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Entidades do Movimento negro entregam carta ao Presidente da Câmara dos Deputados

Carta de entidades do movimento negro ao Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia

Fotos = Mariana Belmont

Senhor Presidente,

Historicamente, o Estado brasileiro tem acirrado, em vez de eliminar, os padrões de desigualdade e discriminação a que está submetida a população negra brasileira.

Recentes declarações de parlamentares e de membros do poder executivo, bem como a proposição de determinados projetos de lei, indicam o agravamento deste quadro.

Solicitamos seu compromisso com os direitos do povo negro. É essencial que, em seu mandato na presidência da Câmara Federal, o senhor se comprometa a não apoiar projetos que coloquem em risco direitos conquistados pela luta história do movimento negro, e que trabalhe para o avanço:

Fotos = Mariana Belmont

1. do direito à educação:

– pela preservação da Lei no 12.711, de 29 de agosto de 2012, conhecida como Lei de Cotas, que garante a reserva de 50% das matrículas por curso e turno nas universidades federais e institutos federais de educação, ciência e tecnologia a alunos oriundos do ensino médio público, em cursos regulares ou da educação de jovens e adultos, garantindo percentual mínimo correspondente ao da soma de pretos, pardos e indígenas em cada estado.

Vale lembrar da legitimidade das cotas, conquista história do movimento negro, reconhecidas pelo Supremo Tribunal Federal em decisão unânime depois de intensas análises e debates de especialistas em educação e direitos fundamentais. O processo democrático contou com posicionamentos diversos e resultou na aprovação das cotas raciais e sociais, que resultarammem um novo marco na educação brasileira, sendo uma referência mundial para a efetivação do direito humano à educação. Este processo, portanto, deve ser respeitado;

– exigir do Ministério da Educação (MEC) e das Universidades a efetivação de políticas de permanência estudantil para alunos cotistas;

– cumprimento integral do Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado por lei em 2014, que estabelece metas e estratégias para uma educação de qualidade desde o ensino infantil até a pós-graduação;

– fortalecer políticas públicas e garantir a efetivação de mecanismo de implementação das diretrizes curriculares sobre a história da África e das culturas afro-brasileira e indígena previstas no artigo 26 da LDB e nas Leis 10.639/2003 e 11.645/2008;

– fortalecer políticas voltadas para a redução da evasão escolar, defasagem idade-série de estudantes pertencentes aos grupos étnicos e raciais discriminados. 2. do direito à justiça:

– promover políticas de enfrentamento à violência contra a população negra, em especial contra os homicídios que ceifam a vida da juventude negra e o feminicídio de mulheres negras;

– assegurar ações de enfrentamento às violações do direito de culto e crença, com vistas a combater a discriminação contra as religiões de matriz africana;

– exigir do poder executivo orçamento adequado para a implementação das políticas de promoção da igualdade racial contra o racismo, a violência;

– investigação dos assassinatos de quilombolas em luta por direitos.

Fotos = Mariana Belmont

3. do direito à terra, território e justiça ambiental:

– garantir a preservação, proteção, demarcação, homologação e registro incondicional das terras quilombolas, indígenas e de outros povos tradicionais. Necessário se faz também assegurar recursos orçamentários da União para a titulação das terras e para o desenvolvimento de políticas sociais e econômicas voltados para o desenvolvimento sustentável dessas comunidades, com participação das(os)
interessadas(os) nos processos de decisão;

– revogação do acordo assinado entre Brasil e EUA quanto à utilização da base de Alcântara por outro país, para que as comunidades tenham seus direitos, em especial à regularização fundiária, efetivados;

– interromper o projeto de construção da Usina Nuclear nos territórios Quilombolas de Itacuruba em Pernambuco;

– promover políticas ambientais que impeçam a remoção e a desocupação para a extração do patrimônio ambiental e de outras riquezas, o uso de agrotóxicos e outros venenos na agricultura e nas outras culturas de criação de animais e o despejo de detritos e lixos em áreas onde a população negra habita;

– fiscalização do poder executivo na garantia de preservação do ambiente e da cultura das comunidades tradicionais, quilombolas e indígenas e na promoção de fontes alternativas de energia limpa, bem como a democratização, descentralização e gestão pública da energia de maneira a garantir o direito das comunidades tradicionais e das populações do meio rural ao seu acesso, na ampliação do acesso universal à água potável, limpeza urbana e ao saneamento básico, promoção de soberania alimentar e acesso a alimentação saudável, adequada e com qualidade, livre de agrotóxicos e não transgênicos;

– realização de consulta Prévia, Livre e Informada, conforme dispõe a Convenção 169 da OIT, para a construção de empreendimentos em territórios de comunidades tradicionais.

