos procuram adequar-se aos seus ditames. A busca de crescimento económico e desenvolvimento sustentável, ao lado das boas práticas de governação e transparência, apenas para mencionar estas, fazem já morada no continente. Na maioria dos Estados membros da União Africana há o compromisso de que não pode haver avanço e progresso dissociados dos valores democráticos, da igualdade de gênero, do respeito pelos direitos humanos, da justiça e do Estado de Direito. O fundamental é que numerosos países africanos se encontram num processo acelerado de materialização destes pressupostos e com os resultados positivos que testemunhamos.
Desejamos sucessos à nova equipe que, nos próximos quatro anos, dirige a Comissão Executiva da União Africana e que tenha como foco a solução de conflitos, a promoção da paz e segurança em todo o continente. Sem aqueles factores, paz e segurança, dificilmente podemos falar sobre as outras condições que favorecem o crescimento econômico e o desenvolvimento sustentável.

http://jornaldeangola.sapo.ao/opiniao/editorial/a_uniao_africana_2

Força aérea angolana é a que mais participou de combates na Africa Subsaariana

general-francisco-goncalves-afonso-hangaO Comandante da Força Aérea Nacional, general Francisco Gonçalves Afonso “Hanga”, assegurou que este ramo das FAA continua a crescer e a cumprir com a sua tarefa primordial de defesa do espaço aéreo nacional.

Em fase de modernização, reequipamento e formação de pessoal para os novos desafios, a alta patente militar sustentou que “estamos na rota certa, na rota da excelência”. Apesar disso, considera-se insatisfeito com os níveis alcançados, 41 anos após a constituição da Força Aérea. “Acho que poderíamos ter crescido mais”, disse, apontando a guerra em que esteve mergulhado o país e a contracção da economia como factores negativos. Ainda assim, sustenta que, mesmo tendo sido forjada na guerra, a FAN continua a crescer.

Jornal de Angola – Como descreve os 41 anos da constituição da Força Aérea Nacional que se assinala hoje, 21 de Janeiro?

Francisco Gonçalves Afonso  – Para um jovem país como Angola, apesar de 41 anos, é um curto espaço de tempo. Mas, para nós, Força Aérea, tem sido uma longa caminhada pois que, mal atingimos a Independência Nacional, começaram os conflitos. Entretanto, a Força Aérea foi-se forjando, caindo e levantando-se, e de facto conseguiu suster uma guerra injusta até pelo 2002. Claro que neste ano o cenário mudou, mas temos que acreditar que foi uma longa e dolorosa caminhada com muitas vidas perdidas pelo caminho.

Jornal de Angola – Volvidos 41 anos, está satisfeito com os níveis que a Força Aérea atingiu?

Francisco Gonçalves Afonso – De maneira nenhuma estaria satisfeito. Não estou satisfeito. Naturalmente que fizemos um esforço conjunto mas, como sabe, a excelência não se atinge assim tão facilmente. Sentimos que realmente ainda não atingimos a excelência. E não atingimos por razões várias. Primeiro, porque os efectivos que utilizamos até então não tinham os níveis adequados. Os próprios equipamentos não tinham as performances desejadas. No quotidiano não conseguimos atender à operacionalidade dos meios, por várias razões. Há que entender que as Forças Armadas, no seu âmbito geral, têm o importante papel de produzir segurança mas, ao mesmo tempo, essa segurança é algo intangível. Por esta razão, os esforços económicos e financeiros vão para outras áreas, mas pode-se dizer hoje que no OGE (Orçamento Geral do Estado) já aparece uma maior fatia para os órgãos de defesa e segurança.

Jornal de Angola – As despesas são consideráveis?

Francisco Gonçalves Afonso
– Na verdade, temos muitos efectivos e isso acarreta muitas despesas. Entendemos que são despesas necessárias, mas daí a que hajam grandes dispêndios com equipamento não é verdade. Precisávamos de despender muito mais em equipamento, para que eles tenham outro nível de operacionalidade. Temos que nos contentar com o que nos é posto à disposição e aí gerirmos os parcos recursos. Mas, como direcção da Força Aérea, gostava de ter outros níveis. De maneira nenhuma posso estar satisfeito com os níveis que tenho, mas temos consciência que são os níveis possíveis.

Jornal de Angola – Com que meios aéreos conta este ramo das FAA?

Francisco Gonçalves Afonso – Bom, como sabe, a Força Aérea Nacional possui essencialmente três tipos de meios: aviação de caça e caça-bombardeiro que intercepta outros aviões ou fazem ataques rápidos ao solo; aviação de transporte – como o próprio nome indica, transporta pessoal, carga leve e bruta – ; e aviação de helicópteros, também conhecida como aviação de exército. São esses os três géneros que nós possuímos. Depois, temos a aviação ligeira que mantemos nos centros de instrução.

Jornal de Angola – Este ano realizam-se eleições gerais em Angola. Qual é o contributo da FAN para este processo?

