Intervenção no Rio de Janeiro leva o Brasil a desistir da missão militar na República Centro Africana

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Brasília – O Comandante do Exército, general Eduardo Dias da Costa Villas Bôas, passa me revista a tropa que irá para o Haiti, durante cerimônia da troca da Bandeira Nacional, na Praça dos Três Poderes (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Governo Temer havia se comprometido a enviar 1 mil soldados à República Centro-Africana, mas desistiu

MATHIAS ALENCASTRO E FABIO VICTOR

10abr2018_16h48
Soldado da missão de paz da ONU na República Centro-Africana

Soldado da missão de paz da ONU na República Centro-Africana FOTO: MINUSCA/ONU

Dado como certo até o final do ano passado, o envio de tropas brasileiras para a missão de paz da ONU na República Centro-Africana foi cancelado pelo governo brasileiro. A intervenção federal na área de segurança no Rio monopolizou a atenção e o orçamento do governo para as Forças Armadas junto com o deslocamento de soldados para atender a situação de emergência de refugiados venezuelanos na fronteira com Roraima.

Oficiais ouvidos pela piauí explicaram que o Exército também avaliou que o Brasil poderia estar se metendo numa enrascada militar e diplomática. Dentro da comunidade internacional, a República Centro-Africana tem fama de “Vietnã africano”, com um inimigo mal identificado, espirais bruscas de violência e até ataques com facas a soldados. A missão da ONU no país – chamada Missão Multidimensional para a Estabilização da República Centro-Africana, a Minusca – começou em 2014, mas não livrou o país de uma guerra civil de caráter tribal. Em 2017, catorze capacetes azuis foram assassinados em ataques de grupos armados contra populações civis em áreas que supostamente estariam sob controle das forças da Minusca.

Com a destinação, desde 16 de fevereiro, de todo o efetivo do Comando Militar Leste, de até 30 mil homens ao custo de cerca de 1,2 bilhão de reais, a intervenção no Rio na prática inviabilizou a participação do Brasil na que seria sua missão internacional mais relevante desde o Haiti (entre 2004 e 2017). Em novembro passado, o ex-ministro da Defesa Raul Jungmann chegou a dar como fato consumado o deslocamento de soldados à República Centro-Africana e falou em enviar “1.000 homens” ao país.

Antes mesmo da intervenção, a percepção brasileira de que seria mau negócio desembarcar na República Centro-Africana começou a se estabelecer após o envio da missão de reconhecimento brasileira, no começo do ano. Na avaliação dos dez oficiais que estiveram na RCA entre 21 de janeiro e 3 de fevereiro, havia chances consideráveis de baixas, num país de terreno acidentado e com logística precária, agravadas pelas fortes chuvas desta época do ano. Os relatos solidificaram a rejeição do Alto Comando do Exército à missão, cujo maior defensor era Jungmann.

As dificuldades enfrentadas pelos países participantes da missão também foram consideradas para a desistência. Ao longo dos últimos anos, as tropas das Nações Unidas no país, chefiadas pela França, vêm sendo acusadas de participação em episódios de violência – em 2017, dezesseis capacetes azuis franceses foram inocentados de uma acusação de estupro de quatro meninos de 9 a 13 anos, e o Gabão teve de retirar seus 450 soldados do país, por terem assumido um papel central na organização do tráfico humano e sexual, segundo fontes da ONU.

Além da intervenção no Rio, parte das tropas elegíveis para a missão africana foi empregada na assistência aos refugiados venezuelanos em Roraima. Em fevereiro, o Exército Brasileiro duplicou o seu contingente na fronteira, passando para 200 soldados. Além disso, duas semanas depois da intervenção militar no Rio, em 9 de março, uma medida abriu crédito no valor de 190 milhões de reais em favor do Ministério da Defesa para assistência emergencial a venezuelanos no Brasil. Estava pavimentado o caminho para justificar o abandono da missão de paz.

 

Adesistência repercutiu negativamente na ONU. Durante as discussões para a renovação do mandato da Minusca, em novembro, o Conselho de Segurança aprovou o aumento do número de tropas, já contando com a entrada de cerca de 900 militares brasileiros. Para compensar a ausência brasileira, a ONU teve de encontrar o que diplomatas no departamento de missões de paz das Nações Unidas em Nova York chamaram de “solução de remendos”. Agora, a missão negocia a entrada de novos contingentes, como os de Ruanda e Portugal, que iniciaram suas atividades nos últimos meses. Essa solução de compor o Exército com pequenos e médios contingentes de diversos países era evitada pela ONU, que procurava a todo custo um parceiro de grande porte para dar densidade ao corpo de capacetes azuis.

Estava claro, desde o início, que a Minusca precisava mais do Brasil do que o contrário, o que teria colocado os oficiais brasileiros em posição de força na mesa de negociações. “A decisão do Brasil de se retirar tem fundamentos”, disse uma diplomata de um país-membro do Conselho de Segurança, citando as dificuldades crescentes da ONU em montar as missões de paz. “Mas a forma como ela foi anunciada causou estragos.” Para ele, o recuo do governo pode comprometer a credibilidade e a influência do Brasil dentro do alto comando da ONU, num momento em que o Conselho de Segurança pode ser acionado a qualquer instante sobre a Venezuela.

