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Os direitos humanos das mulheres na Etiópia

Decorreu hoje, no Parlamento Europeu, a Conferência Women’s Inferno in Ethiopia, The Plight of Women from Ogaden, Oromo, Benishangul-Gumuz, Gambella & Sidama, evento em que a eurodeputada Liliana Rodrigues foi a anfitriã, numa organização conjunta entre o seu gabinete, a Unrepresented Nations & Peoples Organization e a People’s Alliance for Freedom and Democracy.

O principal objectivo da conferência foi contribuir para que a sistemática violação dos direitos humanos, principalmente das mulheres, que ocorre na Etiópia vai para 26 anos, continue na agenda do dia do Parlamento Europeu e dos seus Estados Membros, sensibilizando para a tomada de medidas concretas com vista à resolução desta situação.

Perante uma plateia que ultrapassou a centena de pessoas – integrando também um grupo de visitantes da Região Autónoma da Madeira -, Liliana Rodrigues, representantes de vários movimentos de oposição da Etiópia, activistas dos direitos humanos e das mulheres e também a eurodeputada Julie Ward, apresentaram relatos emotivos acerca da violência praticada pelo governo etíope. Sobressaiu o momento em que Denboba Natie, da Frente de Libertação Nacional de Sidama, discursou em pé e pediu que todos se levantassem em homenagem àqueles que sofrem e morrem na Etiópia. No decorrer dos dois painéis, fez-se não apenas o diagnóstico, mas também se apontaram caminhos a seguir no relacionamento da União Europeia com este país, nomeadamente a necessidade de repensar as ajudas ao desenvolvimento e as humanitárias, assim como a criação de um mecanismo europeu encarregue de supervisionar se esse dinheiro chega realmente onde e a quem dele necessita.

Para Liliana Rodrigues, apesar das resoluções do Parlamento Europeu e das declarações do Serviço Europeu para a Ação Externa, a resposta internacional à questão da Etiópia tem sido, de forma geral, muito discreta face à repressão nas diferentes regiões etíopes, aos desaparecimentos forçados, às violações, às detenções arbitrárias, à expropriação de terras e outros meios de subsistência ou aos continuados ataques à liberdade de expressão e de associação.”

A necessidade de uma política integrada face à Etiópia e a todos os países que falham nos seus compromissos relativos aos direitos humanos, à democracia e ao Estado de Direito deve ser uma prioridade da União Europeia, não podendo, no entender de Liliana Rodrigues, “utilizar-se a ajuda internacional como uma ferramenta política ao serviço do governo, nem permitir que o desenvolvimento esteja apenas ao alcance daqueles que são próximos do poder”. Para a eurodeputada, algumas das medidas a tomar passam por “uma monitorização mais proactiva da ajuda à Etiópia e a vinculação da nossa política comercial às suas obrigações em termos de direitos humanos, o mesmo valendo para a responsabilidade das multinacionais a operar e a lucrar em solo etíope”.

Perante os inúmeros relatos e factos apresentados, Liliana Rodrigues mostra-se especialmente preocupada com a situação das mulheres e meninas etíopes: “É impossível não ficarmos impressionados com os relatos na primeira pessoa. Com relatos de elementos do exército e das forças de segurança a violarem mulheres em público, algumas vezes na presença dos seus maridos e filhos. A crueldade com que a violência sexual é cometida desafia toda a descrição e compreensão. A violação está a ser usada como arma de guerra, como forma de subjugar a população e como vingança face a opositores políticos. Essas mulheres e meninas estão a ser atacadas não apenas para desumanizá-las, mas também para humilhar, punir, controlar e infligir medo sobre a população civil”.

No final da Conferência, houve ainda tempo para uma breve troca de impressões entre os oradores, os elementos do público e o representante da Embaixada da Etiópia.

http://www.dnoticias.pt/mundo/liliana-rodrigues-alerta-para-o-drama-das-mulheres-na-etiopia-BA1103300

África do Sul suspendeu importação de carne do Brasil

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Funcionários de portos de todo o país estão orientados a inspecionar todos os contêineres de carnes vindos do Brasil.

A África do Sul comunicou nesta quarta-feira (22) que suspendeu a importação de carne brasileira de empresas envolvidas na Operação Carne Fraca, da Polícia Federal. As informações foram confirmadas pelo Ministério da Agricultura.

De acordo com o Departamento de Agricultura da África do Sul, funcionários de portos de todo o país estão orientados a inspecionar todos os contêineres de carnes vindos do Brasil.

Em 2016, a África do Sul importou cerca de US$ 120 milhões em carnes do Brasil. Entre os produtos importados estão carne bovina, de frango e suína. O valor está bem abaixo dos principais importadores de carne do Brasil, como a China e Hong Kong, que no ano passado compraram o equivalente a US$ 1,75 bilhão e US$ 1,5 bilhão.

O G1 procurou a embaixada da África do Sul e o Ministério da Agricultura. Até as 12h, os órgãos não haviam enviado um posicionamento.

5745470_x720Países que suspenderam a importação

Além da África do Sul , restringiram oficialmente a importação de carne brasileira:

Principais importadores

Saiba quais são os principais compradores de carne brasileira, segundo o Ministério da Indústria e Comércio Exterior:

1) China – US$ 1,75 bilhão (13% do total)

2) Hong Kong – US$ 1,51 bilhão (11,2% do total

3) Arábia Saudita – US$ 1,27 bilhão (9,4% do total)

4) Rússia – US$ 1,03 bilhão (7,6% do total)

5) Japão – US$ 747 milhões (5,5% do total)

6) Países Baixos – US$ 715 milhões (5,3% do total)

7) Egito – US$ 690 milhões (5,1% do total)

8) Emirados Árabes Unidos – US$ 585 milhões (4,3% do total)

9) Chile – US$ 441 milhões (3,2% do total)

10) Reino Unido – US$ 389 milhões (2,9% do total)

A operação

Deflagrada pela Polícia Federal na semana passada, a Operação Carne Fraca investiga corrupção de fiscais do Ministério da Agricultura, suspeitos de receberem propina para liberar licenças de frigoríficos. Segundo a PF, partidos como o PP e o PMDB também teriam recebido propina.