Francisco Gonçalves Afonso – Estamos a preparar-nos da melhor forma. A FAN tem estado a acompanhar e a cooperar em todo processo desde o início do registo eleitoral. Estamos a fazer esforços adicionais para que na altura das eleições estejamos com mais meios e equipamentos. Temos consciência que continuaremos a fazer um esforço titânico, porque neste momento em que decorre o processo do registo eleitoral, o apoio é de continuidade. Já durante as eleições, o processo será de simultaneidade. Temos consciência que teremos de fazer um esforço gigantesco para podermos acorrer com a mesma dinâmica, simultaneamente, aos vários pontos do país. Mas, para tal, iremos contar com o esforço da Polícia Nacional e talvez da Sonangol, em função da demanda, porque estamos a prever a presença elevada de helicópteros.

Jornal de Angola – Como decorre o processo de modernização da FAN?

Francisco Gonçalves Afonso – É um processo que requer uma rigorosa planificação e organização e neste momento estamos em fase de concretização, ou seja, estamos a receber o equipamento. À medida que vamos recebendo, temos vindo a fazer, massivamente, a formação e requalificação do pessoal, acompanhando esta modernização. Portanto, há meios que já chegaram, há meios que vão chegar durante todo este ano, com maior incidência no primeiro trimestre do ano. Esse equipamento irá de certeza conferir outras capacidades. Não estamos a falar apenas de aviões, mas também de radares. Na verdade, já recebemos alguns. Da mesma forma recebemos meios de defesa anti-aérea, que reforçam igualmente a capacidade de defesa do espaço aéreo.

Jornal de Angola – Como avalia o trabalho de educação patriótica na FAN?

Francisco Gonçalves Afonso – É bastante bom. Acima da média, até porque felizmente temos quadros com alguma capacidade e posso mesmo dizer que a Força Aérea tem estado na vanguarda da educação patriótica. Há também do lado dos efectivos com que lidamos um incentivo para o trabalho de educação patriótica, porque há uma coisa muito importante que é preciso ter em linha de conta: as Forças Armadas Angolanas são o resultado de uma reconciliação de forças e sempre existiram visões diferentes da coisa política. Então, é de extrema importância reconciliar essas ideias e dirimir as diferenças, porque as FAA são apartidárias e não têm nada a ver com a política. Realmente, esse trabalho tem sido bem feito. Por isso, temos a certeza que as Forças Armadas, fruto da consistência do trabalho de educação patriótica que tem sido feito, constituem um dos factores de maior unificação que temos no país. Não temos conflitos entre nós e orgulhamo-nos disso.

Jornal de Angola – Qual é a importância do Instituto Superior e da Escola Militar Aeronáutica do Lobito na formação de quadros?

Francisco Gonçalves Afonso – Nós temos o Instituto Superior, a Escola Militar Aeronáutica e a Academia da FAN. Gostaríamos de fazer muito mais. Só não fazemos mais porque estamos limitados pela conjuntura [económica e financeira]. Mas, ainda assim, preferimos caminhar com passos seguros. É assim que do ponto de vista infra-estrutural, o Instituto deu um passo muito importante. Pensamos que dentro de um ano teremos outra imagem desta estrutura de ensino pois, como sabe, neste momento funciona dentro das instalações do Regimento Aéreo de Caça-Bombardeiro, na Catumbela, mas já iniciámos obras de vulto no sentido de criar outras condições e ficar mais independente.

Jornal de Angola – E em relação à Academia?

Francisco Gonçalves Afonso
– A nossa Academia é nova, tem três anos de existência, e estamos a formar os primeiros licenciados. É uma Academia com instalações pequenas, mas queremos ir devagar, caminhando com os pés bem assentes no chão, evitando dar passos maiores que as pernas. Na verdade gostaríamos de fazer muito mais.

Jornal de Angola – Que Força Aérea perspectiva para os próximos cinco anos?

Francisco Gonçalves Afonso – Seguramente teremos uma Força Aérea melhor que a de hoje. Será melhor porque estamos a estabilizar os processos de formação, a receber equipamentos mais modernos e da nova geração tecnológica. Entrámos agora nos equipamentos digitais. Os jovens que estão a ser formados permanecerão durante cinco a seis anos no exterior, portanto, já é outra geração. São os jovens da era digital e que irão de certeza ser uma mais-valia para o nosso ramo. Daí teremos uma Força Aérea com maiores capacidades em todos os sentidos.

Jornal de Angola – Como vê o interesse da juventude em incorporar-se FAN?

Francisco Gonçalves Afonso – O interesse da juventude tem sido muito grande. Temos constatado isso, mas olhamos a coisa de dois ângulos. Com a falta de emprego que existe no país, hoje a juventude vê nas Forças Armadas um modo de vida. Querem entrar para as Forças Armadas por saberem que há um salário e que podem regularizar a sua vida e fazer disso uma maneira de ser e estar. Mas, o que temos dito é que estar nas Forças Armadas é por amor à camisola. O patriotismo deve falar mais alto. Ou seja, tem de ser algo especial. Temos que gostar disso. A nossa vida não é das 7 às 15 horas, mas 24 horas por dia. Portanto, temos que estar permanentemente disponíveis para as questões de defesa da pátria. Infelizmente, hoje, a juventude que ingressa vem de facto com muita disponibilidade, mas olhando muito para si. Tem de ser ao contrário. Deve olhar mais para o país, para as Forças Armadas, tendo a responsabilidade de manusear da melhor forma os meios que lhe são postos à disposição no estrito sentido de defender o país. Não pode entender que, com a incorporação, irá ganhar a vida e resolver todos os problemas. Este é um alerta que lanço aos jovens, aproveitando esta oportunidade. Para as Forças Armadas e, no caso concreto, para a Força Aérea, devem vir de corpo e alma, com o sentido de defender a Pátria.

