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Milhares de pessoas celebram na capital da Gâmbia, a saída de Yahya Jammeh


THIERRY GOUEGNON/ REUTERS

A coligação regional militar pretende obrigar o chefe de Estado cessante, Yahya Jammeh, a deixar o poder

Milhares de pessoas saíram esta quinta-feira às ruas de Banjul, capital da Gâmbia, para celebrar a tomada de posse do Presidente Adama Barrow, que decorreu em Dacar, Senegal, e a entrada no país de uma coligação regional militar.

A coligação regional militar pretende obrigar o chefe de Estado cessante, Yahya Jammeh, a deixar o poder.

Segundo testemunhas dos festejos, uma multidão de cidadãos superou o medo de uma possível repressão do ditador e expressou a sua alegria perante o final de 22 anos de regime autoritário.

Tal como ocorreu a 2 de dezembro, quando foram conhecidos os resultados eleitorais que deram a vitória a Adama Barrow, os gambianos também manifestaram a sua hostilidade contra Yahya Jammeh e reclamaram que seja julgado no Tribunal Penal Internacional.

Alguns soldados uniram-se à celebração nas ruas, entre os quais o chefe de Estado-Maior das Forças Armadas, o general Ousman Bargie, que anunciou quarta-feira a sua decisão de se submeter à autoridade do novo Presidente.

“Não vou envolver as minhas tropas numa guerra estúpida”, disse, o que fez com que as tropas regionais, apoiadas pelas Nações Unidas, não tenham encontrado nenhuma resistência no caminho até à capital com a missão de restabelecer a ordem constitucional.

O seu objetivo é retirar Yahya Jammeh do Palácio Presidencial, que ocupa ilegalmente desde quinta-feira, quando expirou o seu mandato de cinco anos.

Fontes locais referem que Yahya Jammeh prepara a saída do país com destino a Marrocos, país de origem da sua mulher, que lhe ofereceu asilo.

http://expresso.sapo.pt/internacional/2017-01-19-Gambia-Milhares-de-pessoas-celebram-nas-ruas-da-capital-saida-de-Yahya-Jammeh

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Violação dos direitos da criança nos sistema de ensino de Angola

juv-mplaO presidente da Comissão Nacional de Pais e Encarregados de Educação Angolana – Amigos da Criança, Manuel Diogo, denunciou a má gestão das contribuições dos pais pelas direções das escolas. Manuel Diogo falava em exclusivo ao Jornal de Angola na sequência de denúncias de cobranças ilegais que se registaram nas escolas públicas do ensino geral e secundário em todo o país.

 

 

A Constituição e a Lei de Bases do Sistema de Educação e Ensino garantem a gratuitidade do ensino da iniciação à nona classe. Porém, várias escolas condicionaram as confirmações e matrículas de muitos alunos ao pagamento de valores monetários. O Jornal de Angola denunciou a ilegalidade e as direcções provinciais da Educação reagiram. No Uíge, as direcções das escolas foram obrigadas a devolver o dinheiro a cada encarregado de educação. Em Luanda, o Gabinete Provincial da Educação fez um inquérito e apurou a recepção de 202 milhões de kwanzas e decidiu entregar às comissões de pais e encarregados de educação para  a gestão deste dinheiro. Manuel Diogo disse que existem denúncias de directores e professores que abusam sexualmente das alunas e defende a mudança dessa gente. O presidente da Comissão Nacional de Pais e Encarregados de Educação Angolana – Amigos da Criança disse que em caso de persistência de violação à Lei e dos abusos às crianças, a sua instituição vai levar vários gestores escolares às barras dos tribunais.

Jornal de Angola – O que é a Comissão Nacional de Pais e Encarregados de Educação Angolana – Amigos da Criança?

Manuel Diogo – Nós somos parceiros sociais do Ministério da Educação há mais de sete anos. Colaboramos em matéria de programas, metodologia e orientações. Por orientação do Gabinete do Vice-Presidente da República, há anos atrás, conseguimos dinamizar os núcleos provinciais da comissão de pais em todo o país. Criámos  comissões provinciais, núcleos municipais e comissões de pais e encarregados de educação em cada instituição de ensino. Muitas dessas comissões foram empossadas pelos  governadores provinciais. Já estamos em condições de dialogar, materializar toda e qualquer orientação do Ministério da Educação.

Jornal de Angola – A que estruturas do Estado reportam as vossas preocupações?

Manuel Diogo – A nossa comissão, dentro das províncias,  reporta  directamente ao gabinete do governador provincial e, consequentemente, aos gabinetes da direcção provincial da Educação. Somos considerados parceiros sociais do governo e membros da sociedade civil. A nível nacional, reportamos ao Ministério da Educação e eu sou membro do Conselho da Família do Ministério da Família e Promoção da Mulher.

Jornal de Angola – Há interacção entre os pais e as direcções das escolas?

Manuel Diogo – Há interacção porque são todos membros da Comissão Nacional. Nós credenciamos e eles funcionam   a nível nacional. Nós não temos problemas no relacionamento com as direcções das escolas. Muitas vezes aparecemos como conselheiros dos gestores escolares e dos directores dos gabinetes provinciais. Recentemente, o director do Gabinete Provincial de Luanda disse que nós temos estado a intervir na construção de algumas salas de aulas, na reposição de alguns materiais gastáveis nalgumas escolas e vários apoios que nós temos dado. É neste sentido que temos interagido com os gestores escolares.

Jornal de Angola – Quais são os principais assuntos de que velam?

Manuel Diogo – Não há interferência séria na gestão escolar. Nós deixamos esta parte para as direcções das escolas. Nós intervimos na política educativa. A política educativa é aquela que visa as condições de acomodação dos alunos, ou seja, o tratamento, aproveitamento escolar dos alunos e em matéria de higiene escolar. Nós estamos neste mecanismo para realizar, aconselhar e orientar os gestores escolares. Mas em breve nós vamos estar dentro da gestão escolar, porque pensamos evoluir para uma comissão do Conselho Nacional da Educação. Este é um outro projecto que já está adiantado dentro do Ministério da Educação, que vai permitir aos pais  interferirem na gestão escolar.

Jornal de Angola – Qual tem sido o papel dos encarregados de educação no acompanhamento da educação dos alunos?