Além de corrupção, a PF também apura a venda, pelos frigoríficos, de carne vencida ou estragada, dentro do Brasil e no exterior.

As investigações envolvem empresas como a JBS, que é dona de marcas como Friboi, Seara e Swift, e a BRF, dona da Sadia e Perdigão, além de frigoríficos menores, como Mastercarnes, Souza Ramos e Peccin, do Paraná, e Larissa, que tem unidades no Paraná e em São Paulo.

Na segunda, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, já havia anunciado a suspensão das exportações dos 21 frigoríficos investigados pela PF. Três deles fora interditados e pararam a produção. Os outros 18 podem continuar a vender dentro do Brasil.

O Ministério da Agricultura também afastou preventivamente os 33 servidores da pasta que são investigados na Operação Carne Fraca. Segundo o ministério, esses servidores vão responder a processo administrativo disciplinar.

http://g1.globo.com/economia/noticia/africa-do-sul-suspende-importacao-de-carne-brasileira-apos-operacao-da-pf-diz-agencia.ghtml

Representatividade negra no audiovisual

O RioContentMarket 2017 teve sua abertura oficial na noite de 7 de março, em cerimônia para convidados, patrocinadores e imprensa apresentada pelos atores Lázaro Ramos e Camila Pitanga. O maior mercado audiovisual da América Latina chega a sua sétima edição composto por rodadas de negócios, painéis e apresentações exclusivas, entre os dias 8 e 10 de março, no Hotel Windsor Barra, no Rio de Janeiro. Entre os convidados que cruzaram o tapete vermelho, especialmente preparado para a ocasião, passaram nomes reconhecidos do teatro, do cinema e da televisão como Ruth de Souza, Antonio Pitanga, Elisa Lucinda, Maria Ceiça, Cris Vianna, Luís Miranda.

Lázaro-Ramos-e-Ruth-de-Souza

Em seu discurso de boas-vindas, Mauro Garcia, presidente-executivo da BRAVI, realizadora do evento, disse que o RioContentMarket busca construir pontes e fazer conexões entre os segmentos do audiovisual. “Aqui somos plurais. De todas as cores ideológicas, de todas as bandeiras, de todos os elos que formam a cadeia produtiva do audiovisual. Todos reunidos para celebrar boas obras e bons negócios”.

Nilcemar-Nogueira

Na sequência, subiu ao palco a secretária municipal de Cultura do Rio de Janeiro, Nilcemar Nogueira. “O evento é de relevância extrema ao conduzir a nossa cidade a um dos mais importantes segmentos da cultura mundial. É a demonstração da força da cidade do Rio como polo agregador de um segmento que vem crescendo nas últimas décadas. Entre 2009 e 2014, a RioFilme investiu R$ 185 milhões em quase 500 iniciativas cariocas,” disse.

Camila-Pitanga-e-Antônio-PitangaEngajados na luta pela representatividade negra no audiovisual, Lázaro Ramos e Camila Pitanga foram enfáticos ao falar da importância dessa temática no evento. “O negro no audiovisual atende à demanda da sociedade.

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07 FEVEREIRO 2017 – RIO DE JANEIRO – Cerimonia de abertura do Rio Content Market. Foto: Rogerio Resende

Histórias bem contadas alegram a todos, e o público negro consumidor é vasto, crescente e ainda não é bem representado”, opinou o ator. Pitanga complementou dizendo que “essa atuação ainda é muito baixa em um país onde metade da população é negra, e não se vê representada na mídia. Não nos referimos apenas àqueles que estão na frente das câmeras, mas também aos que estão por trás delas, escrevendo, produzindo e dirigindo”.singleton

A cerimônia de abertura foi encerrada com a première mundial da nova série do diretor John Singleton, ‘Rebel”, que estreia ainda este mês nos EUA no canal BET – Black Entertainment Television.  Tanto Singleton, que também é produtor-executivo da série, quanto a atriz Danielle Moné Truitt, protagonista de ‘Rebel’, e a executiva Zola Mashariki, vice-presidente e diretora de Programação Original da BET, estiveram no evento.

‘Rebel’ conta a história de Rebecca Wilson, ex-policial da cidade de Oakland (Califórnia). Ela deixa a corporação após a morte de seu irmão mais novo, causada por outro policial, e como investigadora particular enfrenta vingança dos antigos companheiros e a violência inerente contra a população negra, principalmente contra as mulheres. A opressão e justiça social e racial permeiam a obra de Singleton. Entre seus trabalhos dirigiu episódios de séries como ‘The People vs O. J. Simpson: American Crime Story’ (2016); ‘Empire’ (2015) e ‘Billions’ (2016) e é responsável por longas como ‘Shaft’ (2000). Tornou-se conhecido em 1991, por ser o mais jovem diretor indicado ao Oscar pelo filme ‘Os Donos da Rua’, que discute a vida de três jovens da periferia de Los Angeles.MV5BNWRhMWQxZGQtNmM1Yi00NDRjLTlhYjUtNjUxMWMxNjM1NTA0XkEyXkFqcGdeQXVyNzIwNTAzODA@._V1_SY1000_CR0,0,772,1000_AL_