Jornal de Angola – Como qualifica o intercâmbio entre as Forças Aéreas da África Austral?

Francisco Gonçalves Afonso – Este intercâmbio é permanente. É do conhecimento geral que periodicamente fazemos exercícios conjuntos a nível da SADC que chamamos “Blue” (azul). Na verdade já tivemos vários. Tivemos aqui, no nosso país, que chamámos “Blue Zambeze”; tivemos na Tanzânia, que denominámos “Blue Ruvuma”; na África do Sul, o “Blue Claster”; e “Blue Okavango”, no Botswana. Em Maio deste ano, a Namíbia alberga o exercício “Blue Cunene”. Portanto, é um exercício em que aparecem vários tipos de aviões e há um verdadeiro intercâmbio entre as nossas Forças Aéreas e países. Devemos aqui sublinhar que a SADC é, das várias regiões de África, a que melhor desempenho tem neste sentido.

Jornal de Angola – Como qualifica a posição da FAN no continente africano?

Francisco Gonçalves Afonso – A nossa Força Aérea é a que participou nas acções combativas durante mais anos. Portanto, é uma Força Aérea que se forjou no campo de batalha. Temos noção dos muitos constrangimentos que ainda possuímos e das muitas insuficiências que temos. Pelo facto de termos crescido no processo da guerra, muitos métodos de aprendizagem foram “atropelados”. E agora com o surgimento da Academia e dos Institutos estamos a acertar o passo. É verdade que essa experiência vinda do passado, apesar dos “atropelos”, foi boa.

Jornal de Angola – Pode-se estabelecer comparações com outras Forças Aéreas da África Austral?

Francisco Gonçalves Afonso – Não vejo muitas razões de comparação com as outras. Das duas, uma: ou tiveram dificuldades em equipamentos, ou tiveram mais tempo para formar o seu pessoal. A Força Aérea da África do Sul, por exemplo, tem mais de 70 anos e nós só temos 41. Ela foi forjada não tanto num ambiente de guerra. Teve realmente algumas experiências de guerra, mas teve processos muito próprios que não podem ser equiparados ao nosso caso. Portanto, só depois de 2002 é que entrámos num novo processo de formação de pessoal, que nos vai dar os parâmetros necessários. Estamos agora em águas calmas para termos uma Força Aérea completa. Com a chegada dos equipamentos, com a formação de pessoal que temos vindo a fazer no país e no exterior, vamos entrar num voo de cruzeiro bastante importante.

Jornal de Angola – O que se lhe oferece dizer em relação às infra-estruturas da FAN?

Francisco Gonçalves Afonso – Em relação às infra-estruturas, temos que falar necessariamente em equipamento. É necessário gastar em infra-estruturas e equipamentos. Temos feito um esforço grande e é assim que a Força Aérea de há cinco anos atrás não é a mesma de hoje. Melhorámos bastante em infra-estruturas. Podemos exemplificar com as unidades do Lubango e da Catumbela, que melhoraram substancialmente em relação ao passado. Abrimos a Academia e neste momento estamos a construir as instalações definitivas do Instituto Superior. As condições de vida da tropa melhoraram, apesar de ainda termos algumas dificuldades, nomeadamente com as unidades do Cuando Cubango e do Namibe. Como sabe, construir implica recursos e esses nem sempre estão disponíveis. Com os poucos que vamos tendo, resolvemos alguns problemas pontuais. Volto a repetir que melhorámos bastante e temos consciência que isso é um processo dinâmico e que iremos melhorar.

Jornal de Angola – Quais as linhas de força da FAN para o período de preparação combativa que se avizinha?


Francisco Gonçalves Afonso
– O grande objectivo das Forças Armadas é prepararem-se para uma hipotética guerra. Refiro-me ao facto de, em tempo de paz, termos que efectuar preparação para a guerra. Não podemos obviamente esperar que a guerra venha, para depois nos prepararmos. Este é, realmente, o grande objectivo da preparação combativa, como de resto o próprio nome indica. Preparação para combater. Na Força Aérea, agora com o equipamento que nos vai chegando, temos condições para trabalhar na absorção de conhecimentos, no emprego e na utilização desses meios, nomeadamente aviões de caça e helicópteros. Neste momento, decorre um amplo processo de formação e preparação do pessoal, que por sinal tem estado a trabalhar no processo de registo eleitoral com muito profissionalismo, voando de dia e de noite. Portanto, estamos a aumentar as nossas capacidades.

Jornal de Angola – Pode descrever alguns momentos marcantes da sua trajectória como militar?

