Alemães na África discutem investimentos e a imigração ilegal

A chanceler alemã Angela Merkel tem um programa apertado no périplo que está a fazer pela África Ocidental. No Senegal, falou de investimentos e do combate à migração ilegal.

    
Senegal - Angela Merkel besucht Senegal (picture-alliance/dpa/M. Kappeler)

Angela Merkel chegou ao Senegal, na quarta-feira (30.08), com uma comitiva de empresários alemães, que também a acompanharão até ao Gana e à Nigéria.

Com este périplo, a chanceler alemã pretende, sobretudo, reforçar os laços de cooperação económica para combater a migração ilegal para a Europa. Ao desembarcar em Dakar, Merkel encontrou-se com o Presidente Macky Sall e manifestou logo o interesse da Alemanha em investir no Senegal.

“Devemos aprender a combinar de forma sensata o desenvolvimento com o investimento privado, para que o Senegal possa fazer a transição gradual para uma recuperação económica autossustentável”, afirmou a chanceler alemã. “Este é um país jovem, com 300 mil jovens a entrar no mercado de trabalho todos os anos, à procura de oportunidades. Por isso, é do nosso interesse que o desenvolvimento seja bem-sucedido.”

Senegal aberto a investimentos

O Presidente senegalês garantiu que o seu país está interessado em investimentos estrangeiros, mas não está só aberto às ofertas alemãs.

“A Alemanha é bem-vinda”, frisou Macky Sall. Mas “eu disse à chanceler que a China [também] é bem-vinda ao Senegal, tal como os Estados Unidos da América, a França e a Turquia, porque, a partir do momento em que encontrarmos uma fórmula para conseguir financiamento, transferir tecnologia, criar empregos para jovens, vamos aceitar. Não podemos rejeitar ofertas que ajudem os nossos jovens”, afirmou.

Republik Senegal - Kanzlerin Merkel besucht SenegalChanceler Angela Merkel foi recebida no Senegal pelo Presidente Macky Sall

A questão da migração

Mais de 11 mil pessoas do Senegal, Gana e Nigéria solicitaram asilo na Alemanha no ano passado. Grande parte das solicitações foi negada. Estima-se que 14 mil cidadãos destes três países africanos vivem ilegalmente na Alemanha.

Tanto no Gana como no Senegal, a Alemanha financia centros de aconselhamento para migrantes, onde os jovens retornados recebem ajuda na procura de emprego. Outro centro deste tipo deverá abrir na Nigéria até ao final do ano. Além disso, a Alemanha lançou a iniciativa “Compact with Africa” quando presidiu ao grupo das 20 maiores potências económicas mundiais, o G20. A medida prevê a transferência para as nações africanas de habilidades e tecnologias para atrair investidores ocidentais. O Gana e o Senegal já participam e a Nigéria demonstrou interesse.

Três dias, três países: Merkel faz périplo africano

Oportunidades

A chanceler alemã está no Gana esta quinta-feira e, na sexta, vai até à Nigéria, onde se encontrará com o líder da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Jean-Claude Kassi Brou, e com o Presidente Muhammadu Buhari, para discutir questões económicas.

Além disso, Angela Merkel também se encontrará com a sociedade civil. Moses Siasia, do Fórum de Jovens Profissionais da Nigéria, tem grandes expetativas quanto à visita: “Penso que esta é uma das formas mais diretas de se fazer parcerias comerciais. Além disso, os governos da Nigéria e da Alemanha podem criar um ambiente de relações comerciais para as empresas dos dois países e também oportunidades para beneficiar do conhecimento”, afirma.

Em média, a economia do Senegal cresce a um ritmo de 7% ao ano, enquanto o Gana é visto como um refúgio de estabilidade na região. A Nigéria, apesar de ser vítima da insurgência do grupo radical Boko Haram e da volatilidade do preço do petróleo, continua a ser o segundo maior parceiro comercial da Alemanha na África subsaariana.

Discurso inédito escrito por Marielle Frando

A psolista discursaria hoje na votação do Plano Municipal de Educação do Rio de Janeiro e, antes de ser executada, já estava com o texto pronto. Seu correligionário, vereador Tarcísio Motta, levou o discurso ao plenário. Confira

Foto: Reprodução/Instagram

A voz de Marielle Franco continua ecoando na Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro. Nesta terça-feira (27), treze dias após seu assassinato, um discurso que havia preparado para ser lido na votação do Plano Municipal de Educação do Rio foi reproduzido no plenário pelo vereador Tarcísio Motta (PSOL).

No texto, Marielle atentou para a importância do debate sobre igualdade de gênero nas escolas. “Ainda que ganhemos salários menores, que estejamos em cargos mais baixos, que passemos por jornadas triplas, que sejamos subjulgadas pelas nossas roupas, violentadas sexualmente, fisicamente e psicologicamente, mortas diariamente pelos nossos companheiros, nós não vamos nos calar: as nossas vidas importam!”, escreveu.

Confira a íntegra do texto abaixo e, na sequência, o vídeo que registrou Tarcísio Motta reproduzindo o discurso escrito por Marielle.

Boa tarde à todas e todos,

O Brasil é o quinto país que mais mata mulheres no mundo.

Os números são assustadores: em 2016, foi registrada uma violência contra mulher a cada 5 horas no Estado do Rio de Janeiro.

Mas também sabemos que estes números são apenas de parte das mulheres que conseguiram, de algum modo, buscar auxílio e denunciar.

E eu pergunto à vocês: seguiremos nos recusando a falar sobre igualdade de gênero? Até quando?

O debate sobre a nossa igualdade é urgente no mundo, no Brasil e no município do Rio de Janeiro!

Enfrentar este debate é nos comprometermos com a democracia e com nosso avanço civilizatório.

