Cabo Verde fica a 4 horas do Brasil: uma janela de oportunidades

Mapa de cabo verde

Apenas quatro horas de voo separam o país-arquipélago de Cabo Verde, que fica na costa ocidental da África, do Nordeste do Brasil  Há  voos para Fortaleza, Recife e, nos próximos meses,  inaugurará a rota  para Salvador. Uma nova frequência também está programada para operar no Recife, aumentando de dois para três o número de voos semanais”, destacou o CEO da Cabo Verde Airlines, Mário Chaves, durante encontro com imprensa e agentes de viagem pernambucanos que foram conhecer as potencialidades do destino.

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A companhia aérea está em processo de privatização que deve ser finalizado ainda em 2018, passando a contar com a gestão da islandesa Loftleidir Icelandic. O reflexo já pode ser visto na renovação da frota de aeronaves e no posicionamento da companhia. Uma das primeiras iniciativas da nova administração foi mudar de aeroporto. Antes conhecida como TACV Airlines, a empresa voava para a cidade de Praia, capital do País. A mudança para o Sal não foi apenas uma questão focada no turismo, embora isso faça parte de uma importante estratégia para incrementar uma das principais vocações da economia local. O terminal de passageiros do Sal oferece melhor estrutura operacional para funcionar como hub intercontinental da empresa.

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O turismo hoje representa 23% do PIB do país, estimulado sobretudo pelos ingleses e alemães, que são os principais “consumidores” dos atrativos da ilha: mar de águas cristalinas, sol o ano inteiro e resorts all inclusive de altíssimo padrão. Para nós, brasileiros, ainda há a vantagem de se falar português e a gentileza do cabo-verdiano – conhecida como morabeza. Desvantagem talvez seja o câmbio. Como 95% do turismo é advindo da Europa, o euro é a moeda corrente. Nem pense em levar dólar, que poucos lugares aceitam. Para este ano, a previsão é de que 800 mil turistas internacionais passem por Cabo Verde.

cabo verde e brasil

Com a chegada dos visitantes, a geografia do Sal também vai tomando novos contornos. Há pouco mais de um ano, a capital “turística” de Cabo Verde vive um boom imobiliário. O que se vê é uma cidade em constante reforma. Sobretudo da rede hoteleira, que está em franca expansão, ampliando quartos e erguendo quatro novos hotéis, numa soma que vai elevar em três mil o número de leitos disponíveis. Hoje, a capacidade hoteleira está no limite, ultrapassando 90% de ocupação na alta estação (inverno europeu).

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A chegada dos novos leitos, a reforma dos aeroportos (três dos quatro terminais internacionais do país foram reformados em menos de um ano), e o novo posicionamento da companhia aérea faz com que o Brasil, mais especificamente o Nordeste, esteja na mira do destino. “O passageiro da Cabo Verde Airlines pode sair do Recife, passar até sete dias no País sem custo adicional no bilhete, e seguir viagem para Lisboa, Milão e Paris”, explicou Mário Chaves. “Vamos iniciar uma operação em Salvador e outras cidades do Brasil estão em nossos planos futuros”, disse o executivo português, que atuou como piloto da TAP por 17 anos. As tarifas também são um diferencial. É possível viajar a Cabo Verde a partir de 400 dólares. Se o destino for Lisboa, Paris ou Milão, o bilhete sai a partir de 600 dólares. A companhia opera com Boeing B757 com 160 lugares em econômica e 22 lugares Comfort Class.

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Em relação a novas conexões que liguem o Brasil à Europa, a partir de Cabo Verde, Chaves revelou que existem mais seis destinos que estão sendo estudados para aumentar a capilaridade da companhia. “Teremos um ou dois destinos a serem incrementados já a partir de 2019”.

Brasil / Cabo Verde

Brasil / Cabo Verde

O programa stopover é uma ótima oportunidade para o turista brasileiro que tem como destino a Europa de conhecer a Ilha do Sal e estender o passeio para as demais ilhas de Cabo Verde. Muito por causa dos atrativos – praias de águas cristalinas, temperatura amena e diversidade cultural e geográfica – o turismo tem grande potencial de crescimento.

