Moçambicanos descontentes com a Procuradoria Geral da República

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Juristas consideram que a PGR não conseguiu responder aos principais anseios dos moçambicanos

Mais uma vez, a Procuradora-Geral da República não conseguiu responder aos principais anseios dos moçambicanos. Esta é a leitura feita por alguns juristas ouvidos pelo “O País”, relativamente ao terceiro informe apresentado por Biatriz Buchili.

“Nós temos um relatório descritivo, à semelhança dos anteriores. A procuradora foi quase vazia”, afirmou o jurista e criminalista Alcídio Sitoe, pouco depois da leitura do informe na Assembleia da República. “Referiu algumas dificuldades que está a enfrentar, mas, em concreto, o que é preciso mudar a nível institucional, legal ou mesmo político não disse”, acrescentou o jurista.

Para Elísio de Sousa, além de vazio, o informe é repetitivo. “Outra questão que vale a pena ressaltar é o facto de voltarmos a falar, sempre, dos mesmos assuntos. Um deles é o reforço doMinistério Público nas esquadras, desde de 2005 até hoje fala-se desse assunto”, referiu.

O criminalista afirmou ainda que, a cada ano que passa, a Procuradoria está a perder a sua autonomia. “A Procuradoria-Geral da República foi criada em 1989, mas de lá para cá têm-lhe sido arrancadas as competências, inclusive a autonomia de prender sem necessidade de flagrante delito”, esclareceu. Esta opinião é partilhada por Alcídio Sitoe, que também afirma que “a nossa Procuradoria não é frontal, a nossa Procuradoria é muito tímida em relação a crimes que envolvem pessoas ligadas ao poder ou ao partido no poder”.

Já Baltazar Fael, pesquisador do CIP, diz que esperava ver no informe uma informação mais substancial. “Não faz sentido nenhum vir transmitir a informação sobre as dívidas públicas exactamente como a imprensa fez; não faz sentido vir falar do caso da LAM como a imprensa fez. Que novidades é que este relatório traz, por que é que as pessoas precisam de se deslocar à Assembleia, o que elas vão lá ouvir, se não há nenhuma novidade?”, questionou.

 

http://opais.sapo.mz/index.php/politica/63-politica/44447-juristas-dizem-que-informe-da-procuradoria-foi-descritivo-repetitivo-e-vazio.html

Angola discute a experiência japonesa após a Segunda Guerra Mundial

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O ter em vista os objectivos do país pensando no futuro e a transparência como chave para o sucesso econômico foram as sugestões deixadas ontem, em Luanda, pelo conselheiro para avaliação de políticas do Ministério das Finanças do Japão.

Tomoya Asano, que falava no seminário sobre “ Experiência do Japão após a Segunda Guerra Mundial”, disse que Angola pode adoptar a transparência com todos parceiros e solicitou atitudes claras e um trabalho árduo do Executivo nesse sentido.
O seminário é o primeiro de um ciclo iniciado pelo Banco Nacional de Angola (BNA) e a  Agência de Cooperação Internacional do Japão ( JICA) consagrado à “Política monetária , cambial e fiscal” e à recuperação posterior sem perturbações política e económicas.
Tomoya Asano retratou a história, as fases de crescimento e desenvolvimento, bem como as tendências e desafios actuais da economia japonesa., a qual passou por reestruturações sociopolíticas, principalmente desde a Segunda Guerra Mundial, levando o império nipónico a mudanças que revolucionaram a economia e tornaram o Japão num país de destaque.
O Produto Interno Bruto “per capita” passou de 17.097 ienes em 1968, para 37.906 em 1990, relevando um  crescimento vertiginoso que superou as economias de países como Estados Unidos e Reino Unido. Tomoya Asano elogiou a política económica do Governo, que assegurou estar “no bom caminho”, o que coincide com o reconhecimento  do Fundo Monetário Internacional no relatório das “perspectivas económicas mundiais” divulgado na terça-feira
A ministra da Família e Promoção da Mulher, Filomena Delgado, congratulou-se com a experiência das mulheres japonesas  que também participaram no desenvolvimento da economia daquele país. “A privatização foi fundamental para o crescimento e, inseridas nas empresas, as mulheres conseguiram ajudar a ascensão da indústria transformadora  do Japão”, lembrou a ministra.
“Ao longo de décadas, a economia japonesa experimentou quedas e estagnações que tiveram respostas à altura por intermédio das políticas públicas desenvolvidas pelo Governo e também do sector privado, que desempenhou o seu papel na estabilização da economia”, acrescentou.
A economia japonesa está virada para os desafios do equilíbrio financeiro, cooperação internacional e gestão efectiva dos recursos disponíveis.  O Japão é o maior credor do mundo e, nos anos 60, substituiu os gastos militares a favor do crescimento económico, permitindo um rápido desenvolvimento conhecido como o “ milagre económico japonês”.

