Mulher negra e cientista brasileira narra epopeia de sua vida

‘Passei fome, mas tracei meta de conseguir vencer’, diz mulher que enfrentou preconceitos e se tornou cientista

Joana D’Arc Félix de Souza superou infância pobre e chegou a uma das universidades mais prestigiadas do mundo. Ela atua na ETEC em Franca, SP, em pesquisas para preservar meio ambiente.

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Aos 4 anos, a pequena Joana D’Arc começou a trilhar um caminho incentivado pelos conselhos do pai. Filha de uma empregada doméstica e de um profissional de curtume, ela encontrou nos estudos a chave para transformar uma vida de grandes dificuldades.

Hoje, aos 53 anos, a cientista PhD em química e professora Joana D’Arc Félix de Souza conquistou status visionário por sua atuação em pesquisas com o objetivo de poupar o meio ambiente de agressões e melhorar a qualidade de vida das pessoas.

“Já dormi com fome, já passei fome, mas eu coloquei uma meta no meu caminho: a de conseguir vencer”, diz.

20141219Simplicidade que transforma

Joana nasceu em Franca (SP) no seio de uma família com poucos recursos financeiros. Sem condições de mantê-la em uma creche, a mãe optou por levar a caçula para o trabalho todos os dias. A patroa, diretora do Sesi, descobriu uma habilidade precoce na menina, que aprendeu a ler aos 4 anos.

“Para eu ficar quietinha minha mãe me ensinou a ler os jornais que tinham na casa. Teve certo dia que a diretora me viu vendo os jornais e disse ‘Você está vendo as figurinhas?’, e eu disse ‘Não, eu estou lendo’. E ela me deu a primeira oportunidade para estudar.”

A menina foi matriculada na primeira série de uma das turmas do Sesi e conseguiu acompanhar os colegas. O antigo colegial foi concluído quando ela tinha 14 anos, na Escola Estadual Torquato Caleiro, e com isso, surgiu o desejo de ingressar em uma universidade.

“Os meninos começaram a falar de vestibular para poder fazer a faculdade e começou a me despertar aquele ‘eu também quero fazer alguma coisa’ e eu fui conversando com a professora sobre como eu fazia para passar no vestibular. Ela me arrumou todas as apostilas do filho que fez cursinho para eu estudar”, lembra.joana-darc5

Mesmo sem dinheiro e sem ideia de como seria a vida longe da família, já que precisaria estudar em uma universidade pública fora de Franca, Joana ouviu os conselhos do pai e dedicou-se a longas jornadas de estudo com o material emprestado do filho da professora.

“Meu pai estudou só até a 8ª série e a minha mãe foi até a 4ª série. Então, o meu pai sempre incentivou bastante. Ele falava ‘mesmo a gente não tendo condições, a gente vai fazer o máximo, o possível e o impossível para você estudar”, diz.

O trabalho do pai no curtume, local onde o couro cru é quimicamente tratado para ser utilizado na produção de artigos como sapatos, também foi responsável pela escolha da graduação de Joana.

“Eu queria fazer química porque eu via os químicos trabalhando nos curtumes e achava bonito. A gente era tão mal informada que eu achava que químicos só trabalhavam em curtume. Então, o meu objetivo era fazer química para trabalhar no curtume.”

Ela foi em frente no sonho de conquistar uma vaga nas disputadas Unicamp, USP e UNESP. Foi aprovada em todas e escolheu com segurança a universidade em Campinas (SP), distante 330 quilômetros de casa.joana-darc3

A pesquisadora Joana D’Arc coleciona 53 prêmios ao longo da carreira Franca-SP (Foto: Stella Reis/EPTV)

Os desafios

Ainda adolescente, se mudou sozinha na década de 1980 para a cidade grande e passou a viver em um pensionato com pessoas diferentes e de todos os lugares do país. O patrão do pai de Joana também ajudou com algumas despesas, mas não tardou até que as primeiras dificuldades começassem a aparecer.

“Aos finais de semana e em muitas outras noites eu dormi com fome. Eu via aquelas meninas com bolsas, com sorvetes e era muito difícil ver tudo aquilo e não ter condições de comprar. Mas, eu via que a minha mãe não parava de trabalhar, era uma vida sofrida, e criei esse objetivo: eu vou em frente para conseguir.”

