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Reportagem de Bruna Motta e Fernando Molica na Veja informa que gerações de brasileiros conviveram, uma vez por semana, com o humor caricatural e sem filtros produzido por Os Trapalhões, um dos maiores fenômenos da TV nacional. Eram outros tempos, e Didi (Renato Aragão), Dedé (Manfried Sant’Anna), Mussum (Antônio Carlos Gomes) e Zacarias (Mauro Faccio) despejavam piadas inconvenientes sobre mulheres, homossexuais, negros, nordestinos e pobres em geral em pleno horário nobre, sem que ninguém reclamasse. Pelo contrário, faziam tremendo sucesso, e assim continuaram ao longo de trinta anos — um recorde mundial de permanência de programa humorístico no ar, devidamente registrado no Guinness. Muito já se escreveu sobre a trajetória dos quatro, mas nem tudo foi contado. Uma série-documentário em fase de montagem, à qual VEJA teve acesso exclusivo, trata justamente dos ângulos não revelados da longa convivência dos palhaços que a audiência amou e aplaudiu durante décadas. Os bastidores abertos ao longo dos 62 depoimentos colhidos para a realização de Trapalhadas sem Fim, do diretor Rafael Spaca, expõem uma relação conturbada, com boa dose de ressentimento e divergências artísticas, de um lado, e de arrogância e autoritarismo, de outro, entre os três coadjuvantes — Dedé, Mussum e Zacarias — e Renato Aragão, o cabeça inconteste e o único multimilionário do grupo.

De acordo com a publicação, o primeiro racha dos Trapalhões aconteceu em agosto de 1983 e todo mundo ficou sabendo — a Globo passou seis meses exibindo reprises, enquanto se tentava pacificar os ânimos. O motivo era um mistério. Não mais. Testemunhas do desentendimento contam que o estopim da briga foi uma reportagem de capa de VEJA, “O Grande Palhaço — Por que Renato Aragão Faz Rir”, que evidenciava a condição de estrela maior de Didi, o que provocou ciumeira nos outros, e escancarava sua fortuna — esse, o empurrão fatal para a rebelião. Tamanha foi a raiva que Dedé, Mussum e Zacarias anunciaram o rompimento em uma entrevista coletiva, com Didi junto, sem saber de nada e pego de surpresa. Seguiu-se um período tumultuado, com cada lado fazendo trabalhos próprios (e fracassados) e Aragão estrilando com os “traidores” que o trocavam pelo trio de desafetos. Victor Lustosa, diretor assistente dos filmes dos Trapalhões até o fatídico 1983, conta a reação furiosa de Renato Aragão ao ouvir que estava de partida para a produtora rival. “Ele me falou: ‘você vai morrer de fome e não venha bater na minha porta depois’.” Mais cruel ainda foi a forma como dispensou sumariamente os três ex-colegas, ainda segundo Lustosa: “Não preciso deles. Posso fazer a mesma coisa tendo um cachorro, um macaco e um veado”. Não foi a primeira, nem a última, ofensa pessoal de Didi a Dedé, Mussum e Zacarias.

A reconciliação também é narrada pela primeira vez em detalhes: foi obra do empresário Beto Carrero, então sócio de Aragão, que os convidou para um encontro, sem que um soubesse da presença do outro. Para a surpresa dos presentes, os quatro se cumprimentaram cordialmente, o almoço no restaurante do Hotel Méridien, no Leme, Zona Sul do Rio de Janeiro, prolongou-se até o jantar e o grupo saiu de lá com as pazes feitas. Houve conversas emocionadas, troca de reminiscências e um novo acordo financeiro. Mussum puxou a reivindicação de aumento da participação dos três nos lucros. Aragão ofereceu, da parte do leão que lhe tocava, mais 1 ponto porcentual para cada um. Oferta aceita, decidiram retomar as gravações no dia seguinte. Estava salva a pátria trapalhona. Dedé também pediu e conseguiu a direção de quatro filmes do grupo. “Descobri uma paixão”, disse a VEJA. Ao longo do documentário, e nas conversas da reportagem com os entrevistados, fica patente a admiração de todos pela capacidade, organização e talento artístico de Renato Aragão. Não há, da parte deles, estranheza alguma pelo fato de Didi ser o trapalhão mais famoso e o mais rico. Mas, aqui e ali, pipocam críticas ao seu estilo de trabalho, completa a publicação.

Fonte: https://www.diariodocentrodomundo.com.br/entretenimento/renato-aragao-sobre-ex-trapalhoes-nao-preciso-deles-posso-fazer-a-mesma-coisa-tendo-um-cachorro-um-macaco-e-um-veado/

O que os jornais sul africanos estão escrevendo sobre as queimadas na Amazônia

queimadaEnquanto Bolsonaro incinera a Amazônia, ações urgentes são necessárias para a justiça climática

Mary Galvin , Patrick Bond5 de set de 2019 às 00:00

A queima da Amazônia é o sinal mais claro de que a busca capitalista por lucros – condenando as “externalidades” ambientais – está na raiz da crise climática. (Reuters / Ricardo Moraes)

 

 

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A África do Sul precisava de outro lembrete de alto nível sobre o caos climático, depois da seca na Cidade do Cabo em 2015 e 2018; os dois ciclones de março a abril que devastaram Moçambique, Malawi e Zimbábue e mataram mais de 1 000 de nossos vizinhos; e a “Durban Rain Bomb” da segunda-feira de Páscoa, que caiu 170 mm naquele dia, deixando 71 pessoas mortas?

A menos que tomemos medidas, o clima extremo será amplificado ainda mais, por um inferno extremo. Atualmente, mais de 72.000 incêndios estão acontecendo na Amazônia, a maior e mais biodiversa floresta tropical do mundo, com 55 milhões de anos. As vidas dos povos indígenas que dependem da floresta receberam atenção limitada, com o foco mundial principalmente nas mudanças climáticas.
A Amazônia é um sumidouro de carbono que armazena dióxido de carbono e a destruição da floresta libera quantidades enormes na atmosfera.

O desmatamento na Amazônia havia caído 70% entre 2004 e 2012, graças à restrição do governo do Partido dos Trabalhadores ao plantio, exploração madeireira e mineração abusivas. O Brasil adotou leis que protegem metade da Amazônia e seus povos indígenas, o que significa que 80% da floresta ainda está de pé. No entanto, 30% dessa área não está sob proteção legal.

O novo presidente de direita do Brasil, Jair Bolsanaro, está destruindo a Amazônia para beneficiar as elites que o elegeram nessa plataforma. O resultado desse ecocídio é um aumento de 84% nos incêndios em 2019 em comparação a 2018. Os incêndios foram principalmente intencionalmente para limpar terras para fazendas de gado, fazendas de soja e plantações de óleo de palma.