http://jornaldeangola.sapo.ao/economia/japao_transmite_experiencia_em_recuperacao_economica

José Maria Neves: “Em Cabo Verde é quase proibido ser ex-governante”

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O antigo Primeiro-ministro José Maria Neves afirmou que em Cabo Verde é quase proibido ser ex-governante, uma vez que, “quem assume tem que criminalizar aquele que desempenhou as funções anteriormente. Numa entrevista concedida á RCV, Neves disse que quase que não há lugar para os quadros que já governarem, o que prejudica os interesses do país.

José Maria Neves: “Em Cabo Verde é quase proibido ser ex-governante”

“Há um desperdício de recursos humanos e institucionais em Cabo Verde e isso não é bom para o país. Aqui, é quase proibido ser ex-governante, porque quem assume tem que criminalizar aquele que desempenhou as funções anteriormente”, defendeu.

Questionado se o próprio sente-se que está a ser criminalizado, o antigo governante explica que, “eu não necessariamente, mas sinto que as pessoas que estiveram comigo no anterior governo sim.

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Neves exemplifica a antiga ministra das Finanças, Cristina Duarte, a qual é neste momento, um quadro solicitado no plano internacional, mas em Cabo Verde há muita gente que, para poder afirmar-se, tem que tentar diminuir o prestígio e trabalho por ela, mesmo que isso prejudique o país.

José Maria Neves garante que essa falta de lugares para ex-governantes provoca um enorme desperdício de toda a experiência e contributo de pessoas relevantes para o desenvolvimento de Cabo Verde. Atirou ainda que, no nosso país tudo é efémero e ilusório e que “temos de ser mais consistentes em algumas coisas”.

Fonte:http://www.asemana.publ.cv/spip.php?article124459&ak=1

Angola e República Democrática do Congo pedem 120 mil toneladas de milho à Zâmbia

milho

Os governos de Angola e da República Democrática do Congo pediram à Zâmbia um total de 120 mil toneladas de milho. O pedido foi feito a semana passada, por representantes dos dois países durante um encontro com a ministra da Agricultura da Zâmbia, Dora Siliya.

A embaixadora congolesa na Zâmbia, Mayele Ghyor, pediu 100 mil toneladas de milho para a província de Lualaba e a embaixadora angolana, Balbina Dias da Silva, 20 mil toneladas em nome de Angola, refere o site de notícias zambiano Lusakatimes.

Apesar de a exportação de farinha, com enfoque para a produção local, ser a grande prioridade da Zâmbia e ser atualmente proibida a exportação de milho pelo país, a ministra Mayele Ghyor garantiu que o Governo está a ponderar os dois pedidos, muito devido ao facto de serem países vizinhos.

Comércio entre a China e os países lusófonos cresceu 32,6 %

O Brasil continua a chamar a si o estatuto de principal parceiro económico de Pequim, à frente de Angola e de Portugal. Nos dois primeiros meses do ano, a China e os países de língua portuguesa trocaram bens e produtos no valor de 14,84 mil milhões de dólares norte-americanos, revelaram as autoridades do Continente.

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As trocas comerciais entre a República Popular da China e os países de língua portuguesa subiram 32,6 por cento até Fevereiro, em termos anuais homólogos, para 14,84 mil milhões de dólares, indicam dados oficiais ontem dados a conhecer.

Dados dos Serviços de Alfândega do Continente, publicados no portal do Fórum de Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, indicam que a China comprou aos países de expressão lusófona bens avaliados em 10,28 mil milhões de dólares – mais 43,74 por cento – e vendeu produtos no valor de 4,56 mil milhões dólares – mais 12,97 por cento comparativamente aos primeiros dois meses do ano passado.

O Brasil manteve-se como o principal parceiro económico da China, com o volume das trocas comerciais bilaterais a cifrar-se em 10,35 mil milhões de dólares, valor que traduz um aumento de 35,64 por cento em termos anuais homólogos.