Falar de igualdade entre mulheres e homens, meninas e meninos, é falar pela vida daquelas que não puderam ainda se defender da violência. E são muito mais das 50.377 registradas em 2016, aqui, no Rio.

Diferente do que se fala ou, infelizmente, do que se acostuma ver em Casas Legislativas, como esta, não somos a minoria. Somos a maior parte da população, ainda que sejamos pouco representadas na política.

Ainda que ganhemos salários menores, que estejamos em cargos mais baixos, que passemos por jornadas triplas, que sejamos subjulgadas pelas nossas roupas, violentadas sexualmente, fisicamente e psicologicamente, mortas diariamente pelos nossos companheiros, nós não vamos nos calar: as nossas vidas importam!

No Brasil, segundo o IPEA (2016). As mulheres negras brasileiras ainda não conseguiram alcançar nem 40% do rendimento total recebido por homens brancos. E somos nós, mulheres negras, que mais sofremos violências diariamente.

Só quem acha que isso é normal é quem não sofreu no corpo o machismo e o racismo estrutural. Quem acha que isso não merece ser debatido na nossa educação é porque se benefecia das desigualdades.

Por isso, quero deixar registrado que essa Casa, ao retirar os termos “gênero”, “sexualidade” e “geração”, fortalece a continuidade de desigualdades e violências dos mais diversos tipos.

Hoje falamos do principal plano para desenvolvimento social do nosso município: o Plano Municipal de Educação. Este plano merece que tenhamos compromisso e responsabilidade.

O termo “gênero” começou a ser utilizado como categoria de análise a partir de 1970 com o objetivo de dar visibilidade às desigualdades entre homens e mulheres. Logo, tanto na origem da sua criação, quanto no uso corrente em debates sobre a superação das desigualdades, falar de “gênero” tem como finalidade promover a devida atenção e crítica das discriminações sofridas pelas mulheres, e tentar achar meios para que todas e todos possamos juntos enfrentar este cenário.

Desde quando falar sobre uma opressão, que gera tantas mortes, é falar sobre alguma doutrinação?

Se dizem tanto a favor da vida, então deveriam ser a favor da igualdade de gênero. E só se promove igualdade através de uma educação consciente e do debate com nossas crianças, para que se tornem adultos melhores.

Por isso, como parlamentares responsáveis pelas cidadãs e cidadãos dessa cidade, devemos defender o debate na educação!

Se é da escola que nasce o espaço público que queremos, é indispensável que se fale de igualdade de gênero sim! Que se fale de sexualidade, de respeito, de laicidade, de racismo, de LGBTfobia, de machismo. Pois falar sobre estes temas é se comprometer com a vida, em suas múltiplas manifestações. É se comprometer com o combate à violência e a desigualdade!

É mais do que urgente que esta casa não se cale sobre as vidas que são interrompidas dia-a-dia neste Município.

Falar de igualdade de gênero é defender a vida!”

Fonte: https://www.revistaforum.com.br/discurso-inedito-escrito-por-marielle-franco-e-lido-na-camara-dos-vereadores-do-rio/

Inglaterra reconhece o papel dos países africanos na economia global

O primeiro-ministro britânico também deve visitar Robben Island, onde o ex-presidente Nelson Mandela foi preso por décadas para comemorar o centésimo aniversário de seu nascimento.  (Reuters / Andreas Gebert)
A primeira-ministra britânica também deve visitar Robben Island, onde o ex-presidente Nelson Mandela foi preso por décadas para comemorar o centésimo aniversário de seu nascimento. (Reuters / Andreas Gebert)

A primeira-ministra britânica Theresa May aterrissou na Cidade do Cabo na terça-feira, quando iniciou uma turnê pelo continente africano, onde espera estabelecer as bases para os acordos comerciais pós-Brexit.

Maio está enfrentando pressão em casa dos chamados “remanescentes”, céticos em relação à sua capacidade de forjar acordos comerciais, uma vez que a Grã-Bretanha rompe com Bruxelas, bem como com os Brexiteers, temerosos de que ela não proporcione uma pausa.

Sua turnê pela África do Sul, Nigéria e Quênia – a primeira de maio até o continente desde que se tornou primeira-ministra em 2016 – será vista como um esforço para carimbar sua autoridade em seu premierhip em apuros.

“Enquanto nos preparamos para deixar a União Européia, chegou a hora de o Reino Unido aprofundar e fortalecer suas parcerias globais”, disse May em um comunicado.

“A África está à beira de desempenhar um papel transformador na economia global”, acrescentou ela.

May usará um discurso na Cidade do Cabo para mostrar como a Grã-Bretanha pode reforçar sua parceria com a África, “particularmente trazendo o poder transformador do comércio e investimento do setor privado do Reino Unido”, disse seu escritório.

O ex-ministro das Relações Exteriores Boris Johnson, cuja saída de julho do gabinete levou o governo de May à beira, disse em seu discurso de renúncia que a atual política Brexit de maio prejudicaria a capacidade de Londres de negociar acordos comerciais independentes.

Sacrifício da Primeira Guerra Mundial 

May apresentará então o presidente Cyril Ramaphosa  com o sino da tropa SS Mendi, que afundou no Canal da Mancha em 1917, afogando mais de 600 tropas sul-africanas que se preparavam para se juntar às forças aliadas na Primeira Guerra Mundial.

Foi o pior desastre marítimo na história do país Africano, e se tornou um símbolo de seu sacrifício da Grande Guerra.

O sino foi dado a um repórter da BBC em uma estância balnear britânica em 2017, após uma denúncia anônima, segundo a emissora.

O primeiro-ministro também deve visitar Robben Island, onde o ex-presidente Nelson Mandela foi preso por décadas para comemorar o centésimo aniversário de seu nascimento.

