Cabo Verde é uma “estrela” segundo o empresário sudanês Mo Ibrahim

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Cabo Verde é uma “estrela”, Angola tem problemas de gestão e não tem sabido estar à altura do seu potencial e Moçambique estagnou nos últimos anos, lamentou hoje o empresário sudanês Mo Ibrahim, presidente da Fundação Mo Ibrahim.

“Cabo Verde é uma estrela. Claro que está a emperrar aqui e acolá. Mas é uma força enquanto país e o primeiro em termos de Participação e Direitos [Humanos] em África. É um grande feito. Vocês os portugueses fizeram algo que foi diferente, não sei”, afirmou, em entrevista à agência Lusa.mo ibrahuim1

Lembrou também que um ex-dirigente cabo-verdiano, o antigo presidente Pedro Pires, foi um dos quatro Prémio Ibrahim para a Excelência na Liderança Africana, dizendo que “é uma grande prova da saúde do país”.

Sobre Angola, disse ser um grande país, com recursos, mas que “sofre de um grande problema de gestão”.

Comentando as avaliações aos países lusófonos feitas pelo Índice Ibrahim de Governação Africana (IIAG) de 2017, publicado hoje pela Fundação Mo Ibrahim, o empresário e filantropo lamentou o desempenho de Angola e Moçambique.

“Em muitas categorias, Angola falhou em estar à altura do seu potencial. É uma pena. Moçambique fez alguns avanços, mas estagnou nos últimos anos e começou num leve declínio, infelizmente. É muito triste, porque é outro país que deu um vencedor para o nosso prémio, o presidente Chissano. É pena ver o que foi alcançado nesse período ser desperdiçado mais tarde. É lamentável”, acrescentou.chissano

Segundo o documento, 40 dos 54 países avaliados registaram progresso nos últimos 10 anos e 18 apresentaram um crescimento acelerado desde 2012, entre os quais a Guiné Bissau, que, mesmo assim, desceu uma posição para 43º. lugar.

Os números apontam para uma trajetória positiva em desaceleração, ou seja, o ritmo de crescimento dos últimos cinco anos é inferior ao da última década entre 2007 e 2016: mais de metade dos 40 países está atualmente em crescimento desacelerado ou inverteu a tendência desde 2012, nomeadamente Cabo Verde e Angola, em 4º. e 45º. lugares, respetivamente.

Oito dos 54 países evidenciaram uma deterioração acelerada, incluindo Moçambique, que caiu dois lugares, para 23º.

São Tomé e Príncipe manteve a 11ª. posição no índice, enquanto a Guiné Equatorial subiu para a 46ª., apesar de se manter no grupo dos 10 piores.

Lançado pela primeira vez em 2007 pela Fundação Mo Ibrahim, o Índice Ibrahim de Governação Africano (IIAG) mede anualmente a qualidade da governação nos países africanos através da compilação de dados estatísticos.

O Índice Ibrahim de Governação Africana (IIAG) pretende oferecer uma avaliação anual da governação nos países africanos graças a uma compilação de dados, que este ano reuniu 100 indicadores de 36 instituições independentes, africanas e globais.

A Fundação Mo Ibrahim foi criada em 2006 com o objetivo de promover a qualidade da liderança e da governação em África, sendo também responsável pelo Prémio Ibrahim para a Excelência na Liderança Africana, pelo Fórum Ibrahim e pelas Bolsas de Investigação e de Estudo Ibrahim.

https://www.dn.pt/lusa/interior/cabo-verde-e-uma-estrela-angola-e-mocambique-uma-desilusao—mo-ibrahim-8931104.html

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A primeira visita internacional do Presidente de Angola será na África do Sul

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O Presidente da Republica, João Lourenço, desloca-se na próxima semana à África do Sul para uma visita oficial, a convite do seu homólogo Jacob Zuma.portuguese map of southern africa_mozambique

O reforço da cooperação nos sectores bancário, serviços veterinários, educação superior, supressão de vistos em passaportes ordinários, entre outros, fará parte do programa de visita oficial do Chefe de Estado, João Lourenço, que se desloca à África do Sul na terceira semana deste mês.

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Esta informação foi prestada nesta quinta-feira, 9, pela ministra das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, Maite Nkoana-Mashabane, após encontro com seu homólogo angolano das Relações Exteriores, Manuel Augusto, que se encontra em Pretória desde quarta-feira, 8.