A discussão de uma missão do Brasil na África começou em 2014, quando o governo Dilma Rousseff descartou uma sondagem da ONU para enviar tropas ao Sudão do Sul, mas deixou a porta aberta para negociações quando o Brasil saísse do Haiti – operação que se esticou por catorze anos e tornou o Exército brasileiro cobiçado para missões de paz internacionais. O assunto foi retomado às vésperas da conclusão da missão no país caribenho, quando a ONU apresentou a Jungmann, três operações nas quais tropas brasileiras poderiam ser incorporadas: Chipre, Líbano e República Centro-Africana, que parecia a mais apropriada. O Brasil vinha desenvolvendo uma presença nas missões de paz nos vizinhos Sudão e na República Democrática do Congo, tinha boa reputação entre as autoridades africanas e pretendia aumentar a sua influência no Atlântico Sul e, em particular, no Golfo da Guiné, por meio do qual as tropas brasileiras desembarcariam na República Centro-Africana, via Camarões.africa.png

O Exército Brasileiro tinha interesse em manter-se presente no palco internacional. Fonte de prestígio, treino e dinheiro, a indústria das missões de paz tem entre os seus principais clientes os exércitos de países em desenvolvimento envolvidos em conflitos latentes: Ruanda, Índia, Bangladesh, Etiópia e Paquistão formam quase 40% do contingente de 110 000 capacetes azuis. A ONU não só reembolsa generosamente uma parte das despesas militares dos países envolvidos, como as suas missões também oferecem boas condições de treino e até um certo glamour. Profundamente marcado pela experiência no Haiti, o Exército almejava passar rapidamente da Minustah para outra missão da ONU – inclusive para preservar dos cortes as conquistas obtidas na era Lula, como o Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil, o CCOPAB, no Rio de Janeiro.download

O crescente ativismo militar na política externa, no entanto, criou preocupação entre os diplomatas do Itamaraty, que não queriam perder seu domínio. Desde a missão no Haiti, adidos militares passaram a fazer parte da equipe das embaixadas e das missões brasileiras em organizações internacionais. Quando o Painel Independente de Alto Nível Sobre Operações de Paz se reuniu para deliberar sobre evoluções institucionais em 2015, o general Floriano Peixoto, ex-comandante da missão no Haiti, representou o Brasil. Esse ganho de visibilidade dos militares acontecia ao mesmo tempo da perda de influência dos diplomatas. Enquanto o governo de Luiz Inácio Lula da Silva entendia as missões de paz como parte de uma estratégia diplomática ampla, cujo objetivo em última instância era um lugar no conselho de segurança, os governos de Dilma Rousseff e agora de Temer as veem como uma demanda operacional e financeira das Forças Armadas, na qual a diplomacia tinha papel secundário. Em novembro, o Itamaraty viu com desconforto o ministro Jungmann e o general Lacroix, chefe das missões de paz na ONU tratarem a participação do Brasil na Minusca – agora abandonada – como um fato consumado.

Com a desistência da participação na República Centro-Africana, o Brasil deve enviar um general para outra missão de paz das Nações Unidas, no Congo, para assumir uma posição de prestígio – a de comandante da força – e tentar preservar a imagem brasileira no círculo militar da ONU. Uma tentativa de impedir a consolidação da narrativa de que o governo Temer foi incapaz de deixar legado na política externa, depois de fracassar em suas três principais metas: a entrada do Brasil na Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o avanço das negociações para o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul, e o lançamento de uma nova missão de paz na ONU.

Fonte:http://piaui.folha.uol.com.br/intervencao-no-rio-cancela-missao-militar-do-brasil-na-africa/

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Guiné é uma promessa que pode dar certo

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Uma recuperação bem retomada e aura internacional recuperada, o país mostrou nos últimos dois anos uma frente bastante serena. Mas desde janeiro, o descontentamento social está aumentando. Quanto ao clima político, depois do local e antes do legislativo, em setembro, é novamente agitado.

Na tela do computador, com suas curvas e diagramas dinâmicos, a Guiné parece ter recuperado sua forma. Crescimento de mais de 6% para dois anos, um déficit orçamentário controlado, inflação reduzida para 8%, contra 21% em 2010 … A maioria de seus indicadores é verde.carte-conakry_guinee_agriculture_carte31

Depois de dois anos de crise de saúde, depois de dois outros marcados por uma situação internacional difícil, virada de cabeça para baixo pela queda nos preços das commodities, a economia guineense está melhor e, no papel, suas perspectivas parecem boas. Como prova, o novo programa de três anos foi concluído em dezembro com o Fundo Monetário Internacional.

Gradualmente, os investidores voltam. Vários hotéis de luxo foram construídos pelo mar. Andando em Kaloum, no centro de Conakry nas obras, sob os enormes guindastes que a raia o céu eo barulho incessante de betoneiras, a pessoa começa imaginar a capital do futuro .

Na costa, as torres gêmeas Weily Kakimbo e seus vinte e cinco andares que abrigarão em breve um shopping center, um hotel e escritórios certamente têm um lado “bling-bling”, mas também mostram que a capital aspira a mudar o século.

