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MPLA confiante numa solução da crise socioeconômica de Angola

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O primeiro secretário municipal do MPLA no Lobito, Julião de Almeida, assegurou que a crise socioeconômica que o país atravessa, resultante da queda do preço do barril do petróleo bruto no mercado internacional, tem o seu fim à vista, a julgar pelos esforços empreendidos pelo Executivo na busca de soluções para o bem-estar dos angolanos.

 

“É uma situação que aflige a todos os angolanos, sem distinção de cores político-partidárias, religiosas e étnicas. Ninguém está à margem deste problema. O governo do MPLA está atento a este grande pormenor. O povo sabe das causas que originaram tal situação”, disse Julião de Almeida, durante um ato de exaltação político-partidária que culminou com o ingresso de 311 novos militantes do partido no poder.
O político disse estar preocupado com aqueles que, diante do sofrimento que nos aflige, procuram tirar dividendos políticos. Julião de Almeida desqualificou a forma como “algumas franjas da sociedade civil e da oposição política” procuram associar a crise em Angola a uma suposta falta de transparência na gestão da coisa pública por parte dos governantes.
O político lamentou esta alegada estratégia que a oposição ensaia “para tentar ganhar aquilo que lhe foi negado em 2012, durante as eleições consideradas livres e justas pela comunidade internacional.”
Na óptica de Julião de Almeida, a alegada falta de transparência na gestão pública constantemente evocada pela oposição “não passa de uma cantiga que, de tanto ser ouvida, deixou de fazer sentido aos ouvidos dos mais atentos que dificilmente se deixam levar por coisas que em nada contribuem para a sã convivência dos angolanos.”
“Algumas pessoas continuam a comportar-se com ingenuidade para um assunto de tamanha responsabilidade”, criticou o dirigente do partido no poder em Angola, antes de lembrar que a crise é universal e tocou todas as nações produtoras do petróleo.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/mpla_confiante_numa_solucao

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Brasil propõe cimeira da CPLP para novembro

O secretário-geral da CPLP, Murade Murargy, terminaria em julho o segundo mandato de dois anos

Cimeira estava prevista para o próximo mês de julho, mas foi adiada devido à crise política brasileira

O novo embaixador do Brasil na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) indicou hoje à agência Lusa que Brasília propôs que a cimeira lusófona, prevista inicialmente para julho, decorra em novembro, embora a data esteja ainda por marcar.

Gonçalo Mourão,  ex diretor do Instituto Rio Branco, que apresentou na semana passada a suas cartas credenciais junto da CPLP, disse já ter entregado ao secretário executivo da organização essa intenção do Governo brasileiro.

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“Há uma oferta para novembro, mas ainda não há uma data fixa”, disse à Lusa Gonçalo Mourão, afirmando que seria “um pouco uma irresponsabilidade” realizar em julho uma cimeira desta natureza.

“O mês de julho não é apropriado e oferecemos novembro. Estamos em consulta com os vários países para ver as datas mais convenientes para todos. Há impedimentos, há feriados nacionais, há tudo isso e não queremos essas interferências, para que possamos ter a presença de todos os chefes de Estado e de Governo da cimeira dos 20 anos da CPLP”, explicou.

A décima primeira cimeira dos chefes de Estado e de governo da CPLP esteve inicialmente prevista para julho, mas a crise política brasileira obrigou ao seu adiamento.

Na cimeira que assinala os 20 anos da organização está previsto que seja aprovada a Nova Visão Estratégica da CPLP e eleito um novo secretário executivo.

“O meu mandato vai até à eleição do novo secretário executivo na próxima cimeira em novembro. Até lá eu continuo em exercício”, disse hoje Murade Murargy, secretário executivo da CPLP à agência Lusa, durante a visita do 1º ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva, à sede da CPLP.

“Até prova em contrário vamos começar a trabalhar na preparação da cimeira”, acrescentou o secretário executivo.

Murade Murargy, que terminaria em julho dois mandatos de dois anos, será substituído por uma personalidade de São Tomé e Príncipe, que, durante dois anos, assegurará o cargo até que, em 2018, caberá a vez a Portugal.

fonte:http://www.dn.pt/mundo/interior/brasil-propoe-cimeira-da-cplp-para-novembro-5237977.html

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Guiné-Bissau: Governo demitido abandonou palácio do executivo

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Os membros do executivo demitido pelo Presidente José Mário Vaz abandonaram o palácio do Governo, local que ocupavam há duas semanas. A decisão foi tomada depois dos apelos dos líderes religiosos guineenses, de organizações da sociedade civil e da comunidade internacional.