Manuel Domingos – As escolas que cobraram ilegalmente o dinheiro não têm queixas  porque ao longo de ano lectivo 2016 decorreram   reuniões colectivas de concertação, houve muito trabalho conjunto. Mas podemos dizer que a consciência das pessoas ainda está aquém das preocupações da realidade angolana. Não havia motivos para estes atropelos. Vejamos que nesta ou na próxima semana, a inspecção escolar vai ter encontros com os gestores escolares. Tudo para uma abordagem da gestão escolar. Tudo para uma melhor conduta de gestão escolar. Se ao longo do ano lectivo de 2016 tivemos um  trabalho árduo, houve várias reuniões de concertação, não havia necessidade destes atropelos, de cobranças ilegais.

Jornal de Angola – Quem orienta estas cobranças ilegais nas escolas?


Manuel Domingos
– Neste momento, pela estatística apresentada pelo director do gabinete provincial, é  uma iniciativa individual de cada gestor escolar.

Jornal de Angola – Onde está o dinheiro cobrado de forma ilegal?

Manuel Domingos – É isso que nós estamos a questionar. Já que o próprio gestor máximo da província de Luanda conseguiu discernir os valores, estamos à espera que esses valores sejam declarados em que conta foram depositados e quais são as necessidades primárias que nós podemos atacar. Conhecemos as enormes necessidades das escolas.

Jornal de Angola – Que apelo deixa?

Manuel Domingos
– O nosso apelo vai no sentido de rotação de directores das escolas. Há directores que estão há mais de 15 anos a dirigir a mesma escola e pensam que as escolas são lavras deles. Eles apropriaram-se das escolas. E também há muito assédio sexual nas escolas, sobretudo no ensino privado. Muitos professores e directores de escolas têm abusado sexualmente das alunas. Várias vezes encontrámos directores fechados nos gabinetes com alunas. Dificilmente encontramos um aluno fechado no gabinete com o director. Se eles fogem às regras, nós temos mecanismos como a Polícia, que tem estado a trabalhar nas instituições escolares. Então aí está o nosso alerta para eles. Porque todas essas situações são do conhecimento da Brigada Escolar da Polícia Nacional.

Jornal de Angola – Como tem sido a comparticipação dos pais, uma vez que a Constituição e a Lei garantem Educação gratuita da iniciação à nona classe?

Manuel DiogoAs nossas comparticipações sempre foram na medida da matrícula das crianças e na passagem dos certificados. Isto é um hábito antigo. É um hábito que não é instituído por documento algum, mas é óbvio que é por necessidade individual de cada instituição de ensino. Esses valores  têm sido acompanhados por pais e encarregados de educação. Muitas instituições escolares já têm dado informação do descaminho desses valores. É óbvio que pelas necessidades das instituições escolares é compreensível, porque os valores são gastos na compra de cisternas de água, aquisição de papel e de material gastável de higiene, assim como para a acomodação de pessoal eventual. E nós achamos que essa situação é pacífica. A nossa surpresa são as novas medidas de gestão administrativa. Nós não devemos ditar regras que apanhem de surpresa os gestores escolares.

Jornal de Angola – O que é que considera surpresa?

Manuel Diogo
– Eu considero surpresa porque as cobranças, ditas ilegais, decorrem quase todos os anos lectivos e em todo o país. O que considero surpresa para nós é o facto de terem dito que os gestores escolares devem devolver estes valores à Comissão de Pais e Encarregados de Educação para a gestão desse dinheiro. Como disse, essa situação é pacífica. Ademais, estes valores já foram gastos. Cada instituição escolar cobrou ao longo de todos estes anos e gastou. De que forma é que eles vão poder devolver à Comissão de Pais para fazer a gestão? É impossível.

Jornal de Angola – Que avaliação faz quando uma escola impede uma criança de se inscrever por falta de pagamento?

Manuel Diogo – Devemos primar pela educação dos gestores escolares a perceberem bem a Lei. A segunda coisa, devemos apetrechar as escolas para  poderem resolver as questões que  surgirem. As escolas não violaram a Lei propositadamente. Nós não as podemos incriminar publicamente como meros violadores. Durante as visitas que temos feito às instituições escolares, a situação de precariedade que encontramos é de lamentar. E eu diria mesmo que aqueles que cobraram  valores iguais ou superiores a 18 mil kwanzas, por cada aluno, não é nada para os gastos que eles fazem.

Jornal de Angola – Que avaliação faz das cobranças ilegais feitas em Luanda e nas outras províncias?

Manuel Diogo – Nós reconhecemos o esforço de cada um de nós. O gabinete provincial de Luanda fez o seu inquérito. Nós fizemos o nosso inquérito. Nós temos documentos de visitas que deviam ter sido feitas em conjunto, mas não foi possível por questões de calendário. A partir daí cada um foi pelo seu caminho para fazer o levantamento das cobranças ilícitas. Nós começámos a fazer o levantamento desde o fecho do ano lectivo, em Novembro. Esses valores começaram a ser cobrados a partir da elaboração dos certificados, transferência de alunos e agora com as matrículas. É uma acumulação de cobranças. É aí onde nós salientamos que a nossa associação não se vai imiscuir na gestão financeira da gestão escolar. Tudo o que eles aferiram para nós não é estranho. O inquérito foi muito mal feito. Devia  partir da educação financeira dos gestores escolares. As cobranças não começaram este ano e o inquérito tinha de ser mais abrangente.

Jornal de Angola – O que quer dizer com a educação financeira dos gestores escolares?

Manuel Domingos
– A educação financeira é a forma de gerir os bens públicos numa instituição. A instituição é do Estado. Vejamos, se nós cobrarmos aos nossos parceiros que são pais e encarregados de educação 10.000 kwanzas, eu com uma educação financeira tenho de aplicar esses 10.000 kwanzas nas necessidades reais da escola. E eu tenho de estar consciente que tenho de prestar contas. É isto que se chama educação financeira.

Jornal de Angola – Nas escolas não há educação financeira?

Manuel Diogo
– Por todas as escolas onde passámos, ainda não há. Nós constatámos que há todo o aparato, organigrama da instituição ­escolar, director, director pedagógico, subdirector administrativo e outras funções afins. Se nós formos perguntar ao subdirector administrativo, temos disparidade com o subdirector pedagógico. Então esta disparidade da educação financeira significa que não há educação financeira. Numa instituição onde há educação financeira a corrente de informação dos gastos dos valores corre simultaneamente. Se os pais fazem uma contribuição para a construção de salas de aulas é preciso que o gestor escolar fique à frente desta construção, dizendo  com documentos comprovativos que “o bloco custou x, o cimento custou x, a areia custou x e empregou na compra da água x”. Se isto acontecer, esta escola tem uma educação financeira.