Para preparar a visita de João Lourenço, convidado do Presidente da África do Sul, Jacob Zuma, os chefes da diplomacia dos dois países analisaram, em Pretória, o programa e os assuntos que serão abordados pelos estadistas.

http://www.governo.gov.ao/VerNoticia.aspx?id=33850

O racismo mata e não podemos ser indiferentes’, diz ONU Brasil em lançamento da campanha #VidasNegras

A ONU Brasil lançou na terça-feira (7) a campanha #VidasNegras, iniciativa de conscientização nacional pelo fim da violência contra a juventude afrodescendente. Em cerimônia que reuniu em Brasília cerca de cem autoridades públicas e representantes da sociedade civil e do corpo diplomático, dirigentes das Nações Unidas alertaram que cinco jovens negros morrem a cada duas horas no país. Por ano, o número chega a 23 mil.

O organismo internacional fez um apelo à sociedade brasileira e ao poder público por repostas ao racismo e à discriminação. Um jovem negro é assassinado a cada 23 minutos no Brasil.

A ONU Brasil lançou na terça-feira (7) a campanha #VidasNegras, iniciativa de conscientização nacional pelo fim da violência contra a juventude afrodescendente. Em cerimônia que reuniu em Brasília cerca de cem autoridades públicas e representantes da sociedade civil e do corpo diplomático, dirigentes das Nações Unidas alertaram que cinco jovens negros morrem a cada duas horas no país. Por ano, o número chega a 23 mil.

Para Nicky Fabiancic, coordenador-residente do Sistema das Nações Unidas no Brasil, os dados mostram a “dura realidade” enfrentada pela juventude negra brasileira, “que sofre o impacto do racismo estrutural que precisamos combater”.

“Hoje, reafirmo o compromisso da equipe das Nações Unidas no Brasil com a eliminação do racismo e da discriminação racial. A campanha Vidas Negras é uma convocatória à ação. É inaceitável que o fato de ser negro coloque jovens em risco de serem assassinados, de serem submetidos a diferentes tipos de violência. As famílias temem pelas vidas desses jovens. Perdem esses jovens. E a sociedade: nós perdemos muito mais”, afirmou o dirigente durante o evento na Casa da ONU, na capital federal.

O racismo mata.
E não podemos ser indiferentes.
Um jovem negro é assassinado
a cada 23 minutos.

“Precisamos reconhecer que afrodescendentes são as maiores vítimas de ações abusivas e, muitas vezes, letais pelas forças de segurança, ocasionando também taxa desproporcional de apriosonamento de pessoas negras. Em geral, jovens negros e com baixa escolaridade são as principais vítimas de mortes violentas.”

O coordenador-residente enfatizou a responsabilidade que o poder público tem de reverter o atual cenário, sobretudo devido às dificuldades que a juventude negra enfrenta para ter acesso a educação. Cobrando medidas para “manter o jovem negro na escola”, Fabiancic completou que “isso deve ser combatido nas frentes social, política e econômica para que se reverta essa profunda desigualdade”.

Ao se referir à Década Internacional de Afrodescendentes, instituída pela Assembleia Geral da ONU em 2015, Fabiancic lembrou que, dos 200 milhões de afrodescendentes nas Américas, mais da metade estão no Brasil, o que o torna “o maior país em número de afrodescendentes nas Américas”. Ainda segundo o dirigente, a igualdade racial faz parte do mandato das Nações Unidas, desde sua carta fundadora até a nova Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável.

O coordenador fez um apelo à sociedade brasileira e ao poder público para que reajam aos problemas vividos pela juventude negra. “O racismo mata. E não podemos ser indiferentes. Um jovem negro é assassinado a cada 23 minutos. Não podemos ficar indiferentes. Mas devemos e podemos caminhar juntos para mudar essa realidade. Cada vida importa. Não devemos deixar ninguém para trás. Nós, os chefes das agências da ONU Brasil, convidamos todas e todos a trabalhar por um país mais pacífico, mais justo e mais inclusivo”, concluiu.

Juventude viva

Também presente, o secretário nacional de Juventude, Assis filho, mencionou o recente lançamento do novo Plano Juventude Viva, reatualizado há três meses. O gestor também abordou os novos investimentos da pasta.

“Por meio de cooperação técnica, estamos trabalhando com a ONU no novo Plano da Juventude Viva e com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública para atualizar o Índice de Vulnerabilidade Juvenil 2017, que tem recorte nos cem municípios mais populosos, em jovens negros entre 19 e 29 anos e recorte de gênero. O IVJ 2017 é um chamado à reflexão e o documento servirá como base para a implementação de políticas públicas contra o extermínio da juventude negra”, afirmou.