 

 

John-Singleton_Históriaa-arrancadas-do-peito-300x200“Quando eu era adolescente, tinha pesadelos sobre virar adulto. Eu morava em um bairro difícil, como as favelas daqui. Não que eu tivesse danos psicológicos, mas era um sentimento que transbordava, e isso está no filme ‘Boyz n the hood’ (Os Donos da Rua).” As palavras são de John Singleton, reconhecido diretor de Hollywood, que se encontra no RioContentMarket para falar sobre a sua mais nova produção, o seriado ‘Rebel’. Os participantes do evento, contudo, não conseguiram evitar falar sobre o clássico de 1991 e Singleton não hesitou em responder. “Eu não sabia o que estava fazendo, não sabia como dirigir um filme. E continuo fazendo isso: em cada projeto eu preciso me encontrar para achar a alma da obra e esculpi-la”, disse.

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Entrevistado pelo diretor brasileiro, Jefferson De, e pela diretora de Programação Original do canal BET, Zola Mashariki, Singleton falou sobre o processo de produção de ‘Rebel’, suas influências e sua obra em termos gerais. “Eu sou o tipo de diretor que planeja tudo com antecedência, mas quando chega o momento… é como o jazz. A gente começa a brincar, a mexer com os personagens. Eu mesmo pego a câmera e experimento”.

 

Entre as influências para a criação de ‘Rebel’, o diretor mencionou o filme noir dos Estados Unidos das décadas de 40 e 50, época de Humphrey Bogart e de personagens sombrios, uma estética influenciada pela segunda guerra mundial.

“Eu quis fazer algo similar com uma mulher negra, que nesse caso tem que solucionar uma guerra dentro de casa. Por isso, será muito diferente do que já foi visto”, disse o diretor.

 

Zola Mashariki, por sua vez, contou como o projeto chegou às suas mãos. “Ele falou que não seria apenas mais uma série policial, mas estaria focada na construção da personagem. Não queríamos que fosse uma mulher negra idealizada, mas mostrar uma pessoa real, com suas virtudes e falhas”.

Executiva do BET destaca o envolvimento dos talentos e audiência para o aumento da representatividade negra no audiovisual

Dando continuidade às discussões sobre a representatividade negra no mercado audiovisual, Zola Mashariki, diretora de conteúdo do BET (Black Entertainment Television), do grupo Viacom, contou sobre seu compromisso em promover talentos negros e outras minorias entre os principais players do mercado audiovisual.

Durante a conversa com o ator Lázaro Ramos e com Viviane Ferreira, advogada especialista dos direitos autorais e presidente da APAN – Associação de Profissionais do Audiovisual Negro, Zola fez sugestões para que a representatividade no audiovisual brasileiro siga os mesmos caminhos trilhados pela norte-americana, que está adiantada em relação ao reconhecimento sobre rentabilidade e demanda junto à audiência.

Entre as recomendações, a executiva sugeriu que os profissionais deem espaço e atenção aos novos talentos, que por sua vez, devem se unir a grupos com os mesmos ideais, além de criar suas próprias oportunidades, realizando histórias que realmente acreditam. Sobre a narrativa, Zola acrescentou: “o entretenimento deve ser o objetivo do conteúdo, ainda que haja o intuito de transmitir uma mensagem social. A audiência quer se divertir, se emocionar”.

Zola, que afirma ter aceitado o convite para a sétima edição do RioContentMarket com o propósito de unir forças com o mercado brasileiro e explorar negócios para o canal BET, destacou a importância dos talentos para envolver a audiência com o conteúdo em que há representatividade das minorias, já que a demanda é fundamental para o crescimento das oportunidades.

 

RIOCONTENTMARKET 2017 celebrou AFROBRASILIDADE E PARCERIAS
Os corredores do espaço de convenções do Windsor Barra Hotel, no Rio de Janeiro, ficaram lotados durante o RioContentMarket, que recebeu 3.700 participantes de 8 a 10 de março. O ânimo dos produtores independentes e a resiliência de um mercado que não se deixou afetar pela turbulência da economia brasileira ficaram evidentes. “Reunimos o mesmo número de participantes do ano passado, resultado excelente se pensarmos que estamos vivendo um cenário econômico pouco favorável”, avalia Mauro Garcia, presidente-executivo da Brasil Audiovisual Independente (BRAVI), entidade realizadora do evento.

O Brazilian Content, projeto de exportação realizado pela BRAVI em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), promove durante o RioContentMarket rodadas de negócios exclusivas entre as empresas apoiadas pelo projeto e compradores internacionais presentes no evento. Além dos encontros com emissoras de TV e plataformas estrangeiras, o Brazilian Content é responsável pela atração de delegações de produtores internacionais e pelo matchmaking com empresas brasileiras. Neste ano, em parceria com os projetos também apoiados pela Apex-Brasil, Brazil Music Exchange (executado pela BMA) e Brazilian Game Developers (realização da Abragames), o Brazilian Content promoveu a presença de empresas dos setores de música e games no RioContentMarket. Muitas empresas apoiadas pelos projetos Cinema do Brasil e Film Brazil, também realizados em parceria com Apex-Brasil pelo Siaesp e Apro, respectivamente, participam naturalmente do evento, uma vez que atuam no setor audiovisual.

A sétima edição do RioContentMarket, que se consolidou como o maior mercado audiovisual da América Latina, somou 1.281 projetos audiovisuais apresentados e 1.421 reuniões nas Rodadas de Negócios, 20% mais do que no ano anterior. O número de patrocinadores e expositores cresceu 54%, e também houve aumento significativo na quantidade de players e keynote speakers: em 2016, foram 197 players contra os 269 dessa edição, e 28 keynote speakers no ano passado contra 37 nesse ano.

