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Egito cancela viagem de diplomatas brasileiros após declarações de Bolsonaro

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Publicado em 5 novembro, 2018 2:33 pm

Segundo informação da Folha, o governo egípcio cancelou uma visita que o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes Ferreira, faria ao país árabe. O chanceler brasileiro desembarcaria na quarta-feira (7) e cumpriria uma agenda de compromissos entre os dias 8 e 11 de outubro.

Nesta segunda-feira (5), o governo brasileiro foi informado pelo Egito que a viagem teria que ser cancelada por mudança na agenda de autoridades do país.

Não é comum no protocolo da diplomacia desmarcar viagens em cima da hora.

As autoridades do governo brasileiro temem que a medida seja uma retaliação às declarações recentes do presidente eleito Jair Bolsonaro.

Ele disse que pretende reconhecer Jerusalém como capital de Israel e que irá transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para a cidade, o que tem desagradado a comunidade árabe.

Segundo relatos de diplomatas, a Liga dos Países Árabes enviou inclusive uma nota à embaixada brasileira no Cairo condenando as declarações do presidente eleito.

 

Fonte:https://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/egito-cancela-viagem-de-comitiva-brasileira-apos-declaracoes-de-bolsonaro/

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A escritora Conceição Evaristo está no ENEM 2018

Trechos de suas obras foram impressos nas capas das provas

Por Agência Brasil

Conceição Evaristo é a homenageada no Enem 2018

Conceição Evaristo é a homenageada no Enem 2018 – Flip/Direitos reservados

Rio – A escritora mineira Conceição Evaristo foi a homenageada no Enem 2018, segundo o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). Trechos de sua obra foram selecionados e estão impressos nas capas das provas do Enem. A cada ano o Inep elege uma personalidade ou um tema para as frases.

Os participantes precisam transcrever a frase apresentada na capa do Caderno de Questões para o Cartão-Resposta. Cada tipo de prova – são quatro cores diferentes, além das provas acessíveis – tem uma frase diferente. Segundo o Inep, uma das frases usadas na prova do Enem é: “E não há quem ponha um ponto final na história”.

Negra, nascida em 1946, em uma favela de Belo Horizonte, Conceição Evaristo concluiu o curso normal aos 25 anos e mudou-se para o Rio de Janeiro. É formada em letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mestre em literatura brasileira pela PUC-RJ e doutora em literatura comparada pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

Conceição Evaristo publicou Ponciá Vivêncio, seu primeiro romance, em 2003. É autora ainda de Becos da Memória e Insubmissas Lágrimas de Mulheres.

 

Fonte: https://odia.ig.com.br/brasil/2018/11/5589816-conceicao-evaristo-e-a-homenageada-do-enem-2018.html&utm_source=twitter&utm_medium=social&utm_campaign=whatsappArticle

África do Sul está preocupada com os rumos da política externa brasileira

ciryl e bolsonaroO presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, disse a correspondentes estrangeiros que suas políticas são “diferentes” e que a África do Sul estava “mais próxima” do Partido dos Trabalhadores

Atual presidente no mandato rotativo dos BRICS, Ramaphosa defendeu o multilateralismo e pediu que Bolsonaro mantenha o Brasil no grupo político:

Ele entrará para uma família Brics que está quase irrevogavelmente comprometida com o multilateralismo, ele entrará para uma família Brics que procura fazer as coisas de uma maneira que fortaleça o benefício mútuo.

Apesar de tentar manter um discurso conciliador, o atual presidente da África do Sul alertou o presidente eleito Jair Bolsonaro sobre um possível abandono do BRICS:

Se ele atuar contra o que defendem os países do Brics, isso será em detrimento do Brasil e dos brasileiros. […] Se começar a empurrar em uma direção diferente, acabará prejudicando o interesse do Brasil.