No segundo semestre do primeiro ano de graduação, Joana começou a fazer a iniciação científica e passou a receber uma bolsa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP). Os R$ 300 mensais foram um alívio para a jovem estudante até o fim do curso. Com o primeiro pagamento em mãos, ela correu direto para a padaria e comprou R$ 20 em doces. “Comi tudo sozinha”, lembra. Parte do dinheiro, cerca de R$ 100, ainda eram enviados para ajudar os pais em Franca.

Na Unicamp, Joana ampliou o currículo e tornou-se doutora em química industrial, em 1994. Os artigos publicados sobre a síntese de fármacos renderam a ela um convite para fazer o pós-doutorado em uma das instituições mais prestigiadas do mundo, a Universidade Harvard, nos EUA.

A pesquisadora rumou então para Cambridge para avançar em mais uma etapa promissora da carreira. O assunto de sua tese acabou surpreendendo os orientadores. “Quando eu fui fazer o pós-doc a sugestão era trabalhar com reaproveitamento de resíduos e meu orientador me falou ‘você quer trazer um problema brasileiro?’. Meu pai já tinha sugerido para eu levar os resíduos do curtume aqui para ver o que eu podia fazer.”

Mas, Joana viu seus planos mudarem de rumo inesperadamente em outubro de 2002, com duas perdas avassaladoras. Primeiro, a irmã. Um mês e três dias depois, o pai. As mudanças a fizeram repensar a vida.

“Meu pai sentiu muito a morte da minha irmã e, depois de um mês e três dias, ele faleceu. O meu objetivo era ficar nos Estados Unidos, mas, minha mãe ficou muito doente e o marido da minha irmã foi morar com ela, com as crianças. Eu resolvi voltar para ajudar a minha mãe na criação dos meus sobrinhos.”

Joana atua como coordenadora na ETEC em Franca e coleciona 56 prêmios (Foto: Stella Reis/EPTV)

Escola da mudança

A decisão, por mais difícil que tenha sido, foi a melhor a ser tomada, considera a pesquisadora. O ponto final à vida nos EUA acabou revelando à Joana uma nova oportunidade. Ao invés da carteira de aluno, ela passou a ocupar um lugar superior na sala de aula, o do professor.

Há 12 anos, ela passou a atuar na Escola Técnica Estadual (ETEC) em Franca e começou a desenvolver projetos de pesquisa, conquistando discípulos e prêmios – 56 no total.

“Desenvolvi uma cultura muito interessante aqui na escola, porque os alunos achavam que o curso técnico era o máximo que eles iriam chegar. Eles começaram a ver que existia uma universidade e que eles poderiam fazer uma pós-graduação, ter uma vida acadêmica ou trabalhar em uma indústria.”

Ao lado dos alunos, Joana desenvolveu o trabalho que rendeu-lhe o prêmio Kurt Politizer de Tecnologia 2014, concedido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abquim), um reconhecimento aos projetos de inovação tecnológica na área. A pesquisa diz respeito à utilização da pele suína em transplantes realizados em seres humanos. A ideia de pesquisar o assunto surgiu quando um trabalhador em Franca sofreu graves lesões ao derrubar um galão de ácido sulfúrico sobre o corpo por acidente. A vítima era parente de um aluno de Joana.

“Ele me contou a história e começou a falar sobre transplantes de pele. Comecei a pesquisar quais tipos de peles animais eram compatíveis com a humana e a que mais se aproximava era a suína, com 78% de compatibilidade. Eu quis descobrir o que faria chegar aos 100% e fomos purificando até alcançar o objetivo.”

Segundo a pesquisadora, o Brasil possui apenas quatro bancos de pele e eles trabalham com restos de peles de cirurgias plásticas, já que as pessoas desconhecem o processo de doação. De acordo com Joana, uma indústria farmacêutica do Rio de Janeiro está interessada em uma transferência de tecnologia.

Por causa do conhecimento sobre as atividades nos curtumes em Franca, a pesquisadora também atua em soluções para que os resíduos do couro não afetem o meio ambiente. Atualmente, ela trabalha no desenvolvimento do chamado cimento ósseo, que usa o colágeno do couro e a hidroxiapatita extraída da escama de peixes.