O evento recebeu players de 30 países, como Alemanha, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Coreia do Sul, Dinamarca, Estados Unidos, México, Reino Unido e Rússia. Cinco delegações internacionais também vieram ao evento: Argentina, Canadá, França, Chile e Paraguai, as duas últimas pela primeira vez, o que reforçou os laços entre o Brasil e países latino-americanos. Executivos de canais como Telefe, Caracol, TV Azteca e Señal Colombia, bem como de produtoras como a Zumbastico Studios (Chile), vieram ao Rio de Janeiro com o objetivo de desenvolver coproduções. Players de 24 estados brasileiros também compareceram às Rodadas de Negócios, incluindo as delegações de Ceará, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

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07 FEVEREIRO 2017 – RIO DE JANEIRO – Cerimonia de abertura do Rio Content Market. Foto: Davi Campana

Nomes de peso no mercado participaram como palestrantes, a exemplo de John Dahl (ESPN Films), produtor-executivo do documentário ‘OJ: Made in America’, vencedor do Oscar 2017; Marie Jacobson, vice-presidente-executiva de Programação e Produção da Sony Pictures Networks; Alex Hirsch, criador e produtor da animação Gravity Falls; Michelle Satter, diretora do Programa de Longas-Metragens do Sundance Institute; Zola Mashariki, diretora de Programação Original da BET (Black Enternainment Television), e John Singleton, diretor de ‘Boyz n the Hood’ (‘Os Donos da Rua’) e de episódios das séries ‘Empire’, ‘Billions’ e ‘American Crime Story – The People v. O.J. Simpson’.

Além de falar em um painel, Singleton participou da cerimônia de abertura, no dia 7 de março, ao lado da atriz Danielle Moné Truitt, protagonista da série americana ‘Rebel’, que teve sua première mundial realizada no RioContentMarket. A série, com foco na comunidade afrodescendente dos Estados Unidos, foi escolhida para abrir o evento por dialogar com tema da representatividade negra no setor audiovisual, fio condutor do RioContentMarket nesse ano.

Os atores Lázaro Ramos e Camila Pitanga foram os anfitriões da noite de abertura, que recebeu e homenageou artistas negros do cinema, da TV e do teatro brasileiro, como Ruth de Souza, Antonio Pitanga, Elisa Lucinda, Maria Ceiça, Cris Vianna, Adélia Sampaio, Jefferson De e Luís Miranda.

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07 FEVEREIRO 2017 – RIO DE JANEIRO – Cerimonia de abertura do Rio Content Market. Foto: Rogerio Resende

A representatividade negra no setor também permeou toda a programação do RioContentMarket. Mais de 50 afrobrasileiros do mercado audiovisual falaram em painéis e participaram das Rodadas de Negócios.

Acordos internacionais 
A Brasil Audiovisual Independente e a Associação de Produtores Independentes de Televisão (APIT), de Portugal, assinaram durante o evento acordo de cooperação para potencializar as oportunidades de coprodução entre seus associados. O intuito é atuar conjuntamente em busca da ampliação do acordo de cooperação entre os governos do Brasil e de Portugal, que atualmente é válido apenas para cinema, a projetos voltados à TV e a outras plataformas do audiovisual.

No campo governamental, a Ancine também celebrou protocolo de cooperação com o Centre National du Cinéma et de l’Image Animée (CNC), da França. O documento marca o lançamento de uma parceria estratégica entre os órgãos, que inclui troca de informação e intercâmbio de agentes. O objetivo principal é a expansão, assim que possível, dos acordos de coprodução para a área audiovisual, em busca de novos incentivos a projetos independentes produzidos em conjunto pelos dois países.

Sobre o RioContentMarket
Realizado pela Brasil Audiovisual Independente (BRAVI), com a curadoria da Esmeralda Produções e produzido pela Fagga | GL eventsExhibitions, o RioContentMarket é um mercado internacional dedicado à produção de conteúdo audiovisual aberto a toda a indústria de televisão e mídias digitais. Tem entre os seus mais importantes parceiros a RioFilme e Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), pilares fundamentais para a sua realização. Em apenas seis edições, o evento consolidou-se como um dos maiores do mundo voltado a negócios e exposição de conteúdos audiovisuais, consagrando-se como palco das negociações entre players do mercado brasileiro e mais de mil produtoras independentes.  Por suas salas desde 2011 já passaram mais de 17 mil participantes, entre executivos, produtores e profissionais da indústria audiovisual de 36 países, que vieram apresentar projetos inovadores, cases e modelos de negócios relevantes para o desenvolvimento de parcerias e coproduções, além de realizarem reuniões de negócios.

Sobre a Brasil Audiovisual Independente (BRAVI)
A BRAVI reúne produtoras independentes de conteúdo audiovisual para televisão e mídias digitais e possui mais de 600 associados em 18 unidades da Federação, nas cinco regiões do Brasil. Fundada em 1999, a associação atua fortemente para o desenvolvimento do mercado audiovisual brasileiro e representa o setor em diversos fóruns de debates públicos e privados. Com uma estrutura profissional e reconhecida representatividade nacional, a BRAVI também participa ativamente das regulamentações do mercado audiovisual, incentivando a produção e novos modelos de negócios, além de oferecer capacitação especializada ao produtor independente. Por meio de relevantes parcerias institucionais, apoia a participação do empresário brasileiro no mercado audiovisual internacional.