Os elementos do governo demitido na Guiné-Bissau abandonaram ontem, quinta-feira, o palácio do executivo que ocupavam há duas semanas. A ocupação tinha como objectivo protestar contra a decisão de José Mário Vaz, presidente do país, em empossar um novo elenco governativo.

À saída do Palácio do Governo, Domingos Simões Pereira garantiu que a decisão foi tomada no seguimento dos apelos dos líderes religiosos do país, das organizações da sociedade civil e da comunidade internacional, sem qualquer tipo de contrapartidas.

A ministra da Saúde do governo demitido, Caidi Seidi, afirmou que a saída foi “voluntária e consciente” e disse ainda que foi exigido que a “comunidade internacional reafirma a vinda dos quatro Presidentes, porque agora também vem o de Cabo Verde (…) para que haja um diálogo franco e responsável, mas com as instituições da República da Guiné-Bissau”.

O líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), acrescentou que a “luta” contra as medidas do chefe de Estado vai continuar, agora nos domínios político, jurídico, social e diplomático.

O Governo demitido saiu do palácio debaixo de fortes medidas de segurança.O representante da União Africana no país, Ovídeo Pequeno, confirmou aos jornalistas que foi iniciado um processo discreto para a saída do governo demitido para que esta situação não terminasse em violência. ” As pessoas têm o direito à indignação, compreendemos o direito que cada um tem à manifestação mas era preciso que se tomassem algumas medidas”.

Ovídeo Pequeno sublinhou que compete às instituições avaliar a legalidade ou não da decisão que foi tomada pelo chefe de Estado. ” (…) Essas questões são feitas em sede própria, não é a comunidade internacional que vai discutir essa questão”.

No mês passado o Presidente guineense demitiu o segundo governo em funções, suportado pelo PAIGC e liderado por Carlos Correia, e voltou a nomear para o cargo de primeiro-ministro, Baciro Djá, alegando ter sido o PRS a indicar o nome. Como forma de protesto contra esta nomeação, durante duas semanas, vários membros do executivo recentemente demitido ocuparam o palácio do Governo da Guiné-Bissau.

Entretanto, o PAIGC requereu ao Supremo Tribunal de Justiça guineense que declare inconstitucional a nomeação de Baciro Djá e do seu respectivo executivo.

http://pt.rfi.fr/guine-bissau/20160610-guine-bissau-governo-demitido-abandonou-palacio-do-executivo

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Nyusi: “Aumento da dívida pública desestabiliza o funcionamento do Estado” de Moçambique

Presidente moçambicano falava em conferência de imprensa na cidade de Maputo.

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Carlo Allegri / file photo / Reuters

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, admitiu que o aumento da dívida pública está a desestabilizar o funcionamento do Estado, declarando que as autoridades estão empenhadas no esclarecimento da situação.

“Vocês acompanham o crescimento da nossa dívida, queiramos ou não, está a desestabilizar o nosso normal funcionamento”, afirmou Nyusi, em conferência de imprensa que marcou o encerramento da presidência aberta à cidade de Maputo, no fim-de-semana.

Segundo o chefe de Estado moçambicano, o executivo, em coordenação com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Procuradoria-Geral da República, aposta no esclarecimento das circunstâncias em que o anterior Governo contraiu, entre 2013 e 2014, avultadas dívidas à revelia da Assembleia da República e das instituições financeiras internacionais.

“Tivemos que assumir que é um problema que deve ser encarado pelo executivo e estamos apostados, juntos do Fundo Monetário Internacional (FMI), da Procuradoria-Geral da República, do parlamento e de outros mecanismos, a esclarecer e corrigir o que estiver mal”, afirmou Filipe Nyusi.

Como forma de mitigar o impacto do elevado endividamento público, o Estado moçambicano, prosseguiu Nyusi, está a reestruturar vinte empresas públicas.

“É uma reestruturação ou mesmo reavaliação da existência [das empresas públicas]. Recentemente, falámos da empresa Aeroportos de Moçambique, que é uma empresa viável, mas notámos que tem muita gordura e tendo muita gordura, temos de fazer algumas reestruturações, incluindo o sector privado na sua exploração”, declarou o chefe de Estado moçambicano.