Fotos = Mariana Belmont

4. do direito à seguridade social – saúde, assistência social e previdência:

– assegurar à população negra acesso a serviços essenciais de saúde, assistência e previdência social;

– recusar o projeto de previdência de Bolsonaro, que retira direitos e piora as condições de vida da maior parte da população. Por uma Previdência Social que seja pública, universal e solidária, reconhecendo os direitos de aposentadoria para todas as pessoas, não só para as que possam pagar pelo lucro de bancos e seguradoras;

– fiscalizar o racismo institucional nas organizações públicas e privadas e em suas diferentes políticas, planos e programas de ação;

– exigir do executivo a implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra no Sistema Único de Saúde;

– exigir a implementação de políticas de Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos nas áreas da educação, da saúde e da segurança, garantindo o respeito à livre orientação afetivo-sexual, às identidades de gênero, à autonomia do corpo da mulher o direito ao aborto, bem como promover ações voltadas para a saúde sexual e saúde reprodutiva.

5. do direito à segurança pública:

– reconhecer as flagrantes violações de direitos humanos do “Pacote Anti Crime” apresentado ao Congresso Nacional pelo Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, do governo Jair Bolsonaro. A proposta ignora fatos, evidências, pesquisas, elaborações acadêmicas e científicas, além de toda a mobilização da sociedade em torno do tema, e propõe algo dissonante ao que vem sendo discutido e defendido como solução para o grave problema de segurança pública vivida no Brasil;

– arquivamento do PL-00729/2019 apresentado pelo Deputado Daniel Silveira PSL/RJ, que disciplina a cessão compulsória de órgãos, no caso em que o cadáver apresenta indícios de morte por resultado de ação criminosa. O PL já foi devolvido por ser manifestamente inconstitucional, nos termos do regimento, artigo 137, § 1o, inciso II, alínea “b”, do RICD;

– erradicar o racismo institucional das políticas de segurança, coibindo o uso da violência racial que produz altos índices de homicídios contra a população negra, por meio de políticas de segurança pública, baseadas em Direitos Humanos;

– promover a participação, o delineamento e o controle social das políticas de segurança pública, considerando, fundamentalmente, a participação do movimento negro nos conselhos deliberativos dessas políticas;

– exigir do executivo ações de enfrentamento ao genocídio da juventude negra, com a participação ativa dos grupos envolvidos.

6. do direito ao trabalho

– pela preservação da Lei 12.990 de 2014 que estabelece reserva de vagas aosnegros em concursos públicos da administração pública federal, autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de  economia mista controladas pela União;

– os compromissos assumidos pelo Brasil ao ratificar a Convenção no 111, de 1958, da
Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata da discriminação no emprego e na profissão;

– promoção da tramitação de projetos de lei que assegurem a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho para a população negra, inclusive mediante a implementação de medidas visando à promoção da igualdade nas contratações do setor público e o incentivo à adoção de medidas similares nas empresas e
organizações privadas.

7. da ratificação de tratados internacionais

– promoção da ratificação da Convenção Interamericana Contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância e da Convenção Interamericana Contra Toda Forma de Discriminação e Intolerância, já aprovadas no âmbito da Organização dos Estados Americanos e assinadas pelo Brasil.

Respeitosamente,

MNU – Movimento Negro Unificado
Unegro – União de Negros pela Igualdade
Conaq – Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais
Quilombolas
Marcha das Mulheres Negras de São Paulo
Educafro
Uneafro Brasil
AfirmAÇão Rede de Cursinhos Populares
PVNC Rio
Steve Biko
Geledés – Instituto da Mulher Negra
Ceert
Criola
Irohin – Comunicação e Memória Afro-brasileira
Latinidades – festival da mulher afro latino americana e caribenha
Maré Núcleo de Estudos em Cultura Jurídica e Atlântico Negro da Faculdade de Direito da
UnB
Núcleo de Consciência Negra na USP
Círculo Palmarino
Alma Preta – portal de mídia negra

MANIFESTAÇÃO EM PROTESTO CONTRA CORTES NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Manifestações em defesa de recursos para a educação são realizados nas capitais e nas grandes cidades de todo o país nesta quarta-feira (15).

Os protestos são uma resposta à decisão do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que reduziu o orçamento das universidades federais e bloqueou bolsas de pesquisa

  • 10h3315.mai
    SÃO PAULO

    Sindicato chama de esquerdopatas dirigentes de escolas que aderiram ao protesto

    São Paulo – O Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo), que representa as escolas particulares, divulgou nota na qual afirma que os colégios particulares que aderiram à paralisação desta quarta-feira “são apenas algumas escolas dominadas por esquerdopatas que só querem o pior para o país”. Segundo a entidade, são 25 a 30 escolas em um universo de 10 mil no estado. A orientação do sindicato das escolas é descontar o dia parado do salário.

    VEJA LISTA DE ESCOLAS EM SP

    Alecrim
    Alecrim Dourado
    Anima
    Arco
    Arraial das Cores
    Bakhita
    Equipe
    Escola Livre Aretê
    Espaço Brincar
    Estilo de Aprender
    Gracinha
    Invenções
    Lycée Pasteur (no período da tarde)
    Maria Imaculada (Ipiranga)
    Marupiara
    Miguilim
    Oswald de Andrade
    Politeia
    Ponto de Partida
    Recreio (no período da tarde)
    Santa Cruz
    Santa Isabel
    Santa Maria (no período da tarde)
    Santi
    São Domingos
    Vera Cruz
    Viva
    Waldorf Francisco de Assis
    Waldorf Micael
    Waldorf São Paulo (no período da tarde)

  • 10h2715.mai
    PELO PAÍS

    Saiba como serão os atos nas capitais do Centro-Oeste e Brasília

    Veja, abaixo, onde e quando começam os atos desta quarta-feira (15) contra os cortes na educação nas capitais do Centro-Oeste, além de Brasília.