As exportações da República Popular da China para o Brasil atingiram 3,69 mil milhões de dólares, reflectindo uma subida de 27,61 por cento, enquanto as importações chinesas totalizaram 6,66 mil milhões de dólares, mais 40,54 por cento face aos primeiros dois meses de 2016.

Com Angola – o segundo parceiro chinês no universo da lusofonia – as trocas comerciais cresceram 42,40 por cento, atingindo 3,48 mil milhões de dólares.

Pequim vendeu a Luanda produtos avaliados em 252,1 milhões de dólares – menos 7,72 por cento – e comprou mercadorias avaliadas em 3,23 mil milhões de dólares – ou seja, mais 48,69 por cento do que em igual período de 2015.

Já com Portugal, terceiro parceiro da República Popular da China entre os países de língua portuguesa, o comércio bilateral cifrou-se em 704,9 milhões de dólares – menos 12,84 por cento –, numa balança comercial favorável a Pequim que vendeu a Lisboa bens na ordem de 425,3 milhões de dólares – menos 35,73 por cento – e comprou produtos avaliados em 279,5 milhões de dólares, isto é, quase o dobro (+90,26 por cento).

A China, recorde-se, estabeleceu a Região Administrativa Especial de Macau como plataforma para a cooperação económica e comercial com os países de língua portuguesa em 2003, ano em que criou o Fórum Macau, que reúne a nível ministerial de três em três anos.

São Tomé e Príncipe passou a fazer parte Fórum Macau no final de Março, após Pequim ter anunciado o restabelecimento dos laços diplomáticos com São Tomé e Príncipe, o que sucedeu dias depois de o país africano ter cortado relações com Taiwan e reconhecido a República Popular da China.

https://pontofinalmacau.wordpress.com/2017/04/18/comercio-entre-a-china-e-os-paises-lusofonos-cresceu-326-por-cento/

Senegal amplia espaço geopolítico na região

presidente

Presidente senegalês, Macky Sall,

 

Analista e partido político consideram inoportuna visita do Presidente  em Maio

A influência geopolítica do Senegal sobre a Guiné-Bissau tem ganho espaço nas últimas décadas, particularmente, a partir do conflito militar de 7 de Junho de 1998.

Esta situação já provocou um pronunciamento do presidente do Movimento Patriótico Guineense, José Paulo Semedo.

Para muitos observadores, o investimento das autoridades senegalesas tem recaído no capital político e diplomático, através de influência sobre os líderes políticos nacionais.

A anunciada visita do Presidente senegalês, Macky Sall, a Guiné-Bissau, em Maio, fez acordar sentimentos de suspeição dos reais interesses do Senegal no país, numa altura em que prevalece o conflito político entre os principais actores da vida nacional.

O líder do Movimento Patriótico, partido sem assento parlamentar, José Paulo Semedo, foi categórico ao acusar o Senegal de se envolver nas sucessivas crises internas na Guiné-Bissau.

“O presidente senegalês, é bom que saiba, que o povo guineense está atento porque atrás de todas as instabilidades do povo guineense, a mão das autoridades senegalesas está sempre presente. Por outras palavras, Sr. Presidente, Macky Saal, se não poder nos ajudar, não faça piorar a nossa situação”, disse Semedo.

Por seu lado, o jurista e investigador pelo Instituto Nacional de Estados e Pesquisa (INEP), Fodé Mané, aponta vários “factores geopolíticos e económicos” e também considera “inoportuna” a visita de Macky Sall à Guiné-Bissau.

http://www.voaportugues.com/a/influencia-senegal-guine-bissau/3815437.html

Cabo Verde uma “morabeza”, de um povo

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“Nabucodonosor!
Nabucodonosor!

Onde estão a tua espada
e a tua raiva
nas brumas suculentas de Santiago?

Os templos caíram em ruínas
desde quando a eternidade
ruía defronte dos galeões
e desfazia-se nos basaltos das ribeiras

As cidades de tão velhas
metamorfosearam-se em aldeias
e cobriam as faces da amnésia

Os campos continuam perscrutantes
e oferecem olhares melancólicos às urbes
do nosso querer

Os homens esses encontram-se presos
em plena cidade
pelas âncoras do vento

Nabucodonosor!
Nabucodonosor!”