O Governo moçambicano reconheceu no final de Abril a existência de dívidas fora das contas públicas de 1,4 mil milhões de dólares (1,25 mil milhões de euros), justificando com razões de segurança e infra-estruturas estratégicas do país, o que levou o Fundo Monetário Internacional (FMI) a suspender a segunda parcela de um empréstimo a Moçambique e a deslocação de uma missão a Maputo.

A diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, afirmou que a suspensão do financiamento que a instituição fornecia a Moçambique foi justificada por sinais claros de corrupção escondida.

“Quando vemos um país sob um programa do FMI, em que há dinheiro da comunidade internacional envolvido, que não cumpre o seu compromisso de divulgação financeira, que está a esconder claramente a corrupção, nós suspendemos o programa. Fizemos isso muito recentemente com Moçambique”, disse Lagarde, numa entrevista ao programa Woman’s Hour da BBC.

O grupo de 14 doadores do Orçamento do Estado também suspendeu os seus pagamentos, uma medida acompanhada pelos EUA, que anunciaram que vão rever o apoio ao país.

Com a revelação dos novos empréstimos, a dívida pública de Moçambique é agora de 11,66 mil milhões de dólares (10,1 mil milhões de euros), dos quais 9,89 mil milhões de dólares (8,6 mil milhões de euros) são dívida externa.

Este valor representa mais de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) e traduz uma escalada de endividamento desde 2012, quando se fixava em 42%.

 

http://economico.sapo.pt/noticias/nyusi-aumento-da-divida-publica-desestabiliza-o-funcionamento-do-estado-de-mocambique_251340.html

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Jornal angolano”Folha 8 “publica dura crítica   à nomeação de Isabel dos Santos para a presidência da Sonagol


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Em Angola há uma inequívoca justificação para que Isabel dos Santos tenha sido nomeada e tomado hoje posse como Presidente do Conselho de Administração da Sonangol. Sua majestade o rei seu pai exige a contratação dos melhores quadros para gerir o país e travar a “gestão danosa” na administração pública. E fora do clã familiar não havia, nem há, ninguém com essas qualidades.

Aposição vem, aliás, expressa no comunicado do bureau político do Comité Central do partido, a propósito do dia da Paz e da Reconciliação Nacional, 4 de Abril, que invoca o fim da guerra civil em Angola (2002), e cujo acto central comemorativo teve lugar em Saurimo, na Lunda Sul.

Além disso, todos nos recordamos que a princesa Isabel, herdeira directa do trono, afirmou em entrevista ao The Wall Street Journal que nunca recebeu qualquer ajuda por parte do paizinho, rei de Angola desde 1979: “Não sou financiada por dinheiro estatal nem por fundos públicos”.

Para sua majestade o rei, “no actual contexto da vida do país”, de crise profunda, recomenda-se “uma maior atenção ao desempenho dos quadros, aos quais foram confiadas tarefas de gestão”, acompanhada de um “combate mais firme contra a administração económica danosa ou irresponsável nas empresas públicas e à falta de disciplina na execução dos orçamentos afectos aos serviços da administração pública central e local”.

Paralelamente, o partido liderado por José Eduardo dos Santos, que é também titular do poder executivo e Presidente da República (nunca nominalmente eleito e no poder desde 1979), reitera a vontade de “tomar providências para colocar, no aparelho do Estado, quadros com um perfil mais adequado” à gestão pública.

E assim sendo, quem melhor do que a princesa herdeira para comandar a Sonangol e, mais tarde, o reino?

Como é evidente, basta ver os últimos 40 anos, “quadros com o perfil adequado” só existem no MPLA. Daí que, agora mais do que nunca, o regime defenda que o MPLA continua a ser Angola, e que Angola continua a ser o MPLA. Isto, é claro, para além de o MPLA ser José Eduardo dos Santos e José Eduardo dos Santos ser o MPLA.

“Que tenham sentido de responsabilidade e a consciência necessária para ajudá-lo, enquanto força política governante, a fazer cumprir a sua orientação, que prevê o desenvolvimento de instituições fortes e capazes de realizar a sua missão, com eficiência”, refere o comunicado do bureau político do MPLA.

Recordando o pronunciamento feito em Março pelo rei, os 14 anos de paz no reino são assinalados com um balanço em que as “metas preconizadas” ficam “muito aquém” do que foi definido, nomeadamente “para o aumento da produção, da melhoria da gestão das empresas públicas, do funcionamento do sector bancário, do apoio ao empresário privado angolano e do enquadramento dos quadros recém-formados”.

