Menu

Cotas raciais ampliam presença de negros nas universidades

fonte: Edilson Rodrigues/Agência Senado

37% do total de vagas disponíveis nas faculdades foram preenchidas por estudantes negros

Um relatório da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior indicou que as cotas raciais têm conseguido ampliar a presença de negros nas universidades.

De acordo com o estudo, a taxa de alunos autodeclarados pretos e pardos, que era de apenas 28%, em 2003, teve aumento expressivo, em uma década.

Os dados mais recentes, de 2014, apontam que 37% do total de vagas disponíveis nas faculdades foram preenchidas por estudantes negros.

A Lei de Cotas, sancionada em 2012 pela então presidente Dilma Rousseff, é apontada como o principal fator responsável pela mudança no cenário, mas não é o único.

A alteração no perfil do Enem, que ganhou caráter de vestibular a partir de 2009 e a adesão cada vez maior de instituições de ensino ao Sisu, o Sistema de Seleção Unificada, também contribuíram para o aumento da presença de negros nas faculdades.Para o professor Paulo Márcio de Faria e Silva, um dos coordenadores da pesquisa da Andifes, os números mostram que o perfil do universitário hoje passa a ser cada vez mais coerente com o retrato da população brasileira.

“Em resumo, o estudo mostrou que o perfil do estudante da universidade federal brasileira está representando muito melhor a própria sociedade brasileira, e isso quebra aquela visão que a universidade pública brasileira é um local onde só a elite tinha oportunidade de estudar”, disse.

O professor Paulo Márcio de Faria e Silva acrescentou que a ampliação do acesso de negros às universidades deve fazer com que esta parcela da população também aumente a participação no mercado de trabalho.

De acordo com estimativas feitas pela Andifes, dois terços dos estudantes formados em universidades federais em 2014 tinham renda per capita de até um salário mínimo e meio.

Isso significa que dois a cada três alunos que conseguiram diploma nestas instituições foram alvos das políticas de assistência estudantil.

http://jovempan.uol.com.br/programas/jornal-da-manha/cotas-raciais-ampliam-presenca-de-negros-nas-universidades.html

Advertisements

Apesar de insatisfações, CPLP é projeto bem-sucedido, diz presidente de Portugal

O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, discursa durante a sessão solene de comemoração do 20 aniversário da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) (Agência Lusa/Direitos Reservados)
O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, discursa durante a sessão solene de comemoração do 20º aniversário da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)Agência Lusa/Tiago Petinga/Direitos Reservados

Criada em 17 de julho de 1996, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) completou 20 anos neste domingo (17). Na manhã de hoje (18), houve uma cerimônia solene de comemoração no Palácio Conde de Penafiel, sede da CPLP, em Lisboa.

O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou no evento que a CPLP é um projeto bem-sucedido, embora haja algumas “insatisfações, angústias e expectativas não cumpridas”. Apesar das dificuldades que a jovem comunidade enfrenta, Rebelo de Sousa afirmou acreditar que os objetivos principais foram mantidos e ressaltou a importância dos objetivos no âmbito econômico, energético, ambiental e de segurança alimentar.

“A CPLP é um projeto bem-sucedido, mas é um projeto de futuro. Podemos e devemos acreditar no futuro da CPLP, na sua vocação universal”, disse o presidente português.

O secretário executivo da CPLP, Murade Muragy, afirmou durante a cerimônia que é preciso trabalhar para uma agenda comum, “na identificação de áreas prioritárias de intervenção, na adequação dos recursos humanos, técnicos e financeiros para a CPLP ser mais útil, mais eficiente”.

“A CPLP não pode ficar alheia às tendências estratégicas mundiais, regionais e sub-regionais que caminham para aceleradas integrações políticas e econômicas. Não deve ficar refém da nostalgia da língua portuguesa e deixar de aproveitar as oportunidades que o mundo multipolar contemporâneo nos oferece, tanto em conexões como em oportunidades de criar cadeias de valor”, afirmou Muragy.

A comunidade é o foro multilateral para o aprofundamento da amizade mútua e da cooperação entre Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Tem personalidade jurídica, é dotada de autonomia financeira e conta com seis Estados com a categoria de Observador Associado (Geórgia, Japão, Maurícia, Namíbia, Senegal e Turquia) e com 64 instituições como observadores consultivos.

Objetivos

Os três objetivos centrais da comunidade são a concertação político-diplomática; a cooperação em todos os domínios; e a promoção e difusão da língua portuguesa.