Fonte: https://renovamidia.com.br/presidente-da-africa-do-sul-preocupado-com-jair-bolsonaro/

Marabaixo pode ser reconhecido como patrimônio do Brasil

Por G1 AP* — Macapá

 


Marabaixo é manifestação cultural tradicional do Amapá — Foto: Fabiana Figueiredo/G1Marabaixo é manifestação cultural tradicional do Amapá — Foto: Fabiana Figueiredo/G1

Marabaixo é manifestação cultural tradicional do Amapá — Foto: Fabiana Figueiredo/G1

O marabaixo, manifestação cultural do Amapá, poderá ser reconhecido como patrimônio cultural brasileiro, importante certificação dada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

No dia 8 de novembro, uma quinta-feira, terá uma reunião do conselho consultivo do Iphan, em Belém (PA), e o órgão decide se vai inscrever ou não o marabaixo no livro de registros das formas de expressão, que o reconhece como Patrimônio Cultural do Brasil.

O título reconhece a presença das ancestralidades africanas na formação social e cultural do Amapá e da Amazônia. Além disso, pode assegurar condições de transmissão e reprodução dessa manifestação cultural.

Marabaixo

Manifestação cultural é herança e resistência de comunidades negras do Amapá — Foto: Fabiana Figueiredo/G1Manifestação cultural é herança e resistência de comunidades negras do Amapá — Foto: Fabiana Figueiredo/G1

Manifestação cultural é herança e resistência de comunidades negras do Amapá — Foto: Fabiana Figueiredo/G1

O marabaixo é uma expressão cultural de devoção e resistência das comunidades negras do estado. A origem do nome diz respeito ao trânsito de escravos em navios negreiros da África ao Brasil, vindo “mar abaixo”, no século 18. A dança, arrastando os pés, representa os escravos com pés acorrentados. Atualmente a dança é em círculos, ao toque das caixas que dão ritmo e melodia.

As festividades que marcam a manifestação cultural são o ciclo do marabaixo, que homenageia a Santíssima Trindade e o Divino Espírito Santo – que ocorre entre as festas da Semana Santa e de Corpus Christi, da igreja católica -, e a Semana da Consciência Negra. Nas comunidades rurais, o marabaixo aparece em festejos de santos e padroeiros.

Ciclo do Marabaixo é uma das oportunidades de ver a programação de marabaixo em Macapá — Foto: Gabriel Penha/Arquivo G1Ciclo do Marabaixo é uma das oportunidades de ver a programação de marabaixo em Macapá — Foto: Gabriel Penha/Arquivo G1

Ciclo do Marabaixo é uma das oportunidades de ver a programação de marabaixo em Macapá — Foto: Gabriel Penha/Arquivo G1

Em Macapá, por exemplo, os grupos de marabaixo se reúnem nos bairros Favela, atual Santa Rita, e Laguinho.

No Marabaixo, além de ouvir o toque das caixas, a leveza das dançadeiras e a beleza das cores das roupas, o visitante pode experimentar o tradicional caldo (cozidão) e a gengibirra, batida de gengibre servida durante as apresentações.

*Com informações da Rede Amazônica

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Conferências Episcopais fazem apelo para superação dos efeitos devastadores da crise

Com um poderoso apelo assinado por seis presidentes de conferências episcopais continentais, os líderes da Igreja Católica chamam os líderes do governo para tomar medidas imediatas e ambiciosas para atacar e superar os efeitos devastadores da crise climática.

Faça o download da Declaração e do comunicado de imprensa em inglês, francês, italiano, espanhol, português e polaco abaixo.

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No contexto de um relatório recente do IPCC da ONU sobre a necessidade urgente de desenvolver políticas que limitem o aquecimento global a 1,5 graus, os líderes da Igreja chamam os políticos para trabalhar em direção a uma implementação ambiciosa do Acordo de Paris para o povo e o planeta. Eles pedem a próxima conferência sobre mudança climática das Nações Unidas (COP24, Katowice, Polônia, dezembro de 2018) para provar um marco no caminho estabelecido em 2015 em Paris.
O apelo foi apresentado hoje em Roma e assinado por Angelo Cardinal Bagnasco, Presidente da CCEE, Arcebispo de Gênova; Oswald Cardinal Gracias, Presidente da FABC, Arcebispo de Mumbai; O arcebispo Peter Loy Chong, presidente da FCBCO, arcebispo de Suva; O arcebispo Jean-Claude Hollerich, presidente da COMECE, arcebispo de Luxemburgo; Arcebispo Gabriel Mbilingi, Presidente do SECAM, Arcebispo do Lubango; e pelo cardeal Rubén Salazar Gómez, presidente do CELAM, arcebispo de Bogotá.