O aniversário do fim da guerra civil em Angola ficou este ano marcado pela profunda crise financeira, económica e social que o reino atravessa, devido à quebra para menos de metade nas receitas com a exportação de petróleo, e epidemias de malária e febre-amarela que estão a levar centenas de pessoas todos os dias aos hospitais, somando-se assustadoramente os casos de morte, sobretudo de Luanda.

“O MPLA e o executivo continuam a mobilizar os angolanos, particularmente os empresários, para agirem, com urgência, para o aumento significativo da produção interna, especialmente a de bens de primeira necessidade, para a satisfação plena da demanda nacional e da diversificação das exportações, para o incremento das receitas em divisas”, refere o comunicado daquele órgão central do partido do rei.

Lei da probidade morreu há muito

ALei da Probidade Pública constituiria, segundo seu articulado e os devaneios propagandísticos do regime, mais um passo para a boa governação, tendo em conta o reforço dos mecanismos de combate à cultura da corrupção.

Recorde-se que a Assembleia Nacional aprovou no dia 5 de Março de 2010, com o devido e apologético destaque propagandístico da imprensa do regime e não só, por unanimidade, a Lei da Probidade Administrativa, que visaria (de acordo com a versão oficial) moralizar a actuação dos agentes públicos angolanos.

Disseram na altura, e continuam a dizer agora, que o objectivo da lei era conferir à gestão pública uma maior transparência, respeito dos valores da democracia, da moralidade e dos valores éticos, universalmente aceites.

José Eduardo dos Santos, quando deu posse ao então novo Governo, entretanto várias vezes remodelado, reafirmou a sua aposta na “tolerância zero” aos actos ilícitos na administração pública.

Apesar da unanimidade do Parlamento, e passado todo este tempo, o melhor é fazer, continuar a fazer, o que é aconselhável e prudente quando chegam notícias sobre a honorabilidade do regime, esperar (sentado) para ver se nos próximos dez ou 20 anos (o optimismos faz parte do nosso ADN) a “tolerância zero” sai do papel em relação aos donos dos aviários e não, como é habitual, no caso dos pilha-galinhas.

Essa lei “define os deveres e a responsabilidade e obrigações dos servidores públicos na sua actividade quotidiana de forma a assegurar-se a moralidade, a imparcialidade e a honestidade administrativa”. É bonito. Digam lá que não parece – em teoria – um Estado de Direito?

Mas alguém acredita? Mas alguém está interessado? Acreditarão nisso os 68% (68 em cada 100) dos angolanos que são gerados com fome, nascem com fome e morrem pouco depois com fome? Ou as 45% das crianças que sofrem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos?

Se calhar não acreditam. Têm, contudo, de estar caladinhos e nem pecar em pensamentos. Mas acredita, diz, José Eduardo dos Santos. E isso basta. Se calhar a Lei da Probidade Administrativa fará que Angola suba para aí meio lugar nos últimos lugares do “ranking” que analisa a corrupção.

Acreditarão na Lei da Probidade Administrativa todos aqueles que sabem, até mesmo os que dentro do MPLA batem palmas à ordem do chefe, que em Angola a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens, ou seja, o cabritismo, é o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos? Acreditarão os que sabem que 80% do Produto Interno Bruto é produzido por estrangeiros; que mais de 90% da riqueza nacional privada foi subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% da população?

Acreditarão na Lei da Probidade Administrativa todos os que sabem que o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder?

Também não interessa se acreditam ou não. O importante é que o MPLA recebe os encómios dos países acocorados perante o petróleo angolano, que preferem negociar com um regime corrupto do que, eventualmente, com um que tenha uma base democrática.

Se calhar, pensam baixinhos os angolanos que usam a cabeça e não a barriga para analisar o seu país, para haver probidade seria preciso que o poder judicial fosse independente e que o Presidente da República não fosse – como acontece à luz da Constituição – o “cabeça de lista” (ou seja o deputado colocado no primeiro lugar da lista), eleito pelo do circulo nacional nas eleições para a Assembleia Nacional.

Se calhar para haver probidade seria preciso que Angola fosse um Estado de Direito, coisa que manifestamente (ainda) não é.

http://jornalf8.net/2016/ela-e-a-maior-e-melhor/

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Violência sexual vitima homens e mulheres que fogem da crise no Burundi, alerta ACNUR

Crise política já levou mais de 256 mil burundianos a deixar o país. Muitos que tentam fugir ou que se opõem às milícias armadas são vítimas de diversas violações, como abusos sexuais, estupros coletivos e execuções. Nicole e Davide foram alguns dos refugiados que contaram suas histórias trágicas para a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).