Isso aumenta a probabilidade de mudança climática descontrolada. Se perdermos mais um quinto da Amazônia, um ciclo de “retorno” será acionado: uma cascata de colapso que está além da intervenção humana. No geral, a floresta amazônica possui cerca de 90 bilhões de toneladas de carbono, o que equivaleria a uma década de emissões globais de carbono na atmosfera.

A tarefa imediata é apagar os incêndios. A crescente intensidade da pressão global está finalmente forçando Bolsanaro a agir. Ele está respondendo como uma criança petulante, típica da nova marca de líderes extremamente conservadores, acusando organizações não-governamentais de tentar fazê-lo parecer ruim e os líderes mundiais de insultá-lo. Ele está afirmando que o mundo está minando a soberania do Brasil sobre a Amazônia – não dada incorretamente o que está em jogo – e exigiu um pedido de desculpas do presidente francês Emmanuel Macron antes de aceitar a insignificante oferta de ajuda de US $ 20 milhões do G7. Finalmente, na última sexta-feira, Bolsonaro convocou 43 mil soldados e dois aviões para ajudar a apagar incêndios e impedir o desmatamento ilegal.

O que pode ampliar ainda mais a pressão? Nas mídias sociais, as pessoas postam pedidos de boicote aos produtos produzidos em terras desmatadas. Deveríamos parar de comer carne alimentada por essas plantações de soja e reduzir o consumo de produtos de papel. O mundo precisa demonstrar um corte dramático na demanda, porque normalmente leva anos para os mercados se ajustarem. Além de declarações generalizadas sobre o vegetarianismo, outra abordagem seria as sanções das pessoas contra os produtos brasileiros, a fim de punir as empresas que apóiam o governo Bolsonaro. O inferno na Amazônia é apenas uma razão, pois Bolsonaro, como o presidente dos EUA, Donald Trump, merece sanções por muitos outros motivos.

Segundo Maria Luísa Mendonça, diretora da Rede de Justiça Social e Direitos Humanos no Brasil, “a comunidade internacional precisa pedir um boicote às principais mercadorias produzidas pelo agronegócio: carne bovina, soja, cana e madeira. Acho que essa é a única mensagem que terá efeito em pressionar a administração Bolsonaro, porque ele não acredita nas mudanças climáticas e está implementando políticas que estão dando sinal verde para o desmatamento. ”

Em meados de novembro, o presidente Cyril Ramaphosa deve se juntar à cúpula do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (Brics), que Bolsonaro sediará em Brasília – e qual a melhor hora para um boicote contra um homem que, em de qualquer forma, prioriza sua aliança com o colega Trump negador do clima antes de outras considerações?

Esses são alguns dos “palitos” que precisamos usar, mas outros sugerem que damos a Bolsonaro mais “cenouras”. Alguns banqueiros, burocratas e até organizações não-governamentais conservadoras acreditam na “natureza mercantilizante”, compensando o governo brasileiro por proteger os ativos naturais como “compensações de carbono”. Poderíamos pagar ao Brasil para não destruir a floresta tropical mais importante do mundo?

Surgiram esquemas de incentivos equivocados para proteger a floresta, como o ‘Fundo Amazônia’ de 2010, criado pelos governos da Noruega e da Alemanha, desperdiçando milhões em pagamentos a grandes e médios agricultores. Os chamados financiamento das Nações Unidas ‘Redução de Emissões por Degradação e Desmatamento de Florestas’ (‘REDD’) e esquemas similares de compensação são vítimas de todos os tipos de fraudes, sem mencionar incêndios em massa (como exposto em https: // redd-monitor .org /).

Questionada sobre sua opinião na televisão Democracy Now , Mendonça responde: “Ajudando o governo Bolsonaro? Eu não acho que isso vai ajudar muito. Acho que precisamos apoiar comunidades indígenas, pequenos agricultores, que estão protegendo suas terras e que produzem mais de 70% dos alimentos para nossos mercados internos. ”Um grupo respeitado que está fazendo exatamente isso é o Amazon Watch .

Mais recursos e solidariedade para com os defensores do clima são vitais para combater a lógica econômica que impulsiona os destruidores do clima. Os lucros agro-corporativos da Amazônia valem cerca de US $ 20 bilhões por ano. Surgiram esquemas de incentivos equivocados, como o “Fundo Amazônia” de 2010, criado pelos governos da Noruega e da Alemanha, que desperdiçou milhões em pagamentos a grandes e médios agricultores. Os chamados financiamentos das Nações Unidas para Redução de Emissões por Degradação e Desmatamento de Florestas (Redd) e esquemas similares de compensação são vítimas de todos os tipos de golpes, para não mencionar incêndios maciços, como exposto no Redd-Monitor .

Aqueles na África do Sul que se preocupam com o clima e os direitos dos povos indígenas têm oportunidades de se juntar à luta. O dia 5 de setembro é um dia global de ação de protesto, incluindo vigílias nas embaixadas brasileiras, como a da 152 Dallas Avenue, em Pretória. No dia anterior, o departamento de relações internacionais da Universidade de Witwatersrand estava realizando um workshop sobre a Carta da Justiça Climática do Povo.

Então, em 20 de setembro, é esperada uma greve climática sem precedentes às sextas-feiras para o futuro em todos os países, pois as crianças lideram o mundo exigindo cortes imediatos de emissões e rápida adoção de energia renovável a 100%, além de investimentos maciços em uma economia e sociedade verdes. Os locais de protesto na África do Sul incluem a sede da Sasol em Sandton, o Conselho da Cidade de Joburg e a legislatura provincial de Gauteng, entre outros.

Devido à dependência herdada do “complexo energético mineral” viciado em carvão do apartheid, a média da África do Sul é o 11º poluidor mais alto do mundo entre os países com mais de 10 milhões de pessoas. Nessa categoria, nossas emissões por pessoa e por unidade de produção econômica são a terceira mais alta da Terra (atrás apenas do Cazaquistão e da República Tcheca). Portanto, temos uma obrigação especial de agir.

O imposto de carbono aplicado pelo tesouro à grande indústria em junho foi vergonhosamente simbólico, em US $ 0,43 por tonelada, comparado ao imposto sueco de US $ 132 por tonelada.

E porque, devido ao apartheid e ao patriarcado, a grande maioria dos benefícios da indústria do carvão, da fundição e do alto carbono foi amplamente para a minoria rica, branca e masculina da África do Sul, essa luta é uma extensão lógica de campanhas locais de longa data para equidade racial, de gênero e de classe.