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Sua inspiração vem do trabalho feito no terreno pelos muitos atores corajosos, dentro e além das comunidades católicas, que estão espalhando as mensagens do Papa de Laudato Si ‘. No apelo, eles exigem mudanças rápidas e radicais, resistindo à tentação de buscar soluções tecnológicas rápidas. Líderes da Igreja da América Latina, Ásia, África, Oceania e Europa estão pedindo aos governos que tomem medidas concretas para uma parcela justa de recursos e responsabilidades, onde os “grandes emissores assumem responsabilidade política e cumprem seus compromissos de financiamento climático. “

O apelo baseia-se nos princípios de urgência, justiça intergeracional, dignidade humana e direitos humanos. Ele gira em torno de alguns pontos centrais: manter o aquecimento global abaixo de 1,5 ° C; mudando para estilos de vida sustentáveis; respeitando o conhecimento das comunidades indígenas; implementar uma mudança de paradigma financeiro em linha com os acordos globais sobre o clima; transformar o setor energético pondo fim à era do combustível fóssil e fazendo a transição para a energia renovável; e repensar o setor agrícola para garantir que ele forneça alimentos saudáveis ​​e acessíveis para todos, com ênfase especial na promoção da agroecologia.

Por meio dessa declaração, os líderes da Igreja também reafirmam o compromisso de adotar medidas ousadas em direção à sustentabilidade, uma contribuição crucial para a justiça climática. Em todo o mundo, a Igreja está engajada em iniciativas concretas para mudar para comunidades e estilos de vida mais sustentáveis, incluindo um movimento global para o desinvestimento de combustíveis fósseis e um engajamento crescente na Estação da Criação. 
A declaração é apoiada pelas redes católicas CIDSE, Caritas Internationalis e Global Catholic Climate Movement.

“Somos inspirados por este chamado da Igreja, que reconhece muitos dos esforços que as organizações católicas estão realizando para alcançar a justiça climática, a justiça energética e o acesso à alimentação. Também nos sentimos apoiados em nosso chamado por uma profunda mudança no sistema social e estamos gratos por fazer parte de um movimento global que pede por isso. Acreditamos que isso só pode realmente acontecer mudando para uma economia pós-crescimento ”, disse Josi-anne Gauthier, Secretária Geral da CIDSE.

“Esta declaração é uma forte indicação de que a Igreja Católica global está comprometida em acelerar a ação pela justiça climática. Líderes da Igreja estão ecoando a ênfase do Papa Francisco na urgência da crise climática. Cada ponto no termômetro global é uma tragédia para os mais vulneráveis, e não podemos perder nem um momento para encontrar soluções para eles e para as gerações vindouras. A questão é quando os líderes políticos aceitarão o desafio ”, disse Tomás Insua, Diretor Executivo do Global Catholic Climate Movement.

“Precisamos de uma mudança profunda e urgente na direção das mudanças climáticas. Precisamos ver uma transformação nas negociações climáticas em Katowice. Podemos salvar o planeta e aqueles em maior risco do impacto do clima extremo, mas precisamos da vontade política para tornar essa realidade ”, disse Michel Roy, Secretário Geral da Caritas Internationalis.

https://www.cidse.org/newsroom/church-worldwide-calls-for-ambitious-and-urgent-climate-action.html

Painéis solares para mulheres rurais angolanas

Mais de cinquenta painéis solares foram entregues  pela organização não governamental  ADPP a mulheres rurais do município de Ombadja, província do Cunene, com vista a permitir a mehoria da qualidade de vida das famílias, mediante a utilização de energia eléctrica.