Além da violência, população passa fome dentro e fora do Burundi. No país, 4,6 milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar.

Mulheres não são as únicas vítimas de violência sexual no Burundi. Foto: ACNUR / Benjamin Loyseau

Mesmo antes de contar sua história, a violência que Nicole* enfrentou no Burundi já é visível em sua pele. A marca da facada na barriga, o corte do tamanho de um dedo em seu pescoço e a cicatriz em seu couro cabeludo causada por outros golpes de faca. Queimaduras marcam seus braços e pernas, e alguns de seus dentes foram arrancados a socos.

Nicole foi vítima da milícia burundiana “Imbonerakure”. Quando o dono das terras onde ela trabalhava não conseguiu pagar os 10 mil francos burundenses — cerca de 6,50 dólares — exigidos pelos criminosos, a moça percebeu que sua história teria um destino trágico.

“No dia seguinte, fomos levados para o rio para encontrá-lo”, explicou. “Ele havia sido esfaqueado na cabeça e nas laterais de sua barriga. Sua esposa tivera os seios arrancados e estava aberta por um corte que ia desde seus órgãos genitais até a cabeça”, acrescentou ofegante. “As crianças simplesmente tiveram suas gargantas cortadas.”

Naquele momento, Nicole* soube que tinha que reunir seus três filhos e fugir. Eles já estavam quase chegando na fronteira com a Tanzânia quando um grupo de policiais e integrantes da mesma milícia os abordaram.

As ordens eram claras: “matar ou bater em qualquer pessoa que tentasse cruzar a fronteira”.

Com a prisão local estava cheia, ela e cerca de outras 60 pessoas foram levadas para um centro de detenção nas proximidades. Lá, o procedimento era ser severamente espancado por ter tentado deixar o Burundi. “Havia até uma mulher que estava carregando um bebê de colo e bateram tanto nele que ele morreu”, lembrou, com um olhar baixo e distante.

Nicole carrega cicatrizes da violência das milícias burundianas em seu corpo. Na Tanzânia, a refugiada tenta lidar com a dor e o sofrimento por que passou em seu país de origem. Foto: ACNUR / Benjamin Loyseau

Nicole foi levada para a cela sozinha. Ela desmaiou e acordou mais tarde sendo estuprada por um policial. “Eu gritava e lutava, mas ele fez o que queria”, contou. Ela lembra que outros policiais passavam ao lado, olhavam e iam embora. “Ele só me estuprou uma vez, porque desde então tenho tido secreções de sangue e urina.”

Em meio a uma confusão, Nicole foi empurrada para fora da delegacia. Ela não viu mais seus filhos desde então.

A burundiana está entre os 137 mil nacionais que fugiram do Burundi para a Tanzânia desde que o presidente Pierre Nkurunziza decidiu, há um ano, que iria concorrer por um terceiro mandato. O anúncio desencadeou uma onda de protestos, repressão e violência por parte das milícias do país.

No final do mês passado (30), o Programa Mundial de Alimentos da ONU estimou que a população de refugiados do Burundi já havia chegado a mais de 256 mil, tendo esse contingente se dispersado entre outras nações além da Tanzânia, como a República Democrática do Congo, Ruanda, Uganda e até mesmo a Zâmbia. Países vizinhos têm recebido em média mil novos burundianos por semana.

Estupro é usado como forma de punição para os que tentam fugir do Burundi

De todos os relatos angustiantes — sobre os massacres, torturas e prisões no Burundi — contados por aqueles que fugiram, a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) tem identificado um padrão preocupante de estupros e violência sexual.

Sobreviventes, como Nicole, explicam que o estupro tem sido usado como punição em pontos de verificação dentro do país e nas fronteiras. Segundo relatos, agressores alegavam que as vítimas estavam associadas a partidos políticos da oposição, além de serem julgadas por seu passado ou por seus lugares de origem.

Estupro tem sido usado como forma de punição para mulheres e homens que tentam fugir do Burundi, segundo relatos recebidos pelo ACNUR. Foto: ACNUR / Benjamin Loyseau

Entre as nove mulheres entrevistadas pelo ACNUR, uma afirmou ter recebido um ultimato em um ponto de vistoria, ao lado de uma pilha de corpos: “ser estuprada ou morrer”. Felizmente, ela não foi abusada e teve apenas os seus pertences roubados.