“Se em um acidente a pessoa perde parte do osso, o médico vai remover a parte perdida, fechar a cirurgia e esse cimento ósseo vai favorecer o crescimento do osso novo. Enquanto ele cresce, o cimento vai ser absorvido sem rejeição.”

Segundo a pesquisadora, países como Holanda e Estados Unidos estão interessados na tecnologia desenvolvida na ETEC.

Joana recebe o prêmio Kurt Politizer, da Abquim, em 2014 (Foto: Assessoria de imprensa ETEC)

Preconceito a fez mais forte

Aos 53 anos, Joana se recorda do preconceito vivido tanto na juventude quanto nos dias de hoje, mas acredita que os episódios a fizeram mais forte e a ajudaram a chegar ao lugar que tanto sonhava.

“Me lembro de uma passagem que me chateou muito na escola. Na hora do intervalo alguns alunos da minha sala danificaram alguns bancos, quebraram algumas coisas. Quando voltamos para a sala, a diretora falou ‘pessoas do nível de vocês nunca vão conseguir nada. Pessoas que os pais vêm trazer de bicicleta na escola nunca vão conseguir ser nada’. As palavras más daquela diretora me ajudaram a vencer na vida.”

Joana tem quatro sobrinhos e eles decidiram seguir os passos da tia na carreira. A professora acredita que o estímulo ao estudo seja seu maior legado aos jovens da família e aos alunos. Ela replica deste modo o que recebeu de herança do pai.

“Eu me sinto realizada por não ter sido impedida por nenhum obstáculo, não ter desistido. Vejo a contribuição que eu estou dando ao meio ambiente e me sinto lisonjeada. Também me sinto bem por poder passar um pouco do meu conhecimento a um aluno e sentir o reconhecimento que eles têm. Sempre procurei incentivar porque é o estudo que vai colocá-lo onde você almeja chegar. É a única coisa que ninguém te rouba. Me sinto gratificada por meus sobrinhos poderem estudar sem preocupação com o que vão jantar ou almoçar, por poder dar a eles uma vida mais tranquila.”

*Sob a supervisão de Thaisa Figueiredo

Joana entre alunos que recebem todo seu incentivo na pesquisa em Franca-SP (Foto: Assessoria de imprensa ETEC)

http://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/passei-fome-mas-tracei-meta-de-conseguir-vencer-diz-mulher-que-enfrentou-preconceitos-e-se-tornou-cientista.ghtml

Candidato do MPLA a presidência de Angola promete transparência e combate à corrupção

João Lourenço1“Uma das nossas prioridades é melhorar o ambiente para o investidor privado, seja nacional ou estrangeiro, e isso significa que vamos combater a corrupção, porque acreditamos que este mal afecta o nosso esforço de atrair investidores privados”, disse João Lourenço, em entrevista ao “The Washington Post”, baseada na eventualidade de se tornar Presidente da República nas eleições de 23 de Agosto.
João Lourenço afirmou que o sector público ainda tem um papel importante na reconstrução e construção de infra-estruturas, mas ainda assim são áreas onde podem ser estabelecidas parcerias público-privadas. Outras áreas, como a exploração de aeroportos, vão ser cem por cento com investimento privado.
O ministro falou também dos preços do petróleo no mercado mundial. “Hoje não estamos muito preocupados com a necessidade do aumento dos preços do petróleo. Não que não queiramos, mas sabemos que o petróleo é uma matéria-prima e os preços não dependem apenas de nós”, disse João Lourenço, acrescentando que a solução é diversificar a economia, para que o país dependa da produção e exportação de outras matérias-primas, além do petróleo. “Temos de investir fortemente na Agricultura, na pecuária, na pesca e, também, no turismo”, disse para lembrar que Angola é rica em outros recursos minerais.
“Precisamos de criar um ambiente de negócios que atraia investidores internacionais e, para que isso aconteça, temos de fazer o trabalho de casa, mudar as nossas políticas e tornar a nossa economia e a nossa governação mais transparente na forma de fazer negócios. Temos de combater a corrupção e adaptar o nosso sistema bancário aos níveis internacionais”, afirmou.
O ministro da Defesa falou ainda do memorando de entendimento assinado entre os dois países, durante a sua visita a Washington, e lembrou que os Estados Unidos são muito importantes para  Angola. A localização estratégica no Golfo da Guiné e a abundância de recursos naturais torna Angola um parceiro importante dos Estados Unidos. O documento assinado vem adaptar-se às mudanças que estão a ocorrer em Angola e nos Estados Unidos.