Objectivo é melhorar a qualidade de vida nas comunidades
Fotografia: DRFinanciado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a oferta promove a capacidade das mulheres mediante o acesso à energia eléctrica, no âmbito de um programa de apoio a famílias vulneráveis.
Em declarações à Angop, o coordenador do programa a cargo da ADPP, Geraldo Chivela, referiu que as placas foram distribuídas às mulheres que mais se destacaram na criação e administração dos dez comités de gestão das escolas de campo agro-pastoris criadas em 2017, que envolveram 300 famílias, em que mais de 60 por cento são dirigidas por pessoas do sexo feminino.
Segundo Geraldo Chivela, a utilização de electricidade tem ligação directa com a qualidade de vida dos seres humanos, sendo a energia renovável extremamente compensadora, porque a  necessidade de manutenção é mínima, com um tempo de vida útil de 25 anos.
As escolas de campo são estruturas organizacionais que permitem às famílias trabalhar em conjunto e partilhar experiências sobre alterações climáticas, agricultura, saúde e transmissão de valores morais.

Fonte:http://jornaldeangola.sapo.ao/provincias/cunene/mulheres_do_meio_rural_recebem_paineis_solares

Adriana Alves: a Academia não é um ambiente acolhedor

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A professora Adriana Alves do Instituto de Geociências da USP

Por Ana Bottallo

É comum as pessoas perguntarem aos cientistas sobre a sua pesquisa. Se alguém fizer essa pergunta à geóloga Adriana Alves, professora do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGc/USP), descobrirão que em seu atual projeto de pesquisa ela busca comparar dois eventos geológicos de origem vulcânica que ocorreram em momentos muito diferentes da história geológica da Terra – o primeiro ao final do Permiano, há aproximadamente 250 milhões de anos, e o segundo ao final do Jurássico, em torno de 136 milhões de anos atrás. A diferença entre esses dois eventos não foi apenas de idade: um aconteceu na região que hoje corresponde ao Hemisfério Norte, e é evidenciado nas rochas vulcânicas siberianas, outro ocorreu nas rochas das regiões sul e sudeste do Brasil. Mais um detalhe: embora esses dois eventos sejam semelhantes, o primeiro foi responsável pela maior extinção em massa que já ocorreu no mundo, enquanto o segundo parece não ter tido consequências sequer para a biodiversidade local. Por que eventos geológicos tão similares tiveram fins tão distintos? É esta pergunta que a pesquisadora busca responder.

Nascida em Diadema, cidade da região metropolitana de São Paulo, Adriana ingressou no curso de graduação em Geologia na USP e, a partir daí, concluiu sua pesquisa de doutorado, ingressou em um pós-doutorado e foi aprovada em concurso público para um cargo de professora no mesmo Instituto. Sua pesquisa, inicialmente, abordava rochas continentais de origem magmática.

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No final do ano passado, foi selecionada, junto com outros 64 jovens pesquisadores, em um edital do Instituto Serrapilheira, com um investimento de 100 mil reais para realizar sua pesquisa. Para Adriana, os financiamentos do Serrapilheira são muito positivos, pois “valorizam o investimento em projetos multidisciplinares, mas sem amarras quanto à metodologia empregada”. Um investimento desse porte seria mais difícil através de uma agência de fomento tradicional, uma vez que o caráter multidisciplinar demandaria uma equipe de pesquisa também diversa e se enquadraria na categoria de Projeto Temático, cujo fomento é destinado a pesquisadores experientes. “O Serrapilheira permite os chamados ‘dream grants’, ou seja, um financiamento para você desenvolver a pesquisa do seu sonho, do modo como você julgar melhor”. E que sonho!