Um verdadeiro mal-estar

Algumas semanas atrás, enquanto ele ainda estava no comando da União Africana, o Presidente Alpha Condé teve que se alegrar com todos esses bons sinais. Mas dificilmente ele passou a mão para sua contraparte ruandesa no topo de Adis Abeba que ele encontra um país novamente dilacerado por seus velhos demônios. A violência pós-eleitoral consecutiva para 04 de fevereiro de som comum como um ultimato.

Depois de uma campanha que nem apaixonou nem mobilizou multidões – enquanto foram as primeiras eleições locais desde 2005 -, a condução da pesquisa e seus resultados parciais se transformaram em pretexto para externar um verdadeiro mal-estar e agitar alguns frustrações sociais.

Tenores da oposição, Cellou Dalein Diallo na liderança, denunciaram fraudes. Outros, como Faya Millimouno, levantaram a questão da relevância de tal votação este ano, considerando o custo de sua organização – cerca de 800 bilhões de francos guineenses (mais de 70 milhões de euros).

Cortes de energia, más condições das estradas, problemas de coleta de lixo e prisões de jornalistas chegaram ao auge. Sem mencionar os recorrentes rumores sobre um hipotético terceiro mandato presidencial de “idade” – 80 anos em 4 de março.

Uma grande parte da população, especialmente os jovens, não se beneficia dos frutos do crescimento

É uma geração inteira que é impaciente. “Boa parte da população, especialmente os jovens, não está aproveitando os benefícios do crescimento”, disse Abdourahmane Sanoh, presidente da United Citizens for Development Platform. Enquanto as desigualdades forem fortes, vivenciaremos crises cíclicas. Em resumo, para os mais críticos, esse crescimento positivo parcialmente impulsionado pelo setor de mineração beneficiaria principalmente, se não apenas, alguns investidores estrangeiros.

Enquanto aguarda um melhor diálogo entre o Estado e o setor privado, nomeadamente através do Fórum Empresarial da Guiné, criado no final de 2017, Madani Dia, o secretário executivo da plataforma de consulta do setor privado da Guiné, desenha também o alarme.

Deixe o setor privado respirar e dê a oportunidade de criar empregos

“Deixe o setor privado respirar e dê a oportunidade de criar empregos. Hoje, a taxa real de desemprego dos jovens é superior a 80%. Se continuarmos assim, temos direito ao desastre, ele insiste. O governo entendeu e está fazendo esforços, mas devemos ir mais rápido e mais longe, priorizando urgentemente os investimentos intensivos em mão-de-obra, por exemplo, para pavimentar as ruas das cidades, estradas de construção e asfalto, etc. Devemos dar um objetivo e uma renda a todos esses jovens, enquanto esperamos treiná-los e oferecer-lhes outras perspectivas. ”

A cidade no campo

No lado executivo, leva tempo. “Nós colocamos o país de volta aos trilhos”, disse o primeiro-ministro Mamady Youla. Mais de € 1 bilhão já foi investido na melhoria de estradas em Conakry, para atualizar a estrada nacional 1 (Coyah-Mamou Dabola), construir a linha de energia Linsan-Forni proceder à expansão do porto de Conakry … como muitos projetos tangíveis.

Mas o que fazemos para atraí-los para as aldeias? Pensamos em criar moradias rurais?

O governo parece determinado a atender aos outros grandes desafios do Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social 2016-2020 (PNDES). Ele fez esforços para obter a economia da “todo meu” através da diversificação, graças à reafectação de agricultura, muito promissor, eo ressurgimento de indústrias que geram mais renda e divisas (café, cacau, palm óleo e castanha de caju).

 

“Está tudo bem para desenvolver esses canais, mas também devemos interessar aos jovens, nuances Madani Dia. Claro, vendendo lenços ao longo das ruas da capital, não sonha. Então, se lhes dermos oportunidades reais, elas retornarão ao campo. Mas o que fazemos para atraí-los para as aldeias? Pensamos em criar moradias rurais? ”

Tantas questões que poderiam encontrar um eco positivo no ouvido do Presidente Alpha Condé, que sempre quis apostar na abertura, na descentralização e na transformação do potencial das áreas rurais.

“Esta é a prioridade do governo: investir pesadamente no campo”, confirma o ministro da Juventude, Moustapha Naité. Para criar oportunidades econômicas e dar esperança aos jovens, nossa ideia – e já estamos trabalhando no PNDES – é reproduzir os benefícios do ambiente urbano no campo. É por isso que nos concentramos no desenvolvimento de tecnologias, particularmente através dos muitos projetos que empreendemos para desenvolver fibras ópticas em áreas rurais. Também estamos melhorando o transporte. Quando eles sabem que podemos estar bem conectados ao campo e à cidade, em vez de tentar a sorte na Europa, nossos jovens irão para uma aventura em seu próprio país. ”

Na Guiné, a nova geração não pede mais nada. Mas ela não é mais seduzida por belas promessas.