Assis Filho parabenizou a campanha #VidasNegras, da ONU Brasil, posicionando-se contra a violência dirigida à juventude negra. “É inadmissível que em cada cem assassinatos no Brasil, 71 sejam cometidos contra jovens, negros, pobres, que moram em periferias e que tenham baixo acesso a escolaridade. Esses números precisam ser combatidos numa força-tarefa composta pelo governo, Congresso, Judiciário, Ministério Público e sociedade civil organizada. As Nações Unidas têm dado uma colaboração muito importante”, acentuou. Além de Assis Filho, o governo brasileiro esteve representado por Luana Vieira, assessora do Ministério dos Direitos Humanos.

Movimento negro

O advogado Daniel Teixeira, integrante do Fórum Permanente de Igualdade Racial, anunciou o peticionamento junto a quatro relatorias das Nações Unidas sobre “as execuções sumárias que vêm acontecendo diariamente no país”. “No relatório da CPI do Senado, o Senado diz ‘que há um genocídio contra a juventude negra no país’. O Senado, o Estado brasileiro admite essa situação e isso impõe responsabilidade de mudança”, salientou.

Apesar do trabalho da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado sobre Assassinato de Jovens, Teixeira avaliou que pouco “sensibilizou as diversas instâncias governamentais atuais no sentido de aplicar as recomendações, as quais envolvem jovens em cumprimento de medidas socioeducativas, a questão dos autos de resistência que pede mudança legislativa nessa temática, a reestruturação organizacional da segurança pública, dados sobre a situação e observatório nacional de violência, plano nacional de redução de homicídios e um fundo nacional de igualdade racial”.

Teixeira assinalou a situação das mães de jovens negros, citando casos emblemáticos, com os crimes de maio de 2006, em São Paulo; Cabula, em Salvador, entre outros.

A superação do racismo é possível,
necessária e imperativa, mas
precisa do ativismo da sociedade
para construir um presente de inclusão.

Sobre o uso da palavra genocídio, o advogado lembrou que “o último genocídio reconhecido em território europeu foi na guerra da Bósnia, com 8,5 mil pessoas assassinadas durante a guerra inteira”. “Quando a gente fala do assassinato de jovens negros, a gente fala do triplo disso por ano. Então, é preciso reconhecer que esse é um crime de lesa humanidade e que acontece hoje”, finalizou.

Jaime Nadal, representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e presidente do Grupo Assessor de Juventude da ONU Brasil, recuperou os dados da pesquisa da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial e do Senado e ressaltou que 56% da população considera que, no país, choca menos a morte violenta de um jovem negro do que de um jovem branco.

“Lançada no mês da Consciência Negra, a campanha Vidas Negras quer chamar a atenção da sociedade. Essa é uma das iniciativas previstas no âmbito da Década Internacional de Afrodescendentes junto à opinião pública”, enfatizou Nadal.

O representante do UNFPA destacou a importância das ações afirmativas para a inclusão de negras e negros e a “necessidade de respostas efetivas do sistema de justiça para a eliminação do fenômeno conhecido como filtragem racial”.

De acordo com representante da agência da ONU, “a superação do racismo é possível, necessária e imperativa, mas precisa do ativismo da sociedade para construir um presente de inclusão e base para um futuro em que todas as pessoas possam viver sem discriminação racial”.

Relatos de opressão racial e superação

Thaís Ellen, estagiária do UNFPA, e Lázaro Silva, estagiário do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS), apresentaram a cerimônia de lançamento e deram testemunhos pessoais sobre suas vivências. Os relatos trouxeram histórias de discriminação e violência policial, mas também de superação. Jovens abordaram importância das ações afirmativas e falaram sobre seus sonhos para o futuro.

Apoie a campanha #VidasNegras

As peças da campanha #VidasNegras abordam diferentes facetas do racismo, que vão da discriminação como obstáculo à cidadania plena; passam pelo tratamento desigual de pessoas negras em espaços públicos; e pelo vazio deixado pelos jovens assassinados nas famílias e comunidades; chegando até o problema da filtragem racial (escolha de suspeitos pela polícia, com base exclusivamente na cor da pele).

Participam dos vídeos e outros materiais de divulgação o grupo Dream Team do Passinho, Elisa Lucinda, Érico Brás, Kenia Maria e Taís Araújo. Os conteúdos podem ser baixados diretamente do site nacoesunidas.org/vidasnegras e compartilhados nas redes sociais.

A Segurança Alimentar da Republica Democrática do Congo é profundamente preocupante

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Responsável do Programa Alimentar Mundial alerta que é imperativo que a ajuda chegue rapidamente ao terreno.