Neste ano, Cabo Verde inaugurou o seu primeiro cassino – o Cassino Royal, na Ilha do Sal – e outros três estão previstos, nas ilhas da Boa Vista, Maio e Santiago. “Esse tipo de operação atrai turistas de alto poder aquisitivo. Tanto que, entre 2019 e 2020 está prevista a inauguração do maior cassino de Cabo Verde, que ficará em Praia (a capital), com investimento de 250 milhões de dólares”, comenta o cônsul de Cabo Verde em Pernambuco, Ricardo Galdino. O empreendimento ficará em um antigo presídio, que será transformado em um hotel de luxo, erguido por investidores de Macau, na China.

A área de Tecnologia da Informação também está em franca expansão, com PIB em torno dos 15%. Por lá, o Núcleo Operacional da Sociedade de Informação (NOSI) já exporta tecnologia para a Comunidade dos Países da África Oeste. “Fico muito orgulhoso com a intercessão que Cabo Verde tem com o CESAR, em Pernambuco, e percebo que empresas do Porto Digital começam a se aproximar”, destaca Galdino.

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Para o cônsul, há muitas oportunidades de aproximação entre Brasil e África. “Os países europeus já fazem isso há muito tempo”, comenta. O consulado, inclusive, está em articulação com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) para, em julho, realizar um road show para apresentar o destino e possibilitar a descoberta de novas oportunidades de negócios.

Cabo Verde trabalha com plataforma de reexportação, que permite que qualquer produto manufaturado ou beneficiado em até 30% no país tenha isenção de impostos nos países destino: Estados Unidos, Canadá, toda União Europeia e África Oeste. Seis mil itens entre calçados, confecção e pesacados fazem parte dessa plataforma, que hoje corrresponde a entre 15% a 18 % do comércio local

http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/economia/pernambuco/noticia/2018/04/15/cabo-verde-airlines-mira-clientes-do-nordeste-brasileiro-335327.php

Cabo Verde Airlines anuncia voos do Recife para Paris e Milão com escala

A companhia também vai reforçar voos para Lisboa a partir do dia 1º de fevereiroPassageiros do Recife poderão embarcar para Paris  / Foto: Pixabay

Passageiros do Recife poderão embarcar para Paris

A Cabo Verde Airlines vai operar novos voos do Recife para Paris e Milão a partir de março, com escala na Ilha do Sal, em Cabo Verde. Viagens para Lisboa também serão reforçadas a partir de 1º de fevereiro.Passageiros do Recife vão poder voar duas vezes por semana para Lisboa às quintas-feiras e sábados, a partir de meados de março com uma terceira frequência às terças feiras no final desse mês.

 

Já para Paris e Milão-Malpensa os passageiros poderão voar às quintas-feiras a partir de março. Os voos serão operados com Boeing B757 com 160 lugares em econômica e 22 lugares Comfort Class.

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MUDANÇA

A companhia anuncia ainda a mudança da base de operação da capital Praia, para a ilha do Sal, cujo aeroporto oferece melhores infraestruturas operacionais.tacv-6-2015-domestic-route-map

“Já estamos no Brasil há mais de 10 anos e é definitivamente um dos nossos mercados estratégicos. Olhamos para estes voos como uma porta aberta entre a Europa e o Brasil tendo Cabo Verde como elo de ligação. Queremos que as pessoas escolham a nossa companhia para onde quer que viagem,” afirma Mário Chaves, CEO da TACV.

Brasileiro é um dos povos que mais faz turismo na África do Sul

downloadBrasil se apresenta  como uma das potencias na emissão de turistas para a África do Sul. O aumento médio foi de 105% no número de viajantes ao destino, de janeiro a setembro de 2017, fez com que o País ultrapassasse o Canadá e assumisse a 9ª colocação no ranking mundial da South African Tourism (SAT). Ao todo, 48 mil brasileiros viajaram à África do Sul durante o período analisado.