Objetivos e coletivos

Além dos protestos pós-eleitorais, o descontentamento social se intensificou em fevereiro, especialmente na educação , onde a greve paralisou escolas públicas e privadas. A sociedade civil não é deixada de fora.

Diversos coletivos surgiram, como o Third Dynamic 2020, para promover a unidade nacional e encorajar o estado a investir na formação de jovens. Um objetivo semelhante para Wonkhai 2020 , “correr para 2020” em Soussou ,  que apela aos políticos para colocar os jovens no centro dos seus programas e guineenses para superar as divisões. Seu slogan: “unir ou perecer”.

http://www.jeuneafrique.com/mag/538702/politique/guinee-une-annee-sous-tension/

omada e aura internacional recuperada, o país mostrou nos últimos dois anos uma frente bastante serena. Mas desde janeiro, o descontentamento social está aumentando. Quanto ao clima político, depois do local e antes do legislativo, em setembro, é novamente agitado.

Na tela do computador, com suas curvas e diagramas dinâmicos, a Guiné parece ter recuperado sua forma. Crescimento de mais de 6% para dois anos, um déficit orçamentário controlado, inflação reduzida para 8%, contra 21% em 2010 … A maioria de seus indicadores é verde.

Depois de dois anos de crise de saúde, depois de dois outros marcados por uma situação internacional difícil, virada de cabeça para baixo pela queda nos preços das commodities, a economia guineense está melhor e, no papel, suas perspectivas parecem boas. Como prova, o novo programa de três anos foi concluído em dezembro com o Fundo Monetário Internacional.

Gradualmente, os investidores voltam. Vários hotéis de luxo foram construídos pelo mar. Andando em Kaloum, no centro de Conakry nas obras, sob os enormes guindastes que a raia o céu eo barulho incessante de betoneiras, a pessoa começa imaginar a capital do futuro .

Na costa, as torres gêmeas Weily Kakimbo e seus vinte e cinco andares que abrigarão em breve um shopping center, um hotel e escritórios certamente têm um lado “bling-bling”, mas também mostram que a capital aspira a mudar o século.

Um verdadeiro mal-estar

Algumas semanas atrás, enquanto ele ainda estava no comando da União Africana, o Presidente Alpha Condé teve que se alegrar com todos esses bons sinais. Mas dificilmente ele passou a mão para sua contraparte ruandesa no topo de Adis Abeba que ele encontra um país novamente dilacerado por seus velhos demônios. A violência pós-eleitoral consecutiva para 04 de fevereiro de som comum como um ultimato.

Depois de uma campanha que nem apaixonou nem mobilizou multidões – enquanto foram as primeiras eleições locais desde 2005 -, a condução da pesquisa e seus resultados parciais se transformaram em pretexto para externar um verdadeiro mal-estar e agitar alguns frustrações sociais.

Tenores da oposição, Cellou Dalein Diallo na liderança, denunciaram fraudes. Outros, como Faya Millimouno, levantaram a questão da relevância de tal votação este ano, considerando o custo de sua organização – cerca de 800 bilhões de francos guineenses (mais de 70 milhões de euros).

Cortes de energia, más condições das estradas, problemas de coleta de lixo e prisões de jornalistas chegaram ao auge. Sem mencionar os recorrentes rumores sobre um hipotético terceiro mandato presidencial de “idade” – 80 anos em 4 de março.

Uma grande parte da população, especialmente os jovens, não se beneficia dos frutos do crescimento

É uma geração inteira que é impaciente. “Boa parte da população, especialmente os jovens, não está aproveitando os benefícios do crescimento”, disse Abdourahmane Sanoh, presidente da United Citizens for Development Platform. Enquanto as desigualdades forem fortes, vivenciaremos crises cíclicas. Em resumo, para os mais críticos, esse crescimento positivo parcialmente impulsionado pelo setor de mineração beneficiaria principalmente, se não apenas, alguns investidores estrangeiros.

Enquanto aguarda um melhor diálogo entre o Estado e o setor privado, nomeadamente através do Fórum Empresarial da Guiné, criado no final de 2017, Madani Dia, o secretário executivo da plataforma de consulta do setor privado da Guiné, desenha também o alarme.

Deixe o setor privado respirar e dê a oportunidade de criar empregos

“Deixe o setor privado respirar e dê a oportunidade de criar empregos. Hoje, a taxa real de desemprego dos jovens é superior a 80%. Se continuarmos assim, temos direito ao desastre, ele insiste. O governo entendeu e está fazendo esforços, mas devemos ir mais rápido e mais longe, priorizando urgentemente os investimentos intensivos em mão-de-obra, por exemplo, para pavimentar as ruas das cidades, estradas de construção e asfalto, etc. Devemos dar um objetivo e uma renda a todos esses jovens, enquanto esperamos treiná-los e oferecer-lhes outras perspectivas. ”

A cidade no campo

No lado executivo, leva tempo. “Nós colocamos o país de volta aos trilhos”, disse o primeiro-ministro Mamady Youla. Mais de € 1 bilhão já foi investido na melhoria de estradas em Conakry, para atualizar a estrada nacional 1 (Coyah-Mamou Dabola), construir a linha de energia Linsan-Forni proceder à expansão do porto de Conakry … como muitos projetos tangíveis.