Jornal de Angola – O senhor está a dizer que as direcções das escolas não gerem bem as contribuições dos pais?

Manuel Domingos – Julgamos que os gestores escolares, nesta parte de gerir os fundos que advêm das comparticipações dos pais, ainda não têm tido uma gestão digna. Mas é preciso que nós caminhemos para lá, porque até ao momento as nossas relações com as instituições escolares são boas. Primamos por relações saudáveis, porque, como disse, vamos fazer parte da gestão dos valores financeiros.

Jornal de Angola – A direcção do Gabinete Provincial da Educação de Luanda prometeu entregar a gestão dos mais de 202 milhões de kwanzas às comissões de pais e encarregados nas escolas. Foram consultados?

Manuel Domingos – Nós fomos sim consultados. Em primeira instância, gratificamos as declarações do director do Gabinete Provincial da Educação de Luanda por nos ter  dado a grande responsabilidade de fazermos a gestão destes valores. O que é preciso fazer é realmente estarmos concentrados às necessidades das escolas para o gasto dos valores arrecadados. Por outro lado, não deixamos de louvar a grande experiência que o Gabinete Provincial de Luanda fez, de inquirir a arrecadação feita. Penso que é uma experiência louvável que vai servir a nível nacional. É um exemplo e nós pensamos que em breve todos vamos caminhar no mesmo sentido.

Jornal de Angola – O Jornal de Angola ouviu alguns directores provinciais. No Uíge, as escolas que receberam dinheiro de forma ilegal foram obrigadas a devolver o montante arrecadado aos encarregados de educação. Qual é a vossa opinião?

Manuel Domingos – Bem, há vários termos que estão a ser empregues. Os dinheiros não serão devolvidos a pais e encarregados de educação, mas sim às comissões de pais e encarregados de educação, a nível das escolas. Então vamos concentrar os gastos em cada instituição de ensino e acompanharmos os seus gastos. É a única participação que nós queremos dar na gestão destes valores. A partir daí julgamos que todos nós estamos cientes que esta educação vai ser contínua. É possível que nos próximos anos lectivos não se vão  repetir os mesmos erros deste ano lectivo.

Jornal de Angola – Como está o ambiente entre os pais?


Manuel Domingos
– Nós estamos a receber os descontentamentos dos pais sobre esta situação em todo o país. É óbvio e é pacífico. O momento é crítico. Os salários da função pública foram pagos bastante tarde. As necessidades dos nossos filhos apertam. Então não é fácil o pai ou encarregado de educação fazer a ginástica para ver este ou aquele problema resolvido. As instituições escolares, todas elas pedem as fotocópias dos certificados autenticados. Uma autenticação de uma fotocópia tem valores acima das possibilidades de muitos pais e encarregados de educação. Custam acima de 2.000 kwanzas. Onde reclamar? Há um descontentamento muito grande.

Jornal de Angola – As cobranças no ensino geral são as únicas que vos preocupam? 

Manuel Domingos – Nós, no ensino geral, estamos a tirar crianças para ingressar no ensino superior. O ensino superior publicou o valor de 4.000 a 6.000 kwanzas para a inscrição. A inscrição, como se sabe, não  é garantia de acesso ao ensino superior. Tudo depende das provas de acesso e só entram os melhores. Se então é uma coisa sem garantia de ingresso não deviam cobrar valores tãos altos. Porque a criança pode não entrar na faculdade e o dinheiro já está lá. Qual é a necessidade de se cobrar tanto dinheiro? E qual é o destino deste dinheiro? É nisso que as instituições públicas deviam reflectir. As instituições do Estado deviam compreender isso, porque eles também são funcionários públicos.

Jornal de Angola – A vossa associação é amiga da criança. Como reagem quando há violação dos direitos da criança?

Manuel Domingos – Dizia a  ministra da Família e Promoção da Mulher, num dos últimos conselhos consultivos, que nós não podemos estar de braços atados. Vamos continuar a defender a criança com todas as nossas forças. Nós temos de estar de braços abertos para defender o elo mais fraco da sociedade angolana, que é a criança. Julgamos que temos esperança. Melhores momentos virão para as nossas crianças. Somos nós os homens que devemos educar-nos e educar o futuro, que são as nossas crianças. Não podemos permitir todos estes atropelos contra a criança.

Jornal de Angola – Que garantias existem para travarem estes atropelos?

Manuel Domingos – Nós já vivemos  momentos mais difíceis. Na altura em que não existia o Ministério da Família e Promoção da Mulher, a violação era  abismal. Hoje reduziu  bastante. Na altura que não havia a Comissão Nacional de Pais e Encarregados de Educação, as violações eram constantes. Hoje diminuíram bastante. Quando vamos inspeccionar algo, as pessoas tendem a corrigir-se.   Temos esperança de que nos próximos anos as coisas vão melhorar muito mais. Em anos atrás, defendemos a passagem dos certificados das crianças atempadamente. Hoje, as coisas melhoraram. Defendemos a matrícula dos alunos no ensino superior que pudesse obedecer ao calendário do Ministério da Educação e hoje as coisas estão corrigidas. Estamos a trabalhar.

Jornal de Angola – Têm recorrido às instituições do Estado que garantem a defesa dos direitos fundamentais da criança?

Manuel Domingos
– Lamentamos a violação dos direitos da criança. Há anos foi criada a Brigada da Polícia Escolar. A Brigada Escolar é um policiamento que tem a missão de cuidar das instituições escolares e encaminhar os casos mais complicados às esquadras da Polícia. É já um passo. Os tribunais têm estado a trabalhar connosco empre que há denúncia de atropelos dos direitos da criança, como a  não passagem de classe por mero capricho do responsável da escola, a não-aceitação da  matrícula e a exclusão escolar dos deficientes.

Jornal de Angola – Muitas escolas no país condicionaram a matrícula das crianças ao pagamento de dinheiro. Como reagiram?


Manuel Domingos
– Todas essas situações que atropelam as melhores regras de educação social da criança e aqueles que cobram valores ilicitamente, a qualquer altura nós vamos accionar os mecanismos legais para chamá-los à razão. Os mecanismos são diversos. Todas as instituições estão a trabalhar connosco. Nós temos a Polícia Económica, que tem estado a trabalhar connosco. A colaboração com a Polícia Económica tem estado a dar frutos nas instituições escolares no que diz respeito a cobranças ilícitas de muita documentação. Até agora ainda não temos casos graves que nos pudessem levar aos tribunais, mas se houver não temos problema de enfrentar este ou aquele gestor escolar diante dos tribunais.