Reino Unido (318,4 mil),  EUA (281,1 mil), ,Alemanha (224,8 mil), França (134,2 mil), Holanda  (110,9 mil), Austrália (87,1 mil), Índia (74,1 mil), China (73,8 mil), Brasil (48,2 mil) e Canadá (46,8 mil).pais_Africa-do-Sul-1478803800-1

Atualmente, a África do Sul conta com 12 voos semanais a partir de São Paulo, sendo sete da excelente South African Airways, e cinco da Latam (dois deles incluídos no último mês de novembro para suprir a alta demanda de final de ano).

Em período de crise, no qual muitos destinos registram queda no número de turistas brasileiros, é importante observar algumas das razões que levam a um crescimento tão sólido.vista-aerea-costa-cidade-do-cabo-africa-do-sul

“A África do Sul é um país que nasceu para o turismo, tendo tudo que um destino precisa para ser um dos preferidos entre os viajantes. Além disso, sempre teve um custo benefício excelente, de modo que o preço elevado das passagens aéreas era a única coisa que impedia o país de explodir como destino para os brasileiros”, diz Tati Isler, representante do South African Tourism no Brasil.

Com a entrada da Latam na rota, os voos ficaram em média 20% mais baratos, o que ajuda a explicar o crescimento

Cabo Verde teve mais de 512 mil turistas até setembro de 2017

cidade da Praia1Cabo Verde recebeu, nos primeiros nove meses deste ano, mais de 512 mil turistas, totalizando 3,3 milhões de dormidas, o que se traduz num aumento de 11,0% no número de hóspedes relativamente ao mesmo período de 2016.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INECV), divulgados hoje, no período de janeiro a setembro de 2017, os estabelecimentos hoteleiros registaram 512.297 hóspedes e mais de 3,3 milhões de dormidas.

Estes movimentos traduzem acréscimos de 11,0% e 12,1%, respetivamente, em relação ao mesmo período do ano anterior, quando tinham sido registados 461.635 hóspedes e mais 2,9 milhões de dormidas.são vicente

No terceiro trimestre de 2017, o número de hóspedes no país aumentou 18,1%, face ao trimestre homólogo, enquanto no mesmo período, as dormidas cresceram 17,1%.

Em termos absolutos, durante este período, entraram no país mais de 163 mil hóspedes que originaram mais de 1,1 milhões de dormidas, um crescimento de 25.060 turistas e mais 163.528 dormidas, comparativamente com o trimestre homólogo.

O principal mercado emissor de turistas, neste trimestre, continua a ser o Reino Unido com 20,5% do total das entradas, a seguir vem Portugal (15,4%), Alemanha (9,5%), cabo-verdianos residentes (8,4%) e turistas provenientes da Holanda (8,3%).

Relativamente às dormidas, o Reino Unido também permanece no primeiro lugar com 31,8% do total, seguindo-se Portugal (12,9%), Alemanha (11,3%) e Países Baixos (9,2%).

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A maioria dos turistas provenientes do Reino Unido preferiu como destinos as ilhas do Sal e da Boavista, representando respetivamente 53,5% e 46,25% das dormidas e escolheram como local de acolhimento os hotéis 99,8%.

As dormidas dos residentes em Portugal distribuíram-se principalmente pelas ilhas do Sal (47,2%), da Boavista (41,0%) e Santiago (7,4%).IMG_4032

Os hotéis foram os tipos dos estabelecimentos mais procurados pelos mais de 25 mil portugueses que visitaram Cabo Verde durante este trimestre.

Ainda segundo os dados do INECV, os visitantes provenientes do Reino Unido foram os que tiveram maior permanência média em Cabo Verde (9,5 noites).

Durante o terceiro trimestre de 2017, em média, a taxa de ocupação-cama foi de 56%, contra os 55% registados no trimestre homólogo.