    Goiânia (GO)
    Assembleia unificada às 13h, Praça Universitária. Pela manhã, haverá um café da manhã simbólico no CEPAE (Colégio de Aplicação)

    Campo Grande (MS)
    Exposição de trabalhos acadêmicos na Praça Ary Coelho, centro da cidade

    Cuiabá (MT)
    Ato de rua em defesa das universidades públicas às 14h, na Praça Alencastro

    Brasília (DF)
    Ato às 10h em frente ao Museu da República, na Esplanada dos Ministérios. Os manifestantes devem marchar até o Congresso

    Ana Volpe/Agência Senado
    Vista aérea da Esplanada dos Ministérios em Brasília
    Vista aérea da Esplanada dos Ministérios em Brasília
  • 10h1815.mai
    PELO PAÍS

    Povos Indígenas puxam marcha da UFMG

    Belo Horizonte – Na marcha que saiu na manhã desta quarta-feira (15) do campus da Saúde da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), povos indígenas lideram o ato formado por professores, estudantes e comunidade universitária. A caminhada se dirige à praça da Estação para ato unificado com outras instituições federais.

    Na manifestação, gritos de “ele não” se misturaram a cantos tradicionais e cantos como “trabalhador, venha para a rua, essa luta também é sua” e “não vai ter corte”. (Fernanda Canofre)

  • 10h0815.mai
    SÃO PAULO

    Escolas particulares suspendem aulas; veja lista

    São Paulo – Algumas escolas particulares da capital paulista anunciaram que vão suspender as aulas nesta quarta-feira (15), dia de protestos organizados por entidades estudantis e de docentes.

    Colégios como o Equipe, São Domingos e Santa Cruz decidiram cancelar as atividades. A Escola da Vila disse que apoia a manifestação, mas vai manter as aulas. Já o Bandeirantes e o Dante Alighieri, por exemplo, vão funcionar normalmente.

    Alberto Rocha/Folhapress
    Fachada do colégio Santa Cruz, em São Paulo
    Fachada do colégio Santa Cruz, em São Paulo

    LISTA DE ESCOLAS EM SÃO PAULO
    Em um levantamento preliminar, segundo o Sinpro-SP, cerca de 30 escolas particulares devem parar nesta quarta. Veja abaixo:

    Alecrim
    Alecrim Dourado
    Anima
    Arco
    Arraial das Cores
    Bakhita
    Equipe
    Escola Livre Aretê
    Espaço Brincar
    Estilo de Aprender
    Gracinha
    Invenções
    Lycée Pasteur (no período da tarde)
    Maria Imaculada (Ipiranga)
    Marupiara
    Miguilim
    Oswald de Andrade
    Politeia
    Ponto de Partida
    Recreio (no período da tarde)
    Santa Cruz
    Santa Isabel
    Santa Maria (no período da tarde)
    Santi
    São Domingos
    Vera Cruz
    Viva
    Waldorf Francisco de Assis
    Waldorf Micael
    Waldorf São Paulo (no período da tarde)

  • 9h5915.mai
    PELO PAÍS

    Estudantes marcham na capital mineira contra cortes na educação; veja vídeo

    Belo Horizonte – Manifestantes da UFMG saem em marcha do campus da Saúde em direção à Praça da Estação, onde ocorre o ato unificado na manhã desta quarta-feira (15).

  • 9h5715.mai
    PELO PAÍS

    Manifestação tem percussão e teatro

    Salvador – As manifestações contra os cortes no orçamento das universidades teve apresentação de grupos de percussão e teatro. Milhares de pessoas concentram-se na praça do Campo Grande, de onde sairão em passeata até a Praça Castro Alves.

    Parte dos manifestantes carregam cartazes com a expressão “balbúrdia é o governo”. Um boneco gigante caracterizado do presidente Jair Bolsonaro e com uma faixa que diz “inimigo da educação” transita entre os manifestantes. (João Pedro Pitombo)

    João Pedro Pitombo/Folhapress
    Boneco gigante de Bolsonaro é levado em protesto na capital baiana
    Boneco gigante de Bolsonaro é levado em protesto na capital baiana
  • 9h4215.mai
    PELO PAÍS

    Ato no Campus da Saúde da UFMG fala de pesquisas ameaçadas

    Belo Horizonte – Centenas de pessoas estão reunidas em frente à faculdade de Medicina da UFMG, em uma concentração para o ato unificado que acontece logo mais na praça da Estação, em Belo Horizonte.

    No microfone, professores e alunos falaram sobre os motivos dos protestos e projetos que estão ameaçados pelos cortes.