Outras três mulheres relataram terem sofrido estupro coletivo após terem sido forçadas a assistir a seus maridos ou pais — todos coronéis do exército — serem mortos.

Sobreviventes na Tanzânia ainda estão lidando com as sérias consequências dos assédios. Algumas mulheres no campo de refugiados estão dando à luz bebês que são fruto de estupros. Outras foram rejeitadas por seus maridos, que as acusam de infidelidade ou que têm medo de serem infectados pelo HIV.

Homens também estão entre as vítimas de violência sexual

O ACNUR também conheceu a história de Davide*, um jovem que foi violentado por três homens enquanto outros assistiam ao abuso. O burundiano foi escolhido como vítima por não concordar em se juntar aos “Imbonerakure”.

“Eles diziam: Você não se juntará a nós, então não te perdoaremos”, lembra. Agora na Tanzânia, o rapaz teme que as pessoas descubram o que ele passou, apesar de considerar que aqueles que os violaram são “menos que humanos”.

Enquanto isso, ele espera reencontrar sua namorada no país para onde fugiu, e tem esperanças de que ela será compreensiva. “Eu a amo, então eu posso contar tudo para ela”, disse, com um sorriso tímido.

Foto: ACNUR / Benjamin Loyseau

Para o oficial sênior de Proteção do ACNUR, Renate Frech, “nós temos que quebrar o silêncio a respeito dos homens sobreviventes de violência sexual”. “Considerando que dificilmente recebemos relatos, estamos preocupados que homens também possam ser alvos, principalmente quando são detidos”, alertou.

Desde abril de 2015, o Comitê Internacional de Resgate nos campos da Tanzânia ofereceu serviços a 1.759 sobreviventes, homens e mulheres, de violência sexual e de gênero, mas o ACNUR acredita que esse número pode ser bem maior, pois muitas vítimas não reportam os casos, nem procuram ajuda.

Com apenas 30% dos fundos necessários para atender às necessidades dos deslocados burundianos, a agência da ONU e seus parceiros estão enfrentando dificuldades para levar a todos serviços vitais como comida, água e abrigo.

Programas a longo prazo como assistência psicológica especializada, educação e oficinas de treinamento, que são cruciais para a prevenção e para o tratamento da violência sexual, caíram no esquecimento.

“Para onde quer que você peça ajuda, existe o impacto da falta de fundos”, lamentou Frech.

Além da violência, burundianos passam fome

Em avaliação publicada nesta semana (1), o PMA calcula que 4,6 milhões de pessoas no Burundi enfrentam insegurança alimentar. Desse contingente, cerca de 590 mil precisariam de assistência emergencial para suprir suas necessidades.

Refugiados do Burundi recebem voucher de alimentos em campo na República Democrática do Congo. Foto: PMA / Leonora Baumann

A escassez de alimentos no país está associada principalmente ao contexto socioeconômico já frágil e que foi agravado pela crise política. Outros fatores por trás da falta de comida incluem enchentes, chuvas e deslizamentos de terra associados ao El Niño e que destruíram safras do Burundi.

A adoção de estratégias extremas para lidar com a pobreza, como a redução dos gastos em insumos da agricultura, e a desestabilização dos mercados também estão entre as causas do atual cenário.

Para atender às necessidades de novos refugiados e os já existentes pelos próximos seis meses, particularmente em Ruanda e Uganda, o PMA requer 57 milhões de dólares.

*Nomes alterados por questões de segurança

Violência sexual vitima homens e mulheres que fogem da crise no Burundi, alerta ACNUR

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Mais de 1 milhão de cristãos fugiram do norte da Nigéria

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O Bispo de Kafanchan, Dom Joseph Bagobiri, apresentou na sede das Nações Unidos em Nova Iorque (EUA), um relatório sobre a morte e perseguição aos cristãos na Nigéria. O documento intitulado de “O impacto da violência persistente na Igreja no norte da Nigéria” mostra que entre 2006 e 2014 fora 11.500 cristãos mortos e mais de 1,3 milhão que fugiram daquela região do país.

A violência promovida pelo grupo terrorista Boko Haram atingiu principalmente os moradores dos estados de Borno, Kano, Yobe e Adamawa. Com medo, os cristãos se instalaram em estados com maior número de cristãos como Plateau, Nassarawa, Benue e Taraba, no chamado “cinturão do meio” (Middle Belt) do país e também em Kaduna, no Sul do país.