Mas, como lembra a incansável ativista Greta Thunberg, de 16 anos, agora é uma questão de justiça geracional – e nossos filhos estão absolutamente corretos em demonstrar raiva contra os adultos por, como eles dizem, roubar nosso futuro.

A queima da Amazônia é o sinal mais claro de que a busca capitalista por lucros – condenando as “externalidades” ambientais – está na raiz da crise climática. Em vez de se apegar ao que sabemos e aos confortos que temos ou ansiamos, aqueles de nós com um estilo de vida confortável precisam questionar a estrutura de poder dominada pela empresa e, de uma maneira pessoal, se comprometer com uma existência que transcende o desejo materialista do consumidor. guloseimas.

Mas e todos os trabalhadores e comunidades dependentes da indústria de carvão e alto carbono? Todos nós precisamos imaginar e exigir uma genuína transição justa dos meios de subsistência ameaçadores do clima, não apenas a retórica vazia dos políticos. Um exemplo disso é a campanha Million Climate Jobs , que, se implementada adequadamente, até o sindicato dos metalúrgicos gigantes apoiará .

A queima da Amazônia é o sinal mais claro de que a busca capitalista por lucros está na raiz da crise climática. Em vez de se apegar ao que sabemos e aos confortos que temos ou ansiamos, aqueles de nós com um estilo de vida confortável precisam questionar a estrutura de poder dominada pela empresa e, de uma maneira pessoal, se comprometer com uma existência que transcende o desejo materialista de consumidor guloseimas.

Para o bem de nosso futuro comum, a resposta à catástrofe climática deve ser urgente, racional e justa. Os líderes e a sociedade sul-africanos devem assumir uma posição particularmente forte, porque há muito em jogo, porque devemos muita “dívida climática” com nossos filhos e vizinhos e porque temos a capacidade de tomar ações significativas, pessoal e politicamente.

Mary Galvin e Patrick Bond são ativistas acadêmicos que trabalham em questões de justiça climática, com base no Departamento de Antropologia e Estudos de Desenvolvimento da Universidade de Joanesburgo e na Escola de Governança Wits, respectivamente

 

Fonte: https://mg.co.za/article/2019-09-05-00-as-bolsonaro-incinerates-the-amazon-urgent-action-is-needed-for-climate-justice

Robert Mugabe nos deixou, aos 95 anos

Zimbabwe's President Robert Mugabe SMILE

Zimbabwe’s President Robert Mugabe SMILES during three-day summit on food security at UN Food and Agriculture Organisation (FAO) in Rome on June 3, 2008. Zimbabwe’s President Robert Mugabe accused Britain Tuesday of fomenting Western efforts to effect “illegal regime change” in his country by crippling it economically. AFP PHOTO / POOL / Alessandro Di Meo (Photo credit should read ALESSANDRO DI MEO/AFP/Getty Images)

Morreu aos 95 anos o ex-presidente do Zimbábue Robert Mugabe, que governou o país por quase quatro décadas após guerra de libertação do país, antiga colônia do Reino Unido. O anúncio foi feito hoje pelo atual chefe de estado Emmerson Mnangagwa. Mugabe foi deposto do cargo pelas forças armadas do país em 2017. A causa da morte não foi divulgada. “É com a maior tristeza que anuncio a morte do pai fundador e ex-presidente do Zimbábue, Robert Mugabe”, escreveu o presidente Mnangagwa no Twitter. “Mugabe era um ícone da libertação, um pan-africanista que dedicou sua vida à emancipação e capacitação de seu povo. Sua contribuição para a história de nossa nação e continente nunca será es… – Veja mais em https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2019/09/06/morre-o-ex-presidente-do-zimbabue-robert-mugabe.htm?utm_source=chrome&utm_medium=webalert&utm_campaign=internacional&cmpid=copiaecola

Africa do Sul luta pela equidade na saúde

O Parlamento da África do Sul

  |  REUTERS

Uma lei universal de saúde destinada a proporcionar assistência médica de qualidade para todos na África do Sul está a provocar um ​​​​​​debate acalorado e controvérsia no país, criando obstáculos para sua adoção pelo Parlamento.

A lei do Seguro Nacional de Saúde (NHI), apresentada pelo ministro da Saúde Zweli Mkhize ao Parlamento na semana passada, prevê um pacote de serviços de saúde gratuitos em unidades de saúde públicas e privadas como parte integrante da oferta do governo para proporcionar um acesso mais equitativo a cuidados de saúde de qualidade.

Vastas camadas da sociedade sul-africana deverão beneficiar do NHI, incluindo presos, refugiados, residentes permanentes e todas as crianças na África do Sul. O que deve ser alcançado através do estabelecimento do Fundo do NHI.

O Fundo já foi dotado de 2,11 mil milhões de randes (cerca de 137 milhões de dólares americanos).

Novo imposto
Os críticos dizem que o modelo de financiamento deste projeto significará a imposição de um novo imposto sobre os sul-africanos quej á estão sujeitos a dura carga fiscal pelo governo e não devem ser alvo de mais um.

Vários partidos políticos e numerosos órgãos, incluindo o Foro dos Médicos Privados da África do Sul, expressaram ceticismo sobre o projeto, chamando-o de irrealista, muito dispendioso e que, potencialmente, irá prejudicar o setor de saúde, particularmente numa conjuntura em que o país enfrenta uma séria crise financeira.

Na terça-feira, a Aliança Democrática (AD), na oposição, pediu um parecer legal urgente sobre a constitucionalidade do projeto de lei que, segundo este partido, enfraqueceria a economia e os serviços de saúde no país.

O partido insiste que o projeto de lei visa fundamentalmente alterar a política de saúde na África do Sul, criando uma entidade estatal para consolidar todos os fundos dentro do sistema de saúde público e privado.

Isso resultaria em milhões e milhões de randes serem colocados nas mãos dos politicamente ligados ao governo e concedendo ao ministro da Saúde poderes ilimitados no controlo de todo o sistema de saúde, argumenta a AD.

Centralização da Saúde

Além disso, o projeto centraliza completamente a prestação de cuidados de saúde, colocando a gestão de todos os hospitais centrais sob o Ministério Nacional de Saúde (MNS), o que representaria a nacionalização dos cuidados de saúde e uma clara erosão dos poderes das autoridades das provinciais, de acordo com aquele partido.

“Este projeto elimina a autonomia dos sul-africanos para escolher os seus próprios cuidados de saúde. Exige que MNS seja o único responsável pela prestação dos cuidados de saúde no país, e todos os fornecedores privados de saúde terão de ser contratados pelo Estado”, afirmou o ministro-sombra da AD para a Saúde Siviwe Gwarube.