(«Mitologia Crioula», do poeta cabo-verdiano José Luiz Hopffer Almada).

 

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Cabo Verde, um país com manto esverdeado sobretudo quando as chuvas intermediadas com o sol lhe ativam essa cor tão significativa: verde de esperança, verde de prosperidade. Verde de um povo e de uma terra que tem tudo para poder esperar e prosperar, e que tem mormente em si aquela expressão única e típica crioula: a «morabeza»! E que se traduz, precisamente, na gentileza e no bom trato tão peculiares das suas gentes (conforme ilustram as dezenas de rostos que fotografamos e que se exibem na principal imagem-composição de abertura). Esta reportagem, realizada in loco, não abrange as 10 ilhas vulcânicas do arquipélago, focando-se contudo e somente na ilha de Santiago, a sudeste (compondo com outras três sulistas as ilhas de Sotavento). Não é, certamente, das mais turísticas como a da Boa Vista ou a do Sal (a norte, como ilhas de Barlavento), mas – inevitavelmente – é a maior, com o principal aglomerado populacional e acaba por ser a mais importante cultural e institucionalmente, ao ser o berço da cabo-verdianidade e, portanto, ao ter em si a capital e outras maravilhas mais que aqui vamos salientar e revelar pelas respetivas fotografias.

Santiago tem, atualmente, cerca de 260 mil habitantes (metade da população que vive em todo arquipélago, à exceção da ilha de Santa Luzia, a única não habitada), dos quais aproximadamente 120 mil residem na cidade da Praia (preenchem o “top3” das cidades cabo-verdianas mais populosas as localidades de Mindelo, em São Vicente, e de Santa Maria, no Sal).B-No-texto-depois-do-leed-e-antes-do-primeiro-subtítulo-1-300x300

Adentrar Santiago – e nas suas baías e enseadas e densas montanhas escarpadas – é reavivar a História, é encontrar as memórias de outros tempos, no silêncio e nas ruínas da Cidade Velha, antiga Ribeira Grande, primeira cidade/colónia portuguesa (aquando do descobrimento da ilha/arquipélago, em 1460) e primeira capital cabo-verdiana (antes da cidade de Praia e de quem dista 10km). E essa Cidade Velha – sempre monumental com as ruínas da catedral, a fortaleza real de São Filipe, o pelourinho e o convento de São Francisco – revela ainda hoje a sua ascendência europeia, enquanto as populações que habitam nas montanhas, cujos antepassados foram escravos que fugiram à repressão, denotam comportamentos culturais tipicamente africanos. “A vulnerabilidade da sua orla costeira, exposta a constantes ataques de piratas e corsários, determinou o seu declínio e transferência, em 1770, da capital e sede do governo do arquipélago para a cidade da Praia”, assim reza o historial do país, com o seu vasto legado.

Explorar Santiago é mergulhar na mais africana de todas as ilhas da nação, é deslumbrar a nitidez dos contrastes patentes numa infinidade de verdejantes montes e vales e latentes nos percursos e trilhos de pedras e rochas vulcânicas, por vezes desconhecidos, ainda por calcorrear. E desbravar Santiago é poder deleitar no seu estilo e no jeito das suas gentes, é visitar os seus mercados – como o popular de Sucupira, no Plateau (centro da capital), recheado de produtos, nomeadamente agrícolas, oriundos das hortas do interior da ilha – ou a feira de Sucupira, extraordinariamente africana e onde se encontra um pouco de tudo. Ambas são um retrato antropológico e fiel do local. Andar por Santiago é também passar por bancas e banquinhas ao longo das estradas e dos jardins, recheadas de artesanato local, de ‘snacks’ e de doces/bolos tradicionais; é cheirar a terra, o enxofre, na terra acastanhada do calor de África; é observar o milhafre, o falcão, a garça, o pardal (ora de Algodoeiro ora da Barbaria) e, claro está, a linda Passarinha de pena azul (= ‘Halcyon leucocephala’, de 22cm), esse belíssimo pássaro típico cabo-verdiano de bonita coloração e com grande bico laranja, que encontrávamos sempre nas mesmas árvores – ora na palmeiras do hotel ora naquele arbusto daquela rua – com o seu estridente canto característico, e sempre às mesmas horas, como que marcando um encontro diário, num desejo de ser encontrado (só existe nas ilhas de Santiago, Fogo e Brava).