May irá para a Nigéria na quarta-feira para reuniões com o presidente Muhammadu Buhari na capital Abuja e com as vítimas da escravidão moderna em Lagos.

Na quinta-feira, ela se encontrará com o presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, logo após seu retorno do presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington, e antes de viajar para a China para se encontrar com o presidente Xi Jinping.

A primeira-ministra, em seguida, verá as tropas britânicas em ação de treinamento e visitar uma escola de negócios, antes de concluir a viagem em um jantar de estado organizado por Kenyatta.

Fonte: https://mg.co.za/article/2018-08-28-may-kicks-off-first-africa-tour-as-british-pm

Cooperação entre a Marinha brasileira, sul africana e russa

or Roberto Lopes
Especial para o Poder Naval

O site oficial da Marinha da África do Sul divulgou, na terceira quinta-feira deste mês (16.08.), que, na última semana de julho, ao recepcionar, na cidade de São Petersburgo, o vice-almirante Mosiwa Samuel Hlongwane, seu colega Comandante da Força Naval sul-africana, o Chefe da Armada Russa, almirante Vladimir Ivanovich Korolyov – um submarinista de 63 anos –, “expressou gratidão pela presença da delegação sul-africana e garantiu ao Comandante da Marinha [sul-africana] que tal participação contribuiria para o desenvolvimento da cooperação bilateral entre os dois países”.

De acordo com o texto do site (disponível em aqui), redigido pelo militar sul-africano M. L. Tabhete, Korolyov “chamou a atenção” de Hlongwane para o fato de “que desde 2016 a Marinha Russa vinha promovendo a ideia de exercícios combinados entre os dois países. ‘Esperamos que estes exercícios ocorram, num futuro próximo, não apenas para o benefício dos países participantes, mas para toda a comunidade internacional’.”

E o comunicado prossegue: “Além disso, o almirante V.I. Korolyov usou o debate para expressar determinação em participar do IBSAMAR, que ele descreveu como um meio crucial para alcançar a incisividade militar de todos os estados membros”.

O IBSAMAR é um exercício naval bianual que reúne forças navais da Índia, Brasil e África do Sul, e, precisamente este ano, terá, durante a primeira quinzena de outubro, a sua 6ª edição.

As manobras transcorrerão ao largo do litoral sul-africano. A unidade que representará a Marinha do Brasil (MB) será a corveta Barroso, que já se encontra na travessia do Rio para o porto militar de Simon’s Town. A bordo do navio seguem um helicóptero Esquilo (UH-12), e uma fração do Grupamento de Mergulhadores de Combate.

O exercício IBSAMAR VII, que, em teoria, poderá receber navios de guerra russos, terá lugar na costa indiana, durante o último trimestre de 2020.

A MB não faz comentários sobre a revelação feita pelo site da Marinha sul-africana no último dia 16, mas é certo que a formalização do pedido do almirante Korolyov não pegou de surpresa o almirante Hlongwane, e é perfeitamente crível supor que o Comandante da Marinha sul-africana já tenha conversado sobre o tema da participação russa com os seus dois colegas da operação IBSAMAR: o almirante de esquadra brasileiro Eduardo Leal Ferreira e o vice-almirante indiano Sunil Lanba.

De resto, é preciso lembrar que os governos de Brasília, Nova Déli, Moscou e Joanesburgo já mantém uma interação político-econômica de certa intensidade no âmbito do BRICS, grupo de países emergentes que, engrossado pela China, passou a funcionar, em 2009, por meio de reuniões de cúpula anuais.

Comandante da Marinha Sul-Africana e o Comandante da Marinha Russa, V.I. Korolev.JPG
Comandante da Marinha Sul-Africana, vice-almirante M.S. Hlongwane e o Comandante da Marinha Russa, almirante V.I. Korolyov
Navios durante uma operação IBSAMAR
Navios durante um exercício IBSAMAR

Azerbaijão – Mosiwa Hlongwane viajou à Rússia no período de 27 a 31 de julho (três semanas depois de ter completado 56 anos de idade), para participar das festividades do 322º Aniversário da Marinha Russa – criada em 30 de outubro de 1696 por um decreto do jovem Czar Pedro I da Rússia (mais conhecido como Pedro, O Grande).

A data foi comemorada com uma parada naval de 39 embarcações, 38 aeronaves e mais de 4.000 militares – evento presidido pelo presidente Vladimir Putin no Rio Neva que, além do almirante sul-africano, reuniu, entre outros convidados estrangeiros, chefes e representantes das marinhas da Índia, Paquistão, Coreia do Sul, Tailândia e Indonésia. Todos devidamente obsequiados com reuniões privadas de trabalho com o chefe da Armada Russa, e com visitas ao Museu Naval Central de São Petersburgo e ao Museu do Estado Hermitage (um dos maiores museus de arte do mundo), também sediado na cidade.

Na Rússia, o Comandante da Força Naval sul-africana sentiu-se à vontade.

Durante as décadas de 1980 e 1990 ele cumpriu estudos básicos de Navegação e cursos de aperfeiçoamento nas escolas da Marinha do Azerbaijão, em Baku, dentro da Doutrina Naval preconizada pela antiga União Soviética. Muitos de seus professores eram oficiais da Frota Vermelha.

Nada a ver, claro, com a formação de qualquer chefe naval brasileiro.

Desde o fim da 2ª Guerra Mundial a MB vem mantendo escrupulosa distância da Marinha russa (tratada, nos anos da Guerra Fria, como inimiga) e das suas ofertas de meios e de equipamentos.

Submarino classe Akula

Akula II – Mas isso não tem impedido os oficiais lotados na Comissão Naval Brasileira na Europa, sediada em Londres, de visitar, regularmente, o Salão Naval de São Petersburgo – principal mostra de sistemas navais russos.