As ilhas da Boavista e do Sal tiveram as maiores taxas de ocupação – cama com 85% e 64%, respetivamente.

Os hotéis foram os estabelecimentos hoteleiros com maior taxa de ocupação – cama, 68%, seguindo-se os aldeamentos turísticos (31%) e as residenciais, com 19%.

https://www.rtp.pt/noticias/economia/cabo-verde-com-mais-11-de-turistas-nos-primeiros-nove-meses-do-ano_n1040425

CPLP: Reunião dos ministros do Turismo reitera compromissos dos Estados membros com a agenda 2030

A IX Reunião dos Ministros do Turismo da CPLP, que decorreu recentemente no Brasil, reiterou o compromisso dos Estados membros da CPLP com a Agenda 2030 e implementação dos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável ( ODS), em particular com os números 8, 12 e 14.

CPLP: Reunião dos ministros do Turismo reitera compromissos dos Estados membros com a agenda 2030

A cimeira decidiu partilhar e implementar políticas públicas e boas práticas de participação social, transparência e integridade que promovam o turismo sustentável, criem trabalho digno e incentivem a cultura e os produtos locais.

A instituição lusófona quer também estimular a promoção de investimentos no turismo sustentável, incluindo o ecoturismo e o turismo cultural, bem como promover o desenvolvimento, a aplicação e o uso de novas tecnologias de informação e comunicação no setor de turismo.

O encontro deliberou também incentivar um ambiente favorável à criação de pequenas e médias empresas, facilitando o acesso ao financiamento por meio de iniciativas de microcrédito para população mais pobre e as comunidades locais em áreas com alto potencial de ecoturismo.

A reunião de Brasil decidiu, por outro lado, promover o intercâmbio de ações e o diálogo articulado e estruturado com as Reuniões Ministeriais Setoriais da CPLP cujas agendas contribuam para a implementação das resoluções desta Reunião Ministerial.

Diante dos desafios referidos, a CPLP vai envidar esforços para aprovar o seu Plano Estratégico de Cooperação em Turismo, que será levado a ratificação da XXII Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da CPLP, a realizar-se em Brasília, a 20 de julho de 2017. Isto sem contar com a proposta no sentido de aprovar o Plano de Ação da Reunião de Ministros do Turismo da CPLP para o biênio 2017-2019.

http://www.asemana.publ.cv/?CPLP-Reuniao-dos-ministros-do-Turismo-reitera-compromissos-dos-Estados-membros

Cabo Verde uma “morabeza”, de um povo

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“Nabucodonosor!
Nabucodonosor!

Onde estão a tua espada
e a tua raiva
nas brumas suculentas de Santiago?

Os templos caíram em ruínas
desde quando a eternidade
ruía defronte dos galeões
e desfazia-se nos basaltos das ribeiras

As cidades de tão velhas
metamorfosearam-se em aldeias
e cobriam as faces da amnésia

Os campos continuam perscrutantes
e oferecem olhares melancólicos às urbes
do nosso querer

Os homens esses encontram-se presos
em plena cidade
pelas âncoras do vento

Nabucodonosor!
Nabucodonosor!”

(«Mitologia Crioula», do poeta cabo-verdiano José Luiz Hopffer Almada).

 

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Cabo Verde, um país com manto esverdeado sobretudo quando as chuvas intermediadas com o sol lhe ativam essa cor tão significativa: verde de esperança, verde de prosperidade. Verde de um povo e de uma terra que tem tudo para poder esperar e prosperar, e que tem mormente em si aquela expressão única e típica crioula: a «morabeza»! E que se traduz, precisamente, na gentileza e no bom trato tão peculiares das suas gentes (conforme ilustram as dezenas de rostos que fotografamos e que se exibem na principal imagem-composição de abertura). Esta reportagem, realizada in loco, não abrange as 10 ilhas vulcânicas do arquipélago, focando-se contudo e somente na ilha de Santiago, a sudeste (compondo com outras três sulistas as ilhas de Sotavento). Não é, certamente, das mais turísticas como a da Boa Vista ou a do Sal (a norte, como ilhas de Barlavento), mas – inevitavelmente – é a maior, com o principal aglomerado populacional e acaba por ser a mais importante cultural e institucionalmente, ao ser o berço da cabo-verdianidade e, portanto, ao ter em si a capital e outras maravilhas mais que aqui vamos salientar e revelar pelas respetivas fotografias.