O Iémen, a Somália, o Sudão do Sul e a Nigéria são os países mais afectados pela fome

Num país já marcado por confrontos e instabilidade política, a República Democrática do Congo vê-se perante uma nova crise: existem mais de três milhões de pessoas no país (incluindo milhares de crianças) em risco de morrerem à fome, segundo disse à BBC o director do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas, David Beasley. “Precisamos de ajuda, e precisamos dela agora”, alertou o representante.

Estamos a falar de centenas de milhares de crianças que morrerão nos próximos meses, se não arranjarmos, em primeiro lugar, financiamento; em segundo, comida; e, em terceiro, acesso aos locais”, acrescentou, em declarações à BBC. Para já, diz Beasley, só têm 1% dos fundos que precisam e a chegada da ajuda ao terreno pode complicar-se com o início da época de chuvas. “Nem consigo imaginar o quão horrível será” se se esperar mais algumas semanas até receber os fundos, confessou.

Segundo dados do Programa Alimentar Mundial (PAM) morreram 5,4 milhões de pessoas entre os anos de 1998 e 2007 na sequência de guerras e conflitos no país – não só em consequência directa mas também por fome e doenças que poderiam ser tratadas ou evitadas. Mais de um milhão e meio de pessoas tiveram de abandonar as suas casas para fugir à violência.

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Num cenário que considera desastroso, o representante das Nações Unidas conta que viu na região de Kasai, no epicentro dos problemas, um cenário de destruição: casas queimadas e crianças seriamente desnutridas e perturbadas. A República Democrática do Congo é uma das nações com a taxa mais elevada de mortalidade infantil. Além disso, 8% das crianças com menos de cinco anos sofrem de subnutrição crónica e 43% sofrem de subnutrição e revelam atrasos no crescimento. Situado no Centro de África, este é o segundo maior país do continente e tem uma população de 72,7 milhões de habitantes, sendo que 63% deles vivem abaixo do limiar de pobreza.

O representante das Nações Unidas também foi partilhando relatos da sua viagem pela República do Congo no Twitter. “Visitei hoje a vila de Nyanzale na República Democrática do Congo – ouvi tantos pedidos para acabar os conflitos que impulsionam a fome”, lê-se num deles. “Não me deito a pensar nas crianças que alimentámos hoje. Deito-me a chorar por todas aquelas que não alimentámos”, escreveu ainda.

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E o cenário repete-se por outros países. No site do PAM das Nações Unidas, lê-se que 20 milhões de pessoas estão em risco de morrer de fome por todo o mundo e que, se não for prestada assistência, cerca de 600 mil crianças podem vir a morrer nos próximos meses. O Iémen, a Somália, o Sudão do Sul e a Nigéria são os países mais afectados.

Ainda que a situação tenha acalmado nos últimos meses, a República Democrática do Congo está a ser assolada por uma onda de violência desde a crise política de Dezembro, quando o Presidente Joseph Kabila recusou abandonar o poder no final do mandato – e recusa marcar novas eleições apesar de o seu terceiro mandato (que deveria ser também o último, segundo a Constituição) já ter expirado há nove meses. Na altura, o director-executivo da Human Rights Watch, Kenneth Roth, alertava que havia “um sério risco” que o Congo pudesse “mergulhar na violência generalizada e no caos nos próximos dias, com repercussões potencialmente voláteis em toda a região”.

Em Março deste ano, a milícia rebelde Kamuina Nsapu capturou e decapitou cerca de 40 agentes da polícia, na província de Kasai. Ainda em Março, os corpos de dois funcionários das Nações Unidas que estavam desaparecidos foram encontrados na região. Os dois funcionários – um norte-americano de 34 anos e uma sueca de 36 anos, assim como um intérprete de nacionalidade congolesa – estavam a investigar crimes e violações dos direitos humanos no país. No início deste mês, morreram cerca de 30 pessoas (a maioria civis) numa emboscada no Noroeste do país.

 

https://www.publico.pt/2017/10/29/mundo/noticia/precisamos-de-ajuda-e-precisamos-dela-agora-o-apelo-para-os-milhoes-que-podem-morrer-de-fome-1790724

Imãs da Guiné-Bissau alertam para radicalismo religioso no país

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O presidente da União Nacional dos Imãs da Guiné-Bissau, Bubacar Djaló, alertou hoje, em entrevista à agência Lusa, para a existência de radicalismo religioso no país trazido por estrangeiros.

“De facto há aqueles que vêm de fora e que estão a incutir o radicalismo na cabeça dos filhos da Guiné-Bissau, aproveitando-se da pobreza e da falta de formação”, disse Bubacar Djaló, quando questionado pela Lusa sobre a existência de radicalismo islâmico.

Segundo o imã, algumas daquelas pessoas “não sabem três palavas (do islão) mas já se assumem como conhecedores”.