Jornal de Angola – E os que receberam dinheiro de forma ilícita?


Manuel Domingos
– Nós voltamos a dizer que nós estamos de braços abertos pela coragem que o director do Gabinete Provincial de Educação teve de inquirir esta inconformidade. A um dado momento também estaremos de braços abertos para acompanhar a devolução desse dinheiro e a sua aplicabilidade nos sítios certos.

Jornal de Angola – Como é que a Comissão de Pais e Encarregados de Educação vai actuar a nível de Luanda?

Manuel Domingos – A Comissão Nacional de Pais e Encarregados de Educação – Amigos da Criança em Luanda não tem problemas. Foram empossados os coordenadores dos núcleos municipais, comunais, na presença da Brigada da Polícia Escolar. Luanda tem um aparato de grande confiança. É preciso educarmos a consciência do funcionário público. É preciso trabalharmos na consciência das pessoas para que Luanda tenha uma imagem de capital do país.

Jornal de Angola – O que gostava de dizer mais?

Manuel Domingos
– Nesta altura,  gostávamos que o Executivo angolano pudesse implementar uma grande dinâmica na entrega dos profissionais da educação prometidos. Porque o ano lectivo está quase a começar e os docentes prometidos até agora não foram admitidos a nível nacional e isto vai criar um outro constrangimento. Pedimos um grande esforço do Executivo para implementar grande dinamismo para  que estes profissionais sejam admitidos.

http://jornaldeangola.sapo.ao/entrevista/as_cobrancas_no_ensino_publico_ja_vem_de_longe

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Mulheres cabo-verdianas na luta pela independência

CABO VERDE
Papel das mulheres cabo-verdianas na luta pela independência cada vez mais reconhecido
Amélia Sanches Araújo nasceu em Luanda, mas foi na Guiné-Bissau onde esteve com o marido na luta de libertação daquele país e de Cabo Verde, um papel de `heroína` que diz está a ser reconhecido no arquipélago.

«Penso que somos reconhecidas. Embora não se divulgue, as pessoas que nos conhecem respeitam-nos, e quando há eventos somos convidadas», disse à agência Lusa Amélia Araújo, 83 anos, uma das muitas mulheres que participaram ao lado dos maridos na luta armada de libertação das ex-colónias.

«Não há nada de especial. Não fizemos a luta para depois ser motivo de homenagens e coisas do género. Fizemo-lo por convicção, naturalmente», prosseguiu a octogenária, viúva de José Araújo, antigo ministro da Educação de Cabo Verde, falecido há 25 anos.

Amélia Araújo esteve sempre ao lado do marido e recorda que fugiu com o grupo de antigos estudantes das colónias portuguesas que protagonizou a denominada `A Fuga` clandestina de Lisboa, em 1961, rumo à independência dos seus países.

Entre os cerca de 60 estudantes estavam os ex-Presidentes de Cabo Verde e de Moçambique Pedro Pires e Joaquim Chissano e os ex-primeiros-ministros de Angola e Moçambique Fernando Van Dunen e Pascoal Mocumbi.

Segundo Amélia Araújo, as mulheres «estiveram em várias frentes», como na educação, na saúde, trabalhavam no secretariado do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e também na informação.

Amélia era locutora e a voz mais conhecida das emissões em português da Rádio Libertação, do PAICG, partido do qual o marido era dirigente e responsável pela área de informação.

«Era um período em que éramos jovens, e não tínhamos a ideia exata do que íamos ter, o que é que estava à espera de nós. Chegamos, aceitamos e adaptamo-nos. Fizemos aquilo que tínhamos para fazer, naturalmente, porque queríamos tanto libertar os nossos países de qualquer sacrifício», afirmou à Lusa.

Mais de 40 anos após as independências, Amélia Araújo disse que «valeu a pena» a luta armada, apesar de, no início, ter dito que seria «muito difícil» Cabo Verde «dar a volta» e seguir como país soberano.

«Mas conseguimos e hoje vemos um Cabo Verde bonito, próspero, embora com muitos problemas e desafios. Mas vai progredindo», salientou a `heroína`, que depois da independência da Guiné-Bissau (24 setembro de 1973) ficou com o marido naquele país.

O casal só regressou a Cabo Verde em 1980, após o golpe de Estado na Guiné-Bissau, mas cinco anos antes tinham assistido a cerimónia da independência nacional, na Praia.

Amélia Araújo falava à Lusa, na cidade da Praia, no âmbito de uma palestra sobre o «papel das heroínas na luta da independência nacional», enquadrada nas comemorações do 20 de janeiro, dias dos Heróis Nacionais e de mais um aniversário do assassinato de Amílcar Cabral.

A palestra, organizada pela Associação para a Promoção do Património Educacional (ASPPEC), destinada a alunos do ensino básico e secundário e onde Amélia Araújo deu o seu testemunho, teve como oradora Graça Sanches.

Em declaração aos jornalistas, a ex-deputada e professora disse que as mulheres deram «vários contributos» na luta armada, e o primeiro foi a aceitação da luta pela independência.

Indicou também que além de acolheram as reuniões clandestinas em suas casas, as mulheres cuidavam das crianças, muitas estiverem na Rádio, um dos meios de comunicação mais eficazes na altura para combater a elevada taxa de analfabetismo.

«É um contributo enorme que as mulheres deram para a independência dos dois países e acho que é muito injusto que as pessoas não conhecem o trabalho que elas fizeram», salientou, dizendo que essas `heroínas` servem de inspiração para muitas mais novas.

Mais de 40 anos depois, Graça Sanches considerou que o primeiro contributo que a sociedade pode dar para reconhecer essas mulheres é falar delas, dizer às crianças que tiveram um «contributo determinante» na luta pela libertação nacional.

O 20 de janeiro, dia dos Heróis Nacionais, será assinalado na sexta-feira com várias atividades um pouco por todo o arquipélago cabo-verdiano, com destaque para uma marcha na cidade da Praia para evocar a memória de Amílcar Cabral.

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Tropas do Senegal entram na Gâmbia para afastar antigo presidente

Com luz verde das Nações Unidas, o exército senegalês entrou na vizinha Gâmbia, cujo novo presidente já assumiu o cargo na embaixada do país no Senegal. Só falta que o ex-chefe de Estado, derrotado nas eleições, abandone o poder

Gâmbia - Yahya Jammeh (presidente derrotado)/  Adama Barrow (presidente eleito)
Gâmbia – Yahya Jammeh (presidente derrotado)/ Adama Barrow (presidente eleito). Reuters

Por unanimidade, os 15 membros do Conselho de Segurança aprovaram uma resolução dando cobertura aos países da CEDEAO, a Comunidade dos Países da África Ocidental, para intervir na Gâmbia.