 

 

“Vamos estender a nossa cooperação em matérias como o combate ao terrorismo e à pirataria no Golfo da Guiné e desenvolver um esforço para melhorar a situação militar na região dos Grandes Lagos”, disse. João Lourenço lembrou que os dois países estabeleceram relações diplomáticas e econômicas há 24 anos, sublinhando que noutros campos há progressos visíveis, mas na área da Defesa quase nada avançou, além da formação de militares angolanos nos Estados Unidos, especialmente no campo da formação em língua inglesa e um no programa de combate ao HIV/Sida nas forças armadas.
“Sentimos que isso ainda é pouco, por isso decidimos assinar este memorando. A cooperação no campo da Defesa deve ser feita na base da confiança e estamos a construir uma parceria estratégica entre os nossos dois países”, disse.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/boa_governacao_e_corrupcao_estao_no_topo_das_prioridades

Angolanos e russos cooperam no lançamento de satélite

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Fotografia: João Gomesi | Edições Novembro

O satélite angolano AngoSat pode entrar em órbita ainda este ano, anunciou ontem, em Luanda, o ministro da Telecomunicações e Tecnologias de Informação, José Carvalho da Rocha.

 

O projecto AngoSat está em bom andamento e o estado de avaliação do trabalho já feito está acima dos 80 por cento, de acordo com o ministro, que falava no final do encontro com o vice-primeiro-ministro da Federação Russa, Yury Trutnev.
José Carvalho da Rocha disse que o encontro serviu para rever o nível de cooperação, particularmente os projectos que o sector tem estado a desenvolver com a Rússia, uma vez que há datas que foram acordadas e que precisam ser cumpridas.
“Angola está a aproximar-se também de empresas que já tem maturação em relação às questões ligadas à exploração do espaço, para criar condições internas de trabalho.” O projecto AngoSat, segundo o ministro, vai permitir que Angola trabalhe no sector da ciência, e por isso precisa de estabelecer acordos com empresas especializadas no ramo. No encontro com Yury Trutnev foi discutida  a questão da formação de quadros.
“Os dois países têm estado a desenvolver projectos do AngoSat e Angola gostava de continuar a trabalhar com o mesmo ritmo. Angola está disponível para trabalhar nos diferentes sectores e estabelecer programas para a formação de quadros particularmente neste sector”, acrescentou José Carvalho da Rocha.
Com o Ministério da Geologia e Minas, os russos pretendem elevar o nível de cooperação e passar em revista a assistência bilateral no domínio de geologia e minas, uma vez que existem instrumentos jurídicos assinados em 2009. O desejo foi manifestado durante um encontro conjunto.
À saída do encontro, o secretário do Estado da Geologia e Minas, Miguel Bondo Júnior, indicou que as partes pretendem desenvolver projectos concretos de médio prazo, que já estão a ser tratados, como os programas do fórum de geologia e de minas, acções desenvolvidas com a Endiama e a Ferrangol, programas  para determinação das áreas de riscos, fiscalização de trabalhos no âmbito do Plano Nacional de Geologia e Minas e outros. Miguel Bondo Júnior disse que a visita do vice-primeiro-ministro da  Rússia vai permitir que os passos sejam acelerados e que a cooperação evolua para outros patamares.

 

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/satelite_angolano_em_fase_de_testes

Etíope é candidato a diretor da OMS com apoio da África

Tedros Adhanom Ghebreyesus,

Fotografia: Contreiras Pipa | Edições Novembro

O ministro Luís Gomes Sambo presidiu em Genebra, Suíça, no sábado, à reunião dos ministros da Saúde de África, na qualidade de coordenador do Grupo Africano para as questões do sector.