Sobre o Brazilian Content 
O Brazilian Content é o programa internacional da Brasil Audiovisual Independente (BRAVI), criado em 2004 e realizado em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Com o objetivo de promover o conteúdo independente produzido para múltiplas telas no mercado internacional, o Brazilian Content viabiliza parcerias entre empresas brasileiras e estrangeiras, por meio de coproduções, vendas e pré-vendas para canais de TV, internet, telefonia celular e mídias digitais. O Brasil hoje é considerado um importante mercado no cenário internacional e está alinhado às tendências mundiais de produção multimídia.

 

http://www.apexbrasil.com.br/Noticia/RIOCONTENTMARKET-2017-CELEBRA-AFROBRASILIDADE-E-PARCERIAS#sthash.OVGornVs.dpuf

 

http://bravi.tv/historias-arrancadas-do-peito/

Série Rebel mostra o dia a dia da mulher negra americana como policial

MV5BNjQzYmY1NjItODk0Mi00NzY4LWJjOWQtMzQyYTY1OTNiOGJjL2ltYWdlXkEyXkFqcGdeQXVyNDI2MDA5MzI@._V1_RIO – John Singleton andava meio sumido. Sem lançar filmes desde “Sem saída”, de 2011, o diretor de “Os donos da rua” (1991), pelo qual se tornou o cineasta mais jovem a concorrer ao Oscar de melhor direção, com apenas 24 anos, volta agora na TV com a série “Rebel”. Com estreia marcada para o próximo dia 28 nos EUA, a trama ainda não tem data para chegar ao Brasil, mas teve sua première mundial na noite dessa terça, no RioContentMarket. Singleton e a protagonista da história, Danielle Moné Truitt vieram ao país apresentar a história durante o maior evento dedicado ao audiovisual da América Latina — o diretor fala nesta quarta, às 11h, no painel “A arte da direção”.MV5BNWRhMWQxZGQtNmM1Yi00NDRjLTlhYjUtNjUxMWMxNjM1NTA0XkEyXkFqcGdeQXVyNzIwNTAzODA@._V1_SY1000_CR0,0,772,1000_AL_

Em “Rebel”, Singleton volta a abordar a violência urbana, marca de seus primeiros filmes. O título da série é também o nome da protagonista (vivida por Danielle), uma policial do distrito de Oakland, na Califórnia, que sempre precisou ralar o dobro para provar seu valor por ser mulher e negra num meio essencialmente masculino e de tantos conflitos raciais. Até que ela vê seu irmão ser assassinado por seus colegas. O elenco ainda se completa com Giancarlo Esposito (de “Breaking bad”) e Brandon Quinn.

— Esse cenário (da violência urbana) é o cenário em que eu fui criado, cresci em Los Angeles, me sinto em casa nesse tipo de história. A vida inteira tive que lidar com a polícia na vizinhança, aprendi a evitá-los. Já vi meu pai e seus amigos serem obrigados a sair do carro e apanharem de policiais — conta Singleton, que nos últimos tempos dirigiu episódios de séries como “Empire” e “American crime story: O povo contra O.J. Simpson”.

O diretor, que costumava criticar os grandes estúdios de Hollywood por “não deixar que os negros contem suas histórias” já enxerga mudanças no cenário nos últimos anos.

— Durante muitos e muitos anos, latinos e negros viam versões estereotipadas de si mesmos nas telas. Agora temos mais negros atrás das câmeras, escrevendo e dirigindo. E isso faz muita diferença — diz o diretor que, ao contrário do que diz ter feito em “Os donos da rua”, não mirou no público essencialmente negro em “Rebel”. — Continuo mirando no público negro, mas de certa forma diluí um pouco a história para que todos pudessem se identificar, para que a série fosse notada e todos pudessem gostar.

Para Danielle, que acumula papéis em musicais da Broadway e experimenta seu primeiro grande papel na TV, a história de “Rebel” é, de fato, para todos os públicos.

— A série tem atores negros, asiáticos, latinos… Nossa esperança é que, ao mostrar uma mulher negra de forma completa, as pessoas possam se conectar com essa mulher. Todos queremos ser amados, respeitados, todos sofremos, passamos por situações… mostrar pessoas negras vivendo esses papéis na TV ajuda o resto das pessoas a perceber que não somos tão diferentes assim.

Além de “Rebel”, Singleton prepara outras duas séries para o futuro: “Snowfall”, sobre o tráfico de cocaína na Los Angeles em 1983, antes da chegada do crack, e “Straight outta heaven”, sobre um astro do hip-hop que morre e volta à vida como anjo da guarda.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/cultura/revista-da-tv/afastado-do-cinema-john-singleton-lanca-rebel-sua-primeira-serie-de-tv-21026037#ixzz4c3AxboNp
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Angola mantém“relações frias” com Portugal

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Ministro da Defesa de Angola e candidato do MPLA às eleições gerais, general João Lourenço, admitiu que as relações bilaterais estão agora “frias”

2017-03-21 18:50
João Lourenço, MPLA
João Lourenço, MPLA

O ministro da Defesa de Angola e candidato do MPLA, partido no governo, às eleições gerais, general João Lourenço, quer “respeito” das autoridades portuguesas às “principais entidades do Estado angolano”, admitindo que as relações bilaterais estão agora “frias”.

O vice-presidente do MPLA e candidato a sucessor de José Eduardo dos Santos na presidência, falava em Maputo, questionado pela imprensa angolana à margem de uma visita a Moçambique, na segunda-feira.

Sobre as relações com Portugal, após a constituição como arguido do vice-presidente, Manuel Vicente, por corrupção ativa, numa investigação da Justiça portuguesa, João Lourenço acentuou o momento de desencontro entre os dois Estados.