Francisco Gonçalves Afonso – Pessoalmente, estou na Força Aérea desde 1976, logo após a Independência Nacional. Adquiri formação na Rússia. Depois do regresso, participei em muitas missões combativas e ali lidávamos com a morte todos os dias. Fui testemunha de várias situações menos agradáveis. Vi, por exemplo, colegas morrerem, aviões que explodiam no momento da descolagem, outros que foram atingidos por aviões sul-africanos, mas também presenciei situações boas, principalmente no que diz respeito à comunhão, à forma como nós, militares, nos damos e nos relacionamos.

Jornal de Angola – A terminar, gostaríamos que transmitisse uma mensagem para os efectivos da Força Aérea pela passagem de mais um aniversário.

Francisco Gonçalves Afonso
– A mensagem que deixo aos nossos efectivos é que, neste momento em que estamos a viver uma crise, em que as condições e as situações são extremamente difíceis, há que haver sempre esperança. Passamos sempre a mensagem de que temos que nos habituar a viver com parcos recursos, porque, provavelmente lá atrás no tempo, tenhamos posto a fasquia muito elevada. Não devemos sucumbir. Enquanto homens temos a capacidade de resistência para ultrapassar as situações adversas que hoje vivemos. Há que haver sempre esperança. O preço do petróleo no mercado internacional, por sinal, tem estado a subir, mas a nossa forma de ser e de estar tem que se alterar, não só na área profissional, como a nível pessoal e da família. Temos que ser  disciplinados na gestão dos nossos recursos.

As trabalhadoras domésticas de Angola lutam por dignidade

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Milhares de famílias em Angola entram em 2017 com mais uma despesa no orçamento doméstico, resultante do Decreto Presidencial nº 155/16, que dá proteção social e jurídica ao trabalhador doméstico.
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O coordenador nacional do Plano de Sustentabilidade da Segurança Social, Manuel Moreira, disse ao Jornal de Angola que “é fundamental aumentar a cobertura da protecção social obrigatória aos nossos cidadãos”. As medidas nesse sentido devem ser encaradas como investimento e poupança.
 
Jornal de Angola – Como cidadão e alto funcionário do Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), o que significa a entrada em vigor do Decreto Presidencial referente aos trabalhadores domésticos?
 
Manuel Moreira – A publicação deste diploma representa mais um avanço na protecção social dos trabalhadores e suas famílias, bem como o reforço dos direitos de cidadania e promoção da coesão social no nosso país. Não podemos permitir que haja trabalhadores cobertos pela Protecção Social Obrigatória e outros legalmente excluídos. É fundamental aumentar a cobertura da protecção social obrigatória aos nossos cidadãos e estas medidas não podem ser encaradas como despesa, mas antes como investimento e poupança. Quando estes trabalhadores tiverem eventos ao longo da vida que lhes excluam temporária ou definitivamente do mercado de trabalho, os patrões deixam de estar responsabilizados moral ou legalmente pelo pagamento dos rendimentos perdidos, passando a ser uma responsabilidade do Estado. É também um passo para a diminuição da pobreza.
 
Jornal de Angola – Acredita que, com esse decreto, haverá mais respeito por essa classe profissional?
 
Manuel Moreira – O diploma vem regular a Protecção Social a esta classe de trabalhadores, como também os direitos e obrigações no domínio do trabalho. A lei confere mais responsabilidade ao empregador, que se vai adaptar à nova realidade legal.
 
Jornal de Angola – Quem deve ser o primeiro fiscalizador do cumprimento do Decreto Presidencial, os trabalhadores domésticos ou a Inspecção do Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social?
 
Manuel Moreira – À semelhança do que acontece noutros países, o trabalhador será o maior fiscalizador e promotor da consolidação deste regime jurídico. Os maiores interessados na defesa dos seus direitos são os próprios trabalhadores que, junto dos sindicados e do Ministério, podem assumir um papel fundamental na defesa dos direitos e dignidade do trabalho doméstico e sua protecção social.
 
Jornal de Angola – Devido ao aumento dos encargos para muitas famílias com trabalhadores domésticos, esse decreto não pode dar azo ao surgimento de uma nova categoria, a diarista, ou até ao crescimento da informalidade?
 
Manuel Moreira – É exactamente para combater a informalidade neste sector económico que surge este diploma. À excepção dos trabalhadores domésticos enquadrados em empresas inscritas no Sistema de Protecção Social Obrigatória, todos os restantes trabalhadores, nomeadamente os que trabalham em casas particulares, por exemplo, e que são a grande maioria, não possuem qualquer protecção social. Acredito que esta lei vai contribuir para reduzir a informalidade do sector, uma vez que os empregadores são obrigados, por lei, a inscrever os trabalhadores na Segurança Social e a pagar as contribuições devidas. Quem não o fizer e for denunciado é sancionado nos termos da lei. Também é natural que os empregadores adoptem estratégias, que podem passar pelo sistema diarista ou por terceirizar os serviços a empresas no mercado. Inclusivamente, é expectável que haja um crescimento do número de empresas deste sector e mais profissionalismo. Ao longo do tempo, o mercado vai regular-se por si mesmo.
 
Jornal de Angola – Este decreto é realista para o nosso contexto econômico e social?
 