Em junho de 2017, a agência de notícias russa Itar Tass informou que dois oficiais da Marinha do Brasil haviam estado no estaleiro onde se encontrava em construção uma corveta do Projeto 20382 Classe Tiger, o que indicaria interesse da MB nesse projeto.

Em Brasília, o Centro de Comunicação Social da Marinha emitiu nota oficial, esclarecendo que a visita fora efetivamente realizada, mas apenas para permitir que os militares, que participavam do Salão de São Petersburgo, conhecessem as características do escolta russo, que possui pontos em comum com o programa em andamento para aquisição de um projeto que sirva à nova classe de corvetas Tamandaré.

Até uns dez anos atrás, o Comando Naval Russo enxergava a Marinha do Brasil com potencial semelhante ao da Força Naval indiana.

Prova disso é que, conforme o Poder Naval pôde apurar, no fim do segundo mandato do presidente Luis Inácio Lula da Silva, a Marinha Russa propôs transferir para a Esquadra Brasileira, por meio de um leasing, dois submarinos nucleares classe Akula II – um tipo de cooperação que ela já havia iniciado com a Marinha da Índia.

Entre meados dos anos de 1980 e o início dos anos de 2000, os pesados Akula, de 8.500 toneladas à superfície e quase 14.000 toneladas submersos, constituíram a principal capacidade ofensiva da Armada russa.

Sete modelos Akula I foram comissionados pelos russos entre 1984 e 1990, um modelo II começou a operar em 1995, e um Akula III foi incorporado em 2001. O navio recebido com maior aceitação pelos chefes navais russos foi, entretanto, o Akula Improved, variante melhorada do Akula I. Nada menos do que sete desses barcos entraram em serviço no período de 1991 a 2009.

Diante do oferecimento da Marinha russa, e mediante autorização expressa do então presidente Lula, o ministro da Defesa da época, Nelson Jobim, autorizou que dois oficiais da MB (um deles, engenheiro naval) fossem à Rússia conhecer o classe Akula II.

Os relatórios desses militares retrataram a imponência do submarino, de 113,3 m de comprimento, que, na Força Naval Russa, exigia uma tripulação de 31 oficiais e 31 subalternos.

Mas, em Brasília, o ministro Jobim concluiu que (a) o Akula II era um submarino grande demais para ser operado pela Força de Submarinos da Esquadra; (b) o leasing perturbaria enormemente o esforço que a MB fazia para desenvolver o seu próprio submarino de propulsão nuclear, desagradando os almirantes que defendiam o projeto com unhas e dentes; e (c) a aproximação com os russos arriscava criar arestas importantes com a Marinha dos Estados Unidos. O assunto foi, então, abandonado.

2020 Quilombolas do Amapá serão mapeados pelo IBGE

AMAPA1

Projeto piloto do IBGE vai traçar perfil dos moradores e da região do Curiaú. Questionários serão aplicados também em outras comunidades tradicionais, entre 20 de agosto e 6 de setembro.


Por Rita Torrinha, G1 AP, Macapá

 

Pesquisa teste sobre quilombolas no Amapá começará pela comunidade do Curiaú, em Macapá (Foto: Gabriel Penha/Arquivo G1)Pesquisa teste sobre quilombolas no Amapá começará pela comunidade do Curiaú, em Macapá (Foto: Gabriel Penha/Arquivo G1)

Pesquisa teste sobre quilombolas no Amapá começará pela comunidade do Curiaú, em Macapá (Foto: Gabriel Penha/Arquivo G1)

Recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) vão percorrer as casas de moradores do Curiaú, comunidade quilombola do Amapá, entre os dias 20 de agosto e 6 de setembro. O processo é parte de um plano piloto do instituto, que ocorre em todo o Brasil, para inserir, pela primeira vez, dados específicos sobre esse tipo de comunidade nas pesquisas. O resultado vai constar no Censo 2020.

Além do Curiaú, os questionários serão aplicados também na terra indígena Waiãpi, em Carapanatuba (comunidade extrativista), Santo Antônio e Lontra da Pedreira (comunidades rurais) e em áreas urbanas de Macapá. Essas porém, já constam no censo, mas o teste será mais ampliado, para identificação étnico-racial, modo de produção, contagem demográfica, escolaridade, entre outras informações.

De acordo com o IBGE, a inserção de perguntas específicas para quilombolas é uma tema que vinha sendo discutido internamente há pelo menos três anos. Desde então, o órgão vem avaliando com representantes quilombolas e especialistas qual a melhor forma de se fazer isso.

“Estamos destacando a primeira prova piloto para 2020. Terão outros refinamentos, mas ainda é o primeiro teste. Também terão outras provas pilotos, o censo experimental, até fechar o questionário”, explicou o supervisor de disseminação de informações do IBGE, Joel Lima.

A aplicação do questionário ocorrerá em 12 estados: Acre, Amapá, Rondônia, Maranhão, Ceará, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Paraná e Santa Catarina.

Em nota, o IBGE informou que “a iniciativa dá prosseguimento ao compromisso de fornecer informações cada vez melhores sobre povos e comunidades tradicionais, em conformidade com o Decreto nº 8.750 de 2016, que institui o Conselho Nacional dos Povos e Comunidades Tradicionais”.

Mapeamento sobre quilombolas constará no Censo 2020 (Foto: Rede Amazônica/Reprodução)Mapeamento sobre quilombolas constará no Censo 2020 (Foto: Rede Amazônica/Reprodução)

Mapeamento sobre quilombolas constará no Censo 2020 (Foto: Rede Amazônica/Reprodução)

Serão usados dois tipos de questionários: de amostra e o básico, detalha Raul Tabajara, tecnólogo do IBGE. O básico consta de cerca de 20 perguntas. Já o da amostra é grande, porque investiga, em detalhes, escolaridade, renda, mortalidade, nupcialidade, fecundidade, trabalho, rendimento, tudo sobre o morador.