Nesta quarta-feira, o ministro da Saúde Mkhize falou publicamente em defesa do projeto, descrevendo-o como um modelo de sucesso para a saúde universal na África do Sul. Mkhize assegurou que o projeto de lei não levará o setor de saúde a uma crise financeira.

“A questão não é se há algo errado com o setor privado. Tanto o setor público quanto o privado precisam ser realinhados e é isso que queremos fazer. E não é como se estivéssemos a tirar dinheiro de um para dar ao outro, ” explicou Mkhize.

Mkhize acusou a AD de procurar manter a atual situação e proteger os privilegiados, ao opor-se à nova lei. A realidade é que o país precisa de uma redistribuição muito mais equitativa dos recursos dentro do sistema, acrescentou o ministro.

“Igualitarização da sociedade”

Na segunda-feira, o projeto de lei foi encaminhado para a Comissão de Saúde do Parlamento para deliberação, etapa do processo parlamentar para aprovar a sua aprovação. A Comissão realizará audiências públicas de âmbito nacional antes de apresentar o projeto de lei à Assembleia Nacional para adoção.

O presidente da Comissão, Sibongiseni Dhlomo, classificou o projeto de lei de “elemento de igualitarização da sociedade, onde aqueles que são pobres podem ter acesso a bons cuidados de saúde” e “um veículo para que todos os cidadãos tenham acesso aos cuidados de saúde”.

O Grupo de Estudos sobre Saúde do Congresso Nacional Africano (ANC), no poder, afirmou-se satisfeito com a apresentação do projeto.

Há mais de uma década que o governo liderado pelo ANC tem defendido a implementação do NHI, com base no princípio da cobertura universal de saúde, disse o porta-voz daquele grupo, Andile Mdleleni.

“O NHI trará uma mudança significativa para a nossa sociedade, nunca vista desde os primórdios da democracia em 1994”, disse Mdleleni. Este refutou ainda as alegações de que a lei do NHI levará à nacionalização do setor de saúde.

“Em nenhum lugar aparece a palavra ‘nacionalização’ no projeto de lei; em vez disso, a lei deixa muito claro que o novo sistema irá comprar serviços aos fornecedores públicos e privados”, disse Mdleleni. Os fornecedores privados de saúde continuarão a operar, já que o NHI não vai abolir ou acabar com estes, acrescentou.

Fonte: https://www.plataformamedia.com/pt-pt/noticias/sociedade/interior/projeto-de-saude-universal-gera-controversia-na-africa-do-sul–11210285.html

Entidades do Movimento negro entregam carta ao Presidente da Câmara dos Deputados

Carta de entidades do movimento negro ao Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia

Fotos = Mariana Belmont

Senhor Presidente,

Historicamente, o Estado brasileiro tem acirrado, em vez de eliminar, os padrões de desigualdade e discriminação a que está submetida a população negra brasileira.

Recentes declarações de parlamentares e de membros do poder executivo, bem como a proposição de determinados projetos de lei, indicam o agravamento deste quadro.

Solicitamos seu compromisso com os direitos do povo negro. É essencial que, em seu mandato na presidência da Câmara Federal, o senhor se comprometa a não apoiar projetos que coloquem em risco direitos conquistados pela luta história do movimento negro, e que trabalhe para o avanço:

Fotos = Mariana Belmont

1. do direito à educação:

– pela preservação da Lei no 12.711, de 29 de agosto de 2012, conhecida como Lei de Cotas, que garante a reserva de 50% das matrículas por curso e turno nas universidades federais e institutos federais de educação, ciência e tecnologia a alunos oriundos do ensino médio público, em cursos regulares ou da educação de jovens e adultos, garantindo percentual mínimo correspondente ao da soma de pretos, pardos e indígenas em cada estado.

Vale lembrar da legitimidade das cotas, conquista história do movimento negro, reconhecidas pelo Supremo Tribunal Federal em decisão unânime depois de intensas análises e debates de especialistas em educação e direitos fundamentais. O processo democrático contou com posicionamentos diversos e resultou na aprovação das cotas raciais e sociais, que resultarammem um novo marco na educação brasileira, sendo uma referência mundial para a efetivação do direito humano à educação. Este processo, portanto, deve ser respeitado;

– exigir do Ministério da Educação (MEC) e das Universidades a efetivação de políticas de permanência estudantil para alunos cotistas;

– cumprimento integral do Plano Nacional de Educação (PNE), sancionado por lei em 2014, que estabelece metas e estratégias para uma educação de qualidade desde o ensino infantil até a pós-graduação;

– fortalecer políticas públicas e garantir a efetivação de mecanismo de implementação das diretrizes curriculares sobre a história da África e das culturas afro-brasileira e indígena previstas no artigo 26 da LDB e nas Leis 10.639/2003 e 11.645/2008;

– fortalecer políticas voltadas para a redução da evasão escolar, defasagem idade-série de estudantes pertencentes aos grupos étnicos e raciais discriminados. 2. do direito à justiça:

– promover políticas de enfrentamento à violência contra a população negra, em especial contra os homicídios que ceifam a vida da juventude negra e o feminicídio de mulheres negras;

– assegurar ações de enfrentamento às violações do direito de culto e crença, com vistas a combater a discriminação contra as religiões de matriz africana;

– exigir do poder executivo orçamento adequado para a implementação das políticas de promoção da igualdade racial contra o racismo, a violência;

– investigação dos assassinatos de quilombolas em luta por direitos.

Fotos = Mariana Belmont

3. do direito à terra, território e justiça ambiental:

– garantir a preservação, proteção, demarcação, homologação e registro incondicional das terras quilombolas, indígenas e de outros povos tradicionais. Necessário se faz também assegurar recursos orçamentários da União para a titulação das terras e para o desenvolvimento de políticas sociais e econômicas voltados para o desenvolvimento sustentável dessas comunidades, com participação das(os)
interessadas(os) nos processos de decisão;

– revogação do acordo assinado entre Brasil e EUA quanto à utilização da base de Alcântara por outro país, para que as comunidades tenham seus direitos, em especial à regularização fundiária, efetivados;

– interromper o projeto de construção da Usina Nuclear nos territórios Quilombolas de Itacuruba em Pernambuco;

– promover políticas ambientais que impeçam a remoção e a desocupação para a extração do patrimônio ambiental e de outras riquezas, o uso de agrotóxicos e outros venenos na agricultura e nas outras culturas de criação de animais e o despejo de detritos e lixos em áreas onde a população negra habita;

– fiscalização do poder executivo na garantia de preservação do ambiente e da cultura das comunidades tradicionais, quilombolas e indígenas e na promoção de fontes alternativas de energia limpa, bem como a democratização, descentralização e gestão pública da energia de maneira a garantir o direito das comunidades tradicionais e das populações do meio rural ao seu acesso, na ampliação do acesso universal à água potável, limpeza urbana e ao saneamento básico, promoção de soberania alimentar e acesso a alimentação saudável, adequada e com qualidade, livre de agrotóxicos e não transgênicos;

– realização de consulta Prévia, Livre e Informada, conforme dispõe a Convenção 169 da OIT, para a construção de empreendimentos em territórios de comunidades tradicionais.