Manuel Moreira – O povo angolano ambiciona um Estado moderno e socialmente justo e esta é seguramente mais uma medida do Executivo para responder ao que pretendemos. À semelhança do que aconteceu noutros países, houve, no início, muita controvérsia entre empregadores e trabalhadores. Ao longo do tempo, os trabalhadores foram exigindo os seus direitos e hoje são regimes profissionais e de segurança social perfeitamente consolidados. Este decreto foi desenvolvido com base no conhecimento da realidade angolana e está perfeitamente adequado à nossa sociedade.
 
Jornal de Angola – O que muda na rotina do trabalho do INSS com a entrada em vigor do Decreto Presidencial sobre a Protecção Social e Jurídica do trabalhador doméstico?
 
Manuel Moreira – Este regime abrange um grande volume de trabalhadores. Numa fase inicial, o INSS está a organizar-se para acolher um grande número de utentes, proceder às inscrições e controlar o pagamento das contribuições provenientes deste regime. Temos consciência de que um dos grandes desafios é implementar um pagamento contributivo ágil, embora este desafio não seja exclusivo deste regime. Numa segunda fase, o instituto tem de se preparar para o pagamento das prestações sociais, que só devem ocorrer caso os trabalhadores tenham cumprido os requisitos estabelecidos, em particular ter as contribuições todas pagas.
 
Jornal de Angola – Corrija-me se estiver equivocado. Em Angola, um trabalhador é reformado aos 65 anos ou depois de 35 anos de serviço, em cujo período deve descontar para a Segurança Social metade ou a totalidade das prestações previstas na lei. A minha curiosidade é a seguinte: como é que o Instituto Nacional de Segurança Social vai tratar, por exemplo, o caso de um empregado doméstico que entra no Sistema de Segurança Social aos 58 anos?
 
Manuel Moreira – Em Angola, um trabalhador pode reformar-se por lei aos 60 anos ou após 420 meses (35 anos) de contribuições seguidas ou interpoladas. Um trabalhador que integre o sistema com 58 anos de idade, tem duas opções: resgatar todo o dinheiro das contribuições realizadas durante o período contributivo, devendo ser inferior a 120 meses, e permanecer mais tempo no mercado de trabalho, alcançar 120 meses de contribuições seguidas ou interpoladas e solicitar o Abono de Velhice.
 
Jornal de Angola – Há empregados domésticos inscritos no INSS antes de haver um decreto sobre a matéria?
 
Manuel Moreira – Existem empresários que integram os trabalhadores domésticos na folha de salários das empresas, bem como há empresas de serviço doméstico que já inscrevem os seus trabalhadores.
 
Jornal de Angola – O INSS está preparado para dar resposta à grande procura pelos seus serviços em função da entrada em vigor do decreto?
 
Manuel Moreira – Estamos preparados, mas ainda temos de dar avanços operacionais para facilitar o pagamento das contribuições. Embora esta não seja uma questão exclusiva para este regime.
 
Jornal de Angola – Os vossos serviços estão a ser descentralizados?
 
Manuel Moreira – A distância entre os locais de residência dos utentes do INSS e os Serviços de Segurança é um factor de constrangimento no acesso à Segurança Social. O Executivo colocou em marcha, desde 2012, uma estratégia de aproximação dos Serviços da Segurança Social ao cidadão, tendo implementado, entre outras medidas, um conjunto de Serviços Municipais em todas as províncias do país – Icolo e Bengo e Cacuaco (Luanda), Matala (Huíla), Caála (Huambo), Negage (Uíge), Cacolo (Lunda Sul), Tômbwa (Namibe), Buco Zau (Cabinda), Waku Kungo (Cuanza Sul), Cacuso (Malanje), Dondo (Cuanza Norte), Ganda (Benguela), Ombadja (Cunene), Lucapa (Lunda Norte), Andulo (Bié) e Cuchi (Cuando Cubango).
 
Jornal de Angola – O que pode anunciar aos pensionistas?
 
Manuel Moreira – Vivemos tempos muito difíceis. Todos temos de fazer sacrifícios e os políticos têm de ser realistas com o que podem prometer. Estamos a equacionar soluções exequíveis para este grupo populacional frágil. O Executivo tem tomado medidas dirigidas aos pensionistas de baixos rendimentos. Desafio-o a encontrar um país no mundo que tenha elevado o valor mínimo da pensão de reforma por velhice acima do salário mínimo e igualado a pensão mínima ao salário mínimo nacional. Desde 2011, que não há pensionistas da pensão de reforma por velhice a receber um valor inferior a 18.922 kwanzas e pensionistas com o abono de velhice a receber valor inferior a 15.003 kwanzas.
 
Jornal de Angola – O que tem a dizer sobre as pensões de viuvez?
 
Manuel Moreira – A protecção na morte é justa e adequada à realidade do nosso país. Uma viúva com 50 anos ou mais de idade tem direito a receber uma pensão de sobrevivência vitalícia, desde que não esteja empregada. No caso de estar empregada, recebe o subsídio de funeral e por morte.
 
Jornal de Angola – Como o Estado equaciona a sobrevivência das viúvas que dependiam económica e exclusivamente do marido, no lapso de tempo que vai da morte ao ano em que, nos termos da lei, entram para o sistema?
 
