A xenofobia na África do Sul assusta e preocupa

 

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Alguém poderia imaginar que a sociedade sul africana tivesse problemas de xenofobia recorrente na África do Sul?

A ministra das Relações Internacionais e Cooperação sul-africana, Lindiwe Sisulu, reúne-se hoje, em Pretória, com embaixadores acreditados na África do Sul para discutir a recente violência xenófoba contra cidadãos estrangeiros no país.

O ministro da Polícia, Bheki Cele, participa também no encontro para o qual foram convocados os embaixadores da SADC (Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral), Paquistão, Bangladesh e Índia, disse à Lusa o porta-voz do Ministério das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul, Ndivhuwo Mabaya.

Segundo o porta-voz, o Governo sul-africano está preocupado com os incidentes de violência e ataques de xenofobia contra cidadãos estrangeiros que eclodiram há uma semana no país, nomeadamente nas províncias do KwaZulu-Natal, litoral sudeste, e Limpopo, norte do país.

Em declarações à imprensa, na sexta-feira, Lindiwe Sisulu reafirmou a preocupação do Governo [Congresso Nacional Africano (ANC, sigla em inglês)] com a recente onda de violência e ataques xenófobos contra cidadãos estrangeiros, instando as autoridades de segurança a atuar.

“O Governo reconhece a contribuição significativa e os sacrifícios de cidadãos de vários países africanos na libertação dos sul-africanos e na queda do regime do apartheid”, adiantou a chefe da diplomacia sul-africana.

O chefe de Estado, Cyril Rampahosa, que é também presidente do ANC, no poder desde 1994, condenou os incidentes de violência e ataques xenófobos contra estrangeiros após uma visita que efetuou à província do KwaZulu-Natal, em campanha eleitoral.

“Estes recentes ataques violam tudo aquilo pelo qual o nosso povo lutou durante muitas décadas, condeno pessoalmente porque não somos isso como povo”, afirmou Cyril Ramaphosa durante uma visita a Pietermaritzburg, na sexta-feira.

Todavia, com eleições legislativas marcadas para dia 8 de maio, no discurso de campanha eleitoral que realizou em Durban, na semana anterior, o chefe de Estado sul-africano advertiu proprietários de negócios a operar em “townships” [definição de bairros negros durante o apartheid], sem fazer no entanto referência direta a cidadãos estrangeiros.

“Toda a gente chega às nossas townships e áreas rurais e monta negócios sem ter licenças e autorizações. Vamos acabar com isso e aqueles que estão a operar ilegalmente, seja de que sítio venham, devem agora saber (…)”, declarou Ramaphosa no seu discurso, declaração essa transmitida pelo canal de televisão ENCA, no dia 20 de março na rede social YouTube.

A polícia no KwaZulu-Natal confirmou à imprensa os incidentes de violência na semana passada, acrescentando que “começaram na noite de domingo [24 de março] com ataques a lojas de cidadãos estrangeiros”.

Registaram-se também incidentes na segunda e na terça-feira, adiantou a porta-voz da Polícia, Thulani Zwane.

Na quinta-feira, a Lusa noticiou que sete camiões foram incendiados na autoestrada N3, entre a localidade de Estcourt e a portagem de Rio Mooi, na província do KwaZulu-Natal (KZN).

A polícia sul-africana não confirmou se os incidentes na N3 estão relacionados com a atual onda de protestos que envolve motoristas de camião estrangeiros, nomeadamente moçambicanos.

Imagens de violência no KwaZulu-Natal e alertas de segurança por parte de motoristas moçambicanos têm dado também conta nas redes sociais de atos de intimidação e insegurança de que alegam ser alvo.

“O governo provincial [ANC] está preocupado com a destruição de sete camiões no importante corredor N3 que liga KZN ao coração económico da África do Sul, a província de Gauteng”, disse o ministro para o Desenvolvimento Económico, Turismo e Ambiente do governo provincial local.

Sihle Zikalala, adiantou ao semanário local, Sunday Tribune, que também na semana passada, pelo menos cinco fábricas ficaram destruídas por fogo posto no parque industrial Isithebe, em Mandeni, no litoral norte do KwaZulu-Natal.

“As fábricas de propriedade da Corporação de Desenvolvimento Financeiro Ithala, foram incendiadas por residentes insatisfeitos com o município local”, explicou.

A polícia confirmou a detenção de 15 pessoas por destruição maliciosa de propriedade e incitação à violência pública, segundo o jornal de Durban.