A reunião  teve como objectivo reiterar o apoio dos ministros da Saúde de África à candidatura de Tedros Adhanom Ghebreyesus, da Etiópia, ao cargo de director geral da Organização Mundial da Saúde (OMS).
O encontro contou com a participação de Moussa Faki Mahamat, presidente da Comissão da União Africana. Luís Gomes Sambo está desde sexta-feira em Genebra para participar na 70.ª Assembleia Mundial da Saúde, a decorrer no Palácio da Nações, de 22  a 31 de Maio.
A eleição do novo director-geral da OMS, que vai substituir Margaret Chan, é um dos pontos principais da  Assembleia da Organização Mundial da Saúde. A eleição acontece amanhã. Concorrem ao cargo Tedros Adhanom Ghebreyesus, da Etiópia e candidato apoiado pela União Africana, David Nabarro, do Reino Unido, e Sania Nishtar, do Paquistão.
Durante a  Assembleia Mundial da Saúde são abordados temas relacionados com a prontidão, vigilância e resposta às epidemias, promoção da saúde, doenças transmissíveis, sistemas de saúde, financiamento e programa de orçamento para 2017-2018  e o  orçamento- programa para o período 2018-2019. Os temas “Investindo nas ferramentas inovadoras na saúde para combater a resistência anti-microbiana”, “Resposta da OMS em situações de emergências graves e de larga escala”, “Aceleração do desenvolvimento dos cuidados de saúde  através de financiamentos e parcerias sustentáveis” vão ser debatidos. O impacto das recomendações do Painel de Alto Nível do Secretário-geral das Nações Unidas relativo ao acesso aos medicamentos no contexto da Agenda de Desenvolvimento Sustentável 2030 é outro assunto agendado para o encontro.
A delegação angolana integra o embaixador Apolinário Correia, representante permanente de Angola junto dos Escritórios das Nações Unidas em Genebra, e técnicos seniores do Ministério da Saúde e da missão diplomática naquele país europeu.

http://jornaldeangola.sapo.ao/politica/candidato__da_etiopia_tem_o_apoio__de_africa

Direitos Humanos para as pessoas com albinismo na África Austral

Uma das maiores tragédias no campo dos direitos humanos é o tráfico de pessoas com albinismo na África Austral, que demandaria um esforço humanitário de todos os países que compõe a Nações Unidas, o tema ainda não entrou na pauta da CPLP, infelizmente.

Nenhuma nação do mundo pode convier com o destino dado as pessoas com albinismo na África Austral.

Encontro regional de dois dias decorre em Pemba, norte de Moçambique, e foi organizado pelas agências da ONU para migrações e infância, em parceria com autoridades.


África 21 Digital, com ONU News


                                                                                                       Foto: Unicef Moçambique/ Sergio Fernandez

Agências das Nações Unidas estão a unir forças com governos de África Austral para proteger pessoas com albinismo, que muitas vezes são vítimas de abusos como mutilação, tráfico e até assassinato, ligados a crenças de que partes dos seus corpos têm poderes mágicos em poções.

Um fórum regional de dois dias sobre proteção e prevenção e combate ao tráfico humano de pessoas com albinismo em Moçambique, Malaui e Tanzânia esta a decorrer em Pemba, norte do país lusófono.

Esta é a primeira formação deste tipo e foi organização pela Organização Internacional para Migrações (OIM), em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef),  procurador-geral de Moçambique e o procurador da província de Cabo Delgado.

Entre os participantes estão representantes de órgãos de coordenação de combate ao tráfico dos três países, além de promotores, policiais, instituições nacionais de direitos humanos e ONGs voltadas à proteção de pessoas com albinismo, entre outros.

Crianças

O representante do Unicef em Moçambique, Marcoluigi Corsi, falou de ações da agência e ressaltou a campanha #TodosIguais, lançada nas redes sociais em 2015 após casos de sequestro e morte de crianças com albinismo no país.

O objetivo é chamar atenção sobre o assunto e, segundo Corsi, a campanha, em andamento, já chegou a 5 milhões de pessoas até o momento.

Moçambique, Malaui e Tanzânia partilham fronteiras e, segundo a OIM, são países de origem ou destino de tráfico de pessoas com albinismo e partes de seus corpos.

O fórum resultará em um plano de ação de cooperação através de fronteiras para a prevenção e combate a crimes relacionados ao tráfico humano e para proteção dos direitos de pessoas com albinismo.

