CPLP/20 anos Cada vez mais países querem ser associados em busca de influência

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A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa atrai cada vez mais candidatos a Observadores Associados, que procuram aumentar a sua influência ou aproximar-se de África e contribuem para o reconhecimento da organização no mundo, dizem investigadores.
 
Lisboa, 16 jul (Lusa) – A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa atrai cada vez mais candidatos a Observadores Associados, que procuram aumentar a sua influência ou aproximar-se de África e contribuem para o reconhecimento da organização no mundo, dizem investigadores.
 
“Faz todo o sentido a CPLP ter uma política de abertura relativamente a outros Estados que queiram fazer parte desta comunidade (…) o que de certa maneira significa o reconhecimento, por parte de outros Estados, da importância que a CPLP pode vir a ter”, disse o investigador Fernando Jorge Cardoso, do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE – Instituto Universitário de Lisboa.
 
Em entrevista à Lusa a propósito do 20.º aniversário da CPLP, que se assinala no domingo, o académico sublinhou que não se trata de um reconhecimento da capacidade financeira da organização lusófona: “Qualquer um dos países, ao pedir o estatuto de Observador Associado, não está à espera de receber qualquer euro, ou qualquer dólar, desta comunidade”.
 
“O que está à espera é de alargar o seu círculo de influência e quantos mais países nos pedirem estatuto de observador, maior é a influência percecionada externamente”.
 
O Estatuto de Observador foi criado na II Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, na Cidade da Praia em 1998 e só em 2005, em Luanda, foram estabelecidas as categorias de Observador Associado e de Observador Consultivo, este último para organizações da sociedade civil.
 
No ano seguinte, o estatuto de Observador Associado foi atribuído à República da Ilha da Maurícia e à Guiné Equatorial, que em 2014 passaria a ser um membro de pleno direito.
 
O Senegal tornou-se Observador Associado em 2008 e em 2014 foi atribuída a mesma categoria à Geórgia, a República da Namíbia, República da Turquia e o Japão.
 
A Costa do Marfim foi o mais recente Estado a manifestar a intenção de se associar à CPLP, depois de o Uruguai ou a República Checa o fazerem já este ano.
 
Marrocos, Ucrânia, Croácia ou Venezuela são outros Estados que já manifestaram vontade de se associarem à comunidade lusófona.
 
“Esses países, ao pedirem o estatuto de Observador Associado, consideram que a CPLP tem uma influência acrescida, que a própria comunidade não tem consciência que tem”, afirmou Fernando Jorge Cardoso, explicando que o objetivo é “político, negocial, de influência”.
 
O diretor do Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança (IPRIS), Paulo Gorjão, divide os Observadores Associados em dois grupos: Países com aparelhos diplomáticos mais reduzidos e países com fraca presença no continente africano.
 
Em ambos os casos, os Estados veem na CPLP “uma forma relativamente barata de ter acesso a um conjunto de Estados” a que, de outro modo, seria mais difícil aceder”, disse.
 
Para a investigadora do Instituto Português de Relações Internacionais (IPRI) da Universidade Nova de Lisboa (UNL) Alexandra Dias, cada Observador Associado tem uma ligação diferente à CPLP.
 
No caso da Turquia há uma lógica de aproximação a África e à União Europeia; a entrada da Geórgia enquadra-se numa necessidade da afirmação para além do espaço pós-soviético e em questões energéticas; enquanto o Japão se associa à organização lusófona pela grande diáspora japonesa no Brasil, exemplificou.
 
Num estudo que realizou e apresentou no ano passado, Alexandra Dias analisou se a passagem da Guiné Equatorial de Observador Associado para membro de pleno direito seria a exceção que confirma a regra ou se abriria uma nova tendência.
 
A conclusão foi que “a adesão da Guiné Equatorial foi a exceção que confirmou a regra”.
 
A tendência para o futuro “será talvez para uma maior facilidade na adesão dos Observadores Associados, desde que seja consensual, mantendo os critérios de adesão”, admitiu, estimando que a aceitação de novos observadores surgirá “associada a expetativas dos Estados-membros e à sua concentração em torno da dimensão económica”.
 
Na sua análise, o diretor do Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança (IPRIS), Paulo Gorjão, lamentou que o processo de adesão dos Observadores Associados seja “estritamente reativo” e “numa base caso a caso, sem qualquer estratégia coerente”.
 
“Não existe uma estratégia deliberada e concertada sobre o que se quer dos Estados Observadores ou se se quer captar Estados Observadores. Não existe uma política formal ou mesmo ‘off the record'”, afirmou.
 