Entrar em Santiago, que não somente no fulgor da capital, é penetrar no seu interior místico, é entrar no colorido mercado da Assomada (um importante ponto comercial, numa mistura entre campo e cidade); é chegar ao Pico d’ Antónia, o ponto mais elevado da ilha; é apreciar as raízes do país, as marcas do povoamento e os seus traços mistos tanto de ruralidade como de urbanidade, numa fusão de paisagens estonteantes; é escutar o canto das cigarras e balançar o corpo e a alma pelos ritmos frenéticos do batuque (tantas carrinhas de ‘caixa aberta’ circulam nas ruas com colunas e aparelhagens, ecoando alto os sons africanos, para todos ouvirem); é, com naturalidade, buzinar muito uns para os outros: não para reprovar qualquer incorrecção da sua condução, mas para os saudar com alegria e, ao mesmo tempo, para acenar com empatia; é reparar na candura de tantas crianças que brincam com pneus e com carrinhos feitos de latas de atum mais arame; é passear por todos os seus municípios, que não apenas o da Praia: desde a Ribeira Grande de Santiago, Santa Cruz, São Domingos, São Lourenço dos Órgãos, São Miguel, São Salvador do Mundo até ao Tarrafal. E por falar nesta localidade, bem a norte…

Gostar de Santiago é, igualmente, deitar nas suas bonitas praias (e sem toalhas, para os cabo-verdianos em geral), encimadas pelo Tarrafal – uma das mais paradisíacas de todo o arquipélago, envolta numa baía rodeada de coqueiros e onde se pode beber diretamente do coco natural (uma atração local) –, em que os areais de Gamboa, Mulher Branca, Prainha e Quebra-Canela completam o cenário. Ainda no Tarrafal, de abordar que esse concelho alberga, também, um ex-campo de concentração, hoje transformado em museu. Criada pelo Governo Português em 1936, a Colónia Penal do Tarrafal, também conhecida como “Campo do Tarrafal”, foi durante anos local de atrocidades e atentados aos direitos humanos, até ser encerrado em 1954. Por fim, vislumbrar Santiago é também mencionar a sua flora, é admirar, portanto, espécies como o marmulano, o dragoeiro, o tortolho, a língua de vaca, o lantisco, a losna, a acácia, a tamareira cabo-verdiana, o tamarindo, o zimbrão, a calabaceira, o bombardeiro, o poilão, o barnelo, o espinho branco e a figueira-brava.

Porventura, alguém estranhará como abordar Santiago não é registar, também, as suas grandes tartarugas e a sua reserva natural cabo-verdiana. E por duas razões muito simples: primeira, apenas se vê a desovação das tartarugas nas ilhas orientais do arquipélago (Sal, Boa Vista e Maio), cuja concentração é maior, por se encontrarem na rota das migrações dos tunídeos (são muitos em determinados meses do ano); e, segunda, porque a caça da tartaruga em Cabo Verde é proibida.

CELEBRAÇÃO DAS FESTAS REGIONAIS EM SANTIAGO
Se esta sugestão de (re)visita ao país de Amílcar Cabral (pai da independência cabo-verdiana como colónia portuguesa, em 1975) – das cantoras Cesária Évora, Sara Tavares, Mayra Andrade e Lura, de Tito Paris (entretanto condecorado), e de tantos poetas –se já for tardia para esta Páscoa, há sempre a oportunidade de encaixar esta viagem em qualquer ocasião. No
entanto, recomendamos uma ida até ao final de maio, dado ser o mês com maior registo de festas regionais na ilha de Santiago, das que realizam ao longo do ano. A saber, cronologicamente, e contando ainda com este mês de abril: 23 de abril, festa do dia de S. Jorge, em São Jorge dos Órgãos; 30 de abril (normalmente são 15 dias depois da Páscoa, logo este ano calha nesse domingo), festa de São Salvador do Mundo, nos Picos; 1 de maio, festa do dia de S. José (feriado), na Serra Malagueta; 3 de maio, festa de Nha Bela Cruz, em Santa Cruz; 8 de maio, festa de S. Miguel Arcanjo, na Ribeira de S. Miguel; 13 de maio, festa do dia de N.ª Sr.ª de Fátima, em Assomada; 19 de maio, festa do dia do município da Praia (feriado só na capital), com o habitual Festival da Gamboa ao longo de três dias e sendo uma marca por excelência dos eventos culturais da capital (conta com a participação de artistas nacionais e estrangeiros); e 31 de maio, festa do dia da Imaculada Conceição, na Ribeira da Barca. Tudo bons motivos a fim de se festejar e respirar Cabo Verde e a sua linda «morabeza»!

http://www.porto24.pt/praca/cabo-verde-morabeza-um-povo-suas-terras-2/

Presidente português reconhece injustiça da escravatura em visita a Gorée – Senegal

 

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O Presidente português considerou na quinta-feira, no Senegal, que o poder político reconheceu a injustiça da escravatura quando a aboliu em parte do seu território, “pela mão do Marquês de Pombal, em 1761”.