“Nem sabem peneirar qual a visão de um lado e do outro, não sabem respeitar as opiniões dos outros, apenas admitem as suas próprias opiniões, aquilo que aprenderam, mas não é isso a visão do islão”, salientou.

Bubacar Djaló explicou que aqueles estrangeiros chegam ao país e como não conseguem apresentar-se publicamente à comunidade “usam os filhos da Guiné-Bissau, por serem pouco instruídos na religião, para os dividir”.

“Recorrem às pessoas agressivas nas comunidades, pessoas facilmente `aliciáveis`, usam-nas para os seus fins. Estamos a tentar estancar tudo isso para ver se vamos conseguir fazer reinar aquele espírito de patriotismo da nossa terra”, afirmou, salientando que, se existe islão moderado, não há motivo para haver um islão radical.

Bubacar Djaló sublinhou também que pretende que a Guiné-Bissau seja um interlocutor no mundo para mostrar que o islão no país é uma “coisa filtrada, não uma coisa suja que ninguém sabe a origem e a finalidade”.

Sobre informações que dão conta da entrada de salafistas (radicais islâmicos) do Mali, Guiné-Conacri e Mauritânia, o líder dos imames da Guiné-Bissau disse “não ter dúvidas sobre isso”.

“Apenas não têm campo de manobra para se mostrarem, mas uma coisa é certa: nunca uma sementeira é posta na terra, no solo, para dar resultado no mesmo dia”, alertou.

O imã disse que aquelas pessoas já se encontram na Guiné-Bissau e que estão a dar ensinamentos e que só não sabe “quando é que os ensinamentos vão dar resultados”.

“Não podemos acabar com isso, porque existe em toda parte do mundo, mas podemos fazer com que não tenha progresso na sociedade, tudo isso depende da colaboração entre o Estado e os religiosos”, salientou.

O líder dos imãs guineenses também disse estar preocupado com a proliferação de mesquitas no país.

“Hoje constatamos que há mesquitas a serem construídas em locais onde não há necessidade para tal. Há casos em que novas mesquitas são construídas ao lado das nossas velhas mesquitas, o que acaba por dividir a comunidade, com uns a irem à mesquita nova e outros à mesquita antiga”, disse.

Isso, segundo Bubacar Djaló, cria desobediência, porque uns dão ouvidos a um líder e outros dão ouvidos a um outro líder da mesma comunidade.

“Por exemplo quem obedecia a um imã passa a ser ele mesmo imã. Começa a dizer que tem a sua autonomia para decretar coisas. A pior situação que existe hoje em dia na nossa comunidade é a proliferação de mesquitas na Guiné-Bissau. É uma coisa que nos deixa chateados. Estamos a ver mesquitas por todo lado sem saber de onde vem o financiamento, quem é que é o autor desses financiamentos”, alertou.

https://www.rtp.pt/noticias/mundo/uniao-nacional-dos-imas-da-guine-bissau-alerta-para-radicalismo-religioso-no-pais_n1035523

Protestos no Togo continuam, população está nas ruas

A situação permanece tensa no Togo, com manifestações previstas para esta quarta-feira (18.10). Milhares de pessoas protestam há semanas contra o Presidente Faure Gnassingbé, no poder desde 2005.

Togo Demonstration Togo (picture-alliance/dpa/A.Obafemi)Manifestantes vestem camisa: Faure tem que sair da Presidência!

No Hospital Sylvanus Oympio, no centro de Lomé, a capital togolesa, há colchões na relva, junto a caixotes do lixo. Com um esforço visível, pacientes entram e saem dos edifícios. Nos quartos, as camas amontoam-se.

“Olha para isto, algumas pessoas estão deitadas no chão. Era suposto haver serviço social, mas a administração não quer saber. As pessoas estão a sofrer e a morrer,” expressa um jovem enfermeiro que prefere não revelar o nome, temendo pela sua segurança.

O togolês está revoltado com a situação e, por isso, juntou-se à oposição e tem apoiado os recentes protestos pela demissão do Presidente Faure Gnassingbé. O mesmo pdem 14 partidos políticos e organizações da sociedade civil.

No Togo, dezenas de milhares de pessoas protestam há várias semanas contra o Presidente Faure Gnassingbé, no poder desde 2005, após a morte do pai, o antigo Presidente Gnassingbé Eyadéma. A família está no poder há 50 anos. E a população não está satisfeita: o Togo é um dos países mais pobres do mundo e os sistemas de saúde e de educação deixam a desejar. Os manifestantes pedem, por isso, a demissão do chefe de Estado. O Governo proibiu os protestos, mas os togoleses continuam nas ruas. Novas manifestações estão marcadas para esta quarta-feira (18.10).