Santiago tem, atualmente, cerca de 260 mil habitantes (metade da população que vive em todo arquipélago, à exceção da ilha de Santa Luzia, a única não habitada), dos quais aproximadamente 120 mil residem na cidade da Praia (preenchem o “top3” das cidades cabo-verdianas mais populosas as localidades de Mindelo, em São Vicente, e de Santa Maria, no Sal).B-No-texto-depois-do-leed-e-antes-do-primeiro-subtítulo-1-300x300

Adentrar Santiago – e nas suas baías e enseadas e densas montanhas escarpadas – é reavivar a História, é encontrar as memórias de outros tempos, no silêncio e nas ruínas da Cidade Velha, antiga Ribeira Grande, primeira cidade/colónia portuguesa (aquando do descobrimento da ilha/arquipélago, em 1460) e primeira capital cabo-verdiana (antes da cidade de Praia e de quem dista 10km). E essa Cidade Velha – sempre monumental com as ruínas da catedral, a fortaleza real de São Filipe, o pelourinho e o convento de São Francisco – revela ainda hoje a sua ascendência europeia, enquanto as populações que habitam nas montanhas, cujos antepassados foram escravos que fugiram à repressão, denotam comportamentos culturais tipicamente africanos. “A vulnerabilidade da sua orla costeira, exposta a constantes ataques de piratas e corsários, determinou o seu declínio e transferência, em 1770, da capital e sede do governo do arquipélago para a cidade da Praia”, assim reza o historial do país, com o seu vasto legado.

Explorar Santiago é mergulhar na mais africana de todas as ilhas da nação, é deslumbrar a nitidez dos contrastes patentes numa infinidade de verdejantes montes e vales e latentes nos percursos e trilhos de pedras e rochas vulcânicas, por vezes desconhecidos, ainda por calcorrear. E desbravar Santiago é poder deleitar no seu estilo e no jeito das suas gentes, é visitar os seus mercados – como o popular de Sucupira, no Plateau (centro da capital), recheado de produtos, nomeadamente agrícolas, oriundos das hortas do interior da ilha – ou a feira de Sucupira, extraordinariamente africana e onde se encontra um pouco de tudo. Ambas são um retrato antropológico e fiel do local. Andar por Santiago é também passar por bancas e banquinhas ao longo das estradas e dos jardins, recheadas de artesanato local, de ‘snacks’ e de doces/bolos tradicionais; é cheirar a terra, o enxofre, na terra acastanhada do calor de África; é observar o milhafre, o falcão, a garça, o pardal (ora de Algodoeiro ora da Barbaria) e, claro está, a linda Passarinha de pena azul (= ‘Halcyon leucocephala’, de 22cm), esse belíssimo pássaro típico cabo-verdiano de bonita coloração e com grande bico laranja, que encontrávamos sempre nas mesmas árvores – ora na palmeiras do hotel ora naquele arbusto daquela rua – com o seu estridente canto característico, e sempre às mesmas horas, como que marcando um encontro diário, num desejo de ser encontrado (só existe nas ilhas de Santiago, Fogo e Brava).