Mas o que fazemos para atraí-los para as aldeias? Pensamos em criar moradias rurais?

O governo parece determinado a atender aos outros grandes desafios do Plano Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social 2016-2020 (PNDES). Ele fez esforços para obter a economia da “todo meu” através da diversificação, graças à reafectação de agricultura, muito promissor, eo ressurgimento de indústrias que geram mais renda e divisas (café, cacau, palm óleo e castanha de caju).

 

“Está tudo bem para desenvolver esses canais, mas também devemos interessar aos jovens, nuances Madani Dia. Claro, vendendo lenços ao longo das ruas da capital, não sonha. Então, se lhes dermos oportunidades reais, elas retornarão ao campo. Mas o que fazemos para atraí-los para as aldeias? Pensamos em criar moradias rurais? ”

Tantas questões que poderiam encontrar um eco positivo no ouvido do Presidente Alpha Condé, que sempre quis apostar na abertura, na descentralização e na transformação do potencial das áreas rurais.

“Esta é a prioridade do governo: investir pesadamente no campo”, confirma o ministro da Juventude, Moustapha Naité. Para criar oportunidades econômicas e dar esperança aos jovens, nossa ideia – e já estamos trabalhando no PNDES – é reproduzir os benefícios do ambiente urbano no campo. É por isso que nos concentramos no desenvolvimento de tecnologias, particularmente através dos muitos projetos que empreendemos para desenvolver fibras ópticas em áreas rurais. Também estamos melhorando o transporte. Quando eles sabem que podemos estar bem conectados ao campo e à cidade, em vez de tentar a sorte na Europa, nossos jovens irão para uma aventura em seu próprio país. ”

Na Guiné, a nova geração não pede mais nada. Mas ela não é mais seduzida por belas promessas.

Objetivos e coletivos

Além dos protestos pós-eleitorais, o descontentamento social se intensificou em fevereiro, especialmente na educação , onde a greve paralisou escolas públicas e privadas. A sociedade civil não é deixada de fora.

Diversos coletivos surgiram, como o Third Dynamic 2020, para promover a unidade nacional e encorajar o estado a investir na formação de jovens. Um objetivo semelhante para Wonkhai 2020 , “correr para 2020” em Soussou ,  que apela aos políticos para colocar os jovens no centro dos seus programas e guineenses para superar as divisões. Seu slogan: “unir ou perecer”.

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A paz entre Eritréia e Etiópia é possivel

abiy ahmed

Victor Carvalho

O Parlamento etíope confirmou já a nomeação do jovem e desconhecido Abiy Ahmed como novo primeiro-ministro, na esperança de que ele será capaz de colocar um ponto final nos protestos anti-governamentais que se têm multiplicado no segundo país mais populoso de África.

De origem oromo, novo chefe de Governo é visto como “reformador” que pode ajudar o país
Fotografia: DR

Após a eleição, Abiy foi imediatamente empossado no cargo sucedendo a Hailemariam Desalegn, que esteve em funções desde 2012 e que apresentou a demissão em meados de Fevereiro na sequência de protestos registados em todo o país e que já causaram várias centenas de mortos, sobretudo nas regiões de Oromia e Amhara.
No seu discurso de tomada de posse, o novo primeiro-ministro colocou como prioridade na sua acção a resolução dos problemas que a Etiópia tem com o seu vizinho, Eritreia.
Numa breve alocução, transmitida em directo pela televisão nacional, Abiy Ahmed apelou ao fim de “décadas de mal entendidos” com o seu vizinho.
“Apelo ao Governo da Eritreia para que se sente connosco à mesa para resolvermos as diferenças que nos separam” disse numa alusão aos conflitos fronteiriços entre os dois países, que duram há vários anos e que provocaram já cerca de 70 mil mortes.
Numa resposta imediata a este apelo, o ministro da Informação da vizinha Eritreia, Yemane Gebre Meskel, assegurou que “as relações entre os dois países não podem ser reatadas enquanto a Etiópia ocupar parte do nosso território”.
“Há muito tempo que a bola está do lado da Etiópia”, afirmou este responsável numa alusão a um conflito que dura há 16 anos e que tem a ver com a suposta ocupação de território eritreu por parte das forças etíopes.
“A paz, obviamente, é boa para os dois países, mas tem que ser cimentada no respeito pela lei internacional sublinhou Yemane Gebre Meskel.
O antigo primeiro-ministro, Hailemariam Desaglen, havia acusado a Eritreia de estar por detrás dos protestos anti-governamentais em todo o país como forma de obstar a uma governação inclusiva.mapas