Apoio total à CEDEAO nos seus compromissos para assegurar, primeiro, através de meios políticos, o respeito pela vontade do povo da Gâmbia, expresso nos resultados das eleições de 1 de dezembro”, refere a resolução das Nações Unidas.

Desde a meia-noite desta quinta-feira que o Senegal, onde a Gâmbia constitui um enclave, tinha tropas estacionadas na fronteira do pequeno país. Prontas a intervir de forma a afastar o presidente derrotado nas eleições de dezembro.

Já entrámos na Gâmbia”, foi a mensagem enviada à agência noticiosa Reuters por um porta-voz do exército senegalês.

O propósito da intervenção militar dos países da CEDEAO é o de afastar do poder Yahya Jammeh, de 51 anos, que se tornou presidente do pequeno país de língua inglesa através de um golpe militar em 1994.

Após as eleições de 1 de dezembro, tem-se recusado a abandonar o cargo. Não reconhece a derrota eleitoral e recorreu até para o Supremo Tribunal do país. Que entretanto considerou não ter competências para esse tipo de avaliação.

Empossado fora de portas

Eleito em dezembro, Adama Barrow é o novo presidente do país. Refugiou-se no vizinho Senegal, a potência regional de língua francesa, que tem fronteira a sul com a Guiné-Bissau, à espera que os esforços diplomáticos levados a cabo nas últimas semanas convencessem Yahya Jammeh a deixar o poder.

Face à irredutibilidade do presidente derrotado, que não se deixou convencer pelas várias missões de países da CEDEAO, o eleito Adama Barrow preferiu jurar a Constituição do país e assumir o cargo na embaixada da Gâmbia no Senegal.

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Guiné-Bissau recebe mil refugiados gambianos por dia

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Bissau – A Guiné-Bissau está a receber cerca de mil refugiados por dia, em fuga da Gâmbia, disse nesta quinta-feira à Lusa, Ayigan Kossi, coordenador humanitário do sistema das Nações Unidas em solo guineense.

CIDADE DA GUINÉ BISSAU

“Não há pontos de concentração, estão todos a distribuir-se por casas de familiares e amigos”, mas há uma sobrecarga destes agregados familiares que requer apoios,
nomeadamente ao nível da alimentação, referiu.

A crise na Gâmbia começou em Dezembro, depois de o Presidente Yahya Jammeh rejeitar os resultados eleitorais, e desde essa altura entraram na Guiné-Bissau quatro mil refugiados (a maioria mulheres e crianças), três mil dos quais esta semana, entre domingo e quarta-feira, de acordo com dados das Nações Unidas.

A Guiné-Bissau fica cerca de 100 quilómetros a sul da Gâmbia, com o Senegal pelo meio, havendo relações históricas entre a população dos dois países, parte da qual partilha raízes étnicas, caso dos flupes e djolas, cimentando redes familiares e de amizade.

O governo da Guiné-Bissau solicitou nesta quinta-feira oficialmente a colaboração dos parceiros internacionais e foi constituída uma comissão técnica que junta todas as organizações para avaliar as necessidades e mobilizar recursos.

Tibna Na Uana, secretário-executivo da Comissão Nacional de Refugiados, considera ser urgente “a entrega de alimentos” às famílias de acolhimento, para poderem suportar este fluxo nas próximas semanas, sem que haja necessidade de criar campos de refugiados.

“Um agregado familiar guineense tem cinco a seis pessoas, mas na quarta-feira visitamos um que agora está a tomar conta de 22 crianças da Gâmbia”, exemplificou Ayigan Kossi
para ilustrar a necessidade de apoios.

O sistema das Nações Unidas prevê que nas próximas quatro a cinco semanas a Guiné-Bissau possa receber mais cinco a 10 mil refugiados, “tudo depende de como evoluir a situação”, acrescenta – mas é esta estimativa que está em cima da mesa da comissão técnica que vai mobilizar recursos.

Kossi destaca também a necessidade de haver tradutores, uma vez que os refugiados falam sobretudo inglês, língua oficial da Gâmbia, mas praticamente desconhecida na Guiné-Bissau.

Adama Barrow, Presidente eleito da Gâmbia, venceu as presidenciais de Dezembro, mas o presidente Yahya Jammeh, no poder há mais de duas décadas, recusa abandonar o cargo e pediu ao Supremo Tribunal a anulação das eleições, alegando irregularidades.

O mandato de Jammeh expirou à meia-noite e tropas do Senegal e de outros países da África Ocidental estão posicionadas nas fronteiras da Gâmbia (um enclave no território do Senegal com acesso ao oceano Atlântico) com a intenção de forçar o presidente cessante a ceder o poder.

Na terça-feira à noite, o parlamento da Gâmbia aprovou o estado de emergência declarado no mesmo dia por Jammeh, autorizando-o a ficar mais três meses no poder.

http://www.angop.ao/angola/pt_pt/noticias/africa/2017/0/3/Guine-Bissau-Pais-recebe-mil-refugiados-gambianos-por-dia,48287bf6-9858-4b4f-a84b-c85f9ffb8f07.html

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Angola busca apoios para eleição na União Africana

Bissau – Uma missiva do ministro angolano das Relações Exteriores, Georges Chikoti, foi entregue hoje, quarta-feira, em Bissau, ao ministro dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades da Guiné-Bissau, Jorge Malú, no âmbito das candidaturas de Angola para a União Africana (UA).

DANIEL ANTÓNIO ROSA – EMBAIXADOR DE ANGOLA NA GUINÉ-BISSAU

FOTO: CORTESIA DE DAVID MARIO

Foi portador da missiva o Embaixador da República de Angola na Guiné-Bissau, Daniel Rosa, durante um encontro de aproximadamente uma hora realizado na sede dos Palácio do Governo local.

Na carta, a República de Angola solicita o apoio do Governo da Guiné-Bissau a favor dos dois candidatos angolanos para os cargos propostos no âmbito das eleições dos membros da Comissão da União Africana durante a 28ª sessão Ordinária da Conferência de Chefes de Estado e de Governo da UA, a decorrer em Addis Abeba, Etiópia, de 22 a 31 do corrente mês.