“Vamos observar a reação das pessoas para saber se há necessidade de alteração dos textos. Vamos também medir o tempo que se leva para aplicar a entrevista. Na área indígena, vamos verificar a necessidade de se contratar intérprete. Tudo isso será feito com o uso de um computador de mão”, falou Tabajara.

Se tudo ocorrer conforme o planejado – aplicação dos questionários em fase de teste em 2018, avaliação e correções em 2019 – em 2020 a pesquisa em comunidades quilombolas passará a ser definitiva no censo, e o primeiro resultado parcial deve ser divulgado no mesmo ano.

Fonte: https://g1.globo.com/ap/amapa/noticia/2018/08/20/censo-2020-vai-mapear-comunidade-quilombola-do-amapa-pela-primeira-vez.ghtml

Negro londrino que conseguiu entrar em corporações financeiras

O estudante que transformou sua vida batendo em portas de casas ricas de Londres

Reggie Nelson decidiu fazer uma pergunta aos moradores: quais são as habilidades e competências necessárias para se chegar a viver em um bairro como esse?


Por BBC

 

Reggie Nelson, morador de um bairro de classe operária em Londres (Foto: Cebo Luthuli/BBC)Reggie Nelson, morador de um bairro de classe operária em Londres (Foto: Cebo Luthuli/BBC)

Reggie Nelson, morador de um bairro de classe operária em Londres (Foto: Cebo Luthuli/BBC)

Em algumas ocasiões, era uma campainha convencional. Em outras, um interfone. Mas ele não tinha dúvida de que as portas se abririam.

Reggie Nelson, morador de um bairro de classe operária em Londres, decidiu ir até a região mais nobre da cidade para fazer uma pergunta a seus residentes.

Para conseguir a resposta que procurava, o jovem de 17 anos optou por bater diretamente na porta das residências de luxo, em vez de abordar as pessoas na rua.

“O que eu dizia às pessoas quando tocava a campainha era: ‘Meu nome é Reggie e sou do leste de Londres. Vim até Kensington e Chelsea porque descobri que essa é a região mais rica do Reino Unido. E só queria saber quais são as habilidades e competências necessárias para chegar a viver em um bairro como esse. Para que eu possa extrapolá-las e usá-las a meu favor”, contou o jovem, que hoje tem 23 anos, à BBC.

“Naquela época, eu ainda estava cursando o ensino médio e perguntei a mim mesmo: ‘Como posso fazer algo diferente? O que posso fazer que seja realmente diferente para ver resultados, algo que ninguém mais pensou em fazer?”, completou.

A ideia que ele teve logo surtiu efeito:

“Eu entrei em uma rua particular e, na segunda porta que bati, uma senhora falou comigo pelo interfone, abriu a porta e me convidou para entrar”, recorda-se.

O encontro

A mulher, chamada Elizabeth, levou Reggie até uma sala de estar.

'Na segunda porta que bati, uma senhora falou comigo pelo interfone, abriu a porta e me convidou para entrar', lembra o jovem (Foto: Cebo Luthuli/BBC)'Na segunda porta que bati, uma senhora falou comigo pelo interfone, abriu a porta e me convidou para entrar', lembra o jovem (Foto: Cebo Luthuli/BBC)

‘Na segunda porta que bati, uma senhora falou comigo pelo interfone, abriu a porta e me convidou para entrar’, lembra o jovem (Foto: Cebo Luthuli/BBC)

“Quando estávamos conversando, um homem entrou. Era Quintin Price. Na época, ele era diretor da Alpha Strategies, (uma unidade) na BlackRock.”

A BlackRock é uma empresa de gestão de investimentos global, com sede em Nova York.

Price é especialista na área de finanças e investimentos, formado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, com passagem por bancos internacionais, como o Deutsche Bank.

Após conversar com Reggie e a esposa, o executivo se ofereceu para ser mentor do adolescente.

“A primeira coisa que pensei foi em como fazer para isso funcionar, enquanto estava indo para o trabalho. Então pensei em proporcionar a ele um pouco de experiência profissional”, disse Price à BBC.

Duas semanas depois, o especialista em finanças ofereceu a Reggie um estágio em sua empresa.

No mercado de trabalho

“Cheguei muito cedo. Fui o primeiro. Cheguei uma hora mais cedo porque queria causar uma boa impressão. Foi maravilhoso ver tantas pessoas jovens e brilhantes.”

“Aliás, antes de ir para lá, eu não tinha a menor ideia que você podia tirar A+ (nota máxima) nos exames de admissão da faculdade. Eu achava que A era a nota mais alta que você podia tirar, mas esses caras diziam: ‘Tirei três A+, quatro A+’.”

E a pergunta inevitável surgiu: como foram suas notas quando você terminou o ensino médio?

“Ainda estou estudando, não terminei”, respondi.

“Foi quando percebi que, na verdade, eu era a pessoa mais jovem ali e que todos aqueles caras já tinham terminado suas carreiras universitárias.”

“A partir desse dia, meu modo de pensar mudou, assim como minhas perspectivas, em todos os aspectos.”

“Me dei conta de que algo definitivamente sairia disso e assim foi”, lembra Reggie.

Reggie sente que é minoria no setor corporativo (Foto: Cebo Luthuli/BBC)Reggie sente que é minoria no setor corporativo (Foto: Cebo Luthuli/BBC)

Reggie sente que é minoria no setor corporativo (Foto: Cebo Luthuli/BBC)

Rumo à universidade

O jovem conversou com a mãe sobre a experiência e resolveu seguir a recomendação de Price: “Entrar na universidade, porque isso me daria a oportunidade de trabalhar na área de serviços financeiros.”