Em declarações à imprensa, na sexta-feira, o presidente da Câmara Municipal de eThekwini (envolvente à cidade de Durban), Zandile Gumede, considerou que os incidentes de violência são “pura criminalidade”.

Fonte:https://www.dn.pt/lusa/interior/governo-da-africa-do-sul-reune-embaixadores-sobre-violencia-xenofoba-contra-estrangeiros-10747182.html

Angolanos temem o racismo e a xenofobia no Brasil, por conta do Bolsonaro

Osvaldo Gonçalves

Enquanto por cá alguns comentários sobre as eleições do Brasil, feitos sobretudo nas redes sociais, levam a questionar sobre a existência de forças de direita organizadas, mais do que simples reacções ao descalabro a que chegou o país em relação à corrupção, os africanos, entre os quais angolanos, residentes naquele país temem um aumento da violência, do racismo e da xenofobia, caso o “coiso” ( Jair Bolsonaro), do PSL, vença a segundo turno das eleições presidenciais.

O Bolsonaro e o vice, António Hamilton Mourão, repudiados pelo discurso de ódio e racista
Fotografia: DRApós o ataque ao , outro caso mediático fez manchete nos jornais no início deste mês, quando o mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa, de 63 anos, foi morto em Salvador, Bahia com 12 facadas, por causa de uma discussão política.
Agora, para a segundo turno (ou segundo turno, como dizem os brasileiros), o candidato da direita mantém uma margem de 20 por cento em relação ao rival do PT, Fernando Haddad, que concorre a estas eleições sob um forte manto de Lula da Silva, preso em Curitiba.
Em S. Paulo, a maior cidade brasileira, tal como no Rio de Janeiro, a segunda, como em Salvador da Bahia, onde se encontram as maiores comunidades angolanas, o medo de uma escalada na violência, por racismo ou por xenofobia, aumenta, assim como os receios em relação a casos relativos  à opção sexual.
Em Porto Alegre, Márcia Pungo, uma estudante universitária angolana que vive há quatro anos no Brasil, sonha em voltar ao país no próximo ano. “O brasileiro tem muito ódio para destilar e não tem preguiça de fazer isso”, desabafa. E acrescenta: “Se a pessoa comentou algo que não vai ao encontro do que a outra acredita, essa pessoa já é digna de ser odiada. O brasileiro não tem vergonha de destilar o seu ódio.”
O sentimento de Márcia Pungo é partilhado por outros estudantes africanos noutras regiões do Brasil. Sara Santiago, de 24 anos, estudante de comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul a viver naquele país desde 2015, sente na pele o preconceito que impera entre muitos brasileiros. Ela recorda uma situação “constrangedora” que sofreu em plena sala de aula assim que chegou ao país:
“Na primeira prova que fiz, tirei nota 8 [em 10]. Uma colega chegou ao pé de mim e retirou-me a prova da mão. Virou-se para a professora e perguntou por que é que eu, que vinha de África, tinha tirado 8 e ela 6.” Já o guineense de Bissau Germem Correia, de 28 anos, estudante de mestrado em Administração na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a viver há cerca de cinco anos no Brasil, critica a posição agressiva dos brasileiros quando o assunto é política: “Tu percebes que existe ódio. Cada um é livre de ter e escolher o seu partido, mas o importante é respeitar a opinião dos outros. Muitas vezes, as pessoas acabam por não entender isso.”
No próximo dia 28 de Outubro, 147 milhões de brasileiros são chamados às urnas para eleger o novo Presidente da República. Os eleitores têm de escolher entre Jair Bolsonaro do PSL e Fernando Haddad do PT.
Em 2017, 36 milhões de africanos foram obrigados a migrar, 14 por cento dos 258 milhões de deslocamentos registados no continente, mas 75 por cento de todos permaneceram dentro do continente, mudando apenas de país. Em relação a Jair Bolsonaro, o receio tem explicação, embora se multipliquem as acusações sobre o uso de “fakenews” (notícias falsas) de um lado e do outro. Falsas ou não – cremos que não -, tanto Jair Bolsonaro, como o vice da sua chapa de eleição, o general da reserva António Hamilton Mourão (PRTB), têm-se feito notabilizar por declarações chocantes. Jair Bolsonaro, por exemplo, disse no Programa Roda Viva do último dia 30 do mês passado, que os portugueses nunca pisaram na África, que foram os próprios negros que se entregaram para a escravidão.
António Hamilton Mourão afirmou, durante um evento da Câmara de Indústria e Comércio de Caxias do Sul, que o Brasil herdou a “indolência” dos indígenas e a “malandragem” dos africanos. “Temos uma herança cultural, uma herança que tem muita gente que gosta do privilégio (…). Essa herança do privilégio é uma herança ibérica. Temos uma certa herança da indolência, que vem da cultura indígena. Eu sou indígena. Meu pai é amazonense. E a malandragem (…) é oriunda do africano”, afirmou.
E foi mais longe: demonstrou desprezo pelos africanos e disse que o país adoptou a “diplomacia que foi chamada de Sul-Sul”. “E aí nos ligamos com toda a mulambada, me perdoem o termo, existente do outro lado do oceano (África), do lado de cá, que não resultou em nada, só em dívidas que foram contraídas e que nós estamos tomando calote disso aí”, frisou.