Togo David Ekoue Dosseh (DW/K. Gänsler)David Ekoue Dosseh luta pelos direitos dos togoleses

Estratégia da oposição

O cirurgião David Ekoue Dosseh, de 48 anos, está na linha da frente de um movimento recém-formado para exigir o respeito dos direitos dos cidadãos togoleses.

Há vários anos que Dosseh critica o sistema de saúde do país, que descreve como “catastrófico”. Mas noutros sectores, como a educação, o cenário não é mais positivo: um em cada três togoleses com mais de 15 anos não sabe ler nem escrever. Cerca de 58% da população vive abaixo do nível de pobreza. E na África Ocidental, o Togo é o único país que não tem um limite para os mandatos presidenciais.

“Porque é que o Togo tem de ser uma exceção? Queremos ser cidadãos como todos os outros, queremos que a nossa voz conte quando vamos votar”, critica Dosseh.

Referendo não serveria

Perante a contestação, o Governo do Togo afirma que está preparado para realizar um referendo sobre o limite dos mandatos presidenciais.

Togo Nathanael Olympio (DW/K. Gänsler)Nathanael Olympio espera que democracia chegue ao Togo ainda este ano

A mudança de posição de Gnassingbé foi anunciada no início de setembro, altura em que os protestos anti-Governo subiram de tom.

Mas muitos togoleses, como Nathanael Olympio, dirigente da oposição e presidente interino do Partido Popular Togolês, vêem a proposta de referendo como um insulto. Isto, porque levanta a hipótese de Faure Gnassingbé permanecer no poder por mais dois mandatos.

“O referendo baseia-se numa lei criada pelo Governo. Quer a resposta seja sim ou não, o regime continuará no poder. O mais importante é continuarmos a resistir. Tenho uma posição da qual não abdico que é a posição da população. Temos de negociar a demissão do chefe de Estado”, argumenta Nathanael Olympio.

Togo Oppositionsführer Jean-Pierre Fabre (DW/K. Gänsler)O líder da oposição no Togo, Jean-Pierre Fabre

Esta não é a primeira vez que se discute o limite dos mandatos presidenciais no Togo. Em 1992, a Constituição foi alterada para limitar a presidência a dois mandatos de cinco anos. Mas, em 2002, a lei foi novamente alterada para permitir que Eyadema Gnassingbé, pai do atual Presidente, se candidatasse a um terceiro mandato. Para o líder da oposição Jean-Pierre Fabre, os limites devem ser respeitados.

“O mais importante é continuarmos a resistir. Tenho uma posição da qual não abdico que é a posição da população. Temos de negociar a demissão do chefe de Estado.”

Ruas lotadas de manifestantes

Quase 100 mil pessoas participaram nos protestos pela demissão do Presidente, reforçando o apelo da oposição. Nathanael Olympio está confiante: “Com todo o compromisso e dedicação do povo que temos hoje, vamos celebrar o fim do ano como uma democracia.”

Há, no entanto, um outro cenário possível: Faure Gnassingbé pode manter-se no poder até ao final do seu mandato, em 2020, e decidir não voltar a candidatar-se.

http://www.dw.com/pt-002/governo-proíbe-protestos-no-togo-mas-população-permanece-nas-ruas/a-41006299

Visita do Ministro Aloysio Nunes Ferreira a Gana, Nigéria, Côte d’Ivoire e Benin

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O ministro Aloysio Nunes Ferreira realizará a sua segunda visita oficial ao continente africano no período de 11 a 16 de outubro de 2017. Serão visitados 4 países da África Ocidental – Gana, Nigéria, Côte d’Ivoire e Benin.

As relações com a África constituem uma prioridade permanente do governo brasileiro. O segundo périplo que o ministro Aloysio Nunes realiza pelo continente reafirma essa prioridade e busca fortalecer ainda mais os laços econômicos, políticos e culturais que unem o Brasil a esses países amigos.

A África Ocidental experimentou expressivas taxas de crescimento econômico e conquistou importantes avanços em termos de estabilidade política e governança democrática na última década. O governo brasileiro tem reforçado seu compromisso de continuar a contribuir para o desenvolvimento socioeconômico e a consolidação da paz e da democracia na África Ocidental, por meio de uma parceria horizontal pautada pela solidariedade Sul-Sul.