    Um dos projetos de pesquisa da universidade, exibido em cartazes no ato, produziu um kit para fazer diagnóstico de resistência da tuberculose. O trabalho contou com alunos bolsistas, em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose (Rede-Tb).

    “É uma produção nossa, que transferiu essa tecnologia para a indústria”, explica a professora da faculdade de Medicina da UFMG, Silvana Espíndola.

    Hoje, diz ela, há 34 casos de tuberculose a cada 100 mil habitantes no país. O número está estabilizado, com índice considerado moderado de carga, mas preocupa se houver congelamento em investimentos sociais.

    Dentre os beneficiários do Bolsa Família, houve aumento de 8% de cura da tuberculose, ao longo dos 13 anos de programa, segundo Isabela Neves, pós-doutoranda do grupo de pesquisa em microbacterioses. (Fernanda Canofre)

    Fernanda Canofre/Folhapress
    Alunos e professores da UFMG protestam contra cortes na educação
    Alunos e professores da UFMG protestam contra cortes na educação
  • 9h1215.mai
    PELO PAÍS

    Manifestantes protestam contra cortes na educação e reforma da previdência

    Curitiba – A garoa fina e o tempo frio em Curitiba, que marca 14 graus, não espantou os estudantes que já se reúnem em frente ao prédio histórico da Universidade Federal do Paraná, no centro da capital.

    O ato contra os cortes na educação superior também tem como pauta a reforma da previdência. Há dois caminhões de som no local, com bandeiras da CUT e CNTE. Já com os primeiros manifestantes no local, um grupo de padres franciscanos rezou um pai-nosso no caminhão de som. (KATNA BARAN)

    Katna Baran / Folhapress
    Alunos da UFPR e movimentos sindicais iniciam protesto em Curitiba
    Alunos da UFPR e movimentos sindicais iniciam protesto em Curitiba
  • 8h5315.mai
    PELO PAÍS

    Estudantes e professores fazem panfletagem contra cortes na educação

    Belo Horizonte – Na capital mineira, estudantes, técnicos e professores da UFMG e da rede municipal, começaram o dia fazendo panfletagem em estações de transporte público e outros pontos.

    Em alguns locais, os panfletos traziam informações sobre os cortes no orçamento das universidades, em outros, falavam sobre a reforma da previdência. A proposta que o governo Bolsonaro tenta aprovar no Congresso também está na pauta do dia de mobilizações.

    Alunos do CEFET-MG também protestaram no início da manhã, fechando uma das avenidas da capital mineira, a Amazonas. Uma das faixas usadas por eles trazia a frase “luto pela educação”. (FERNANDA CANOFRE)

    Tatiane Ferreira/Folhapress
    Alunos fazem panfletagem na estação Pampulha, na manhã de quarta (15)
    Alunos fazem panfletagem na estação Pampulha, na manhã de quarta (15)
  • 8h3915.mai
    SÃO PAULO

    Faculdade de Direito da USP adere à manifestação contra os cortes na educação

    A Faculdade de Direito da USP, no centro da capital paulista, também aderiu aos protestos desta quarta-feira (15) contra os cortes na educação. Nesta manhã, a faculdade realizará aula pública com professores da instituição, oficina de cartazes, batucada, café da manhã coletivo, além de concentração para o ato na avenida Paulista.

    Laura dos Santos/Folhapress
    Fachada da Faculdade de Direito da USP com cartaz em protesto contra os cortes na educação
    Fachada da Faculdade de Direito da USP com cartaz em protesto contra os cortes na educação

OEA recebe movimentos negros do Brasil

Essa será a primeira vez desde a Conferência de Durban, na África do Sul, em 2001, que missão oficial brasileira composta exclusivamente por movimentos negros participa de um encontro para fazer denúncia internacional

OEA recebe 14 membros de movimentos negros em maio | Foto: Rosa Caldeira/Ponte Jornalismo

A CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) da OEA (Organização dos Estados Americanos) vai receber 14 ativistas e militantes dos movimentos negros brasileiros para falar sobre o pacote anticrime do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, que pretende modificar o sistema penal e denunciar violações dos direitos da população negra no Brasil. A comitiva será composta por 10 mulheres e 4 homens de 7 estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Goiás, Pará e Maranhão.

Sediado na Universidade de West Indies, em Kingston, Jamaica o evento celebra o marco do 172º Período de Sessões e a participação do grupo brasileiro será em 9 de maio. A última participação em missão oficial brasileira exclusiva dos movimentos negros em fóruns de denúncia internacional aconteceu em 2001, na África do Sul, durante a Conferência de Durban – um movimento protagonizado por mulheres negras latino americanas, que, na época, teve como uma das líderes Sueli Carneiro.

Em entrevista à Ponte, Iêda Leal de Souza, coordenadora nacional do MNU (Movimento Negro Unificado), que participará da audiência pública, enfatiza a importância dos movimentos negros se unirem e construírem debates internacionais como este da OEA. “A luta contra o racismo não está sendo fácil no nosso país. Esse conjunto de mulheres e homens indo para essa reunião importante, não só fazer as denúncias da forma que o negro vem sendo tratado nesse país, mas, também para gente reunir forças para continuar lutando e decidir os caminhos que vamos traçar daqui pra frente”, defende Iêda.