Mas segundo o relatório, essas regiões também se tornaram perigosas por conta dos ataques dos Fulani. “Nessas áreas, os pastores Fulani (muçulmanos) aterrorizam incessantemente diversas comunidades”, disse Bagobiri. O religioso diz também que em algumas cidades o que aconteceu com os cristãos foi um verdadeiro genocídio.

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“Nestas áreas, os pastores Fulani aterrorizam incessantemente diversas comunidades, varrendo do mapa algumas, e em locais como Agaru, no Estado de Benue e Gwantu, e Manchok no Estado de Kaduna, estes ataques assumiram o caráter de genocídio, com 150-300 pessoas mortas em uma única noite”, denuncia.

Diante desses dados, o bispo católico fez um apelo para que a comunidade internacional faça pressão para que o governo da Nigéria garanta liberdade religiosa aos cristãos e outras minorias religiosas que estão sofrendo com os muçulmanos radicais.

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Presidente de Moçambique  acusa Renamo de cometer atrocidades

,00014O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, acusou quinta-feira a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) de cometer atrocidades, apelando ao principal partido da oposição, “para não matar a esperança do povo”.

“Moçambique vive hoje atrocidades perpetradas pela Renamo no centro do país, provocando mortes e sofrimento aos moçambicanos”, disse Nyusi, citado pelo jornal O País, principal diário privado moçambicano, na cerimónia de graduação em licenciatura de estudantes do Instituto Superior de Ciências de Saúde (ISCISA), no âmbito da presidência aberta que realiza na capital moçambicana.


“Enquanto o vosso empenho (enfermeiros) é para acrescentar o valor à vida, reduzindo as mortes e sofrimento, há quem provoca mortes, matando e dificultando a vida dos moçambicanos”, afirmou Filipe Nyusi.


Moçambique tem conhecido um agravamento dos confrontos entre as forças de defesa e segurança e o braço armado da Renamo, além de acusações mútuas de raptos e assassínios de militantes dos dois lados.


O principal partido da oposição recusa-se a aceitar os resultados das eleições gerais de 2014, ameaçando governar em seis províncias onde reivindica vitória no escrutínio.


As delegações do Governo moçambicano e da Renamo voltaram a reunir-se na quinta-feira pela terceira vez, desde a retoma de conversações entre as duas partes na semana passada, visando preparar as condições de um encontro entre Filipe Nyusi, e o líder da Renamo, Afonso Dhlakama.


As duas partes anunciaram na segunda-feira ter chegado a consenso sobre a proposta de agenda e os termos de referência do encontro, mas não adiantaram pormenores sobre o conteúdo do entendimento.

http://noticias.sapo.mz/info/artigo/1476397.html

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Declaração de Isabel dos Santos, a nova presidenta da Sonagol

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Ontem mesmo, a nomeada para Presidente do Conselho de Administração da SONANGOL fez publicar uma declaração que aponta as grandes metas a atingir pela empresa face à evolução da economia mundial cujo texto publicamos na íntegra:
“A economia mundial, marcada por uma quebra acentuada e prolongada do preço do petróleo, apresenta um contexto difícil para os países produtores. Hoje, a gestão da crise faz parte da agenda de todas as empresas do sector.
A preocupação com a redução de custos, bem como o aumento dos lucros e da competitividade, são hoje prioridades estratégicas obrigatórias. No entanto, alcançar os resultados pretendidos é uma tarefa difícil e complexa.
A Sonangol enfrenta esta conjuntura e toma a iniciativa de encarar a mudança e marcar uma nova era. A nova equipa terá como principal objectivo a implementação do novo modelo para o setor petrolífero angolano e a execução de um Programa de Transformação, que terá como foco:
• Diminuir os custos de produção e otimizar os recursos, tendo em vista aumentar a competitividade internacional do sector petrolífero angolano;
• Aumentar a rentabilidade da empresa e os dividendos para o acionista Estado;
• Assegurar a transparência na gestão e a aplicação de standards internacionais de reporte e de governança;
• Melhorar a relação com os fornecedores e com os restantes parceiros do sector, numa perspectiva de médio e longo prazo;
• Promover a responsabilidade com a comunidade reconhecendo o papel chave da Sonangol EP na sociedade angolana.
Para apoiar o novo Conselho de Administração na boa execução do Programa de Transformação, foram selecionadas três consultoras de grande reputação nas suas áreas de competência: a The Boston Consulting Group (BCG), a PwC e a Vieira de Almeida & Associados.
Temos, como empresa, que nos comprometer com uma cultura de fazer mais com menos e de nos focarmos na excelência e em resultados. A excelência é a nossa melhor defesa. A excelência é o nosso melhor ataque.
Acredito que esta cultura de excelência permitirá enfrentar com sucesso os grandes desafios que o novo contexto do sector petrolífero coloca à Sonangol e ao País”.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/remodelacao_na_sonangol

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Presidente de Angola nomeia filha para presidente da Sonangol

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O presidente angolano, José Eduardo dos Santos, nomeou Isabel dos Santos, sua filha, para as funções de presidente do conselho de administração da petrolífera estatal Sonangol.

