São Tomé e Príncipe: Doença de origem desconhecida afecta quase 2.000 pessoas

São Tomé – Uma doença de origem ainda desconhecida está a afetar São Tomé e Príncipe, tendo as autoridades sanitárias diagnosticado já 1.994 casos e quatro óbitos “associados à doença”, indicou fonte hospitalar.

VISTA PARCIAL DA CIDADE DE SÃO TOMÉ

FOTO: LINO GUIMARÃES

Os primeiros casos desta infecção foram diagnosticados nos últimos 10 meses.

A infecção ataca os membros inferiores e a esmagadora maioria das vítimas são homens.

“Coceiras, inchaço das pernas, pele avermelhada que depois se constitui em bolhas, dores intensas de membros inferiores, são os principais sintomas da doença, que deixa depois uma espécie de queimadura na pele e com corrimentos“, explica a directora dos cuidados primários de saúde, Maria Tomé Palmer.

Há cerca de dois meses, o ministério da Saúde de São Tomé e Príncipe pediu a ajuda das autoridades sanitárias portuguesas para tentar identificar a doença e encontrar uma cura.

Deslocou-se ao país o infecciologista Kamal Mansinho, da Unidade de Doenças Infecciosas do Hospital Egas Moniz.

O especialista português recomendou um tratamento, mas “o efeito revelou-se incapaz” de combater a doença e o número de casos esta aumentar.

Nessa altura, as autoridades falavam em mais de 640 casos e hoje já são 1.994 as pessoas infectadas.

As autoridades sanitárias do país mostram-se preocupadas e procuram agora uma segunda linha de tratamento eficaz para a doença, tendo recorrido à ajuda da Organização Mundial da Saúde (OMS), que enviou um especialista para o arquipélago.

Ghislain Sopoh, do Benim, disse hoje aos jornalistas que “ainda é prematuro” definir o tipo de patologia que está a afectar os são-tomenses.

Maria Tomé, directora dos cuidados primários de Saúde de São Tomé e Príncipe, disse que uma das enfermarias do hospital Ayres de Menezes que foi reservada para acolher os doentes com esta doença “está repleta”.

Acrescentou que os custos de internamento têm sido elevados, tendo em conta, o período demorado que as pacientes ficam no hospital para tratamento.

A médica garantiu que não há mortes directas relacionadas com a doença em causa, mas explicou que pacientes com imunidades baixas com doenças associadas ao caso, nomeadamente a diabetes, não conseguem resistir e acabam por falecer.

A gravidade da situação levou o ministério da Saúde a orientar a rádio e a televisão pública a emitir permanentemente anúncios a alertar a população sobre o risco da doença e os seus sintomas e os cuidados a ter.

Fonte: http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/0/5/Sao-Tome-Principe-Doenca-origem-desconhecida-afecta-quase-000-pessoas,62261526-47f4-49e6-a245-312b1b93c09a.html

Relatório sobre a Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento Internacional

Itamaraty (1)

O investimento em Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento Internacional (Cobradi) aumentou 61% entre 2005 e 2013, tendo existido uma aposta noutros países de língua portuguesa, de acordo com um relatório lançado hoje em Brasília.

No documento “Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento Internacional: 2011-2013”, lê-se que a cooperação brasileira atuou em 159 países e totalizou “gastos na ordem de 2,8 mil milhões de reais [777,9 milhões de euros] no período 2011-2013, destacando-se a prevalência de dispêndios com organismos internacionais (53%)”.

A Cobradi divide-se ainda em cooperação técnica, educacional, científica e tecnológica, humanitária, apoio e proteção a refugiados e operações de manutenção da paz.

O relatório, lançado pelo Instituto de Pesquisa Económica Aplicada e pela Agência Brasileira de Cooperação, esclarece que o Brasil é um país que se afasta do “conceito de doador tradicional”, porque prioriza “a troca de experiências e o uso da máquina pública”, sendo ainda um país recetor de ajuda.

Na cooperação técnica, Moçambique aparece como o maior país recetor com 19,7 milhões de reais (5,47 milhões de euros) nos três anos, seguido de São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, o grupo Benim, Burkina Faso, Chade e Mali, Guiné-Bissau, enquanto Angola aparece como 9.º maior recetor e Cabo Verde em 13.º.

O Brasil recebeu equipas técnicas de vários países para partilhar o seu conhecimento em, por exemplo, políticas de proteção social e de produção e comercialização de alimentos (Moçambique), programas de cisternas (Timor-Leste), políticas de segurança alimentar e nutricional (Guiné-Bissau).

Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe foram dos países beneficiados por apoio em desenvolvimento urbano e inclusão bancária.

Em direitos humanos, o Brasil cooperou com Timor-Leste, países lusófonos em África, entre outros, lê-se no relatório, segundo o qual em 2011, por exemplo, a secretaria dos Direitos Humanos “atuou no registo de nascimento na Guiné-Bissau, sendo o órgão brasileiro responsável pela transferência de conhecimento para aquele Governo”.

Na pesquisa agropecuária, são citados vários apoios, como “assistência técnica e formação de curta duração a 105 pesquisadores angolanos”, implementação de equipamento de irrigação para evitar o desperdício de água em Cabo Verde, transferência de tecnologia e desenvolvimento do setor algodoeiro em Moçambique e formação a técnicos timorenses em produção de leite e pasto.

Na área da pesquisa económica aplicada, o documento dá conta de acordos de cooperação técnica com o Instituto Superior Técnico (IST), de Portugal, e o Ministério da Coordenação Económica de Angola, entre outros.

Quanto à saúde pública, o Brasil cooperou, por exemplo, em bancos de leite humano com Moçambique e Cabo Verde, em saúde materna e medicamentos antirretrovirais com Moçambique e em saúde pública com Angola.

Moçambique e Cabo Verde também beneficiaram da cooperação com o Brasil em vigilância sanitária e epidemiológica.

Segundo o relatório, nos três anos, o Brasil recebeu 992 estudantes, 74% dos quais africanos, com destaque para angolanos (158), cabo-verdianos (169) e guineenses (173), sendo também os países de língua portuguesa dos mais apoiados com bolsas de estudo.

O Brasil investiu, por exemplo, na qualificação de docentes e no ensino de português em Timor-Leste, em bolsas para investigação em áreas relevantes para o governo moçambicano e na formação de diplomatas dos restantes Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), exceto Portugal.

Na cooperação científica e tecnológica, em 2013, foram financiados cinco projetos científicos com a Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), de Portugal, segundo o relatório, que informa ainda sobre a cooperação entre o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa) com investigadores portugueses.

No documento, lê-se que 90% das doações em cooperação humanitária articuladas pelo Ministério da Saúde destinaram-se a antirretrovirais, beneficiando vários países, como Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

Na área de cooperação humanitária, o Brasil contribuiu também para a aquisição de alimentos em países lusófonos.

Quanto ao apoio e proteção a refugiados, importa destacar que os angolanos representavam um dos maiores grupos acolhidos no Brasil.

http://www.rtp.pt/noticias/economia/brasil-aumenta-investimento-em-desenvolvimento-internacional-em-61-em-oito-anos_n966038

Site do realtório :http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=28542&catid=394&Itemid=406