  Repúdio em Montevideu

Centenas de pessoas entre uruguaios e brasileiros protestaram, sábado, diante da Embaixada do Brasil, em Montevideu, contra o candidato Jair Bolsonaro (PSL), que defronta Fernando Haddad (PT) na segunda volta das eleições presidenciais.
Cerca de 300 pessoas foram para os arredores da sede diplomática brasileira ao canto de “ele não”, utilizado em outros países para manifestar a rejeição à candidatura de Bolsonaro.
A representante da organização cívica internacional Pão e Rosas, Karina Rojas, disse à agência Efe que a convocação foi feita para se manifestar contra a “onda de repressão” vivida no Brasil depois da vitória do candidato na primeira volta.
“Não queremos que haja fascismo na América Latina, não queremos que haja extrema direita que acabe com as nossas liberdades democráticas, que persiga os lutadores e lutadoras, que promova a xenofobia, o racismo, a misoginia e a homofobia”, disse Karina.
A activista acrescentou que em caso de uma hipotética vitória de Bolsonaro nas próximas eleições esta organização cívica irá convocar comités de acção “para se defender dos ataques dos grupos de extrema-direita”, já que segundo sua opinião “não há melhor resistência do que a mobilização e a luta nas ruas”.
“Queremos que todos os sectores que se dizem democráticos enfrentem o ‘bolsonarismo’ e o golpismo no Brasil e em toda a América Latina, queremos uma postura firme contra Bolsonaro”, concluiu Karina.

Senegaleses denunciam violência policial em Florianópolis

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Na história recente da imigração no Brasil, começamos a receber os  senegalenses ou senegaleses , que vem tentar uma vida melhor no Brasil, a principal razão da vinda é econômica. São muitas as dificuldades econômicas no Senegal, muito desemprego, e como consequências temos uma parcela da juventude que atravessa o oceano Atlântico para vir tentar arrumar trabalho.

A população brasileira não está acostumada a receber imigrantes africanos, além do estranhamento inicial, há o racismo e a xenofobia. Enfrentam muitos problemas de adaptação no Brasil que vai da língua,  religião e os costumes e os problemas começam a surgir:

A  cidade de Florianópolis  tem recebido muitos senegaleses , uma cidade onde a temos um nmenores percentuais da população negra do país, a chegada de imigrantes não é bem recebida por parte da população e a violência policial que atinge indiscrimindamente os negros do país, atinge também os senegaleses

Um grupo de senegaleses fez uma manifestação no Centro de Florianópolis na tarde da sexta-feira, dia 7 de março. Eles reclamavam de uso de violência por parte da Polícia Militar e da Guarda Municipal quando são abordados na cidade. Muitos deles são vendedores ambulantes.

“A violência começou nessas situações, quando eles vendem materiais, mas se estende para outras situações de abordagens. Eles têm sido coagidos e tem tom de ameaças para eles”, explica Janaina Santos, doutoranda de Antropologia que estuda migrações e acompanhou a manifestação. Segundo ela, muitos dos imigrantes dizem que são abordados só por estarem com uma mochila andando na rua, por exemplo.

 

O ambulante senegalês Boubacar Dieyê reclamou do tratamento policial: “A polícia está tratando mal. Está batendo. Está botando [gás] lacrimogêneo”. Ibratima Ndoye resumiu a falta de segurança: “Eu tenho medo de Floripa. Tenho muito medo de andar em Floripa”.