O jovem se formou com louvor na Universidade de Kingston e, desde então, começou a ajudar outras pessoas a atuar no mercado financeiro – e, particularmente, jovens negros a ingressar em espaços corporativos.

“Tem algo que ouvi e que ainda ecoa dentro de mim: se você quiser ver resultados diferentes, tem que sair da sua zona de conforto.”

Na sequência, ele conseguiu outra vaga de estágio, para a qual havia 9 mil candidatos.

“115 pessoas conseguiram, apenas 3 eram negras”, diz ele.

Ele passou a trabalhar recentemente para uma nova empresa e continua a progredir na carreira.

‘O único negro do andar’

“No andar (do prédio), onde trabalho, sou o único negro”, relata que Reggie, que nasceu no Reino Unido, mas é filho de pais ganeses.

“Na área corporativa, eu sou uma minoria e é algo que não vou esconder. Onde eu trabalho, existe diversidade, mas como em todos os ambientes de negócio em que já estive, poderia ser muito melhor.”

“Acho que a questão para mim é simplesmente me adaptar ao que está ao meu redor. Não diria que é conformismo, apenas adaptação, para causar o maior impacto possível, fazer a maior diferença que puder.”

Price é veterano no mundo das finanças e conhece muito bem esse setor.

“Acho que em qualquer ambiente hipercompetitivo, em que se é minoria, você precisa jogar o jogo num nível mais alto para se sobressair, porque você está educando as pessoas a superarem sua ignorância e preconceito. E esses preconceitos existem. Gostaríamos que não fosse assim, mas eles estão lá”, diz o especialista.

“Por isso, acredito que seja necessário para todos, para os que têm a sorte de estar no lado da maioria e para aqueles que são minoria, mas tiveram a oportunidade de provar aos críticos que estão errados e dar exemplo para as próximas gerações construírem uma sociedade mais igualitária.”

“Estamos vendo isso ao nosso redor e vemos que há mais pessoas como Reggie”, acrescenta Price.

Um conselho de ouro

Reggie ministra palestras sobre sua experiência com o objetivo de inspirar mais jovens negros a mudar o rumo de suas histórias.

Aos 23 anos, Reggie trabalha no distrito financeiro de Londres (Foto: Cebo Luthuli/BBC)Aos 23 anos, Reggie trabalha no distrito financeiro de Londres (Foto: Cebo Luthuli/BBC)

Aos 23 anos, Reggie trabalha no distrito financeiro de Londres (Foto: Cebo Luthuli/BBC)

E dá uma dica:

“Aceite as rejeições, porque eu recebi muitos nãos, inclusive no mundo profissional.”

“Eu digo a eles que não tomem os nãos como um evangelho, mas aproveitem. Usem como combustível para seguir adiante até onde vocês precisam chegar”, afirma.

Direitos Humanos no Brasil e o Papa

vsita ao papaO estado de mal-estar social

Um relato sobre direitos humanos no Brasil ao papa

 

Da esq. para a dir., Marinete Silva (mãe de Marielle Franco); Carol Proner, advogada e jurista; papa Francisco; Paulo Sérgio Pinheiro e Cibele Kuss, pastora luterana representante da Conic –

8.ago.2018 às 2h00

 

Roma, 40 graus. Na praça de São Pedro, filas intermináveis de turistas esperam para visitar a basílica. Entramos pelo portão de entrada no Vaticano para a Casa Santa Marta, onde mora o Papa Francisco. Na porta da casa, um carabinieri e um guarda suíço. “São adelegação brasileira? “, abrem a porta.

Já dentro, um funcionário nos dirige a uma sala. Ficamos ali alguns minutos com a jurista Carol Proner, Marinete Silva (mãe de Marielle Franco) e a pastora Cibele Kuss, do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs.

O papa abre a porta, com um envelope branco na mão, e nos convida a sentar em roda, sem nenhum funcionário em volta.

Nada do que pretendia dizer ao papa deve ser grande novidade. O jornal L’Osservatore Romano, o órgão oficial do Vaticano, dois dias antes informava que o número de brasileiros em pobreza extrema passou de 5 milhões a 10 milhões.

Tento pegar a deixa das notícias do dia. Em curto espaço de tempo, a proteção dos direitos humanos sofreu dramático enfraquecimento no Brasil. A consequência prática é um estado de mal-estar social.

Direitos econômicos e sociais restringidos pela PEC do teto e pela reforma trabalhista. Direitos civis e políticos ameaçados pelo enfraquecimento do Estatuto do Desarmamento, o reempoderamento dos militares, o retorno da Justiça Militar para crimes comuns de militares e prisões de professores em universidades federais. Proteção do meio ambiente, dos povos indígenas e a luta contra o racismo praticamente abandonadas. Mudanças profundas nas políticas públicas jamais legitimadas antes por eleições.

Sublinho os riscos criados quando uma agenda de inclusão social, econômica e política —como a estabelecida pela constitucionalidade de 1988 e pela política de Estado de direitos humanos— é abandonada.

Nesse mesmo dia, sete relatores da ONU alertavam para a gravidade dos retrocessos em série nos últimos dois anos, culminando com o primeiro aumento da mortalidade infantil em mais de duas décadas de progresso.

A brutal e ainda inexplicável morte de Marielle Franco, representada ali no diálogo emocionante com o papa por sua mãe, é o símbolo mais forte da violência e da fraqueza da democracia no Brasil. Essa violência tem mensagem clara: falar pelos marginalizados implica grave risco. O Brasil, em 2017, foi o país do mundo com o maior número de assassinatos de defensores de direitos humanos.

É neste contexto que o Brasil caminha para uma eleição na qual um dos principais candidatos, o ex-presidente Lula, poderá ser iniquamente excluído. Ele vem sendo sistematicamente silenciado pela interferência da Justiça, que assumiu o papel de protagonista político. As forças conservadoras predominantes no Judiciário asseguram a proteção aos grupos políticos governistas afetados por denúncias.