Manuel Moreira – No caso do cônjuge sobrevivo, viúva ou viúvo, ter idade inferior a 50 anos de idade e esteja desempregado tem direito a uma pensão de sobrevivência temporária, tendo 12 meses para se reintegrar no mercado de trabalho. Nas prestações sociais, na eventualidade da morte, tem-se de ter muito cuidado na sua concepção, devido ao grande volume financeiro que é necessário possuir. Por exemplo, um cônjuge sobrevivo com 30 anos de idade e que morra com 65 anos, se tivesse direito a uma pensão de sobrevivência vitalícia corresponderia a 35 anos com um rendimento fixo, provavelmente acumulado com rendimentos de trabalho. Não nos podemos esquecer que a esperança de vida em Angola está a aumentar e que o nosso sistema de protecção social obrigatória ainda não está preparado financeiramente para uma despesa desta complexidade. De notar que em diversos sistemas de segurança social europeus este debate ocorre e existem critérios mais restritivos na protecção de sobrevivência ao cônjuge sobrevivo.
 
Jornal de Angola – Nos casos de órfãos com necessidades especiais, que tipos de apoios a lei confere e até que idade?
 
Manuel Moreira – O nosso sistema de Protecção Social Obrigatória protege na morte todos os filhos e, em particular, de forma vitalícia os filhos com incapacidade de 30% ou mais para o trabalho.
 
Jornal de Angola – As grandes filas de pensionistas junto de agências do Banco de Poupança e Crédito mancham a imagem do INSS. Esse cenário pode ser evitado?
 
Manuel Moreira – Reconheço e somos sensíveis à questão. É uma das questões que nos tiram o sono. O INSS trabalha nesse sentido, uma vez que um dos grandes objectos da gestão financeira é ter liquidez todos os meses para fazer face aos compromissos com o pagamento das prestações sociais. Não temos quaisquer dúvidas que o risco da liquidez também se mitiga pela diversificação dos depósitos do Fundo de Financiamento da Segurança Social. Foi já criada uma comissão da qual faço parte para aprofundarmos a questão. Vamos equacionar medidas de articulação com a banca para melhorar o pagamento das contribuições à Segurança Social. Consolidado o pagamento contributivo em toda ou parte da banca, estamos em condições de avançar para a diversificação bancária no que respeita ao pagamento das prestações sociais aos segurados e pensionistas
 
 
 
 
 

Nigéria: Boko Haram utiliza meninas como escudo humano para a fuga

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Abuja – O Exército nigeriano anunciou ter capturado mil e 240 supostos terroristas da Boko Haram e suas famílias, na floresta de Sambisa, depois de uma operação de limpeza.
O comandante da Operação “Lafiya Doye” contra a seita islâmica Boko Haram, no nordeste da Nigéria, general de divisão Lucky Irabor, declarou quarta-feira, em Maiduguri, que foram capturados 413 homens adultos, 323 mulheres, 251 rapazes e 253 meninas.
Segundo o general Irabor, os suspeitos estão sob interrogatórios para saber se são efectivamente membros da Boko Haram ou não, “porque não tem nenhum sentido que alguém que não seja membro desta seita viva na floresta de Sambisa”.
Informou que, no mesmo período, pelo menos 30 pessoas que estavam em fuga por suspeita de pertencerem à Boko Haram renderam-se às tropas multinacionais do Níger nas margens do Lago Tchad.
Acrescentando que os soldados nigerianos souberam depois que foram enviados a Difa, na República do Níger.
O general Irabor disse que o Exército nigeriano não disparou contra os supostos terroristas que se escaparam da floresta de Sambisa, porque algumas das meninas de Chibok raptadas pela Boko Haram foram usadas como escudo humano enquanto fugiam.
O Exército tomou o campo Zairo, bastião do grupo Boko Haram, a 24 de Dezembro deste ano.

Moçambique passa por constrangimentos .dificuldades político- econômicas

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Maputo, 19 Dez (AIM) � O Presidente da República, Filipe Nyusi, afirmou hoje que Moçambique segue firme rumo ao desenvolvimento mesmo com as dificuldades de natureza político-económica

e sociais que o país enfrenta.

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Falando hoje na Assembleia da República (AR), o parlamento moçambicano, durante a apresentação do informe anual sobre o Estado da Nação, Nyusi apontou como solução para os problemas do país a união entre os moçambicanos como forma de construir a vitória.

�Estamos agora em condições de afirmar perante vós, mandatários do povo, perante toda a Nação moçambicana e perante o mundo que, apesar dos constrangimentos, orgulha-nos dizer que: a situação geral da Nação mantém-se firme. A Nação Moçambicana é capaz de enfrentar os desafios presentes e futuros�, disse.

O Chefe de Estado, que exprimiu a sua confiança apesar das adversidades que o país enfrenta, advertiu que o país ainda poderá enfrentar mais obstáculos.

�As dificuldades que nos esperam são grandes e atingem de igual modo todos os sectores da nossa sociedade. A nossa capacidade de resposta, inspirada na contribuição de todos, será ainda maior�, sublinhou.