Entrar em Santiago, que não somente no fulgor da capital, é penetrar no seu interior místico, é entrar no colorido mercado da Assomada (um importante ponto comercial, numa mistura entre campo e cidade); é chegar ao Pico d’ Antónia, o ponto mais elevado da ilha; é apreciar as raízes do país, as marcas do povoamento e os seus traços mistos tanto de ruralidade como de urbanidade, numa fusão de paisagens estonteantes; é escutar o canto das cigarras e balançar o corpo e a alma pelos ritmos frenéticos do batuque (tantas carrinhas de ‘caixa aberta’ circulam nas ruas com colunas e aparelhagens, ecoando alto os sons africanos, para todos ouvirem); é, com naturalidade, buzinar muito uns para os outros: não para reprovar qualquer incorrecção da sua condução, mas para os saudar com alegria e, ao mesmo tempo, para acenar com empatia; é reparar na candura de tantas crianças que brincam com pneus e com carrinhos feitos de latas de atum mais arame; é passear por todos os seus municípios, que não apenas o da Praia: desde a Ribeira Grande de Santiago, Santa Cruz, São Domingos, São Lourenço dos Órgãos, São Miguel, São Salvador do Mundo até ao Tarrafal. E por falar nesta localidade, bem a norte…

Gostar de Santiago é, igualmente, deitar nas suas bonitas praias (e sem toalhas, para os cabo-verdianos em geral), encimadas pelo Tarrafal – uma das mais paradisíacas de todo o arquipélago, envolta numa baía rodeada de coqueiros e onde se pode beber diretamente do coco natural (uma atração local) –, em que os areais de Gamboa, Mulher Branca, Prainha e Quebra-Canela completam o cenário. Ainda no Tarrafal, de abordar que esse concelho alberga, também, um ex-campo de concentração, hoje transformado em museu. Criada pelo Governo Português em 1936, a Colónia Penal do Tarrafal, também conhecida como “Campo do Tarrafal”, foi durante anos local de atrocidades e atentados aos direitos humanos, até ser encerrado em 1954. Por fim, vislumbrar Santiago é também mencionar a sua flora, é admirar, portanto, espécies como o marmulano, o dragoeiro, o tortolho, a língua de vaca, o lantisco, a losna, a acácia, a tamareira cabo-verdiana, o tamarindo, o zimbrão, a calabaceira, o bombardeiro, o poilão, o barnelo, o espinho branco e a figueira-brava.

Porventura, alguém estranhará como abordar Santiago não é registar, também, as suas grandes tartarugas e a sua reserva natural cabo-verdiana. E por duas razões muito simples: primeira, apenas se vê a desovação das tartarugas nas ilhas orientais do arquipélago (Sal, Boa Vista e Maio), cuja concentração é maior, por se encontrarem na rota das migrações dos tunídeos (são muitos em determinados meses do ano); e, segunda, porque a caça da tartaruga em Cabo Verde é proibida.

CELEBRAÇÃO DAS FESTAS REGIONAIS EM SANTIAGO
Se esta sugestão de (re)visita ao país de Amílcar Cabral (pai da independência cabo-verdiana como colónia portuguesa, em 1975) – das cantoras Cesária Évora, Sara Tavares, Mayra Andrade e Lura, de Tito Paris (entretanto condecorado), e de tantos poetas –se já for tardia para esta Páscoa, há sempre a oportunidade de encaixar esta viagem em qualquer ocasião. No
entanto, recomendamos uma ida até ao final de maio, dado ser o mês com maior registo de festas regionais na ilha de Santiago, das que realizam ao longo do ano. A saber, cronologicamente, e contando ainda com este mês de abril: 23 de abril, festa do dia de S. Jorge, em São Jorge dos Órgãos; 30 de abril (normalmente são 15 dias depois da Páscoa, logo este ano calha nesse domingo), festa de São Salvador do Mundo, nos Picos; 1 de maio, festa do dia de S. José (feriado), na Serra Malagueta; 3 de maio, festa de Nha Bela Cruz, em Santa Cruz; 8 de maio, festa de S. Miguel Arcanjo, na Ribeira de S. Miguel; 13 de maio, festa do dia de N.ª Sr.ª de Fátima, em Assomada; 19 de maio, festa do dia do município da Praia (feriado só na capital), com o habitual Festival da Gamboa ao longo de três dias e sendo uma marca por excelência dos eventos culturais da capital (conta com a participação de artistas nacionais e estrangeiros); e 31 de maio, festa do dia da Imaculada Conceição, na Ribeira da Barca. Tudo bons motivos a fim de se festejar e respirar Cabo Verde e a sua linda «morabeza»!

