Pobreza, marginalização, má governança levam jovens ao extremismo no continente africano

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O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) lançou um estudo sobre a jornada de jovens africanos no extremismo violento, que segundo a agência é marcada pela pobreza e pela privação, soube ontem a PANA.
Entre as primeiras razões citadas pelos inquiridos estão também a marginalização sustentada pela fraca governação.
O primeiro estudo sobre o assunto entrevistou 495 pessoas que se alistaram voluntariamente a grupos terroristas como Al Shabaab (Somália) e Boko Haram (Nigéria).
De acordo com a pesquisa, muitas vezes, a percepção de violência exercida pelo Estado ou abuso de poder oferecem o impulso para tomar a decisão final para que estes se juntassem a um grupo extremista.

 
O estudo “Viagem ao Extremismo em África: Motivação, Incentivos e o Ponto de Viragem para Recrutamento” retrata indivíduos frustrados, marginalizados e negligenciados ao longo da sua vida, começando mesmo pela infância.
Os factores para a decisão incluem poucas perspectivas económicas, possibilidades de uma participação cívica significativa que pode trazer mudanças ou a pouca confiança no Estado para a prestação de serviços ou o respeito aos direitos humanos.
Falando na sede das Nações Unidas, o director do PNUD para África, Abdoulaye Mar Dieye, disse que o estudo soa o alarme do aprofundar do extremismo na região.
Para Abdoulaye Mar Dieye, as áreas de fronteira ou periféricas continuam isoladas e sem supervisão.
O responsável reconheceu haver dificuldades na capacidade institucional para responder à demanda, na região onde mais de “metade da população vive abaixo da linha da pobreza, incluindo muitos jovens cronicamente sub-empregados”.
Pelo menos 33,3 mil africanos perderam a vida por ataques extremistas violentos ocorridos entre 2011 e início de 2016 no continente, segundo as estimativas do PNUD.
Somente as operações de Boko Haram provocaram a morte de pelo menos 17 mil pessoas e contribuíram para a fuga de outras mais de 2,8 milhões na região do Lago Chade.
O impacto dos ataques extremistas foi observado no turismo e no investimento estrangeiro directo em países como Quénia e Nigéria.

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Angola, Congo, Eritreia, Moçambique, Namíbia, Tanzânia e Uganda podem estar comercializando com a Coreia do Norte.

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Especialistas da ONU que monitorizam a aplicação das sanções indicaram num relatório divulgado no sábado que o Governo de Kim Jong-un continua a ignorar as sanções sobre mercadorias, bem como o embargo de armas e restrições relativas ao transporte e atividades financeiras.

República Democrática Popular da Coreia) está deliberadamente a usar canais indiretos para exportar mercadorias proibidas, fugindo às sanções”, indica o relatório.

Entre dezembro de 2016 e maio de 2017, por exemplo, a Coreia do Norte exportou mais de 79 milhões de dólares (65 milhões de euros) em minério de ferro para a China. E entre outubro de 2016 e maio de 2017 exportou ferro e produtos de aço para o Egito, China, França, Índia, Irlanda e México no valor de 305.713 dólares (cerca de 254 mil euros).

No que toca a violações do embargo de armas, o painel disse estar a conduzir investigações em Angola, Congo, Eritreia, Moçambique, Namíbia, Tanzânia e Uganda, bem como na Síria.

 

Em Moçambique, por exemplo, os especialistas dizem estar a investigar o alegado fornecimento de mísseis terra-ar portáteis, sistemas de defesa aéreos, outros mísseis terra-ar e radares por uma empresa norte-coreana. A mesma empresa estará a reparar e melhorar o sistema de mísseis terra-ar na Tanzânia.

Embaixador americano em Guiné Bissau afirma ser inaceitável a situação politica do pais

 

O novo embaixador dos Estados Unidos da América para a Guiné-Bissau, Tulinabo Mushingi, considerou inaceitável o actual impasse político nesse país africano e defendeu que o assunto deve ser resolvido pelos guineenses.