Busco entender porque eventos geológicos tão similares, como os evidenciados pelas rochas vulcânicas siberianas e pelas rochas da Província Paraná-Etendeka, tiveram fins tão distintos

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Afloramento de rocha vulcânica bandada da região de Guarapuava (PR). Um dos objetivos do projeto coordenado por Adriana é identificar a origem da estrutura “zebrada” dessas rochas. Foto: Adriana Alves.

As dificuldades, no entanto, não são apenas burocráticas ou acadêmicas, na hora de enviar pedidos de projetos científicos. Sua trajetória pessoal foi sempre muito marcada por situações onde teve que enfrentar o preconceito. “Sendo professora, escancarar o racismo, como eu fiz na matéria para a Folha de São Paulo, é muito mais tranquilo do que quando eu era aluna de graduação ou de pós. Lidar com o racismo a gente lida desde criança, mas chega um momento em que as pessoas [do Instituto de Geociências] passam a respeitar você pelo que é – ou assim esperamos”.

A professora conta, ainda, que atualmente é a presidente da Comissão de Ética e Direitos Humanos do Instituto de Geociências, e que os alunos de graduação que sofrem racismo de seus colegas ou professores reportam as ocorrências a ela. “Tem melhorado, mas eles relatam que frequentemente recebem um tratamento diferenciado”, diz Adriana. Mas essa maior conscientização, embora venha crescendo no Instituto, surgiu nos últimos anos e só ocorreu porque os próprios alunos e alunas passaram a reivindicar os seus direitos e a falar sobre as situações que ocorrem – como ela própria fez na época que entrou no Instituto.

Sendo professora, escancarar o racismo, como eu fiz na matéria para a Folha de São Paulo, é muito mais tranquilo do que quando eu era aluna de graduação ou de pós.

“Em um dos primeiros concursos que acompanhei aqui no IGc, a banca era composta por homens brancos. Eu apontei para essa questão e disse que era preciso uma mudança. Na época, me tacharam de ‘neurótica’, mas fato é que a partir dessa observação, no concurso seguinte tinha uma mulher na banca”. A Geologia é, tradicionalmente, uma ciência muito masculinizada. Quando foi criada a Sociedade Brasileira de Geologia, em 1945, em São Paulo, só haviam homens na presidência e diretoria. Dentro do próprio Instituto de Geociências da USP, no último andar, há fotos dos antigos diretores, todos homens. “Só tem uma mulher professora titular em todo o Instituto. Se as mulheres não são professoras titulares, não podem concorrer a cargos de Direção, uma vez que são elegíveis, em um primeiro momento, os professores titulares e, na ausência destes, outros docentes das demais categorias (livre-docente, professor doutor) podem concorrer. Dentre os professores doutores, é meio a meio, mas nos cargos de chefia você não encontra uma mulher”, completa ela, apontando que essa mudança no pensamento coletivo dentro da Geologia ainda é muito recente, e não parece estar totalmente incorporado. “A preocupação de gênero e mesmo de idade nos congressos de Geologia é muito recente”.

Aliada à questão de gênero, vem uma outra preocupação: a maternidade. Adriana já é mãe da Flora, de 2 anos, e está grávida de 8 meses de Serena. Quando recebeu a notícia, em dezembro passado, de que ganhou o edital do Serrapilheira, a sua primeira reação foi de surpresa: pensou em como iria conciliar duas filhas pequenas e o novo projeto de pesquisa. “A academia não é um ambiente acolhedor [para a maternidade]. [A ciência] é muito cruel, pois ela te força a ter uma dedicação e no momento que você começa a deslanchar na carreira precisa parar para decidir se vai ser mãe ou não – o que é um desejo legítimo”. O projeto aprovado pelo Serrapilheira tem a possibilidade de extensão, mas a geóloga enxerga isso como um desafio a mais. “Nós somos penalizadas por sermos mães, pois por mais que seu parceiro seja prestativo e divida tarefas, a sobrecarga é sempre da mulher”. Isso é evidenciado, por exemplo, quando vemos os cargos de alta chefia nas universidades e instituições de pesquisa, onde a maioria dos reitores, diretores e chefes de departamento é homem. Um detalhe: a maioria desses, ainda, é casado e com filhos, o que indica que o fato de terem uma família para cuidar não os impediu de chegar a esses cargos (para ver mais sobre essa discussão, relembre o texto “Mulher e Ciência”).