Uma boa reputação

Abiy Ahmed, 42 anos, antigo tenente-coronel do Exército etíope e director-geral do Ministério da Ciência e Tecnologia local, tem a reputação de grande orador e de reformista. Trata-se do terceiro primeiro-ministro da Etiópia desde o fim da Junta Militar, em 1991. Em Fevereiro, a Etiópia declarou pela segunda vez o estado de emergência em dois anos no meio de protestos que levaram ao encerramento do comércio e de outras actividades comerciais e bancárias.
No último fim-de-semana, as autoridades governamentais etíopes indicaram que mais de mil pessoas foram detidas desde que o estado de emergência foi declarado.
Em 2015 e 2016, a Etiópia foi palco das maiores manifestações antigovernamentais dos últimos 25 anos. A repressão dos protestos fez 940 mortos, segundo a comissão etíope de direitos humanos, dependente do Governo.
A calma regressou ao país com a instauração do estado de emergência entre Outubro de 2016 e Agosto de 2017, embora os protestos se tenham repetido ocasionalmente o que levou ao seu prolongamento por mais um ano.
Os protestos têm por base o descontentamento das duas principais etnias do país, oromo (sul e oeste) e amhara (norte), que se consideram sub-representadas no partido que governa o país desde 1991, mas também na partilha de recursos e acesso a direitos e liberdades.
Esta sub-representação pode agora ser atenuada com a chegada ao poder de um “oromo” com reputação de reformista.

4 de Abril de 2002, o fim do pior período da história contemporânea de Angola

 

Luísa Rogério

A assinatura do Memorando de Entendimento Complementar ao Protocolo de Lusaka, a 4 de Abril de 2002, pôs fim ao pior período da História recente de Angola. A data passou a designar-se como o Dia da Paz.

Venâncio de Moura, Boutros Gali e Blondin Beye, durante o processo negocial de Lusaka
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

Com o acto, o Governo angolano e a UNITA fecharam o nefasto ciclo de guerra, que deixou o pesado balanço de vários milhares de mortos. Profundamente dilacerado, o país contava, na altura, cinquenta mil crianças órfãs e cem mil mutilados. Informações disponibilizadas pelo Alto Comissariado das Nações Unidas (ACNUR) indicam que mais de quatro milhões de angolanos tornaram-se deslocados no território nacional, enquanto 600 mil buscaram refúgio no estrangeiro.
Coube aos generais Armando da Cruz Neto, pelas Forças Armadas Angolanas (FAA), e Abreu Muengo “Kamorteiro”, pela UNITA, assinar o Memorando na presença de personalidades da sociedade civil, líderes religiosos e representantes do corpo diplomático. Milhões de angolanos no país e ao redor do mundo acompanharam a solenidade que alterou radicalmente as expectativas da população cansada de guerra. Do início das conversações, pouco depois da morte, em combate, de Jonas Savimbi, a 22 de Fevereiro, ao cessar-fogo, deu-se um curtíssimo passo. A formalização ocorreu a 4 de Abril, mas não houve o registo oficial de combates nesse espaço de tempo.
A vontade política das partes signatárias, que autorizam as chefias dos dois exércitos a conversar sem mediação estrangeira, ao longo de quinze dias, foi determinante para o desfecho positivo.
Luena, a capital do Moxico, albergou as negociações entre militares das FAA e FALA que subscreveram, a 30 de Março, o memorando complementar para a cessação das hostilidades e resolução das questões pendentes nos termos do Protocolo de Lusaka. O acto, realizado a 4 de Abril, no Palácio dos Congressos, encerrou também o período de 27 anos de acordos mal sucedidos entre o MPLA e a UNITA.
O primeiro pacto aconteceu no Algarve, a 15 de Janeiro de 1975, na sequência do reconhecimento, por Portugal, dos líderes dos três movimentos de libertação, MPLA, FNLA e UNITA, como únicos e legítimos representantes do povo angolano. Agostinho Neto, Holden Roberto e Jonas Savimbi assinaram, pelos respectivos partidos, os chamados Acordos de Alvor, na presença de Vasco Martins e Costa Gomes, nesta ordem, Primeiro-Ministro e Presidente de Portugal. O consenso para a versão final dos documentos foi obtido ao fim de seis dias de discussões. Com 60 artigos, o entendimento estabeleceu os mecanismos de partilha do poder até à proclamação da independência de Angola, marcada para 11 de Novembro de 1975.
A eleição de uma assembleia constituinte, a seguir à retirada das tropas portuguesas de Angola, seria um dos pontos altos do processo, que cuminaria com a Independência Nacional. Alvor foi antecedido de inúmeros encontros secretos, iniciados três meses antes, tendo o texto final resultado de uma pré-cimeira, realizada em Mombaça, no Quénia. Os três movimentos definiram as formas de divisão de poderes, a estrutura do Governo de Transição, que funcionaria de modo rotativo, assim como a integridade do território e a data da independência.
Em determinada etapa da concretização dos Acordos de Alvor, o processo descarrilou. A história se encarregará de desmistificar as verdadeiras razões do revés. O facto é que o Acordo de Nakuru, rubricado a 21 de Junho de 1975, na localidade que lhe deu o nome, no Quénia, visou resgatar o espírito de Alvor.
As conversações resultaram na concordância, pelos três movimentos, de uma trégua que só vigorou até 9 de Julho. Os políticos voltaram a desentender-se. Dessa vez, sem margem para retorno à mesa de negociações.
Agostinho Neto proclamou a Independência de Angola na data prevista. Fê-lo sozinho, em nome do MPLA, sob o troar de canhões a escassos quilómetros de Luanda.
O conflito agravou-se, a ponto de ter sido considerado um dos mais violentos do mundo. A UNITA, à qual se atribuía um protagonismo menor na arena militar, montou o seu quartel-general na Jamba (Kuando Ku-bango). Armou-se e fez alianças decisivas.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/longo_caminho_ate_a_paz

UNAVEM: O longo caminho da paz em Angola

bicese

Luísa Rogério

Em Dezembro de 1988, as Nações Unidas constituíram a primeira Missão de Verificação em Angola, denominada UNAVEM I. Tinha a finalidade de supervisionar a retirada das tropas cubanas de Angola, ao abrigo da resolução 435 da ONU, referente à descolonização da Namíbia.