Para ela, o caminho está na reorganização do movimento e na vigilância contínua. “Vamos redobrar a nossa vigilância, vamos continuar lutando, mas temos a necessidade de incluir novas parcerias e espaços pra gente denunciar e tirar situações bastantes positivas para ter um diálogo com o governo brasileiro e continuar reafirmando que o negro nesse país vai ter que ter muito respeito de quem dirige e a compreensão de que nós somos uma nação grandiosa, somos 60% dessa população, por isso a necessidade da nossa reorganização e desses diálogos internacionais”, argumenta a coordenadora do MNU.

Iêda explica também o que o pacote anticrime representa para o Movimento Negro Unificado. “De fato, ele representa a criminalização do povo. Não se apresentou nada de novo, não se tem nada pedagógico. O que tem, na verdade, é uma coisa punitiva. E esse punitivismo dá crédito para quem poderia ajudar na segurança das pessoas, mas na verdade diz para elas que elas estão autorizadas a continuar exterminando o povo negro. Nós não podemos concordar com isso”, critica Souza.

O documento protocolado à CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos), em fevereiro de 2019, teve assinatura de 39 entidades da sociedade civil organizada e representantes de movimentos negros e periféricos. O ofício pede um posicionamento do órgão sobre as medidas e que seja disponibilizado um observador internacional para acompanhar o caso no Brasil. Entre os pontos do projeto que mais colocam em risco a população negra, as entidades destacam a proposta de prisão em segunda instância, que aumentará o número de presos no país, e o menor rigor na punição e apuração de casos de homicídio cometidos por agentes de segurança do Estado.

“O conjunto de propostas, que visa alterar leis federais na área penal, processual penal e de combate à violência, tem gerado, desde sua apresentação pública em 4 de fevereiro de 2019, amplo debate e muitas críticas por parte de juristas, acadêmicos, especialistas e sobretudo das organizações da sociedade civil. A gravidade que tais modificações podem representar à segurança pública e à vida de milhares de cidadãos e cidadãs brasileiras, sobretudo da população negra e pobre, nos motiva a apresentar este documento a esta Comissão”, explica o texto do ofício, que começa com uma frase do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de incentivo à violência de Estado: “Se alguém disser que quero dar carta branca para policial militar matar, eu respondo: quero sim! O policial que não atira em ninguém e atiram nele não é policial.”

A mulher negra é quem paga mais imposto no Brasil

Mulher negra e pobre é quem mais paga imposto no Brasil

A violência e a corrupção são terríveis, mas seríamos uma nação melhor se nossa sociedade repudiasse da mesma maneira a desigualdade

Ao contrário de Estados Unidos, França e Inglaterra, no Brasil tributa-se mais o consumo do que a renda e o patrimônio. Com tantos impostos em cima de impostos, a população não faz ideia do quanto deixa para o fisco sobre qualquer coisa que venha a comprar.Por exemplo, segundo o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), para cada 1 real de cachaça são 82 centavos só de imposto. Se for carne, ficam 29 centavos para o governo. Açúcar, 31 centavos. Arroz, feijão ou farinha, 17 centavos.

É um sistema perverso. Como quem tem menos consome tudo que recebe, são os mais pobres que acabam pagando mais em proporção aos ganhos. Já os mais ricos podem poupar e ainda fazer o dinheiro render nos bancos, sobretudo em épocas de juros altos.

Não bastasse isso, a distorção aumenta com a isenção sobre lucros e dividendos, algo que só existe na Estônia e aqui. Foi implantada por FHC em 1995, passando incólume pelos governos Lula e Dilma, o que ajuda a nos manter como mais um paraíso dos milionários.

Estudo do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos) vai além, destrinchando essas injustiças fiscais também por raça/cor e gênero.

Participação (%) por decis de renda, por raça/cor e sexo:

Na base da pirâmide, dos 10% mais pobres (onde 68,06% são negros), a carga tributária é de 32%. Nessa faixa, as mulheres negras são o maior grupo contribuinte, 35,59%. Já no topo, dos 10% mais ricos (83,72% são brancos), a carga é de 21%. Nessa faixa, são os homens brancos que predominam, 49%.

Conclusão: no Brasil, a mulher negra e pobre é quem mais paga impostos.

A violência e a corrupção são terríveis, importante que estejam na agenda da hora, mas certamente seríamos uma nação melhor se nossa sociedade que forma opinião repudiasse da mesma maneira a desigualdade, este sim nosso maior desafio. Aliás, não seria leviano dizer que se vê menos violência onde se tem mais oportunidades de subir na vida, assim como menos corrupção quando se tem mais controle social.

Se são tempos de patriotismo, nosso o orgulho de nação entre as dez maiores economias jamais pode ser maior do que nossa vergonha como o 10º país mais desigual do mundo, empatado nas métricas de concentração de renda com o Reino de Essuatíni, pequeno país da África austral.