http://www.porto24.pt/praca/cabo-verde-morabeza-um-povo-suas-terras-2/

São Tomé e Príncipe, não podemos deixar de visitar

Com roças e praias sem fim, cheiro a café e sabor a cacau, as ilhas de São Tomé e Príncipe guardam vários encantos. Do mar de peixe maravilhoso às florestas densas, nove sugestões a não perder.

Ilhas lindas, de roças e praias sem fim. Com cheiro a café e sabor a cacau, mar de peixe maravilhoso e florestas densas de verdes únicos. São Tomé e Príncipe de criançada a correr, de gargalhada fácil, de povo simples de sorriso inteiro. Ilhas de banana e fruta-pão, de coqueirais e de história nossa, o cenário perfeito para uns dias entre mergulhos e passeios. Aqui fica o roteiro do que não pode mesmo perder nas duas ilhas.

São Tomé

Uma praia

A Praia Inhame, no Sul de São Tomé, mesmo em frente ao lhéu das Rolas, é uma das praias bonitas da ilha. Tem um lodge, um restaurante com bom peixe e um projeto de preservação das tartarugas marinhas. Nesta praia pode também alugar um barco para ir até às Rolas, a travessia demora cerca de 15 minutos.

Um lodge

O Mucumbli fica na Ponta Figo, na costa Oeste, e é um dos melhores alojamentos da ilha. Tem uma dúzia de cabaninhas no topo de uma falésia, todas com uma vista única, e ainda uma praia semi-privada e um restaurante de comida biológica. Reservas através de: mucumbli@gmail.com. Quarto duplo a partir de 75 euros.

Um restaurante

Na Roça São João dos Angolares tem oportunidade de provar as melhores iguarias de São Tomé e Príncipe recriadas pelas mãos do chefe João Carlos Silva. Cada almoço de degustação conta com meia dúzia de entradas, um prato e uma sobremesa e custa 25 euros por pessoa. O repasto é único e a vista da roça também. Reservas obrigatórias através da página de Facebook.

Um dia bem passado

Procure o Club Santana, um resort 15 quilómetros a Sul da cidade de São Tomé. Não é preciso ficar hospedado para poder passar lá o dia. Quem não for hóspede pode pagar um bilhete de entrada e usufruir da praia, da piscina e do restaurante à beira-mar. É o sítio ideal para passar um dia entre o mar e a espreguiçadeira. O preço do bilhete — 10 euros por pessoa — pode ser descontado em consumos no restaurante ou no bar.

Um sítio para beber um copo

O Mira D’ouro, a cerca de cinco minutos de carro de Santana, na costa Este de São Tomé, é o sítio ideal para beber um copo ou comer um petisco com a vista perfeita sobre o mar. Peça uma Rosema bem gelada e um prato de amendoins torrados e delicie-se. Se já forem horas de almoço, o polvo assado é uma das especialidades da casa.

Uma roça

Há muitas roças em São Tomé, mas a Roça da Boa Entrada é das que têm melhor energia. Talvez por ainda conservar lá dentro uma escola e não faltarem crianças a correr ao encontro de quem chega. Resista à tentação de distribuir doces. Se quiser dar alguma coisa, dê roupa ou material escolar a uma instituição local que depois fará a distribuição dos bens da melhor forma.

Ilha do Príncipe

Uma praia

A Praia Banana é considerada a mais bonita da ilha e é fácil perceber porquê. Cá em cima, do alto da Roça Belo Monte, a vista sobre o mar turquesa e a vegetação é soberba. Lá em baixo, o areal branco e as águas transparentes confirmam o cenário.