Classe política tem de ultrapassar as principais diferenças
Fotografia: Edições Novembro

“Ouvi dizer que a Guiné-Bissau se encontra num impasse devido à situação política. Sendo assim, o status quo é simplesmente inaceitável, todos nós, todos vós, todo o povo da Guiné-Bissau, todos os agentes devem fazer alguma coisa para sair desta situação”, afirmou na terça-feira o embaixador dos Estados Unuidos, que está baseado no Senegal, num encontro com jornalistas. Para Tulinabo Mushingi, os “actuais líderes devem tomar prontamente medidas que promovam o consenso e permitam a criação de um Governo inclusivo”.
“Líderes políticos de todas as alas devem priorizar os interesses nacionais e encontrar uma solução para a crise actual”, afirmou.
Questionado sobre se os EUA já não defendem a aplicação do Acordo de Conacri para ultrapassar o impasse político no país, o embaixador disse que isso “não é segredo”.
“O que estou a dizer é que há um impasse político. E os guineenses é que devem decidir o que vão fazer. Não cabe aos EUA impor um acordo aqui. É para os guineenses decidirem”, afirmou. Em Junho, a embaixadora interina dos EUA, Martina Boustani, defendeu que os acordos de Bissau e de Conacri “representam a melhor solução.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/africa/politicos_criticados_por_manter_impasse

Guiné Bissau: “Os que estão no poder devem dar oportunidades aos mais pobres”

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«Os que estão no poder devem dar oportunidades aos mais pobres»
Texto Juliana Batista | Foto Ana Paula | 24/08/2017 | 17:04

Atanásio Tavares
População guineense precisa de melhores condições de vida «ao nível do saneamento, da saúde e da educação», aponta seminarista que estuda em Portugal, após ter vivido um ano na Guiné-Bissau

O cabo-verdiano Atanásio Tavares, de 37 anos, estuda atualmente em Portugal, mas antes de entrar em terras lusas esteve um ano a viver na Guiné-Bissau, onde contactou com a população local, visitou as suas casas e lidou com pessoas de todas as idades. A experiência alegrou-o, mas também o sensibilizou para os problemas e necessidades daquele povo.

 

«É preciso melhorar as condições de vida das pessoas, por exemplo, ao nível do saneamento, da saúde e da educação. Aqueles que estão no poder devem dar aos mais pobres oportunidades para estudar, para terem medicamentos, consultas e boas estradas», enumerou Atanásio Tavares, seminarista da Congregação dos Missionários do Espírito Santo, que esta semana se encontra em Fátima a frequentar o Curso de Missiologia.

 

Da falta de condições da população guineense, o seminarista recorda os «caminhos em terra batida» que se transformavam em «lama na época das chuvas» e as deslocações em busca de um bem essencial. «Não havia água canalizada. As pessoas iam buscá-la a um poço comunitário. Em algumas casas existia gerador, mas não havia luz o dia inteiro», recorda o aluno de Teologia da Universidade Católica do Porto.

 

Apesar de estar longe do seu país natal, Atanásio encontrou no local de missão características comuns às da sua cultura, que o fizeram sentir bem e próximo daqueles que deixou. «Senti-me um pouco em casa porque identifiquei na cultura guineense alguns traços da cultura cabo verdiana, como por exemplo a língua crioula, alguns pratos, brincadeiras e o grande respeito pelos idosos.»

 

As características da população a quem se dedicou ao longo de um ano deixaram-no sensibilizado. «O povo católico com quem trabalhei na Guiné-Bissau era muito simples e acolhedor. Partilham tudo o que têm com os missionários, com quem está de visita ao país ou quem está em missão. Gostei muito.»

 

Ao longo do seu percurso formativo, o seminarista passou também pelo Senegal, onde encontrou novas semelhanças entre culturas diferentes. «Tanto na Guiné-Bissau como no Senegal, a Igreja Católica é muito viva, jovem, alegre, com bastantes crianças e adolescentes», realçou o aluno, em declarações à FÁTIMA MISSIONÁRIA.

 

Atanásio Tavares é um dos cerca de 60 participantes do Curso de Missiologia que iniciou na última segunda-feira, 21 de agosto, nas instalações dos Missionários da Consolata, e que se prolonga até sábado, 26. A formação é organizada pelos responsáveis do Institutos Missionários Ad Gentes (IMAG), com o apoio das Obras Missionárias Pontifícias (OMP).