Fonte:https://www.cartacapital.com.br/opiniao/mulher-negra-e-pobre-e-quem-mais-paga-imposto-no-brasil/?utm_campaign=newsletter_rd_-_30042019&utm_medium=email&utm_source=RD+Station

O presidente do Brasil anuncia mais perversidades

perversidade

Bolsonaro vai ao Agrishow anunciar que a festa é ruralista

O presidente foi ao Agrishow no interior de São Paulo fazer agrados à plateia ruralista. Disse ter ordenado ao ministro do meio ambiente “uma limpa” no Ibama e no ICMBio e ter vibrado “quando ele [Salles] anunciou há poucos dias à frente do ICMBio quatro integrantes da Polícia Militar”, porque “eram pessoas que ‘tiveram’ um passado junto ao batalhão florestal ou similares, ‘tiveram’ ao lado de vocês”. Como se fosse pouco, segundo O Globo, mandou o ministro do Meio Ambiente alterar o processo de fiscalização, para que antes de multarem, os fiscais de órgãos ambientais repassem orientações sobre a legislação ambiental. Salles, aparentemente por considerar tal franqueza um tanto exagerada, disse que “o presidente fez uma figura de linguagem que significa, na verdade, que estamos apoiando os bons funcionários do Ibama, gente dedicada, gente técnica, que cuida das suas atividades com muito cuidado. Por outro lado, eventuais desvios que são identificados por nós, serão objeto de atuação (sic). Foi isso que o presidente quis dizer, nada além disso.” Ah, bom.

Bolsonaro também anunciou duas de suas intenções: mudar a legislação de modo a permitir ao proprietário rural que ande armado na sua propriedade e baixar os juros do Banco do Brasil para o produtor rural. Faltou dizer se pistoleiros eventualmente contratados teriam também porte de arma liberado no interior das propriedades. Faltou também dizer se os contribuintes em geral ou os demais tomadores de empréstimos do BB bancarão o “espantoso progresso” do agronegócio brasileiro.

Em tempo 1: Salles chamou mais um policial militar para sua equipe, desta vez para ocupar a diretoria de Planejamento, Administração e Logística do Ibama. Luís Gustavo Biagioni ex-chefe do Estado Maior do Comando de Policiamento Ambiental de São Paulo. Ele substitui um funcionário de carreira do órgão ambiental, exonerado no meio do mês.

Em tempo 2: Celso de Rocha Barros escreveu na Folha de S. Paulo um parágrafo tão claro quanto triste: “E temos Sérgio Moro ministro da Justiça de um governo que quer desmontar o Supremo Tribunal Federal. E temos a Polícia Federal tentando melar a entrevista de Lula.  E nada passa no Congresso, e nada é feito para reduzir o desemprego, e o MEC é saqueado por fanáticos extremistas, e o ministério do Meio Ambiente trabalha pelo desmatamento, e o Brasil passa vergonha entre as nações como um país que está bêbado.”

Fonte: http://climainfo.org.br/2019/04/30/bolsonaro-vai-ao-agrishow-anunciar-que-a-festa-e-ruralista/bolsonaro-agrishow

Racismo e machismo no Parlamento

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Hoje pela manhã uma assessora negra da mandata das Juntas foi barrada na entrada do Anexo II da Assembleia Legislativa de Pernambuco pelo segurança da Casa. Fotógrafa e cineasta, ela se dirigia ao Plenarinho III para cobrir com vídeos e fotos a reunião ordinária da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulheres quando foi abordada de maneira agressiva pelo policial, que a questionou sobre a motivação da sua presença. A profissional trabalha há quase três meses no espaço e estava segurando uma câmara fotográfica, identificando com clareza a função que exerceria no espaço. Três mulheres da mandata, duas delas Codeputadas, foram chamadas pela assessora para confrontar a abordagem e também foram alvo de comentários machistas e racistas.

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A Superintendência de Segurança da Casa foi imediatamente acionada e notificada do episódio inaceitável (é a segunda conversa sobre o tema em menos de um mês). O nome disso é racismo institucional, que se manifesta em práticas e comportamentos discriminatórios adotados no cotidiano e que sempre colocam pessoas negras em situação de desvantagem em espaços públicos e privados, nas relações institucionais e políticas. Não aceitaremos a naturalização da violência que pressupõe perfis adequados para estar numa casa parlamentar, que é a casa povo.download (1)

A Mandata das Juntas é formada por 70% de mulheres e 50% de pessoas negras e tem sido foco frequente de abordagens machistas e racistas. São comentários sobre as roupas, sobre os cabelos, perguntas grosseiras sobre se trabalham ou não na Casa, entre outras formas de assédio moral e discriminação que não acontecem com outras pessoas que trabalham no mesmo espaço. A mandata é feminista e periférica, com forte presença de pessoas negras, em diversas funções. A diversidade da equipe representa vários segmentos da sociedade que são discriminados todos os dias por sua classe, sua cor, seu gênero.