Um hotel

O Belo Monte Hotel, uma antiga roça restaurada e convertida num hotel de charme. Um espaço lindo que nos transporta para outro tempo, onde os quartos são soberbos e o atendimento de uma simpatia única. Quarto duplo a partir de 260 euros com pequeno almoço e jantar incluídos.

Uma roça

A Roça do Terreiro Velho é a única da ilha onde existe produção de cacau. É daqui que vêm os fantásticos chocolates Claudio Corallo e que se tem — não nos cansamos de escrevê-lo — a vista mais bonita da ilha.

Como ir

A STP Airways voa de Lisboa para São Tomé com tarifas a partir dos 489 euros. A mesma companhia voa de São Tomé para o Príncipe. O voo dura 30 minutos e custa cerca de 150 euros (ida e volta).

http://observador.pt/2017/04/16/guia-do-que-nao-perder-em-sao-tome-e-principe/

Turquia está interessado na mineração, transportes, construção de infra-estruturas, turismo e energia de Moçambique

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A Turquia integra a lista dos 10 principais investidores em Moçambique, e nesta visita, a delegação turca tentar identificar outras áreas de cooperação, presentemente centrada. fundamentalmente no comércio e agricultura, segundo Tagip Argonil, empresário turco em Maputo.

Dados do Centro de Promoção de Investimentos de Moçambique (CPI), indicam que em 2015, o volume das trocas comerciais entre Moçambique e a Turquia ultrapassou os 120 milhões de dólares, contra cinco milhões de dólares, em 2005.

Para a Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), na sigla em inglês, esta visita será uma oportunidade para o estabelecimento de parcerias entre emprsários moçambicanos e turcos, principalmente nas áreas de mineração, transportes, construção de infra-estruturas, turismo e energia.

O empresário moçambicano, Tomás Rondinho, disse à VOA que na Turquia, “os sectores de turismo e transportes, têm vindo a resgistar um grande crescimento e nós pretendemos estabelecer parcerias nessas áreas com empresários turcos”.

Refira-se que em 2015, a companhia aérea turca, Turkish Airlines, abriu uma rota entre Istambul e Maputo, o que levou à perda do monopólio da transportadora aérea portuguesa, TAP, nas ligações directas entre a capital moçambicana e o continente europeu.

http://www.voaportugues.com/a/mocambique-turquia-erdogan/3688241.html

Filipe Nyusi e Recyp Erdogan assinam seis acordos de cooperação

erdogan-moMoçambique e Turquia reforçam cooperação bilateral

 

Filipe Nyusi e Recyp Erdogan assinam seis acordos de cooperação

Moçambique e Turquia assinaram hoje seis acordos de cooperação nas áreas de diplomacia, economia, cultura e turismo. A assinatura dos acordos marcou a primeira visita de um Presidente Turco a Moçambique.

Recyp Erdogan chegou a Maputo na noite de ontem, para 24 horas de visita ao país. O primeiro acto oficial teve lugar nesta terça-feira, com uma deposição de coroa de flores em homenagem aos heróis moçambicanos.

Perto do meio-dia, Erdogan foi recebido pelo Presidente da República, Filipe Nyusi, na Presidência da República. A Recepção teve direito a todas as honras militares e de Estado, que incluíram uma salva de canhão.

Filipe Nyus e Recyp Erdogan reuniram, primeiro a sós, e depois com as respectivas delegações, para pouco mais de duas horas a porta-fechada. No final, foram assinados os memorandos que selam o reforço da nova etapa de cooperação bilateral.

Os detalhes dos acordos assinados não foram revelados, contudo, o Presidente da República disse que representam uma importante etapa para o país.

Na área económica, a Turquia disse que a intenção é duplicar o volume das trocas comerciais, para valores consentâneos com as potencialidades dos dois países.

A visita de Erdogan terminou com a participação no Fórum de Negócios Moçambique

http://opais.sapo.mz/index.php/politica/63-politica/43334-mocambique-e-turquia-reforcam-cooperacao-bilateral-.html