Irã terá embaixada em Luanda – Angola

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O Irã pretende abrir uma embaixada em Luanda em 2018, informou hoje o Ministério das Relações Exteriores de Angola, após reunião do titular da pasta, Georges Chikoti, com o homólogo iraniano, em Teerão.

De acordo com informação prestada à Lusa, o chefe da diplomacia angolana representou o chefe de Estado, José Eduardo dos Santos, na cerimónia de posse do Presidente reeleito da república islâmica do Irão, Hassan Rouhani, realizada no sábado, seguindo-se hoje uma reunião de trabalho com o homólogo iraniano, para reforço da cooperação bilateral.

“O ministro dos Negócios Estrangeiros, Mohammad Java Zarif, disse que o Irão deseja abrir embaixada em Luanda, já no próximo ano para facilitar a cooperação com as autoridades angolanas. Ao ministro Chikoti, o chefe da Diplomacia iraniana exprimiu também o desejo de o seu país desenvolver com Angola uma cooperação nos sectores da construção, engenharia civil, banca, investimentos e ensino”, informou à Lusa fonte do Ministério das Relações Exteriores angolano.Geoges Chikoti

Acrescentou que o ministro Mohammad Java Zarif aceitou igualmente o convite de Georges Chikoti para uma visita oficial a Angola.

Angola e o Irã são dois grandes produtores regionais de petróleo, respectivamente, com à volta de 1,7 milhões e 3,1 milhões de barris de crude por dia.

A Lusa noticiou em finais de 2015 que a empresa Petropars, de origem iraniana, foi excluída pelo Governo angolano do grupo empreiteiro que explora a produção de petróleo no bloco norte da zona terrestre de Cabinda, por alegado incumprimento contratual.

A informação consta de um decreto-executivo, assinado pelo ministro dos Petróleos de Angola, José Maria Botelho de Vasconcelos, ao qual a Lusa teve acesso, que retira a participação de 10% detida pela Petropars naquele bloco, no ’onshore’ de Cabinda, que “passará a ser detida pela Sonangol Pesquisa e Produção”.

O grupo iraniano integra o grupo empreiteiro constituído para operar o bloco terrestre norte de Cabinda depois de ter adquirido aquela quota ao grupo InetrOil, em 2009.

Segundo informação da própria Petropars, esta petrolífera foi criada em 1998 para apoiar o desenvolvimento e utilização dos recursos energéticos iranianos.

De acordo com o decreto-executivo do Governo angolano, a Petropars “demonstrou não possuir os requisitos exigidos por lei, faltando ao cumprimento das obrigações económicas e financeiras relacionadas com o pagamento da quota-parte dos custos incorridos pelo grupo empreiteiro nas operações petrolíferas do bloco”.

Esse “incumprimento”, lia-se ainda, tem “dificultado a normal execução das operações petrolíferas” naquele bloco, tendo o Ministério dos Petróleos decidido a “exclusão” da empresa Petropars do grupo empreiteiro.

A operação neste bloco é liderada pela operadora italiana ENI (Angola), com uma quota de 38%, integrando ainda a estatal angolana Sonangol Pesquisa e Produção (agora com 30% da sociedade), a Soco Cabinda (17%) e a Acrep Exploração petrolífera (15%).

http://noticias.sapo.ao/info/artigo/1510082.html

Direito a maternidade passa a ser de 90 dias em Moçambique

Maputo – O presidente moçambicano, Filipe Nyusi, promulgou a proposta que alarga os direitos dos funcionários e agentes do Estado, segundo um comunicado da Presidência enviado à Lusa.

PRESIDENTE DE MOÇAMBIQUE, FILIPE NYUSI

FOTO: PEDRO PARENTE

A lei alarga o período da licença de maternidade de 60 para 90 dias, enquanto o período da licença de paternidade passa a ser de sete dias.

A proposta de lei foi aprovada em Abril pelas três bancadas do parlamento moçambicano, nomeadamente a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido governamental, a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), maior força de oposição, e do Movimento Democrático de Moçambique (MDM).

Na altura, a ministra da Administração Estatal e Função Pública, Carmelita Namashulua, disse que o novo estatuto visa ainda suprimir o limite de tempo de serviço como fundamento de aposentação obrigatória.