Fotos = Mariana Belmont

4. do direito à seguridade social – saúde, assistência social e previdência:

– assegurar à população negra acesso a serviços essenciais de saúde, assistência e previdência social;

– recusar o projeto de previdência de Bolsonaro, que retira direitos e piora as condições de vida da maior parte da população. Por uma Previdência Social que seja pública, universal e solidária, reconhecendo os direitos de aposentadoria para todas as pessoas, não só para as que possam pagar pelo lucro de bancos e seguradoras;

– fiscalizar o racismo institucional nas organizações públicas e privadas e em suas diferentes políticas, planos e programas de ação;

– exigir do executivo a implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra no Sistema Único de Saúde;

– exigir a implementação de políticas de Direitos Sexuais e Direitos Reprodutivos nas áreas da educação, da saúde e da segurança, garantindo o respeito à livre orientação afetivo-sexual, às identidades de gênero, à autonomia do corpo da mulher o direito ao aborto, bem como promover ações voltadas para a saúde sexual e saúde reprodutiva.

5. do direito à segurança pública:

– reconhecer as flagrantes violações de direitos humanos do “Pacote Anti Crime” apresentado ao Congresso Nacional pelo Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, do governo Jair Bolsonaro. A proposta ignora fatos, evidências, pesquisas, elaborações acadêmicas e científicas, além de toda a mobilização da sociedade em torno do tema, e propõe algo dissonante ao que vem sendo discutido e defendido como solução para o grave problema de segurança pública vivida no Brasil;

– arquivamento do PL-00729/2019 apresentado pelo Deputado Daniel Silveira PSL/RJ, que disciplina a cessão compulsória de órgãos, no caso em que o cadáver apresenta indícios de morte por resultado de ação criminosa. O PL já foi devolvido por ser manifestamente inconstitucional, nos termos do regimento, artigo 137, § 1o, inciso II, alínea “b”, do RICD;

– erradicar o racismo institucional das políticas de segurança, coibindo o uso da violência racial que produz altos índices de homicídios contra a população negra, por meio de políticas de segurança pública, baseadas em Direitos Humanos;

– promover a participação, o delineamento e o controle social das políticas de segurança pública, considerando, fundamentalmente, a participação do movimento negro nos conselhos deliberativos dessas políticas;

– exigir do executivo ações de enfrentamento ao genocídio da juventude negra, com a participação ativa dos grupos envolvidos.

6. do direito ao trabalho

– pela preservação da Lei 12.990 de 2014 que estabelece reserva de vagas aosnegros em concursos públicos da administração pública federal, autarquias, fundações públicas, empresas públicas e sociedades de  economia mista controladas pela União;

– os compromissos assumidos pelo Brasil ao ratificar a Convenção no 111, de 1958, da
Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata da discriminação no emprego e na profissão;

– promoção da tramitação de projetos de lei que assegurem a igualdade de oportunidades no mercado de trabalho para a população negra, inclusive mediante a implementação de medidas visando à promoção da igualdade nas contratações do setor público e o incentivo à adoção de medidas similares nas empresas e
organizações privadas.

7. da ratificação de tratados internacionais

– promoção da ratificação da Convenção Interamericana Contra o Racismo, a Discriminação Racial e Formas Correlatas de Intolerância e da Convenção Interamericana Contra Toda Forma de Discriminação e Intolerância, já aprovadas no âmbito da Organização dos Estados Americanos e assinadas pelo Brasil.

Respeitosamente,

MNU – Movimento Negro Unificado
Unegro – União de Negros pela Igualdade
Conaq – Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais
Quilombolas
Marcha das Mulheres Negras de São Paulo
Educafro
Uneafro Brasil
AfirmAÇão Rede de Cursinhos Populares
PVNC Rio
Steve Biko
Geledés – Instituto da Mulher Negra
Ceert
Criola
Irohin – Comunicação e Memória Afro-brasileira
Latinidades – festival da mulher afro latino americana e caribenha
Maré Núcleo de Estudos em Cultura Jurídica e Atlântico Negro da Faculdade de Direito da
UnB
Núcleo de Consciência Negra na USP
Círculo Palmarino
Alma Preta – portal de mídia negra

MANIFESTAÇÃO EM PROTESTO CONTRA CORTES NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA

Manifestações em defesa de recursos para a educação são realizados nas capitais e nas grandes cidades de todo o país nesta quarta-feira (15).

Os protestos são uma resposta à decisão do ministro da Educação, Abraham Weintraub, que reduziu o orçamento das universidades federais e bloqueou bolsas de pesquisa

  • 10h3315.mai
    SÃO PAULO

    Sindicato chama de esquerdopatas dirigentes de escolas que aderiram ao protesto

    São Paulo – O Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo), que representa as escolas particulares, divulgou nota na qual afirma que os colégios particulares que aderiram à paralisação desta quarta-feira “são apenas algumas escolas dominadas por esquerdopatas que só querem o pior para o país”. Segundo a entidade, são 25 a 30 escolas em um universo de 10 mil no estado. A orientação do sindicato das escolas é descontar o dia parado do salário.

    VEJA LISTA DE ESCOLAS EM SP

    Alecrim
    Alecrim Dourado
    Anima
    Arco
    Arraial das Cores
    Bakhita
    Equipe
    Escola Livre Aretê
    Espaço Brincar
    Estilo de Aprender
    Gracinha
    Invenções
    Lycée Pasteur (no período da tarde)
    Maria Imaculada (Ipiranga)
    Marupiara
    Miguilim
    Oswald de Andrade
    Politeia
    Ponto de Partida
    Recreio (no período da tarde)
    Santa Cruz
    Santa Isabel
    Santa Maria (no período da tarde)
    Santi
    São Domingos
    Vera Cruz
    Viva
    Waldorf Francisco de Assis
    Waldorf Micael
    Waldorf São Paulo (no período da tarde)

  • 10h2715.mai
    PELO PAÍS

    Saiba como serão os atos nas capitais do Centro-Oeste e Brasília

    Veja, abaixo, onde e quando começam os atos desta quarta-feira (15) contra os cortes na educação nas capitais do Centro-Oeste, além de Brasília.