As relações estão, de alguma forma, frias, apenas frias. Estamos obrigados, os dois governos, a encontrar soluções para a situação que nos foi criada”, disse o ministro e dirigente do MPLA, em declarações reproduzidas esta terça-feira em Luanda.

“Nas relações entre Estados deve haver reciprocidade. Nós nunca tratamos mal as autoridades portuguesas e por esta razão exigimos, de igual forma, respeito pelas principais entidades do Estado angolano”, acrescentou.

Já na sexta-feira o chefe da diplomacia angolana tinha reiterado a necessidade de haver reciprocidade nas relações entre Angola e Portugal, com o tratamento igual às entidades políticas angolanas que é dado aos portugueses.

Georges Chikoti referia-se à publicação pela imprensa portuguesa de notícias sobre a acusação do Ministério Público português contra o vice-Presidente angolano.

O ministro das Relações Exteriores de Angola considerou Portugal um parceiro importante, mas as relações entre ambos os países “só podem ser boas se houver reciprocidade de tratamento de entidades políticas, de tratarem Angola como deve ser”.

Referiu que é preciso que haja a mesma reciprocidade de tratamento pela comunicação social, porque a angolana “não ataca nem dirigentes, nem outros países”.

E mesmo na separação das instituições, as nossas instituições mesmo que tenham eventualmente cidadãos portugueses que cometam erros aqui, têm o tratamento específico, que fica no fórum judicial e não têm tratamento público pela imprensa”, apontou.

Numa reação sobre o assunto, em fevereiro, o Governo angolano considerou “inamistosa e despropositada” a forma como as autoridades portuguesas divulgaram a acusação ao vice-Presidente de Angola, alertando que essa acusação ameaça as relações bilaterais.

A posição tomada na altura, em comunicado, pelo Ministério das Relações Exteriores refutava veementemente as acusações, “cujo aproveitamento tem sido feito por forças interessadas em perturbar ou mesmo destruir as relações amistosas existentes entre os dois Estados”.

Na sua posição, o Governo angolano manifestou-se “bastante preocupado” ao ter tomado conhecimento “através de órgãos de comunicação social portugueses” da acusação do Ministério Público português “por supostos factos criminais imputados ao senhor engenheiro Manuel Vicente”.

Na sequência deste facto, a visita da ministra da Justiça portuguesa, Francisca Van-Dúnem, a Angola, anunciada, em Luanda, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Augusto Santos Silva, durante a sua deslocação ao país africano, em fevereiro, deveria ter sido realizada entre 22 e 24 do mesmo mês, mas ficou adiada “sine die”, a pedido do Governo angola.

O momento atual está igualmente a condicionar a anunciada visita a Angola, na primavera, do primeiro-ministro português, António Costa.

Fonte:http://www.tvi24.iol.pt/internacional/joao-lourenco/angola-admite-relacoes-frias-com-portugal

 

fonte:http://www.tvi24.iol.pt/internacional/joao-lourenco/angola-admite-relacoes-frias-com-portugal

Metade de Angola e Moçambique vive sem água potável

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Problema afeta mais de 10% da população mundial, que causa a morte a 4500 crianças por dia. África é o continente mais afetado, segundo relatório do Conselho Mundial da Água

Luanda (Reuters)
Luanda (Reuters)

Metade das pessoas em Angola, Moçambique ou Guiné Equatorial, nações da Comunidade de Países de Língua Portuguesa, não têm acesso a água potável, um problema que afeta mais de 10% da população mundial e está na base de 3,5 milhões de mortes anuais.

O Conselho Mundial da Água – WWC, na sigla em inglês – que junta mais de 300 entidades de 50 países, refere haver mais de 923 milhões de pessoas sem acesso a água potável.

O problema afeta 319 milhões de pessoas na África subsaariana (32% da população da região), 554 milhões na Ásia (12,5%) e 50 milhões na América do Sul (8%), uma situação responsável pela morte de 4.500 crianças por dia.

Entre estas regiões, a Papua Nova Guiné tem a menor disponibilidade, com apenas 40% da população a ter acesso a água potável”, seguindo-se “a Guiné Equatorial com 48%, Angola com 49%, Chade e Moçambique com 51%, a República Democrática do Congo e Madagáscar com 52% e Afeganistão com 55%”, refere um comunicado divulgado pelo WWC.

Água com impacto económico

Aproveitando o Dia Mundial da Água, que se assinala na quarta-feira, o WWC alertou todos os governos para a urgência de resolver este problema e realçou que “o custo total da insegurança da água para a economia global é avaliado em 500 mil milhões de dólares”, cerca de 465 mil milhões de euros.

Mas, se for incluido o impacto ambiental, esse valor pode aumentar para 1% do produto interno bruto (PIB) global.

Além do custo económico, a falta de água potável está relacionada doenças que causam 3,5 milhões de mortes por ano, mais do que aquelas causadas por acidentes de viação e pela SIDA, em conjunto, segundo as contas da organização.

Pode também contribuir para a fome, guerras e migrações “irregulares e descontroladas”, havendo uma “absoluta necessidade” de aumentar a segurança da água para ultrapassar os desafios colocados pelas alterações climáticas e pelas efeitos da atividade humana.

A organização reafirma que o acesso das pessoas ao saneamento e a água potável “são prioridades fundamentais para os governos locais e regionais”, a fim de alcançar um dos objetivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, o que só pode ser alcançado “com um bom governo local, gestão sustentável dos recursos naturais e urbanização eficaz”.