Entre outras medidas, prevê-se ainda imprimir maior celeridade ao abono da pensão de aposentação, reduzir burocracias, ajustar o regime de contratação e aperfeiçoar o regime das promoções, progressões e mudança de carreira, associando-os ao desempenho, mérito e experiência do funcionário.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/7/31/Mocambique-Presidente-promulga-lei-que-alarga-direitos-dos-funcionarios-agentes-Estado,6c7970be-5c4d-4f60-acaa-f31598c13317.html

Estratégia para Abertura, Ampliação e Promoção no Mercado Internacional do Agronegócio Brasileiro 2019-2022

Agropecuaria-MinhatecaMinistério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento vai receber a contribuição dos setores público e privado para elaborar nova proposta de acesso a mercados, negociações não tarifárias e promoção dos produtos agrobrasileiros para o período de 2019 a 2022. O objetivo da medida é ampliar a participação do país no comércio internacional de produtos agropecuários.

Intitulada de Estratégia para Abertura, Ampliação e Promoção no Mercado Internacional do Agronegócio Brasileiro 2019-2022, a medida também deverá incentivar a abertura de novos mercados para os produtos brasileiros e consolidar a imagem do país como exportador de produtos de alta qualidade, inclusive ambiental, com base nos índices obtidos por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR).agronecios

A iniciativa será conduzida em três etapas. Na primeira fase haverá a construção do Documento Base para a estragégia, que deve ser aprovado e publicado pelo ministro da pasta até o final de maio de 2018. A fase posterior consiste na definição das estratégias para a política de relações internacionais do agronegócio brasileiro, a partir dos eixos anteriormente definidos. Nesta ocasião, será criada uma comissão de especialistas, composta por membros indicados pelas secretarias e unidades vinculadas ao ministério, para a elaboração da política de relações internacionais do agronegócio.

A última fase compreende a consulta à sociedade civil para contribuições e discussão sobre o documento final. A expectativa do ministério é publicar a estratégia consolidada em janeiro de 2019.

Exportação

O Brasil destaca-se como um dos maiores exportadores do mundo em produtos como soja (grão e farelo), carnes (aves, bovina e suína), açúcar, café e milho. No entanto, apenas cinco grupos de produtos concentram 82% das exportações agropecuárias brasileiras, que chegaram a US$ 71,5 bilhões em 2016.

O setor agrícola representa, aproximadamente, 40% das exportações totais do país e cerca de 7% de participação no mercado mundial de produtos agropecuários. Segundo o ministério, o desafio do governo na área agrícola é elevar esse índice para 10%.

https://africa21digital.com/2017/07/29/brasil-quer-aumentar-participacao-no-mercado-agricola-global/

 

Brasil está representado por 10 empresas na Feira Internacional de Luanda

 

 

O Brasil está representado por 10 empresas, nomeadamente, Baterias Moura, Cotia Exportação e Importação, JBS S/A, Kawamac, Marfrig, Minerva Foods, Selmi Foods S/A, Starrett Ind, TATU Marchesan e TGM. Estas empresas trouxeram produtos para viaturas, baterias automóveis e industriais, alimentos enlatados de carne, cereais, grãos, óleos, massas, açúcar, leite, biscoitos e especiarias, bem como turbinas a vapor de até 150 megawatts, redutores de eixos paralelos industriais e serviços de manutenção nos equipamentos, independente da marca. Flávia Fonseca, representante do Brasil, disse que os brasileiros mostram ainda potencialidades agrícolas.

A Índia apresenta-se na 33ª edição da FILDA com quatro empresas, a Zeepack & Recycling, a Ango-zara, a África Farmácia Shaline e Plastcom, juntando-se aos demais 12 países estrangeiros que exibem as respectivas potencialidades.