 

Marcelo Rebelo de Sousa deixou esta mensagem no final de uma visita a uma antiga casa de escravos do tempo dos holandeses, na ilha de Gorée, ou Goreia, em frente a Dacar, capital do Senegal, lugar que foi um entreposto do tráfico desde o século XVI, sob domínio português, até ao século XIX, e onde o Papa João Paulo II pediu perdão pela escravatura.maison des esclaves.jpg
Marcelo Rebelo de Sousa iniciou na terça-feira uma visita de Estado de dois dias ao Senegal, a primeira de um Presidente português a este país da África Ocidental, antiga colónia francesa, que se tornou independente em 1960.
Ao falar primeiro em francês, o Chefe de Estado português declarou que “quando nós abolimos a escravatura em Portugal, pela mão do Marquês de Pombal, em 1761 – e depois alargámos essa abolição mais tarde, no século XIX, demasiado tarde -, essa decisão do poder político português foi um reconhecimento da dignidade do homem, do respeito por um estatuto correspondente a essa dignidade”.
“Nessa medida, nós reconhecemos também o que havia de injusto e de sacrifício nos direitos humanos, como diríamos hoje em dia, numa situação que foi abolida”, acrescentou o estadista.

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Depois, Marcelo Rebelo de Sousa repetiu a mensagem em português: “Recordei que Portugal aboliu, pela mão do Marquês de Pombal, pela primeira vez, a escravatura, numa parte do seu território em 1761 – embora só alargasse essa abolição definitivamente no século XIX -, e que nesse momento, ao abolir, aderiu a um ideal humanista que estava virado para o futuro”.
Essa decisão reconhecia o que tinha havido de injusto, o que tinha havido de condenável no comportamento anterior, relativamente a séculos em que esses direitos não foram devidamente reconhecidos, reiterou o Presidente.
Segundo Marcelo Rebelo de Sousa, o que fica de mais importante desta visita à “Casa dos Escravos” de Gorée é “a lição de esperança num futuro melhor” e a ideia de que “é preciso continuar a lutar pelos direitos humanos, contra as formas de escravatura que existem, contra as opressões, contra as ditaduras, contra os totalitarismos”. “Ainda hoje, infelizmente, é tão necessário”, lamentou o Chefe de Estado de Portugal. No segundo dia em Dacar, o Chefe de Estado português foi também à Casa-Museu Léopold Senghor, primeiro Presidente do Senegal, e participou num debate com professores e alunos de língua portuguesa.