Essa “penalização” sofrida pelas mulheres que são pesquisadoras e mães vem principalmente na hora de comparar a produtividade com os pares masculinos. É natural que, no período logo antes e logo após a licença-maternidade, a mulher tenha uma queda na sua produtividade científica. Mesmo quando elas retornam ao trabalho, elas encontram um desafio a mais, que é o de voltar à produtividade sabendo que vai ter a sobrecarga com o cuidado dos filhos. Uma sugestão da professora para contornar esse problema seria, em um primeiro momento, divulgar os dados referentes a período de maternidade para as agências de fomento. “A informação estando lá, as agências e as empresas que fazem os cálculos de produtividade conseguiriam facilmente acessar as estatísticas. Então, é preciso calcular em 3, 4 ou 5 anos, a média de produtividade de uma pesquisadora que teve filhos, e então se basear nessa média. Se não teve filhos durante esse período, então podemos comparar com a média de produtividade dos nossos pares masculinos”. Recentemente, um movimento iniciado pela organização “Parent in Science” sugere que as mulheres pesquisadoras que usam a Plataforma Lattes incluam no seu currículo o período em que estiveram de licença-maternidade ou se afastaram do trabalho para cuidar de seus filhos. Essa iniciativa, chamada “Maternidade no Lattes”, ajuda ao mostrar a todos o elefante branco na sala: que a produtividade de uma mulher, mas não a de um homem, é influenciada pela sua vida pessoal e familiar.

A academia não é um ambiente acolhedor [para a maternidade]. [A ciência] é muito cruel, pois ela te força a ter uma dedicação e no momento que você começa a deslanchar na carreira precisa parar para decidir se vai ser mãe ou não – o que é um desejo legítimo

Ainda falando em produtividade, quando perguntada sobre a forma como a Ciência é produzida hoje, a pesquisadora a considera como negativa, e que a necessidade de publicar artigos incessantemente prejudica a qualidade do trabalho e tolhe o livre pensar. Principalmente, a forma como é avaliada excelência hoje, onde o que conta é a produtividade, desconsidera, por exemplo, períodos de baixa produção, como quando ela teve sua primeira filha. “Eu já tive uma queda de produtividade quando tive minha primeira filha, e isso influencia na hora de conseguir financiamento para meus projetos, pois a metodologia adotada hoje para avaliar excelência é produtividade. Eu prefiro elaborar uma pergunta mais complexa e desafiadora do que publicar 2, 3 artigos por ano”, completa.

E é por isso que Adriana considera como essencial unir, aos esforços das agências públicas de fomento, as iniciativas de incentivo privados à Ciência, como é o caso do Instituto Serrapilheira. “A valorização da pesquisa de base, e não o direcionamento de pesquisas com um fim específico, é fundamental para o avanço da Ciência e Tecnologia. Muitas das respostas para as perguntas que temos hoje sobre saúde ou uso de recursos naturais provêm de uma pesquisa de base”. O projeto premiado de Adriana tem até o início do ano que vem para apresentar seus resultados e, então, convencer o comitê científico do Instituto que vale o investimento de 1 milhão de reais. Mas independente de ser aprovado ou não, Adriana pretende continuar fazendo ciência da forma como faz hoje: divertindo-se. “Daqui a dez anos, quero continuar me divertindo fazendo Ciência”, termina. E nós também achamos que fazer Ciência – e divulgar também – é uma das coisas mais divertidas do mundo!

A valorização da pesquisa de base, e não o direcionamento de pesquisas com um fim específico, é fundamental para o avanço da Ciência e Tecnologia. Muitas das respostas para as perguntas que temos hoje sobre saúde ou uso de recursos provêm de uma pesquisa de base

Fonte:http://projetofilos.com.br/2018/05/filos-entrevista-adriana-alves/