“Se você é preto, senegalês ou haitiano, coloca uma mochila e passa perto da polícia, eles falam ‘ei, parou. O que tem dentro da mochila'”?, relatou o ambulante Elhadji Ngom.

 

Há relatos ainda de invasão de suas casas, abordagens quando estão andando nas ruas e expulsão de lugares públicos. De acordo com um depoimento, um casal de senegaleses que estava tomando café na manhã em uma padaria foi retirado .

 

É necessário que os brasileiros manifestem sua solidariedade aos senegaleses, no mínimo pelo ideais pan africanos de entender que tem um laço histórico que nos une.

Governo sul-africano e nigeriano querem aliviar tensão xenófoba

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Pretória – Os governos da África do Sul e da Nigéria anunciaram segunda-feira a criação de uma plataforma de diálogo destinada a evitar a repetição de ataques anti-imigrantes que recentemente agitaram vá

MINISTRA DAS RELAÇÕES EXTERIORES DA ÁFRICA DO SUL, MAITE NKOANA-MASHABANE (FOTO DE ARQUIVO)

Para o efeito, a ministra sul-africana das Relações Exteriores, Maite Nkoana-Mashabane, renuiu-se segunda-feira com o seu homólogo nigeriano, Geoffrey Onyeama, em Pretória para aliviar a tensão.

“Este centro de alerta nos permitirá manter-se mutuamente a par dos problemas e evitar uma possível violência”, anunciou Nkoana-Mashabane, lembrando que os nigerianos não eram os únicos estrangeiros atingidos.

Nas últimas semanas, muitas lojas e casas pertencentes aos estrangeiros foram saqueadas nos subúrbios pobres destas duas cidades, reacendendo o espectro dos distúrbios xenófobos mortais de 2008 e de 2015.

As pessoas acusam os estrangeiros, nomeadamente, os nigerianos, de estar na origem de tráfico de drogas e de prostituição que afligem os seus bairros.

No mês passado, o governo nigeriano tinha manifestado publicamente a sua preocupação após esta onda de ataques.

Segunda-feira, o ministro sul-africano das Relações Exteriores, Maite Nkoana-Mashabane, renuiu-se com o seu homólogo nigeriano, Geoffrey Onyeama, em Pretória para aliviar as tensões.

“Este centro de alerta nos permitirá manter-se mutuamente a par dos problemas e evitar uma possível violência”, anunciou Nkoana-Mashabane, lembrando que os nigerianos não eram os únicos estrangeiros atingidos.

Acertaram que de três em três meses, representantes dos dois países, oficiais e membros da sociedade civil vão reunir-se para abordar as questões da imigração e os problemas de coabitação.

Onyeama, por sua vez, disse ter recebido garantias da parte do governo sul-africano para que os seus cidadãos possam viver em segurança e pediu fim aos “ataques em massa”.

No final de Fevereiro, Abuja tinha pedido à União Africana (UA) para intervir “com urgência” para acabar com estes crimes, que fizeram segundo a Nigéria, pelo menos 20 pessoas no ano passado.

Estudantes nigerianos também marcharam em represálias na capital nigeriana, inclusive em frente à sede das empresas sul -africanas Multichoice (fornecedor de televisão via satélite) e MTN (telefone celular).

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/2/11/Africa-Sul-Governo-sul-africano-nigeriano-querem-aliviar-tensao-xenofoba,a3fde3b5-1a2f-4da5-ac7b-86f88d1e188b.html

 

 

Governo da Nigéria preocupado com a xenofobia na África do Sul

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Abuja – O Governo federal nigeriano exprimiu na quarta-feira a sua preocupação face à onda de assassinatos de cidadãos nigerianos na África do Sul, exigindo uma ação rápida sobre os casos pendentes.

Abike Dabiri-Erewa, assistente principal adjunta da Presidência para os Negócios Estrangeiros e Diáspora, declarou em Abuja que não havia nenhuma justificação para os massacres.

Declarou que a Nigéria perdeu 116 dos seus cidadãos nessas execuções extrajudiciais na África do Sul, dos quais 20 foram mortos em 2016.

Dabiri-Erewa, que manteve um encontro com embaixadora sul-africana na Nigéria, Lulu Aaron Mnguni, lançou um apelo às autoridades sul-africanas para que a justiça seja feita no caso do nigeriano morto em Dezembro.

Tochkwu Nnadi, um empresário de 34 anos, teria presumivelmente sido morto pela Polícia sul-africana, a 29 de Dezembro de 2016.