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Sobre os desafios, Nyusi disse que estes afectam todos os segmentos da sociedade moçambicana, desde os políticos amantes da paz até os que �trazem Moçambique no coração�.

�Na qualidade de Presidente da República de Moçambique permaneço com a mesma confiança, firmeza e serenidade que marcou o meu mandato desde o primeiro momento�, vincou o mais alto magistrado da nação, saudando todos os moçambicanos continuam a manifestar o seu patriotismo e perseverança perante os constrangimentos internos e externos.

Sobre a paz, o estadista moçambicano fez questão de afirmar que não existem desafios que sejam diferentes para uns e para outros moçambicanos, destacando de seguida que não existe dois Moçambique, e não existem uns e outros moçambicanos.

Referiu que a paz genuína e definitiva será uma vitória de todos os moçambicanos, e que não será pertença exclusiva de qualquer formação política.

�Os desafios que se nos impõem pedem que esqueçamos aquilo que nos possa dividir�, vincou.

A AR aprovou no corrente mês, o Plano Económico e Social (PES) e o respectivo Orçamento do Estado (OE) para 2017.

Sobre estes dois instrumentos, o Chefe do Estado afirmou que o �sucesso na implementação destes instrumentos passa por congregarmos os esforços de todos os moçambicanos�.

Associando a implementação do PES para 2017 com o alcance da paz, Nyusi disse que o desenvolvimento da economia do país não será propriedade de nenhuma entidade particular, pelo que sublinhou que irá dar continuidade de forma incansável e firme a procurar consensos entre os partidos políticos e as forças vivas da sociedade.

Para Nyusi, a paz �será de todos nós e só assim, como criação colectiva, esse futuro mais próspero irá acontecer�.

Fazendo uma radiografia das actividades governativas do presente ano, Nyusi disse que as conquistas alcançadas pertencem a todos os moçambicanos.

�Foram conquistas de todos nós, de todos os deputados desta Casa, apostados na paz e no desenvolvimento. Foram vitórias de todos os moçambicanos de todos os quadrantes políticos e religiosos�, disse.

Refira-se que este é o segundo ano do mandato de Nyusi, pelo que agradeceu o apoio prestado por todos os sectores de desenvolvimento do país.

�Comovido, quero mais uma vez agradecer pela grande colaboração que deram ao Governo durante o segundo ano do meu mandato�, afirmou.

A Constituição da República estabelece que o Presidente da República, durante a sua governação, preste contas anualmente, aos moçambicanos, através da AR.

http://noticias.sapo.mz/aim/artigo/11419019122016230218.html

Moçambique. Presidente Nyusi: ʺ2016 foi um ano adverso para o Paísʺ

 
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O Presidente da República de Moçambique, Filipe Nyusi, subiu esta segunda-feira 19, ao pódio do Parlamento, para prestar o seu informe anual sobre o estado geral da Nação referente ao ano 2016. Durante o seu informe, o Chefe do Estado, afirmou que o presente ano foi adverso para o país, não obstante algumas dificuldades e desafios pela frente, o Estado Geral da Nação mantêm-se firme.
O estado da Nação mantém-se firme
“Todos juntos transformaremos as dificuldades do presente, numa contingência do passado. Moçambicanos e moçambicanas, compatriotas, digníssimos mandatários do Povo, passamos em revista o trabalho realizado em 2016. Com franqueza e clareza, estamos agora em condições de afirmar perante vós mandatários do povo, que apesar dos constrangimentos, obriga-nos dizer que, a situação geral da Nação mantêm-se firmeʺ.
Quanto à ordem, segurança e tranquilidade públicas, Moçambique é seguro e estável, apesar da redução do índice geral de criminalidade, preocupa a onda do crime violento e raptos um pouco por todo o país.
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Preocupam os crimes violentos no país
“Não obstante a presente redução do índice geral de criminalidade, preocupam-nos os crimes contra as pessoas, cometidos com violência e recurso a armas de fogo. Estes crimes atentam contra a vida humana de forma violenta e impiedosa. No contexto da criminalidade violenta, temos registrado com enorme repulsa casos de roubo a residências e na via pública. Estamos atentos a outros tipos de crime, como o do tráfico de seres humanos para exploração e extração de órgãos, para fins obscurosʺ.
Bancadas parlamentares divergem
No entanto, as três bancadas parlamentares divergem na leitura do Informe do Presidente da República sobre o estado geral da Nação. Para o deputado e porta-voz da bancada parlamentar da Frelimo (partido no poder), Edmundo Galiza Matos, o informe foi positivo e abrangente.
ʺ Uma avaliação transparente do Chefe do Estado, com enfoque para a crise económica que o nosso país atravessa. Ficou patente a abertura do Presidente da República para o diálogo com o líder da Renamo com vista ao alcance da paz efectiva no paísʺ.
Informe foi uma decepção para os moçambicanos
Para o deputado do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Silvério Ronguane, o Informe do Chefe do Estado foi uma decepção para os moçambicanos.
“Foi uma grande decepção para os moçambicanos. Nós acreditávamos que o Chefe do Estado havia de trazer soluções daqueles que são os grandes problemas do país, estamos a falar da questão da paz e instabilidade política no país. Estamos com graves problemas econômicos e sociais. Não basta vir aqui dizer que o nosso país está firme. Firme em quê, na fome, na guerra?ʺ questiona.
O País mantém-se firme na pobreza, corrupção,…
Já para José Lopes, deputado da Renamo, o maior partido da oposição, o Informe do Chefe do Estado não foi ao encontro das expectativas da sua bancada parlamentar.
“O Chefe do Estado disse que Moçambique continua firme. E nós dizemos, continua firme na pobreza, na corrupção , na criminalidade e no sofrimento dos moçambicanosʺ.
Eram os deputados da Assembleia da República divergindo na apreciação do Informe sobre o estado geral da Nação em 2016, apresentado esta segunda-feira no Parlamento pelo Presidente da República, Filipe Nyusi.
Hermínio José, Maputo.
 