Para a chefe da missão da OIM em Moçambique, Katharina Schnoering, uma abordagem regional como esta “complementa ações nacionais em Moçambique, Malaui e Tanzânia e é a única forma de aprimorar a coordenação e investigação entre fronteiras para proteger pessoas com albinismo”.

Schnoering lembrou que esta abordagem regional à investigação, pesquisa e cooperação foi recomendada em um relatório recente da especialista independente da ONU sobre os direitos dessa população, Ikponwosa Ero, que vistou Moçambique em 2016.

A OIM está a trabalhar em parcerias com governos para prestar assistência a vítimas de tráfico humano e também no fortalecimento das respostas nacionais a estes crimes nos três países africanos.

https://africa21digital.com/2017/05/20/28018/

MPLA lamenta que sucessos da paz na RDCongo sejam sacrificados

O MPLA, partido no poder em Angola, lamentou hoje, em Luanda, que alguns sucessos alcançados na conquista da paz para a República Democrática do Congo (RDCongo) estão agora a ser “sacrificados”, com o atual conflito armado naquele país.

A preocupação foi realçada pelo secretário-geral do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), António Paulo Cassoma, no discurso de abertura do encontro que junta na capital angolana os seus homólogos dos antigos movimentos de libertação nacional da África austral, de Moçambique, África do Sul, Namíbia, Zimbabué e Tanzânia.

António Paulo Cassoma referiu que a reunião acontece num contexto regional marcado por alguns focos de tensão, augurando que os sinais de entendimento e de paz em Moçambique “sejam consolidados”, igualmente desejando “o resgate da estabilidade política na África do Sul”.band

Relativamente à RDCongo, o dirigente do MPLA disse que Angola assiste com “grande preocupação ao recrudescimento de um conflito militar, que ao longo dos anos já provocou a perda de milhares de vidas humanas e obrigou que alguns dos seus cidadãos se colocassem na condição de refugiados que abandonam as suas zonas de origem para os países vizinhos em defesa das suas vidas”.

O político frisou que o território angolano tem sido recetor de milhares de refugiados em busca de paz e proteção das suas vidas, salientando que com o apoio de agências especializadas das Nações Unidas, o Estado angolano tem prestado “um abrigo e condições mínimas para a sua subsistência”.

“A paz para a nossa sub-região continuará a estar no centro das nossas agendas e é neste sentido que se dirigem os esforços do Presidente José Eduardo dos Santos, na sua qualidade de presidente da Conferência Internacional para a Região dos Grandes Lagos”, referiu.

Lamentou que “alguns sucessos alcançados neste âmbito no passado, estão a ser sacrificados por força desses conflitos que assentam numa base étnica e tribal”.

“O nosso Presidente, o presidente do MPLA e da República, está determinado em prosseguir com os esforços coletivos, em coordenação com os demais chefes de Estado da sub-região, para que se alcance a paz duradoura que o povo congolês e de outros povos da sub-região que dela necessitam e merecem”, disse.

Participam do encontro os secretários-gerais da FRELIMO (Moçambique), do ANC (África do Sul), da SWAPO (Namíbia), da ZANU-PF (Zimbabué) e da Chama Cha Mapinduzi (Tanzânia).

Como convidados ao encontro esteve presente uma delegação do Partido Comunista Chinês, a qual António Paulo Cassoma manifestou o apreço pela cooperação e solidariedade que os Antigos Movimentos de Libertação da África Austral têm recebido

http://www.dn.pt/lusa/interior/mpla-lamenta-que-sucessos-da-paz-na-rdcongo-sejam-sacrificados-8486778.html

25.000 mineiros moçambicanos trabalham nas minas da África do Sul

18186700_304 veronicaSandton (África do Sul), 18 Mai (AIM) – A Presidente da Assembleia da República (AR), Verónica Macamo, enalteceu esta semana, na cidade sul-africana de Sandton, o contributo dos mineiros moçambicanos para o desenvolvimento econômico do seu país.

Falando durante um encontro com os representantes dos mineiros moçambicanos na África do Sul, Verónica Macamo informou, aos presentes, os esforços que estão sendo feitos para a melhoria da situação econômica e sobre o processo, em curso, com vista ao alcance da paz efetiva no país.