No dia 11 de outubro, o ministro das Relações Exteriores fará visita a Gana, onde será recebido pela chanceler Shirley Ayorkor Botchway, e terá audiência com o presidente Nana Addo Dankwa Akufo-Addo. As relações com Gana são marcadas por convergências políticas e importantes relações econômicas. O Fórum Empresarial Brasil-Gana, realizado pela APEX e pelo Itamaraty, em agosto passado, em Acra, atesta o compromisso do governo brasileiro com a intensificação das relações econômicas bilaterais.

No dia 12 de outubro, o chanceler Aloysio Nunes Ferreira visitará a Nigéria. Em Abuja, manterá encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Geoffrey Onyeama. As relações Brasil-Nigéria alcançaram novo patamar em 2013, quando foi realizada a I Sessão do Mecanismo de Diálogo Estratégico, em Brasília. Em agosto de 2017, a APEX e o Itamaraty organizaram o Fórum Empresarial Brasil-Nigéria em Lagos, evento que buscou explorar o grande potencial das relações econômicas entre o Brasil e a maior economia africana.

No dia 13 de outubro, o ministro das Relações Exteriores será o primeiro chanceler a visitar a Côte d’Ivoire desde a viagem de Saraiva Guerreiro em 1983. Na ocasião, o ministro Aloysio Nunes Ferreira será recebido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Marcel Amon-Tanoh. A visita explorará áreas comuns de cooperação técnica e oportunidades de intensificação dos fluxos de comércio e de investimentos.

No dia 14 de outubro, o ministro Aloysio Nunes Ferreira visitará o Benin, onde manterá encontros com o chanceler Aurélien Agbénonci e com o presidente Patrice Talon. Serão passados em revista temas políticos bilaterais e regionais, a ativa agenda de cooperação técnica bilateral e as potencialidades das relações econômicas entre os dois países. O Benin – onde há uma importante comunidade de afro-brasileiros retornados, conhecidos como “agudás” – é um dos países da África Ocidental com os quais o Brasil mantém laços culturais mais próximos.

Diálogo dos ministros da Cultura da UEMOA

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A Reunião do Conselhos dos Ministros da Cultura da UEMOA terminou no sábado 7 de Outubro no Togo, na cidade de Lomé. Durante três dias os ministros da Cultura da UEMOA analisaram afincadamente a situação da Cultura dos oito países-membros desta instituição.

 UEMIOA

O objectivo principal deste encontro é sintonizar e criar o clima de diálogo de intercâmbio cultural de experiências que possam promover a cultura dos países-membros da UEMOA.

A Guiné-Bissau foi representada pelo ministro da Cultura e dos Desportos, Tomás Gomes Barbosa. O ministro falou da importância desta reunião, sem esquecer de falar da situação socio-política guineense.

Mais pormenores com o nosso correspondente Cândido Camará que ouviu o ministro da cultura guineense que hoje estive em Dakar.

Kijinga: o símbolo do poder em Angola

Manuel Albano

 “Kijinga”, o chapéu considerado símbolo do poder tradicional, é a peça do mês de Setembro, no Museu Nacional de Antropologia, em Luanda, um utensílio que fez parte do acervo da referida instituição museológica.

O poder tradicional é exercido por uma entidade secular tradicional que utiliza o kijinga
Fotografia: Maria Augusta | Edições Novembro

O poder tradicional é exercido por uma entidade secular tradicional, dotada de grande autoridade moral, jurídica e educativa. É a guardiã da cultura e das tradições ancestrais, investido segundo os preceitos culturais.
As autoridades tradicionais obedecem a certos rituais para que a comunidade as reconheça, respeite e venere como representantes dos seus ancestrais e de Deus. Estas autoridades usam um conjunto de peças etnográficas que são elementos simbólicos do poder tradicional, como: coroas ou gorros, trono, banco, bastão, enxota-mosca e cachimbo. Como proposta, o Jornal de Angola, apresenta a “Kijinga”.
A entronização, a outorga e a ostentação dos símbolos de poder, bem como a pertença à linhagem real são algumas condições para se ser autoridade tradicional. De referir que desde a Independência Nacional, em 1975, o Executivo reconheceu a importância e a eficácia das autoridades tradicionais como elementos de intermediação entre o poder político e determinados grupos locais.
A sua função sempre foi de destaque, no sentido de participarem directa ou indirectamente na formação da vontade colectiva do Estado. A peça Kijinga pertence ao grupo etnolinguístico ambundu, localizado ou repartido numa grande extensão entre o mar e o rio Kwango, excedendo para o leste, transpondo para o sul e médio Kwanza, envolvendo as províncias de Luanda, Bengo, Malanje e Cuanza-Sul.
O termo kijinga aplica-se ao chapéu da autoridade, que é considerado como símbolo de afirmação da personalidade do indivíduo que o ostenta. Dentro da tradição dos ambundu, constitui um dos elementos do aparato que distingue o poder legitimado pela pertença ao “sangue, valor da linhagem” e pelos ritos que o consagram.
O artefacto é feito de fibras vegetais e ráfia, pintado a preto e a castanho, com tonalidades cinzentas. Ele apresenta duas pontas ao lado, uma espécie de duas orelhas alongadas, bordadas em algodão multicolor.
O seu detentor utiliza-o em circunstâncias especiais, geralmente em actos oficiais. Ele simboliza o poder, a sabedoria e a força do seu proprietário. Os dois sentidos principais do quijinga são: primeiro, o portador é tido como guardião da integridade física de todos os cidadãos que se encontram sob a sua jurisdição. Essa integridade implica, antes de tudo, educação e garantias laborais, enquanto no sentido seguinte, o detentor tem a responsabilidade de manter harmonia, concórdia e unidade entre todos os que reconhecem nele a lealdade.