“Estamos preocupados com a criminalização da migração ilegal, em particular entre nós enquanto irmãos em África. Estamos preocupados com a criminalização dos migrantes nigerianos na África do Sul”, disse.

“É certo que alguns cometem crimes e merecem ser punidos, mas as mortes extrajudiciais preocupam-nos muito. Desejamos também apelar aos nigerianos onde quer que estejam para que obedeçam às leis do país de acolhimento”, ressaltou.

Dabiri-Erewa espera que as relações entre os dois países continuem fortes e melhores, e as distracções evitadas.

Por sua vez, Aaron-Mnguni prometeu a abertura de inquéritos sobre as mortes e as pessoas implicadas serão punidas.

“A África do Sul tem um alto nível de tecnologia para saber como uma pessoa morreu”, disse, acrescentando que os patologistas e a Polícia vão descobrir a verdade e os que forem acusados serão condenados”, concluiu.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/1/6/Nigeria-Governo-preocupado-com-execucoes-extrajudiciais-nigerianos-Africa-Sul,229f0019-d0e8-4861-ad6c-4ca7f2f02909.html

Nova onda de xenofobia na África do Sul


Obian Kenneth, imigrante nigeriano, teve carro queimado, Rosenttenville, África do Sul

Obian Kenneth, imigrante nigeriano, teve carro queimado, Rosenttenville, África do Sul

Nigerianos atacados em Rosenttenville alegadamente por serem traficantes de drogas e promoveram a prostituição

Cidadãos sul-africanos decidiram fazer justiça pelas próprias mãos destruindo casas, carros e estabelecimentos comerciais de emigrantes africanos em Rosenttenville, o sul de Joanesburgo, numa alegada guerra contra suspeitos traficantes de droga e promotores de prostituição.

O presidente da cidade de Joanesburgo, Herman Mashaba, evita condenar a justiça popular e defende a deportação de todos os emigrantes ilegais para seus países de origem por acreditar que são promotores da criminalidade na chamada “cidade de ouro”.

O ambiente está muito tenso, mas calmo em Rosettenville, depois de a policia ter reforçado a segurança com unidades de patrulha.

Entretanto, este reforço não foi suficiente para salvar os bens do emigrante nigeriano Obian Kenneth, que teve acasa e o carro queimados.

O emigrante é suspeito de ser traficante e vendedor de drogas e de usar sua residência como bordel, mas ele desmente e diz que não sabe qual é o problema de fundo entre sul-africanos e nigerianos, porque não é traficante de drogas e nem promotor de prostituição.

“Não lido com drogas, esse não é meu negócio”, diz Kenneth que vende roupas.

A escassas centenas de metros da residência arrendada de Obian vivem outros cinco emigrantes nigerianos, cuja casa foi igualmente queimada por residentes locais.

Para o chefe do grupo, a destruição dos seus bens a fogo posto é uma clara manifestação de xenofobia contra emigrantes africanos, sobretudo nigerianos.

No entanto, nem ele nem Obian apresentaram queixas à policia, alegando que os agentes da corporação são coniventes.

O emigrante moçambicano residente no mesmo bairro, Mussa Ussene, considera que a população local está a vingar-se contra a venda de droga e prostituição.

Dados oficiais indicam que o consumo de droga na África do Sul é duas vezes superior ao consumo considerado normal a nível mundial.

Pelo menos 15 sul-africanos em cada 100 habitantes têm problemas de consumo de droga, o que custa ao país 20 mil milhões de randes por ano, cerca de 1,5 milhão de dólares.

http://www.voaportugues.com/a/nova-onda-imigrantes-africa-sul/3709441.html

Violência xenófoba afecta ruandeses na capital Lusaka

http://opais.sapo.mz/index.php/internacional/56-internacional/40723-violencia-xenofoba-afecta-ruandeses-na-capital-lusaka.html

Aside

Zimbabwe e África do Sul deportam moçambicanos

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Cresce o número de moçambicanos  que residem ilegalmente em alguns países vizinhos e só na semana passada as autoridades moçambicanas, através do Serviço Nacional de Migração (SENAMI), registraram a deportação de 197 cidadãos moçambicanos que residiam ilegalmente nos vizinhos países de Zimbabwe e África do Sul.

Até à passada quarta-feira, o Posto Fronteiriço de Rassano Garcia, que separa os dois países, registou 175 cidadãos moçambicanos deportados, sendo que o maior número é de cidadãos proveniente da África do Sul.