Superar a crise vai levar tempo. Reconstituir o espaço de diálogo e a confiança nas instituições do Estado são agora tarefas ainda mais difíceis do que antes. Que inspirações buscar? A tensão e o retrocesso não são privilégios brasileiros. Difícil encontrar um país em que não se tenham discutido ou implementado restrições de direitos. Igualmente, proliferam as vozes do ódio.

Para o momento mais imediato, é essencial condenar todas as formas de violência e censura. Nesse contexto, relembro como extremamente relevante a condenação absoluta, pelo papa, da pena de morte.

Passados 50 minutos, o papa distribui rosários (que estavam no envelope branco) a todos, recolhe os relatórios e livros que recebeu e diz: “Vou passar ao secretário de Estado”. Arrisco: “Vai ser uma trabalheira”. Sobraçando tudo com um dos braços, ele se despede de nós e sai como entrou, sozinho, sem ninguém para ajudar ou abrir a porta.

Paulo Sérgio Pinheiro

Ex-ministro da Secretaria de Direitos Humanos (2001-2002, governo FHC) e ex-coordenador da Comissão Nacional da Verdade (2013)

Manuel Rui lança novo livro em Luanda

2018080510412532_a_dombeleO livro “Kalunga”, uma obra recomendada para todos, procura trazer à reflexão questões como a antroponímia, ou seja, os nomes próprios de pessoas, prenomes ou apelidos de família, explicando a sua origem, evolução e variação em função do local, época e costumes.
Dentre outros assuntos, o romance destaca a figura emblemática do jovem guerreiro Tanu, negro e neto do soba Lukamba, que sabia várias línguas, desde as de Cabinda até ao kwanyama e mesmo o quimbundo dos pescadores do mar da Kianda.
Das mulheres que serviam pirão de milho com molho de bagre fumado com a kissangua de milho e entravam mar adentro para catarem de mistura com a areia, os zimbos, búzios cinzentos e mais valiosos para mercar e ainda não falava, mas percebia um pouco de português.
No romance, de acordo com o escritor Luís Kandjimbo, as técnicas narrativas de Manuel Rui, consolidam-se e dão vozes às personagens “sem precisar de recorrer às sinalizações gráficas sobre os discursos das personagens”.
Como exemplo é um extracto do diálogo entre o soba Lukamba, sentado no seu cadeirão, na varanda coberta de forma a evitar o calor e a chuva, pedindo o seu rabo de boi que começou a abanar, e chamou o seu neto Tanu: “sabes, tu herdaste a pemba do pai do teu avô que corre nas veias da nossa mulemba e te dá força…”
Na sequência, o soba acredita que o seu neto deve começar a dirigir a embala e preparar o corpo e espírito para ser guerreiro: “…é uma ordem dos nossos antepassados, mesmo os que não estão no cemitério da embala e morreram no mar ou foram mortos no Brasil quando tentaram a fuga da escravatura para a liberdade…”.
Durante a apresentação do livro, representantes dos três continentes que formam o triângulo do Atlântico Sul (África, Brasil e Portugal), falaram sobre a obra na perspectiva histórica sobre a escravatura. O livro descreve  o encontro brilhante do continente berço da humanidade com a “África” do Brasil, os encontros e desencontros.
Manuel Rui Monteiro, que procede, no próximo dia 12, ao lançamento da obra “Quem Me Dera Ser Onda” traduzida para mandarim, no Instituto Confúcio, na comuna do Camama, disse que o livro “Kalunga” é o cruzamento de várias culturas, que envolve os continentes africano, europeu e sul americano.
Com a chancela da Editora das Letras e coordenação editorial de Bruna Botelho, a primeira edição do romance tem uma tiragem de 5.130 exemplares, que estão à disposição do público.
O livro foi prefaciado pelo crítico literário Boaventura de Sousa Santos,  que afirmou ser uma obra histórica que envolve o fatal triângulo do Atlântico Sul (África, Brasil e Portugal).
Manuel  Rui nasceu no Huambo em 1941. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra, Portugal, onde desenvolveu advocacia, e foi membro fundador do Centro de Estudos Jurídicos. É membro fundador e subscreveu a proclamação da União dos Escritores Angolanos (UEA), bem como da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC) e da Sociedade de Autores Angolanos.

Eleito o presidente do Zimbabwe, com protestos da oposição

Emmerson Mnangagwa é eleito presidente do Zimbábue; oposição fala em ‘fraude’

Ex-vice de Robert Mugabe venceu as eleições de segunda-feira. Oposição, que liderou protestos durante a semana, contestou o resultado.


Por G1

 

Emmerson Mnangagwa, presidente do Zimbábue, durante evento em Mutare  (Foto: Philimon Bulawayo/Reuters)Emmerson Mnangagwa, presidente do Zimbábue, durante evento em Mutare  (Foto: Philimon Bulawayo/Reuters)

Emmerson Mnangagwa, presidente do Zimbábue, durante evento em Mutare (Foto: Philimon Bulawayo/Reuters)

O atual presidente do Zimbábue, Emmerson Mnangagwa, foi eleito para mais cinco anos de mandato, segundo resultado proclamado pela Comissão Eleitoral do Zimbábue (ZEC, na sigla em inglês) nesta quinta-feira (2). Ele venceu o candidato da oposição, Nelson Chamisa, no pleito que ocorreu na segunda-feira.

Veja o resultado:

  • Emmerson Mnangagwa (Zanu-PF): 2.460.463 votos (50,8%);
  • Nelson Chamisa (MDC): 2.147.436 votos (44,3%);
  • Somados, os outros 21 candidatos obtiveram menos de 5%.