Investimento privado no sector agrícola tem boa presença
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

Wizdan Ahmad, representante do stand da Zeepack & Recycling, disse que a Índia trouxe para o evento uma variedade de produtos, sendo os mais destacáveis os de reciclagem, alimentos, motorizadas, medicamentos e produtos de higiene.
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A África do Sul está na 33ª edição com a agência de viagens Air South Africa, que tem um programa para passageiros frequentes que passam a ter direito a hotéis e partilha de voos com a acumulação de milhas. Essas milhas, o cliente pode usar ou até transferir para um parente mais próximo.
Pela segunda vez, a Zâmbia expõe com duas empresas, a ZamBeeff  e a Golden Goodness, trazendo suplementos vegetais de soja e milho, além de botas protectoras, sapatilhas e chuteiras desportivas.  Os representantes destas empresas garantiram que procuram por um parceiro em Angola.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/india_entra_na_filda_com_quatro_empresas

Angola e Brasil: Duas Guerras

JOSE CPOR José Carlos do Carmo*

O autor era um jovem médico quando recebeu o convite para trabalhar em Angola. Mergulhou na realidade de um país em guerra e aprendeu a praticar uma medicina que não era, nem de longe, a que tinha idealizado.

“Em 1981, concluí o curso de graduação em medicina, durante o qual estive convictamente envolvido nos movimentos por liberdade democrática e justiça social, contra a ditadura militar então vigente no país. Em seguida, iniciei residência em medicina preventiva. Logo no segundo ano do curso, fui convidado para desenvolver um programa de saúde comunitária na República Popular de Angola. O ingênuo, quiçá pretensioso, pensamento de que sair do país seria uma traição à luta do povo brasileiro, deu lugar ao sentimento romântico, de aventura e de militância no exterior: viver e trabalhar num país africano, socialista e em guerra.

Angola havia conquistado a independência em 1975, após anos de lutas contra a dominação portuguesa, tendo como principal líder e primeiro presidente o médico e poeta Agostinho Neto, “pai de todas as tribos”. Sua morte prematura acirrou o conflito, iniciado logo após a independência, entre o Movimento Popular pela Libertação de Angola (MPLA), ampla frente democrática que havia assumido o governo do país, e os grupos minoritários, União Nacional pela Independência Total de Angola (UNITA) e Frente Nacional pela Libertação de Angola (FNLA), ambos financiados e apoiados pelos Estados Unidos e África do Sul.

A jovem república angolana, por sorte ou azar de seu povo, ocupava uma importante posição geopolítica que despertava os interesses das grandes potências mundiais durante a Guerra Fria, época em que o sucesso de uma proposta socialista num país africano era inaceitável para os norte-americanos e seus aliados. Angola tinha tudo para dar certo: consideráveis reservas de petróleo e diamantes, uma indústria incipiente deixada pelos portugueses, uma das maiores áreas agriculturáveis da África austral e uma rede viária que só perdia em número de quilômetros asfaltados para a África do Sul. A política deliberada dos americanos para evitar que o país ficasse em paz é denunciada com detalhes revoltantes no livro “A CIA Contra Angola”, de John Stockwell, ex-chefe de intervenção da CIA em Angola.

O apoio aos grupos contra-revolucionários, que tiravam proveito do forte sentimento tribalista, decorrente da história recente da criação de boa parte das nações africanas, cujas fronteiras foram estabelecidas de acordo com os interesses dos colonizadores, sem nenhum respeito à história e à identidade cultural dos povos que lá habitavam, favoreceu a perpetuação de uma guerra civil que perdurou até pouco tempo.

A chegada em Luanda, em 1983, ofereceu-me uma belíssima vista da baía onde está a capital de Angola. Ainda na aproximação da aeronave, foi logo substituída por uma visão triste e melancólica de prédios semidestruídos, a mostrar emblematicamente não só os danos da guerra, mas o sofrimento de seu povo.

A continuação da viagem se deu novamente de avião, desta vez de pequeno porte. Naquela época, os deslocamentos eram feitos geralmente por ar ou por mar, dados os riscos de ataques da guerrilha ou de grupos de assaltantes nas estradas.

No Soyo, município localizado às margens do rio Zaire, na costa do Atlântico, logo após ser instalado na minha nova moradia, um trailler metálico de poucos metros quadrados onde habitaria por três anos, tomei contato com a realidade local. Não era uma área de frente de batalha, mas o ambiente bélico – com o toque de recolher, o medo de andar pelas estradas, o ruído de tiros ao longe, os soldados com metralhadores perambulando ao lado dos mutilados de guerra –  era permanente. Alguns anos depois, toda a região foi ocupada pela UNITA que, segundo dados da Anistia Internacional, assassinou friamente centenas de civis.