Angola apresentou as candidaturas do Embaixador Tete António e da engenheira Joseja Sacko para os cargos, respectivamente, de Comissário para os Assuntos Políticos, e de Comissária para a Economia Rural e Agricultura da UA.

Na carta, o chefe da diplomacia angolana destaca a ampla experiência profissional destes dois quadros angolanos, nos sectores público e privado, incluindo o desempenho de funções relevantes na União Africana e outras organizações regionais.

Realça igualmente a determinação em fortalecer a capacidade da UA, priorizar a prevenção na busca da paz e materializar os objectivos da Agenda 2063 de desenvolvimento, como fundamentos para se apostar nas duas candidaturas.
O Embaixador Tete António é economista e é desde 2009 representante permanente da UA junto das Nações Unidas. Já exerceu, entre outros, os cargos de Conselheiro diplomático do presidente da Comissão da UA, em Addis Abeba, e Representante adjunto da Missão Permanente de Angola nas Nações Unidas.
A engenheira Josefa Sacko tem como destaques no seu curriculum o cargo de secretária da Organização Inter-Africana do Café (2000-2013), representante da vice-presidente da Organização Pan-africana da Mulher para África Austral, e exerceu cargos de alta responsabilidade em organizações regionais e internacionais ligadas a segurança alimentar, ao clima e desenvolvimento sustentável.
Por sua vez, o chefe da diplomacia guineense congratulou-se com a iniciativa de Angola porque “gostaria de ter no âmbito da UA representantes da CPLP”, pelo que garantiu trabalhar para apoiar a candidatura de Angola aos cargos propostos.
Com o mesmo fim, o representante diplomático de Angola na Guiné-Bissau, Daniel Rosa, entregou, terça-feira, ao embaixador do Senegal neste país, Bakary Seck, uma carta do Ministro Georges Chikoti endereçada ao seu homólogo senegalês, Mankeur Ndiaye.
O diplomata senegalês agradeceu e elogiou a iniciativa da República de Angola e garantiu que vai remeter ao Governo do seu país o pedido formulado pelas autoridades angolanas.

http://cdn1.portalangop.co.ao/angola/pt_pt/noticias/politica/2017/0/3/Bissau-Angola-busca-apoios-para-eleicao-Uniao-Africana,ab469040-10f7-4307-a634-edf76ae811bf.html

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Presidente eleito da Gâmbia toma posse no Senegal

O PRESIDENTE eleito da Gâmbia, Adama Barrow, disse hoje, quinta-feira, que vai assumir o cargo de Presidente da República na embaixada da Gâmbia na capital senegalesa, Dakar, às 16.00 (hora local).

Barrow encontra-se desde semana passada em Dakar, onde se deslocou para consultas junto de Chefes de Estado da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), organização que medeia a crise gambiana.

Numa mensagem postada na sua conta no Twitter, Barrow disse: “Meus queridos Gambianos, a presidência de Yahya Jammeh está oficialmente terminada. A nova era da Gâmbia finalmente chegou. Todos vocês são bem-vindos à minha tomada de posse hoje às 16 horas na Embaixada Gambiana, em Dakar”.

Relatos anteriores sugeriam que ele iria tomar posse num local indeterminado na Gâmbia.

Estes novos desenvolvimentos seguem-se ao fracasso das negociações de última hora para persuadir o Presidente derrotado, Yahya Jammeh, a demitir-se. O prazo terminou sem que Jammeh deixasse o poder.

Como sinal de crescente isolamento, o ainda homem forte de Gâmbia tem assistido ao abandono de figuras-chave do governo e do seu círculo mais próximo.

A vice-presidente da Gâmbia, Isatou Njie-Saidy, renunciou ontem, horas antes de expirar o mandato do Presidente Jammeh, informou a agência de notícias AFP, citando fontes familiares.

O ministro do Meio Ambiente e do Ensino Superior também renunciou, o último de uma série de membros do Executivo a abandonar Jammeh, após a sua recusa em deixar o cargo.

O advogado de Jammeh fugiu para o Senegal depois de escrever uma carta pedindo-lhe para abandonar o poder, segundo notícias do jornal Premium Times da Nigéria.

Edu Gomez disse que trabalhou para Jammeh sob “tremenda pressão e coerção”, relata o jornal, que cita a carta do advogado, na qual diz: “Na terça-feira, 17 de Janeiro de 2017, eu e o meu filho tomámos uma decisão crucial de procurar um santuário na República do Senegal. Isso foi considerado necessário devido ao crescente medo e tensão”.

Um correspondente da BBC na capital, Banjul, relata que a situação está estranhamente silenciosa e que tudo está parado; as pessoas mantém-se dentro de casa, com receio de serem apanhadas no meio de confusão, na sequência do estado de emergência decretado quarta-feira por Jammeh.

As forças militares da África Ocidental estão preparadas para entrar no país a fim de imporem a transferência do poder.

Relatos não confirmados dão conta de que as tropas do Senegal já atravessaram a fronteira para garantirem um número de cidades, com a ajuda de soldados gambianos.

Jammeh – que está no poder há mais de duas décadas – contesta o resultado das eleições

http://jornalnoticias.co.mz/index.php/internacional/64602-presidente-eleito-da-gambia-toma-posse-no-senegal.html

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A dívida pública de Moçambique pode chegar a 135% do PIB em 2017

A agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) estima que Moçambique cresça apenas 4% e que a dívida pública suba para 135,5% do PIB este ano, segundo o relatório que coloca o país em ‘default’.

De acordo com a nota enviada aos investidores, e a que a Lusa teve acesso, a S&P estima que a dívida pública passe de 131,5%, no ano passado, para 135,5% do Produto Interno Bruto, o que dificulta ainda mais o objectivo do Governo de baixar a dívida para níveis que o Fundo Monetário Internacional (FMI) considere sustentável, o que permitiria retomar a ajuda financeira ao país.

O relatório, divulgado na quarta-feira à noite, desce o ‘rating’ do país para SD/D, ou descumprimento selectivo, no seguimento do anúncio de que o Governo iria falhar o pagamento da prestação de Janeiro da emissão de títulos de dívida, feita em Abril do ano passado no valor de 716,5 milhões de dólares.

O documento apresenta também um conjunto de previsões para a economia, destacando-se a subida de um ponto percentual do PIB, de 4%, este ano, para 7% em 2020, ou seja, só daqui a três anos é que Moçambique conseguirá retomar os níveis de crescimento que marcaram a última década.

O Ministério das Finanças de Moçambique confirmou na segunda-feira que não vai pagar a prestação de Janeiro, de 59,7 milhões de dólares relativos aos títulos de dívida soberana com maturidade em 2023, entrando assim em incumprimento financeiro (‘default’).