Os resultados de cada uma das 10 províncias do pequeno país de cerca 16 milhões de habitantes foram lidos pela ZEC, com transmissão ao vivo. O comitê atrasou a proclamação do resultado oficial em mais de uma hora porque faltava contabilizar os votos da província Mashonaland Oeste.

Após o anúncio do resultado, Mnangagwa postou uma mensagem de agradecimento aos eleitores no Twitter, onde falou em “um novo começo” e afirmou que “embora possamos ter estado divididos nas eleições, estamos unidos em nossos sonhos”.

President of Zimbabwe

@edmnangagwa

Thank you Zimbabwe!

I am humbled to be elected President of the Second Republic of Zimbabwe.

Though we may have been divided at the polls, we are united in our dreams.

This is a new beginning. Let us join hands, in peace, unity & love, & together build a new Zimbabwe for all!

Momentos antes do anúncio da província que faltava, o líder do partido de oposição Movimento pela Mudança Democrática (MDC), Morgen Komichi, tomou o microfone da comissão eleitoral para dizer que os resultados da votação “eram falsos”.

A atitude deve acirrar a crise eleitoral no Zimbábue (veja mais abaixo). Na quarta-feira, o candidato derrotado Nelson Chamisa havia declarado a vitória unilateralmente.

Chamisa venceu em seis províncias, inclusive na região da capital Harare. Lá, ele conquistou uma larga vantagem em relação a Mnangagwa: candidato opositor obteve cerca de 548 mil votos, bem mais do que os 204 mil obtidos pelo atual presidente.

Presidente do Zimbábue, Mnangagwa, deixa local de votação nas eleições desta segunda-feira (30) em Kwekwe (Foto: Philimon Bulawayo/Reuters)Presidente do Zimbábue, Mnangagwa, deixa local de votação nas eleições desta segunda-feira (30) em Kwekwe (Foto: Philimon Bulawayo/Reuters)

Presidente do Zimbábue, Mnangagwa, deixa local de votação nas eleições desta segunda-feira (30) em Kwekwe (Foto: Philimon Bulawayo/Reuters)

Foi a primeira eleição desde que Robert Mugabe saiu do poder, em novembro de 2017, depois de passar 37 anos no comando do país. Mnangagwa, inclusive, era vice do antigo presidente, e uma crise entre os dois políticos levou à articulação que forçou a renúncia de Mugabe.

Durante a crise, o atual presidente fugiu para a África do Sul, mas voltou para assumir a presidência temporariamente assim que conseguiu fazer com que Mugabe renunciasse e convocasse eleições. Por isso, o ex-líder do Zimbábue chegou a declarar voto em Chamisa.

Credibilidade eleitoral em crise

Partidários da oposição fazem piquete em manifestação em Harare, no Zimbábue (Foto: AP Photo)Partidários da oposição fazem piquete em manifestação em Harare, no Zimbábue (Foto: AP Photo)

Partidários da oposição fazem piquete em manifestação em Harare, no Zimbábue (Foto: AP Photo)

O atraso em mais de uma hora para o anúncio e o protesto do MDC na cerimônia desta quinta tornam a crise de credibilidade da eleição no Zimbábue ainda mais delicada. Isso porque aliados de Chamisa se revoltaram com os três dias de demora do ZEC em anunciar o resultado da eleição presidencial, e acusam “fraude”.

Os opositores, então, lideraram protestos que tomaram Harare na quarta-feira (1). A manifestação foi violentamente reprimida. Policiais e soldados armados entraram em confronto com os manifestantes. Ao menos seis pessoas morreram.

Soldado armado patrulha ruas de Harare enquanto mulher passa carregando sacolas; Zimbábue tem dia de protestos e repressão violenta após eleições no país (Foto: AP Photo/Mujahid Safodien)Soldado armado patrulha ruas de Harare enquanto mulher passa carregando sacolas; Zimbábue tem dia de protestos e repressão violenta após eleições no país (Foto: AP Photo/Mujahid Safodien)

Soldado armado patrulha ruas de Harare enquanto mulher passa carregando sacolas; Zimbábue tem dia de protestos e repressão violenta após eleições no país (Foto: AP Photo/Mujahid Safodien)

Por causa dos conflitos, o presidente Mnangagwa pediu “solução pacífica” para o impasse, usando as redes sociais. Ele também disse que vai solicitar uma “investigação independente” sobre a violência nos protestos.

E como o impasse começou?

Candidato presidencial opositor Nelson Chamisa vota nesta segunda-feira (30) nas eleições do Zimbábue (Foto: Mike Hutchings/Reuters)Candidato presidencial opositor Nelson Chamisa vota nesta segunda-feira (30) nas eleições do Zimbábue (Foto: Mike Hutchings/Reuters)

Candidato presidencial opositor Nelson Chamisa vota nesta segunda-feira (30) nas eleições do Zimbábue (Foto: Mike Hutchings/Reuters)

O ZEC anunciou, na quarta-feira, o partido de Mnangagwa como vencedor da maioria das cadeiras no Parlamento. Os opositores, então, cobraram também o resultado da votação para presidente — as duas eleições ocorreram na mesma segunda-feira.

Assim, o MDC chegou a reivindicar a vitória presidencial nas urnas, mesmo sem o resultado oficial ter saído.

“Recebemos os resultados de nossos colaboradores (…). Os resultados mostram, para além de qualquer dúvida razoável, que ganhamos as eleições e que o próximo presidente do Zimbábue será Nelson Chamisa”, afirmou um dos principais líderes do MDC, Tendai Biti, que citou o candidato do partido.

https://g1.globo.com/mundo/noticia/2018/08/02/emmerson-mnangagwa-e-eleito-presidente-do-zimbabue-oposicao-fala-em-fraude.ghtml