Não é um caso isolado. Deputadas estaduais negras como Mônica Francisco e Dani Monteiro (PSOL/RJ) foram barradas em espaços da assembleia local, assim como as deputadas federais Talíria Petrone (PSOL/RJ) e Áurea Carolina (PSOL/MG), no Congresso Nacional. Como forma de iniciar uma mudança cultural, as Juntas vão propor um treinamento sobre o respeito e diversidade racial a servidores, o que Mônica Francisco nomeia de “Instrução contra o racismo institucional”. Não é possível calar e invisibilizar as violências. As Juntas foram eleitas para mover as estruturas.

Papa Francisco beija os pés do lider do Sudão do Sul e pede paz

mundo-papa-francisco-11042019-001.jpg“O Papa Francisco em seu papel de mediador não se limitou a usar palavras, mas realizou gestos e símbolos fortes, específicos da cultura africana dos protagonistas. Tais gestos falam mais dos que as palavras. O Papa colocou em prática o conselho de São Francisco de Assis que exorta: ‘Preguem o Evangelho em todos os lugares e, se necessário, usem as palavras’”, afirma Pe. Zagore

Cidade do Vaticano

A imagem do Papa Francisco – de quinta-feira, 11 de abril – ajoelhado aos pés dos líderes sul-sudaneses para implorar o perdão deles entre si e tornar a paz uma realidade tangível neste país africano que sofre há décadas, “traz consigo um grande valor simbólico que é parte da tradição cultural africana”, explica à Fides o teólogo marfinense da Sociedade para as Missões Africanas, Pe. Donald Zagore.

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“Na África, em muitas culturas este ato de prostrar-se, de humilhar-se aos pés de alguém, se dá em dois contextos muito específicos: de um lado quer ser um sinal de agradecimento e, de outro, implora o perdão ou a graça”, explica o missionário.

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Santo Padre realizou gestos e símbolos fortes

Nesse contexto, o Papa implora aos líderes do país, em nome do povo sul-sudanês, o perdão e a graça e a acabar com a guerra impiedosa que continua martirizando a população.papa e o sudão do sul

Pe. Zagore acrescenta: “O Papa Francisco em seu papel de mediador não se limitou a usar palavras, mas realizou gestos e símbolos fortes, específicos da cultura africana dos protagonistas. Tais gestos falam mais dos que as palavras. O Papa colocou em prática o conselho de São Francisco de Assis que exorta: ‘Preguem o Evangelho em todos os lugares e, se necessário, usem as palavras’”.papa

“Trata-se de uma atitude que abre os corações empedernidos pelo ego e pela violência para reconciliar o amor de Deus. O Papa, ao fazer esse gesto, revoluciona toda a dinâmica da lógica da diplomacia e da mediação na resolução dos conflitos”, afirma ainda.

“Na África, um líder não se prostra diante de seus súditos. Embora Salva Kirr e Riek Machar não sejam diretamente subalternos ao Papa, são seus filhos espirituais, enquanto o Papa é Pai espiritual por excelência”, continua Pe. Zagore.

Assim como Jesus na Última Ceia se prostra e lava os pés de seus apóstolos, o Papa Francisco se coloca no lugar do subordinado. A mensagem do Santo Padre é clara: a paz não tem preço.

“Somente abandonando nosso ego, deixando morrer o nosso eu, que geralmente exclui o Tu e, portanto, torna o acesso difícil à comunidade, podemos daí em diante falar e relacionar-nos como irmãos, iguais, unidos pela mesma humanidade”, conclui o teólogo missionário.

Fonte: https://br.reuters.com/article/worldNews/idBRKCN1RN2QZ-OBRWD

Vamos salvar o mundo

Dom-Quixote-Sancho-Pança

por Ivair Augusto alves dos Santos

A minha grande motivação para levantar todos os dias é uma só: Preciso salvar o mundo.

Descubro diariamente que o inimigo cresce em tamanho e barbaridades. As autoridades brasileiras continuam silenciosas diante da tragédia do genocídio de familias negras, e sequer reconhecem a existência do racismo no fuzilamento de gente negra. A minha primeira emoção que tive ao saber do fuzilamaneto foi de chorar, depois enxuguei as lágrimas e pensei comigo, preciso salvar o mundo.

mudar o mundo

O Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro disse diante do episódio e quando cobrado pela imprensa disse : “Lamentavelmente esses fatos podem acontecer” – “incidente bastante trágico”, aparenta ser “injustificável” e que deve ser apurada. O carro em que Rosa e família estavam foi fuzilado por mais de 80 tiros disparados por militares no último domingo (7), no Rio de Janeiro.

O ministro também defendeu que os envolvidos sejam punidos, “mas lamentavelmente esses fatos podem acontecer”. Nenhuma palavra sobre o genocídio de familias negras. Nenhuma palavra sobre o projeto anti crime, que ele elaboru e foi enviado ao Congresso que irá aumentar o numeero de mortes. nenhuma sensibilidade ao que nós negros pensamos e reivindicamos. Nenhum gesto de solidariedade e amparo à família.