O êxodo da maioria dos médicos e de outros profissionais de nível universitário da área de saúde, portugueses e angolanos, desestruturou significativamente o sistema de saúde de Angola. Foram substituídos, em grande parte, por antigos auxiliares de enfermagem. A principal estrutura física da rede assistencial era um arremedo de hospital, um prédio sem instalações adequadas que sofria de crônica falta de água e energia elétrica.

Seguindo os planos acertados previamente, três meses depois chegou mais um médico brasileiro para integrar a equipe: Carmo Filho, meu irmão – “de pai e mãe”, como diziam os angolanos -, que até hoje mora em Angola, tendo tido a honra de, representando a comunidade brasileira, discursar para o presidente Lula em sua recente visita ao país, no final do ano passado.

Somando esforços a uma equipe de doze médicos cubanos que tinham começado seu trabalho no hospital, ficamos com a responsabilidade de organizar um sistema de saúde para os trabalhadores da indústria do petróleo, seus familiares e toda a população local.

Iniciamos o trabalho, buscando sempre compreender e respeitar os valores locais, desde a autoridade dos velhos curandeiros até nossa situação de estrangeiros brancos, num país ainda sob o trauma de séculos de colonização. Vale dizer que o fato de sermos brasileiros sempre nos favoreceu, pois é grande o sentimento de carinho e admiração que o povo angolano tem por nossa gente.

O trabalho da equipe foi bruscamente interrompido pela transferência, até hoje não explicada, da delegação cubana, constituída pelos médicos e por cerca de trinta professores, para outra região do país.

Os projetos de prevenção e de promoção da saúde foram, forçosamente, substituídos por ações curativas que a situação exigia. Sentimos, na pele, a dificuldade de priorizar programas de saúde coletiva quando as pessoas próximas estão adoecendo e morrendo. Nosso cotidiano passou a ser o do assistencialismo. Os casos de malária, que até então só conhecíamos pelos livros, incorporaram-se à nossa rotina. Conseguimos um microscópio e, revendo nossos Atlas de parasitologia, aprendemos a identificar e diferenciar os plasmódios nas amostras de sangue que colhíamos dos pacientes.

Com freiras brasileiras de uma missão católica, aprendemos a técnica, que repassávamos para as mães, de torrar e pilar alguns insetos da região que serviam como importantes complementos protéicos no tratamento dos bebes desnutridos. Depois de algum tempo, já éramos capazes de entabular um mínimo de conversação em kissulongo, dialeto da língua kikongo, durante a anamnese com os mais velhos que não falavam português.

Ao mesmo tempo em que era gratificante ser útil ao povo da região, as limitações produziam um sentimento de angústia e frustração. Em algumas ocasiões, após prestar os primeiros socorros, pudemos transportar pacientes com ferimentos graves para outros centros que dispunham de melhores recursos, como Luanda e Brazaville (Congo). Esse transporte era feito de helicóptero, às vezes, sob condições climáticas bastante adversas. Em muitas outras, vimos pacientes morrerem por falta de condições de tratamento.

Durante todo o tempo nunca desistimos de nossos projetos iniciais. Após várias tentativas frustradas junto a instituições locais e internacionais, estabelecemos um convênio de cooperação com o Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto, em Luanda. O Soyo passou a contar com um campus avançado da universidade, para onde foram enviados professores e alunos de sexto ano do curso de medicina. Posteriormente, o governo concedeu um financiamento que permitiu a compra de diversos equipamentos, inclusive o tão desejado gerador elétrico para o hospital. Dessa forma, foi possível reiniciar um conjunto de ações que iam além do tratamento das urgências e emergências.

Quando decidi ir para Angola, meus planos iniciais previam que, se não gostasse, ficaria lá por um ano; se gostasse, por dois. Já haviam se passado três anos desde que tinha chegado. Era tempo de voltar.
Total de mortes violentas entre 1983 e 1986: dezessete mil, seiscentos e oitenta!

Este número não se refere à Angola. Corresponde ao total de acidentes do trabalho fatais no Brasil, registrados junto à Previdência Social, nos anos em que fiquei na África.