Para o conselheiro Paulo André Moraes de Lima, chefe da Coordenação-Geral da CPLP, do Ministério das Relações Exteriores brasileiro, o fato de o Brasil ser o Estado-Membro com maiores território, população e Produto Interno Bruto (PIB) dá ao país a oportunidade de projetar interesses e posições. “Nos dá uma possibilidade de projeção em outros fóruns internacionais, por exemplo, na ONU [Organização das Nações Unidas], quando a gente chega como um bloco. Acontece também na Unesco [Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura], na ONU em Genebra, em questões como trabalho, saúde. O apoio da CPLP foi muito importante em certas candidaturas brasileiras em foros internacionais estratégicos para o Brasil, como a do José Graziano, na FAO [Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura], e do Roberto Azevêdo, na OMC [Organização Mundial do Comércio]. Esses apoios mútuos são muito importantes.”

Assim como o presidente de Portugal, o diplomata Morais de Lima acredita que a CPLP vem colhendo frutos bem-sucedidos durante o processo de amadurecimento. “Ela [a CPLP] ainda está em fase de consolidação e ainda tem desafios pela frente. Na área de concertação política, por exemplo, a CPLP desempenhou papel muito importante no acompanhamento de algumas crises nos Estados-Membros, como no processo de emancipação do Timor-Leste – que nem era Estado-Membro porque não era um Estado mas, assim que se tornou independente, passou a integrar a CPLP imediatamente. Acompanha a Guiné-Bissau permanentemente, que é um país que ainda apresenta alguma instabilidade institucional”, disse.

“A CPLP organiza missões de observação eleitoral aos Estados-Membros que pedem, e foi importante para o fortalecimento institucional de países que se constituíram como Estado mais recentemente. Na área da cooperação, há um potencial que ainda não foi totalmente explorado e, para o Brasil, é um lugar em que a gente consegue desenvolver nossa política de cooperação Sul-Sul. Em relação à língua, talvez seja o ponto onde tenhamos avançado menos. O Instituto Internacional da Língua Portuguesa tem desenvolvido um importante trabalho. Ainda há um imenso potencial não explorado”, completou.

Por outro lado, para Enilde Faulstich, professora e pesquisadora de Políticas Línguísticas da Universidade de Brasília, os objetivos de promoção e difusão da língua portuguesa vêm sendo alcançados.

“Um caso exemplar é o do Timor-Leste, que, na Oceania e cercado de línguas distintas, esforça-se na coordenação estratégica de difundir a língua portuguesa no Estado. Então, a promoção e difusão vão muito bem, se considerarmos como ponto de partida onde estou, no Brasil. Ilustramos com o grande número de professores brasileiros que ministram aulas de português em universidades estrangeiras e com obras escritas por brasileiros que estão no mercado livreiro internacional. É preciso destacar, por sua vez, que escritores moçambicanos, angolanos, cabo-verdianos estão no mercado editorial brasileiro, como vi, há duas semanas, diversos livros de literatura escritos por africanos, à venda por livreiros em um Encontro Nacional de que participei em São Paulo”, afirmou Enilde.

Para o diplomata Morais de Lima, um dos principais desafios da CPLP atualmente é o de não duplicar as agendas. “Como todo organismo internacional, a comunidade tende a duplicar agendas no sentido de que temas que são tratados no âmbito das Nações Unidas ou da Unesco naturalmente acabam sendo replicados, o que não é uma coisa negativa em si. A questão é quando acaba desenvolvendo iniciativas paralelas e duplicadas em determinados assuntos. A CPLP precisa aprimorar qual é o seu nicho de atuação. Um desafio é como a gente vai se integrar à agenda global sem duplicar esforços”, disse.

O diplomata afirmou ainda que as crises econômicas acabam por vezes dificultando a participação dos países na comunidade. “Isso tem um impacto negativo no sentido de que a capacidade dos países de dar contribuições fica reduzida, mas é algo conjuntural, e a gente espera que essa situação seja superada. Quando o país está numa crise política, ele tende a se fechar mais em si mesmo, e a participação nos fóruns internacionais fica prejudicada porque a prioridade é interna.”