Apesar da descida do ‘rating’, a S&P acredita que as negociações de reestruturação da dívida “serão realizadas” e pode proceder a uma nova avaliação.

Dependendo das condições do futuro programa de apoio do Fundo Monetário Internacional (FMI) e das negociações com os credores e dos efeitos na economia real das repercussões do incumprimento, a S&P admite como provável aumentar o seu ‘rating’ da dívida nacional.

O descumprimento em causa surge no contexto do escândalo das dívidas escondidas, garantidas pelo anterior Governo, entre 2013 e 2014, a favor de companhias estatais e à revelia das contas públicas, e diz respeito aos encargos da Empresa Moçambicana de Atum (Ematum), convertidos no início de 2016 em dívida soberana, num total de 726,5 milhões de dólares com maturidade a 2023.

No critério da S&P, a classificação de incumprimento selectivo é atribuída quando um pagamento não é realizado na data prevista, nem no período de 15 de dias de tolerância que a agência de notação financeira não acredita que venha a acontecer, uma vez que o Governo declarou incapacidade de o fazer.

Nesta fase, a agência financeira não atribui ‘ratings’ às outras duas empresas estatais beneficiadas por mais 1,4 mil milhões de dólares de encargos ocultos, alegando falta de informação sobre as garantias do Governo e do seu impacto na dívida pública, embora uma delas, a Mozambique Assett Management (MAM), tenha igualmente falhado uma prestação de 178 milhões de dólares em Maio.

A 25 de Outubro, o Governo assumiu oficialmente a incapacidade financeira para pagar as próximas prestações das dívidas das empresas estatais com empréstimos ocultos, defendendo uma reestruturação dos pagamentos e uma nova ajuda financeira do FMI.

A retoma da ajuda está porém condicionada às próprias regras do Fundo, que não permite ajuda a países com uma trajetória insustentável de dívida pública, que passou de 45% em 2014 para uma estimativa de 112,6% do PIB no ano passado.

Um grupo representando a maioria dos credores dos títulos da dívida soberana declarou entretanto que não está disponível para renegociar até ao fim de uma auditoria independente, já em curso pela norte-americana Kroll, às empresas beneficiadas, e igualmente condição para o FMI e parceiros internacionais retomarem o apoio a Moçambique.

Lusa

http://noticias.sapo.mz/info/artigo/1495812.html

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Luta contra o racismo viveu dias gloriosos sob Obama, por Janio de Freitas

Jornal GGN – O maior feito de Barack Obama na Casa Branca foi justamente ser um presidente negro em um país tão racista quanto os Estados Unidos. A opinião é de Janio de Freitas, em sua coluna de hoje (19) na Folha de S. Paulo.
O articulista pontua que a “decência cativante” fez com que se esperasse mais do que ele fez, ressaltando que Obama deixa forte presença militar no mundo, além da autorização do uso de drones.
Janio também diz que Obama combateu o racismo com “naturalidade”, e deixa como legado especial Michelle Obama, “potencial presidente dos Estados Unidos”.
por Janio de Freitas
Impor um presidente negro a um país ainda hoje tão racista como são os Estados Unidos – este o maior feito de Barack Obama.
Impor-se ao respeito inabalado de todo esse país durante os oito anos na presidência – este o segundo maior feito de Barack Obama. O revertério que leva um primata patético a sucedê-lo sugere a dimensão gigantesca daqueles feitos.
O primeiro êxito e a decência cativante de Obama fizeram esperar-se dele mais do que fez. Ou, no mínimo, o principal dos seus compromissos de candidato: a retirada americana das áreas de guerra, a redução da presença militar dos EUA no mundo, o fim do crime imoral que é a prisão de Guantánamo, apesar de sem importância na opinião dos americanos, mas humilhante para o mundo que, acovardado, o testemunha.
Obama não apenas deixa forte presença militar no mundo, por muitos dita maior do que a encontrada. Foi da sua presidência a autorização para uso da nova arma que são os pequenos aviões não tripulados, ou drones, transformados em objetos assassinos.
Chefes ou suspeitos de ação anti-americana são assassinados do ar em países sem guerra com os EUA. O colar de bases americanos em torno da então URSS, que fez os soviéticos instalarem foguetes em Cuba para barganhá-los pela retirada das bases, ganhou com Obama nova versão. Os EUA montam, na Ásia e na Oceania, um arco de bases e arsenais em volta da China. Com Obama, as ânsias beligerantes dos EUA ficaram apenas menos ostensivas e mais educadas, sem troca de desaforos.
Do mesmo lote de compromissos principais do candidato, Obama fez três grandes realizações. Duas notórias: a economia em colapso foi oxigenada, com efeitos sociais ainda em progressão; e a persistente batalha que conseguiu vergar o Congresso para implantar um sistema público de saúde, o Obamacare já sob as picaretas dos republicanos.
A terceira foi a ação contra o racismo. Antecessor de Kennedy, o general Eisenhower usou contra o racismo agressivo a Guarda Nacional. Kennedy, como em quase tudo, dividiu-se entre a força e a demagogia.
Obama teve a inteligência e a originalidade de usar uma das armas mais raras entre os ditos civilizados: a naturalidade. Assim como para eleger-se não fez do racismo um tema de combate, na Casa Branca dirigiu-lhe poucas palavras: enfrentou-o com o seu dia a dia, com sua cara. Com a simbiose Barack-Michelle. Conscientizada ou não, a evidência penetrou fundo no país: nenhuma diferença entre brancos e negros.
O racismo não se extinguiu, talvez nem tenha se retraído em porção significativa, a Ku Klux Klan é sempre uma das bandeiras nacionais. Mas o antirracismo viveu dias gloriosos, para um futuro em que será difícil retrocedê-lo.
Mas um legado especial Barack Obama leva amanhã consigo: Michelle Obama, imagem consagrada, oradora brilhante, opinião e firmeza, potencial presidente dos Estados Unidos.
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Agricultura africana precisa ser repensada radicalmente


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Os agricultores e agronegócios de África poderão criar um mercado de alimentos de um trilhão de dólares em 2030 se conseguirem aumentar o acesso a mais capital, eletricidade, melhor tecnologia e terras irrigadas para o cultivo de alimentos nutritivos e se os governos africanos conseguirem cooperar mais estreitamente com os agronegócios com vista a alimentar a população urbana da região em rápido crescimento, segundo um relatório do Banco Mundial divulgado hoje.