A situação não mudou muito desde então. Ainda que sabidos e reconhecidamente subestimados e restritos ao mercado formal, os dados previdenciários mostram bem a dura realidade enfrentada pelos trabalhadores brasileiros que, para ganhar a vida, são obrigados a perdê-la, insidiosa ou abruptamente. É na frente de combate a esta situação que estou envolvido desde que voltei. Esta é uma guerra, infelizmente, ainda longe de terminar.

Depois que retornei ao Brasil, voltei uma vez mais ao Soyo e pude verificar que o nosso trabalho tinha deixado sementes, mas esta é uma história para outra ocasião.”

*José Carlos do Carmo é médico, graduado pela Faculdade de Medicina da USP, mestre pela Faculdade de Saúde Pública da USP.  Trabalha no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo e na Seção de Segurança e Saúde no Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, em São Paulo.  É autor de diferentes publicações na área de Saúde Pública e Saúde do Trabalhador.

https://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Revista&id=122

África a última fronteira do capitalismo

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O continente africano é percebido hoje nos meios econômicos e diplomáticos mundiais como “a última fronteira do capitalismo”, e o Brasil precisa superar gargalos nas suas relações com os países africanos
para que participe de maneira mais efetiva deste processo. Este foi o ponto defendido pela diplomata Maria Elisa de Luna durante sabatina nesta quinta-feira (13) na Comissão de Relações Exteriores, quando foi aprovada para o cargo de embaixadora do Brasil em Gana.

gana1.jpgBndeUm dos pontos abordados foi a atuação das empresas brasileiras de engenharia na África, que têm sofrido para manter seus projetos. O senador Armando Monteiro (PTB-PE) disse que elas já estão tendo que recorrer a financiamentos com terceiros, devido à criminalização que no seu entender passou a ocorrer em torno das linhas de crédito com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

– Já estamos perdendo espaço e podemos perder ainda mais espaço no comércio mundial, principalmente na área de serviços de engenharia. Justamente numa área em que temos uma enorme expertise, estão criminalizando o suporte que o BNDES dá a este processo – alertou.

Armando Monteiro acrescentou que ocorre no Brasil o exato oposto do que se verifica na China e na Turquia, cujos governos continuam apoiando suas empresas em projetos de infra-estrutura na África.

Elisa de Luna concordou com a visão expressada pelo senador, acrescentando que Accra, a capital de Gana, teve seu urbanismo transformado para melhor nos últimos anos por causa das inúmeras obras conduzidas pelas empresas brasileiras.

Produtos manufaturados

A diplomata destacou também que o Brasil precisa estabelecer uma política consistente e estruturada de internacionalização de companhias médias e pequenas, passando necessariamente por programas oficiais de apoio por meio de linhas de crédito. Este modelo permitiria ao Brasil otimizar a participação no processo de desenvolvimento da África.

Elisa de Luna reforçou a argumentação, lembrando que tanto com Gana como com outros países africanos, o Brasil consegue ter uma pauta de exportação com presença significativa de produtos industriais ou manufaturados, especialmente do setor agrícola.

No que se refere aos produtos alimentícios brasileiros por exemplo, a diplomata lamenta que muitos chegam a Gana por meio de empresas dos Emirados Árabes. Acrescenta que estes produtos tem muito mais identificação com o gosto dos ganeses e de outras nações africanas do que os produtos europeus, que são mais palatáveis nos climas frios.

Pro caso de ter sua indicação confirmada em Plenário pelo Senado, Elisa de Luna anuncia que outra prioridade será a reconstrução da Casa Brasil em Accra, que fica num bairro pobre da cidade. Esta casa também é conhecida como “Casa Tabom”, e serviu como a primeira casa de ex-escravos brasileiros que retornaram à África ainda no século 19.

Acordos

A CRE também aprovou, na reunião desta quinta-feira, a adesão do Brasil ao Acordo Internacional do Cacau (PDS 46/2017) e ao Acordo Constituinte do Centro de Informação para a Comercialização de Produtos Pesqueiros na América Latina (PDS 11/2017). Também foi aprovado um acordo de cooperação técnica ente Brasil e Etiópia (PDS 87/2016). Todos estes acordos seguem para análise do Plenário do Senado.

http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2017/07/13/brasil-deve-aprofundar-lacos-economicos-com-a-africa-defende-diplomata