Para a professora Enilde, uma comunidade que pretende viver em comunhão não pode ser discutida por grupos que não interferem nos grandes negócios. “ A língua tem valor econômico que precisa ser considerado no âmbito do Produto Interno Bruto de cada país. A CPLP precisa enxergar que valor econômico e PIB seguem uma geografia, a geografia do dinheiro, que é um dos fundamentos da riqueza dos povos. O outro fundamento é a língua. Nenhuma comunidade mundial é capaz de se desenvolver sem esse fundamento cultural, sem se comunicar, sem interagir. Assim sendo, no desenvolvimento dessa geografia e no desempenho do PIB linguístico e cultural, quem interfere é a sociedade civil, aquela que está nas escolas, nas universidades, nos institutos de pesquisa. Nesses lugares, a língua é objeto de fala, de escrita e de produção escolar, literária, intelectual.”

Sobre as políticas brasileiras de promoção e difusão da língua portuguesa, a professora ressalta a importância da Missão do Brasil Junto à CPLP, com sede em Lisboa, que dispõe de dados relevantes sobre a língua portuguesa como “materna multinacional”. Ela afirma ainda que a preservação da regra do consenso na comunidade é um êxito, pois não há predominância de nenhum Estado-Membro sobre outro.

Em novembro, o Brasil deverá assumir a presidência rotativa da comunidade pelos próximos dois anos, ocupada atualmente pelo Timor-Leste.

*Colaborou Ana Cristina Campos, de Brasília

http://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2016-07/cplp-e-projeto-bem-sucedido-apesar-de-insatisfacoes-diz-presidente-de

Alunos de Relações Internacionais da UnB denunciam racismo de docentes

Alunos de relações internacionais da Universidade de Brasília (UnB) acusam professores de racismo, machismo e homofobia. Um grupo de estudantes criou, na noite de quinta-feira (2/6), uma página para denunciar casos de abuso por parte dos docentes. Em menos de 24 horas, a fan page “No ‘melhor da América Latina’” (expressão usada para designar o curso) contava com 911 seguidores e mais de 200 denúncias.

 

Um evento marcado nas redes sociais organiza um protesto contra o departamento na segunda-feira (6/6), às 12h. Mais de 300 pessoas já confirmaram presença. Segundo os universitários, há uma norma na instituição que orienta os alunos a não deitar no chão do prédio. No ato, eles planejam um “deitaço” nas dependências do edifício.

Os relatos expostos na rede social são assustadores. Segundo os alunos, professores da instituição defendem a ditadura militar, expõem a sexualidade dos alunos e têm atitudes machistas — além de afirmarem que os docentes costumam nem mesmo ir às aulas.

 

“Se você perguntar para qualquer aluno do curso de relações internacionais, cada um pode te indicar pelo menos uma história de abuso sofrido. São relatos variados, que vão desde bobagens como ‘estudantes não podem frequentar o segundo andar do prédio, espaço reservado aos professores’ a questões gravíssimas, como assédio sexual e racismo”, afirma um dos criadores da página, que pediu para não ser identificado por medo de represálias por parte de docentes.

De acordo com os organizadores do protesto, o estopim foi o preconceito sistemático de uma professora contra duas alunas negras do curso. “Ela nem olha para as estudantes e as interrompe constantemente durante as aulas. Em uma das apresentações de trabalho, a docente chegou a pedir para outro universitário que traduzisse a explicação da aluna”, apontou um dos idealizadores do “No ‘melhor da América Latina’”.

O coletivo responsável pela fan page citou também que um docente teria impedido os estudantes de saírem da sala de aula enquanto corrigia as provas em voz alta. E afirmou ainda que soluções institucionais foram procuradas, mas não viu resultado. “Tem professores com mais de 30 denúncias na ouvidoria e ainda dão aula”, reclama.

A Secretaria de Comunicação da UnB explicou que a instituição tomou conhecimento da história somente na tarde desta sexta-feira (3/6) e informou que já está apurando o caso. Sobre as reclamações na ouvidoria, o órgão disse que não há registros de acusações.

O coordenador do curso de graduação em relações internacionais, Roberto Goulart Menezes, esclarece que “não compactuamos com nenhuma forma de violência de gênero e seus correlatos, somos contra o trote e toda forma de humilhação, racismo, discriminação de qualquer natureza”. Ele destaca que a denúncia foi feita em uma página sem autoria do Facebook. “O caso é de extrema gravidade pois envolve a reputação de docente, o instituto e a UnB”, destaca.

Ele informa ainda que irá se reunir neste sábado (4/6) com membros do Centro Acadêmico do curso (Carel) para discutir a situação.

http://www.metropoles.com/distrito-federal/educacao-df/alunos-de-relacoes-internacionais-da-unb-denunciam-racismo-de-docentes