“Agora estamos mais animados quanto a economia do nosso país, fruto do trabalho do Presidente da República, Filipe Nyusi, do Governo e do Banco de Moçambique, bem como de outros atores da sociedade moçambicana”, disse Verónica Macamo, citada num comunicado de imprensa da Assembleia da Repblica, que AIM teve acesso.

O encontro, segundo o comunicado, teve lugar a pedido dos mineiros moçambicanos.

Por seu turno, o coordenador geral das comissões dos mineiros moçambicanos naquele país vizinho, Victor Cossa, disse que eles pediram aquele breve encontro de cortesia para saudar a presidente do parlamento moçambicano por ocasião do Dia da Mãe, que se assinalou recentemente no país.

”Estamos muito satisfeitos em partilhar este momento com V. Excia. Presidente da AR e Mãe de todos nós’, afirmou Cossa, acrescentando que ele e os seus colegas de trabalho na terra do Rand têm acompanhado todas as informações relacionadas com a vida socio-política e econômica do país.

Elogiou a Presidente do Parlamento indicando que ela “sempre tem sabido como articular com o Governo, através da representação diplomática local”.

Cossa assegurou a Presidente da AR que os mineiros moçambicanos na Africa do Sul estão a disposição em tudo fazer para o bem-estar para o país e encorajam o Presidente da República a prosseguir com as iniciativas tendentes a trazer a paz, harmonia e concórdia rumo ao desenvolvimento de Moçambique.

Na Africa do sul trabalham, actualmente, cerca de 25.000 mineiros moçambicanos.

GM sai da Índia e também fará as malas na África do Sul

 

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A General Motors está reduzindo sua atuação global. Após retirar a Chevrolet do mercado europeu, onde apenas venderá Camaro, Corvette e alguns modelos da Cadillac, agora a gigante de Detroit está arrumando as malas na Índia. Até o final do ano, a montadora americana deixa de vender veículos no mercado indiano.

Mas, além da Índia, a GM também arruma a bagagem e saí da África do Sul e Cingapura. Só no mercado indiano, sua saída significará gastar US$ 500 milhões para desmantelar suas operações comerciais, cancelando inclusive o projeto de US$ 1 bilhão para a construção de uma família de carros compactos.

A reviravolta faz parte da nova estratégia de reestruturação da GM, que quer concentrar dinheiro apenas em operações rentáveis. O fim das atividades nos três países trará à montadora uma economia de US$ 100 milhões por ano em suas operações globais, que fecharam 2016 com perdas de US$ 800 milhões. Com vendas em baixa e sem possibilidades de disputar um segmento indiano onde a Maruti-Suzuki domina, a empresa decidiu sair.

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O site da Chevrolet Índia já anuncia que as vendas continuam até 31 de dezembro de 2017. Páginas dos modelos acima já estão fora do ar. Na África do Sul, o site funciona ainda e lá são vendidos cinco modelos, entre eles a picape Utility, a conhecida Montana nacional, que deve perder esse mercado após a saída da GM.

Na Índia, a GM deve manter a fábrica de Talegaon apenas para exportação e um centro técnico em Bangalore. Na África do Sul, de acordo com o site da GM local, a planta de comerciais leves de Port Elizabeth será assumida pela Isuzu. A Opel deve mudar de representação no país. A GM também vendeu 57,7% de sua parte na operação queniana.

Buscando centrar-se na China, EUA, América Latina e também em serviços de compartilhamento e condução autônoma, a montadora sacrificou sua atuação global. Agora resta saber se a Holden continuará sob o guarda-chuva (cada vez menor) da GM ou se terá um destino semelhante ao de Opel e Vauxhall. Até que não seria estranho a mesma ser encampada pela PSA, dada a sinergia com as marcas anglo-germânicas.

https://www.noticiasautomotivas.com.br/gm-sai-da-india-e-tambem-fara-as-malas-na-africa-do-sul/

Lobolo e a exploração da mulher moçambicana

 

lobolo 25Campanha de sensibilização contra o casamento prematuro enfrenta  obstáculos.