Bicesse foi um dos palcos
Fotografia: Francisco Bernardo | Edições Novembro

O mandato vigorou até Maio de 1991, altura em que o Governo e a UNITA assinaram, em Portugal, os Acordos de Bicesse. Após longos meses de contactos directos, entre delegações de alto nível por si mandatadas, o Presidente da República e o líder da UNITA assinaram um acordo, pela segunda vez.

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Conduzidos sob mediação portuguesa, os Acordos de Bicesse criaram a célebre Comissão Conjunta Político Militar (CCPM) e fixaram, para Setembro de 1992, as primeiras eleições multipartidárias em Angola. As Nações Unidas, por intermédio da UNAVEM II, foram encarregues de conduzir e supervisionar o processo, incluindo a monitorização do cessar-fogo. A britânica Margareth Anstee foi nomeada representante do SecretárioGeral da ONU em Angola. Com garantia de condições de segurança, altos dirigentes da UNITA escalaram Luanda e outras cidades controladas pelo Governo, a partir de Junho de 1991. Em Setembro do mesmo ano, Jonas Savimbi desembarca na capital. bicese5
As eleições foram realizadas quando faltava completar a desmobilização militar e a formação do exército único se encontrava na fase embrionária. Foi nessa conjuntura que a UNITA perdeu as eleições, consideradas, genericamente, justas e regulares, pelas Nações Unidas e troika de observadores, integrada por Portugal, Rússia e Estados Unidos da América. O partido de Jonas Savimbi rejeitou o resultado das eleições e trocou Luanda pelo Huambo. Estava instalada a crise pós-eleitoral. Du-rante três dias, fortes refregas sacudiram Luanda. Morreram dirigentes históricos do partido do “Galo Negro”. Todas as tentativas de reaproximação fracassaram. O país voltou a ser abalado pela guerra.acordos-de-bicesse_jaimagens

Presidente de Moçambique discute desarmamento com a oposição

Nyusi e Dhlakama discutem desarmamento da Renamo

Nyusi e Dhlakama discutem desarmamento da Renamo

O Presidente da República, Filipe Nyusi, manteve um encontro, esta segunda-feira, com o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, no qual discutiram sobre assuntos militares, concretamente, o Desarmamento, Desmobilização e Reintegração dos homens da Renamo nas Forças de Defesa de Moçambique.

O encontro teve lugar em Namadjiwa, no posto administrativo de Vunduzi, no distrito de Gorongosa, em Sofala.
O Chefe do Estado partilhou a informação através da sua conta do Facebook, tendo igualmente referido que “continuamos comprometidos em trazer a Paz efectiva e duradoura e criar as bases para um Moçambique próspero e seguro para todos”.

Já em comunicado de imprensa imitido à nossa redacção, o Presidente da República referiu que os dois líderes clarificaram os passos a dar no processo de enquadramento dos oficiais da Renamo, medida que permitirá, segundo o Estadista, pôr fim às hostilidades militares e abrir uma nova era para uma Paz efectiva e duradoura.

Referiu também que as conclusões detalhadas dos progressos alcançados serão divulgadas em momento oportuno.

 

 

fonte:http://opais.sapo.mz/nyusi-e-dhlakama-discutem-desarmamento-da-renamo

13 países reúnem-se para discutir a situação na Rep. Democrática do Congo

 

mapa-congo.jpgA situação política na República Democrática do Congo e a questão dos refugiados congoleses que se encontram no Leste de Angola são debatidas a partir de hoje, em Kinshasa, pelo grupo de acompanhamento do Acordo-Quadro para a paz e estabilidade naquele país.

Georges Chikoti,

O ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, disse que o grupo de acompanhamento composto pelos treze países membros da Conferência sobre a Região dos Grandes Lagos, a SADC e a União Africana, vai reunir-se para avaliar a situação, em função do novo Governo criado há duas semanas.
Durante três dias, a equipe de trabalho vai avaliar a aplicação da agenda para a realização de eleições até finais de 2017, analisar o cumprimento do Acordo-quadro e compreender melhor a situação dos congoleses refugiados em Angola, em consequência da atual crise política e militar que assola aquele país.
O Acordo quadro para a paz, estabilidade e cooperação na República Democrática do Congo, assinado em Fevereiro de 2013, em Addis Abeba, Etiópia, é o mecanismo adequado para a resolução pacífica da crise e do conflito no Leste da República Democrática do Congo, salvaguardando a sua soberania e integridade territorial, como condição indispensável para o seu desenvolvimento econômico e social.