    Goiânia (GO)
    Assembleia unificada às 13h, Praça Universitária. Pela manhã, haverá um café da manhã simbólico no CEPAE (Colégio de Aplicação)

    Campo Grande (MS)
    Exposição de trabalhos acadêmicos na Praça Ary Coelho, centro da cidade

    Cuiabá (MT)
    Ato de rua em defesa das universidades públicas às 14h, na Praça Alencastro

    Brasília (DF)
    Ato às 10h em frente ao Museu da República, na Esplanada dos Ministérios. Os manifestantes devem marchar até o Congresso

    Ana Volpe/Agência Senado
    Vista aérea da Esplanada dos Ministérios em Brasília
    Vista aérea da Esplanada dos Ministérios em Brasília
  • 10h1815.mai
    PELO PAÍS

    Povos Indígenas puxam marcha da UFMG

    Belo Horizonte – Na marcha que saiu na manhã desta quarta-feira (15) do campus da Saúde da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), povos indígenas lideram o ato formado por professores, estudantes e comunidade universitária. A caminhada se dirige à praça da Estação para ato unificado com outras instituições federais.

    Na manifestação, gritos de “ele não” se misturaram a cantos tradicionais e cantos como “trabalhador, venha para a rua, essa luta também é sua” e “não vai ter corte”. (Fernanda Canofre)

  • 10h0815.mai
    SÃO PAULO

    Escolas particulares suspendem aulas; veja lista

    São Paulo – Algumas escolas particulares da capital paulista anunciaram que vão suspender as aulas nesta quarta-feira (15), dia de protestos organizados por entidades estudantis e de docentes.

    Colégios como o Equipe, São Domingos e Santa Cruz decidiram cancelar as atividades. A Escola da Vila disse que apoia a manifestação, mas vai manter as aulas. Já o Bandeirantes e o Dante Alighieri, por exemplo, vão funcionar normalmente.

    Alberto Rocha/Folhapress
    Fachada do colégio Santa Cruz, em São Paulo
    Fachada do colégio Santa Cruz, em São Paulo

    LISTA DE ESCOLAS EM SÃO PAULO
    Em um levantamento preliminar, segundo o Sinpro-SP, cerca de 30 escolas particulares devem parar nesta quarta. Veja abaixo:

    Alecrim
    Alecrim Dourado
    Anima
    Arco
    Arraial das Cores
    Bakhita
    Equipe
    Escola Livre Aretê
    Espaço Brincar
    Estilo de Aprender
    Gracinha
    Invenções
    Lycée Pasteur (no período da tarde)
    Maria Imaculada (Ipiranga)
    Marupiara
    Miguilim
    Oswald de Andrade
    Politeia
    Ponto de Partida
    Recreio (no período da tarde)
    Santa Cruz
    Santa Isabel
    Santa Maria (no período da tarde)
    Santi
    São Domingos
    Vera Cruz
    Viva
    Waldorf Francisco de Assis
    Waldorf Micael
    Waldorf São Paulo (no período da tarde)

  • 9h5915.mai
    PELO PAÍS

    Estudantes marcham na capital mineira contra cortes na educação; veja vídeo

    Belo Horizonte – Manifestantes da UFMG saem em marcha do campus da Saúde em direção à Praça da Estação, onde ocorre o ato unificado na manhã desta quarta-feira (15).

  • 9h5715.mai
    PELO PAÍS

    Manifestação tem percussão e teatro

    Salvador – As manifestações contra os cortes no orçamento das universidades teve apresentação de grupos de percussão e teatro. Milhares de pessoas concentram-se na praça do Campo Grande, de onde sairão em passeata até a Praça Castro Alves.

    Parte dos manifestantes carregam cartazes com a expressão “balbúrdia é o governo”. Um boneco gigante caracterizado do presidente Jair Bolsonaro e com uma faixa que diz “inimigo da educação” transita entre os manifestantes. (João Pedro Pitombo)

    João Pedro Pitombo/Folhapress
    Boneco gigante de Bolsonaro é levado em protesto na capital baiana
    Boneco gigante de Bolsonaro é levado em protesto na capital baiana
  • 9h4215.mai
    PELO PAÍS

    Ato no Campus da Saúde da UFMG fala de pesquisas ameaçadas

    Belo Horizonte – Centenas de pessoas estão reunidas em frente à faculdade de Medicina da UFMG, em uma concentração para o ato unificado que acontece logo mais na praça da Estação, em Belo Horizonte.

    No microfone, professores e alunos falaram sobre os motivos dos protestos e projetos que estão ameaçados pelos cortes.

    Um dos projetos de pesquisa da universidade, exibido em cartazes no ato, produziu um kit para fazer diagnóstico de resistência da tuberculose. O trabalho contou com alunos bolsistas, em parceria com a Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose (Rede-Tb).

    “É uma produção nossa, que transferiu essa tecnologia para a indústria”, explica a professora da faculdade de Medicina da UFMG, Silvana Espíndola.

    Hoje, diz ela, há 34 casos de tuberculose a cada 100 mil habitantes no país. O número está estabilizado, com índice considerado moderado de carga, mas preocupa se houver congelamento em investimentos sociais.

    Dentre os beneficiários do Bolsa Família, houve aumento de 8% de cura da tuberculose, ao longo dos 13 anos de programa, segundo Isabela Neves, pós-doutoranda do grupo de pesquisa em microbacterioses. (Fernanda Canofre)

    Fernanda Canofre/Folhapress
    Alunos e professores da UFMG protestam contra cortes na educação
    Alunos e professores da UFMG protestam contra cortes na educação
  • 9h1215.mai
    PELO PAÍS

    Manifestantes protestam contra cortes na educação e reforma da previdência

    Curitiba – A garoa fina e o tempo frio em Curitiba, que marca 14 graus, não espantou os estudantes que já se reúnem em frente ao prédio histórico da Universidade Federal do Paraná, no centro da capital.

    O ato contra os cortes na educação superior também tem como pauta a reforma da previdência. Há dois caminhões de som no local, com bandeiras da CUT e CNTE. Já com os primeiros manifestantes no local, um grupo de padres franciscanos rezou um pai-nosso no caminhão de som. (KATNA BARAN)

    Katna Baran / Folhapress
    Alunos da UFPR e movimentos sindicais iniciam protesto em Curitiba
    Alunos da UFPR e movimentos sindicais iniciam protesto em Curitiba
  • 8h5315.mai
    PELO PAÍS

    Estudantes e professores fazem panfletagem contra cortes na educação

    Belo Horizonte – Na capital mineira, estudantes, técnicos e professores da UFMG e da rede municipal, começaram o dia fazendo panfletagem em estações de transporte público e outros pontos.

    Em alguns locais, os panfletos traziam informações sobre os cortes no orçamento das universidades, em outros, falavam sobre a reforma da previdência. A proposta que o governo Bolsonaro tenta aprovar no Congresso também está na pauta do dia de mobilizações.