 
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Brasil e Portugal perdem espaço no mercado angolano para China, India,Turquia e Coreia do Sul

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Portugal deixou de ser o primeiro fornecedor de bens e serviços ao mercado angolano, passando este lugar a ser ocupado pela China que vendeu e comprou mais a Angola em 2015, refere o anuário do comércio externo elaborado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) português.

 

O documento refere que, no ano passado, só a China foi responsável pela compra de mais de 43 por cento das exportações de Angola, essencialmente petróleo.
O país asiático comprou a Angola, durante todo o último ano, 1,705 trilhões de kwanzas (cerca de 10 bilhões de dólares) uma quebra, em valor, de praticamente 37 por cento, devido à forte redução da cotação do barril de crude no mercado internacional.
No segundo lugar das compras a Angola em 2015 figura a Índia, com uma quota de oito por cento, correspondente a 315,2 bilhões de kwanzas (quase 1,7 bilhões de euros), menos 28,9 por cento face a 2014.
Portugal surge na oitava posição, com uma quota de 3,6 por cento das exportações angolanas, totalizando 140,6 bilhões de kwanzas (756 milhões de euros), uma descida homóloga de quase 26 por cento.
No plano inverso, a China destronou Portugal da liderança das origens das compras angolanas ao estrangeiro, vendendo 336,8 bilhões de kwanzas (1,8 mil milhões de euros) em bens e serviços, correspondente a uma quota de 16,9 por cento. Desta forma, nas relações com a China, o saldo da balança comercial, a diferença entre exportações e importações, foi largamente favorável a Angola, em 1,368 triliões de kwanzas (7,3 mil milhões de euros).
Portugal passou a segundo fornecedor de Angola, tendo vendido em 2015, segundo o INE angolano, 294,4 mil milhões de kwanzas (1,5 mil milhões de euros), uma quota de mercado das importações globais do país de 14,8 por cento, mas reflectindo uma descida de 34,1 por cento em relação ao ano de 2014. Na terceira posição surge a Coreia do Sul, com vendas de 154,3 mil milhões de kwanzas (829 milhões de euros) e uma quota de 7,7 por cento seguida dos Estados Unidos da América, que venderam a Angola, em 2015, mais de 148,8 mil milhões de kwanzas (800 milhões de euros), o correspondente a uma quota de 7,5 por cento.
No primeiro trimestre deste ano a China continuou a ser o principal parceiro comercial de Angola, apesar de ter registado uma queda de 54 por cento nas suas exportações, comparado a igual período do ano passado, refere o Conselho Nacional de Carregadores.
O mercado português também registou uma queda de 44,63 e  manteve-se no segundo lugar, ao passo que a Coreia do Sul foi o terceiro maior mercado, numa lista em que aparecem ainda a Espanha, a Turquia, o Brasil, Bélgica, Tailândia e Índia.
Entre os dez principais exportadores para Angola, a Espanha, Turquia e Estados Unidos registraram subidas nas suas exportações para o mercado angolano. Por continentes, a Ásia ficou na primeira posição, suplantando a Europa. Do continente asiático chegaram a Angola 667.996,64 toneladas, contra as anteriores 1.270.806,99 toneladas.
As importações da Europa passaram de 683.139,00 toneladas para as actuais 594.509,18 toneladas. As importações do continente americano caíram 11,90 por cento, ao passo que as de África registaram uma queda de 51,64 por cento.
O Porto de Luanda registou uma redução de 34,03 por cento em produtos transportados em contentores de 20 pés, e de 49,96 por cento nos contentores de 40 pés, enquanto o Porto do Lobito teve uma queda de 46,44 por cento nos contentores de 20 por cento e de 62,97 por cento nos de 40 pés. Em termos de unidades, o Porto de Luanda registou uma queda de 37,20 por cento em contentores de 20 pés e de 50,64 por cento nos contentores de 40. No total, entraram no país, 29.843 contentores de 20 pés, contra 49.556 unidades anteriores. Nos contentores de 40, o número passou de 27.706 unidades anteriores, para os actuais 12.973 unidades.
Ao todo, as importações de Angola caíram 33,26 por cento, no primeiro trimestre, em relação a igual período do ano passado, tendo entrado 1.598.849,07 toneladas de produtos diversos, contra as 2.395.621,20 toneladas anteriores.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/portugal_deixa_de_ser_o_principal_fornecedor