De acordo com o relatório Growing Africa: Unlocking the Potential of Agribusiness, os sistemas alimentares de África, que atualmente representam USD 313 bilhões ao ano provenientes da agricultura, podiam triplicar se os governos e líderes empresariais repensassem radicalmente as suas políticas e o apoio à agricultura, agricultores e agronegócios que, no seu conjunto, são responsáveis por cerca de 50 por cento da atividade econômica de África.

Chegou a hora de tornar a agricultura e os agronegócios de África num catalisador para pôr fim à pobreza”, afirma Makhtar Diop, Vice-presidente do Banco Mundial para a Região África. “Nunca é demais enfatizar a importância da agricultura para a determinação de África no sentido de manter e impulsionar as suas elevadas taxas de crescimento, criar mais empregos, reduzir significativamente a pobreza e produzir suficientes alimentos nutritivos de baixo custo para alimentar as famílias, exportar os excedentes agrícolas, salvaguardando, ao mesmo tempo, o meio-ambiente do continente.

Agronegócios: fortes oportunidades de crescimento

Devido a uma combinação do aumento da população com um incremento dos rendimentos e da urbanização, a intensa procura está a fazer subir os preços globais dos alimentos e dos produtos agrícolas. Questões relacionadas com a oferta – abrandamento do rendimento dos principais cultivos agrícolas, redução de despesas com a investigação, degradação da terra e questões de escassez de água e alterações climáticas – significam, todas elas, que os preços  permanecerão altos. Neste novo clima do mercado, África tem um enorme potencial para expandir as suas exportações agrícolas e de alimentos.

África possui perto de 50 por cento da terra não-cultivada do mundo, própria para o cultivo de alimentos, compreendendo 450 milhões de hectares que não estão arborizados, protegidos ou densamente povoados. África utiliza menos de 2% das suas fontes renováveis de água, comparativamente a uma média mundial de 5%. É corrente as colheitas terem um rendimento bastante inferior ao seu potencial e, no que toca a alimentos básicos, como por exemplo o milho, essa lacuna no rendimento é da ordem de 60 a 80%. As perdas pós-colheita situam-se entre 15% e 20% para os cereais e são ainda mais altas para os produtos perecíveis por causa das deficientes condições de armazenagem e de outras infraestruturas agrícolas.

Os países africanos podem penetrar nos mercados florescentes de arroz, milho, soja, açúcar, óleo de palma, biocombustíveis e matérias-primas e emergir como principais exportadores destes bens nos mercados mundiais, a exemplo dos êxitos alcançados pela América Latina e Sudeste Asiático. Na África Subsariana, os setores mais dinâmicos são provavelmente o arroz, cereais forrageiros, aves, laticínios, óleos vegetais, horticultura e produtos transformados para abastecimento dos mercados nacionais.

O relatório chama a atenção para o facto de vir a ser necessária terra para alguns investimentos em agronegócios, podendo essas aquisições ser uma ameaça à subsistência das pessoas e criar oposição local, a menos que as compras ou arrendamentos de terras sejam conduzidos segundo padrões éticos e de responsabilidade social, incluindo o reconhecimento dos direitos dos utilizadores locais, consultas extensivas com comunidades locais e compensação ao justo valor de mercado pela terra adquirida.

O desenvolvimento dos setores da agricultura e dos agronegócios significa rendimentos mais altos e mais empregos. Permite também a África competir globalmente. Hoje em dia, o Brasil, Indonésia e Tailândia exportam mais produtos alimentares do que toda a África Subsariana junta. Isto tem de mudar”, afirma Jamal Saghir, Diretor do Banco Mundial para o Desenvolvimento Sustentável na Região África.

As Cadeias de Valor são essenciais  

Arroz: África tornou-se um dos principais consumidores e importadores de arroz e os africanos importam metade do arroz que comem e pagam caro, em torno de USD 3 500 milhões, ou mais, ao ano. Gana e Senegal são grandes importadores. O Senegal é competitivo entre os países vizinhos mas a sua capacidade está limitado pela dificuldade dos agricultores em terem acesso à terra, a capital, ao financiamento para expansão da irrigação e variedades de cultivos adequadas. O Gana produz menos variedades de arroz do que o Senegal mas a um custo consideravelmente mais alto e aplica tarifas de 40% e outras taxas sobre as importações. A fraca qualidade do cereal, as más condições de limpeza e de embalagem são grandes dissuasores junto dos consumidores, travando o desempenho do setor.

Milho: Produto alimentar essencial para muitos africanos, o milho ocupa uma área de 25 milhões de hectares ou 14% da terra cultivada. Na Zâmbia, onde as pessoas consomem em média 133 quilos de cereais ao ano, o milho fornece metade das calorias ingeridas na sua alimentação. No que toca às importações de milho, a Zâmbia é competitiva, o que já não é o caso para as exportações. Os elevados custos de transporte, o aumento dos custos laborais e os rendimentos mais baixos contribuem para um preço que é superior em 1/3 ao da Tailândia, um dos grandes produtores internacionais de milho irrigado pela chuva. O relatório defende que a competitividade futura da Zâmbia irá depender do aumento de rendimentos, da redução dos custos e da eliminação dos desincentivos ao setor privado nos mercados e no comércio.

O estudo analisou ainda as cadeias de valor do cacau no Gana e dos laticínios e feijão-verde no Quénia.

“É preciso capacitar os agricultores e negócios africanos através de boas políticas, maiores investimentos públicos e privados e fortes parcerias público-privadas”, afirma Gaiv Tata, Diretor do Banco Mundial para o Desenvolvimento do Setor Financeiro e Privado em África. “Um setor de agronegócios forte é vital para o futuro económico de África.”

Soluções

A agricultura e os agronegócios deveriam estar no topo da agenda de negócios e desenvolvimento da África Subsariana. O relatório apela a uma sólida liderança e a um compromisso firme do setor público e do privado. A título de comparação, o relatório cita estudos de casos do Uruguai, Indonésia e Malásia. Para se ter êxito, é fundamental o envolvimento de investidores estratégicos “com boas práticas”, assim como o reforço das salvaguardas, sistemas de administração das terras e rastreio de investimentos para um crescimento sustentável.

O relatório refere que África pode igualmente inspirar-se nos muitos sucessos locais para orientar os governos e investidores no sentido de resultados positivos no domínio económico, social e ambiental.

http://www.worldbank.org/pt/news/press-release/2013/03/04/africas-food-markets-could-create-one-trillion-dollar-opportunity-2030