Assim, a WWC “encoraja os governos e os cidadãos a aumentar a segurança hídrica nos seus países, assim como prestar auxílio às nações com maiores dificuldades, nomeadamente na África subsaariana e Ásia”.

Morre uma em cada cinco crianças

Um dos objetivos da ONU é de que todas as pessoas tenham acesso a água potável e saneamento até 2030.

Nas contas do WWC, é necessário um investimento anual de cerca de 650 mil milhões de dólares (cerca de 604 mil milhões de euros), até 2030, para garantir a concretização das infraestruturas necessárias para alcançar a segurança universal da água.

O Dia Mundial da Água deste ano é dedicado ao desperdício deste recurso e o presidente do WWC, Benedito Braga, citado no comunicado, resume a situação dizendo que “cerca de 90% das águas residuais do mundo são despejadas no ambiente sem tratamento, mais de 923 milhões de pessoas no mundo não tem acesso a água potável e 2,4 mil milhões de pessoas não têm saneamento adequado”.

Todos os anos uma em cada cinco crianças com idade inferior a cinco anos morre prematuramente devido a doenças relacionadas com a água e quase 40% da população mundial já enfrenta problemas de escassez de água e pode aumentar para 66% em 2025″ a que acresce cerca de 700 milhões de pessoas a viver em áreas urbanas sem instalações sanitárias seguras, acrescentou.

O Conselho Mundial da Água está a organizar o 8.º Fórum Mundial da Água, que vai realizar-se em março de 2018, em Brasília, capital brasileira, e terá cerca de 30 mil participantes.

 

Fonte http://www.tvi24.iol.pt/internacional/africa/metade-de-angola-e-mocambique-vive-sem-agua-potavel

Moussa Faki Mahamat: Quem é o novo líder da União Africana?

O ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do Chade tomou posse esta terça-feira (14.03) como presidente da Comissão da União Africana, em Adis-Abeba. Desenvolvimento e segurança deverão estar no topo da agenda.

Äthiopien Treffen Afrikanische Union - Tschad Außenminister Moussa Faki (picture-alliance/Anadolu Agency/M. Wondimu Hailu)

O antigo primeiro-ministro do Chade, Moussa Faki Mahamat, foi eleito para ocupar o cargo executivo mais importante da organização, substituindo a antiga presidente, a sul-africana Nkosazana Dlamini-Zuma. O ex-chefe da diplomacia chadiana, de 56 anos, tem uma vasta experiência política. Estudou Direito em Brazzaville e em Paris e é visto como o arquiteto da nomeação do Chade para o Conselho de Segurança das Nações Unidas como membro não-permanente e também como responsável pela nomeação daquele país para a presidência rotativa da União Africana em 2016.

Como antigo primeiro-ministro do Chade e ministro dos Negócios Estrangeiros, Faki Mahamat tem tido sempre uma palavra decisiva nas operações estratégicas em missões na Líbia, Mali, Sudão do Sul ou República Centro Africana. A sua eleição para presidente da Comissão da União Africana aponta para uma provável reorientação das políticas da organização em torno das questões de paz e segurança no continente, considera Liesl Louw-Vaudran, do Instituto de Estudos de Segurança, em Pretória: “O seu país, o Chade, é muito conhecido por se considerar uma espécie de campeão da intervenção militar”.

Desafios mantêm-se

Nkosazana Dlamini-Zuma Amtseinführung Vorsitz Afrikanische Union (picture-alliance/dpa/J. Prinsloo)Antiga presidente da comissão da UA Nkosazana Dlamini-Zuma

Para trás fica a sua antecessora, a sul-africana Dlamini-Zuma, que foi severamente criticada por negligenciar questões prementes num continente dilacerado pela fome e pela guerra. Dlamini-Zuma foi diversas vezes acusada de se concentrar no seu plano de prosperidade a longo prazo, para não mencionar o seu futuro político na África do Sul.

Jenerali Ulimwengu, analista político da Tanzânia, considera que Moussa Faki Mahamat não terá tarefa fácil e “os desafios que vai enfrentar são semelhantes aos de Dlamini-Zuma”. “Um dos problemas da União Africana é ter muitas intenções e acordos aprovados, mas nenhum mecanismo adequado para financiá-los ou implementá-los. Então surgem apenas declarações floridas nos média sem qualquer sentido prático”, explica o analista.

Moussa Faki também é alvo de críticas. O político tem fama de estar muito perto do Presidente Idriss Déby, o chefe de Estado do Chade e líder do Movimento Patriótico de Salvação. Déby foi reeleito em abril de 2016 pelo quinto mandato consecutivo, resultado criticado internamente. Governa o país com mão de ferro desde 1990. Ambos são membros do grupo étnico de Zagaua.

Os analistas comentam que Déby conseguiu colocar um homem em quem confiava ao comando da União Africana no mesmo dia em que entregou a presidência rotativa da organização à Guiné-Conacri, mostrando a influência que tem no continente.

Influências do passado

o entanto, a eleição de Faki Mahamat não era um facto consumado. Falhas internas não permitiram que nenhum candidato ganhasse a maioria necessária de dois terços em tentativas anteriores, forçando Dlamini-Zuma a permanecer mais seis meses no cargo. No início deste ano, foram precisas sete rondas de votação para que Faki Mahamat surgisse como vencedor à frente de Amina Mohamed do Quénia.

“Há países que ainda são mentalmente controlados pelos países que os colonizaram”, sublinha Jenerali Ulimwengu, acrescentando que “esses países dão instruções sobre várias questões, como por exemplo, como votar nas eleições ou criar novas relações com os países africanos companheiros”. Para o analista, “esta ordem de ideias vai manter-se e assombrar Faki Mahamat porque até mesmo a sua eleição foi influenciada pela divisão entre os países francófonos e anglófonos. Isso tem sido um problema nos países africanos”.