    Alunos do CEFET-MG também protestaram no início da manhã, fechando uma das avenidas da capital mineira, a Amazonas. Uma das faixas usadas por eles trazia a frase “luto pela educação”. (FERNANDA CANOFRE)

    Tatiane Ferreira/Folhapress
    Alunos fazem panfletagem na estação Pampulha, na manhã de quarta (15)
    Alunos fazem panfletagem na estação Pampulha, na manhã de quarta (15)
  • 8h3915.mai
    SÃO PAULO

    Faculdade de Direito da USP adere à manifestação contra os cortes na educação

    A Faculdade de Direito da USP, no centro da capital paulista, também aderiu aos protestos desta quarta-feira (15) contra os cortes na educação. Nesta manhã, a faculdade realizará aula pública com professores da instituição, oficina de cartazes, batucada, café da manhã coletivo, além de concentração para o ato na avenida Paulista.

    Laura dos Santos/Folhapress
    Fachada da Faculdade de Direito da USP com cartaz em protesto contra os cortes na educação
    Fachada da Faculdade de Direito da USP com cartaz em protesto contra os cortes na educação

OEA recebe movimentos negros do Brasil

Essa será a primeira vez desde a Conferência de Durban, na África do Sul, em 2001, que missão oficial brasileira composta exclusivamente por movimentos negros participa de um encontro para fazer denúncia internacional

OEA recebe 14 membros de movimentos negros em maio | Foto: Rosa Caldeira/Ponte Jornalismo

A CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) da OEA (Organização dos Estados Americanos) vai receber 14 ativistas e militantes dos movimentos negros brasileiros para falar sobre o pacote anticrime do ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, que pretende modificar o sistema penal e denunciar violações dos direitos da população negra no Brasil. A comitiva será composta por 10 mulheres e 4 homens de 7 estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Bahia, Goiás, Pará e Maranhão.

Sediado na Universidade de West Indies, em Kingston, Jamaica o evento celebra o marco do 172º Período de Sessões e a participação do grupo brasileiro será em 9 de maio. A última participação em missão oficial brasileira exclusiva dos movimentos negros em fóruns de denúncia internacional aconteceu em 2001, na África do Sul, durante a Conferência de Durban – um movimento protagonizado por mulheres negras latino americanas, que, na época, teve como uma das líderes Sueli Carneiro.

Em entrevista à Ponte, Iêda Leal de Souza, coordenadora nacional do MNU (Movimento Negro Unificado), que participará da audiência pública, enfatiza a importância dos movimentos negros se unirem e construírem debates internacionais como este da OEA. “A luta contra o racismo não está sendo fácil no nosso país. Esse conjunto de mulheres e homens indo para essa reunião importante, não só fazer as denúncias da forma que o negro vem sendo tratado nesse país, mas, também para gente reunir forças para continuar lutando e decidir os caminhos que vamos traçar daqui pra frente”, defende Iêda.

Para ela, o caminho está na reorganização do movimento e na vigilância contínua. “Vamos redobrar a nossa vigilância, vamos continuar lutando, mas temos a necessidade de incluir novas parcerias e espaços pra gente denunciar e tirar situações bastantes positivas para ter um diálogo com o governo brasileiro e continuar reafirmando que o negro nesse país vai ter que ter muito respeito de quem dirige e a compreensão de que nós somos uma nação grandiosa, somos 60% dessa população, por isso a necessidade da nossa reorganização e desses diálogos internacionais”, argumenta a coordenadora do MNU.

Iêda explica também o que o pacote anticrime representa para o Movimento Negro Unificado. “De fato, ele representa a criminalização do povo. Não se apresentou nada de novo, não se tem nada pedagógico. O que tem, na verdade, é uma coisa punitiva. E esse punitivismo dá crédito para quem poderia ajudar na segurança das pessoas, mas na verdade diz para elas que elas estão autorizadas a continuar exterminando o povo negro. Nós não podemos concordar com isso”, critica Souza.

O documento protocolado à CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos), em fevereiro de 2019, teve assinatura de 39 entidades da sociedade civil organizada e representantes de movimentos negros e periféricos. O ofício pede um posicionamento do órgão sobre as medidas e que seja disponibilizado um observador internacional para acompanhar o caso no Brasil. Entre os pontos do projeto que mais colocam em risco a população negra, as entidades destacam a proposta de prisão em segunda instância, que aumentará o número de presos no país, e o menor rigor na punição e apuração de casos de homicídio cometidos por agentes de segurança do Estado.

“O conjunto de propostas, que visa alterar leis federais na área penal, processual penal e de combate à violência, tem gerado, desde sua apresentação pública em 4 de fevereiro de 2019, amplo debate e muitas críticas por parte de juristas, acadêmicos, especialistas e sobretudo das organizações da sociedade civil. A gravidade que tais modificações podem representar à segurança pública e à vida de milhares de cidadãos e cidadãs brasileiras, sobretudo da população negra e pobre, nos motiva a apresentar este documento a esta Comissão”, explica o texto do ofício, que começa com uma frase do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de incentivo à violência de Estado: “Se alguém disser que quero dar carta branca para policial militar matar, eu respondo: quero sim! O policial que não atira em ninguém e atiram nele não é policial.”

A mulher negra é quem paga mais imposto no Brasil

Mulher negra e pobre é quem mais paga imposto no Brasil

A violência e a corrupção são terríveis, mas seríamos uma nação melhor se nossa sociedade repudiasse da mesma maneira a desigualdade

Ao contrário de Estados Unidos, França e Inglaterra, no Brasil tributa-se mais o consumo do que a renda e o patrimônio. Com tantos impostos em cima de impostos, a população não faz ideia do quanto deixa para o fisco sobre qualquer coisa que venha a comprar.Por exemplo, segundo o IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), para cada 1 real de cachaça são 82 centavos só de imposto. Se for carne, ficam 29 centavos para o governo. Açúcar, 31 centavos. Arroz, feijão ou farinha, 17 centavos.

É um sistema perverso. Como quem tem menos consome tudo que recebe, são os mais pobres que acabam pagando mais em proporção aos ganhos. Já os mais ricos podem poupar e ainda fazer o dinheiro render nos bancos, sobretudo em épocas de juros altos.

Não bastasse isso, a distorção aumenta com a isenção sobre lucros e dividendos, algo que só existe na Estônia e aqui. Foi implantada por FHC em 1995, passando incólume pelos governos Lula e Dilma, o que ajuda a nos manter como mais um paraíso dos milionários.

Estudo do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos) vai além, destrinchando essas injustiças fiscais também por raça/cor e gênero.