Integração na CPLP

O Presidente português considerou que o Senegal “fala português” e tem “uma porta aberta” para assumir “um papel essencial” na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), da qual já é membro observador. Em declarações aos jornalistas na ilha de Gorée, Marcelo Rebelo de Sousa disse que é impressionante a presença da língua portuguesa neste país, que tem 46 mil jovens a falar português. O Senegal fica próximo de dois países lusófonos. As ilhas de Cabo Verde estão em frente à sua costa, a cerca de 600 quilómetros, e faz fronteira com a Guiné-Bissau a sul, aproximando-se de Portugal também pela sua importância regional e pela língua portuguesa, que ali é estudada por milhares de alunos. Desde 2008, tem estatuto de observador da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
A comunidade portuguesa ronda as 200 pessoas, embora apenas cerca de 50 estejam registadas nos serviços consulares. A ilha de Gorée é um património da Humanidade classificado pelo Fundo das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em 1978 e representa um memorial da escravatura. De Gorée, foram embarcados escravos de África para as Américas até ao século XIX e a ilha mantém como memória e símbolo desse passado uma “Casa dos Escravos”, do tempo dos holandeses, ligada ao mar por uma “Porta do Não Retorno”.
Foi nesta ilha, a menos de 20 minutos de barco da capital do Senegal, que o Papa João Paulo II pediu perdão pela escravatura em 1992, quando afirmou: “A partir deste santuário africano do sofrimento negro, imploramos o perdão do céu.”
Em 2005, dias depois da morte do Papa João Paulo II, o então Presidente do Brasil, Lula da Silva, visitou Gorée e repetiu esse gesto. Embora referindo que não tinha “nenhuma responsabilidade com o que aconteceu” no período da escravatura, declarou “Perdão pelo que fizemos aos negros”.
Os navegadores portugueses foram os primeiros a chegar a esta ilha, em 1444, num feito atribuído a Dinis Dias, e deram-lhe o nome de Ilha da Palma. Depois, no período filipino, foi tomada pelos holandeses e posteriormente pelos franceses, pelos ingleses e novamente pelos franceses.
Além de João Paulo II e de Lula da Silva outras personalidades mundiais visitaram a histórica ilha de Gorée. O então primeiro-ministro francês, Michel Rocard, visitou a região em 1981. Também três Presidentes norte-americanos, Bill Clinton em 1998, George W. Bush em 2008 e Barack Hussein Obama em 2013 visitaram a ilha senegalesa e aí assumiram o “mea culpa” dos respectivos Estados na escravatura. Estima-se que pelo menos 12 milhões de escravos africanos tenham sido capturados e retirados do continente, ao longo do triste período do comércio negreiro.

http://jornaldeangola.sapo.ao/mundo/portugal_reconhece_injustica_da_escravatura

Edward Enninful, director da revista Vogue britânica

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A primeira vez em cem anos de história, a Vogue britânica escolheu um homem negro para director da revista. Edward Enninful, do Gana, prepara-se para dirigir uma das mais influentes publicações de moda do mundo.Edward Enninful

Num comunicado, a Condé Nast International, empresa que detém a Vogue, descreveu Enninful como “uma figura influente nas comunidades da moda, Hollywood e música, que molda o espírito cultural da época”.Edward Enninful,

Enninful chegou a Londres aos 16 anos, onde começou a carreira no mundo da moda. Três anos depois, chegou a director da revista “i-D”, tornando-se no mais jovem na história da publicação.

Com 45 anos, o ganês foi condecorado em Outubro passado com o título Officer of the Most Excellent Order of the British Empire pelo seu contributo para a moda.

O novo cargo da Vogue britânica será assumido a 1 de Agosto.

Protestos contra o presidente da Africa do Sul

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Dezenas de milhares de pessoas manifestam-se hoje nas ruas de Pretoria para exigir a demissão do presidente sul-africano, Jacob Zuma, numa nova ação de protesto da oposição, antes da votação de uma moção de censura no parlamento.

Menos de uma semana após uma primeira vaga de manifestações em várias cidades da África do Sul, a capital é palco de uma marcha que deve terminar junto à sede do governo, com os participantes aos gritos de “Zuma deve cair”.

A manifestação conta sobretudo com militantes da Aliança Democrática (DA) e dos Combatentes pela Liberdade Económica (EFF), os dois principais partidos contra o Congresso Nacional Africano (ANC) no poder.

Atolado há meses numa série de casos de corrupção, o chefe de Estado enfrenta uma nova tempestade política desde a remodelação do governo feita a 30 de março.

A demissão do ministro das Finanças Pravin Gordhan, que se opunha a Zuma em nome da transparência da gestão dos fundos públicos, provocou a cólera da oposição e a deterioração da classificação financeira da África do Sul.

A remodelação provocou também uma crise aberta no seio do ANC.

Na sexta-feira, foram também dezenas de milhares as pessoas que desfilaram em várias cidades sul-africanas para pedir a saída de Zuma e a DA e os EFF apresentaram no parlamento uma nova moção de censura contra o chefe de Estado.

Zuma qualificou os protestos de “racistas”, embora neles estivessem representadas todas as etnias, religiões e culturas do país.

O Parlamento da África do Sul anunciou na quarta-feira o adiamento da votação da moção de censura ao presidente Jacob Zuma, até que o tribunal decida se a mesma deve ser feita por voto secreto.

Os partidos da oposição defendem a moção de censura poderá vencer, se a votação for feita por voto secreto. No entanto o partido do Congresso Nacional Africano, que tem a maioria no parlamento, já adiantou que votará contra a moção.