Não é um incidente é um ato de exterminio. Há uma lógica perversa, negros não tem familia, não tem carro, não podem ir onde querem e não pode existir Em situações como essa, fico pensando o que nos resta?:

Primeiro antes de tudo,manter a esperança e o otimismo sempre diante de uma situação que só piora. Acreditar que para além do computador exite caminhos que não foram percorridos e muitos companheiros indignados. Hoje acordei com mais uma missão, convidar os amigos, conhecidos e colegas a se juntar comigo para salvar o mundo

 

Ivair Augusto Alves dos Santos

Agroboys na busca de subsídios

agronegocios 1Aos poucos, o agronegócio começa a admitir sua adicção a subsídios

As matérias sobre os custos do agronegócio para o Tesouro Nacional na forma de subsídios, anistias e similares apontam para um rumo ligeiramente diferente dos discursos altaneiros da bancada ruralista. Depois que o ministro da economia trancou o cofre a sete chaves, começam a surgir discursos que admitem que os pedidos por mais e mais subsídios não se coadunam com a narrativa do agro-que-é-tudo. Mas, como qualquer viciado sabe, tirar todos os subsídios de uma vez resultaria em uma quebradeira digna das maiores crises de absenteísmo que se tem notícia. Assim, os agroboys aceitam que se reduza um pouco do subsídio ao Plano Safra e ao crédito à irrigação, desde que se possa solicitar os dois. Pela vontade dos agroboys, o subsídio nas contas de luz também poderia desaparecer, mas mais lentamente do que o previsto. A trincheira principal, agora, é o seguro rural, aquele que o produtor compra para eventualidades como secas, inundações e pragas, todas aquelas coisas desagradáveis que a mudança do clima vem intensificando. Chega a ser irônico ver a bancada ruralista, que tudo faz para aumentar o desmatamento, aumentando assim o ritmo do aquecimento global, pedir ao contribuinte brasileiro que garanta seu lucro bancando um seguro contra a mudança do clima.

Fonte:http://climainfo.org.br/

Brasil precisará de 750 mil profissionais qualificados em tecnologia digital

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Segundo a BRASSCOM e a Softex, o Brasil pode chegar em 2020 com um déficit de 750 mil profissionais qualificados para atuar na área de tecnologia caso o país não reforce programas para reverter esse quadro. Isso é ainda mais preocupante visto que, segundo o IBGE, há mais de 12 milhões de pessoas desempregadas no país.

Cerca de 20% dessas oportunidades de emprego são especificamente para o mercado digital, que hoje já conta com mais de 5000 startups segundo a ABStartups. Além disso, até 2020, mais de 70% das empresas que figuram no relatório da revista Fortune das 500 pequenas e médias empresas serão compostas por startups.

Esse crescimento acelerado do mercado digital exige uma mão de obra específica e qualificada, que a educação tradicional não consegue formar. Esse descompasso gera um enorme prejuízo para o país, que acaba ficando para trás na corrida pela produtividade e inovação, fatores cruciais para o desenvolvimento.

A realidade do ensino superior no Brasil ilustra bem esse cenário: todo ano mais de 900 mil alunos abandonam a faculdade (fonte Guia do Estudante), e 85% dessa evasão é exatamente em cursos de tecnologia (fonte MEC).

Entre as hipóteses do porquê isso acontece está a qualidade e efetividade de fazer um curso superior. De acordo o Mundo Vestibular, quem se forma na graduação leva pelo menos 2 anos pagando seu salário para obter o retorno do investimento.

Segundo Guilherme Junqueira, CEO da Gama Academy – startup de educação que seleciona e treina profissionais para o mercado digital – “a educação tradicional ainda segue a lógica de atividades lineares, de departamentos segmentados, processos repetitivos e produção previsível. Contudo, o mercado digital segue uma lógica contrária: não linear, com equipes multidisciplinares, trabalho multiconectado e escala exponencialmente imprevisível.”

Atualmente, o Brasil tenta reverter essa situação com iniciativas de educação que forme profissionais com o mindset voltado para o digital. A Gama Academy, por exemplo, promove o Gama Experience, um programa inovador para profissionais das áreas de marketing, vendas, design e desenvolvimento (cerca de 80% das vagas no mercado digital são para essas quatro áreas, de acordo com mapeamento de vagas da própria empresa).

Após três anos de atuação quase exclusiva em São Paulo, em 2019 o programa chega em 6 capitais brasileiras: Belo Horizonte, Florianópolis, Curitiba, Goiânia, Recife e São Paulo. Em uma experiência imersiva, gamificada e de alta performance, o programa tem um índice de empregabilidade de 90% em até três meses depois de formado, em empresas como IFood, Accenture, Cabify e Creditas.

Segundo Junqueira, “é preciso correr para formar esses profissionais para o mercado digital. Há muita demanda e o Brasil só se tornará realmente desenvolvido quando tiver capacidade competitiva em tecnologia e inovação. Isso só será possível por meio de profissionais com a capacitação adequada para realizar tal transformação”.

Fonte:http://geodireito.com.br/index.php/2019/02/18/brasil-pode-chegar-um-deficit-de-750-mil-profissionais-qualificados-em-tecnologia/