Participação (%) por decis de renda, por raça/cor e sexo:

Na base da pirâmide, dos 10% mais pobres (onde 68,06% são negros), a carga tributária é de 32%. Nessa faixa, as mulheres negras são o maior grupo contribuinte, 35,59%. Já no topo, dos 10% mais ricos (83,72% são brancos), a carga é de 21%. Nessa faixa, são os homens brancos que predominam, 49%.

Conclusão: no Brasil, a mulher negra e pobre é quem mais paga impostos.

A violência e a corrupção são terríveis, importante que estejam na agenda da hora, mas certamente seríamos uma nação melhor se nossa sociedade que forma opinião repudiasse da mesma maneira a desigualdade, este sim nosso maior desafio. Aliás, não seria leviano dizer que se vê menos violência onde se tem mais oportunidades de subir na vida, assim como menos corrupção quando se tem mais controle social.

Se são tempos de patriotismo, nosso o orgulho de nação entre as dez maiores economias jamais pode ser maior do que nossa vergonha como o 10º país mais desigual do mundo, empatado nas métricas de concentração de renda com o Reino de Essuatíni, pequeno país da África austral.

Fonte:https://www.cartacapital.com.br/opiniao/mulher-negra-e-pobre-e-quem-mais-paga-imposto-no-brasil/?utm_campaign=newsletter_rd_-_30042019&utm_medium=email&utm_source=RD+Station

O presidente do Brasil anuncia mais perversidades

perversidade

Bolsonaro vai ao Agrishow anunciar que a festa é ruralista

O presidente foi ao Agrishow no interior de São Paulo fazer agrados à plateia ruralista. Disse ter ordenado ao ministro do meio ambiente “uma limpa” no Ibama e no ICMBio e ter vibrado “quando ele [Salles] anunciou há poucos dias à frente do ICMBio quatro integrantes da Polícia Militar”, porque “eram pessoas que ‘tiveram’ um passado junto ao batalhão florestal ou similares, ‘tiveram’ ao lado de vocês”. Como se fosse pouco, segundo O Globo, mandou o ministro do Meio Ambiente alterar o processo de fiscalização, para que antes de multarem, os fiscais de órgãos ambientais repassem orientações sobre a legislação ambiental. Salles, aparentemente por considerar tal franqueza um tanto exagerada, disse que “o presidente fez uma figura de linguagem que significa, na verdade, que estamos apoiando os bons funcionários do Ibama, gente dedicada, gente técnica, que cuida das suas atividades com muito cuidado. Por outro lado, eventuais desvios que são identificados por nós, serão objeto de atuação (sic). Foi isso que o presidente quis dizer, nada além disso.” Ah, bom.

Bolsonaro também anunciou duas de suas intenções: mudar a legislação de modo a permitir ao proprietário rural que ande armado na sua propriedade e baixar os juros do Banco do Brasil para o produtor rural. Faltou dizer se pistoleiros eventualmente contratados teriam também porte de arma liberado no interior das propriedades. Faltou também dizer se os contribuintes em geral ou os demais tomadores de empréstimos do BB bancarão o “espantoso progresso” do agronegócio brasileiro.

Em tempo 1: Salles chamou mais um policial militar para sua equipe, desta vez para ocupar a diretoria de Planejamento, Administração e Logística do Ibama. Luís Gustavo Biagioni ex-chefe do Estado Maior do Comando de Policiamento Ambiental de São Paulo. Ele substitui um funcionário de carreira do órgão ambiental, exonerado no meio do mês.

Em tempo 2: Celso de Rocha Barros escreveu na Folha de S. Paulo um parágrafo tão claro quanto triste: “E temos Sérgio Moro ministro da Justiça de um governo que quer desmontar o Supremo Tribunal Federal. E temos a Polícia Federal tentando melar a entrevista de Lula.  E nada passa no Congresso, e nada é feito para reduzir o desemprego, e o MEC é saqueado por fanáticos extremistas, e o ministério do Meio Ambiente trabalha pelo desmatamento, e o Brasil passa vergonha entre as nações como um país que está bêbado.”

Fonte: http://climainfo.org.br/2019/04/30/bolsonaro-vai-ao-agrishow-anunciar-que-a-festa-e-ruralista/bolsonaro-agrishow

Racismo e machismo no Parlamento

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Hoje pela manhã uma assessora negra da mandata das Juntas foi barrada na entrada do Anexo II da Assembleia Legislativa de Pernambuco pelo segurança da Casa. Fotógrafa e cineasta, ela se dirigia ao Plenarinho III para cobrir com vídeos e fotos a reunião ordinária da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulheres quando foi abordada de maneira agressiva pelo policial, que a questionou sobre a motivação da sua presença. A profissional trabalha há quase três meses no espaço e estava segurando uma câmara fotográfica, identificando com clareza a função que exerceria no espaço. Três mulheres da mandata, duas delas Codeputadas, foram chamadas pela assessora para confrontar a abordagem e também foram alvo de comentários machistas e racistas.

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A Superintendência de Segurança da Casa foi imediatamente acionada e notificada do episódio inaceitável (é a segunda conversa sobre o tema em menos de um mês). O nome disso é racismo institucional, que se manifesta em práticas e comportamentos discriminatórios adotados no cotidiano e que sempre colocam pessoas negras em situação de desvantagem em espaços públicos e privados, nas relações institucionais e políticas. Não aceitaremos a naturalização da violência que pressupõe perfis adequados para estar numa casa parlamentar, que é a casa povo.download (1)

A Mandata das Juntas é formada por 70% de mulheres e 50% de pessoas negras e tem sido foco frequente de abordagens machistas e racistas. São comentários sobre as roupas, sobre os cabelos, perguntas grosseiras sobre se trabalham ou não na Casa, entre outras formas de assédio moral e discriminação que não acontecem com outras pessoas que trabalham no mesmo espaço. A mandata é feminista e periférica, com forte presença de pessoas negras, em diversas funções. A diversidade da equipe representa vários segmentos da sociedade que são discriminados todos os dias por sua classe, sua cor, seu gênero.

Não é um caso isolado. Deputadas estaduais negras como Mônica Francisco e Dani Monteiro (PSOL/RJ) foram barradas em espaços da assembleia local, assim como as deputadas federais Talíria Petrone (PSOL/RJ) e Áurea Carolina (PSOL/MG), no Congresso Nacional. Como forma de iniciar uma mudança cultural, as Juntas vão propor um treinamento sobre o respeito e diversidade racial a servidores, o que Mônica Francisco nomeia de “Instrução contra o racismo institucional”. Não é possível calar e invisibilizar as violências. As Juntas foram eleitas para mover as estruturas.