Projecto ganha força

O chefe de departamento da Educação e Animação Cultural (DEAC), do Museu Nacional de Antropologia, Massokolo Nsituatala, disse ao Jornal de Angola que o número de visitantes da instituição tem aumentado e que os mesmos procuram conhecer melhor a história do país.
Massokolo Nsituatala disse que, depois da realização, de 29 de Maio a 29 de Junho, de uma formação dirigida aos estudantes finalistas do Instituto Médio Técnico de Hotelaria e Turismo “Terra do Ngola”, o museu tem procurado manter parcerias com várias instituições, fundamentalmente de ensino.
O responsável assegurou que aos visitantes têm sido transmitidos conhecimentos gerais sobre o museu e o seu acervo museológico. “Temos recebido muitos estudantes, principalmente, uns por orientação dos professores e outros por curiosidade e interesse de aumentar os conhecimentos sobre a história do povo angolano”, argumentou Massokolo Nsituatala.
Uma experiência positiva teve a estudante universitária da Faculdade de Letras, do primeiro ano, do curso de Secretariado Executivo e Língua Empresarial, da Universidade Agostinho Neto, Bernardete Graça Pedro, sargento das Forças Armadas Angolanas, que foi à procura de mais valências e subsídios para o seu trabalho de investigação sobre estudos sociolinguísticos.
Em declarações, ontem ao Jornal de Angola, espelhou a sua vontade de aprender mais sobre a cultural dos seus ancestrais e poder dominar melhor a história do país. “Recebi valiosos subsídios e aconselho mesmo os estudantes do curso de História a visitarem o museu, por  lhes permitir ter contacto com uma variedade de peças que simbolizam os mais variados rituais dos povos angolano, em particular, e africanos no geral”, sugeriu a estudante.

 Preservação da memória colectiva angolana

Criado
 no dia 13 de Novembro de 1976, o Museu Nacional de Antropologia tem por missão assegurar a preservação do acervo etnográfico e antropológico da memória colectiva do povo angolano além da investigação, recolha e exposição do mesmo para o usufruto público.
O Museu Nacional de Antropologia possui um acervo de cerca de seis mil objectos (parte do acervo é constituído pelo espólio do antigo Museu de Angola e outra parte proveniente do acervo do Museu do Dundo) que comporta maioritariamente peças etnográficas que descrevem o quotidiano dos diferentes grupos etnolinguísticos de Angola (os Bakongo, os Ambundu, os Ovimbundu, os Lunda e Cokwe, os Ovingangela, os Nyaneka Khumbi, os Helelo, os Ovambó e os San/Kung).
Do acervo destaca-se as peças sobre pastorícia, caça, metalurgia, pesca, tecelagem, instrumentos musicais, cerâmica, cestaria, crenças religiosas, arte africana, poder Tradicional, arte sacra, numismática e artes plásticas (pintura). Em Novembro do ano passado, o museu ganhou o seu depósito central, contíguo ao edifício principal, localizado na Baixa de Luanda. O Depósito Central do Museu Nacional de Antropologia tem capacidade de acondicionamento de seis mil peças.
A infra-estrutura, que contam com duas salas destinadas ao acondicionamento e uma de restauro, vai, fundamentalmente, garantir a protecção e preservação do acervo destinado à pesquisa e exposição.
O edifício construído no âmbito do Plano Nacional de Desenvolvimento 2013/2017, com recurso ao investimento público, tem três pisos e varias valências.
Situado no Centro Histórico da Cidade, este museu está instalado num edifício secular , de estilo palaciano, com níveis de pavimentação diferenciados, construído com pedra e cal na parte mais antiga e a tijolo e cimento na parte norte do edifício.

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