Enquanto fazia campanha, Faki disse que na qualidade de chefe da Comissão da União Africana o que mais desejava era que o som das armas fosse abafado por canções culturais e fábricas ruidosas. Embora tenha prometido colocar a segurança e o desenvolvimento no topo da agenda dos quatro anos de mandato, poderá também avançar com algumas das reformas tidas como necessárias para tornar a organização mais efetiva. “O líder da União Africana deveria ser capaz de tomar uma decisão e autorizar o envio de tropas em situações de crise. Neste momento, a Comissão está, de certo modo, refém da decisão dos 55 estados-membros. Está basicamente de mãos atadas”, lembra a especialista Liesl Louw-Vaudran. Habituado a estar em posições de poder, Faki poderá querer mudar isto.

Investimento chinês em Moçambique aproxima-se de 6 bilhões de dólares

O investimento da China em Moçambique tem vindo a crescer a ritmo muito acelerado e aproxima-se já, em termos acumulados, de 6 bilhões de dólares, de acordo com dados da Embaixada chinesa em Maputo.

Os dados foram citados quinta-feira em Lisboa pelo conselheiro da Embaixada da China em Lisboa, Nie Quan, no lançamento de um livro dos fiscalistas portugueses Bruno Santiago e Sara Teixeira, sobre o direito fiscal moçambicano, com foco no papel de Lisboa e Macau como plataformas.

Nie Quan disse que “o ritmo de crescimento do investimento chinês em Moçambique tem sido muito acelerado”, estando activas no país 100 empresas chinesas, em áreas diversificadas como a energia, agricultura, pesca, imobiliário, materiais de construção, turismo, autocarros, telecomunicações, infra-estruturas e comércio.

O investimento chinês em Moçambique visa ajudar os moçambicanos a serem auto-suficientes, tanto na indústria como na agricultura, sendo disso exemplo o facto de Moçambique ter já a primeira marca de automóveis em África, a Matchedje”, salientou o diplomata, que lembrou também os projectos de cooperação na área agrícola.

Nie Quan referiu ainda que as relações da China com Moçambique e com Portugal são de parceria estratégica global, superando o simples investimento económico, e que existe o potencial de “cooperação tripartida” sino-portuguesa em todo o espaço de língua portuguesa.

Juntos, sublinhou, China e os países de língua portuguesa representam 17% da economia global e 22% da população, pelo que existem “condições para que relações sejam mais sólidas e prósperas.”

Na cerimónia de lançamento do livro, na sociedade de advogados Morais Leitão, Galvão Teles, Soares da Silva e Associados, a embaixadora de Moçambique, Fernanda Lichale, lembrou a “amizade longínqua” do seu país com a China, desde a independência nacional até aos dias de hoje, e também com Portugal, considerando ambos os países parceiros privilegiados no desenvolvimento.

“Apesar das vicissitudes de diversa índole, Moçambique continua a ser um destino privilegiado para os investimentos estrangeiros e Portugal sem dúvida ocupa um lugar muito especial, alicerçado nas suas ligações histórico-culturais forjadas em séculos de convivência”, adiantou a diplomata.

O economista António Rebelo de Sousa, da Sociedade para o Financiamento do Desenvolvimento, Instituição Financeira de Crédito, defendeu que, apesar dos problemas políticos e económicos actuais, “Moçambique evoluiu no bom sentido nas últimas décadas, optando por um modelo de crescimento relativamente equilibrado.”

O livro “Direito Fiscal Internacional de Moçambique – As Convenções de Dupla Tributação” dedica especial foco a Macau e Portugal enquanto plataformas para o investimento. (Macauhub)

fonte:http://www.macauhub.com.mo/pt/2017/03/17/investimento-chines-em-mocambique-aproxima-se-de-6000-milhoes-de-dolares/China

África do Sul nega que construirá muro na fronteira com Moçambique

africa moçambique1.jpgO vice-presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, rejeitou hoje a proposta dos jovens do ANC, partido no poder, que defenderam a construção de um grande muro na fronteira com Moçambique devido ao crime.
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“Nós somos uma nação que não constrói muros. Nós não acreditamos em construir muros, isso define quem nós somos. Nós dizemos que a África do Sul é um país aberto e quando as pessoas vêm cá, devemos tratá-las com dignidade e respeito e dentro dos parâmetros da nossa Constituição”, declarou o governante, respondendo a perguntas no parlamento, citado pelo Times Live.Cyril ra

O vice-Presidente acrescentou: “Nós nunca apoiaremos [uma proposta destas]. E, além disso, não temos dinheiro para construir muros”.

No início da semana, em KwaZulu-Natal (norte), a Juventude do Congresso Nacional Africano (ANC, partido no poder) pediu ao Governo de Jacob Zuma que construa um “grande muro” ao longo da fronteira com Moçambique para impedir criminosos de roubar carros na região.africa moçambique

“Os criminosos simplesmente cortam a vedação de arame que separa os dois países e fogem. Por isso, nós queremos que seja construído aqui um grande muro para prevenir o crime transfronteiriço e queremos que o Governo desloque mais soldados” para a região, disse o responsável local dos jovens do ANC, Sandile Sibiya, citado pelo Huffington Post.

O pedido foi feito durante uma visita de Jacob Zuma à região, como parte de uma campanha do Governo sul-africano contra o crime, que está a causar um aumento de tensões entre residentes e migrantes de Moçambique e Suazilândia.