Entre quarta e sexta-feira, os postos fronteiriços de Machipande na província de Manica e Ponta D’Ouro, em Maputo, registaram a entrada de outros 19 moçambicanos deportados dos dois países.

Relativamente a Moçambique, o SENAMI repatriou 44 cidadãos de diversas nacionalidades que residiam ilegalmente no país, destacando-se malawianos.

Aside

Zâmbia: Igreja condena violência xenófoba e apela à paz

Povo nas ruas de Lusaka – REUTERS

Lusaka (RV) – Uma forte condenação das violências xenófobas e um forte apelo à paz: assim a Conferência Episcopal da Zâmbia (ZEC) comenta os confrontos ocorridos nos últimos dias na capital, Lusaka. Pelo menos 62 lojas pertencentes a pessoas ruandesas foram saqueadas durante os motins que afetaram nove distritos entre os mais pobres da cidade.

Crimes rituais na origem das violências

As desordens começaram precedentemente, quando entre a população local se espalhou a notícia de que os ruandeses estavam envolvidos em alguns crimes rituais que ocorreram na cidade. Nas últimas semanas, de fato, pelo menos sete pessoas foram mortas, e partes de seus corpos foram removidos como amuletos, especialmente no campo dos negócios. A polícia local prendeu mais de 250 pessoas, mas a atmosfera continua tensa.

Promover a cultura da paz

“Condenamos qualquer forma de violência, seja assassinato, vandalismo ou destruição de propriedade alheia”, disse em uma entrevista à agência católica Canaã, Padre Cleophas Lungu, Secretário Geral da Zec. “Pedimos esforços conjuntos para promover uma cultura da paz”. Por sua vez, “a Igreja – disse o sacerdote – estará sempre pronta para realizar atos de misericórdia e de caridade, como já ocorreu após o genocídio em Ruanda, em 1994, quando a Igreja na Zâmbia acolheu muitos seminaristas ruandeses que não puderam completar a sua formação na sua pátria”.

Derrubar os muros do ódio e acolher os estrangeiros

Portanto, continua Padre Lungu, “exortamos a população a imitar o Papa Francisco derrubando os mutos do ódio que levam à violência, evitando a filosofia da indiferença e acolhendo os estrangeiros na sociedade, nas famílias e nas comunidades cristãs”. Por outro lado, a Conferência Episcopal da Zâmbia sublinha que “não se pode ignorar o impacto que os altos níveis de pobreza, desemprego e custo de matérias-primas” têm sobre o povo. Tudo isso, naturalmente “não justifica o comportamento violento”, mas recorda a necessidade de “encontrar soluções sustentáveis para os atuais desafios sociais e económicos”.

Autoridades civis façam o possível para acabar com os conflitos

Tendo também em vista o Jubileu da Misericórdia, o Secretário Geral dos bispos recorda a acolhida oferecida pela Igreja da Zâmbia aos estrangeiros: “uma paróquia, por exemplo, já recebeu mais de 50 vítimas de xenofobia e numerosos fiéis e pessoas de boa vontade ofereceram a elas comida e roupas”. Daí, o apelo final às autoridades civis para que sejam “mais ativas e façam todo o possível para pôr fim a tais tendências” xenófobas. (SP)

http://br.radiovaticana.va/news/2016/04/25/z%C3%A2mbia_igreja_condena_viol%C3%AAncia_xen%C3%B3foba_e_apela_%C3%A0_paz/1225315

Aside

O desafio da imigração na África do Sul

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Roger Godwin

A capital da África do Sul, Joanesburgo, está a tornar-se no destino preferido pelos imigrantes africanos, ultrapassando em número os que, quase diariamente, se aventuram em pequenos barcos numa travessia do Mediterrâneo rumo à Europa.