joseph kabila
O Presidente da República Democrática do Congo, Joseph Kabila, nomeou, no dia 9 de Maio, o novo Governo chefiado pelo Primeiro-Ministro, Bruno Tshibala. O Executivo disponibilizou já mais de três milhões de dólares para apoiar os mais de 30 mil refugiados provenientes da República Democrática do Congo instalados junto da fronteira da província da Lunda Norte. O Executivo prevê despender mais de 500 milhões de kwanzas em alimentos, medicamentos e tendas para abrigo.
O Governo angolano fez, recentemente, um apelo ao Governo da República Democrática do Congo e às forças políticas daquele país para que “cessem imediatamente a violência”, os atos de extremismo e de intolerância política, que têm causado a fuga de milhares de cidadãos congoleses para Angola.
O Governo da República de Angola afirmou que tem acompanhado com atenção e bastante preocupação a situação vigente na República Democrática do Congo, marcada por “actos de violência de extrema gravidade que aí ocorrem e que devem merecer o repúdio de toda a Comunidade Internacional”. Angola e RDC mantêm uma extensa fronteira e a situação tem provocado a entrada massiva de refugiados em território angolano, exigindo do Governo um esforço suplementar em termos financeiros, logísticos, de segurança e ordem pública, de forma a acudir as necessidades humanitárias mais prementes dos mesmos, cujo número não pára de aumentar.
“O Governo faz um veemente apelo ao Governo da República Democrática do Congo e a todas as forças políticas desse país, para que cessem imediatamente a violência e a prática de actos de extremismo e de intolerância política, enveredando pela via do diálogo sério e construtivo, que propicie o retorno da paz e estabilidade ao país.”
O Governo também chama a atenção da Conferência Internacional sobre a Região dos Grandes Lagos, da Comunidade de Desenvolvimento dos Estados da África Austral (SADC), da Comunidade de Desenvolvimento da África Central, da União Africana e da Organização das Nações Unidas  para a “necessidade de se encetarem ações políticas, diplomáticas e outras que se mostrarem necessárias e adequadas, susceptíveis de concorrer para uma solução a breve trecho do grave problema em curso na República Democrática do Congo”.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/avaliada_a_crise_na_rdc

União Européia acompanha com otimismo as negociações de paz em Moçambique

Maputo – A chefe da diplomacia da União Europeia (UE), Federica Mogherini, saudou o avanço nas negociações em Moçambique, sublinhando a determinação do Governo e oposição a trabalhar para a paz e a reconciliação.

FEDERICA MOGHERINI – ALTA REPRESENTANTE DA POLÍTICA EXTERNA DA UNIÃO EUROPEIA

FOTO: JOHN THIS

Em comunicado divulgado em Bruxelas, retomado quarta-feira pela AIM, Mogherini salientou que “os desenvolvimentos  são bem-vindos, uma vez que sublinham a determinação de ambas as partes para  afastar as diferenças e trabalhar para a paz e a reconciliação”.

O Presidente da República, Filipe Nyusi, e o líder do principal partido da oposição  (Renamo), Afonso Dhlakama, anunciaram o início de uma nova fase nas negociações, tendo decidido criar um grupo internacional de apoio ao processo de paz em Moçambique, disse a Alta Representante para a Política Externa da UE.

Para Federica Mogherini, as negociações directas entre as duas partes podem agora  focar-se na construção de uma solução sustentada no progresso atingido sob mediação  internacional.

Com efeito, o Presidente da República, Filipe Nyusi, criou um Grupo de Contacto constituído por vários parceiros de cooperação convidados a apoiar o desenvolvimento de  uma paz sustentável em Moçambique.

Um comunicado de imprensa da Presidência da República enviado terça-feira à AIM  explica que a criação do grupo surge “no âmbito do processo de diálogo para o alcance

de uma paz efectiva e duradoura e na sequência das consultas e entendimentos entre o presidente moçambicano Filipe Nyusi e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama.

O documento refere que o grupo vai prestar assistência financeira e técnica coordenada,  bem como realizar outras tarefas indicadas nos seus Termos de Referência.

Integram o Grupo de Contacto sete personalidades, incluindo o embaixadores da Federação Suíça (Presidente do Grupo), o dos Estados Unidos da América (Co-Presidente), o da República Popular da China, o chefe da missão diplomática  do Reino da Noruega, e os Altos-Comissários da República do Botswana, a do Reino Unido  da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte e o chefe da missão da União Europeia em Moçambique.

Este Grupo de Trabalho, cujas actividades terão início ainda esta semana, juntar-se-á às  Comissões de Trabalho constituídas por entidades nacionais já designadas pelo  Presidente da República e pelo líder da Renamo que juntos prosseguirão em busca da paz efectiva e definitiva, tendo como mandato debruçar-se sobre questões militares e  de descentralização.

No dia 03 de Janeiro de 2017, Afonso Dhlakama, líder da Renamo, o maior partido da  oposição em Moçambique, confirmou a prorrogação por mais 60 dias o período de  tréguas acordado com o Presidente Nyusi nos contactos telefónicos mantidos  entre as partes, na busca de uma paz efectiva.