A nomeação, divulgada esta quinta-feira através de um comunicado da Casa Civil do presidente da República enviado à Lusa, acrescenta que a administração liderada desde 2012 por Francisco de Lemos José Maria (presidente do conselho de administração) é exonerada de funções, passando a empresa a ser responsável apenas pela “gestão e monitorização dos contratos petrolíferos”.

A designação de Isabel dos Santos para presidente do conselho de administração e administradora não executiva da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol) surge no âmbito da reestruturação da empresa estatal e do setor petrolífero angolano, processo em que já tinha participado, conforme confirmou a 22 de janeiro, em comunicado, o comité que tratou o processo, alegando a sua experiência de 15 anos como empresária.

Para presidente da comissão executiva – novo órgão entretanto criado pelo Governo angolano para a petrolífera estatal -, e administrador executivo, foi nomeado, segundo a mesma informação da Casa Civil da Presidência, Paulino Fernando de Carvalho Gerónimo, que transita do conselho de administração anterior.

A nova equipa da Sonangol é composta ainda pelos administradores executivos César Paxi Manuel João Pedro, Eunice Paula Figueiredo Carvalho, Edson de Brito Rodrigues dos Santos, Manuel Luís Carvalho de Lemos, João Pedro de Freitas Saraiva dos Santos e Jorge de Abreu.

Conta ainda com os administradores não executivos José Gime, André Lelo e Sarju Raikundalia.

A Lusa noticiou a 27 de maio que a Sonangol, enquanto concessionária estatal angolana do petróleo, vai passar a ter apenas a função de “gestão e monitorização dos contratos petrolíferos” e os direitos sobre as empresas suas participadas vão transitar para um outro órgão estatal.

A informação consta do modelo de reajustamento da organização do setor dos petróleos, aprovado por decreto presidencial.

“A Sonangol EP [Empresa Pública] mantém-se como a concessionária nacional exclusiva do setor [petróleos], apartando-se de todas as demais atividades presentemente exercidas, nestas se incluindo as de pesquisa, produção e operação de blocos petrolíferos. Enquanto concessionária é responsável pela gestão e monitorização dos contratos petrolíferos”, define o novo quadro orgânico do setor petrolífero angolano.

A nova comissão executiva da Sonangol, órgão criado por decreto presidencial de 26 de maio, vai passar a assumir a gestão corrente da petrolífera estatal angolana, incluindo propostas de contração de empréstimos ou planos de investimento.

A medida insere-se na reestruturação em curso na petrolífera e surge plasmada naquele decreto presidencial, a que a Lusa teve acesso, que altera o estatuto orgânico do funcionamento da empresa estatal.

Define que o conselho de administração é composto por “até 11 membros, sendo sete administradores executivos e quatro não executivos”, nomeados por decreto presidencial para um mandato de 5 anos.

Francisco Lemos Maria foi nomeado em fevereiro de 2012 presidente do conselho de administração da Sonangol, sucedendo no cargo a Manuel Vicente, atual vice-presidente de Angola.

A comissão executiva agora criada na estrutura da Sonangol terá a “gestão corrente” do maior grupo empresarial do país, “incluindo poderes de gestão necessários ou convenientes para o exercício da atividade da empresa”, lê-se no mesmo documento.

A petrolífera estatal de Angola apresentou uma queda de 34% na receita do ano passado, face a 2014, registando igualmente uma descida dos lucros na ordem dos 45%, atribuíveis principalmente à queda do preço do petróleo.

A receita total da Sonangol em 2015 foi de 2,2 biliões de kwanzas (11,9 mil milhões de euros).

Em Portugal, a Sonangol tem participações diretas e indiretas no Millennium BCP e na Galp.

fonte:http://www.jn.pt/mundo/interior/presidente-angolano-nomeia-filha-para-administradora-da-sonagol-5207687.html