 

Que tragédia. Metade da população da República Centro Africana precisa de ajuda de emergência

por Eleazar Van-Dúnem |

A ministra para o Bem Estar e Reconciliação da República Centro Africana (RCA) disse terça-feira, em Genebra, que quase metade da população do seu país precisa de assistência humanitária.

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Virginie Baikoua falava ao lado do coordenador humanitário da ONU para a RCA, Fabrizio Hochschild, que pediu “mais atenção e apoio” da comunidade internacional para o que considerou “uma crise humanitária esquecida”.
A RCA, apesar do imenso potencial agrícola, tem das mais altas taxas de desnutrição crónica do mundo, que afecta uma entre duas crianças, “é dos países mais pobres e negligenciados do mundo, e os conflitos apenas pioram a situação”, referiu o representante da ONU.

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Nos últimos três meses, ocorreram seis confrontos que resultaram em centenas de mortes e dezenas de milhares de desalojados, as taxas de mortalidade materna e infantil estão entre as mais altas do mundo e a insegurança, o fraco acesso à água potável e a cuidados de saúde estão entre os grandes problemas da RCA, afirmou.
Fabrizio Hochschild informou que um entre 10 centro-africanos vive como refugiado e a maioria procurou abrigo nos Camarões, e destacou que “esforços humanitários são críticos para estabilizar a RCA numa altura que são tratadas as questões políticas, de desenvolvimento e de segurança”.
O Plano de Resposta Humanitária da ONU para atender a RCA no próximo ano e ajudar 1,6 milhões de civis custa 400 milhões de dólares, concluiu Fabrizio Hochschild.
A Organização das Nações Unids anunciaram no início do mês, numa Conferência de doadores realizada em Bruxelas para ajudar os centro-africanos, que a comunidade internacional enviou “sinais fortes” de apoio aos esforços de paz e de desenvolvimento com a promessa – ainda não cumprida – de disponibilizar  2,28 mil milhões de dólares para a RCA.
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Crianças são afectadas

Antes da conferência de doadores de Bruxelas, que inicialmente pretendia conseguir três bilhões de dólares para a RCA, o UNICEF revelou que as crianças representam metade dos 850 mil centro-africanos deslocados internos ou refugiados nos países vizinhos, e que mais de um terço das crianças não frequenta a escola.
Aquela agência da ONU alertou que pelo menos 41por cento dos menores de cinco anos sofrem de desnutrição crônica e que desde 2013 entre seis mil e 10 mil foram recrutados por grupos rebeldes armados centro-africanos. Para reverter o quadro, o UNICEF defende que as crianças sejam prioridade no plano de recuperação, que deve dar primazia à saúde e à educação para os mais vulneráveis.
As desigualdades econômicas, a disparidade de oportunidades entre as populações urbanas e rurais e tensões étnicas “alimentaram um ressentimento que ainda perdura” e o conflito iniciado em 2102, referiu o UNICEF. “As questões da justiça, da protecção e do combate à corrupção são fundamentais para a construção de um país que proteja os seus cidadãos e reforce o Estado de direito”, concluiu o comunicado do UNICEF.

Violência contínua

Na semana passada, pelo menos 85 pessoas morreram e 76 ficaram feridas nos mais recentes confrontos entre grupos armados rivais centro-africanos na região de Bria, anunciou terça-feira o Conselho Especial das Nações Unidas para a prevenção do genocídio e confirmou o porta-voz oficial da presidência da RCA, Albert Mopkem.
A violência entre facções rivais Seleka, de maioria muçulmana, começou há uma semana na cidade de Bria, a 400 quilômetros a nordeste de Bangui, e causou 85 mortos, civis, 76 feridos e cerca de 11.000 pessoas foram obrigadas a sair da localidade.
Os confrontos opõem dois grupos armados que surgiram da antiga coligação rebelde Seleka, a Frente Patriótica para o Renascimento da RCA (FPRC), liderada por Nourredine Adam, e a União para a Paz na RCA (UPC), por Ali Darass.
Dados estimam que a RCA é dos países mais pobres do mundo. A ONU tem no país cerca de 12.500 efectivos na sequência de violência sectária que eclodiu em Março de 2013, após o afastamento do Presidente François Bozize, cristão, pela aliança rebelde Seleka, muçulmana

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/metade_da_populacao_da_rca_precisa_de_ajuda_de_emergencia