De acordo com estatísticas da Organização Mundial das Migrações (OIM), cerca de 34 por cento dos imigrantes africanos buscam na África do Sul uma resposta para os seus problemas, dividindo-se os restantes 66 por cento por destinos diversos, uns no interior do continente outros em paragens mais distantes e, por isso mesmo, também mais difíceis de atingir.
No que respeita especificamente aos que chegam à África do Sul, temos os malawianos e os moçambicanos, que optam por ficar nos subúrbios das grandes cidades, onde se oferecem para o desempenho de funções que os sul-africanos, habitualmente, se recusam a fazer.
Os somalis misturam-se com os etíopes e sempre que podem abrem pequenas lojas onde se comercializa de tudo um pouco ao som de música árabe envolta num ambiente onde os cheiros se confundem dando uma estranha sensação de inebriante intimidade. Os congoleses juntam-se aos imigrantes que chegam dos Camarões e enveredam, habitualmente, pelo comércio de bebidas caseiras e de ervas com as quais prometem curar as mais complicadas maleitas de quem a eles ocorre ou em desespero de causa ou já sem dinheiro para recorrer à habitual medicina ocidental.
Os zimbabueanos, na sua maioria possuidores de estudos mais avançados devido ao sistema de ensino em vigor no seu país, aglomeram-se também nos subúrbios de Joanesburgo e encontram facilmente trabalho nas minas de ouro e de diamantes, onde muitos chegam a desempenhar importantes cargos de chefia.
Outros empregam-se como contabilistas e passeiam-se pela cidade, o que motiva a inveja e por vezes a reacção mais musculada de alguns sul-africanos menos dados aos estudos e que julgam que a sua desgraça começou com a chegada destes estrangeiros que falam um inglês imaculado e arranjam facilmente companheiras com as quais constituem famílias.
Assim explicado corre-se o risco de transmitir a ideia de que para esses imigrantes tudo é um mar de rosas quando, na verdade, a sua esmagadora maioria vive num autêntico turbilhão de problemas, ameaças e perigos.
Por razões económicas, os africanos que escolhem a África do Sul como destino para tentar resolver os seus problemas de pobreza, por vezes extrema, optam quase sempre por viver nos subúrbios onde a violência anda mais à solta pelo facto de a polícia ter que disputar com grupos de marginais, quase a pulso, a manutenção da ordem.
Umas vezes a polícia está mais forte e vence, mas noutras ocasiões são esses grupos de marginais que dominam a situação, o que equivale dizer que nessas ocasiões a violência se faz sentir de forma mais vigorosa.
Quando isso sucede – infelizmente acontece que bastante frequência – esses imigrantes são apontados como “indesejáveis intrusos” e, por isso, tratados com a violência própria para tentar justificar esse exacerbado orgulho nacionalista a que a comunidade se habituou a chamar de “ataques xenófobos”, condenando-os com o vigor que essa acção merece.
Na África do Sul, sobretudo nos subúrbios das grandes cidades, esses ataques xenófobos acontecem com uma crescente frequência e beneficiam de alguma passividade, não superiormente orientada, por parte das forças de segurança e do próprio sistema político em vigor no país.
Um dos grandes problemas e uma das principais razões para que essa passividade seja um facto prende-se com a realidade da esmagadora maioria dos agentes e mesmo oficiais dessas forças de segurança viverem, também eles, nos subúrbios das grandes cidades, sentindo por isso na pele o mesmo que sentem aqueles que protagonizam e participam nesses ataques xenófobos.
Há sensivelmente dois meses, uma oficial superior da polícia sul-africana foi expulsa da corporação por, comprovadamente, agir em cumplicidade com esses grupos de marginais que tentam limpar com sangue a honra que sentem ofendida pelos estrangeiros que chegam ao país e que, no seu entender, lhes roubam o trabalho, as casas e as mulheres.
Recentemente, o Governo sul-africano deu uma moratória para a entrada em vigor de uma nova lei que condiciona fortemente a atribuição de vistos de trabalho e de residência a cidadãos estrangeiros.
Essa moratória visa dar mais tempo aos imigrantes e aos governos dos seus países de origem para que preparem as condições para abandonar a África do Sul a todos aqueles que não consigam apresentar todos os inúmeros documentos que agora são necessários para a sua legalização.
Não se trata de um trabalho fácil aquele a que se propõem as autoridades sul-africanas, uma vez que se torna extremamente difícil controlar quem está, ou não, legalmente no país, uma vez que existem assinados com quase todos os países da SADC acordos de isenção de vistos de entrada.
Trata-se de uma problemática que coloca em lados opostos os interesses políticos e os da segurança nacional e, por isso mesmo, se tornam extremamente difícil de resolver.Apesar das barreiras anunciadas pelas autoridades sul-africanas, quase diariamente continuam a chegar ao país cidadãos africanos em busca de melhores condições de vida, o que equivale dizer que, em vez de diminuir, apenas aumentam os problemas relacionados com os imigrantes.