O lobolo, um ritual tradicional que vigora um pouco por todo o país onde um dote, em dinheiro ou noutro valor, se oferece à família da rapariga em troca do matrimónio, tem emperrado as denúncias de casos de violação sexual de menores e casamentos prematuros em Manica.

“Nós continuamos a apelar à sociedade para garantir o futuro das raparigas e para não as entregar em casamento”, concluiu Cecília Ernesto.

O Tribunal Judicial Provincial de Manica, centro, condenou a 19 anos de prisão um homem que deu a filha de 12 anos para pagar uma dívida de 600 meticais em bebidas alcoólicas.

O juiz condenou à mesma pena o comerciante de 45 anos, Alberto Malote, que aceitou a menor.

A rapariga viu-se transformada em esposa à força de um comerciante, mas foi resgatada por uma organização não governamental que continua a cuidar dela.

A sentença foi proferida a 18 de Abril, mas só hoje foi relatada à Lusa pela ONG Levanta Mulher e Siga o seu Caminho (Lemusica), que pretende fazer da história um exemplo na luta contra o casamento forçado.

A história aconteceu depois de o pai, Augusto Vasco, se ter mostrado incapaz de pagar uma divida de 600 meticais – cerca de oito euros – pelo que bebeu durante vários meses.

Ao ter conhecimento do caso, a organização não governamental Levanta Mulher e Siga o seu Caminho (Lemusica) avançou com um processo em tribunal.

“Nós avançámos e resgatámos com sucesso a menina que se tinha tornado mulher do comerciante”, disse à Lusa, Cecília Ernesto, dirigente da ONG.

A sentença prevê ainda a atribuição de uma indemnização de 30 mil meticais à vitima.

Este é um dos 105 casos de resgaste de raparigas menores que aquela organização feminina já fez em cinco distritos da província de Manica, nos últimos 15 meses.

Em 2016, cem casos de casamentos prematuros foram denunciados através de nove clubes de rapariga, que funcionam nas escolas e nas comunidades, criados no âmbito de uma campanha que pretende reduzir o índice de abuso sexual de menores e casamentos prematuros.

Dos cem casos de 2016, os membros da organização conseguiram resgatar 80 menores e 20 mudaram de residência antes de chegarem junto delas.

Em Moçambique, metade das mulheres com idades entre os 20 e 24 anos de idade casaram-se quando eram menores – 14% das quais antes dos 15 anos, segundo dados do UNICEF, que em conjunto com o governo lançou uma estratégia nacional de Prevenção e Combate aos Casamentos Prematuros, para vigorar até 2019.

http://noticias.sapo.mz/info/artigo/1504231.html

 

Caiu os preços dos fertilizantes em Angola

fertilizantesRelativamente aos preços dos fertilizantes, das sementes e das charruas para a tracção animal, Marcos Nhunga assegurou que o Executivo tudo está a fazer para que venham a baixar ainda mais e chegar para todos os produtores agrícolas.
Os fertilizantes já registam uma considerável queda em todo o país, passando de 35 mil kwanzas o saco de 50 quilogramas para sete mil kwanzas. Marcos Nhunga garantiu que o Executivo pretende baixar muito mais os preços dos fertilizantes, para que os camponeses possam produzir em grandes quantidades para assegurarem a auto-suficiência alimentar nas comunidades.
O governador provincial do Huambo, João Baptista Kussumua, disse que a província dentro daquilo que são as políticas do Ministério da Agricultura prevê receber dentro de dias 20 mil toneladas de adubos, além das cinco mil toneladas que já se encontram em armazém.
Para a presente época agrícola, o Governo do Huambo prevê assistir 321.475 famílias e defende mais incentivos para o escoamento dos produtos para os grandes centros de consumo. Adiantou que 482.212 hectares de terras serão desbravados em toda a província para a produção de milho, feijão, mandioca, batata rena e  hortícolas.
Além de hectares mecanizados, várias parcelas de terra serão preparadas por pequenos agricultores individuais e  associações.
O director provincial da Agricultura, António Teixeira, apontou como principais dificuldades do sector, o baixo nível de organização das cooperativas, associações e empresas privadas do sector, assim como fracas opções de motomecanização, escassez de infra-estruturas para o fomento agrícola e falta de quadros qualificados.

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